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sábado, 10 de abril de 2021

Good Night, Julian!

Esta canção finaliza o Álbum Branco

a história do álbum, cenário, assuntos e canções, aqui neste LINK

É uma de 9 canções Com Discurso para uma Pessoa

                                                   as demais duas canções de mesmo Assunto, neste LINK

Atenção, canções com títulos em vermelho 

são links que levam a análises sobre elas.

30. Good Night (Person Speech Song by John Lennon)

Ringo diz 'Hora de dizer boa noite, durma bem, sonhe doces sonhos pra mim, sonhe doces sonhos pra você!' 
Imagine que você vem ouvindo o Álbum Branco e vai ouvir a última faixa, após ter ouvido Back In The USSR, Happiness Is a Warm Gun, Everybody's Got Something To Hyde Except (For) Me And My Monkey, e Yer Blues, e acabou de ouvir Revolution 9, e sabe que vem aí mais uma Lennon/McCartney, e ouve uma orquestra abrir lindamente e ouve a inconfundível voz de Ringo Starr cantando "Now it's time to say good night, Good night Sleep tight! Now the sun turns out his light, Good night Sleep tight! Dream sweet dreams for me! Dream sweet dreams for you." Rola uma lágrima, e você imagina: "Mais uma linda balada de Paul McCartney! Ele é demais!"...  Certo? 
 
Errrrrooooouuuuu! 
 
Vamos aos esclarecimentos! 
 
canção é de John Lennon colocando o filho dele, Julian, então com 5 anos, para dormir, numa liiinda canção de ninar. Caramba, John, VOCÊ é que é demais!! O momento, entretanto, em que escreveu a canção, não era aquele mar de rosas nas relações familiares. Era junho de 1968, e ele estava virtualmente separado de Cynthia, a mãe de Julian. Paul inclusive estava em processo de criação de Hey Jude, como consolo para Julian, a quem chamava de Jude. John devia estar com remorsos por deixar o menino. Interessante é que Julian somente soube que a canção era de John para ele, apenas aos 30 anos, portanto, 25 anos depois de sua composição, e órfão já há 13 anos, no meio de uma entrevista! E Julian chorou! Enfim, coisas de John Lennon... A letra ressaltada é a do primeiro conjunto verso-refrão da canção, em seguida vem mais um verso, "Close your eyes and I'll close mine .... Now the moon begins to shine...", e mais um refrão igual, depois vem uma sessão instrumental, e finalmente se repete o primeiro conjunto verso-refrão ao final (com uma pequena confusão, que depois revelo). Esses instrumentos são de orquestra, tocados por 26 músicos contratados, que acompanham a voz de Ringo desde o início, em um magnífico arranjo de cordas criado por George Martin, que trouxe também um coral de 8 vozes para ressaltar algumas partes do vocal. 

Ao terminar sua composição, John decidiu que não a gravaria e a ensinaria a Ringo. E o fez na primeira sessão, em 28 de junho. Cantou a canção algumas vezes acompanhado ao violão, sob o olhar atento de Ringo, esse vocal foi registrado em fita, depois entregou a letra ao baterista que começou a praticá-la ali mesmo, mas ao final, LEVOU A FITA PRA CASA para praticar direito, e NUNCA MAIS ninguém ouviu a voz de John Lennon cantando sua linda canção. Chegou a rolar uma lágrima no meu rosto quando eu soube disso, e mais ainda quando vi a declaração de Paul, que estava presente naquele momento de treinamento, e disse que a voz de John estava perfeita, carinhosa, melosa, terna, como deve ser a voz de um pai cantando uma canção de ninar ao filho. Uma verdadeira lástima! Bem, ainda naquele dia, John gravou 5 takes de sua base na guitarra, usando o mesmo dedilhado que usou em Julia e Dear Prudence, depois dobrou, e depois triplicou, para dar mais volume. 
 
Três dias de prática em casa foram suficientes para Ringo captar bem o vocal, e no dia 2 de julho, todos ao estúdio, colocam o Take 5 pra tocar, e fizeram mais 10 takes, com Ringo no vocal principal e John, Paul e George fizeram backing vocals, graves, note os "Dream"s repetidos ao longo dos refrões. Achei muito legal, e coloco neste LINK o Take 10, considerado o melhor! Próxima data, 22 de julho, já foi com a orquestra no Estúdio 3, aquele enorme, só que antes de todos chegarem, Ringo fez mais 7 takes, desta vez acompanhado ao piano de George Martin e um leve backing de Paul ao fundo, como guia para Ringo, e a novidade de Ringo começar cantando com o refrão (caso queiram, eis o LINK). A orquestra tinha as cordas de 12 violinos, 3 violas, 3 violoncelos, contrabaixo e harpa, e os sopros de 3 flautas, clarinete e trompa, mais um vibrafone, e tinha um arranjo de Martin que ia crescendo ao longo da canção e Ringo cantou junto com eles mais 10 takes. Depois, vieram os cantores do coral de 8 vozes(4 masculinas e quatro femininas), e 4 deles já haviam tido a honra de gravar com os Beatles, em I Am The Walrus. Depois que foram embora, super profissionais, resolveram tudo rapidamente, Ringo voltou a gravar seu vocal! 
 
Agora, uma nota sobre os vocais. Notem a sensacional soprano na introdução sustentando uma nota lá no alto. No primeiro verso, Ringo está só, mas já no refrão, eles entram respondendo com "dream...sweet...dream", movimento que repetem nos outros dois refrões. No Verso 2, eles cantam a melodia junto com Ringo, e na sessão instrumental, apenas Ringo murmura. Eles voltam no Verso 3, também na melodia, só que Ringo se engana e canta a primeira linha do Verso 2, "Close your eyes and I'll close mine", quando deveria ter repetido o Verso 1 "Now it's time to say good night" que é cantada pelo coral. E foi isso que foi para o disco! Eles poderiam ter dado mais umazinha para corrigir? Decerto que sim! Só que ficou ótimooo! A métrica era idêntica. E, afinal, um erro de um Beatle vale mais que mil acertos de pobres mortais! Ringo estava perfeito, terno, como um pai cantando a um filho, e ele tinha dois, decerto se imaginou cantando pra eles. Ao final da gravação, Ringo ainda nos brinda com sussurros “Good night, everybody...everybody, everywhere, good night.” desejando, nos últimos segundos de uma maratona de 30 canções com que nos presentearam no Álbum Branco, um maravilhoso Boa Noite, a todos nós...todos nós, em todos os lugares do planeta!!! Como se sussurrasse a nós, filhos da arte deles, e que estamos órfãos há 51 anos, completados hoje! Chorei de novo, quando ouvi, agora. Boa Noite!! 
 
Bom, gente, eu venho mostrando em muitas das análises até aqui, momentos ao vivo dos The Analogues, e não poderia deixar de finalizar esta maratona de análises com o Gran Finale do show, em que reproduziram, em 1 hora e 40 minutos, sem sair de cima, as 30 canções do Álbum Branco, e, claro, finalizaram com Good Night. Resolvi colocar o LINK do show, vocês avancem para 1:35 e se emocionem. Colocaram no palco o número possível de instrumentos de orquestra, inclusive uma harpa, e os demais aparecem nos telões, bem como o coral feminino. O coral masculino foi desempenhado por 4 dos 5 membros da banda, que são todos vocalistas excelentes, e o quinto vocalista ficou no solo ao microfone, como no papel de Ringo Starr. E a voz até se pareceu com a de nosso baterista. Fiquem até o final, notem os closes que deram nos instrumentos, e chorem, como eu chorei, quando ele dá o Boa Noite final, igualzinho ao Ringo! É demais!!  O respeito pela obra dos Beatles é patente em cada movimento dos The Analogues.

6 comentários:

  1. O álbum branco é tão diversificado que está faixa é o fechamento com chave de ouro 👏🌟✨❤️

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  2. Parabéns Homero. Admirável sensibilidade artística e poder de compartilhamento.

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  3. Essa canção já era de uma beleza rara desde que a ouvi. Com esses detalhes, conseguiu ficar mais ainda. Obrigado!

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  4. " e você imagina: "Mais uma linda balada de Paul McCartney! Ele é demais!"... Certo? "

    Errou! Errou ao pensar que eu imaginaria "mais um linda balda de Paul..." Eu pensei e acertei que era mais uma belissima música dos Beatles! Eu nunca os separei. Jamnais cometi tal desatino. rs rs rs
    Good Night é de fato uma música dos Beatles mais uma vez mostrando ao mundo ó que signfica um álbum. Pena que até hoje muitos não sabem. Um álbum é para ser curtido do principio ao fim. Todas as músicas são importantes .São escolhidas à dedo e para ficarem naquela posição. Naquela sequencia. Viajamos ouvindo um álbum quando é marivolhoso como são todos os álbuns dos Beatles. Imagine, eles se despedem após nos mostrarem um concerto! Uma música como Good night com Ringo ainda nos desejando boa noite no final não faz o menor sentido se fosse a primeeira ou se fosse lançada num single. teria de ser ali fechando aquela aventura Beatle.
    Mas reconheçõ que este é o único album deles que eu me permito saltar faixas. Afinal o erro foi deles e não meu. Eles é que incluíram o que não devia ter sido inclúido e que nos tiram da viagem. Ou melhor, que me tiram da viagem, porque bem sei que muitos não se importam. Eu quero ouvir Beatles, passear com eles apenas. Ou com amigos deles todos que entram na mesma vibração. Ex: George Martin. Invasores não, por favor.
    Apesar disso como o album é imenso, mesmo saltando três faixas dá para viajar gostoso e me emocionar com Good Night, que só pude realmente apreciar em 1970, pois o disco comprado no Brasil estava defeituoso. Good night desafinada.

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  5. me foi pedido o erro de crédito da edição brasileira.peguei o disco,scaneei e enviei já há alguns dias mas parece que foi esquecido ou nao aproveitado.faz parte . por isso nao me empenho muito em enviar algumas coisas para alguns blogueiros

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