-

domingo, 24 de setembro de 2017

Por que não vamos lá fora e atravessamos a rua?

        
Aparentemente em 2006 um brasileiro
beijou o assoalho  e desde então
foi fechado ao público! 
Post escrito em 2009, 
quando o fato virou quarentão.
Relembrado hoje porque um novo amigo, amerricanou. esteve em Londres e aceitou minha sugestão de visitar o local e me mandou estas fotos



Agora, à história;


________________________
 
Por que não vamos lá fora e atravessamos a rua?
disse ele a seus amigos.
Agora, posso contar a meu filho
que visitei a Meca 
dos beatlemaníacos
        



 
Essa pergunta, aparentemente bobinha e sem sentido, teria caído em esquecimento total e absoluto se fossem outros o lugar, os personagens envolvidos na cena, e o que aquele ato simples de atravessar a rua representaria para o mundo da música.

         O lugar:            Estúdios da EMI, em Londres
         O dia:              8 de agosto de 1969
         Ele:                  Paul McCartney
         Seus amigos:   John Lennon, George Harrison e Ringo Starr
         A proposta:      Atravessar em fila indiana a Abbey Road,
                                 ter o movimento registrado em fotografia,
                           e ter a fotografia estampada na capa 
do último disco dos Beatles,
                                 na minha opinião, o melhor de todos eles,
                                 não sem motivo, o mais vendido de sua carreira.
                  Estava a maior banda do mundo envolta em dúvidas sobre a capa e até mesmo sobre o nome do disco que estavam acabando de gravar. E era um disco especial, todos sabiam, John, nem tanto. Eles vinham de uma experiência que consideraram frustrada, o projeto Get Back, em que haviam embarcado numa idéia de volta às origens, e abandonado a batuta de George Martin, o grande produtor e mentor de seus discos até então. Só eles mesmos para ficarem frustrados com aquilo que viria a se tornar o último disco LANÇADO dos Beatles, que acabou levando o nome de Let It Be. Fiz questão de capitalizar o particípio qualificativo acima, para distingüi-lo de GRAVADO, que é o que se aplica àquele disco sobre o qual pairava a dúvida da capa, e sobre o qual, aliás, não vou falar aqui, deixo para falar à época do aniversário de 40 anos de seu lançamento, em setembro. Quem faz ‘entaniversário’ agora é a foto da capa, e é sobre ela que versa este pequeno ensaio.
                  Estava praticamente combinado que eles voltariam a aparecer na capa, como somente haviam deixado de fazer no último LP de estúdio, o famoso The Beatles, conhecido como Álbum Branco, pela total ausência de cor, inclusive no nome, que aparecia em alto relevo. Afora aquele álbum, todos os demais traziam a imagem deles na capa, fosse em foto ou desenho, e era bom para registrar as mudanças de visual do grupo: naquele verão de 1969, John, Ringo e George ostentavam grande cabeleira, e grossas barbas. Somente Paul, que nunca foi adepto do estilo cabelão, sempre optou por um visual mais comportado, estava de cara limpa, sem barba ou bigode. Aliás, até mesmo porque estava morto ... hehehe  ... depois explico.
         Restava saber aonde tirar a foto. Por uns bons dias, pensou-se em chamar o álbum de Everest, muito devido a uma marca de cigarros fumados incessantemente pelo engenheiro de som Geoff Emerick (que ganharia o Grammy por seu magnífico trabalho naquele disco). E chegou-se a fazer planos para ir ao próprio Everest para tirar a foto, mas a produção seria muito complicada. Dinheiro não era problema, mas acabaria atrasando o cronograma de lançamento do disco. Pensando bem, até que o local seria bastante apropriado, pois era o topo do mundo, exatamente aonde os Beatles se encontravam: no topo do mundo do entretenimento, não havia ninguém mais poderoso que eles.
                    Foi então que Paul, em sua genial simplicidade, fez a proposta título e o sketch ao lado. De uma idéia que certamente custaria algumas milhares de libras foram a outra que custaria praticamente zero, mas que acabaria tendo efeito infinitamente maior. Proposta aceita, foi convocado o fotógrafo Iain Mcmillan, que estava de plantão, e saíram do estúdio. A produção teve alguma dificuldade para parar o trânsito, o fotógrafo subiu em uma pequena escada e tirou meia dúzia de fotos. Paul escolheu a que mais lhe agradou. Era a prerrogativa de quem dera a idéia. Estava decidida e realizada mais uma capa Beatle. E o disco foi também nomeado Abbey Road, em homenagem à casa que os abrigara nos últimos sete anos, palco de muitas revoluções musicais.
                 

No post http://blogdohomerix.blogspot.com.br/2013/08/paul-is-dead.html, eu conto o que fãs 'enxergaram por detrás da foto!!!

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

A Miúda Deu ao Rabo

O amigo Fernando está no OPORTO
e me contou mais uma, que incluo aqui, em vermelho!
__________________________________________________________


Calma, não pensem que estou a começar um texto pornográfico, ou coisa que o valha. Trata-se de uma expressão corriqueira dos patrícios da terrinha d’além mar. Aquelas deliciosas diferenças entre os idiomas d’lá e d’cá do Atlântico. Tenho certeza d’que já ouviram falar d’muitas delas, mas as que foram base do título foram dshcubertas por euzinho aqui e tenho c’rteza d’que não conheciam. E as descobri graças à minha verve beatlemaníaca. E tash dou d’graça!
Não tenham pressa! Saberão do significado real mais para o final. Vou aproveitar que estou a falar dos patrícios para comentar também um pouco sobre a lógica que regula o pensamento do português, que é a origem das piadas q’tanto gostamos d’ouvir, mas que, em sua maioria, são exageradas. Elas acabaram descambando para uma extrapolação pr’c’p’tada d’que eles são burros, o que é a mais total injustiça. Eles podem ser burros, como podem ser inteligentes, assim como nós brasileiros, ou nossos hermanos argentinos, ou qualquer outra raça, mesmo que do primeiro mundo. O que mata mesmo é a lógica, de levar tudo ao pé da letra, o que, em verdade, os faz, até mesmo, mais racionais. Eles interpretam exatamente o que é falado. Nós, com o nosso jeitinho, já interpretamos o passo seguinte, e entendemos o que está por trás (com todo respeito) do que foi dito.
Vou me limitar a histórias q’ouvi de amigos viajantes, q’juram de pés juntos q’foi assim q’aconteceu.
Um deles, voltando d’Angola, passou uns dias em Lisboa, deu saudades (ainda não tinha Internet), foi ao jornaleiro e pediu: “Tens aí um jornal do Brasil?”, e o gajo: “De hoje ou de ontem?”, e o pobre: “Claro que é o de hoje, ô amigo!”,  e o patrício concluiu: “Então volte amanhã, p’rque hoje, somente temos o de ontem!” Ou seja, se você pensar bem, o sujeito está instrinsecamente correto, mas falta a ele o jeitinho brasileiro d’pensaire.
Um outro, em viagem d’casais (aquelas viagens que você planeja muito, começa com muitas expectativas, você, seu cônjuge e um casal amigo, depois, lá pelo meio, não vê a hora de terminar, depois de horários não cumpridos, programas que só um lado gosta, um querendo caminhar e o outro querendo algum meio de locomoção menos cansativo, os que adoram e os que detestam museus, mulheres reclamando uma da outra, mulheres querendo comprar e homens querendo comer, enfim, você sabe ...), parou numa tradicional casa d’fados, doido por um bacalhau, olhou o cardápio, escolheu o seu, perguntou aos demais o que queriam, e chamou o garçom: “Vou querer um bacalhau à portuguesa, um à ‘Gomes de Sá’, um ao ‘Zé do Pipo’  e um à espanhola.” O garçom anotou tudo d’reitinho, virou-se pra’sposa dele e sapecou: “E a senhora?”. Sem palavras! Vale também para caf’zinhos, cuidado! Se você estiver com outros 3 amigos, não se arvore em pedir 4 caf’zinhos, que o gajo vai p’rguntar ao comensal ao lado: “E o s’nhoire também quer um caf’zinho?”
Um terceiro, hospedado num hotel d’Lisboa, após a primeira noite, desceu à recepção e, esquecendo-se d’que não estava no Brasil, perguntou: “Onde se toma o café da manhã?” e aí: “O s’nhor sai do hotel, vira à esquerda, é um pouco antes da’shquina!”. O cara não entende muito bem por que ele tem que sair do hotel, mas segue as instruções e chega a um barzinho, lá onde o recepcionista indicou, mas aí se toca, volta e pergunta ao gajo: “Amigo, um hotel desta categoria não tem um restaurante onde se pode tomar um café da manhã completo, com frutas, frios, sucos, ovos mexidos, não?” e, então, o atencioso recepcionista finalizou: “Sim, claro, p’r que não p’rguntou logo? O p’queno almoço é no andar d’baixo!”. É interessante a variedade de termos se usa pelo mundo para o nosso café da manhã. Outras línguas usam o termo correto para aquela primeira refeição do dia, que, na verdade, trata-se de um desjejum: os franceses chamam de “petit dejeuner”, que é exatamente o tal “pequeno desjejum” potuguês; os espanhóis chamam de “desayuno”; e até mesmo os ingleses (e colonizados) usam a idéia, afinal, “breakfast” quer dizer uma refeição para “break the fast” ou “quebrar o jejum”; e os italianos, bem, aquela tal de “collazionne” não tem nada a ver com desjejum, mas nem mesmo eles sabem o que significa. Seja de que forma for, é certo que o gajo lusitano poderia ter entendido, de cara, o que o camarada brasileiro queria, àquela hora da manhã, que era, exatamente, quebrar o jejum!
Tem a história um pouco mais antiga, que repito por ser um bom exemplo de lógica lusitana. O cara está numa livraria numa sexta-feira e gostaria de voltar no dia seguinte, com a esposa, e pergunta ao livreiro: “Vocês fecham amanhã?”, fica satisfeito com a negativa, mas, ao voltar, no sábado, encontra a loja fechada. Volta, então, na segunda-feira e cobra: “Ô amigo, você me disse que não fechavam no sábado, eu estive aqui e encontrei a loja fechada!” e o cara: “Eu disse q’não fechávamos, p’rque se não abrimos, não podemos fechar, ora pois!”.
Um amigo necessitou uma pomada, foi à farmácia e pergunto. Precavido, leu a bula, que dizia: passe-a sobre a área afetada, massageando-a bem, logo após lave as mãos, a não ser que a área afetada seja uma das mãos, sendo assim, não lave as mãos...
 já na era do Nespresso. Estava um amigo meu em Lisboa quando lembrou-se de atender a um pedido de um amigo que trouxesse umas caixinhas de sachês de um certo sabor, ele mesmo não tendo o aparelho em si, mas ia fazer um favor. Chegou, fez a pedida e, ao que foi perguntado: "Q'máquina tensh?" respondeu inocentemente: "Não tenho a máquina!", ao que foi respondido: "Então, não t'vendo, o pá!!" .... e meu amigo ficou sem os sachês.
E finalmente, uma que soube hoje: estava um amigo na cidade do Porto, próximo à Catedral da Sé querendo descer até a Ribeira. Sabia o caminho mais longo, mas deparou-se com uma escadaria meio escondida que parecia que ia dar na Ribeira e, com medo de que a escadaria / beco fosse cair em outro lugar sem saída que o obrigasse a subir tudo de novo, perguntou ao guarda onde iria dar aquela escadaria ao que ele muito solícita e gentilmente respondeu: "La embaixo, pois". 
E há outras demonstrações da lógica, totalmente admissíveis. Se você for ao pé da letra, eles estão absolutamente certos. Veja:
·         Ao adentrar um elevadoire com ascensorista, fazemos aquela tradicional pergunta: “Sobe?”, ao que o gajo responde: “Não, shtá parado!”
·         Ao perguntar aonde fica o metrô, o gajo responde, d’mediato: “Aqui embaixo, ó pá!”
·         Numa reunião após u’shpdiente, um gajo pede um certo sanduíche, o camarada ao lado pede: “O mesmo!”. Ao chegar o pedido, somente o primeiro recebe o dito cujo. O segundo, após um tempo, reclama ao garçom, que diz: “Mas, tu não iash comer o mesmo?”
·         Ainda em restaurantes, chega-se a um dos típicos e p’rgunta-se: “Tem bacalhau?”, ao que o garçom responde: “Tem, mash não há!” Neste caso, um d’scohec’mento nosso do significado curreto, poish o verbo ‘ter’ sign’fica ‘ter como hábito’, enquanto o verbo ‘haver’ sign’fica ‘ter no momento’;
·         No meio de uma viagem entre duas cidades, o motorista pára para abastecer o veículo e pergunta, inocentemente, ao caixa: “Falta muito para chegar ao destino?”, e recebe de volta: “Se tu fores devagar, demora um p’quinho, purém, se fores depressa, chega rap’dinho”
Ou seja, todas as histórias acima são exemplos da lógica lusitana, o que não significa que sejam mais ou menos inteligentes, apenas pensam diferente, querem que se faça a pergunta da forma correta. Aliás, nossos amigos d’lá, de burros não têm nada.
Voltemos, então, à língua. Mas ainda não à “miúda engatada”. Porém, vou me limitar à linha dos perigos que podem ter uma conotação sexual, como a do título. E tem os dois sentidos, o que achamos que é, mas não é, e que não achamos que é, mas é (ufa!). Tem q’se ter cuidado!
1.        Não se assuste quando falarem dos “putos” lá de casa, que estão a ref’rir-se aos próprios filhos homens. Ainda bem q’não usam a mesma palavra, no feminino, para referirem-se às filhas mulheres. Ia ficar estranho!
2.       Em Portugal, você pode “entrar numa bicha para tomar pica no cu”, sem problemas para sua masculinidade. Significa apenas que você está doente e está precisando entrar numa fila para tomar injeção na bunda. Nada demais!
3.       Esta já aconteceu com uma alta autoridade brasileira, cuja assessora de imprensa disse à sua contraparte de Lisboa: “O Presidente vai participar de uma coletiva.” Diante do espanto de seus interlocutores, perguntou se havia dito alguma bobagem. Ao que foi explicada que, lá, coletiva, é gíria para sexo grupal, suruba, bacanal, enfim, coisas do gênero.
4.       Finalmente, você pode chegar a um restaurante português e pedir sopa de grelos e, de entrada, punheta de bacalhau pra comer, acompanhado com cacete em fatias finas. Nada demais! Trata-se de sopa de folhas de nabo, com bacalhau desfiado, temperado e cru, pra comer com pãozinho cortado em fatias finas.
5.       Esta não tem problema de duplo significado, mas serve para ressaltar a dificuldade. Não adianta reclamar num hotel que a descarga da privada não funciona. Vai demorar muito para entender que você não consegue acionar o “autoclismo da retrete”.
Bem, finalmente, vamos ao que interessa. A explicação do título vem em duas partes. E claro que, como a origem é beatle, vocês não iriam escapar de um pouco de cultura beatle, perdoem-me!
No disco Rubber Soul, sexto da carreira beatle, de 1965, eles começavam a sair da linha juvenil romântica da beatlemania. A segunda canção chamava-se “Norwegian Wood”, de Lennon/McCartney, mas, precisamente, era de John. A canção ficou famosa, além de ser linda, por dois fatos marcantes, daquele tipo “Pela primeira vez na história do rock...”, que os Beatles fizeram um sem-número de vezes.
1.        Foi a primeira vez que uma cítara apareceu numa canção de rock. George Harrison já havia começado sua paixão pelas coisas e pelas idéias indianas, trouxe o instrumento de uma viagem, aprendeu o básico e tocou os inesquecíveis acordes iniciais da canção.
2.       Foi a primeira vez em que uma composição de rock insinuava uma noite de sexo, num primeiro encontro, deixando o lado ingênuo de “I Wanna Hold Your Hand”, em que se pedia permissão para segurar (só) na mão da miúda (ih!), e outras tantas.
A letra dizia:
I once had a girl, or should I say, she once had me.
She showed me her room, ‘Isn’t it good? Norwegian Wood!’ ”
Depois, lá pelo meio da letra, ele solta:
We talked until two, and then she said: ‘It’s time for bed!’
É certo que as más línguas e as mentes poluídas já haviam identificado uma certa conotação sexual na aparentemente ingênua “Please Please Me”, dos idos de 1963, em que John (sempre ele!) dizia:
Please please me, oh yeah, like I please you!
Diziam os alucinados que o “Satisfaça-me como eu satisfaço você!” tinha uma clara indicação de sexo oral não retribuído. Lennon nunca admitiu isso: dizia apenas gostar da sonoridade da palavra ‘Please’, que tinha dois significados totalmente diferentes, e que ficou encantado com a possibilidade de juntá-los num mesmo verso.
Bem, a primeira parte d’minha descoberta originou-se há uns anos, quando uma colega aposentou-se e, sabedora de minha mania, deu-me de presente um pequeno livro intitulado: “Beatlemania - Poemas dos Beatles 1962-1966”, e vinha com um post-it que dizia “Divirta-se!”. Profético conselho! Tratava-se de todas as canções beatle daquela fase, em inglês, e com sua tradução em português de Portugal. Na maior parte das vezes, a tradução é idêntica à que nós faríamos aqui. Mas tem uma ou outra expressão que só os da terrinha entendem! Por exemplo:
My baby don’t care!” de “Ticket To Ride” ficou “A minha miúda está-se nas tintas!”;
When you say she’s looking good ..” de “Girl” ficou “Quando se lhe diz que está gira..”;
Darning his socks in the night .. ” de “Eleanor Rigby” ficou “A coser as peúgas à noite ..”.
E aquela frase do refrão de “Please Please Me” ficou muito interessante, com os modos pronomiais portugueses: “Por favor, dá-me esse prazer, oh sim, como eu to dou a ti!”
E por aí foi! Entretanto, quando cheguei em “Norwegian Wood”, irrompeu-se-me uma gargalhada fenomenal. Logo de iníco, aqueles dois primeiros versos que escrevi aí em cima, do “I once had a girl ...” foram assim traduzidos:

Uma vez engatei uma miúda. Ou será que ela me engatou a mim?
Mostrou-me seu quarto. ‘Que beleza! Madeira Norueguesa!
Mais uma vez, sem palavras!
Devo alertar que qualquer tradução de letra de música corre o risco de ficar ridícula e, por vezes, não passar a mensagem poética do autor.  Lembram-se do que acontece nos países de língua hispânica, onde eles traduzem os nomes das canções nas capas dos compactos, e produziram aquelas pérolas como “Boleto Para Pasear” e “Podemos Solucionarlo” ou ainda, “Déjalo Ser” e “Anochecer De Un Día Agitado”, e coisas do gênero, como apresentei em outro texto meu (link). Em português, também! Quem apostaria numa música intitulada “Madeira Norueguesa”? O inglês tem uma sonoridade musical toda própria, que se perde na tradução. Naquele mesmo álbum Alma de Borracha (!!!), existe outra bela canção de John (de novo) , “Girl”, que no livrinho aparece como “Rapariga”. Pois é, não dá!
Outro exemplo de perda de sonoridade, eu presenciei quando assisti ao filme “Lost in Translation”, que no Brasil saiu como “Encontros e Desencontros”: o personagem principal, vivido por Bill Murray, está num bar onde uma mulher canta a linda “Scarborough Fair”, de Simon & Garfunkel. Quando ela entoa .....
Are you going to Scarborough Fair?      Parsley, sage,   rosemary and   thime.”
….  lindamente, melodicamente, na tela, a legenda mostra:
Você vai à feira de Scarborough?         Salsa,    sálvia,             alecrim     e      tomilho.
Não precisa dizer que, segundos depois, a sala de cinema toda olhava em minha direção, procurando de onde vinha a gargalhada que invadiu o espaço.
Bem, decifrada então a primeira parte do enigma, sigamos à segunda.
No meio da década de 90, os 3 Beatles então viventes, Paul, George e Ringo, dedicaram-se a um grande projeto, uma antológica recompilação da carreira, que gerou discos, filmes e livro: o Projeto Anthology. De música, foram 3 CD’s duplos Anthology 1 1995, Anthology 2 1996 e Anthology 3 1996. O livro, na verdade um livrão chamado Anthology, foi uma autobiografia dos Beatles, que esgota tudo o que se quer saber sobre eles, contado pelos próprios. Claro que há outras centenas (Sem exagero! Penso que, na verdade, deve passar de 1000!) de livros sobre as vidas deles, em que encontrarão algo que eles mesmos não gostariam que se soubesse. Mas, o essencial está ali. Em filmes, foram, primeiro, 8 fitas VHS (lembram-se daquele jurássico meio magnético?) e, no final da década, relançaram na forma de 5 DVDs, que juntavam as 8 fitas: 2 a 2 nos 4 primeiros DVDs, e no quinto, o material extra. Os DVDs são magníficos, têm detalhes que eu não sabia, imagens que eu nunca havia visto, os 4 beatles aparecem em entrevistas ótimas, inclusive John, lá do além, claro que em  gravações feitas antes de sua morte, o pá!
O bom dos DVDs, além do material extra e da natural melhor qualidade, é que vinham com a opção de 10 idiomas para as legendas, desde inglês a coreano, árabe e japonês, até chegar ao português e português do Brasil. Veja a sensibilidade dos produtores, que notaram que as diferenças podem ser significativas. Agora mesmo, aqui na empresa, estamos associados a companhias portuguesas em uns blocos em Portugal, e todos os contratos, na dúvida, são elaborados em inglês. Totalmente justificável!
Como curiosidade, assisti com a opção do português original. O primeiro dos DVDs conta, como não poderia deixar de ser, sobre o começo da carreira, mas, antes ainda, como foi a  infância dos 4, e sua introdução  no mundo do rock’n roll. Elvis Presley, que é influência marcante para todos, aparece um vídeo de “Hound Dog”, com seu requebrado inigualável, e, na legenda, traduzindo uma fala de John, que dizia que ele cantava e rebolava, estava:
“Elvis a cantar e a dar ao rabo ....”
   E, mais uma vez, as gargalhadas invadiram o ambiente, desta vez, a minha casa, ante os olhos assustados de meu filho, que via comigo, mas não captou a essência da coisa, de cara.
   Lá mais adiante, notei que a expressão aplica-se a mais situações da língua, com o mesmo sentido. Por exemplo, quando se dizia que os Beatles balançavam as cabeças, aparecia: “Eles davam às cabeças... ”
   Então, está decifrado o enigma!
O título lá em cima quer dizer, em português do lado d’cá:
“Ele teve uma garota que rebolava ....”
   Nada mais inocente do que isso!
Portanto, mais uma pequena confusão portuguesa, com certeza.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

DOIS FILHOS DE HOMERIX

Mais uma Bienal pra Renata
Mais um projeto pro Felipe
Hora de reviver este post
___________________________________

Este é um post claramente inspirado no filme Dois Filhos de Francisco.

Quero usar este espaço para esclarecer uma coisa fundamental sobre o papel de Homerix e seu objetivo.

No filme, Francisco tem dois filhos artistas, Zezé de Camargo e Luciano, cantores, em começo de carreira. Francisco compra fichas telefõnicas e distribui entre seus colegas de trabalho, para que liguem do orelhão da obra para as rádios da cidade pedindo que toquem a sua música É o Amor.

Nesta vida, Homerix tem dois filhos artistas, Renata, escritora, e Felipe, músico. Homerix usa seu blog e o Facebook para pedir aos amigos que vejam o video de Renata falando sobre seus livros A Arma Escarlate (1) ou A Comissão Chapeleira, ou ainda que conheçam os discos da Baleia (2), a  atual banda de Felipe, chamados Quebra Azul e Atlas.

Similar, não?? Os meios são diferentes, mas o objetivo é o mesmo!!!

Eis os dois artistas, quando já faziam arte ... outro tipo de arte....



Antes dessas duas oportunidades de convocação, Homerix não perdia oportunidade de divulgar o trabalho dos filhos. 

Antes de A Arma Escarlate, e mesmo antes do blog, Homerix divulgava as iniciativas de Renata, em sua dura batalha pelo Esperanto (3), em seu projeto 'Calendário das Virtudes' em busca da disseminação de valores para as pessoas (4), ou de sua batalha contra o colonialismo cultural a que nós brasileiros nos submetemos, que materializou em sua monografia (5).

Antes da Baleia, e mesmo antes do blog, Homerix divulgava as outras iniciativas musicais de Felipe, como sua primeira banda, Los Bife,  está on hold, apesar de ter lançado um exxcelente disco - Super Supérfluo - que saiu em 2011 (6), ou como das obras que compõe durante seu curso de Composição Clássica na Universidade (7).

Tudo isso NUNCA foi pra ele se vangloriar do talento dos filhos. NUNCA para angariar elogios. Homerix já sabia do destino dos filhos... as artes! Daí  porque Homerix sempre foi dedicado à divulgação dos trabalhos deles!! Ele queria que seu pequeno mundo, até onde chegasse sua pequena influência, conhecesse o trabalho dos filhos. A profissão que eles escolheram depende da aceitação e interesse de outras pessoas.

Fosse Felipe engenheiro ou advogado, não teria sentido Homerix usar as páginas de seu blog e as publicações do Facebook para chamar os amigos a que usassem a habilidade de seu filho para construírem suas casas ou defenderem suas causas. Felipe faria seu caminho sozinho, ou de forma autônoma ou prestando um concurso público... não há concurso público para músicos em estatais ou tribunais.

Fosse Renata psicóloga ou médica, não teria sentido Homerix usar as páginas de seu blog e as publicações do Facebook para chamar os amigos a que usassem a habilidade de sua filha para tratarem de suas cabeças e corpos. Renata faria seu caminho sozinha, ou de forma autônoma ou prestando um concurso público... não há concurso público para escritores em estatais ou tribunais.

Eles teriam um caminho a traçarem sozinhos, pelo seu esforço pelo estudo.

Os artistas também têm o seu caminho, também com muito esforço e estudo, mas necessitam de muuuita divulgação, dependem que seu trabalho seja conhecido, num mercado altamente disputado. Felizmente, as obras de ambos são de qualidade, e Homerix não se sente nem minimamente envergonhado em divulgá-las.

A escritora disputa espaço na mente das pessoas que hoje está muitíssimo ocupada pelos apelos da informação. Muito se vê televisão, muito se navega em redes sociais, pouco tempo e vontade sobram para leituras. Afora isso, dentre os que se dedicam à leitura, muitos o fazem com obras de autores estrangeiros, o que faz com que as editoras também pretiram os autores nacionais (ou seria o contrário?).

O músico tem que enfrentar um mercado hoje acostumado a valorizar música e letra de baixíssima qualidade, mas de grande apelo popular. Ele lamenta essa situação e clama por um espaço em uma de suas melhores músicas, ainda do Los Bife', chamada 'Rádio Cabeça' (8) : 
Já se foi o tempo em que eu me preocupava em me expressar artisticamente
Já se foi o tempo em que o mais importante era ser criativo e inteligente
Nunca mais eu penso antes de escrever
Nunca serei popular, se eu não me vender

Homerix recebe de alguns amigos aquele elogio de "Papai Coruja, hein?!!", "Lambendo a Cria, hein?!", coisas do gênero. Claro que ele tem orgulho do trabalho dos filhos. Mas o que ele menos quer é se vangloriar disso. O que o "papai coruja" deseja, na verdade, com sua insistência, do fundo de seu coração, é que as pessoas conheçam as obras dos filhos e 'at the end of the day' (como dizem os brothers),  consumam, de alguma forma, o que os filhos produzem, e, se gostarem, que divulguem, iniciando assim, uma corrente do bem. Simples assim!!

O músico já tem o que vender e noutro dia teve a grata notícia sobre a indicação ao Grammy, a escritora já tem seus livros na praça, que felizmente estão sendo muito elogiados (9), o primeiro já está em 6ª edição, e o segundo na 3ª, mas ainda falta estourar. Homerix sinceramente acreditava que sua rede sozinha seria suficiente para esgotar as prateleiras. Má avaliação! Mas os livros chegam lá! Renata também faz um trabalho incansável de divulgação e já tem muitos fãs  declarados aguardando o terceiro livro. Muito legal!

Mas segue a luta! Homerix tem fé que os Cisnes Negros do Bem (10) aparecerão para seus dois filhos....

E eles poderão aparecer de algum contato de vocês!! Quem sabe!!


Homerix

Bienal 2017... check!

Obrigado, Eduardo, filha, Symone e Rômulo, e Família Cosenza, que foram prestigiar minha filha.

Renata teve uma semana daquelas, 10 dias ao lado de seus filhos A Arma Escarlate e A Comissão Chapeleira. 


Deu adeus a 400 exemplares do primeiro e a 100 do segundo, que agora estão nas prateleiras e cabeceiras, prontos para encantarem seus leitores, se é que já não estão sendo devorados.


Foi a maior vendedora do Estande da Novo Século.

Semana que vem, tem Brasília e em outubro, tem Passo Fundo e Recife.


Segue em frente, filha!!!






sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Ok, você venceu ...batata frita!!!

Desde 2011, ia a todas as Bienais, RJ e SP, e via aquele trono sendo insistentemente ocupado por pessoas fazendo pose, e nem me importava em saber do que se tratava!


Fazia parte da outra metade do mundo.
Há exatamente um ano, mudei de lado.

Vi todas as seis temporadas, 
   li todos os cinco livros, 
      revi todas as seis temporadas, 
         ansiei pela sétima, 
            vi a sétima, 
               e entrei em crise de abstinência
                  aguardando a última temporada, 
                     aguardando o sexto livro!

Capitulei


All Hail His Grace
Homerix of Houses Pacheco and Ventura,
First of His Name,
King of Santos and The First Bondmen,
Lord of the Beatledom, Warden of Enterprise
Father of Artists,
Protector of the Realm



quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Mistério Solúvel


Há pouco, entre algumas bobagens de corrente e datas,
apresentaram-me novamente o mesmo mistério!
Republico para esclarecimento!!!

Pegue os últimos dois dígitos do ano em que nasceu
mais a idade que você vai ter este ano
e a soma será igual a 117 
para todas as pessoas!

ALGUÉM EXPLICA O QUE É ISSO ????..
_____________________________
Agora sou eu, de novo.
Pode fazer o teste em casa, com pai, mãe,
irmão, irmã, filho, filha, sogra, empregada e cachorro.
Sempre vai dar 117!!!





Acabou?






Já fez o teste?
Achou o máximo?
Agora pense e tente descobrir porque.


Pense mais um pouco...




mas não vá explodir de tanto pensar...



Já pensou???

É apenas a Matemágica, ou a Mágica da Matemática.

Veja que em 2018, se você somar o ano de nascimento
com a idade que você vai ter em 2018,
a conta vai dar 118, para qualquer ente querido. 
 

E em 2019, vai dar 119.
E em 2020, vai dar 120.
E assim por diante...
E assim pra trás...
Em 1998, dava 98.
Em 1985, dava 85.


Pensa bem, quando você nasceu e anos seguintes.
No meu caso, que nasci em 1958,
quando fiz um aninho, em 1959, somava-se 58 + 1 e dava 59;
quando fiz 5 anos, em 1963, somava-se 58 + 5 e dava 63,
pra todo mundo da família.

Minha filha Renata, que nasceu em 1988, tinha UM aninho em 1989: 88+1=89

Nada demais.

Essa soma dá sempre o ano em que estamos, pensa bem, naturalmente.
A idade que se tem E o ano em que se nasce são SEMPRE complementares,
com resultado IGUAL ao ANO corrente!

Só que como passamos de 2000, viramos a centena, aí acresce-se 100.

E se a pessoa do teste tivr nascido neste século, nem precisa somar...
 c.q.d.
Apenas mais uma abobrinha


Abraço

Homero Decifrador Ventura

Meu Facebook do Dia 5-9-17, o Dia do Alinhamento dos Planetas da Corrupção

    Chacrinha no Bial 
    Terminando com
    Jane e Herondy
    Foi sensacional!!
    Do clássico egípcio:
    "Decifra-me ou te devoro!"
    Comentários
    Rosilda Silva Do clássico carioca "Quando a gata toma conta do pedaço"
    Responder3 h
    Gerenciar
    Acabou a contagem!!!
    51 milhões de reais no apartamento de Geddel!!!
    É um escárnio!!!
    Muito legal a homenagem que farão aos 100 anos do Chacrinha, amanhã! 
    Nercessian é perfeito! 
    E vai ter Sidney Magal!
    Comentários
    Homero Ventura Na Globo, amanhã, depois da novela, na hora do jogo que não vai ter
    Responder
    1
    9 h
    Gerenciar
    Homero Ventura Ontem, o Bial chamou o Stepan e um Casseta pra falar e Biafra e Jane e Herondy pra cantar. Sensacional!!!
    Responder
    1
    14 min
    Gerenciar
    Hoje, JN vai bombar!!!
    Geddel, Joesley, Nuzman, Lula
    Tutti buona genti!!
    Comentários
    Mariana Freire Buoníssimi... 😅
    Responder11 h
    Gerenciar
    Fernando Nobrega Homerix é impossível a arte imitar a vida real. Os roteiristas da serie norte-americana House of Cards nao conseguiriam criar a nossa realidade.
    Responder
    2
    11 h
    Gerenciar
    Esse filme é o bicho!!!
    E tem um plano-seqüência fenomenal!!
    Não percam!! Com certeza terá seqüência!!
    Conseqüentemente, lá estarei!!!!
    (usei tremas de propósito!!!)
    O sujeito do título do post é o título do filme que eu fui ver no domingo Na verdade, é uma sujeita interpretada por Charlize Theron. Ela d...
    BLOGDOHOMERIX.BLOGSPOT.COM
    Comentários
    Renato Azuaga Também gostei muito. Mas o cinema estava vazio! Dificilmente farão sequência se for um fracasso de público.
    Responder11 h
    Gerenciar
    Homero Ventura É ... não está muito brilhante nas estatísticas, não....
    Responder11 min
    Gerenciar
    Preciso falar algo nesse Dia do irmão!!❤️❤️❤️❤️
    Irmãs, amigas , confidentes , cúmplices, leais......
    Sei que sempre seremos ""UMA POR TODAS E TODAS POR UMA""
    Já denominadas " AS QUATRO PATETAS "
    Irmãs Forever!!❤️❤️❤️❤️🙄
    "O filme sobre a Lava Jato prende o espectador até o final ... e o Gilmar Mendes manda soltar!"
    <<< a melhor da semana >>>