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terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Engenheiro metido a besta


Hoje 11/12, celebra-se mais um Dia do Engenheiro.
Algum tempo atrás um amigo reclamou que eu não celebrei,
um blogueiro engenheiro teria que registrar....
Falha nossa!!!
Pensei rapidamente no assunto
e lembrei que um belo motivo para eu ter inconscientemente esquecido da data
pode ser minha sina de exemplo de desvio de função visceral.
Escrevi sobre isso, e agora atualizo!
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Sou um engenheiro civil que nunca projetou ou construiu nenhuma casa, prédio, ponte, estrada ou barragem, afinal, 4 dias depois de me formar, soube que iria me tornar Engenheiro de Petróleo. Cronologia? Formei-me em 31/12/1980 e recebi, no dia 4/1/1981 o telegrama dizendo que havia passado no concurso da Petrobras, e que seria admitido (caso passasse nos testes psicológicos) para o curso de Engenharia de Petróleo. Daí, varreu-se-me da memória qualquer vestígio de vigas, pilares e lajes durante aquele mês, e entrei na Petrobras em 5/2/1981, aonde fiquei até 2016... nunca fiz uma entrevista de emprego, nunca mandei um currículo... depois ainda exerci a profissão por mais um ano, e agora parei mesmo!

Era um mundo totalmente diferente ...
Éramos 200 engenheiros na ensolarada Salvador, que embarcariam num novo mundo, uma nova língua, um verdadeiro dialeto, e acabou-se logo no primeiro dia uma ideia que o povo ainda tem: que o petróleo então dormia em lagos no fundo da terra. Essa nova engenharia era inversa da que eu havia aprendido, ela construía para baixo, e era uma obra de um, dois, sete, dez quilômetros lá para o fundo, para trazer o óleo à luz do sol.

Foi um ano de especialização e então haveria a distribuição pelo país. Fiquei no quintil (existe isso?) melhor e consegui vir para o Rio, fui cedido à Braspetro, subsidiária que cuidava dos negócios internacionais, que era a opção mais próxima que podia da minha querida Santos.

Mas o desvio não parou por aí.... afinal, 6 anos depois de formado em Engenharia de Petróleo, foi a vez de abandonar poços, revestimentos, árvores de natal (secas ou molhadas), separadores, FPSOs, e virei Analista Econômico de Contratos de Exploração e Produção, onde realmente me encontrei profissionalmente, e virei fera em contratos de todos os tipos, Concessão, Associação, Partilha de Produção, Serviços, de países dos quatro cantos do mundo....

A coisa foi ainda mais adiante quando desviei de vez,  10 anos depois e virei Gerente Financeiro de nosso escritório nos Estados Unidos, e esse foi outro mundo novo, aprendi contabilidade e finanças na marra, em outro idioma, e pra complicar um pouco, os negócios eram não apenas de E&P ("aquela diretoria que fura poço e acha óleo", lembram-se de Severino Cavalcanti?), mas tinha que controlar as atividades de Trading e Procurement. Foi tenso!!!

Na volta, cheguei a ser responsável pela Comunicação Internacional, mas logo voltei ao Portfolio  e segui minha estrada por aí, e geri a estratégia internacional até que acharam que a atividade internacional não era mais prioridade.
Claro que, em todos esses movimentos, sempre me vali do raciocínio lógico que desenvolvi na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, e tudo o que consegui começou lá, não posso renegar. Os ventos da vida é me levaram a outros portos.
Isso tudo sem contar que sou mesmo é um
engenheiro metido a besta
que acha que sabe escrever
e fica incomodando os amigos com suas abobrinhas...

Um abraço

Homero Para Sempre Desviado Ventura

sábado, 8 de dezembro de 2018

Um Dia Para Não Esquecer...


38 ANOS

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O dia 8 de Dezembro é uma data notória!

         Ela se encaixa, para muitos, num pequeno grupo das datas mais conhecidas pelo Mundo Ocidental, como:

      25 de Outubro de 1917      
               Revolução Bolchevique,
        6 de Junho de 1944      
      Desembarque na Normandia,
      22 de Novembro de 1963      
               Assassinato de John Kennedy,
      11 de Setembro de 2001      
               Atentado terrorista
      5 de Novembro de 2008      
               Um presidente negro é eleito nos EUA
      8 de Dezembro de ......


      O ano, 1980;
       O fato, um assassinato;
        O país, Estados Unidos;
         A cidade, New York;
          O endereço, Rua 72, Nº 1;
           O local, entrada do edifício The Dakota;
            A noite, pouco enluarada;
             O dia, uma segunda-feira;
            A hora, 22:50;
           O modo, tiros de revólver;
          A bala, Dum-Dum, que explode ao atingir o alvo;
         O ferimento, 4 perfurações nas costas;
        O assassino, Mark David Chapman;
       A vítima, John Winston Ono Lennon;
      O motivo, desconhecido.

         Pois é, nesse dia, Sean e Julian perderam o pai, Yoko Ono perdeu o marido, Paul McCartney perdeu seu grande parceiro e amigo, o mundo das artes perdeu um gênio, os defensores da paz perderam seu ativista mais famoso! E, em última instância, porque não dizer, o mundo da música perdeu a esperança de ter os Beatles de volta, da maneira mais trágica e definitiva possível!
         Naquele dia, uma lágrima rolou em muitos milhões de rostos por todo o mundo, tristes pela perda, chocados pela surpresa, indignados pela violência. O fato provocou enorme demonstração de consternação, uma das maiores da história,  quando, em muitos pontos do planeta, tudo parou por 10 minutos, numa vigília realizada 4 dias depois, em homenagem ao astro desaparecido.
         Terminava então, tragicamente, a passagem de John Lennon pela Terra. Uma vida de sucesso entremeada por momentos traumáticos.

Uma Noite Iluminada
         John veio ao mundo numa noite iluminada, em 9 de Outubro de 1940! Não era uma brilhante lua cheia que iluminava a noite, mas, sim, a luz das explosões provocadas pelo intenso bombardeio alemão que atingia a cidade de Liverpool no momento de seu nascimento. Liverpool era, então, o mais importante porto da Inglaterra, porta de entrada das mercadorias provenientes da América, um dos alvos ingleses preferidos da Luftwaffe durante a 2ª Guerra Mundial.

Os Pais Ausentes
         O pai de John, Alfred, garçom de navios, abandonou a família logo depois da nascimento deste último e partiu, pelo mundo, num navio mercante. A mãe, Julia, não perdeu tempo e logo se casou novamente. O padastro, no entanto, não queria saber do filho do outro. John cresceu, então, na casa de Tia Mimi, irmã de Julia. Apesar do ambiente familiar de classe média, propiciado pelos tios, John cresceu revoltado com o abandono dos pais. Seu comportamento rebelde causava, freqüentemente, enormes constrangimentos à tia Mimi.  Ele conseguiu ser expulso do jardim de infância, aos cinco anos de idade, dentre outros eventos!
         Mas, John gostava muito de sua tia Mimi! Assim que ele ganhou dinheiro suficiente com os Beatles, deu a ela, de presente, uma bela casa de praia, toda mobiliada, em que se destacava um quadro com uma guitarra pintada a óleo e uma inscrição em letras douradas que repetia as "sábias e proféticas" palavras dela, proferidas alguns anos antes:
-       Tudo bem quanto a tocar guitarra, John, mas não pense que vai ganhar a vida com isso!

A Mãe Presente e Perdida

Júlia e John
         Aos 15 anos, John voltou a conviver com Julia, e tinha nela, não só uma mãe, mas uma amiga, com seu espírito jovial. Amante do Rock and Roll, que começava a despontar nos USA, ela ensinou a John os primeiros acordes musicais em um banjo. Extrovertida, andava com John para todos os lados e os amigos dele a adoravam. Brincalhona, costumava andar com óculos sem as lentes, parava um transeunte e pedia-lhe uma informação qualquer. Enquanto a escutava,  Julia coçava os olhos através dos aros só para ver a reação do coitado!
         Tudo ia muito bem, até que o destino deu um duro golpe no rapaz: em Julho de 1958, quando atravessava a rua da casa de sua irmã para pegar um ônibus, Julia foi atropelada por um policial bêbado, de folga, sendo lançada a 10 metros de distância, e morrendo instantaneamente, aos 44 anos de idade.

Stuart Sutcliffe
A Perda do Melhor Amigo
         No Liverpool Art College, onde estudava, John, por seu temperamento arredio, tinha poucos amigos. O maior deles, um elogiado aluno de pintura, Stuart Sutclife, era o companheiro de todas as horas, dos bons e maus momentos, das brigas e das farras com as garotas. Por insistência de John, que o convencera a comprar uma guitarra-baixo, Stuart acabou fazendo parte dos Beatles, bem antes da fama.
         Mas, o negócio dele era a pintura! Em Hamburgo, na Alemanha, onde os Beatles permaneciam longos períodos, eles conheceram Astrid Kirchherr, uma fotógrafa intelectual que logo se apaixonou por Stuart. Astrid foi responsável pelas primeiras e históricas fotos dos Beatles. Numa dessas viagens, Stuart optou por desenvolver seu elogiado trabalho na pintura e acabou ficando por lá, vivendo com a namorada Astrid. Algum tempo depois, no entanto, morreu, com 21 anos de idade, vítima de um aneurisma no cérebro, lesão provavelmente iniciada em uma das muitas brigas em que se metia juntamente com John. Este último carregou, desde então, uma ponta de culpa pela morte do melhor amigo, pois tais brigas eram invariavelmente causadas por ele e sua língua ferina.

O Inferno das Drogas
         Após três anos de fama mundial, os Beatles, influenciados pelo ambiente em que viviam, se tornaram vítimas naturais das viagens prometidas pelas drogas alucinógenas, ajudados até mesmo pela ingenuidade de sua juventude, que não estava muito bem informada sobre a magnitude de seu efeito nocivo. Começaram pela maconha e logo chegaram ao LSD, o ácido lisérgico.
         John era sempre o pioneiro nos experimentos e não há dúvidas que muitas de suas melhores músicas foram produzidas nessa época, durante 'viagens' alucinantes, apesar de ele sempre negar. Uma das negativas mais famosas foi quanto à famosa Lucy in the Sky with the Diamonds, acusada de ser uma ode às drogas, por causa das iniciais L, S e D. John negava, veementemente, a influência, alegando que a inspiração viera de um desenho de Julian, seu primeiro filho, então com quatro anos, que mostrava sua amiga Lucy voando em meio a diamantes. Muito difícil acreditar nele, entretanto, após observar a letra da música, povoada por citações como  ....cellophane flowers of yellow and green... , ...newspaper taxis appear on the shore... , ...with your head in the clouds..., ...the girl in caleidoscope eyes... e tantas outras!
Desenho de Julian
         John foi mais fundo e chegou à beira do abismo! Uma vez, em meados de 1966, chegou efetivamente perto! Paul McCartney e George Martin estranharam a ausência prolongada de John em uma sessão de gravações nos estúdios da EMI em Abbey Road, traçaram seu caminho e encontraram-no no telhado do edifício, pronto para realizar de verdade o sonho de voar que sua mente, então afetada, lhe sugeria em imagens alucinantes.

         John só se libertou das drogas após um intensivo tratamento a que se submeteu em 1971 juntamente com Yoko, em Los Angeles, num momento em que até heroína havia entrado em seu cardápio alucinógeno.

A Vigilância da CIA e do FBI
         Profundo admirador de New York e do american way of life (e para fugir do Taxman britânico), John decidiu fixar residência nos Estados Unidos em finais de 1971. Mas não seria nada fácil! Visto pelas autoridades de segurança americanas como um verdadeiro animal político, John teve todas as dificuldades possíveis para obter permissão para viver em solo americano. A CIA, principalmente e o FBI mantinham vigilância constante em todos os seus passos. Ele fazia parte de um seleto grupo de 7.200 indivíduos considerados muito perigosos pela CIA. Seu telefone era grampeado, seus passeios, tanto a pé quanto de carro, eram seguidos de perto por agentes nada discretos. A pressão era tamanha que chegou a comentar com amigos:
         "Caso algo aconteça a mim ou a Yoko, saibam que não foi acidente! (.....)"
         Seu Greencard (e de Yoko) só foi concedido no início de 1975, após longo processo, quando ele já havia diminuído a zero seu nível de atividade política.

Momentos de Paz / Prelúdio para a Morte
John e Sean
         Em 9 de Outubro de 1975, nasceu Sean, seu primeiro filho com Yoko, após 3 abortos não programados. John anunciou, então, que iria retirar-se, completamente, da vida artística por um período indeterminado, um pouco por pressão de Yoko e muito por remorso: John se culpava por não ter acompanhado de forma adequada o crescimento de seu primeiro filho Julian, então com 12 anos, devido à loucura da Beatlemania. Decidiu então que, desta vez, seria diferente!
         Durante quase cinco anos ficou em casa, trocando fraldas, preparando mamadeiras e dedicando-se totalmente a Sean enquanto Yoko cuidava (e bem!) da administração de seu patrimônio. Só pegava no violão para cantar para seu filho e ensinar-lhe, ainda que prematuramente, os primeiros acordes.
         Em meados de 1980, decidiu que era hora de voltar! Numa viagem para as Bahamas, produziu, em poucos dias, material musical suficiente para encher dois álbuns completos. Numa primeira seleção, montou aquele que seria seu último álbum, enquanto vivo, Double Fantasy, cujo carro chefe era a faixa (Just Like) Starting Over, que, já no título, anunciava o seu começar de novo.
         Seu retorno foi festejado pela imprensa, que, seguidamente, o chamava para entrevistas. Numa delas, realizada naquela mesma segunda-feira, 8 de Dezembro de 1980, aos 40 anos de idade, um Lennon de bem com a vida desfilou seu clássico humor e, entre devaneios sobre vida e morte, declarou:
         "Eu e Yoko já temos tudo planejado para chegarmos até os 80 anos!"

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Encontro de John com Chapman
         Tudo poderia ter saído conforme seus planos se, na volta dessa entrevista, um certo jovem de Atlanta, de nome Mark David Chapman, não o estivesse esperando em frente ao The Dakota para, após cumprimentá-lo e deixá-lo seguir, apontar uma arma para suas costas e chamar:

                                            "Mr. Lennon!"
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sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Rubber Soul, o começo da revolução


No último dia 3, no Facebook, notei a celebração de um aniversário beatle.. e resolvi escrever rapidinho sobre o aniversariante: era o LP Rubber Soul. Foi assim:
Esse disco marcou minha alma!!!
Completa 53 anos hoje!
Foi o terceiro LP ‘oficial’ que tive deles, depois de “Os Reis do Iê-Iê-Iê” e de “HELP”. Tive também “Beatles Again” mas esse era uma coletânea não-oficial que saiu aqui.
Se eu fosse eleger as canções que mais me marcaram, eu diria “Girl”, “Michelle”, “In My Life”, “Norwegian Wood”, “Nowhere Man”, “Drive My Car” e “You Won’t See Me”.
Ele foi o último LP que teve canções tocadas ao vivo em alucinantes excursões pelo mundo. Era o começo do fim da Beatlemania e o prenúncio de uma revolução que se desenvolveria apenas em estúdio após “Revolver”. Nele, o som começava a ficar mais sofisticado e eclético e ficava mais difícil reproduzir na histeria as nuances das gravações.
Marcante!!

Só que aí veio a reclamação de um primo querido, sobre as outras músicas não citadas.
Sim, adoro também! Gosto também de WHAT GOES ON, na voz de Ringo, I'M LOOKING THROUGH YOU, na de Paul, e IF I NEEDED SOMEONE, na do velho HARRISON. Show, como todos os outros, né!

Pois é… na verdade, eu gosto de todas as citadas, e também de “Run For Your Life”, “Think For Yourself”, “Wait” e “The Word”, que completam o álbum…. nós somos assim mesmo ... gostamos de tudo dos Beatles!

E notei que NUNCA havia escrito sobre esse álbum marcador de almas!!

Então, vou completar com algumas informações interessantes sobre o contexto do álbum e sobre algumas das canções!

O ano de 1965 foi o último em que os Beatles lançaram dois álbuns, o outro do ano sendo o excepcional “HELP” que tinha a trilha sonora do filme homônimo, segundo da carreira cinematográfica dos Beatles. Depois disso, foi "Revolver" em 1966, "Sgt. Pepper’s" em 1967, “The Beatles" (Álbum Branco) em 1968,  "Abbey Road" em 1969 e, finalmente, "Let It Be" em 1970, fechando a carreira. Claro que houve outros dois lançamentos que acabaram se configurando em LPs oficiais, em 1967, “Magical Mistery Tour” foi lançado como EP (Extended Play) com apenas 6 músicas do filme homônimo feito para a TV, com sucesso mediano, e que posteriormente foi complementado com 5 canções contemporâneas que foram lançadas em compacto! E, em 1969, acoplado ao filme “Yellow Submarine” veio um LP com algumas inéditas que eram tocadas no filme e pérolas clássicas de George Martin que estavam na trilha sonora. Então, nenhum dos dois podiam ser chamados de álbuns, com 12 ou mais canções deles!!

Enfim, pode-se dizer que Rubber Soul fechou com chave de ouro esse ciclo… como falei em cima, que fechava a época da Beatlemania. A produção deles era tanta que eles se davam ao luxo de não colocar tudo em LP, sempre lançavam compactos com canções que não se materializavam em LPs. Contemporâneo às gravações de Rubber Soul, eles lançaram o fenomenal ‘Double A Side’ com “Day Tripper” e “We Can Work It Out”. Um luxo, realmente!!! E ainda fizeram dois filmezinhos com as duas canções, seguindo a onda começada em HELP naquele mesmo ano ... sim... os Beatles foram os INVENTORES do video-clip!

E as canções, ah, que canções!!!

Lado A

Canção 1
O "Beep Beep, Beep Beep, Yeah!" de "Drive My Car" dispensa comentários, é definitivo!! É canção de Paul, que ele mantém até hoje em seu set list, até mesmo foi a única canção que ele tocou em sua última aparição, numa brincadeira genial do programa de Jimmy Fallon, em que apareciam de surpresa no hall de um elevador que parava num andar não desejado.

Canção 2
"Norwegian Wood"
Sem mais nem menos, os Beatles apresentam ao mundo a cítara, instrumento indiano que George se apaixonou, e tocou na inesquecível introdução desta canção de John, que fala, possivelmente, de uma relação extra-conjugal dele mesmo (sim, eles pulavam a cerca!)

Canção 3
"You Won't See Me"
Paul usou nesta canção sua proverbial construção de rimas diferentes, com o fim de um verso ligado ao meio do verso seguinte. Vejam: "Though the days are few/ Thei're filled with tears/ And since I lost you/ It feels like years". E note o uso de TRÊS palavras homófonas com uma proximidade estonteante: Few, Fill, Feels. Genial!  Notem também uma interessante nota LA que fica tocando sem parar do meio até o final da canção, harmonicamente perfeita (e tocada por um dos roadies do grupo, Mal Evans)

Canção 4
"Nowhere Man"
Genial canção de John, considerada a primeira dos Beatles a não ter qualquer relação com relacionamentos amorosos... bem, eu acho que HELP também não falava de amores, mas, enfim ... Considero sim uma auto-análise de John que, mesmo já tendo sucesso mundial, se achava ainda sem um lugar nesse mundo (pode?!). A harmonia vocal é perfeita e tríplice, com John, Paul e George destilando suas habilidades ímpares no mundo de então.

Canção 5
"Think For Yourself", primeira das duas canção de George no álbum, aliás, a primeira vez que isso acontecia! É mais uma demonstração de como os rapazes estavam amadurecendo, com sua letra de múltiplas interpretações

Canção 6
"The Word" é a primeira incursão de John no movimento de defesa do Amor como salvação. Uma seguinte seria a definitiva e espetacular "All You Need Is Love", transmitida ao vivo para o mundo todo da TV 18 meses depois. Eu particularmente acho que Love is Really All We Need, para consertar o mundo. Ninguém faria maldades, de qualquer tipo, se sentisse amor pelo outro, enfim...

Canção 7
"Michelle"
Balada genial de Paul, usando inclusive algumas palavras em francês, sucesso mundial imediato. Foi a PRIMEIRA e ÚNICA canção dos Beatles a ganhar o Grammy de Song Of The Year', e foi no ano de 1967, veja só! Nem "Yesterday" conseguira o feito, um ano antes! Paul a canta pouco ao vivo, entretanto, mas não deixou de fazê-lo na espetacular apresentação da Casa Branca em 2010, onde a cantou olhando para Michelle Obama, sob os olhares desconfiados de Barack....

Lado B

Canção 1
"What Goes On" dá a Ringo a honra de abrir com a sua voz um lado de um LP dos Beatles! A composição tem créditos de Lennon/McCartney/Starkey, este último sendo ele próprio, o eterno baterista, mas o que eu acho realmente é que os dois grandes compositores fizeram uma homenagem ao querido amigo, por ter dado uma sugestão de palavras... Ringo não conseguia compor nada até então, ou sempre que tentava era barrado pelos dois, enfim. De qualquer modo, sua voz sempre esteve em todos os discos dos Beatles!

Canção 2
"Girl" ah Giiirl Giiirl ... John Lennon retrata aqui o relacionamento difícil com uma garota que ainda não existia, mas que procurava, e que encontraria naquela nipônica dos infernos dois anos depois, que viria a ser sua alma gêmea. Harmonicamente são notáveis a respiração audível de John no refrão que foi objeto de revoluções no estúdio, e o tit tit tit de Paul e George durante o middle eight (aquela parte intermediária 'She's the kind of girl that puts you down when friends are there you feel a foul...'. Notável também lembrar que a versão dela foi sucesso aqui no Brasil na voz de Ronnie Von e seus cabeloss miraculosamente lisos e invejados pelos demais cantores da Jovem Guarda. incluindo Roberto Carlos.

Canção 3
"I'm Looking Through You"
Aqui, Paul começa a demonstrar que seu relacionamento de alguns anos com a atriz Jane Asher já não estava tão firme assim, apesar de ainda morar no sótão da casa dos pais dela (!!!) isso mesmo, eu visitei o local, em Wimpole Street. Folgado o rapaz!!

Canção 4
"In My Life"
Nada mais nada menos a canção que John considera sua melhor canção, rivalizando com "Across The Universe". Linda demais, filosófica, saudosa, e na gravação contando com uma pianola magistralmente tocada pelo grande George Martin. Meu amigo e guru Ricardo Quaresma não tem dúvida em apontá-la como a melhor canção dos Beatles!!!

Canção 5 
"Wait"
Esta canção de Paul havia sido rejeitada para inclusão em HELP, mas foi ressuscitada para completar as 14 do álbum, 7 de cada lado de Rubber Soul, quem diria, faltou música!! Mais um relato de problemas de relacionamento com Jane... ao que parece, os problemas já haviam começado antes...

Canção 6
"If I Needed Someone"
A segunda de George no disco é muito superior a "Think For Yourself", tanto que aquela foi esquecida e esta foi tocada em shows solo, quando ele se decidia a relembrar da época Beatle, inclusive no show de Tokyo de 1988, quando ele retomou a carreira, incentivado por Eric Clapton. Coincidentemente, no mesmo 1965, George produziu outra memorável canção com o verbo To Need no nome, "I Need You", em "HELP".

Canção 7
"Run For Your Life"
Puro rocker de John, que ele mesmo considera uma de suas mais fracas composições... talvez por causa do conteúdo machista "I'd rather see you dead, little girl, than to be with another man.", que ele começou a combater na carreira solo por influência de Yoko... é só lembrar de "Woman Is The Nigger Of The World"


UFA
Acabei falando sobre todas as canções!!!
Mas merecem, né!

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Ver Pelé Sorrindo

Por conta do novo título do Palmeiras, 
voltou a discussão sobre o reconhecimento daqueles títulos da década de 1960.


A CBF reconheceu, entre outros menos cotados, o Santos, como o grande Campeão Brasileiro de todos os tempos. Foram reconhecidos os títulos de 1961, 1962, 1963, 1964, 1965 e 1968, dos torneios nacionais da época. Juntados aos títulos de 2002 e 2004, somamos agora OITO títulos, somos Octacampeões, no sentido errado, já que ele seria aplicado corretamente se fossem seguidinhos. Aliás, em verdade, agora o Santos é o único Pentacampeão Brasileiro, pois deu cinco sem sair de cima, entre 1961 e 1965.


Esta maravilha só foi possível graças ao grande torcedor do Santos José Carlos Peres (hoje, Presidente do Peixe!), que teve a ideia de buscar esse reconhecimento, e ao jornalista, escritor e historiador Odir Cunha, que fez o levantamento histórico. Conheci ambos nesta semana. Veja este trecho do verbete sobre o último na Wikipedia:
Em 2009, a convite de seis grandes clubes brasileiros - Palmeiras, Cruzeiro, Santos, Botafogo, Fluminense e Bahia -, Odir Cunha pesquisou, redigiu e editou o "Dossiê pela Unificação dos Títulos Brasileiros a partir de 1959". O documento buscava a ratificação, por parte da CBF, dos títulos nacionais de clubes disputados de 1959 a 1970, denominados "Taça Brasil" e "Torneio Roberto Gomes Pedrosa/ Taça de Prata"
Aliás, Odir fez muito mais pelo esporte brasileiro.... vale a pena dar uma passada pelo verbete que mencionei, e que deixo aqui, neste link

Houve alguma grita, na época, principalmente dos times que perderam a posição de primazia, questionando a validade daqueles títulos, reclamando que eram torneios curtos, tipo mata-mata, que não tinham abrangência nacional.

Ora, ora, ora, o fato é que aqueles eram os torneios nacionais disponíveis, e organizados pela entidade oficial da época, a CBD. A regra do jogo era aquela, e segundo a regra então estabelecida, o Santos foi o melhor de todos, portanto o Campeão do Brasil. Os outros times tinham o mesmo direito de disputar seu campeonato regional (somente alguns estados), e ao vencerem, ganhavam o direito de ir ao mata-mata oficial. Se não venceram o seu campenato, ou, mesmo vencendo, não bateram o Santos, problema deles.
  
Ninguém pode reclamar da legitimidade dos títulos!
  
O Flamengo e o São Paulo que vão buscar, no campo, a partir de agora, o ranking perdido. 

E, cá entre nós, não fosse esse justíssimo reconhecimento, o Pelé, simplesmente o maior jogador de todos os tempos, para sempre imbatível, iria acabar morrendo (daqui a muuuitos anos) sem ter sido Campeão Brasileiro.

De novo, ora, ora, ora!!!

Outros agraciados foram Lima, grande meio-campo, e Pepe, grande ponta-esquerda, aliás, segundo ele mesmo, o maior artilheiro do Santos, com mais de 400 gols, dentre os seres humanos, pois Pelé é extraterrestre.

E depois, só de ver o REI sorrindo, com o peito estufado com seis medalhas douradas, já valeu!!

E como ele próprio anunciou, com uma adaptação meio torta, mas válida:
Agora quem dá bola é o Santos
Oficialmente é o grande campeão!
E tenho dito!
Homero Oito Vezes Campeão Ventura
P.S. Pena que agora, o Palmeira também chegou lá, e não somos mais os únicos Octacampeões!!! 
Mas vamos mudar isso!!! 
Vamos ao Nonacampeonato!!!

terça-feira, 20 de novembro de 2018

BRAVO, LIZZIE!!!


Depois de ficar afastado da paixão pelos Beatles no começo de casamento e carreira, voltei à carga com o advento dos CDs, e também com a leitura de alguns livros. O melhor de todos foi ‘The Beatles Recording Sessions’ de Mark Lewisohn, que passeia pelos detalhes das gravações de todas as canções, imperdível. Um dos momentos mais interessantes dessa profícua leitura foi quando descobri o único ponto de ligação da carreira beatle com alguma coisa brasileira. 


Numa fria noite de fevereiro de 1968, os Beatles estavam gravando “Across The Universe”, uma das melhores canções de John, senão a melhor, segundo ele mesmo. Após uns takes iniciais, Paul (sempre ele) achou que precisava de uma voz feminina para fazer fundo vocal, no trecho “Nothing’s gonna change my world ...”, saiu para a rua, a famosa Abbey Road, encontrou o bando de mulheres que sempre faziam plantão histérico na frente do estúdio, e perguntou: “Alguém aí sabe cantar. Duas levantaram a mão, uma delas era a brasileira Elizabeth Bravo, que passava uma temporada em Londres. E lá foi ela e deu seu recado. Portanto, há uma voz tupiniquim com presença fundamental na carreira dos Beatles ... Verão no comentário que ela mesma fez uma pequena correção quanto às palavras 'bando' e 'histérico', que eu me apresso em reproduzir aqui:
Desde que cheguei em Londres, em Fevereiro de 1967, não existia mais a histeria presente nos anos em que os Beatles faziam shows. As fãs eram bem comportadas. Ficávamos empolgadas, mas nunca gritando. Naquela noite éramos poucas e o porteiro nos deixou ficar dentro do prédio, no corredor, ao abrigo do frio intenso. Levei para dentro dos estúdios minha amiga inglesa Gayleen Pease. Os quatro Beatles e George Martin presentes!

A canção, como ela foi gravada naquela noite, foi incluída num álbum beneficente, em 1969, que ninguém conhecia por aqui. Depois, sem as vozes femininas, e com orquestração, foi lançada no último disco da carreira Beatle, “Let It Be” 1970. 

Felizmente, a voz brasileira veio à tona, quando foram lançados os dois discos “Past Masters Volumes One and Two” em 1988, que compilavam as canções lançadas apenas em compactos e, felizmente, ressuscitou a gravação original daquela noite, 20 anos antes.

E apenas agora, na celebração dos 50 anos do Álbum Branco, veio o reconhecimento oficial da presença daquelas adolescentes sortudas e talentosas no universo beatle!

Para Lizzie, aquela que estava na hora certa, no local certo e tinha a habilidade certa para o momento, digo:

BRAVO, LIZZIE!!!

 I believe that night has effectively changed your world, hasn't it??!!

Pensando naquela canção, minha mente viaja, como viajava a de John, quando escreveu: “Pools of sorrow, waves of joy are drifting through my opened mind, possessing and caressing me…. Jai Guru Deva”. As últimas três palavras diziam, em sânscrito, “Saudações ao guru”, e assim repito eu, a Lennon, seu mantra:

OOOOOOMMMMMMMMMMM




Dia da Consciência Pesada, digo, Negra

É o dia de lembrar!!

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Porque eu era contra....

Porque eu balancei....

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Hoje, celebra-se em cerca de 1200 municípios, de 16 estados brasileiros, o Dia da Consciência Negra, o dia em que Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares foi morto, em 1695. Desde 2011, um decreto presidencial diz que é facultativo a cada município adotar ou não o dia como feriado. Interessante notar que o estado com maior número de municípios aderentes é o Rio Grande do Sul, com mais de 500, e que a Bahia, estado em que se encontra uma das maiores concentrações de habitantes da raça negra, tem apenas 3.... e entre eles não está Salvador.


Zumbi era líder de uma espécie de reino que chegou a ter o tamanho de Portugal, no interior do estado da antiga Bahia, onde se abrigava os escravos fugidos. Apesar de haver controvérsias sobre seu comportamento como líder, afinal dizia-se que ele mesmo acabou tendo escravos no auge do poder, não há dúvida de que é um exemplo de resistência a ser celebrado. Afinal, a causa pela qual lutou é uma mancha na História do Brasil. Nosso país foi segunda maior nação escravista da história moderna, o último a abolir a escravidão, o penúltimo país das Américas a abolir o tráfico negreiro, e o maior importador de escravos de todos os tempos. Muitos dizem que o país não seria tão grande como é não fossem os escravos, mas isso não permite que se admita a forma como tudo foi feito.

Ainda acho um exagero fazer um feriado por causa desse motivo, mas desde que li 1808 (comentei sobre o livro neste post), balancei. Fiquei enojado com o jeito que tratávamos os escravos, e não temo em repetir o que escrevi, agora...

Nunca na história deste planeta apareceu outro país que mais se tenha dedicado ao sequestro de gente para trabalhar de graça e contra a vontade, como o nosso. Foram quase 400 anos sem sair de cima. Tivemos aqui 10 milhões de escravos negros. E aí vem uma estatística impressionante: isso representa 45% do número de nativos que foram tirados de suas tribos. O restante sucumbia, ou no traslado da tribo ao porto, ou na prisão aguardando a deportação ou na viagem oceânica em condições sub-humanas, ou na chegada enquanto aguardavam o destino final, em verdadeiros depósitos de gente. A descrição das condições da viagem são de arrepiar:  
Os navios negreiros que chegam ao Brasil apresentam um retrato terrível das misérias humanas. O convés é abarrotado por criaturas, apertadas umas às outras tanto quanto possível. Suas faces melancólicas e seus corpos nus e esquálidos são o suficiente para encher de horror qualquer pessoa não habituada a esse tipo de cenaMuitos deles, enquanto caminham dos navios até os depósitos onde ficarão expostos para venda, mais se parecem com esqueletos ambulantes, em especial as crianças. A pele, que de tão frágil parece ser incapaz de manter os ossos juntos, é coberta por uma doença repulsiva, que os portugueses chamam de sarna 
Sendo assim, se tivemos 10 milhões de escravos, numa continha rápida, isso significa que 11 milhões de seres humanos foram assassinados, sim, isto caracteriza um assassinato. Mais que isso, pela dimensão, caracteriza genocídio!! 
Isso sem contar os que foram assassinados aqui mesmo, enquanto já possuídos por algum senhor. A forma como eram tratados por aqui..... Marcados como gado, comercializados  como gado, açoitados a cada falha: 

...recomendava-se que não se utrapassasse 40 chibatadas, mas há relatos de 200, 300 até 600 açoites num só castigo.... as costas ou nádegas ficavam em carne viva ... numa época sem antibióticos, havia risco de morte por gangrena ou infecção generalizada, e o que se fazia, banhava-se o escravo com uma mistura de sal, vinagre e pimenta malagheta numa tentativa de evitar a infecção... 
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Portanto, amigos, salve Zumbi, que lutou contra tudo isso aí de cima.

Homerix Com a Consciência Pesada Ventura

domingo, 18 de novembro de 2018

Álbum Branco Multicolorido

Com que então, lá se vão 50 anos desde que os Beatles lançaram mais um álbum revolucionário, e como é que eu, do alto de minha Beatlemania, não havia dedicado algumas linhas a essa obra-prima!!??

Sempre é tempo!!!

O ambiente era o seguinte: após o bombástico lançamento de Sgt Pepper's, morreu de overdose de remédios o empresário Brian Epstein, Paul meio que assumiu o comando, e embarcaram num projeto de cinema, que se não gerou uma obra-prima da 7ª arte (longe disso), mas com excelentes vídeo-clips, resultou em mais um excelente disco, não um LP, mas um EP (Extended Play), o Magical Mistery Tour, que apenas depois virou um álbum, com a inclusão dos fenomenais singles da época!! Depois, influenciados por George Harrison, o zen do grupo, exilaram-se na Índia no ashram do Maharishi Mahesh Yogi, longe de tudo e de todos, nas encostas do Himalaia e à beira do Rio Ganges, para aprender Meditação Transcendental, até que John e Paul se cansaram, meio que decepcionados com certas atitudes do guru, e vieram embora. Mas o que interessa é que de lá chegaram com perto de 50 canções iniciadas, e logo se reuniram nos estúdios da Abbey Road. O produtor George Martin contestou a ideia de se fazer um álbum duplo, chegou a contestar a qualidade, dizendo que se espremesse dava pra encher apenas uma bolacha, mas como sempre, acabou prevalecendo a vontade do grupo, que bom!!

Então o que resultou foi uma sucessão de fatos marcantes, como tudo o que acontecia no mundo Beatle:
  1. Primeiro e único álbum duplo da maior banda de todos os tempos
  2. E a capa? Após um cabedal fenomenal de informações da capa de Sgt. Pepper's com centenas de referências, imagens, dicas de que Paul estava morto, personagens inusitados, flores, instrumentos, uniformes, enfim, vieram com uma capa sem imagem nenhuma e sem nome específico, tudo branco apenas com o nome da banda, em alto relevo. O nome do álbum então era The Beatles, mas desde o princípio ficou conhecido como o Álbum Branco.
  3. Então, sendo assim, constituiu-se na primeira e única vez quem que nenhum dos 4 Beatles apareceu numa capa de disco
  4. Já em Sgt Peppers, os Beatles haviam introduzido a moda (e fundamental necessidade, diga-se de passagem) de se mostrar as letras das canções, e assim voltaram a fazer, mas como eram TRINTA  canções, muito espaço seria necessário. Então produziram dentro do encarte uma enorme folha, do tamanho de 8 LP's, que dobrada 3 vezes caberia dentro do encarte, com as letras de um lado, e do outro, imagens sensacionais da vida deles, cantando ou fazendo nada, que eram as duas coisas que faziam, além de namorar muito.... mesmo casados .... ai ai ai
  5. Além disso, 4 fotos gigantes, uma para cada um, com a imagem que tinham à época, que são cultuadas até hoje
  6. Aliás, os 5 itens acima estão mostrados, neste vídeo particular meu: https://www.facebook.com/100000937009879/posts/2336159869758557
  7. Foi no Álbum Branco que ACONTECEU  a PRIMEIRA (e penúltima) contribuição autoral 100% de Ringo Starr. Depois de muito tentar e ver seus esforços irem por água abaixo pelas negativas de John e Paul, que sempre achavam que seriam plágios de canções existentes, ele emplacou "Don't Pass Me By", bem fraquinha, devo admitir. Quer dizer, ele foi creditado em What Goes On" de Rubber Soul, mas acho que foi uma concessão de Lennon;McCartney a ele, que cantava a canção. A última seria no último álbum do grupo 'Abbey Road' chamada "Octopus' Garden", bem melhor, mas ficou nisso.
  8. Aliás, durante as gravações, Ringo chegou a deixar a banda, achando que não era muito valorizado. Ficou um par de semanas fora, mas atendeu aos chamados dos outros três.
  9. Foi a primeira vez em que um outro músico de rock que não um dos quatro beatles gravou um solo em uma canção beatle. Eric Clapton fez um solo fenomenal e inesquecível para "While My Guitar Gently Wheeps", aliás, a MELHOR canção de George até então. Depois, viriam outras duas, fenomenais, "Something" e "Here Comes The Sun", ambas em 'Abbey Road'
  10. Foi a primeira (e única) vez em que houve uma voz em 'lead vocal' que não fosse de um dos quatro Beatles, da nipônica dos infernos Yoko Ono, em "The Continuing History of Bungallow Bill"
Então, o que  resultou no Álbum Branco foi um emaranhado espetacular de 30 canções canções das mais distintas, em que realmente havia alguns exageros, mas o conjunto da obra foi monumental. 

O lado A do Disco 1 já começa arrebatador com "Back In The USSR", um rocker Lennon/McCartney com mais uma historinha de Paul, como se fosse um russo voltando à casa na União Soviética, com direito a balalaikas, garotas na Georgia, na Ukraine e em Moscow e um break fenomenal ... emendando seu final com a balada "Dear Prudence", dedicada a Prudence Farrow, a irmã de Mia Idem, esta sendo a mãe do Bebê de Rosemary, e aquela uma jovem que estava no retiro também e entrou em depressão profunda com uma atitude machista do guru, e que era chamada por John para vir para fora brincar. A destacar a guitarra firme de George que é imitada até hoje e o dedilhado delicado que John aprendeu com Donovan, que também meditava com ele naquelas terras.. John usou uma variação desse dedilhado para acompanhar a linda "Julia", primeira canção que fez em homenagem à mãe, com quem teve uma relação conturbada, com abandonos, retornos e perdas intensas. Outras duas viriam na carreira solo com "My Mummy’s Dead" (terrível, não?) e a excepcional e tocante "Mother"..Mamma don’go…. Daddy come home … arrepiante.



Bem, eu ia acompanhar as músicas segundo a ordem em que apareceram nos discos, mas resolvi varrer a contribuição de cada compositor. Aliás, este ano pode ser realmente condiderado como o primeiro da ruptura, em que cada um dos compositores trabalhava suas canções muito sozinhos, apenas com George Martin, depois chamando os demais membros para os instrumentos e backing vocals, quando tinha!!



John contribuiu com outras fantásticas peças, como "Cry Baby Cry", "Sexy Sadie" (em ‘homenagem’ ao guru, ‘you made a fool of everyone’), e algumas em que atestava seu estado depressivo como "I’m So Tired" e "Yer Blues" (I’m so lonely … gonna die …), outra em que musicava anúncios de jornal, como "Happiness Is A Warm Gun" , na verdade um medley de três trechos – 'Mother Superior Jump The Gun, I need a fix cause I’m going down' - uma salada que funcionou muito bem; teve também uma viagem sobre o universo das drogas em que ele estava entrando mais profundamente, em "Everybody’s Got Something To Hide Except For Me And My Monkey", sendo este último uma referência à Yoko, ou mesmo à heroína, que entrara em seu cardápio alucinógico. Certamente esse seu etado de coisas deve ter contribuído para fazer uma das maiores surpresas do disco, a compilação chamada de "Revolution #9", um pastiche que juntava sons desmesurados, de várias fontes disponíveis nos arquivos da EMI, numa salada inexplicável, mas que fica em nossa cabeça… Number Nine Number Nine Number Nine… Na linha do nome dessa cançao também teve "Revolution #1", que foi a primeira forma que John imaginou para a excepcional "Revolution", que foi lançada num dos melhorws ‘compactos’ da história, junto com "Hey Jude". Esta versão inicial era mais lenta, e tinha uns deliciosos ‘Schoobeedoo au au’ no meio.

Paul também variou um leque vastíssimo de estilos, desde baladas como a eterna "Blackbird" (em homenagem às meninas negras e a Martin Luther King, com acordes elaboradíssimos) e "Mother Nature's Son" e "I Will", até aquela que é considerada a primeira canção de Heavy Metal da história, "Helter Skelter", que foi tocada com tanta energia que ao final Ringo reclama ‘I’ve got blisters on my fingers’, e que infelizmente foi usada como inspiração para o louco James Manson ao perpetrar o massacre que matou Sharon Tate e amigos.  Mas no meio desse caminho entre o leve e o pesado, tinha as deliciosas "Honey Pie", um vaudeville magnífico contando a história da paixão de um sujeito sobre uma moça que virou estrela de Hollywood, e tinha "Martha, My Dear", feita, pasmem, em homenagem à sua cachorra no momento, que era sua inspiração, com o riff de piano notável e inesquecível. Tinha a celebração "Birthday", em que dividia o lead vocal com John. Tinha a magnífica historinha de amor entre Desmond and Molly Jones, de "Obladi Oblada", abominada por John, mas que está no coração dos beatlemaníacos. E teve a melhor delas, a mais engraçada e marcante para mim, "Rocky Raccoon", onde Paul se transportou para o Velho Oeste e descreveu as agruras de um cowboy fascinado por uma prostituta e que tenta uma vingança quando se vê traído, sendo notáveis o início crescente de instrumentos e, claro, o espetacular honky tonky piano do refrão, levado por George Martin. Mas Paul teve também espaço para alguns apelos, não tão grandes como ‘Revolution#9’ e felizmente não tão compridos, em "Wild Honey Pie" e "Why Don’t We Do It On The Road", dispensáveis, e certamente fazendo parte do conjunto que George Martin abominava…

George,
em oposição à fenomenal wheeping guitar já descrita, fez aquela que eu considero a pior canção beatle jamais registrada em álbum, chamada "Long, Long, Long", que eu nem tenho como descrever pois nunca prestei atenção nela, de tão chata. Mas ele teve outras duas ótimas contribuições, com "Piggies" um som medieval e uma letra que escracha com os magnatas e suas esposas chiques, com direito a sons de porcos em chiqueiros, e também, "Savoy Truffle", uma homenagem dele ao doce que deu o nome da canção que desfila outras sobremesas tipicamente inglesas, nas quais ele era viciado, com direito a um naipe de metais fenomenal, competindo com o de "Got To Get You Into My Life" de Revolver, dois anos antes.

E Ringo, bem, Ringo, como disse, fez sua primeira aparição como compositor, alvíssaras, mas fez, como em TODOS os álbuns beatles até então, sua interpretação de uma canção Lennon/McCartney, sempre muito exaltada pelos fãs e que teve seu ápice com "Yellow Submarine" um single de muito sucesso, e em "With a Little Help From My Friends" de Sgt. Pepper's. Desta vez, foi numa magnífica canção de ninar que John fez para seu filho Julian, então com 5 anos de idade, "Good Night", lindíssima, com uma orquestra inteira de acompanhamento.

O ano de 1968, entretanto, não se limitou, entretanto, às 30 canções lançadas no Álbum Branco. Eles mantinham, a política de lançarem singles (compactos) com materias que não veriam a luz do sol nos Lps. Foi o caso já falado acima, do Double A Side ‘Hey Jude’ e ‘Revolution’, a primeira sendo tão sensacional que John admitiu que fosse coloca no Lado A, apesar de a sua ser igualmente histórica!! Essas duas tiveram também rarissima à época, aparição em vídeo clipes. E teve também, o compacto "Lady Maddona" e "The Inner Circle", a primeira, um rocker com uma introdução ao piano magnífica e um naipe de metais inesquecível, mais uma historinha de Paul, sobre uma dona de casa que tenta 'to make ends meet', e a segunda, uma de George com inspiração indiana, com uma fusão de instrumentos daquela cultura milenar e, diga-se de passagem, que veio a ser a primeira teve o nome Harrison como compositor num single exclusivo. 

Destaque absoluto desse ano, e que merece um parágrafo especial, foi uma das mais lindas canções de John Lennon, senão a mais linda, segundo o próprio gênio, "Across The Universe", feita por encomenda para participar em um álbum beneficente, poesia pura, imagens alucinantes, viagem sensacional. 
A versão original tem a voz de duas Apple Scrufs (meninas que rondavam os estudios da EMI em busca de um contato com os Beatles), que Paul chamou para fazer um backing vocal, uma delas, a brasileira Lizzie Bravo, notável feito tupiniquim. Quando a canção surgiu, dois anos depois, no álbum Let It Be, veio embrulhada num arranjo orquestral, sem espaço para as vozes de apoio. Felizmente, as compilações Past Masters oficializaram a versão ‘brasileira’ alguns anos depois. Acresça-se que as vozes das menina, então com 15 anos, são AS ÚNICAS vozes humanas a fazerem vocal de apoio em gravações dos Beatles. Ah, mas tem a Yoko em 'Bungallow Bil", não, caaaalma, a japonesa infernal fez 'lead singer', não 'backing vocal'.

Tudo isso está devidamente celebrado em sensacionais pacotes de 50 anos, ainda não disponíveis no Brasil, com um monte de CDs e um DVD, às vezes LPs, uma preciosidade que são versões de demos acústicas gravadas em Esher, residência de George Harrison na época! Além de livros com todos os detalhes possíveis e imangináveis, por obra e graça de Giles Martin, filho do Grande George Martin!

Uma boa razão para se investir em um pacote desses? Na época houve duas composições rejeitadas: uma de John, “What’s The New, Mary Jane” e outra de George, “Not Guilty”, esta seguramente a campeã de takes, acho que passou de 70 o número de tentativas para se chegar à versão ideal, sem sucesso, infelizmente, porque era infinitamente superior a “Long, Long, Long”. Felizmente, agora viram a luz do sol e foram oficializadas na discografia oficial dos Beatles. Para os beatemaníacos, um 'must': como pode haver canções oficiais dos Beatles sem que as tenhamos em casa?