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sábado, 22 de julho de 2017

Sapiens - todos têm que ler

O autor do Livro deu uma ótima entrevista a Pedro Bial.
Preciso ler o segundo dele!!

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Na contracapa do livro que acabei de ler, uma das frases dizia....
“Este livro fascinante não pode ser resumido...você simplesmente terá que lê-lo”

Concordo totalmente! Vou fazer o possível para que meus filhos leiam!!
Mas preciso falar um pouco!! Ainda que umas poucas dezenas leiam o post e umas poucas unidades o comentem. Ao menos terei cumprido meu papel.
Trata-se de Sapiens – Uma Breve História da Humanidade, do historiador  israelense


Yuval Noah Harari, tão jovem e tão brilhante, em suas pesquisas e suas traduções para as páginas do livro.
Sim, é uma história, mas com poucos dados, nomes e datas. Apenas o faz quando é absolutamente necessário. Creio que pouco mais de uma centena de nomes foram mencionados, datas, menos que isso. O que importa é o que está por trás da coisa toda.
A Cronologia ele resume logo de cara, em duas páginas que abrem o livro, e algumas vezes eu as consultei para me localizar. Identifica a Revolução Cognitiva, a Revolução Agrícola e a Revolução Científica, a primeira que começa com o começo da história do Homo Sapiens (gênero Homo - espécie Sapiens), há 70 mil anos, a segunda que começa há 12 mil anos, a última que começa em 1500. Revolução Industrial? Sim, ele a reconhece, mas como nada mais que um capítulo da Científica, para ele muito mais importante.
Na Cognitiva, ele identifica como viviam os caçadores-coletores, como diz o nome, caçavam animais e coletavam da natureza o que necessitavam, mais individualmente ou em pequenos grupos. Interessante ele observar que talvez aqueles nossos ancestrais  fossem mais felizes que nós, embora vivessem muito menos.... O capítulo em que fala disso, ele chamou ‘Um Dia na Vida de Adão e Eva’. Interessante ele referir-se a fatos bíblicos apenas no nome do capítulo, sem mencionar uma vez sequer os ditos cujos no desenrolar da escrita. Assim ele também fez com ‘A Inundação’... pensa que ele falou em Noé, ou sua arca? Não, na verdade ele cita o poder destruidor de espécies que nós desenvolvemos desde priscas eras. Era o Sapiens chegar num novo lugar para que as espécies nativas desaparecessem em poucos milênios, ou mesmo séculos... um tiquinho de tempo só.
A Agrícola começou quando além de coletar plantas e animais eles os domesticavam, tanto os últimos quanto as primeiras. E começaram a organizar-se em grupos maiores, e começaram a aparecer hierarquias, propriedades, reinos e depois impérios. É nessa parte em que se destaca o estilo do escritor, quando ele pega um assunto e o disseca através dos tempos, desde sua origem. Fez assim com o dinheiro, com a escrita, com a religião (no mais amplo conceito – nazismo seria uma delas) com os impérios em si... sempre amarrando com a situação contemporânea. Como aprendi com este livro!
Na Científica, ele define como fundamental “A Descoberta da Ignorância”, que fez com que desbravadores saíssem pelos Oceanos em busca de conhecimento, bem verdade que estimulados por necessidades expansionistas dos impérios, mas sempre embarcando em suas naus engenheiros, cientistas, médicos que foram descobrindo as maravilhas do mundo moderno, e claro, como sempre dizimando as populações que encontrava pelo caminho em sua busca...

Numa parte final ele especula o que a ciência ainda tem por descobrir, e chama o capítulo de ‘O Fim do Homo Sapiens’ uau! O que virá por aí, especialmente depois que vemos o mais recente capítulo de Terminator.

Em posts separados irei detalhando um que outro descobrimento que fiz com a leitura... isto é, se houver algum interesse da parte de meus queridos e pouquíssimos correligionários..

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Já foi tarde!

Eu costumava fazer versos ao final de cada ano.
Teve ano que foram 100 estrofes!
Depois, desanimei!
Em 2007, foi neste post.
http://blogdohomerix.blogspot.com.br/2007/12/o-natal-e-o-ano-novo.html
No 2º verso, o tal 'ministro que não foi sério' era Marco Aurélio Garcia, que morreu ontem..
Não deixou nenhuma saudade.. mentor da desastrosa política externa de Lula, apoiador do bolivarianismo escroto e do Iran de Ahmadinejad...
Já foi tarde... depois de muito estrago por aqui!!! Homero Sem Qualquer Saudade Ventura

terça-feira, 18 de julho de 2017

Baby Driver - o melhor filme de 2017 - até agora

Quando eu pensava que ia passar o domingo pensando e concentrado na estréia da nova temporada de Guerra dos Tronos, acaba que acabei assistindo, graças a uma indicação de Felipe, ao melhor filme deste ano, em minha singela opinião...

Trata-se de 'Em Ritmo de Fuga', original 'Baby Driver', sim "bi-ei-bi-uai beibi" que é como o astro principal se apresenta, quando o interlocutor pergunta 'Baby?'.

Quem não gosta de spolier, pule os parágrafos em vermelho itálico!
Baby é um piloto de fuga (getaway driver) geninho em tudo, mas principalmente atrás de um voltante, quando se transforma num demônio! Sua habilidade é usada por um mangangão do crime, que planeja os assaltos a bancos (principalmente) e contrata sempre uma quadrilha diferente, mas sempre Baby pra tirar os ladrões da cena. Baby paga uma dívida ao chefão, por ter roubado um carro que não devia, quando era pré-adolescente (sim, Baby era um ladrão de carros), e se comprometeu a liderar um certo número de fugas.
Garoto problema, ele é super calado (só que quando fala, arrasa!), ele mora com um pai adotivo (foster parent) que está velho, surdo e vive em cadeira-de-rodas. Na verdade, é ele quem cuida do pai. Ótimos momentos entre os dois!!!

Ansel Elgort, pra quem não reconheceu na foto, é o irmão da Divergente e o namorado da culpada das estrelas. Kevin Spacey é o mangangão, dando um tempo em sua temporada como chefe do Castelo de Cartas, que lhe rendeu ainda mais fama e fortuna. Outros dois 'famosos' que apostaram nessa incursão do jovem diretor Edgard Wright, são John 'Mad Man' Hamm e Jamie Foxx, um dos queridinhos de Tarantino (junto com John Travolta, Samuel L. Jackson, Cristoph Waltz, Harvey Keitel, Uma Thurman, Michal Madsen, etc..).

Não foi à toa que eu falei de Tarantino!

Edgard Wright é, claramente, seu discípulo. É evidente a semelhança, e por que não, a homenagem a "Cães de Aluguel" neste novo filme. O ritmo, os planos, os diálogos, os personagens marcantes, característicos de Tarantino, está tudo lá. Só não está lá o recurso de inversão da história, que Tarantino adora usar, mostrando o fim para depois contar como foi o começo.

Entretanto está lá também a música! Que trilha sonora excepcional!! E não contei, mas deve ter mais de 50 trechos de música no filme. É parte essencial do enredo, já que Baby está permanentemente conectado a um I-Pod (vários sempre com ele) e ele comanda seus movimentos com o ritmo da canções que está ouvindo. Sensacional!! 


De AR-RE-PI-AR !!
(pra quem quer recordar separação silábica...)

Dentre os muitos que reconheci, estão Barry White, Focus, R.E.M, Blurr, Queen, James Brown, Beach Boys e ..... quando eu ouvi uma delas, não resisti e gritei "Nossa!" e comecei a acompanhar num 'air piano', para sorriso inicial e posterior desespero de filhos e Neusa. Trata-se de Unsquare Dance, de Dave Brubeck, sim o fantástico white jazz-man, que morreu há uns poucos anos, já com 90 anos, mas tem seu álbum Time Out entre as listas de Top Ten de muita gente entendida. Unsquare Dance fez parte de um outro LP. Ouçam aqui: https://www.youtube.com/watch?v=IA0HXOdCBgo. Não ouvia a canção há décadas, e não resisti à emoção.

Finalizando, 



Homerinho 
aplaude de pé!!!




segunda-feira, 17 de julho de 2017

Chegou a 7ª temporada de Game of Thrones!!!

Há dez meses, eu estava na metade do mundo que ouvia falar de Game of Thrones

Em dois meses, assisti às seis temporadas, no Now da Net, e passei para a outra metade, que anseia pela nova temporada, QUE COMEÇOU!!! 


Foi ontem
16 de julho de 2017!!!

Hoje já li os 5 livros, venci uma batalha de 5000 páginas.

Que espetáculo!


Lutas, duelos, batalhas, traições, conspirações, expiações, ressurreições, planos,
degolamentos, prisões, torturas, esfolamentos, enforcamentos, cremações
deuses, reis, rainhas, príncipes, lordes, cavaleiros, escudeiros, selos, bandeiras,
guerreiros, meysters, septons, vigilantes, selvagens, fanáticos, imortais,
romance, honra, negociação, alianças, sexo, sangue, fogo, devoção,
cavalos, lobos, dragões, zumbis, gigantes, wargs, corvos, águias, elefantes,
eunucos, prostitutas, cafetões, anões, bastardos, mercenários, babás,  
armaduras, facas, capas, espadas, lanças, bestas, vinhos, venenos, poções,  
mares, muralhas, palácios, castelos, navios, calabouços, tendas, cavernas,
nascimentos, casamentos, funerais, casas, famílias, dinastias, reinos,
starks, targaryens, lannisters, mormonts, freys, boltons, martels,
baratheons, greyjoys, tullys, arryns, dothrakis, tarlys, payne, grey worm,
davos, jon, daenerys, cersei, tyrion, jamie, eddard, robb, catelyn, daario, 
joffrey, arya, bran, hodor, brienne, podrick, sandor, gregor, ramsay, loras,
tywin, melissander, stannis, sansa, shae, theon, jorah, renly, lysa, osha, bronn,
khal, tommen, missandei, sam, gillie, kahl, benjen, oberyn, varys, robin,
arianne, alaine, janos, jojen, barristan, margery, meera, euron,
baelon, aeron, deric, victarion, ilyn, jaqen, hot pie, victarion,
moon tea, milk of the poppy, wildfire, tears of Lys, widows' blood,  
snow, waters, sand, stone, storm, flowers, hill, pyke,
dorne, king's landing, winterfell, riverun, mereen, qarth, braavos, old town, 
volantis, astapor, yunkai, tarth, casterly rock, lys, dragonstone, eire,
white walkers, night watchers, kings' hands, trials by combat, oathkeeper,
father, mother, maiden, crone, warrior, smith, stranger, rhlohr, old, new. 

tudo concatenado, amarrado, resolvido,
cenários, computação, direção, roteiro, interpretações.
fui engolido pela trama, pela qualidade, pelos personagens,
até me imiscuí num deles, abaixo!!





Chegou a 7ª temporada!

sexta-feira, 14 de julho de 2017

História de um Sorriso

Já um ano se passou!!
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TEXTO ORIGINAL DE MAIO DE 2007
EM OUTUBRO DE 2008, CARLINHOS MUDOU DE PLANO
ANO PASSADO, DONA MIRA FOI SE ENCONTRAR COM ELE!!
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          Outro dia, chegou a minhas mãos uma reportagem sobre um rapaz que ‘corre’ o mundo divulgando sua luta, e que luta, já que nasceu sem os dois braços e sem as duas pernas. Sua peregrinação pelo otimismo é acompanhada por um constante e tocante sorriso.


          Presenciamos um sorriso como aquele todo dia lá em casa, em meu cunhado, com seus inacreditáveis 54 anos de idade. Seu nome, Antônio Carlos, mas só na certidão... pra todo mundo, Carlinhos, nosso querido!

            Seu nível de consciência é de uma criança de dois anos, mas é o suficiente para demonstrar seu estado de espírito. Está, na maior parte do tempo, com um sorriso no rosto. É sua melhor expressão. A fala é limitada: quando estimulado, profere alguns vocábulos que só nós entendemos, dissílabos, raramente tri. Agradece sempre que o ajudamos, faz carinho no cabelo da irmã e da sobrinha, retribuindo o carinho que elas constantemente lhe dão. Conhece a todos nós pelo nome. E também conhece alguns parentes e amigos que deram atenção a ele, ao longo de sua pacata vida. Outro dia, recebemos a visita de três senhoras, uma tia e duas amigas, que ele não via há 15 anos, e ele lembrou-se perfeitamente delas. Não reclama de nada: quando fica sério, sabemos que não está bem, alguma dor o perturba, mas não sabemos onde. Damos aquela medicação tipo medicina familiar, ele volta ao normal e nem sabemos como. Vive naquele mundinho que só ele entende. Não presta atenção em TV, mas acompanha com a cabeça as pessoas que passam à sua frente. Também capta as presenças do outro mundo, notamos pelo seu movimento de defesa, por vezes. Sua única distração é uma bola amarela que ele passa de uma mão à outra em movimentos ritmados, repetitivos: bola na mão direita, bate na barriga, coça o dedo duas vezes, passa para a mão esquerda, bate duas vezes a bola na barriga, coça uma vez o dedo, passa a bola para a mão direita, todo o dia, a vida toda. De vez em quando, muda a série, numa lógica que só ele entende. 
           Quando não está segurando a bola, está segurando o vidro em que urina; fosse outro, jogava o vidro longe .... um santo. Não fosse esta 'educação', minha sogra estaria ainda mais piradinha do que já está. Ele costuma avisar quando vem a vontade (ele mexe lá), porém não é sempre que alguém está olhando para ele, de forma a poder perceber o aviso. De tão cansada de fazer estágio segurando o vidro e esperando a natureza ajudar, minha sogra acabou por conseguir ensiná-lo a segurar o recipiente. É muito chato quando escapa e ele faz suas necessidades no chão, tem que levar pra cama, trocar tudo, lavar ele todo, enfim, não sei como ela agüenta, no alto de seus 84 anos. Acontece, em média, uma vez por dia, apesar de todo o cuidado. Isso sem contar as ocasiões mais, como direi, mal cheirosas: apesar de os pais terem conseguido regular seu intestino e ele só defecar durante a manhã, já sentado ao vaso, e quando estimulado por laxante, de vez em quando escapa e aí, já viu, né?! Felizmente, essas ocasiões são mais raras. A vida dela tem sido essa missão resignada, de fazer tudo por um menino que não consegue fazer nada por si só, banhar-se, alimentar-se. Por muito menos, e já há algumas décadas, outros o teriam deixado aos cuidados de casas especializadas. Bem, fosse assim, e certamente ele não teria chegado à idade que está. Ele chegou até aqui à guisa de muito amor, dedicação, carinho.
        Ele vive aquela vidinha, todo dia, a mesma coisa: da cama para a cadeira de banho, da cadeira de banho para a cama, da cama para a cadeira de rodas, onde passa o tempo em que está acordado, depois, de volta para a cama, sempre com a ajuda do nosso inseparável e fundamental companheiro, o levantador de doentes, em inglês, patient lifter.  Trata-se de um macaco hidráulico bonito, todo cromado, que, em conjunto com alguns assessórios (ganchos e cestas), torna possível a movimentação de incapazes. Graças a ele, pessoas como minha sogra, esposa, filhos e empregadas podem mover um ser inerte de 65 quilos pra lá e pra cá e seguirem suas vidas adiante sem sérios problemas de coluna. Nunca me esqueço que meu sogro sempre fez aquele esforço sozinho, anos a fio, no muque, como diziam, por absoluta ignorância nossa, não sabíamos da existência daquela fenomenal ferramenta. Quis o destino que, na mesma época de sua morte, passou também para o andar de cima o sogro de meu irmão, de quase 90 anos, também imóvel. Caiu a ficha em meu irmão que, em seguida, apresentou-nos à oitava maravilha do mundo, e nós a adquirimos, de imediato. Claro que minha sogra, ainda fragilizada pelo momento de perda, rejeitou o aparelho, dizia que não aprenderia a mexer naquela geringonça, enfim. Hoje, todas as noites, antes de se deitar, dá um beijinho no monstrengo, que viabilizou sua vida (e a nossa) desde a partida de seu companheiro de missão, em 1992. Ela passava então a depender única e exclusivamente de sua única filha.
         Uma situação que ela sempre rezou para que não acontecesse. Não passava pela cabeça dela atrapalhar a vida da filha com aquela configuração familiar de dedicação e sacrifício. Qual nada, depois do desenlace, lá se vão 15 anos, trouxemos os sobreviventes para o Rio e foi tudo sempre muito tranqüilo. Colocamos mãe e irmão em um apartamento no mesmo prédio em que morávamos, após uma pequena reforma no banheiro, de maneira que seguiam suas vidinhas, separados, mas muito próximos. Sempre estávamos juntos, porém, vivíamos sob diferentes tetos. Ela se sentia com uma certa liberdade, comandava sua casa, tinha sua empregada para ajudar e, claro, o criado cromado, mudo e sempre eficiente. Ele só requeria uma manutenção periódica e uma troca de óleo pelo pagamento de seus serviços. Fomos todos ajudados, também, pela excelente saúde de meu cunhado. No máximo, umas crises de gritos, muito poucas e em bem menor freqüência que antes, em sua terra natal. Tudo controlado por uma medicação de fundo, anti-convulsiva, que ele vem tomando desde criança. Seu sorriso sempre estava presente, um sorriso de agradecimento, parece. Claro que estavam os dois amparados por um plano de saúde, ainda bem que nunca precisamos utilizá-lo para o meu cunhado. A única vez em que o fizemos foi para a realização de exames ambulatoriais, que realizamos (resultados normalíssimos, saúde de ferro) à época da grande movimentação de nossas vidas: a mudança para outro país, a terra americana. 
         Eu sempre desejara uma missão permanente no exterior, a empresa em que trabalho oferecia esta possibilidade, porém eu nunca procurara mostrar interesse, devido à minha peculiar situação familiar, com uma configuração que comprometia. Tanto tinha certeza da impossibilidade que, quando recebi o não solicitado e muito inesperado convite, alertei meu diretor de que as chances eram bastante remotas, devido àquela situação. Surpresa absoluta, quando cheguei em casa e falei à minha esposa sobre a oportunidade, ela, que sempre recusara a hipótese de sair do Brasil por causa daquilo tudo, pensou 2 minutos e disse: Vamos nessa! Naquele curto intervalo de tempo, ela vislumbrou uma excelente oportunidade de dar à mãe e ao irmão uma atenção exclusiva, tempo integral, coisa que ela não podia fazer aqui, devido ao trabalho. Além, é claro, dos benefícios para nossos filhos e minha carreira. Os três meses seguintes, de preparação, até a partida, entretanto, foram de batalha inglória de tentar convencer minha sogra de que aquela decisão não era uma loucura. Ela chegou a sugerir que fôssemos, que os deixássemos aqui, amparados, que eles ficaria numa boa! Só nos faltava essa, nunca nos passou pela cabeça a idéia de viver longe deles. O maior temor da velha senhora, além da natural resistência a mudança, compreensível naquelas situação e idade, era a viagem, em si: o menino não vai agüentar, ele vai ficar nervoso, vai se sujar todo, vai ter crises, vai gritar, vai incomodar todo mundo, enfim, tudo o que de ruim poderia acontecer, era líqüido e certo de que aconteceria, em seu raciocínio, fragilizado naquele momento de incerteza. Na verdade, eu dizia que não se peocupasse, que tudo daria certo, mas, lá no fundo, eu estava bem preocupado, sem transparecer, com aquele que viria a ser o dia mais tenso de minha vida.
         Fomos acompanhados por uma pequena comitiva de amigos, na partida. Felizmente, os temores de minha sogra não se confirmaram, como todos sempre lhe diziam. Ainda não havia o vôo direto, sem troca de aeronave, o que facilitaria muito nossa vida. Teríamos que desembarcar em uma escala, esperar por mais de 3 horas, caminhar um bom pedaço para trocar de terminal, e somente então embarcar para o destino final em outra companhia aérea. Deu tudo certo na viagem, fora o trabalho normal, que já esperávamos, meu cunhado ficou ótimo o tempo todo, quase 24 horas, de casa a casa. O tempo de espera na escala foi  bastante movimentado,  começando com a retirada de nossos 14 volumes, incluindo cadeira de rodas e o inseparável patient lifter, além de, nas mãos, outros 10 volumes. Éramos 7 (levamos uma empregada, que não durou muito conosco), foi uma verdadeira invasão! Aconselhados de que era arriscado fazer o despacho normal, automático, de bagagem para o outro terminal, dado o indecente volume, fomos a pé mesmo, carregando tudo para o outro terminal. Contratamos um negão enorme, que conseguiu colocar aquilo tudo empilhado num carrinho só e lá fomos nós por aqueles terminais afora… às vezes, caía uma mala lá de cima … parecíamos a Família Buscapé! Novo embarque, movimentação de meu cunhado da cadeira para a poltrona, no muque, e finalmente, a última perna do vôo. Na chegada ao destino final, uma outra comitiva nos esperava, e com tanta gente pegando mala, acabamos por levar também a mala de outra pessoa que estava lá perdida na esteira. Felizmente tudo acabou se resolvendo. Começava uma vida nova para todos
         Nossa vida americana foi um período especial, no aspecto familiar. Num sobrado grande, instalamos os mais velhos no piso inferior. Não sem antes, claro, de uma reforma básica, feita antes da triunfal chegada, por conta das necessidades de meu cunhado: numa terra sem ralos no banheiro, era impossível banhá-lo sentado ao vaso, como sempre se fazia. Removemos a banheira, transformando-a num box, onde ele foi banhado diariamente sobre uma cadeira de banho. Era a primeira vez em que estávamos todos sob um mesmo teto. Minha sogra sentiu-se mais amparada, recebíamos visitas de outras famílias brasileiras. Ela sentiu-se mais paparicada. E dava para perceber a felicidade de meu cunhado, seu sorriso era mais freqüente, seu olhar mais agradecido, gostava do movimento de entra e sai das crianças, era mais gente lhe dando atenção. Chegou a aprender os nomes de amigas de minha esposa que lhe davam atenção especial. Com muito esforço, ensinamos também que ele estava nos Estados Unidos. Perguntávamos se ele queria voltar para o Rio, ele dizia: “Não”; aonde ele queria ficar? ele dizia: “Aqui”; aonde?, ele respondia: “i-idos”, (tentamos acrescentar o nome do país em que estávamos a seu pequeno vocabulário particular e era assim que ele traduzia). Durante o nosso período americano, ele não teve sequer uma crise, com gritos, daquelas que usualmente tinha no Brasil. Foram quatro anos bem aproveitados. A volta ao Brasil foi bem mais tranqüila, já que não houve troca de aeronaves, ou seja, menos necessidade do muque! Aqui, de volta à terrinha, permanecemos na configuração de antes, juntos, mas separados por 2 andares, mas sentíamos que minha sogra tinha saudades da época em que estivemos todos juntos e, finalmente, agora estamos todos sob o mesmo teto. Meu cunhado continua bem e expressando seus desejos da mesma forma. Perguntamos se ele quer voltar para os Estados Unidos, ele diz: “Não”; aonde ele quer ficar?  ele diz: “Aqui”; aonde? ele responde: “ Rio”. É, na verdade, parece que ele quer mesmo é tranqüilidade, esse negócio de viajar de avião não é lá muito com ele. Do estágio americano, trouxemos um facilitador a mais, a cadeira de banho, que lá usávamos para banhá-lo no box: em um belo momento, caiu a ficha de que poderíamos continuar usando-a. Aqui, ela veste o vaso e o banhamos com a ducha. Economizamos duas utilizações do criado.
         Lembro-me que quando entrei na vida deles, lá se vão 30 anos, eles moravam num sobrado de uma rua tranqüila de bairro em Santos, e eu presenciava o esforço de meu sogro. A casa era antiga, não tinha um grande banheiro no piso inferior, todo o ‘serviço’ de higiene de meu cunhado era feito num pequeno banheiro, sem nenhum espaço para cadeira de rodas: não dava para ‘estacionar’ a cadeira de rodas ao lado do vaso. Meu sogro pegava meu cunhado no muque, fora do banheiro e o arrastava até o vaso. É bem verdade que, à época, ele pesava bem menos, uns 40 ou 45 kilos no máximo, mesmo assim um esforço e tanto. E ele nunca me deixou ajudá-lo: era a missão dele.  Na época, ele já estava aposentado há uns 11 ou 12 anos. Ele dormia num colchão, ao lado da cama do menino, na sala de jantar: naquela época, já estava impossível levá-lo aos quartos superiores. Antes da aposentadoria, quem cuidava do menino era a mãe, para possibilitar o trabalho do pai, que era doqueiro. Isso mesmo, cuidava da casa, da comida e do menino, de vez em quando auxiliada por uma empregada, nem sempre constante, sabemos. Levava-o a médicos, fisioterapeutas, fono-audiólogos, tudo fazia para tentar dar uma vida um pouco mais normal ao filho. Teve até um período em que ele ia a escola. A casa deles era o ponto focal da família, até mesmo da vizinhança. A dificuldade de locomoção de meu cunhado tornava natural a escolha. E minha sogra não deixava por menos, sempre recebia a todos, muito bem servidos. Nos domingos, eram sagradas as reuniões de família, quando as crianças brincavam, as mulheres conversavam e os homens jogavam sueca. Nunca houve um ano sem festa de aniversário das crianças, ou sem festa junina, ou sem a reunião de Natal, com Papai Noel distribuindo presentes, até mesmo para as crianças pobres que para lá acorriam. Eram os momentos de maior alegria de meu cunhado. Até uns 15 ou 16 anos de idade, meu cunhado conseguia até andar, apoiado num carrinho de madeira com rolemã, montado pelo avô, pai de meu sogro, que dedicou o final de sua vida ao garoto, até que a doença o impossibilitou. O outro avô também estimulava muito o menino. Tinha muita paciência e perseverança para tentar ensiná-lo a fazer um pouco mais por si só.  Com todas as limitações que tinha, meu cunhado conseguia até mesmo dar uma volta no quarteirão empurrando o carrinho, acompanhado pela irmã e amigas, ou quem pudesse, ia andando com suas perninhas atrofiadas e fazendo “Piiii”, como se fora um trem em movimento. E xingava os mendigos que passavam! Não por maldade, claro! É que ele, quando estava em casa, ficava olhando a rua, da varanda, com aquele movimento da cabeça pra lá e pra cá, chegava um mendigo pedindo um prato de comida, e parecia que meu cunhado dizia “não” com a cabeça, sem lhe dar atenção. O mendigo então o xingava de várias maneiras, sendo a mais freqüente: “Filho da P _ _ _!” Então, quando andava pela rua e via um maltrapilho, soltava o verbo: “P _ _ _”. E morria de rir! É assim que ele aprendia. Ele era badalado e festejado por toda a vizinhança. Interessante que, embora eu ainda não conhecesse a família naquela época, tenho na mente a imagem do Carlinhos andando, empurrando o carrinho, com aquele jeitinho trôpego. Talvez por ter passado de carro alguma vez por lá, o que é improvável, pois não havia muitos motivos para eu andar por aquelas bandas. Ou, sei lá, talvez minha mente tenha montado inconscientemente a imagem, devido à nossa proximidade e afinidade e aos relatos que ouvi. Talvez Freud explique! 

             Ele conseguia até mesmo se arrastar pela escada até seu quarto, então no andar superior. Contam-me que, no difícil caminho de subida, ele parava em frente a uma imagem de Santa Terezinha que fora pintada por sua mãe e pedia: “a-inha, andá!”, traduzindo, “Santa Terezinha, me faça andar!”. Infelizmente, seu desejo foi ficando cada vez mais difícil de ser atendido: apesar de sempre ter feito fisoterapia, especialmente para as pernas, ele foi crescendo, mais o tronco e os membros superiores do que as pernas, que continuavam atrofiadas, o esforço começou a ser cada vez maior até que um belo dia, parou de vez, e começou sua rotina cadeira-vaso-cama. O que não foi empecilho para seu pai deixar de cumprir, todo santo dia, ou melhor, toda santa noite, uma outra rotina, infalível: depois do jantar, colocava o garoto no fusquinha, e ele ia lá, agarrado à alça de segurança do painel, com seu “Piiii”, num passeio até a praia para visitar seus queridos tios e padrinhos e comer pipoca. Na volta, meu sogro sempre fazia questão de fazer o caminho maior para poder passar pelo único túnel da cidade e ouvir o filho gritar: “Úneu, Úneu!”. Pequenas alegrias de uma vida obstinada. Vida que foi muito modificada por minha chegada, já que tirei daquela casa o maior motivo de alegria da família, a filha tão querida, luz da vida deles, pai, mãe e irmão, sobre quem eram lançadas todas as expectativas, onde se depositavam todos os sonhos. Claro que o casamento da filha fazia parte dos sonhos da mãe, ela sabia que ela sairia de casa um dia. O problema é que eu não só a tirei de casa, mas sim, da cidade, levei-a para uma outra bem longe, a 500 quilômetros daquele peculiar recanto familiar. Senti, ao vê-los pelo espelho do carro, um pouco de remorso. Posso imaginar como foram aqueles primeiros tempos sem ela. Mas, assim é que a vida se configurava, fazer o quê? Fizemos muito para tentar diminuir o sofrimento deles: nossas viagens para fora do Rio sempre foram para visitá-los. Íamos todos os meses passar 2 ou mais dias com eles, conforme deixavam os compromissos (e feriados) de nossos empregos, estava fora de cogitação aproveitar, por exemplo, um feriado prolongado sem bater o ponto em Santos; quando minha esposa tinha mais disponibilidade, ficava lá por mais tempo e eu ia todos os fins-de-semana, de ônibus. Enfim, fazíamos a nossa parte.

                    Em outras ocasiões, fazíamos o inverso: trazíamos todos para o Rio. Ia de carro sozinho num sábado e pegava a estrada de volta no domingo, com sogro, sogra, cunhado e cadeira a tiracolo. Numa dessas viagens, a minha freqüentemente alta velocidade fez com que fôssemos parados por um guarda rodoviário. Assim que eu lhe entreguei os documentos e estava prestes a começar minha ladainha de desculpas, nem foi preciso. Meu cunhado, que vinha a meu lado, começou a falar alto, gritar, berrar, como ele fazia às vezes, eu disse: “Ele é doente!” e o guarda, rapidinho, deu-me os documentos de volta e disse: “Pode ir, doutor!”. Até parece que meu cunhado captou o momento, e sua reação foi proposital pois, logo depois que partimos, pararam os gritos e seguimos viagem como se nada tivesse acontecido. E rindo muito da inteligência do menino-senhor de 33 anos. Meu sogro adorava aqueles períodos no Rio, era sua única oportunidade de sair daquela vidinha pacata e sofrida que tinham. Adorava ir à padaria, ao super-mercado, a pé, conversava com os porteiros, com os guardas de trânsito, simples que era, fez muitas amizades. Nunca ouvi daquela boca de meu sogro, em meus quinze anos de relacionamento, uma reclamação, um lamento, sempre estava alegre e brincalhão, mas sempre buscando forças na espiritualidade para entender e assumir a missão que lhe fora conferida. Espiritualidade que, contam, atuou decisivamente em três ocasiões, em que meu cunhado foi dado como desenganado, esteve a ponto de desencarnar, como dizemos. Muita oração, muito pedido, muita promessa, muita fé, fizeram com que ele continuasse neste plano, nesta visita, nesta encarnação. Seguramente, ainda não era a hora de dar como cumprida sua missão ou a de seus pais e irmã (ou mesmo a minha, que ainda nem estava na vida deles). Sábios são os desígnios do éter, que disseram: continue por aí, há muitos lições a aprender, muitos exemplos a dar, muitos pecados a expiar, quem pode saber? Assim deve ter sido também a decisão superior que não o deixou ser levado, quando tinha 11 meses de idade e foi acometido por uma encefalite. Não foi o suficiente para levá-lo, apenas para deixar as seqüelas com que convivemos até hoje. 

               E vivemos bem, não tenham dúvida! Temos sempre momentos a mais para festejar do que as outras famílias. Temos sempre uma criança em casa, embora já com alguns cabelos brancos, de quem podemos apreciar as façanhas. Como quando a sobrinha chega na frente dele e fica parada, esperando a sua reação, e ele responde com o gesto de ‘Barra Limpa’, coisa da época da Jovem Guarda, aquele sinal de positivo que o Roberto Carlos fazia, com o polegar para cima, é uma festa! Aliás, ele jamais se esquece da Vanderléa. Ou quando damos a ele a bola amarela, para ele poder fazer seus exercícios, olhamos fixamente para ele, como a pedir agradecimento, e ele diz: “Anato!”, isto é, “Obrigado”, é uma festa! Ou quando ele acorda e o colocamos na privada para seu estágio matinal e peguntamos: “Como é que se fala quando acorda?” e ele diz: “A-dia!”, isto é, “Bom dia”, é uma festa! Ou ainda quando a irmã chega e pergunta: ”Quem é o menino mais bonito do mundo?” e ele responde: “Cacaulo!”, que é como ele se refere a si mesmo, e depois “E quem é o Cacaulo?” e ele diz: ”Eeeeu!”, é uma festa! Ou ainda, claro, quando ele urina no vidro ou defeca no vaso, também é uma festa! Por outro lado, dias há, em que entra em seu pequeno mundo e fica mudo, impassível, sem reagir a qualquer estímulo. Sabe-se lá o que se passa em sua mente, que funciona em um estágio incompreensível para nós. Na primeira vez que aquilo aconteceu, durante nosso exílio americano, foi um baixo-astral tremendo, uma tristeza pela casa, pensamos que ele havia desligado,  tememos que nunca mais fôssemos ouvir sua voz. O silêncio durou quase uma semana, mas, felizmente, acabou, e ele voltou de sua catarse, como se nada tivesse acontecido, parece que foi fazer uma viagem astral para reciclar-se. Vez por outra, esses momentos de ausência total se repetem. E, felizmente, até hoje, houve retorno. E sempre agradecemos muito quando ele volta. Como disse, nos alimentamos com suas reações. A casa não é mesma sem aqueles pequenos momentos. Vez por outra, quando ele está bastante inspirado, fazem-no rezar a ‘Mamaria’, antes de deitar, virado para aquela mesma imagem de Santa Terezinha da subida da escada da antiga casa. É mais ou menos assim:

        
“Ave Maria, cheia de ..... “                       e ele:    “Assa”
“O Senhor é con ..... “                              e ele:    “Ôsso”
“Bendito é o fruto do vosso ventre ..... “    e ele:    “Esus”
“Santa Maria, Mãe de ..... “                       e ele:    “Deus”
“Rogai por nós, peca ..... “                        e ele:    “Ôres”
“Agora, e na hora de nossa  ..... “              e ele:    “Óti”
“A ..... “                                                  e ele:    “Mein” 

Depois, o deitam, colocam sua fralda noturna, o viram de lado, que é como ele gosta de pegar no sono, e falam:

          
“Agora, o Cacaulo vai sonhar com quem?”         e ele: “anjinhos!”

E ele fecha os olhos, ainda com o sorriso em seu rosto, ele sim, um verdadeiro anjo aqui na Terra. Até parece que ele está aqui para olhar pela gente.

         Vida longa ao seu sorriso!

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Infelizmente, o sorriso se apagou um ano depois....
... um dia antes de completar 55 anos de idade.
Agora ele é um verdadeiro anjo, lá no céu.
Com toda a certeza, ainda olhando por nós!! 

Aqui, uma foto da família atual...

 

quinta-feira, 13 de julho de 2017

CeL - London Rocks

Hoje, no Dia Mundial do Rock. Homenageio
A Cidade do Rock
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Este é um aperitivo do Projeto 
Cel - Caminhar em Londres (link)

Na verdade, antes de começar a descrição de minha peregrinação  londrina, faço uma introdução sobre uma característica da cidade: Londres respira música!! E se não foi o berço do rock'n rol, foi lá que apareceram as melhores bandas de rock de todos os tempos!


O rock nasceu nos Estados Unidos (Bill Halley, rocking around the clock) mas floresceu na Inglaterra. Foi naquela ilha de miserable weather que o ritmo encorpou, amadureceu, virou gente grande, chegando à fase adulta em 1 de julho de 1967.


Os discos de Chuck Berry, Little Richards, Elvis Presley, Fats Domino, Jerry Lee Lewis e Buddy Holly, todos americanos, dentre outros, chegavam pelo Atlântico e desembarcavam em Liverpool, e dali pro resto da Inglaterra. Na cidade portuária do oeste inglês encontraram uma juventude receptiva, ansiosa por aquela coisa nova. Aqueles discos eram tocados à exaustão nas vitrolas dos jovens, ao ponto de causar blisters on the fingers dos tocadores de guitarrra, dentre eles, três nossos conhecidos, chamados George, Paul e John.


Mas eles foram só o começo! E que começo!


Pode contar, lembre-se de uma banda famosa de rock and roll, que eu lhe direi que é Inglesa! Vamos lá, diga? 

Led Zeppelin? Inglesa! 
Pink Floyd?  Inglesa!
The Who?  Inglesa!
Queen?  Inglesa!
Rolling Stones? Inglesa!
Beach Boys? Ah, sim, ufa, UMA americana

Vamos, continue! 

The Police?  Inglesa!
Cream?  Inglesa!
Yes?  Inglesa!
Smiths? Inglesa!
Genesis?  Inglesa!
Cold Play?  Inglesa!

Eagles? Sim, outra americana!
Deep Purple? Inglesa!
Radiohead? Inglesa!
David Bowie? Inglesa!
Black Sabbath? Inglesa!
Sex Pistols Inglesa!
Aerosmith? Sim, outra americana!


The Monkies? Sim, outra americana
mas essa nem pode ser consideradafoi uma jogada de marketing espetacular, 
um espelho dos Beatles, que fez enorme sucesso! 


Quer continuar? Já se convenceu? Claro que eu fui um pouquinho só tendencioso ao escolher, mas não há dúvidas de que a proporção é de no mínimo 4 pra 1 a favor das bandas da ilha!


Não dá pra comparar! E todas elas sem exceção passaram por Londres. Por essas e outras que minha relação com a cidade vem de longe. E por isso que o pano de fundo de minhas caminhadas foi o rock!

Ah, sim, se alguém se perguntou por que eu disse aí em cima, que em 1 de julho de 1967, o rock atingiu a maioridade, é porque naquele dia, o mundo conheceu
Sgt.Peppers Lonely Hearts Club Band 

Abraço 

Homerix Sempre Roqueiro Ventura

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Uma batalha de 5.000 páginas

Terminei! 

A última batalha foi de 960 páginas, completando quase 5.000 que me deleitaram nos últimos 9 meses (com um mês de intervalo, esperando o quinto chegar). 

Valeu cada linha!

O último livro da saga Game of Thrones complementa o penúltimo, com os personagens que faltaram naquele, em que nada vimos de Tyrion e Daenerys. Em ‘A Dance with Dragons’ acontecem muito mais Points of Views deles que dos outros. Jamie, Cersei, Arya, somente voltam lá pela página 600, quando os acontecimentos voltam a ser paralelos.


Mas o que impressiona mesmo são as diferenças em relação à série da HBO. Gente, os produtores da série convenceram o autor a modificar muitas coisas muito importantes, e que por vezes, fizeram-na até mais interessante... nem sei por onde começo ...

Tyrion, por exemplo, em sua escapada rumo às cidades livres, Lord Varys o coloca num navio com uma trupe composta pelo jovem Frog, um Lorde, um maester, uma septa, um cavaleiro. Logo, você vai percebendo que eles são um time. Na verdade, Frog é o príncipe Aegon, que pensávamos ter tido a cabeça esmagada pelo Montanha Gregor Clegane, junto com sua irmã, ambos filhos de Elia Dorne, também eliminada no mesmo ato cruel. Na verdade, o esmagado seria um outro bebê qualquer, coitado.... Aegon fora salvo por Lord Varys, e criado pelo grupo para ser preparado para ser um príncipe de verdade, aprendendo línguas, religião, história, e a como se tornar um cavalheiro. Claro que Tyrion logo descobre que o sapo era um príncipe!! E é nessa viagem que Tyrion cai no mar e é salvo de ser tocado pelos Stonemen, pelo tal Lorde Jon Connington, e não por Jorah Mormont, como na série.

E Tyrion acaba se relacionando com uma outra anã, veja só, uma que vemos na cerimônia de casamento de Jofrey com seu irmão e outros anões. Ela encontra Tyrion já acorrentado por Mormont, num cabaré de Volantis, e tenta matá-lo, em vingança pela decapitação do seu irmão, que fora confundido com o anão Lannister, cuja cabeça fora colocada a prêmio por sua irmã Cersei, lembram-se. Depois, acabam se aproximando, rumo a Mereen, e rola até um beijinho, mais por pena de Tyrion. Eles são realmente escravizados no caminho, e chegam a Mereen, e acabam mesmo se apresentando na arena para Daenerys, ele montado num porco e ela num cachorro. No mesmo dia, logo depois, Drogon, o maior dragão realmente chega, faz uma destruiçãozinha básica e decola, já com Daenerys montada. E isso ocorre ANTES de ela conhecer Tyrion.

E aí veêm as mudanças com Daenerys. O episódio da arena ocorre com ela CASADA com Hizdahr zo Lorak (ou algo assim), um dos mestres de Mereen, que a convenceu a se casar com ela em troca da pacificação com os mascarados Sons of the Harpy, que estavam promovendo uma matança desenfreada. Ao menos até o final do livro, o kingsguard Barristan the Bold Selmy está vivinho Da Silva, e não morre, como na série, tentando salvar Grey Worm, e este último nunca é atacado.... Talvez no livro 6.... Barristan, inclusive, após o voo de Daenerys, desconfia do novo Rei e consegue depô-lo e prendê-lo, e torna-se Queen’s Hand!! Mesmo sem a Queen no castelo...

O livro começa com um personagem que absolutamente não é mencionado na série. Quentin Martel é filho do Príncipe Doran Martel, de Dorne. E ele está em viagem rumo ao leste, com um acordo de casamento com Daenerys. Quando ele chega, Daenerys já está casada, mas o recebe bem e até o leva para conhecer os dois dragões acorrentados. E isso acaba sendo sua desgraça porque depois, ele se junta a uma Companhia de Mercenários, Windblown, e promete resgatar os dragões para mas acaba morrendo na operação e os dragões fogem! Portanto NÃO É TYRION QUEM SOLTA OS DRAGÕES, COMO NA SÉRIE. Quanta invenção!!!

As ocorrências de Castle Black têm algumas diferenças também. Stannis chega lá sem Davos, que segue sozinho buscando alianças para aumentar sua tropa, vários capítulos só com ele. Outro que não chega na Muralha é Tormund Giantsbane, que só chega bem depois, com seus milhares de selvagens, trazido por Val, que vem a ser a cunhada de Mance Ryder.... e este, pasmem, NÃO MORRE NA FOGUEIRA. Melisandre salva o King Beyond the Wall, e engana a todos com feitiço, e ele está vivo, e sai em missão em busca de quem de Arya Stark, que estaria se casando com Ramsey Bolton. Jon realemente morre, mas não pelas mãos de Allistair Thorne e de um garoto que teve seus pais estraçalhados pelos selvagens. Este nem aparece no livro, e o mestre de armas é mandado por Jon Snow pra outro castelo do muralha, bem antes. Jon acaba o livro morto!!!

Você reparou aqui em cima que eu disse que Ramsay se casa com Arya Stark, né? Ué, mas não era Sansa que se casaria com o bastardo Bolton, em casamento arranjado por Littlefinger? Bem, no livro, nada disso acontece e é Arya quem se casa, mas, calma, na verdade, não é a Arya real, e sim Jeyne Poole, numa trama tramada (!) pelos Lannisters, para dar poder a Lord Bolton e atrair alianças com os hostes do Norte. Ufa!!! Aliás, nem Sansa, muito menos Littlefinger dão as caras por aqui.

A família Greyjoy segue tendo mais destaque no livro que no filme, tem vários capítulos com Asha. Reek, nosso velho Theon, segue dominado pelo bastardo, mas também pelo Lord Bolton, que até agora não morreu, como na série, assassinado pelo filho. Ele se junta a Mance Ryder e seis meninas capangas para libertar a falsa Aryada Winterfell de Bolton. E também tem destaque Victarion, seu tio, que segue rumo leste em busca de um casamento com Daenerys e seus dragões... aliás, o quinto livro poderia ser chamado 
‘Quem quer pegar Daenerys?’ 
afinal, veja só, Victarion Greyjoy, Quentin Martell, Aegon Targaryan, Dario Naharis chega às viass de fatoá, mas ela se casa com o tal Hizdar!!! E antes ela tinha Kahl Drogo, e o Jorah Mormont tinha uma quedinha por ela. Ô mulher desejada!!!

O interessante é que ia lendo, ia lendo, ia chegando o fim do livro, e nenhum sinal de batalha com os mortos-vivos, de sacrifício da pobre Shereen, filha de Stanis, nada de Daenerys sendo presa pelos Dothraki no Dosh Kahlen e colocando fogo, acabando com os machos, nada de Batalha dos Bastardos, nada nadinha acontecia, até que de repente, aparece um capítulo chamado ‘Epilogue’ pois é, o livro ia acabar.... e o epilogue foi com Kevan Lannister, o irmão de Tywin, que era agora o King’s Hand de Tommen.... e também é  a última vez que ele aparece ... o livro acaba com ele morto, sabe por quem, por Lord Varys, aquele mesmo, que não aparecia desdo o início da fuga rumo a Mereen.

Ah, Brienne está viva. Aparece num parágrafo e em outra citação!!
         
Ufa, muita coisa diferente, enfim, e muita coisa do Livro 6 já aconteceu na série....
Estou pronto para o próximo domingo!
Que venha a sétima temporada!!! 
Aqui, a resenha das outras 4.000 páginas
http://blogdohomerix.blogspot.com.br/2017/03/game-of-thrones-feast-for-crows.html

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Rock, Parceria e Poesia

Há 60 anos ocorreu um encontro que iria mudar o mundo
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Muitos, com certeza, já ouviram falar da parceira Lennon/McCartney mesmo não sendo fãs dos Beatles. Responsáveis pela composição por 90% das músicas gravadas pelo grupo, John Lennon e Paul McCartney certamente colocaram seus nomes na lista de TopTen Composers de qualquer especialista em música, incluindo os mais reticentes. Uns poucos exagerados da imprensa especializada da década de 60 diziam que Lennon e McCartney eram os melhores compositores desde Beethoven (!!).
Esta parceria começou graças a um desprendimento de John, claro que associado a uma visão de futuro privilegiada. John, em sua costumeira modéstia, desde pequeno sabia que seria grande. Sempre foi o líder dos grupos em que se metia, para o bem ou para o mal. E líder ele era dos Quarrymen, uma banda de adolescentes ingleses que tocavam rock em variados lugares de Liverpool, inclusive em pátios de igrejas. E foi num pátio de igreja, na tarde de 6 julho de 1957, que ele foi apresentado a Paul por um amigo comum (de nome Ivan Vaughn, a quem nós, amantes dos Beatles, agradecemos imensamente). Paul mostrou na guitarra seu conhecimento sobre o rock americano e também trechos de composições suas. De imediato, John percebeu que estava diante de um igual. Nas 24 horas seguintes, ficou matutando, com seu imensurável ego, o dilema de continuar como estrela solitária, ou deixar seu brilho ser ofuscado pela presença de um outro talento no grupo. Quiseram os deuses do rock que ele optasse pela última, e assim criou-se a semente do sucesso dos Beatles. Depois, Paul trouxe George Harrison e, por último, chegou Ringo Starr. O resto é história... um pouco da qual, conto aqui!
John e Paul começaram a compor juntos e logo viram que, apesar dos estilos diferentes, a afinidade era grande. Tanta que chegaram logo cedo a um acordo de parceria: fosse John ou Paul o verdadeiro autor de uma canção, a autoria oficial seria declarada como de Lennon/McCartney. No começo, Paul tentou sugerir uma ordem diferente, algumas canções chegaram a ser registradas como McCartney/Lennon, mas a liderança de John acabou prevalecendo. Este tipo de acordo foi repetido por inúmeras duplas famosas, inclusive a nossa tupiniquim Roberto e Erasmo Carlos. O acordo só veio a se desmanchar com o fim dos Beatles.
Os dois amigos tinham uma capacidade para compor invejável. Conta a história que, num encontro com um certo Michael Jagger, amigo das noitadas em Londres, este último reclamava que não tinha uma música suficientemente boa para gravar seu primeiro disco. Diz a lenda que os dois se retiraram do ambiente por 10 minutos e, ao retornarem, entregaram a Mick aquela que seria o primeiro sucesso dos Rolling Stones: I Wanna Be Your Man. Claro que a canção está longe de ser uma obra-prima, nem poderia se exigir mais. Em outro episódio, à época da filmagem de seu primeiro longa-metragem, deram outra mostra dessa capacidade. O filme tinha o título baseado num suspiro de Ringo Starr após um dia intenso de filmagens: Well, this is a hard day’s night! Num certo fim de noite, quando estavam próximos ao lançamento do filme, os produtores lembraram que não havia ainda a canção título. John falou o tradicional: Deixa comigo! …. E foi para casa. Na manhã seguinte, mostrou o que tinha conseguido a Paul, que compôs rapidamente o que faltava: o middle eightWhen I’m home, everything seems to be right …”. E entregaram A Hard Day’s Night, aquela que seria um de seus maiores sucessos. Um terceiro episódio (há dezenas deles): Paul conta que sonhou com a melodia de Yesterday, acordou, e achou tão linda que duvidou da própria arte, e foi conferir, com John, com George, com o outro George (claro que Ringo não poderia opinar...), até que se convenceu que era uma McCartney original, e foi buscar a letra. Ocorre que, a única coisa que lhe vinha à mente, ao invés do famoso “Yes-ter-day .... All my troubles seemed so far way ” era “Scram-bled-eggs .. oh my darling how I like your legs....”. Claro que, rapidamente, ele colocou uma letra mais apropriada e concluiu aquela que seria a canção mais re-gravada de todos os tempos. Nesta última, John pouco contribuiu, se é que...
Aquele acordo de parceria fez com que muitos pensassem que todas as canções com o rótulo Lennon/ McCartney fossem compostas sempre por John e por Paul em um trabalho conjunto. Isto, na verdade, somente aconteceu nos primeiros anos da dupla e mesmo assim, somente em algumas poucas canções (She Loves You, I Wanna Hold Your Hand, Do You Want To Know A Secret?, From Me To You, Please, Please Me, This Boy), e uma ou outra quando estavam mais maduros (With a Little Help From My Friends e A Day in The Life). Nas demais, o trabalho é 100% individual, no máximo um dava um palpite num verso aqui, uma sugestão numa harmonia ali, etc. Havia uma disputa saudável entre os dois: um usava o outro como estímulo para compor cada vez mais e melhor e não ficar para trás na preferência dos fãs.
Quando se tem um pouco mais de familiaridade com as músicas dos Beatles, logo se percebe quem fez qual música:

·  O primeiro sinal é o cantor: geralmente quem compôs, canta a voz principal na gravação. E, com um pouco de treino auditivo, você distingue a voz mais ácida de John da voz mais suave de Paul; 

·   Se, ainda assim está difícil, vá pelo estilo: Paul é mais baladeiro, John mais roqueiro. Claro que há exceções memoráveis. Algumas das mais bonitas baladas dos Beatles, como In My Life, Good Night, Girl, Norwegian Wood, são de John e alguns dos rocks mais dançantes, como I’m Down, Birthday, Can’t Buy Me Love, Back In The USSR, Helter Skelter (este, pra lá de pesado!), são de Paul;

·    Se o estilo musical não foi suficiente pra definir, em canções românticas, vá pela letra: Paul é mais up beat, otimista, como em Another Girl, All Together Now, Getting Better, Good Day Sunshine, Hello Good Bye, Penny Lane; John é mais down, pessimista, como em Run For Your Life, I Don’t Want to Spoil the Party, No Reply, I’m So Tired (muitas vezes descambando para a “Corno Music”) e ainda passando por crises existenciais como em I’m a Loser, Yer Blues ou Help!;

·    Se a canção não é romântica, aqui vai uma dica: Paul adora contar histórias, repare em Obladi Oblada, Rocky Raccoon (inesquecível honky tonky piano), Maxwell’s Silver Hammer, Paperback Writer, She’s Leaving Home, (esta, uma verdadeira obra-prima!); John tinha algumas mensagens a dar, como em All You Need is Love, Revolution e The Word e ainda viajava junto com as drogas em canções como em Lucy In The Sky Wiith The Diamonds, I Am The Walrus, Rain e Tomorrow Never Knows. Além disso, adorava se inspirar em posters de propaganda como em For The Benefit Of Mr. Kite ou em notícias ou anúncios de jornal como em A Day In The Life (cuja idéia central era dele, com participação de Paul, ao final - Woke up, got out the bed ...) e Happiness Is A Warm Gun;

·      Se nada disso funcionou, vá ao detalhe da poesia:
John adorava os jogos de palavras como em ….
           “It won’t be long, till I belong to you”,
de It Won´t Be Long
           “Please, please me oooh yeah like I please you”,
de Please Please Me
           I get high when I see you go by, my oh my.
       When you sigh, my, my inside just    dies, butterflies.
       Why am I so shy when I’m beside you”, 
de It´s Only Love
            “Everybody is green, cause I’m the one who won your love”
de You Can´t Do That
            “Oh Dear, what can I do, baby’s in black and I’m feeling blue
de Baby´s In Black

Paul procurava rimas ricas, como em …
                “Though the days are few, thei’re filled with tears
                and since I lost you, it feels like years
           de You Won´t See Me
           ou métricas especiais como em
           “Hey Jude, don’t make it bad,
           take a sad song and make it better!
           Remember to let her into you heart
           Then you can start to make it better
Hey Jude, don’t be afraid,
           you were made to go out and get her!
          The minute you let her under your skin
          Then you begin to make it better
          Hey Jude, don’t let me down,
         you have found, her now go and get her”
de Hey Jude

Enfim, como são cerca de 180 canções, haverá sempre exceções aqui e ali em que regras serão quebradas. E, na verdade, nem interessava saber de quem era qual música. O importante, realmente, é o conjunto da obra. A perfeita harmonia vocal dos dois (muitas vezes com a ajuda de George Harrison), juntamente com as inovações técnicas (muitas vezes com a ajuda de George Martin), contribuía para que o verdadeiro autor se tornasse um detalhe desnecessário.
As desavenças normais que acontecem em 90% das bandas depois de longo tempo de convivência acabaram por distanciar um do outro, sem, entretanto, diminuir o nível de suas composições. E, com o final dos Beatles, cada um seguiu seu rumo, em carreira solo, sempre produzindo boas canções. John continuou mandando mensagens, as melhores delas em Imagine, e Working Class Hero, e revelando crises existenciais como em Mother. Paul continuou sendo up beat como em Coming Up e seguiu contando suas historinhas como em Another Day. Devido ao seu melhor tino comercial (ainda que sendo algumas vezes execrado por isto), Paul teve mais retorno financeiro que John. Este, por seu lado, era mais bem recebido pela crítica do que Paul. Além disso, devido às desavenças mal resolvidas, trocavam farpas musicais, se bem que sempre provocadas por John como em How Do You Sleep?, que foi educadamente respondida por Paul com Dear Friend. Em 1973, ele e Paul fizeram as pazes, este foi visitar aquele em seu exílio na Califórnia, enfim.
Porém o tempo não foi suficiente para que voltassem a reviver a velha e profícua parceria, a mais famosa da história da música. Não foi suficiente, pois John foi assassinado. E naquele dia, 8 de dezembro de 1980, na última conversa que teve com um repórter, a declaração foi sobre o grande amigo. Perguntado sobre seu relacionamento com Paul, já ‘off the record’, a caminho do estúdio onde faria sua última gravação, John disse:

Paul is my brother!
You know, as a family we always had ups and downs.
But at the end of the day, there is nothing that I wouldn't do for him
and I'm sure it's vice-versa!

..... pausa para o choro .....


Paul prestou uma última homenagem ao amigo, em 1982, com a canção Here Today, linda, linda, tocante, e ele a tem interpretado, acompanhado apenas ao violão, em todos os seus recentes shows, sempre com a voz embargada.
And if I say,
I really knew you well what would your answer be?
If you were here today

Ooh- Ooh- Ooh, here to-day.

Well knowing you,
you'd probably laugh and say that we were world's apart.
If you were here today

Ooh- Ooh- Ooh, here to-day.

But as for me,
I still remember how it was before,
and I am holding back these tears no more

Ooh- Ooh Ooh, I love you, Ooh.

Como se vê, Paul abre seu coração e admite como faz falta o velho amigo, e se lembra de como era antes, na época em que eles mudaram o mundo. 

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Mais textos sobre Paul McCartney no link abaixo:
 http://blogdohomerix.blogspot.com.br/2012/06/paul-mccartney-70.html