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sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Três pílulas gramaticais

(incorreções que, quando ouço, fazem com que eu me desligue nos próximos cinco segundos da reunião, conversação ou apresentação.... e se tenho alguma intimidade, alerto, sem medo, pra que a pessoa se toque. Felizmente, tenho sido bem recebido!)


  1. A laranja está meia podre.

Até poderia estar certo, se o interlocutor quisesse dizer ‘metade’, então a outra metade da laranja estaria boa. Improvável!
A intenção é dizer que ela está ‘um pouco’ podre, portanto, tem função de advérbio, pois acrescenta circunstância de intensidade ou de modo ao adjetivo ‘podre’. E  advérbio não se modifica!


O correto é “A laranja está meio podre”.

  1. Houveram muitos problemas!
Um deles, com certeza, foi utilizar o verbo “haver” dessa maneira!!!
No sentido de existir, acontecer ou de tempo decorrido, o verbo “haver” é impessoal, isto é, não tem sujeito e, por isso, não flexiona para o plural, permanece no singular. 

O correto é Houve muitos problemas!”.

Aproveitando, o mesmo ocorre com o verbo “fazer”.
Quando ele tem o sentido de tempo decorrido, não flexiona.
Portanto, é incorreto dizer 
“Fazem sete dias que não fumo”. 

O correto é “Faz sete dias que não fumo”

  1. Passe-me o texto pra mim dar uma olhada.
Melhor não passar!! Se seu interlocutor falou desse jeito é porque a olhada vai ser meio falha! (olha o advérbio aqui, de novo)
Qual o sujeito da ação de dar uma olhada? “Eu” .. no caso, ele.
Quem pratica a ação são os pronomes pessoais do caso reto: eu, tu, ele, nós, vós, eles!
“Mim” não faz nada. É um pronome pessoal do caso oblíquo, jamais pode ser sujeito!

O correto é “Passe-me o texto pra eu dar uma olhada”

terça-feira, 15 de outubro de 2019

CeL - Transporte em Londres


Este é mais um aperitivo do Projeto 

Ainda antes de começar a descrição de minha peregrinação londrina, faço uma pequena ode a um fator crítico de sucesso para o projeto: o transporte público da cidade!  Computo Londres como um dos mais perfeitos esquemas de transporte público do mundo. 

A começar pelos charmosíssimos ônibus de dois andares. Quer dizer, agora não tão charmosos assim! Pena que saíram de circulação os antigos, sem porta, com entrada pela traseira, onde um bilheteiro nos recebia, acesso ao andar de cima.... enquanto o motorista fazia o seu serviço numa cabine isolada. A modernidade chegou, a tradição não resistiu às inovações, e agora os ônibus continuam duplos, são bem maiores, e o motorista cobra na entrada. Uma lástima!

Mas o que importa é que o sistema é interligado à perfeição com o sistema do metrô, o mai antigo do mundo, completou um sesquicentenário em 2013. Perdão, esqueci que só os mais velhos, e que já tinham certa idade em 1972, sabem o significado do termo, pois naquele ano, a Independência do Brasil completou 150 anos!!

Londres praticamente "inventou" o bilhete único. Você tem que passar o bilhete na saída do metrô pois ele é válido para você fazer uma integração com o ônibus, desde que permaneça na Zona para a qual você comprou o bilhete. A cidade é dividida em Zonas (1 a 6), e se você pagou o suficiente para trafegar na Zona 1, a máquina não vai deixar você sair numa Zona 2, ou mais distante.   

E existem alguns bilhetes com ganho de escala, em preço: há os que são válidos para todo o dia, o Day Travel Card, e outros para a semana, o Week Travel Card, excelente para turismo, além do mensal, para os moradores. Que infelizmente, não pude usar pois nunca fiquei tanto tempo naquela maravilhosa cidade. 

Interessante que você pode ver a idade das linhas, pelos vagões. As mais antigas , com design de, sei lá,  50 anos, são as mais próximas à superfície. As novíssimas estão a 3 até 4 lances de escada rolante rumo ao centro da Terra, e aí você pode esperar vagões modernissimos. Ah, quanto o Rio tinha que aprender!!! 

Compartilho com vocês um prazer enorme que tinha, quando estava em estações em curva, e quando o trem chegava, esperava o sistema de alto falante bradar, com uma voz gutural: Mind The Gap. É conhecido 'The most famous announcement of all time'. Note também no video, o motovo pela qual o metrô de Londres é chamado 'The Tube'!!
Quem quiser ouvir, tem um vídeo aqui.

E, claro, tudo pontualmente britânico!! Nos pontos de ônibus tem o 'schedule' de horários, e você pode confiar... Que coisa boa!!!

Outros capítulos do projeto

Intro 1:  A terra do rock

Capítulo 1: CeL - Hyde Park

Capítulo 2: CeL - Abbey Road

Caminhar em Londres - o projeto


E o curso era em Londres!

Uma menção à Nigéria fez-me lembrar de um texto que terminava com aquele país da África, e resolvi reavivar um projeto no meu cambaleante blog!

Foi em Abril de 2005

Minha empresa me designou para um curso chamado Mini-MBA, ministrado por uma instituição chamada CWC. Duas semanas, em Londres. Parecia bom.

E foi, ótimo! Não somente pelo curso em si, mas pela notícia que tivemos ao final do primeiro dia: 
No Homework, No Case Studies, No Reading. 

Nem na primeira nem em nenhuma noite.

Naquele momento, decidi que tiraria as noites para fazer o que há de melhor para se fazer em Londres: caminhar!

E olha que andei à beça. Claro que minhas andanças vez por outra tinham o rock and roll como pano de fundo. Como não poderia deixar de ser. Mas captei outros pontos de interesse. E claro que não foi apenas caminhando: usar o sistema de transporte público de Londres é um prazer inenarrável.

E fiz diários sobre as caminhadas diariamente, na verdade, noturnamente, que enviava para minha família saber de minhas andanças.

São esses diários que disponibilizarei, em doses home(r)opáticas para vocês, como fiz no Projeto 'Um Pouco de AWoL' (link), com as experiências de 4 anos vivendo numa cidade americana!

Batizei este projeto de 
CeL - Caminhar em Londres.

Qual é a diferença dos dois projetos? Em Houston, eu vivi; em Londres, eu andei. Então, não espere nada sobre o ensino ou o trabalho, como no primeiro, por exemplo.

Mesmo assim, espero que lhes seja de interesse!

Abraço

Homerix

Próximas atrações:

Intro 1:  A terra do rock

Capítulo 1: CeL - Hyde Park
Capítulo 2: CeL - Abbey Road

sábado, 12 de outubro de 2019

O Casamento do Rio com o Mar

Mais um aniversário da Nossa Maravilha do Mundo
88 anos de sua inauguração no morro do Corcovado.
Hora de republicar!!!


O Casamento do Rio com o Mar

Foto tirada em março de 2011


É que de vez em quando
Cristo fica com saudades do céu 
e traz as nuvens pra perto de si, 
e não vê por alguns momentos 
o maravilhoso cenário que eu descrevo aqui,
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Está no Aurélio,
rio (s.m.):    porção de água ... que deságua no mar.
.... e, em sua versão carioca, ....
mar (s.m.):   porção de água ... que deságua feliz no Rio.
O mar veio morar no Rio!
Na verdade, o Rio se casou com o mar. Foi amor à primeira vista, ou melhor, amor à primeira lambida, das verdes línguas do mar sobre as amarelas areias do Rio. O namoro foi rapidinho: papai-do-céu e mamãe-natureza deram logo a benção. E os noivos foram logo para o altar. Sol e montanha foram os padrinhos. Uma nuvenzinha trouxe as alianças. A marcha nupcial foi bossa nova. Convidadas, as estrelas compareceram, porém ficaram escondidas além do azul do céu. Os demais mares do mundo, se tinham algo contra, calaram-se para sempre. Um senhor de pedra foi o juiz de paz. O vento e o calor foram testemunhas. A festa dura até hoje.
Quem celebrou foi o Cristo!
Cristo: estátua de pedra cercada de beleza por todos os lados.
Os filhos vieram logo. O menino do Rio, calor que provoca arrepio; a garota do Rio, num doce balanço a caminho do mar; a gente do Rio, que não gosta de dias nublados nem de sinais fechados, mas gosta de quem gosta deste céu, deste mar.
Cristo acompanhava de longe a vida do casal que consagrou. Num belo dia, cansou-se da calmaria do céu, resolveu conferir mais de perto, e disse: “Pai, fui!” Veio morar aqui, no Rio. Desfalcou a Santíssima Trindade e veio conviver com a Belíssima Trindade: sol, mar e montanha. O corretor caprichou no imóvel: andar alto, varandão, sol da manhã, vistão, mar e verde. O Rio dispensou fiador e cobra pouco do inquilino ilustre: apenas doses diárias de bençãos.
Ao lá chegar, o novo morador escolheu bem a posição de seu repouso eterno! Dia e noite, alimenta-se da beleza ao seu redor. Começa o dia de frente para o sol nascente ofuscando-lhe os olhos. Desvia-os para a esquerda, vê a imensidão da zona norte, com pouco mar, mas muita vida. Vê o maior do mundo e lembra-se do som das grandes torcidas. Depois, o grande aeroporto, a receber viajantes ansiosos pela beleza carioca; sobre o mar da baía, a grande ponte, trazendo do lado de lá, os que vêm ganhar a vida do lado de cá. Pelo meio da manhã, observa, no centro da cidade, pujantes edifícios onde antes havia morros e verde. Entre os edifícios, a santa casa do Pai, no Rio, enorme cone de concreto e vitrais, obedecendo à imaginação do arquiteto. Depois, percebe aonde foi parar aquela terra toda dos antigos morros: em um breve momento de traição, o Rio invadiu o mar com um singelo aeroporto e uma espetacular via expressa, que embelezam a paisagem. Motivo justo, resultado perfeito, traição perdoada. Delicia-se com os planejados jardins, obra de um genial paisagista apaixonado. Além dos jardins, admira as praias da baía, gulosas mordidas do mar e suas ondas. Com o sol já a pino, encontra barcos, lanchas e iates atracados numa enseada de sonho. Ao fundo da enseada, interrompe a jornada para admirar, irrompendo do mar, duas gigantescas corcovas de pedra, a guardar a entrada da baía. Adiante, ora por alguns irmãos já em sua eterna morada, batizada com o nome de quem o batizou há quase 2000 anos. Após a prece, deleita-se com a beleza da princesinha do mar, larga, imponente! Mar, que em sua imensidão azul, segue banhando outras praias, mais estreitas, porém igualmente belas, que ele tenta ver, de soslaio, mas é um pouco atrapalhado por alguns edifícios. Do lado de cá dos edifícios, vislumbra, já no meio da tarde, a lagoa....
Pausa para exaltação!
lagoa (s.f.): braço de mar no coração apaixonado do Rio.
Em uma de suas viagens pelo mundo, como prova de seu amor pelo Rio, o mar deixou aqui um braço. O Rio chamou-o de lagoa. Escalou Vieira e Delfim para receber suas águas e designou Epitácio e Borges como seus protetores permanentes, que dela tomam conta, em um abraço eterno. Suas águas marinhas testemunham os filhos da terra caminhando, correndo, patinando, pedalando pelas vias que a abraçam, saciando a sede com doce líqüido sorvido de cocos verdes cortados por insanos golpes. Por vezes, a calmaria de suas salgadas águas marinhas é levemente incomodada por simpáticas cosquinhas, fruto de pedalinhos enamorados. Todos alimentam o espírito com o inebriante visual de montanha e céu. Todos param, no final do dia, para apreciar o sol se pondo para dormir, no aconchego dos dois irmãos, ou em outro ponto do sinuoso contorno das montanhas.
Fim da exaltação!
Vem o fim da tarde e o Cristo não vê, mas ouve, cantos de louvor entoados por fiéis, na capela a seus pés, no varandão. Chega a noite, com ela a luz que o ilumina.  Recomeça sua jornada visual, pela mesma zona sem mar, agora um mar de luzes. Verifica a hora pelo relógio da estação de trem. Do aeroporto e da ponte, vê as pistas iluminadas. Acompanha o trajeto do aterro, guiado pelos enormes postes de luz e pára, extasiado, nas grandes corcovas, agora um espetáculo luminoso por trás da enseada. Segue seu caminho, vê o topo do maior hotel da praia das calçadas famosas. O mar, agora, é uma imensidão negra, ao fundo. Lembra-se dos fogos de artifício que todo ano atraem milhões àquela praia, muitos deles para lançar oferendas à rainha das águas, deusa do mar, na esperança de um novo ano melhor. Ele perdoa o sincretismo, pois sabe que a fé tem espaço para muitas crenças. Termina seu caminho noturno com o mesmo êxtase diurno, a lagoa, agora, uma massa negra contornada pelo abraço iluminado de seus guarda-costas.
Findo o dia inteiro de contemplação, ele tem sempre a certeza de que a união que abençoou é perfeita. A convivência é pacífica, divórcio nem pensar, serão felizes para sempre, o Rio e o mar.

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UM TOUR 360 GRAUS PELA CIDADE MARAVILHOSA!!

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

É Legal Ser Negão no Senegal

Hoje, a seleção brasileira levou um calor senegalês.
Em homenagem a eles, relembro minha experiência no país em 2006 
Eles têm transições democráticas, 
são bem vistos pela comunidade internacional.
E de 2013 para cá, vêm crescendo acima de 6% a.a.

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Sanque em praça pública? É possível, permitido e oficializado em alguns lugares do planeta, e sem muitos traumas. Uma sólida introdução, antes de chegar ao tema...

O título deste ensaio, nada original, roubo-o de uma música de Chico César por ser sonoro, e por ser um pouco a expressão da verdade. Não sou um especialista em África, mas posso dizer que aquele é um país que tem futuro. Visitei o Senegal em 2006, a trabalho (claro!). Foi o sexto país africano que visitei, e me deixou boa impressão. Foram somente dois dias em Dakar, portanto, não se espere um diagnóstico vasto e preciso. E calma, o país está longe de ser uma Namíbia, que a colonização alemã deixou mais ou menos em ordem, “limpinho, nem parece África!”, como nosso politicamente incorreto ex-presidente falou ao lá chegar. Os senegaleses continuam sendo pobres, mas têm alguma perspectiva. Ou seja, não é a melhor coisa do mundo, mas é legal.
Senegal é aquele país na pontinha mais ocidental da África, e sua capital Dakar, localiza-se bem na tal pontinha, é o ponto africano mais próximo da América do Sul. Ponto estratégico, meio caminho entre este continente e a Europa, Dakar foi por muito tempo utilizada como ponto de reabastecimento em viagens de avião entre os dois continentes. Seu mapa político é muito interessante, pois aparece uma língua mais para o sul, que não é Senegal, e sim outro país, Gâmbia, ao redor do rio do mesmo nome. Se observar-se bem o mapa, o conjunto Senegal / Gâmbia assemelha-se ao rosto de uma velha, de perfil, olhando para o oeste, sendo o nariz a pontinha de Dakar, e o traço da boca, Gâmbia. Interessante que notei isso logo de cara, e falei a meus interlocutores, que acharam o máximo, nunca haviam percebido, nem mesmo os locais.  Etnicamente, são exatamente o mesmo povo e falam exatamente a mesma língua nativa, o Uolof, mas por resquícios da colonização, na “boca” fala-se o inglês, no “resto do rosto”, o francês. Aliás, a configuração lingüística desta minha missão foi bastante confusa: acompanhava-me um italiano, num país de língua francesa, com os negócios sendo tratados na língua do petróleo, que é o inglês, que bom, pois não falo a língua do biquinho, mas tentava un peu, com as 17 palavras de meu vocabulário francês, e ainda arriscava de vez em quando um italiano nas conversas com meu camarada, e quando eu não sabia a palavra correta, ia buscar lá no espanhol. Então, uma verdadeira salada!
Sempre que chego a um país africano,lembro-me da saudação padrão de nosso gerente geral da Nigéria, que ele mandava por email a todos os viajantes da empresa para o seu querido país, que, entre outros conselhos, dizia: “Se, por acaso, você não tiver sido encontrado (por um agente da empresa) depois de passar pelo check-out de bagagens, não saia do aeroporto em hipótese alguma. Da mesma forma, nem pense em pegar um táxi, pois correrá risco de vida.” .... pausa para suspiro ...

       No aeroporto de Dakar, entretanto, você não sente o assédio das pessoas querendo vender algum tipo de serviço. Você passa pela alfândega, direitinho, sem visto (se tiver Passaporte de Serviço), não tem ninguém querendo extorquir dinheiro. Você pede uma informação, o sujeito dá, sem pedir nada em troca, você pega sua mala, não aparece ninguém querendo ajudar, passa a mala num raio-x, portanto sem niguém querendo abrir pra ver “se tem alguma coisa interessante” pra achacar. Ou seja, não tem que ter os famosos “cem dólahh” no bolso, pronto pra facilitar as coisas. Com relação à arquitetura, o terminal de desembarque ainda tem a cara “This is Africa”, meio caído, já o terminal de  embarque é todo novo, informatizado, cheio de mármores e luzes, como qualquer outro aeroporto decente. Poderiam ter começado a reforma pelo outro, que já seria um excelente cartão de visitas.
Na saída do aeroporto, você acaba se lembrando que está na África, um monte de desocupados zanzando, mas ninguém nos assediou, fomos direto ao ‘shuttle’ do hotel, passando por meio deles. No caminho, era de noite, mas já deu pra perceber que a cidade está em obras, um prédio aqui, outro ali sendo construído, mas também, ainda muitas ruas sem calçada, marca registrada africana. Ao longo dos dois dias, presenciamos largas autopistas e viadutos em construção. Por outro lado, andamos também por ruas de terra, que o motorista que nos levava usava para cortar caminho e escapar dos engarrafamentos provocados pelas obras e por outro motivo sobre o qual falarei mais adiante (mééé). Sim, ruas de terra, mas nada que se compare ao que eu presenciei no Chade, paupérrimo país centro-africano, sem mar, em que andei mais da metade do tempo em ruas de terra: nem mesmo a rua na frente do aeroporto merece o tratamento. Calma, as pistas para descida dos aviões são de asfalto, e na verdade, formam um percentual importante para o país, que tem menos de 500 km de asfaltamento.
A outra parte daquela mesma simpática nota que mencionei lá em cima, falava da malária. Dizia: “A malária é uma doença endêmica na África, e pode se manifestar em duas formas: malária recorrente, tipo amazônica, e malária do sangue, conhecida como malária cerebral. A malária cerebral é a mais comum na Nigéria, e pode matar, por hemorragia no cérebro, em até 72 horas..... pausa para suspiro ...

       Deveras tranqüilizador, não? No Senegal, a coisa não é tão catastrófica assim, têm incidência apenas em partes do ano, mas, como alerta a nota, é uma endemia. E, se existe a expressão “calor senegalês” é porque certamente, tem épocas do ano em que faz um calor bem propício para a proliferação dos mosquitos.
O Senegal é um país com 95% de muçulmanos, mas com total tolerância religiosa, havendo casos de membros de uma mesma família com religiões diferentes. Não são, portanto, radicais. As mulheres andam com roupa ocidental, ou não, é opção delas. A poligamia é tolerada, mas a maior parte dos casais segue a monogamia. Mantém as cinco rezas diárias voltadas para Meca, a obrigação de visitá-la uma vez na vida, enfim e outros costumes, um dos quais, eu falarei adiante (mééé). Muito do esforço de construção que presenciamos é por conta de uma conferência da comunidade islâmica internacional que acontecerá em Dakar em 2008. Mas muito também da atual política imposta pelo presidente e equipe, no poder desde 2000, de investimento para o futuro.
Tivemos oportunidade de conhecer o Ministro da Energia, o motivo de nossa visita ao país, onde tínhamos sociedade com uma companhia italiana na exploração de um bloco offshore. Trata-se de uma figura imponente, energética, alto, jovem, de forte personalidade, que nos recebeu em elegante traje muçulmano (e chinelos). Fora recentemente empossado, fruto da nova composição política do governo, depois da reeleição, mais ou menos o que está a ocorrer por aqui. Vindo da área financeira, estudou e trabalhou em Londres em posições de comando. Nos últimos quatro anos, era presidente da estatal de energia elétrica, e agora subiu de posto.  A reunião foi brevemente interrompida logo no início, quando adentrou a sala o Ministro de Estado da Justiça, que foi recebido pelo nosso ministro com extrema reverência. Apresentou-nos a ele, dando o devido destaque à nossa empresa, e mostrou que sabe das dificuldades e dos custos da atual indústria do petróleo, em uma breve conversa com o ilustre intruso, antes de pedir muitas desculpas e mostrar-nos a porta da sala, explicando que uma visita daquelas não pode ser adiada. Depois ficamos sabendo das duas categorias de ministro: os de Estado, das grandes pastas, pessoas de grande experiência e proximidade com o presidente; e os normais como o nosso alto interlocutor, num nível inferior. Não temos correspondência aqui, mas não duvido nada que a nossa então super-ministra poderia interromper reunião de qualquer outro de nossos ministros menores. 

        Quando voltamos à sala, reiterou as desculpas pela interrupção. Enquanto tratávamos de nosso assunto, desfilava uma impressionante sequência de números, contando seus planos para o país. O país estava sendo reconstruído, como percebemos nas ruas. Seu conhecimento de finanças faz com que consiga altas somas de financiamentos externos (citou muitas cifras). O que mais impressionou foi quando disse que estão plantando o futuro, dedicando 40% (!!) do orçamento nacional para educação e 10% (!!) para a saúde. Que tal? Parece até mesmo um certo país de dimensões continentais que conhecemos aqui do outro lado do Atlântico, não? Bem, na verdade, aqui não precisamos disso tudo, temos excelentes resultados nos concursos internacionais de matemática e ciências....
Tem planos de longo prazo. A comunidade financeira internacional gosta disso e vem se mostrando disposta a ajudar, abrindo os cofres. Agrada também o fato de ser um país sem conflitos étnicos, com tolerância religiosa. O ministro diz que a mãe e a irmã dele são cristãs. No campo da riqueza, não quer cometer o erro de Angola e Nigéria, que gastam o que Deus (ou Allah) lhes deu em luxo para poucos, enquanto a população sofre. Eles sabem que terão petróleo, mas não querem esperar por ele e estão investindo pesado em infra-estrutura. O ministro é um workaólico, que trabalha das oito da manhã às 11 da noite, quando vai pra casa cuidar de sua “small family”, palavras dele, dormindo no máximo quatro horas por noite. Sua citação lembrou-me Napoleão, que dizia: duas horas de sono são suficientes para os comandantes, quatro horas para os comandados, e oito horas para os idiotas (ainda bem que estou mais pro meio!). 

       Contou que o Presidente, apesar de seus 82 anos, também tem esse pique, só que vai até as duas da manhã todos os dias. Disse que foram companheiros de luta e juntos ficaram na prisão, por mais de um ano. Disse que sua luta agora é contra o tempo. Diz: “We have a country to run!”. Não admite que se viaje dois dias para ter reunião em um e se retorne somente no dia seguinte: ele viaja de noite, passa o dia em reuniões e volta na noite seguinte. Reuniões em países árabes, aproveita para marcá-las em fins de semana, que são dias normais naqueles países. Quando volta, segue o ritmo normal de trabalho. Não há tempo a perder. Só falta Allah dar uma ajudazinha com o petróleo. E estávamos lá para ser Sua mão. Inshallah!
O petróleo é a dádiva divina que falta ao Senegal, mas abunda em Nigéria e Angola. Este nosso irmão de língua portuguesa tem a riqueza já desde a década de setenta, mas sofreu durante mais de 25 anos com a guerra civil. Agora é finda a guerra, eles têm a sorte de serem poucos (pouco mais de 12 milhões de habitantes), os recursos estão aparecendo, o país está crescendo a dois dígitos, mas grassa vez por outra um certo hábito no alto escalão, que faz com que a distribuição não seja lá muito equânime. O país segue tendo a maior taxa de mortalidade infantil do mundo. A Nigéria descobriu petróleo há mais tempo, já teve o seu auge, coincidentemente com o título de país mais corrupto do mundo. A atual administração quer acabar com a pecha, mas agora tem que distribuir riqueza por mais de 150 milhões de almas, concentradas numa área pouco maior que o estado de Mato Grosso (veja, sem incluir o do Sul). A pobreza é generalizada, há conflitos étnicos e uma religião não suporta a outra. Deu pra perceber a situação inversa de nossos amigos senegaleses?
Agora, a razão do mééé. Não é a 'marvada' pinguinha, como alguns apreciadores carinhosamente a chamam. Trata-se do som que mais ouvi em Dakar. Logo no primeiro translado entre o hotel e a estatal senegalesa, notei a presença nas ruas, em cada terreno baldio, ou em frente às casas, um pequeno acúmulo de cabras, ou em pé, ou deitadas em cima das outras, sendo movidas pra lá e pra cá, algumas teimosas sendo arrastadas. A cena ia se repetindo ao longo do caminho, de todo o caminho, quando o carro andava por ruas menores. Uma coisa impressionante! Na volta para o hotel, que começou às 18:00 horas, já anoitecendo, a cena continuava, agora sob a luz do luar, umas poucas de iluminação pública e das próprias luzes dos automóveis. Um número incalculável de cabras. Acho que vi seguramente muito mais cabra que gente. Aquela volta para o hotel demorou duas horas: era cabra atravessando rua, empacando na frente dos carros, sendo arrastadas. Aqui, temos o cabra da peste; lá, era uma peste de cabras. Acho que vi umas 10 mil, por baixo.
A explicação para esse movimento todo remonta aos tempos de Abrahão. Aquele profeta existiu antes da separação entre as três grandes religiões monoteístas de hoje: judeus, católicos e muçulmanos veneram Abrahão como um dos pais de sua religião. Diz a lenda que, para testar a fé do profeta, Deus ordenou a Abrahão que sacrificasse seu filho Isaac. O profeta não pensou duas vezes, pegou da espada, levantou-a sobre a cabeça do filho, e quando ia desferir o golpe, um anjo o impediu. Deus considerou prova de fé suficiente, e aceitou o sacrifício de um cordeiro em troca. E ele assim o fez, cortando a jugular do pobre bichinho, certamente no meio de um mééé. Pois é, a data é celebrada todos os anos, pelos muçulmanos, a Festa do Sacrifício. 

       Cada chefe de família repete o gesto de Abrahão, a Sunna, ali mesmo, no meio da rua. Faz parte do ritual a preparação da carne, depois de tirar a pele e os internos, que será dividida em três partes e dada aos pobres, aos parentes e para  a própria família ao longo da semana seguinte. Como nem todos têm animais, as últimas semanas antes da festa são tomadas pelo comércio, daí a enormidade de caprinos que invadiu as ruas, vindas do campo, num mercado a céu aberto.  Outros países muçulmanos também seguem o costume, Líbia e Paquistão, por exemplo. Pelo que soube, não precisa ser cabra, pode ser ovelha, boi, enfim, pobres sacrificandos!
Felizmente, a linhagem cristã de Abrahão não celebra aquele momento máximo de comprovação de fé. Acho que os judeus também não o fazem. E, felizmente também, o dia do sacrifício era exatamente um dia depois, quando havia saído do país. Trata-se de um costume, na minha opinião, meio incompatível com um país que quer ser moderno. Por outro lado, como se trata de uma tradição milenar, aliás, de vários milênios, é uma coisa impossível de ser revertida. Passa de geração para geração, os meninos sonham com o dia em que farão a sua primeira degola.


Que bom que a coisa iria acontecer apenas no dia seguinte, o 17 de novembro.

Enfim, esse era o recado. Claro que o Senegal não é uma Brastemp, mas certamente estava-se traçando o caminho para se tornar. À época...

O feriado religioso é móvel. Neste ano da graça de 2011, ele acontecerá no próximo domingo dia 6 de novembro...


Mééé

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Um Dia Para Não Esquecer...


Hoje, John Lennon poderia estar celebrando 79 anos de idade...
mas teve um certo sujeito que fez ruir essa possibilidade ...
em um certo 8 de dezembro ...
um dia para não esquecer ...


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O dia 8 de Dezembro é uma data notória!

         Ela se encaixa, para muitos, num pequeno grupo das datas mais conhecidas pelo Mundo Ocidental, como:

      25 de Outubro de 1917      
               Revolução Bolchevique,
        6 de Junho de 1944      
      Desembarque na Normandia,
      22 de Novembro de 1963      
               Assassinato de John Kennedy,
      11 de Setembro de 2001      
               Atentado terrorista
      5 de Novembro de 2008      
               Um presidente negro é eleito nos EUA
      8 de Dezembro de ......


      O ano, 1980;
       O fato, um assassinato;
        O país, Estados Unidos;
         A cidade, New York;
          O endereço, Rua 72, Nº 1;
           O local, entrada do edifício The Dakota;
            A noite, pouco enluarada;
             O dia, uma segunda-feira;
            A hora, 22:50;
           O modo, tiros de revólver;
          A bala, Dum-Dum, que explode ao atingir o alvo;
         O ferimento, 4 perfurações nas costas;
        O assassino, Mark David Chapman;
       A vítima, John Winston Ono Lennon;
      O motivo, desconhecido.

         Pois é, nesse dia, Sean e Julian perderam o pai, Yoko Ono perdeu o marido, Paul McCartney perdeu seu grande parceiro e amigo, o mundo das artes perdeu um gênio, os defensores da paz perderam seu ativista mais famoso! E, em última instância, porque não dizer, o mundo da música perdeu a esperança de ter os Beatles de volta, da maneira mais trágica e definitiva possível!
         Naquele dia, uma lágrima rolou em muitos milhões de rostos por todo o mundo, tristes pela perda, chocados pela surpresa, indignados pela violência. O fato provocou enorme demonstração de consternação, uma das maiores da história,  quando, em muitos pontos do planeta, tudo parou por 10 minutos, numa vigília realizada 4 dias depois, em homenagem ao astro desaparecido.
         Terminava então, tragicamente, a passagem de John Lennon pela Terra. Uma vida de sucesso entremeada por momentos traumáticos.

Uma Noite Iluminada
         John veio ao mundo numa noite iluminada, em 9 de Outubro de 1940! Não era uma brilhante lua cheia que iluminava a noite, mas, sim, a luz das explosões provocadas pelo intenso bombardeio alemão que atingia a cidade de Liverpool no momento de seu nascimento. Liverpool era, então, o mais importante porto da Inglaterra, porta de entrada das mercadorias provenientes da América, um dos alvos ingleses preferidos da Luftwaffe durante a 2ª Guerra Mundial.

Os Pais Ausentes
         O pai de John, Alfred, garçom de navios, abandonou a família logo depois da nascimento deste último e partiu, pelo mundo, num navio mercante. A mãe, Julia, não perdeu tempo e logo se casou novamente. O padastro, no entanto, não queria saber do filho do outro. John cresceu, então, na casa de Tia Mimi, irmã de Julia. Apesar do ambiente familiar de classe média, propiciado pelos tios, John cresceu revoltado com o abandono dos pais. Seu comportamento rebelde causava, freqüentemente, enormes constrangimentos à tia Mimi.  Ele conseguiu ser expulso do jardim de infância, aos cinco anos de idade, dentre outros eventos!
         Mas, John gostava muito de sua tia Mimi! Assim que ele ganhou dinheiro suficiente com os Beatles, deu a ela, de presente, uma bela casa de praia, toda mobiliada, em que se destacava um quadro com uma guitarra pintada a óleo e uma inscrição em letras douradas que repetia as "sábias e proféticas" palavras dela, proferidas alguns anos antes:
-       Tudo bem quanto a tocar guitarra, John, mas não pense que vai ganhar a vida com isso!

A Mãe Presente e Perdida

Júlia e John
         Aos 15 anos, John voltou a conviver com Julia, e tinha nela, não só uma mãe, mas uma amiga, com seu espírito jovial. Amante do Rock and Roll, que começava a despontar nos USA, ela ensinou a John os primeiros acordes musicais em um banjo. Extrovertida, andava com John para todos os lados e os amigos dele a adoravam. Brincalhona, costumava andar com óculos sem as lentes, parava um transeunte e pedia-lhe uma informação qualquer. Enquanto a escutava,  Julia coçava os olhos através dos aros só para ver a reação do coitado!
         Tudo ia muito bem, até que o destino deu um duro golpe no rapaz: em Julho de 1958, quando atravessava a rua da casa de sua irmã para pegar um ônibus, Julia foi atropelada por um policial bêbado, de folga, sendo lançada a 10 metros de distância, e morrendo instantaneamente, aos 44 anos de idade.

Stuart Sutcliffe
A Perda do Melhor Amigo
         No Liverpool Art College, onde estudava, John, por seu temperamento arredio, tinha poucos amigos. O maior deles, um elogiado aluno de pintura, Stuart Sutclife, era o companheiro de todas as horas, dos bons e maus momentos, das brigas e das farras com as garotas. Por insistência de John, que o convencera a comprar uma guitarra-baixo, Stuart acabou fazendo parte dos Beatles, bem antes da fama.
         Mas, o negócio dele era a pintura! Em Hamburgo, na Alemanha, onde os Beatles permaneciam longos períodos, eles conheceram Astrid Kirchherr, uma fotógrafa intelectual que logo se apaixonou por Stuart. Astrid foi responsável pelas primeiras e históricas fotos dos Beatles. Numa dessas viagens, Stuart optou por desenvolver seu elogiado trabalho na pintura e acabou ficando por lá, vivendo com a namorada Astrid. Algum tempo depois, no entanto, morreu, com 21 anos de idade, vítima de um aneurisma no cérebro, lesão provavelmente iniciada em uma das muitas brigas em que se metia juntamente com John. Este último carregou, desde então, uma ponta de culpa pela morte do melhor amigo, pois tais brigas eram invariavelmente causadas por ele e sua língua ferina.

O Inferno das Drogas
         Após três anos de fama mundial, os Beatles, influenciados pelo ambiente em que viviam, se tornaram vítimas naturais das viagens prometidas pelas drogas alucinógenas, ajudados até mesmo pela ingenuidade de sua juventude, que não estava muito bem informada sobre a magnitude de seu efeito nocivo. Começaram pela maconha e logo chegaram ao LSD, o ácido lisérgico.
         John era sempre o pioneiro nos experimentos e não há dúvidas que muitas de suas melhores músicas foram produzidas nessa época, durante 'viagens' alucinantes, apesar de ele sempre negar. Uma das negativas mais famosas foi quanto à famosa Lucy in the Sky with the Diamonds, acusada de ser uma ode às drogas, por causa das iniciais L, S e D. John negava, veementemente, a influência, alegando que a inspiração viera de um desenho de Julian, seu primeiro filho, então com quatro anos, que mostrava sua amiga Lucy voando em meio a diamantes. Muito difícil acreditar nele, entretanto, após observar a letra da música, povoada por citações como  ....cellophane flowers of yellow and green... , ...newspaper taxis appear on the shore... , ...with your head in the clouds..., ...the girl in caleidoscope eyes... e tantas outras!
Desenho de Julian
         John foi mais fundo e chegou à beira do abismo! Uma vez, em meados de 1966, chegou efetivamente perto! Paul McCartney e George Martin estranharam a ausência prolongada de John em uma sessão de gravações nos estúdios da EMI em Abbey Road, traçaram seu caminho e encontraram-no no telhado do edifício, pronto para realizar de verdade o sonho de voar que sua mente, então afetada, lhe sugeria em imagens alucinantes.

         John só se libertou das drogas após um intensivo tratamento a que se submeteu em 1971 juntamente com Yoko, em Los Angeles, num momento em que até heroína havia entrado em seu cardápio alucinógeno.

A Vigilância da CIA e do FBI
         Profundo admirador de New York e do american way of life (e para fugir do Taxman britânico), John decidiu fixar residência nos Estados Unidos em finais de 1971. Mas não seria nada fácil! Visto pelas autoridades de segurança americanas como um verdadeiro animal político, John teve todas as dificuldades possíveis para obter permissão para viver em solo americano. A CIA, principalmente e o FBI mantinham vigilância constante em todos os seus passos. Ele fazia parte de um seleto grupo de 7.200 indivíduos considerados muito perigosos pela CIA. Seu telefone era grampeado, seus passeios, tanto a pé quanto de carro, eram seguidos de perto por agentes nada discretos. A pressão era tamanha que chegou a comentar com amigos:
         "Caso algo aconteça a mim ou a Yoko, saibam que não foi acidente! (.....)"
         Seu Greencard (e de Yoko) só foi concedido no início de 1975, após longo processo, quando ele já havia diminuído a zero seu nível de atividade política.

Momentos de Paz / Prelúdio para a Morte
John e Sean
         Em 9 de Outubro de 1975, nasceu Sean, seu primeiro filho com Yoko, após 3 abortos não programados. John anunciou, então, que iria retirar-se, completamente, da vida artística por um período indeterminado, um pouco por pressão de Yoko e muito por remorso: John se culpava por não ter acompanhado de forma adequada o crescimento de seu primeiro filho Julian, então com 12 anos, devido à loucura da Beatlemania. Decidiu então que, desta vez, seria diferente!
         Durante quase cinco anos ficou em casa, trocando fraldas, preparando mamadeiras e dedicando-se totalmente a Sean enquanto Yoko cuidava (e bem!) da administração de seu patrimônio. Só pegava no violão para cantar para seu filho e ensinar-lhe, ainda que prematuramente, os primeiros acordes.
         Em meados de 1980, decidiu que era hora de voltar! Numa viagem para as Bahamas, produziu, em poucos dias, material musical suficiente para encher dois álbuns completos. Numa primeira seleção, montou aquele que seria seu último álbum, enquanto vivo, Double Fantasy, cujo carro chefe era a faixa (Just Like) Starting Over, que, já no título, anunciava o seu começar de novo.
         Seu retorno foi festejado pela imprensa, que, seguidamente, o chamava para entrevistas. Numa delas, realizada naquela mesma segunda-feira, 8 de Dezembro de 1980, aos 40 anos de idade, um Lennon de bem com a vida desfilou seu clássico humor e, entre devaneios sobre vida e morte, declarou:
         "Eu e Yoko já temos tudo planejado para chegarmos até os 80 anos!"

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Encontro de John com Chapman
         Tudo poderia ter saído conforme seus planos se, na volta dessa entrevista, um certo jovem de Atlanta, de nome Mark David Chapman, não o estivesse esperando em frente ao The Dakota para, após cumprimentá-lo e deixá-lo seguir, apontar uma arma para suas costas e chamar:

                                            "Mr. Lennon!"
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terça-feira, 8 de outubro de 2019

Hebe - A Estrela do Brasil

O logotipo do filme Hebe, A Estrela do Brasil, é genial, com a estrela conformando com o primeiro E e o B de seu nome.

Resultado de imagem para hebe a estrela do brasil cartazA idéia de focar em apenas um período de sua longa história foi fundamental, e a escolha desse período foi perfeita, com Hebe já com 40 anos de carreira, compreendendo o fim de seu período na Bandeirantes, com o começo do contrato com o SBT, seus problemas com a censura e com os deputados, e sua vida pessoal.

A escolha de Andrea Beltrão para o papel parecia temerária, afinal, uma carioca da gema interpretarrrr a mais paulissssta das apresentadoras era um desafio. Entretanto, ela se esmerou e fez tudo do jeitiiinho da Hebe, magnífica, uma gracinha!!! Na parte, como direi, física, foi um desafio usar os brincos da estrela... ela teve que usar gelo nas orelhas entre as cenas...

Pena que carioca não liga muito para a grande estrela da história da TV, por ser muito paulishta! 

Felizmente, acho que o resto do país vai dar ao filme o público que ele merece! Perfeita reconstituição da época, inclusive com as escolhas certas pra representar Roberto Carlos, Silvio Santos e Derci Gonçalves!

Se eu tivesse que fazer um reparo, seria na hora do parabéns a você, quando Hebe diz ‘É Big Big Big’, como carioca, ao invés do ‘É Pique Pique Pique’, que é o certo, adotado no resto do país, aliás, como já escrevi!
https://blogdohomerix.blogspot.com/2012/11/e-pique-e-pique-e-pique-e-pique-e-pique.html

Que não se perca!

‘A gente volta já, já!’