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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Oscar 2019 - Roma é chato mas genial?

Abri os trabalhos para o Oscar aqui:
https://blogdohomerix.blogspot.com/2019/02/oscar-2019-abrindo-os-trabalhos.html

Falei sobre Bohemian Rhapsody, Nasce Uma Estrela e Infiltrado na Klan:

https://blogdohomerix.blogspot.com/2019/02/oscar-2019-os-que-vi-em-2018.html

E resenhei Green Book e Vice, aqui:
https://blogdohomerix.blogspot.com/2019/02/oscar-2019-feel-good-movie-e-feel-bad.html


Este é específico para 'Roma', que vi anteontem, na Netflix, sim, não passou nas telas de cinema. Poderia usar o veredito de Xexéu (Chato mas genial), mas não é tão chato assim. Genial? Sim, tá quase lá. Filmes de Alfredo Cuarón têm sempre aquela expectativa de momentos geniais.


O lado chato, pra mim, é o Preto e Branco, a pouca música, o ritmo lento.

Genial pra mim é a câmera nos detalhes, a profusão de Planos Sequência.

Pausa para esclarecimento
Plano-seqüência é um estilo de filmagem de uma longa cena com uma única câmera, sem cortes, de longos minutos, ou seja, tudo tem que estar muito treinado, milimetricamente ativado na hora certa, sob pena de se ter que começar tudo de novo. O criador da técnica foi o grande Hitchcock que fez UM FILME TODO EM PLANO-SEQÜÊNCIA, só que a cada 10 minutos a câmera fechava nas costas de algum personagem para trocar o filme, hehehe. Era "Festim Diabólico", que se passava em apenas uma sala, praticamente uma peça de teatro filmado. Outra coisa muuuito diferente é como os diretores modernos têm aplicado essa técnica. Já falei sobre isso em 'O Segredo de Seus Olhos' e em 'Children of Men'.
Aliás, 'Children of Men' mencionado acima é de Alfredo Cuarón e tem o MAIS ESPETACULAR PLANO SEQUÊNCIA DA HISTÓRIA, aliás tem DUAS. 

Aqui, são vários pequenos planos sequência de situações banais, e um grandioso. Eu até olhei pra Renata e falei: 'Lá vem CENÃO!!!'. E veio!!! Prestem atenção quando a babá vai procurar um berço e note que a câmera não muda e sai do ambiente e mostra uma rebelião gigantesca lá fora, e depois volta à loja de móveis e continua até a conclusão chocante... GENIAAAAAL!!!

'Roma' é o bairro de classe média alta da Cidade do México aonde Cuarón morou na infância e ele seria um dos quatro filhos do casal principal, que mora em uma casa bem grande e tem como serviçais duas índias. Uma delas é a babá, adorada pelas crianças, atriz principal que concorre a Melhor Atriz, achei digna a indicação, mas não terá chance. Já Melhor Filme, Melhor Diretor tem grandes chances. Das outras 7 indicações, Cuarón tem mais uma, Melhor Fotografia! E concorre a Melhor Filme Estrangeiro, claro!!!

Vale o tempo!!!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Oscar 2019 - Feel Good Movie e Feel Bad Movie

Abri os trabalhos para o Oscar aqui:
https://blogdohomerix.blogspot.com/2019/02/oscar-2019-abrindo-os-trabalhos.html

E falei dos filmes vistos no ano passado:
https://blogdohomerix.blogspot.com/2019/02/oscar-2019-os-que-vi-em-2018.html


Agora vamos aos vistos recentemente!!


Pela ordem, 'Green Book - O Guia' é daqueles chamados 'Feel Good Movie', que fazem você sair do cinema com um sorriso no rosto. Baseado em fatos reais, e co-escrito pelo filho de um dos personagens principais, conta a época do racismo exacerbado nos EUA, 1962, quando um genial pianista radicado em New York contrata um brutamontes (nem tanto) italianado como motorista e segurança em uma viagem pelo racista sul do país. Na segunda cena evidencia-se o racismo do contratado, de forma contundente. Ele é Tony Lip, vivido por Viggo Mortensen, o Rei dos Anéis, engordado uns 10 quilos para respeitar a corpulência do personagem. O contratante é 'Doc' Don Shirley, vivido por pelo Oscarado em Moonlight Mahershala Ali, que aprendeu a tocar piano para não fazer feio na linguagem corporal das cenas musicais, claro que o virtuosismo é feito por um dublê, excelente pianista...


O ambiente, todos sabem, a batalha de Martin Luther King era para acabar com a segregação dos 'coloreds', como chamavam os hoje denominados afro-americanos. O tal Guia era um livro que dizia aonde encontrar locais aonde se hospedar e comer que eram frequentados somente pelos segregados. Situações incríveis, algumas delas impressionantes porque afinal Doc era o convidado de honra para desempenhar seu papel, mas não podia comer em um restaurante só de brancos. Dá para ver a dicotomia do pobre Doc, chique demais para se entrosar com os da sua própria cor, negro demais para se entrosar com a outra parte da população. Solitário que só, ele acaba encontrando afago ao longo da viagem de dois meses justamente no segurança racista, este por sua vez, aprendendo a admirar o virtuosismo do chefe, e apiadando-se de sua solidão. Cenas ótimas (as cartas, o KFC, as abordagens policiais, e várias outras). 

Ambos concorrem ao Oscar, Viggo a Melhor Ator (mas não levará, por causa do 'Feel Bad Movie' do qual falarei adiante), e Ali a Melhor Ator Coadjuvante, com chance de repetir o Oscar de 2017, porém a concorrência de Sam Rockwel (do 'Feel Bad Movie', do qual falarei adiante) pode atrapalhar. O Diretor Peter Farrely também concorre, após fazer fama com comédias rasas como 'Quem Vai Ficar com Mary' e 'Debby e Loyde'. Concorre a também a Melhor Roteiro Original e a Melhor Filme, que pode ganhar: já levou o Globo de Ouro em Musical/Comédia (Comédia?! Tudo bem...) e também a preferência dos Produtores, levando o PGA Awards. É pra quem eu torço, até agora!!!

O 'Feel Bad Movie' a que me refiro é 'Vice', também baseado em fatos reais, conta a trajetória de Dick Chenney, o Vice-Presidente de George W. Bush. A gente se sente mal por ver retratado ali um longo período em que a maior Nação do planeta foi administrada por belicosos comandados por um pateta, que fazia o que seus assessores insinuavam, culminando com a invasão do Iraque, que não tinha nada a ver com os atentados do 11 de setembro, mas inventaram-se  as tais armas químicas para justificar. O filme tem explicação dos eventos, com uma ressalva logo no começo: 'é um filme baseado em fatos reais, na medida do possível' já que muito era objeto de segredo oficial e foi interpretado pelo roteirista. Tem uma narrativa irônica, criando situações didáticas para explicar os fatos, incluindo um genial jantar com o maitre Andy Garcia apresentando as opções estratégicas aos que comandavam o tabuleiro (claro que Bush não era um conviva), e também com direito a um final falso com direito a créditos, lá pelo meio do filme. 

Sem sombra de dúvida, os pontos altíssimos do filme são as atuações de Christian Bale, Sam Rockwell e Steve Carrell, respectivamente, Dick Chenney, George Bush e Donald Rumsfeld, nesta ordem de assombramento.... Bale se transforma fisicamente ao longo do filme, já que tudo é contado desde a época em que era um jovem bêbado sem rumo, com as orelhas puxadas pela futura esposa Lynne (ótima Amy Adams, também concorrendo a Atriz Coadjuvante) até chegar àquele senhor careca e barrigudo que conhecemos, 20 quilos mais pesado que o ator. Perfeito! Melhor Ator, sem sombra de dúvida, até agora, dos 5, só não vi Willem Dafoe, que parece estar estupendo como Van Gogh. O Bush de Rockwell (que já levou Oscar no ano passado) é simplesmente h-i-l-á-r-i-o! Ele faz aquele ar apatetado do presidente. Lembrou-me novamente de Ronald Golias, sempre achei que Bush era a cara do genial comediante brasileiro. Carrell aparece menos, mas está muito parecido com o verdadeiro Rumsfeld. 

'Vice' concorre a Melhor Filme e Diretor e Montagem, mas não tem chance de levar nenhum deles. Já de Melhor Cabelo e Maquiagem, não tenho dúvida que se ganhar, ninguém vai reclamar.

Já vi 'Roma'! Eis aqui minha crítica:
https://blogdohomerix.blogspot.com/2019/02/oscar-2019-roma-e-chato-mas-genial.html

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Oscar 2019 - Os que vi em 2018


Minha temporada Oscar 2019 começou com um post falando sobre o Oscar 2019, a cerimônia que se espera!
https://blogdohomerix.blogspot.com/2019/02/oscar-2019-abrindo-os-trabalhos.html

Bem, até o momento, vi 5 dos 8 indicados a Melhor Filme, 4 dos 5 a Melhor Ator, 2 dos 5 a Melhor Diretor e apenas 1 das 5 a Melhor Atriz, tô atrasadoooo!!!

Lá atrás, ainda em 2018, já assisti a 'Nasce Uma Estrela' e adorei. Lady Gaga dá um show, concorre a Melhor Atriz, mas não deve levar, pois perdeu o Globo de Ouro na categoria Drama para Glen Close, que deve levar, também por ser sua sétima indicação. Apesar de não conhecer os demais candidatos nas categorias musicais, Lady deve levar como autora da Melhor Canção. O filme é um bom drama e uma sucessão de ótimas músicas, muitas delas compostas por ela e algumas, pelo seu companheiro Bradley Cooper, que também concorre a Melhor Diretor mas deverá se contentar com a indicação. Gaga deve estar feliz também por levar para o cinema um pouco da sua história, de adolescente bullynada que vira a página. Na vida real, ela se disfarçou numa persona toda maquiada, vivendo personagens a cada aparição. No filme, também fazia um pouco disso, mas acabou sendo descoberta como ela era mesmo, pelo astro do rock. O desfecho é exagerado mas propicia o momento mágico da canção final, um verdadeiro hit emocional!!

Vi também, claro, 'Bohemian Rhapsody', não perderia jamais uma homenagem a Freddie Mercury que, aliás, está muito bem retratado por Rami Malek, que também não deve levar o Oscar de Melhor Ator porque Christian Bale está simplesmente perfeito como Dick Chenney (falarei em outro post)! A seu favor está o prêmio que levou dos próprios colegas no Oscar dos Atores, o SAG Awards, mas acho que seria injusto com Bale! O filme do Queen é emocionante para nós, fãs, e revelador para os jovens, fez  sucesso mundial, e os fãs menos xiitas perdoam as pequenas licenças poéticas, incluindo eu, aqui, que percebi, por exemplo que Freddie já usava cabelo curto no Maracanã ao contrário do mostrado no filme (perdoei porque ele cantou 'Love Of My Life', no Morumbi, quatro anos antes, com o visual do filme), e também achei estranha a cronologia da AIDS, que só foi revelada ao grupo em 1987, mas no filme teria sido na 'reunion' para Live Aids, dois anos antes, 'reunion' que aliás acontecera antes do Rock in Rio daquele ano, e não depois, como no filme. Foi ótima a abordagem do tema gay, que foi escolhida pela esposa de Freddie (sim, ele foi casado) Mary Austin, se fosse pela ótica do Sasha Baron Cohen, o primeiro ator escolhido, seria muito mais esporrante e promíscuo. 

O terceiro que vi ano passado, e que apostava que seria candidato foi 'Infiltrado na Klan', mais uma preciosidade de Spike Lee, tantas vezes esquecido pela Academia até receber um Oscar especial pela carreira. Quem diria que voltaria com toda a força!? O filme é surpreendente a todo momento porque, principalmente, conta uma história real e incrível. Impossível acreditar que um negro (filho de Denzell Washington) fosse infiltrado na Ku Klux Klan, mesmo que disfarçado por um brancão judeu (sucessos do Darth Vader). Os personagens são reais e o clima é tenso, como não poderia deixar de ser qualquer menção àquela coisa escrota triplo K, os caras desbaratam um ato terrorista, depois mesclam-se cenas reais terríveis da época, e Lee faz uma ligação genial com os tempos de Donald, not the Duck! Genial, mas não leva o Oscar!

No próximo post, falo sobre 'Green Book' e 'Vice'
https://blogdohomerix.blogspot.com/2019/02/oscar-2019-feel-good-movie-e-feel-bad.html

domingo, 17 de fevereiro de 2019

Oscar 2019 - Abrindo os Trabalhos

Neste ano, eu estava sem saco de escrever, mas aí pessoas me pedem opiniões, então lá vai!!


O Oscar deste ano está envolto em novo formato, que não terá apresentador e, pasmem, haverá quatro categorias em que o vencedor será anunciado durante o intervalo!!! Pode???!!! Tudo à guisa de diminuição do tempo de transmissão. Muita culpa dessa situação é a própria crise do cinema em telona, causada pelo crescimento das plataformas de filmes, tipo Netflix. A própria Academia reforça esse crescimento, apontado como um dos favoritos, com 10 indicações, uma filme que não passa na telona!!!Pode???!!! Pois é, Roma (que não tem nada a ver com a Cidade Eterna) não passou no cinema!!! Está disponível no Netflix, e estou bem preconceituoso com essa situação. Meu filho já viu e quer ver de novo. Eu estou enrolando, tentando honrar a tradição de IR AO CINEMA!!! Ainda mais depois da crítica do Xexéo, que disse que adorou o filme, as indicações são merecidas, mas é muito chato!!! Pô, inda mais em Branco e Preto!! Mas claro que vou ver!!!

Há outras coisas inusitadas:
  • Pela primeira vez, há mais diretores estrangeiros que americanos na categoria de Melhor Diretor (tem um grego, um mexicano e um polonês, na lista, e se você considerar que Spike Lee está nela, apenas um Americano Branco concorre);
  • Pela primeira vez, uma indígena concorre a Melhor Atriz (a babá Yalitzia Aparicio, em 'Roma');
  • Pela primeira vez, um filme de Super-Heróis concorre a Melhor Filme ('Pantera Negra', que eu ainda não viiiii), e com as outras sete indicações, contribui para os Estúdios Disney terem o melhor ano de sua história, com 17 indicações no total)
Neste ano, os resultados do Globo de Ouro, que sempre foram uma prévia do Oscar, podem não ser assim tão decisivos, porque 'Roma' não estava na lista dos indicados lá. Então, o Melhor Filme, que certamente ficaria entre os vencedores de Drama ('Bohemian Rapsody') e Musical/Comédia ('Green Book') do Globo de Ouro, podem ser atropelados pelo invasor da Netflix.

Mais Oscar? 
Aqui: 'Nasce Uma Estrela', 'Bohemian Rhapsody' e 'Infiltrado na Klan'
https://blogdohomerix.blogspot.com/2019/02/oscar-2019-os-que-vi-em-2018.html

Aqui: 'Green Book - O Guia' e 'Vice'

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Boleto Para Pasear

Se você quer conhecer Beatles  claro que recomendo adquirir a coleção toda, afinal são só 15 CDs. Agora, se a coisa tá preta e o dinheirinho só dá pra um CD, também tenho a solução. 
Compre 12001
Sim, 1 é o nome de uma compilação com todos os sucessos que atingiram o nº 1 das paradas americanas ou britânicas, em compactos. Foram 27. 
Ele próprio, o CD 1, também atingiu o topo das paradas em todo o mundo e rapidamente, Aliás, garantiu mais três ‘Book of Guinness Record‘ para os Beatles : 
1 foi disco com vendas mais rápidas de toda a história, com 13,5 milhões de cópias vendidas em um único mês, ao redor do mundo;
1 fez os Beatles serem os artistas mais vendidos em 2001;
1 foi simplesmente o disco mais vendido da década (mais de 30 milhões) 
Claro que, apesar de já ter toda a obra, adquiri 1 e agradeci muito a decisão: o grande lance é o encarte! Nele, estão, entre outras coisas, as capas do compactos lançadas em vários países (infelizmente não nos brindaram com os lançamentos brasileiros). Muito legal é que, nos países de língua espanhola, eles tinham o estranho hábito de traduzir os títulos das músicas (era lei!). 
É im-pa-gá-vel! 
Em outras línguas, português, francês, até japonês, mantêm-se os nomes originais em inglês, no mínimo como referência. Solamente los hermanos los ponen solo en español!!  Bem, vou listar abaixo alguns deles, em ordem crescente de divertimento. Primeiro, os títulos das obras de Los Beatles, en español.
         Leiam e tentem entender do que se trata:


·         Socorro
·         Lluvia
·         Ocho Días A La Semana
·         Sally La Longa
·         No Puedes Hacer Eso
·         No Puede Comprarme Amor
·         Me Siento Bien
·         Todo Lo Que Necesitas Es Amor
·         Es Una Mujer
·         Um Camino Largo Y Sinuoso
·         Si, Esto Es
·         Vuelve 
·         Anochecer De Un Día Agitado
·         Quiero Coger Tu Mano
·         Por Ti, Tristeza
·         Nene, Eres Un Hombre Rico
·         Déjalo Ser
·         Podemos Solucionarlo
·         Vacación De Un Día
·         Novelista

E, para terminar com Chave de Ouro,
     

Boleto Para Pasear

        
Bem, agora, os títulos originais em inglês:

                        Divirtam-se!!!


·         Help
·         Rain
·         Eight Days A Week
·         Long Tall Sally
·         You Can’t Do That
·         Can’t Buy Me Love
·         I Feel Fine
·         All You Need Is Love
·         She’s A Woman
·         The Long And Winding Road
·         Yes, It Is
·         Get Back 
·         A Hard Day’s Night
·         I Want To Hold Your Hand
·         For You Blue
·         Baby, You’re A Rich Man
·         Let It Be
·         We Can Work It Out
·         Day Tripper
·         Paperback Writer

E, para terminar com Llave de Oro,

                     Ticket To Ride

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

QTPTM - Estado Laico


Boechat conversava com as pessoas. Eu fui uma delas...

1. A Ideia  

A Turquia provocou um breve diálogo entre Boechat e eu...

Boechat e Milton Blai, o correspondente  ââââã  internacional  da Band News conversavam sobre a Turquia e seu estado laico, porém, sem qualquer explicação sobre o tema. 

Mandei então um email ao ouvinte@bandnewsfm.com.br:
Boechat, em nenhum momento você, ou o Milton, deram um apostozinho, que fosse, assim, de leve, para explicar o termo "laico". Até poderia chegar-se à conclusão pelo desenvolvimento da conversa, mas que ajudava, aah isso ajudava!
Um abraço
Homero Sempre Atento Ventura

Boechat assumiu, também por email:
Você tem razão, Homero. Viajamos na maionnaise. Vou voltar ao assunto.
Abs. Boechat


E eu ouvi, no rádio:
Nosso ouvinte Homero Sempre Atento Ventura (ele assinou assim) nos alertou agora há pouco para um vacilo nosso. Enquanto conversava com Milton Blai, eu mencionei que a Turquia era um Estado laico, e nem me dei ao trabalho de explicar o termo: concordo que nem todos tem a obrigação de saber sobre do que se trata. É o seguinte:  um estado laico é oficialmente neutro em relação às questões religiosas, não apoiando nem se opondo a nenhuma religião.

Pois é, é o caso da Turquia. Mesmo tendo uma população majoritária e muuuito majoritariamente muçulmana, o islamismo não é religião oficial e não há qualquer restrição à prática de nenhuma religião. Veja que interessante, no mapa abaixo, a colorização dos países de acordo com sua postura perante as religiões.

 

Note a cor da Argentina. Veja só, trata-se de um estado não-laico. Por que? Porque o catolicismo é a religião oficial do Estado. Você sabia?

Bem, veja abaixo 10 Turkey facts: (... não traduza como fatos do peru!!)


  1. A Turquia (repetindo) é um estado secular, sem religião oficial; a constituição consagra a liberdade religiosa e de consciência.
  2. A Turquia é membro fundador das Nações Unidas, da OCDE e do G20;
  3. A Turquia é uma república constitucional democrática, secular e unitária, com uma antiga herança cultural;
  4. Mustafa Kemal Atatürk, é o grande herói da Independência (implantação da República) e primeiro Presidente da Turquia, e responsável pelo país ser um estado moderno, inclusive dando direitos iguais às mulheres, após séculos comandado por sultões e califas otomanos e seus haréns;
  5. A Turquia é uma democracia representativa parlamentar.  O poder legislativo é exercido pela Grande Assembleia Nacional da Turquia, um parlamento unicameral (estão livres de senadores...);
  6. O Presidente da República é o chefe de Estado e o seu papel é em grande parte cerimonial;
  7. O poder executivo é exercido pelo governo, liderado pelo Primeiro-Ministro, que preside ao Conselho de Ministros.
  8. A Turquia tem o 15º maior PIB PPC (Paridade do Poder de Compra) do mundo e o 17º o maior PIB nominal.
  9. A Turquia tem 75 milhões de habitantes, sendo quase 20% em Istanbul;
  10. O futebol é o esporte mais popular na Turquia e é praticado em todo o país. Nós, do esporte, certamente já ouvimos falar de Galatasary e Fenerbache, que vivem comprando nossos craques. Ambos já tem mais de 100 anos de vida...

Bem, era isso.... apenas para dar um pouco mais de dados sobre este país de que falo, nesta série sobre .... o pescoço!
Todos  os episódios de QTPTM


1. A Ideia 
2. Um Estado Laico (este)
3. Istanbul 
4. O Expresso da Meia Noite 
5. Ankara e a Língua 
6. Um Hábito de Higiene 
7. A Solução Turca 
8. O Original Árabe 
9. A Evolução Oriental 




segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Balance e Berre – Uma Chance Só


Hoje, a primeira gravação de um LP Beatle completa 56 anos!!!

Fizeram história em 9 horas!!!
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Em uma festa de aniversário de um casal muito amigo, após muita conversa e comida e bebida, tudo do bom e do melhor, estava eu a observar os convivas a dançarem, e uma bela hora, escrevi um torpedo no celular, mas não mandei pra ninguém. Dirigi-me ao DJ e, já que ele não poderia ouvir nada, mostrei o torpedo a ele, que dizia:
Vai tocar

B    E    A    T    L    E    S    ???

... ao que ele abriu um sorriso, fez um sinal de positivo, e balbuciou: "Claro!!!"
Até que ele foi bem rápido, tocou umas três musiquinhas mais para fazer a transição, e então soaram as famosas linhas:
... tchan tchan tchan tchan tchan - tchan tchan tchan
... que imediatamente chamam à pista os que estavam descansando
... e aparece a voz áspera de John berrando 'ousheikirolbeeibenau'
... e Paul e George respondendo  ‘sheikirolbeeeibé'
... volta John com ‘tuistendshaaaut’
... e Paul/George com  ‘tuistendshaut'
... e ‘camoncamoncamoncamonbeibenaaau’
... e Ringo firme na bateria
... e por aí vai
... woooos e haaas
... e a galera delira
... e dança
... e se anima
... e vem o último Tchan tchan tchan tchan tchan tchan
... e o último acorde
... e a música acaba
... e pronto: acabou a fase beatle da noite!
Ao menos até a hora em que eu lá estive, não rolou mais, foi uma chance só para ouvir Beatles.
Tudo bem que o DJ até mandou muito bem depois, mantendo a animação lá no alto, com Tim Maia, Bee Gees, e tal, mas parece que essa turma de hoje se esquece do potencial dançante dos Beatles. Há entre 50 e 100 canções compostas pelos Beatles que são absolutamente requebrantes, e totalmente conhecidas. Já estive em outras festas onde aconteceu exatamente a mesma coisa. Não sei se o fenômeno se repete por aí, pois não sou freqüentador da ‘night’, mas desconfio que sim.
Bem, pensando melhor, é bom mesmo que os DJ’s deixem como está. Assim livramo-nos do risco de eles quererem maltratar as canções beatle com aqueles bate-estacas de seus remixes. Outro dia, ouvi um remix de ‘My First, My Last, My Everything’, com o vozeirão Barry White, e notei que excluiram a melhor parte, que é aquela parada sensacional no meião da canção. Péssima decisão! Felizmente, a versão de ‘Twist and Shout’ tocada nas festas é exatamente a mesma de 46 anos atrás. Ai deles, caso cometessem tamanha heresia!
O interessante, é que, por ironia, escolheram, como representante do mundo Beatle, uma canção que, pasme, NÃO É composta pelos Beatles!!! Pois é, pouca gente sabe disso!!! ‘Twist and Shout’ foi composta por Medley e Russel (Você conhece? Nem eu!). Seguramente, eles jamais sonharam que ela alcançaria a fama que tem hoje, e estaria ainda viva mais de 50 anos depois de ter sido escrita. E certamente sorriem no túmulo, a cada vez que ouvem a interpretação beatle de sua canção dançante, muito melhor que na gravação mais popular até então, pelos Isley Brothers (Você conhece? Nem eu!).
Ter os Beatles como banda cover era um luxo só. Era garantia de que ela seria, no mínimo igual (quando os autores/cantores são Chuck Berry, Little Richards ou Carl Perkins), mas na grande maioria, melhor, bem melhor que a gravação original. Eles já vinham de anos de estrada tocando rock de tudo quanto é jeito, e eram imbatíveis, tinham vigor, tinham harmonia vocal impressionante.
Graças ao chão percorrido, eles puderam gravar seu primeiro LP, Please Please Me, em apenas um dia de estúdio, na Abbey Road. Foram 14 canções, sendo oito de autoria deles (uma coisa inédita nas bandas da época!) entremeadas com seis covers. Foram 9:45 horas de gravação, naquele que pode ser considerado o dia mais produtivo da história do rock. Isto sem contar os intervalos entre as três sessões, em que eles seguiam ensaiando, e tomando leite, para preservar a garganta, afinal era inverno, estavam todos resfriados. Nada comeram naquele dia.
         Quando chegou 10:00, o estúdio ia fechar, mas ainda faltava uma canção. Foi quando John disse que a garganta estava prestes a explodir. Tinha ‘estoque’ para mais uma e única performance, um esforço final. Era uma chance só! E decidiram gravar ‘Twist and Shout’, justamente a mais berrante das canções do LP, e que era levada justamente por John. Às 10:30 da noite do dia 11 de fevereiro de 1963, John gargarejou uma última golfada de leite, e soltou a voz, mais áspera do que nunca, e a banda acompanhou nos woooos e haaaas. Terminado o esforço, silêncio absoluto no estúdio, todos se entreolhavam calados, um misto de espanto e agradecimento. Haviam acabado de testemunhar a mais impressionante interpretação vocal e instrumental da história do rock’n roll até então E ela é assim, por muitos, considerada até hoje. Digo mais, ‘Twist and Shout’ somente está hoje aí, firme e forte, por causa da primorosa e imbatível gravação dos Beatles.
O que se ouviu naquele momento é exatamente o que se ouve até hoje. Aquela tomada foi a definitiva. Ainda tentaram mais uma, melhorar o imelhorável, mas a voz de John sumiu, apagou, como ele mesmo previra.
A canção era quase obrigatória nas performances da banda. Ela foi tocada no Ed Sullivan Show, em fevereiro de 1964, na mais espetacular invasão dos Estados Unidos de todos os tempos, uma invasão do bem, quando os Beatles simplesmente tomaram de assalto a principal cidade do país, parando o aeroporto e depois as ruas de New York. E também em outro momento marcante, em novembro de 1963, numa noite de gala no Prince of Whales Theatre, quando, na presença da mãe e da irmã da rainha Elizabeth II, John Lennon fez um
 
For the next number,
I would like to ask for your help.
Will those in the cheaper seats clap your hands?
The rest of you just rattle your jewelry!

E exibiu seu sorriso sarcástico, olhou para o resto da banda, e mandou:

tchan tchan tchan tchan tchan - tchan tchan tchan
'ousheikirolbeeibenau'
woooos
haaaas