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quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

O Natal e o Ano Novo

No Natal, começo a pensar
Mas, primeiro, desejo paz!
Algumas coisas a celebrar,
Muita coisa a deixar pra trás!

A ministra mandou relaxar,
O ministro não foi nada sério!
E acabamos por não encontrar
Os culpados do caos aéreo!

Teve reverso travado
Teve grito, pânico e dor!
Teve menino arrastado,
Teve momentos de horror!

Na ruas, bandidos insanos,
Revolta, choro e tormento!
Pra eles, direitos humanos?
Ou mais Capitão Nascimento?

Freqüentamos sempre o divã,
Convivendo com alguns entraves.
Aqui, as mazelas do Renan;
Lá fora, os planos do Chavez.

Vou terminando com uma dica:
Deixa pra lá os mequetrefes!
Lembre-se que a imagem que fica
É que acabamos com a CPMF!

E no PAN, quase vimos o sol,
Por pouco não batemos os cubanos.
Não lembro do futebol,
Em respeito aos corinthianos!

Sabemos que nem tudo é perfeito!
Nada de ficar nervoso ou afoito!
E lembre-se de usar o pé direito,
Na hora de romper 2008!

sábado, 15 de dezembro de 2007

Momentos Galvão

Estou aqui no intervalo da decisão do Mundial Inter-Clubes, entre Milan e Boca Juniors, e apreciando uma atração à parte: nosso idolatrado locutor global Galvão Bueno.        
Ele faz parte daquele grupo de pessoas, ou coisas, que você, ou ama, ou odeia. Nas coisas, entre outras, temos o Halls Mentholyptus. Nas pessoas, entre outras, temos o Galvão.
Aqui em casa temos os dois partidos. Quem gosta, admira a vibração em qualquer esporte. Do outro lado, em que eu me incluo, até admiro a facilidade com que ele transita em vários esportes, mas o problema é que ele é chato, muito chato!
Ele mesmo sabe da fama. Um dia antes do Brasil x Uruguai, estava aquela polêmica sobre a provável vaia à seleção, perguntaram a ele, num coquetel, sua opinião, e ele soltou: "Vai ter, sim, o mais vaiado vai ser o Dunga, depois o Júlio César, depois o Wagner Love, depois, eu!". Ele certamente deve ter sofrido com a 'consagração' uma semana antes, no Maracanã, Brasil x Equador, quando 70.000 pessoas entoavam, em uníssono: "Ei, Galvão, vai tomar no piiiii!!"
No programa semanal que ele comanda no SporTV, que, intrinsecamente, é muito bom, temos bons comentaristas, uma boa parte musical (aliás, nem sempre!), temos também que agüentar o tratamento que ele dirige ao Arnaldo César Coelho. Tem que ser Bem Amigo pra agüentar! Mas, fazer o quê! Ao que parece, a galera gosta de ver a humilhação. E o humilhado também, pois segue firme! Aliás, acho que ele deve até ganhar um adicional de Bobo da Corte, e segue com seu bordão: "A regra é clara! Paguem-me bem, que eu continuo!".   
De vez em quando, ele nos brinda com sua ausência, mas conseguiu um substituto à altura, que o imita em tudo, no gestos, trejeitos, só não pega no pé do Arnaldo, que falta senhoridade e até mesmo, amizade para isso!
Hoje, o Galvão está especial:
Primeiro, está trocando Kaka com Inzagui, Palácio com Cardoso, Pirlo com Maldini e muitos outros!
Depois, 23 minutos do primeiro tempo, o Boca empata o jogo em 1x1 e ele solta: "Será que vai acontecer de novo, 1x1, prorrogação, e perdem nos penaltis?", lembrando o que acontecera a em 2003 na decisão com os mesmos times.
Depois, reclamou 14 vezes com o Ancelotti, técnico do Milan, por ter colocado o Maldini, quase quarentão, e um outro zaqueiro, preterindo os laterais. Encheu!
E terminou com a pérola, num ataque do Boca: "O juiz marcou, exatamente, falta de alguém!" Uma exatidão fantástica!

Bem, agora terminou o jogo, o Milan foi campeão, apesar das reclamações do 'técnico' Bueno com o técnico do Milan, Kaká jogou um bolão, só falta jogar assim numa Copa do Mundo! Felizmente, não houve mais nenhum Momento Galvão que merecesse destaque. Já estava esperando um comentário sobre o bom ano para o Brasil no esporte, com a Copa América, o Pan, e a vitória do filho dela o Cacá (com C) na Stock Cars, como ele adora lembrar!

Santos, o Melhor do Século, so far

O Século 21 já tem 7 anos.
            E agora, quem dá bola é o Santos!
Depois da gloriosa Era Pelé, (ai, que saudades de ouvir o barulho das chuteiras do Rei no gramado do Alçapão da Vila!!), o Peixe ficou uns 25 anos capengando, meio em banho-maria, um título paulista aqui, outro ali, mas quase nenhum destaque em nível nacional, afora um vice-campeonato em 95. Virou o milênio e a coisa mudou: em 2001, nem implacamos entre os 10, mas depois, fomos duas vezes campeões brasileiros, duas vice-campeões, tivemos um quarto lugar, e um décimo, naquele ano do título roubado do time da marginal sem número (o nosso pobre rebaixado, pra quem não conhece a alcunha!). Naquele episódio dos 11 jogos que o árbitro 171 apitou e que tiveram que ser rejogados, o Santos foi o mais prejudicado.
Pensei então em fazer umas continhas, dando pontuação pela colocação no campeonato, como fazem na Fórmula 1 com relação às corridas.
Pode escolher o critério!
Veja, por exemplo, a contagem da antiga Fórmula 1, aquele mais justo, que dava mais valor aos campeões, lembra? O vencedor da corrida ganhava 9 pontos, que era 50% mais que o 2º, que levava 6, que também era 50% mais que o 3º, que ficava com 4, depois 3, 2 e 1. Sétimo em diante não valia nada!                                                                                      
Pois bem, eis o ranking do século 21, se aplicássemos aquele critério aos 6 primeiros colocados do Brasileirão, de 2001 a 2007. Tá lá o Peixe no topo! A sensação do momento, o São Paulo, fica em um honroso segundo lugar.
Começamos lá em 2002, com o humilde e educado Leão apostando numa geração de garotos, e terminamos com o humilde e educado Luxemburgo fazendo milagres com um time não mais que mediano.   Em comum, os dois têm o estilo de ficar o tempo todo orientando, xingando, reclamando do juiz, e surpreendendo os técnicos adversários com mudanças inesperadas no esquema de jogo. Em comum, também, o 'amor' que os torcedores adversários sentem por eles! Por mim, tudo bem, pelo que eles fizeram pelo meu time, ser-lhes-ei grato forever!!
Bem, discutamos mais o ranking!    
Pode reclamar, a contagem não é mais aquela, hoje em dia, então, vamos lá! Para os que querem mais modernidade, se considerarmos o critério atual da Fórmula 1, em que se premiam os 8 primeiros, com 10 pontos para o campeão, o São Paulo chega mais perto, comparativamente, levando 2 pontinhos por um sétimo lugar, mas o Santos continua por cima! 
E pode apertar um pouco mais: fazendo a contagem direta, considerando os 10 primeiros, dando 8 pontos para o campeão, depois, 9, 8, e assim por diante, até o décimo, com unzinho só, é Peixe na cabeça, de novo .... com a companhia do São Paulo, finalmente!
Note que interessante, como o critério influi: o Fluminense é o 6º no critério F1 antigo, passa para 5º no critério F1 novo e chega a um magnífico 3º no critério simples! É que os dois primeiros critérios dão mais valor aos primeiros colocados e o último premia a constância: o Flu esteve entre os 10 em 5 dos 7 campeonatos. Aliás, é o único carioca que participa da lista. E bem melhor que na década passada, quando conseguiu ser rabaixado 2 anos seguidos (com direito a citação no Guiness) e ainda passou pela 3ª divisão. No caminho inverso, o surpreendente Atlético/PR (ninguém apostaria nisso no passado), fica em 4º nos critérios F1, e cai para 7º no simples  .... é o que vale o título que tiveram. Aquele título roubado, em 2005, garantiu a presença do Corinthians em todos os critérios.Veja também que Vasco, Botafogo, Palmeiras e Atlético/MG, mangangões do século passado, não aparecem em nenhuma das listas, até mesmo porque os 3 últimos passaram uma temporada na segundona. A admirar-se o Grêmio, que mesmo tendo passado por aquele sufoco, está presente em 2 dos critérios. O outro gaúcho , o Internacional, está presente nas 3 listas. Das Alterosas, só o Cruzeiro, graças à brilhante e insuperável campanha  (100 pontos) de 2003, que não foi, entretanto, suficiente para emplacar no primeiro critério.
Outra observação interessante é que o Santos continuará entre os 2 primeiros em qualquer critério, seja qual for o resultado do ano que vem
Bem, nada disso aí em cima consegue abafar o mérito do São Paulo, dando show de eficiência e aproveitamento. Mas nós, santistas, vamos poder nos gabar desta nossa posição até o final do ano que vem. E, pra mim, serviu pra revigorar minha veia planilheira
E que venha a Libertadores!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Profissional do Ano

Quando o recurso é humano
A escolha deve ser precisa:
Só serve a melhor do ano
Nossa amiga diretora Heloisa!

Agindo com justiça e sabedoria
Desenvolveu a política de benefícios
e com isso alegrou a maioria
Dos Zés da Silva e Murilo Benícios!

Misturando astro e gente normal
A política foi bem equânime!
Todo mundo achou natural
A escolha ter sido unânime.

E tudo isso, não se esqueça,
Na moral e sem esporro!
E ainda tem que ter cabeça,
Pra 6 filhos e um cachorro!

Primeiro foi Felipe e Marc
Depois, Lucky consolidou
Entramos, no portão de embarque
Da amizade que ficou!

Há 15 anos, dia após dia,
É admiração simples e pura!
Parabéns é o que te envia
Toda a família Ventura

sábado, 10 de novembro de 2007

Carnev Club

Aos convivas !
O nosso anfitrião faz aniversário e eu é que faço a festa!
Quem me conhece, entende porque eu fiquei o tempo todo dançando, ou tentando dançar, meio desajeitado. Sinceramente, não estava nem um pouco preocupado. Estava possuído por sons que eu conhecia muito bem, mas fazia tempo que não ouvia, aliás, nunca havia ouvido assim tudo juntinho, e ao vivo, e tudo muito bem tocado, e cercado de amigos. Foram rápidas pérolas, de 2 minutos e alguns segundos cada uma, que nos remeteram à década de 60.

Tudo do tempo da Beatlemania!!!
O ambiente estava mais que propício. A banda Blackbird estava acondicionada no espaço-churrasqueira, só um pouquinho maior que aquele que os rapazes tinham em Liverpool, no Cavern Club, poderíamos então usar um anagrama e batizá-lo de Carnev Club; o toldo, que nos protegia da chuva que não veio, conferiu um quê de teto e propiciou uma certa acústica. A banda estava perfeita, instrumentos, vocais. Só a idade média da galera que assistia é que era, digamos, um pouquinho diferente que a daquela época, uns 150% maior, mais ou menos. E também não houve nenhum desmaio!
Foi inesquecível! Tanto que resolvi registrar em papel. Parei para rememorar, e contei. Vocês nem devem ter percebido, mas ouviram 50 canções:

1962  Love Me Do
1963  I Saw Her Standing There
1963  Anna (Go To Him) (Alexander)
1963  Ask Me Why
1963  Please Please Me
1963  Twist And Shout (Medley/ Russell)
1963  She Loves You
1963  I'll Get You
1963  I Want to Hold Your Hand
1963  This Boy
1963  All My Loving
1963  Till There Was You (Willson)
1963  Please Mister Postman (Dobbin/ Garrett/Garman/Brianbert)
1963  Roll Over Beethoven (Berry)
1963  I Wanna Be Your Man
1963  Devil In Her Heart (Drapkin)
1964  Long Tall Sally (Penniman)
1964  Slow Down (Larry Williams)
1964  A Hard Day's Night
1964  I Should Have Known Better
1964  If I Fell
1964  I'm Happy Just To Dance With You
1964  And I Love Her
1964  Tell Me Why
1964  Can't Buy Me Love
1964  Any Time At All
1964  Things We Said Today
1964  You Can't Do That
1964  I'll Be Back
1964  I Feel Fine
1964  No Reply
1964  Kansas City (Leiber/Stoller)/ Hey Hey Hey Hey (Penniman)
1964  Eight Days A Week
1964  I Don't Want To Spoil The Party
1965  Help!
1965  I Need You (Harrison)
1965  Another Girl
1965  You're Going To Lose That Girl
1965  Ticket To Ride
1965  It's Only Love
1965  Drive My Car
1965  Nowhere Man
1965  What Goes On
1965  Run For Your Life
1965  Day Tripper
1966  Taxman (Harrison)
1966  And Your Bird Can Sing
1968  Back in the USSR
1969  The Ballad of John and Yoko
1970  One After 909

 Posso ter deixado escapar umas 2 ou 3, mas acho que não mais que isso. Claro que não foi esta a ordem de execução, afinal não fiquei anotando enquanto dançava. Ordenei por ano de lançamento, para verem a grande concentração em 3 anos: 44 das canções da seleção dançante foram lançadas em 1963, 1964 e 1965, os 3 primeiros anos inteiros da carreira beatle. O ano 1962 somente teve o compacto de lançamento ‘Love Me Do’ e ‘P.S. I Love You’, em 5 de outubro. Foi retratada, então, a fase mais juvenil da banda, mais das canções de amor, ciúme, corno music, enfim próprias da idade deles. Depois, começaram as músicas mais elaboradas, uma fase mais psicodélica, mais oriental, muitas ainda dançantes, porém menos próprias para o ambiente mágico em que estávamos no sábado. Ao todo, os The Beatles gravaram 226 canções!!!
Interessante ressaltar também a capacidade criadora da dupla Lennon/McCartney. Na lista, notarão: tudo que não tem o nome do compositor entre parênteses é da dupla, que assina 39 das 50 cancões que embalaram aquele sábado à noite. Outras 2 são também beatle, de George Harrison, conhecido como The Quiet Beatle. Aliás, essa história de composição em dupla não é bem assim. Quando começaram a compor juntos, lá em 1957, logo viram que, apesar dos estilos diferentes, a afinidade era grande. Tanta que chegaram logo cedo a um acordo de parceria: fosse John ou Paul o verdadeiro autor de uma canção, a autoria oficial seria declarada como de Lennon/McCartney. E assim foi: um chegava com a música, o outro dava um palpite aqui outro ali, e pronto: mais um clássico Lennon/McCartney.
Da lista tocada naquela noite de lua cheia, o álbum campeão de presença é “A Hard Day’s Night”, de 1964: foram dançadas 11 das 13 canções do LP, que foi lançado no Brasil com o singelo nome de "Os Reis do Iê Iê Iê"!!!  Justamente aquele disco foi o começo do meu caminho beatle: eu tinha 6 anos e meu irmão, bem mais velho, me levou a uma loja de discos numa galeria perto de casa, e pediu que eu escolhesse qualquer disco, para me dar de presente. Escolhi o disco pela capa, que me atraiu por ter vários jovens fazendo variadas caretas, sobre um fundo vermelho. O original lançado na Inglaterra era em fundo azul; jamais saberei o motivo da tradução de cor para o lançamento brasileiro. A música, como todos sabem, e ouviram no sábado, era contagiante ... e me pegou para sempre. Comprei todos os seus discos, mas fiquei profundamente arrasado quando eles se separaram. Abandonei um pouco a paixão, até acompanhei as carreiras solo, mais de John e Paul, porém sem o mesmo entusiasmo. Vieram a faculdade, o início da carreira, o casamento, os filhos. Quando me estabilizei de novo, já na era do CD, comprei todos eles (são 15), recuperei a paixão, comecei a ler inúmeros relatos sobre o grupo (não falta material para isto) e escrevi alguns artigos, que compartilho com amigos e colegas de trabalho.
Então, naquela noite iluminada, o espírito estava alimentado pela música, o corpo pelo fantástico buffet, a alma lavada e a camisa também, pelo suor de horas de dança sobre as águas, literalmente. A agradecer, a hospitalidade dos anfitriões, e a oportunidade de reviver momentos mágicos.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Eu Não Respondi

Vem sendo veiculada na TV uma propaganda do IBGE, que diz: "Acabaram os censos 2007!", ou algo assim.
Ao fundo, sorridentes pessoas carregavam pequenos cartazes que declaravam: "Eu Respondi!".
Que bom pra eles! Participaram de um processo do qual eu NUNCA participei! Nenhum recenseamento, nenhuma pesquisa de opinião em época eleitoral, seja durante campanha ou na boca da urna, pesquisa de mercado, pesquisa de motivação, atingiu a mim ou a qualquer membro de minha família. Estou alijado do processo.  Não chego a ficar frustrado, mas, no mínimo me bate uma curiosidade.
Será que é pessoal?
Lanço aqui um desafio! Ou melhor, faço agora uma pesquisa (para ficar na esfera do importante órgão geográfico).
Vou usar como universo, o pequeno grupo dos meus correspondentes, para quem eu usualmente mando meus pequenos textos.
Se puder participar, é muito simples, responda SIM ou NÃO à seguinte pergunta: Você já respondeu a alguma pesquisa?                                   
Pode ser bem amplo na abrangência:
1.                  Pode considerar qualquer assunto ou pergunta: vai votar em quem?; o que você pensa do desempenho do governo?; o que você achou de tal decisão?; quantos membros tem sua família?; que produto você costuma usar?     
2.                  Pode considerar qualquer instituto de pesquisa seja independente ou patrocinado por qualquer mídia, seja falada, escrita ou televisada.
3.                  Pode incluir resposta de cônjuge, pais ou filhos: qualquer um vale! Se qualquer um disse SIM, sua resposta é SIM!
Claro que seria fundamental desconsiderar pesquisa de telemarketing ativo, aqueles curiosos de plantão que adoram um gerúndio, que querem tirar alguma vantagem de sua resposta, que daqueles, creio que muita gente já foi vítima! Não vale!!!                         
Para dar alguma representatividade a este humilde exercício de estatística, peço encarecidamente que responda. Basta um SIM ou um NÃO. Se quiser elaborar na resposta, será também bem-vindo! Mas, por favor, não deixe de responder! 
Se eu conseguir um certo número de respostas, faço umas continhas e divulgo o resultado.
Não espero chegar a nenhuma conclusão reveladora.
Trata-se apenas uma curiosidade.                         
Um abraço e antecipadamente obrigado!
RESULTADO
Exatamente 2/3 também não responderam a qualquer pesquisa, no caráter amplo que foi pedido, contando qualquer instituto de pesquisa e qualquer membro da família.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Nara Leoa

Vocês já devem estar achando: lá vem ele de novo, incomodando -nos com seu bla bla bla. Fazer o quê? Os motivos para escrever têm aparecido!!!
Agora, foi o último programa da série "Por toda minha vida", da Globo. Depois de Elis Regina, que eu vi e não gostei, e de Renato Russo, que eu não vi e não gostaram, veio o de Nara Leão, que eu vi, gostei, e me emocionei!                                                                                                                    
O interessante é que eu sou fã de Elis e Renato, mas apenas admirador de Nara. Bem, talvez até mesmo por isso, vai ver que eu fui muito exigente com o da Elis. Ou talvez pela surpresa de saber da importância daquela cantora dentucinha na música brasileira. Aliás, tivesse ela nascido 30 anos depois, certamente ela não teria convivido com aquela configuração bucal explícita, como fez 'Por Toda Sua Vida. Hoje em dia, por muito menos, as pessoas estão vestindo aquele sorriso metálico; virou uma febre, pra felicidade dos ortodontistas!
Conheci Nara naquele festival de 1966 da Record em que cantou "A Banda", acompanhAda pelo Chico Buarque, o compositor, e de uma bandinha, de verdade! Eu era torcedor absoluto de "Disparada", de Geraldo Vandré, defendida por um improvável Jair Rodrigues, mas não fiquei chateado com o empate, em primeiro lugar com a adorável marchinha do Chico. Aqui, neste link, o desempenho dos dois, já como campeões, com a presença intrometida e simpática de Jair. Era difícil resistir ao charme daquela cantorazinha de voz fraca, mas límpida, desafinadinha ao vivo, mas que deu uma mensagem muito singela, interpretando a vida da pacata cidade, abalada pela passagem da bandinha, os sonhos, os delírios e desejos da humilde população.
Mal sabia eu, descobri agora, que aquela vozinha foi responsável, ou no mínimo esteve presente e foi fundamental para a criação da Bossa Nova, da MPB,  do teatro Opinião, e da Tropicália.
A Bossa Nova começou na casa dela, em Copacabana, ponto marcado de jovens como Menescal, Lira, Bôscoli, para tocar violão, com uns acordes meio esquisitos,  marca registrada daquele movimento.
Por paradoxal que seja, ela só foi gravar o primeiro disco quando já havia rompido com a Bossa Nova. Ela decidira conhecer algo diferente do mundinho burguês em que vivia, e subiu o morro. E aí ajudou a popularizar compositores como Zé Keti, Nelson Cavaquinho, Cartola, e outros como João do Vale, ajudando a começar aquilo que seria conhecido como MPB.       
Veio a Revolução, e a repressão e, apesar de não ser compositora, ela era a porta-voz de canções de protesto disfarçado, e embarcou no show Opinião, em que cantores atuavam cantando, o que não era nada comum. Uma das canções era 'Carcará' (pega, mata e come!): Nara ficou afônica uma temporada e importou uma certa Maria, da Bahia, cuja mãe só deixou que viajasse se trouxesse junto seu irmão, um certo Caetano. É isso, Nara foi responsável pela introdução dos filhos de Dona Canô no cenário artístico. Não perca, neste link, o extraordinário desempenho de Maria Bethania, em sua estréia, e com um visual que você não conhecia!!!
Sua língua ferina ("Os militares podem entender de canhão ou de metralhadora, mas não 'pescam' nada de política") a transformou em perseguida do regime e dizem que só não foi presa devido a um poema de Carlos Drummond de Andrade ao presidente Castelo Branco, que dizia.


Meu honrado marechal
dirigente da nação
venho fazer-lhe um apelo:
não prenda Nara Leão! (...)

A menina disse coisas
de causar estremeção?
Pois a voz de uma garota
Abala a revolução? (...)

Será que ela tem na fala,
mais do que charme, canhão?
Ou pensam que, pelo nome,
em vez de Nara, é Leão? (...)


Estas e muitas outras histórias e depoimentos tocantes estão no especial, que termina com um dos filhos, hoje com mais de 30, e ainda se emocionando (e a nós) quando se lembra da mãe que se foi há 18 anos, vítima de um tumor inoperável.

Recomendo, sem sombra de dúvida qualquer esforço. Se não quiserem esperar o lançamento que certamente acontecerá, o YouTube está aí pra isso!!       

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

O Poderoso Thor Deu Sua Martelada

No último GP de Fórmula 1 presenciamos uma reviravolta pouco vista! O último, de três, que tinha chances de ser campeão emplacou! Inacreditável!
Depois, vimos o Presidente apertando as mãos de Kimi. Infelizmente, ele depois apertou a dos demais. Ele devia ter guardado aqueles fluidos por mais um tempinho. É bem verdade que o campeão fez sua parte vencendo a corrida, mas o Poderoso Thor, aquele deus nórdico, deve ter ajudado seu fiel devoto finlandês, dando umas marteladas nas intenções dos outros candidatos! Lembram-se daquele desenho Marvel, que foi lançado juntamente com Capitão América, Homem de Ferro e Nabor, o Príncipe Submarino? Fazer o Hamilton largar mal E passear na grama numa ultrapassagem atrapalhada E errar troca de marchas, depois não deixar o Rosberg e o Kubica baterem na disputa pelo 4º lugar E além de tudo, fazer a equipe McLaren colocar um motor fraco no carro do Alonso, tudo isso junto, só pode ser coisa divina.
Bem, ao menos, o presidente não fez o papelão do governador de SP, que ia entregando o troféu do Massa (2º colocado) para o Alonso (o 3º), e assim o faria, não tivesse sido avisado por este último, com uma discreta apontadinha com o dedo, após perceber que o idiota havia passado pelo brasileiro. Será que está tão desligado do mundo que não conhece a cara do Massa?
Pior que o Serra, só mesmo a do Rei Pelé, que esqueceu-se de dar a bandeirada final no Grande Prêmio de 2002, o pobre piloto continuou correndo como se a corrida não tivesse acabado. Mas, desse, a gente perdoa tudo!!!
E seguimos!!!

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

O Brás em Pasárgada

Ontem, experimentei uma experiência nunca dantes experimentada (uau!).
Estive no HC em São Paulo! Calma, não se trata de Hospital das Clínicas, estou bem, o coração está ótimo!
  H de hospitalidade, C de Centro! É, podia ser CH, se não estivéssemos dominados pelo uso obrigatório de termos inglesados, para tornar as coisas mais chiques! Tudo bem, é o mundo em que vivemos! E o que conta é que o Centro em que fiquei foi realmente repleto de Hospitalidade brasileira .... E petroleira!!!!
Assisti pela primeira vez a um GP de Formula 1. Num dos mehores locais de visualização, com farta cobertura gastronômica, e, o que é melhor, cercado de amigos. Só esta configuração já seria suficiente para garantir um caso de sucesso! Mas, foi ainda melhor, presenciamos uma reviravolta jamais vista! O último que tinha chances de ser campeão emplacou! Inacreditável! Vi nosso presidente apertando as mãos do vencedor. Infelizmente, ele também apertou a dos demais. Disse a ele que ele devia ter guardado aqueles fluidos por mais um tempinho. É verdade que o campeão fez sua parte vencendo a corrida, mas o poderoso Thor deve ter dado umas marteladas nas intencões dos outros candidatos!
Bem, tudo isso é uma introdução a um agradecimento.
A comunidade do buraco é, para mim, equivalente ao Reino de Pasárgada, do poema de Drummond: lá, sou amigo do Rei!!! Ou melhor, dos Reis! Venci minha timidez, e pedi a um deles, amigo de 25 anos, que infelizmente não poderia ir, e remeteu-me ao outro, amigo mais recente! Em outro ditado, a plebe diz: aproveita enquanto o Brás é tesoureiro! No meu caso, comecei pelo tesoureiro!
E tudo deu certo, milimetricamente!
Muito obrigado pela oportunidade, que ficará em nossa memória por muuuitos anos!!
Abraço aos dois!!! 

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

De Deus e Dos Homens

.... mas, antes de tudo, a Cidade é de Meirelles, Douglas e Darlan!
Pelo DVD, revi o grande sucesso do cinema brasileiro, Xuxa Gêmeas, quer dizer, brincadeirinha, Cidade de Deus, uma verdadeira obra-prima. A começar pela cena inicial (e final) com um show de câmera e movimento e som, com o maior desempenho galináceo da história, passando pela edição primorosa, um roteiro magnificamente conduzido com flash-back's nos pontos corretos, e um desempenho fantástico de atores, amadores em sua grandíssima maioria. Além, é claro da frase mais lapidar do cinema falado em língua portuguesa: "Dadinho, o caralho! Meu nome agora é Zé Pequeno, porra!" (sic). Ainda no DVD, um dos melhores 'making-of' que já vi, com a Oficina de Atores: uma psicóloga descreve o incansável e brilhante trabalho de transformar membros da comunidade em atores convincentes. Apesar de o trabalho ser bastante facilitado pelo fato de o filme passar no habitat natural da galera, é notável a técnica utilizada. Por exemplo, o método para se obter ódio na interpretação do ator que faz o Zé Pequeno, ou ainda, a emoção, o medo, o choro do menino que leva o tiro no pé, numa das cenas mais marcantes do filme. Todos os atores passaram por ela antes de serem 'entregues' a Fernando Meirelles, o diretor do clássico, hoje reverenciado mundialmente. Dentre os atores, Douglas Silva e Darlan Cunha, meninos ainda, com seus 10, 11 anos davam seus primeiros passos na carreira, antes de formarem a dupla dinâmica do novo século: Acerola e Laranjinha.
No cinema, vi Cidade dos Homens, estrelado pelos dois atores. Da época de Cidade de Deus para cá, os dois amigos, já com suas identidades secretas, foram crescendo na televisão em 4 bem sucedidas temporadas de Cidade dos Homens, na telinha, sob o olhar atento de Meirelles. Agora, eles chegam à tela grande, derradeiro capítulo da história dos dois personagens que chegam aos 18 anos. A produção é de Meirelles, que certamente atua como eminência parda do diretor, já que estão lá muitos dos elementos de sua grande obra. E a química entre os protagonistas segue afinadíssima.  O roteiro, simples e direto, envolvendo paternidade precoce, paternidade desconhecia, disputas do tráfico, vida no morro. Tudo muito cru, ao mesmo tempo tocante, com a vida dura da comunidade. As cenas de ação são tensas e transmitem realidade, longe daquela artificialidade do cinema tradicional americano carregado de efeitos. Os matados morrem de imediato, sem aqueles últimos segundos de agonia: leva o tiro e morre, pum!   E, tudo é muito assustador, pois é aqui, do lado da gente, perto de casa. Alguns comic relief  ajudam a aliviar a tensão, entre eles, o linguajar da galera que é imperdível.    
Enfim, vale a dica, pra quem tem um pouquinho de estômago!!!

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

O Futuro Pelo Ralo

Hoje, vou vestir a camisa de, como direi, chato ambiental, pra não usar aquele outro termo, trissílabo, mais chulo.  Não pretendo fazer um tratado sobre o assunto, posto que não sou especialista, apenas observo o que vai pelo mundo, estou razoavelmente antenado com o que andam dizendo por aí, o suficiente para traçar umas poucas linhas, como um humilde alerta! Não vou citar números, que não os sei, posso pesquisá-los depois, na internet.
Há gurus da energia que vêm dizendo que o petróleo vai acabar em 25 anos. Só que eu ouço esta previsão desde bem antes de eu entrar neste mundo do petróleo, bem mais que 25 anos. Ocorre que os especialistas se esquecem da evolução das técnicas de extração do ouro negro, que vem sendo encontrado em águas quase abissais, em áreas cada vez mais inóspitas, em rochas cada vez mais próximas do manto. Esqueceram-se de que o petróleo é uma commoddity (esqueci qual o termo em português para isto), negociado em bolsa de mercadorias, com preço regulado pela oferta e procura e que, enquanto os americanos o estiverem procurando, e gastando, e desperdiçando, e continuarem ameaçando guerras, o preço continuará nas alturas, justificando a roda-viva e os custos de se buscá-lo, não importa onde esteja, quietinho, esperando para ver a luz do sol. Tudo com medo de se ver rarear este bem que move o mundo. Hoje, os preços até recuaram um pouco, mas quando passar o pânico, ele retorna a um patamar que justificará todo o esforço. Este temor vem incentivando a procura por energia alternativa, antes considerada inviável: o preço alto para aquisição do bem vem também fazendo valer a pena o investimento. Está-se começando agora a plantar energia, a plantar petróleo, a tirar energia da terra. As empresas de petróleo vêm cada vez mais ampliando seu foco e se orgulham em dizer que, agora, são empresas de energia. Em médio prazo, o álcool e o bio-diesel podem vir a se tornar também commodities. Vai ter alguém precisando, indo ao mercado e pagando o preço que estiver valendo. O fato é que as previsões não vêm dando certo.
O alvo de outros gurus agora é outro. Inesperado, mas sério! Um outro bem da natureza está a abrir os olhos dos especialistas para o seu futuro: a límpida água, cristalina companheira nossa do dia-a-dia. De uns tempos para cá, o pessoal começou a fazer contas, medições, projeções, previsões e, um belo dia, alguém gritou: vai faltar água! E não era o cara da CEDAE, ou um administrador de condomínio, que de vez em quando avisa, um evento puntual, uma escassez momentânea, provocada por algum acidente ou mau funcionamento nas imediações de uma estação de tratamento, com hora certa para começar e terminar, causando um certo transtorno, o enchimento de baldes e panelas, a corrida para o banho, a antecipação de algumas tarefas, enfim, uma certa mobilização para o breve período de seca, para que a falta do bem aquoso não nos incomode muito.
O que esses novos gurus andam alertando é de uma amplitude bem mais preocupante, o buraco é mais embaixo! O crescimento da população mundial está maior que o crescimento da disponibilidade de água tratada, para lavar, dar de beber, cozinhar para esta gente toda que está chegando e que vai necessitar dela. É uma questão de cunho pornográfico, ou seja, é só pôr no gráfico que se vê que, um dia, as duas curvas de crescimento vão ‘estar se cruzando’, como dizem os adeptos do gerundismo explícito. Um pouco antes desse cruzamento, dizem os catastrofistas de plantão, a água terá virado commodity, seu controle estará nas mãos de uns poucos industriais, suas cotações serão conferidas na Bloomberg, enfim, o começo do fim. Hoje, a água custa algo, é verdade, mas é para remunerar os custos de quem a está tratando e disponibilizando em nossas casas. Neste futuro possível, as pessoas estarão fazendo contas diariamente para verificar se poderão ‘comprar’ aquilo que hoje está disponível, de graça, ou quase, e assim seguir vivendo: não há possibilidade de se viver sem este antigamente chamado elemento essencial, juntamente com seus pares, o ar, a terra e o fogo. Hoje sabemos não ser mais elemento, mas continua sendo essencial. E acho que nós, humildes mortais, podemos fazer alguma coisa para que também esta preocupante previsão não se confirme.
Colocando em termos matemáticos bem simples, a equação pode ser resumida assim: a água tratada que se produz é igual à soma da água tratada que se consome com a água que se desperdiça. Não vou entrar no mérito sobre a parte antes do sinal de igual: o que se produz é determinado por muitos fatores macro, que nossa atuação como cidadãos comuns pouco pode contribuir para melhorar. Passa por poluição dos rios, tratamento de esgotos, aquecimento global, e outros da estirpe, portanto longe de nosso alcance. Cientistas seguem pesquisando uma forma econômica de dessalinizar a água dos mares, o que poderá vir a ser a solução em algum tempo futuro. Governos, organizações não governamentais, instituições oficiais ou não, estão a tratar do assunto, ao menos deveriam estar tratando. Já do lado direito da equação, aí sim, temos muito a contribuir.
O foco aqui é a última partezinha da equação, mais à direita: o desperdício. O que se desperdiça é muito maior do que o que se consome, efetivamente. Podemos, sem a menor sombra de dúvida, mudar nossos hábitos e atitudes, nas coisas mais simples do dia-a-dia. E, ainda mais importante, ensinar às outras pessoas como fazê-lo.
Começo pela louça, e sua lavagem. Não vou nem falar aqui da máquina de lavar louça, um poço de desperdício de água e energia elétrica (que, aliás, é hidrelétrica!), em que vinte jatos do precioso líqüido fazem o mesmo serviço de uma boa passagem de esponja com detergente. Vou me ater ao relacionamento entre o ser vivente que encosta o umbigo (ou outras partes) na pia, e aquele conjunto de artefatos e instalações que se colocam à sua frente no momento em que começará o processo de lavagem: a louça suja do almoço, amontoada na cuba de inox (já começou errado!), a torneira, o lixito, a escova, o detergente. O ser ambientalmente inconsciente pensa: “O que faço primeiro?!!”. Ou melhor, nem pensa: ato contínuo, liga a torneira! No máximo! Sccchhhuááá! Aí, pega o primeiro prato, joga o grosso dos restos no lixito (e a água correndo!), bota o prato embaixo da torneira, pega a esponja, coloca o detergente na esponja, passa a esponja com o detergente no prato embaixo da torneira (e a água correndo!); deixa cair a esponja na cuba, enxagua o prato, passa uma mão, e, finalmente, coloca o prato no escorredor; pega o segundo prato (e a água correndo!) e repete os passos acima, sem a necessidade agora daquele passo do detergente, pois ainda tem um pouco na esponja, e coloca o prato a escorrer; pega o terceiro prato (e a água correndo!) e repete, desta vez, todos aqueles passos do primeiro prato, pois percebe: “Ih! Não tem mais detergente na esponja!” e assim segue sua operação (e a água correndo!) até terminar os pratos; depois começa a lavar os copos, quem sabe demorando um pouco mais para repor o detergente, aquele líqüido que “é baratinho!” (e a água correndo!); depois repete tudo do mesmo jeito com os talheres; as panelas; enfim, todo o resto, até ficar o escorredor cheio e a cuba vazia e a água correndo. Aí, somente aí, lembra-se de desligar a água, finalmente, silêncio no ambiente. Notaram que um dos artefatos que estava à frente do indíviduo sequer foi mencionado: a escova. “O que é que eu faço com essa escova?”, pensa o indivíduo!! A escova é fundamental para o processo correto, como verão!
Vocês não acham a descrição acima de arrepiar??! Eu fico arrepiado! Se você não fica, está na hora de ficar! A situação acima descrita é muito comum quando o indivíduo em referência é um empregado, ou, mais comumente, uma empregada doméstica, a quem você entrega seu patrimônio para cuidar. Entretanto, já vi muita gente boa, muito chefe de família de boas intenções, muita dona de casa de mancheias, que faz exatamente daquela maneira acima descrita. Notaram o detalhe do detergente a cada 2 pratos? Há necessidade disso? Pra que deixar o detergente indo embora junto com a água que está passando pela louça? É comum, deste jeito, o dono da casa gastar um vidro de detergente a cada 2 dias. Isto, sem falar na esponja, que vai se desfazendo muito mais rapidamente, com aquela esfregação toda debaixo da preciosa água que se esvai pelo ralo!
Então, se me permitem, vistam a carapuça ou não, vou descrever uma série de passos, que poderão ser seguidos por vocês, ou ensinados a seus ajudantes domésticos, ou a quem se encarregará desta nobre arte de lavar a louça. É do jeito que eu faço!!! Modestamente, sou um ótimo lavador de louça!!! Não vou exagerar e dizer que se lave a louça numa bacia, como eu já vi algum daqueles catastrofistas (será?) recomendar. Afinal, temos água corrente, vamos utilizá-la, sim, mas de forma inteligente. Senão, vejamos:
1.        Não acumule as louças na cuba da pia! A bancada, de granito, ou mármore, está lá para isto! Deixe a cuba livre! (parece até propaganda política ou, ainda, um drink dos anos 60 e 70!);
2.       Pegue os pratos, um por um, jogue os restos no lixito, empurrados com os garfos sujos, e vá empilhando, num lugar vazio da bancada;
3.       Pegue o primeiro prato com a mão boba, pegue a escova (lembram-se dela?) com a mão boa e  ..... o que fazer agora? ..... Ah, sim, veja que não falei ainda na torneira. Agora, sim, ligar a torneira com o que sobrar da mão boa! E não é necessário ligar ao máximo com aquele jato turbulento! Deixe o jato a meio pau, quando ainda se nota a água em toda sua translucidez!!! Escove, com a escova (sic), o resto que sobrou do prato, debaixo da água corrente, na frente e atrás; a escovada úmida deixa-o quase limpo; empilhe-o em outra sobrinha da bancada (sempre há!), repita o procedimento para os demais pratos e desligue a torneira!! Ah, antes de desligar, dê uma molhadinha na esponja!
4.       Notou que eu nem falei de detergente ainda? Somente agora, com os pratos quase limpos, é que se pensa nele! Passe o detergente na esponja, poucas gotas são suficientes! Pegue o primeiro prato com a mão boba, a esponja já está úmida e  ..... o que fazer agora? ..... Ah, atenção, não precisa ligar a torneira de novo! Passe a esponja nos pratos e vá empilhando, aí sim, a seu critério, na cuba, ou mesmo num outro lugar vazio da bancada (haja bancada!). Você notará que aquela carga de detergente inicial dura muito, afinal, os pratos estão quase limpos!
5.       Só então, ligue a torneira novamente, enxague os pratos e coloque-os no escorredor, desligando a torneira ao final!!
6.       Repita os passos acima para copos, talheres, panelas, vasilhas, tudo o mais!

Note que você diminuiu, entre uma atitude e outra, a quantidade de água escorrendo, de início, uns 30% a 40%, ao não abrir a torneira toda. Depois, só se ouve o doce som da água corrente durante os breves segundos em que ela é realmente necessária. A economia total entre um procedimento e outro é superior a 95%, eu garanto. Isto, sem contar a esponja e o detergente. Você deverá ter re-alimentado a esponja com o produto umas 2 ou 3 vezes, no máximo. Talvez um pouco mais no caso de panelas reticentes. Esta última economia entra no capítulo, não da água, mas da racionalização dos produtos de limpeza, que impacta diretamente no nosso bolso e que, na maioria das vezes, é difícil fazer uma ajudante doméstica entender: não é a quantidade do produto que limpa, é a força, o empenho, coisa que é difícil obter. Produto demais até estraga, às vezes.
A ênfase de minha mensagem foi na lavagem de louça. Fiquem tranqüilos que não vou ficar aqui ditando normas e procedimentos detalhados para os demais usos aquáticos. Isto aqui não é um manual. Exagerei na dose aí em cima, pois eu fico chocado com aquele jeito, eu diria, burro, estúpido, boçal, de agir! Vou passar pelas demais facetas do desperdício assim, de passagem.
O banho, aquele que é o maior gerador de desperdício de água doméstica, requer uma sugestão muito simples: use a água apenas quando precisar molhar as partes do corpo! O normal é o sujeito (a) ligar a água, no máximo, e ficam lá 10, 20 minutos com aquela água toda caindo sobre o corpo, ou direto ao chão, enquanto se ensaboa aquele último. Pense bem, é necessário? Há uma maneira mais simples, direta, econômica, rápida, consciente: molhe a cabeça, desligue a água, pegue o shampoo, passe na cabeça, esfregue quanto tempo quiser e só então ligue a água de novo (ih, lá estou eu com meu passo a passo, não resisti!). Depois, molhe o resto do corpo e desligue de novo a torneira, curta aquele momento de limpeza corporal no silêncio de seu banheiro, sem o barulho da água correndo, se esvaindo, sendo desperdiçada, indo embora à toa. Admire o som da esfregação explícita! Vá pensando na vida, quem sabe até cantando, e só quando acabar gire de novo a torneira. Se for mulher e tiver trocentos cremes a passar no cabelo e no corpo, repita trocentas vezes o ligar/desligar da água. É simples! Aqui, também a economia é perto de 90%. Aliás, tem casos em que é próxima de 100%, no caso dos adolescentes, por exemplo: já notaram quanto tempo aqueles seres incompreendidos demoram no banho? Trinta, quarenta minutos, às vezes! Compare com os 30 ou 40 segundos (um pouco mais, vá lá!) de água corrente que são realmente necessários. Os meus já foram doutrinados! E até implementaram a tática do patrulhamento ostensivo. E os seus? Pense bem: aonde você encontra um nível de economia desses com uma simples decisão estratégica? Sei que você vai reclamar do friozinho, mas um pequeno sacrifício não mata ninguém e é muito bem-vindo. Ah lembrei de outro ponto: e o banho quentinho? É bom, não, dá vontade de ficar sentindo a água atingir todos os meandros do corpo, que gostoso! Tudo bem que no inverno, é meio difícil, vá lá, mas no verão, faça um bem pro seu corpo: banho frio nele!!! E no inverno, faça o seguinte, pegue uma bacia e acumule a água fria que seria desperdiçada até ficar quentinha. Mais adiante, eu explico porque! Se você agir, ao menos em parte, conforme recomendado aí em cima, você acaba o banho com a sensação do dever cumprido. E a Terra agradece!
Escovar os dentes e fazer a barba, mesma coisa: nada de água correndo o tempo todo. Liga quando precisa / desliga / segue em paz. Também aqui sugerem usar um copo com água e deixar a torneira fechada o tempo todo. Não requer o exagero! Ainda no âmbito banheiral, as descargas têm que estar reguladas: é um absurdo o que vai embora de água a cada aliviada, seja para a Número 1 ou para a Número 2. Tem gente pensando numa medida radical, de adaptar o sistema dos aviões, de pressão zero, às residências, mas isto requeriria um enorme investimento, de mudança das instalações. Quem sabe nos novos, por vir! Enquanto não vem, faça o seguinte: lembra daquela aguinha acumulada numa bacia enquanto a água esquenta durante o banho? Jogue-a na privada que vai tudo embora, e você nem apertou aquela válvula de descarga normalmente desregulada. Às vezes, uma bacia dá pra dar duas, rapidinhas! Exagero? Pode ser, mas faz sentido!
Saindo de casa, mas não indo tão longe, tem o condomínio onde você mora. E a conta do condomínio, que você paga todo mês. Se você não é síndico, ao menos preste atenção no balancete que ele lhe manda, todos os meses. Note que a despesa com água está lá entre os 2 ou 3 itens mais caros, atrás de despesas com pessoal, rivalizando com a eletricidade e elevadores, representando de 10% a 15% dos gastos mensais, dependendo do número de unidades habitacionais. Fique de olho, converse com o síndico, observe como são lavados os queridos carros, convença-o a proibir a lavagem com mangueiras: no máximo, um ou dois baldes d’água por carro. Duas vezes por semana, pra quê? Uma vez é suficiente: um carrinho levemente empoeirado da cidade é até charmoso! Lavar garagem toda semana, pra quê? Uma vez por mês é mais do que suficiente para um chão que está lá só para sentir o peso dos carros; nem visita recebe! Jardins?! Espere a chuva; as plantas não vão morrer! A grama pode até não ficar tão verdinha, mas morrer, não morre. Já viu floresta morrer? Nada, sofre, fica murchinha, mas volta à vida com a primeira borrifada, logo fica viçosa novamente. Apele para a água só depois de muitos dias de estiagem.  Aos privilegiados que têm aqueles tanques de 4 metros cúbicos batizados de piscina, ou mesmo quem tem aquelas de verdade, mantenham-nas bem cloradinhas e tratadinhas, que a água pode ficar sem ser trocada por 3 meses, ou mais. 
Se não for para preservar o futuro de seus filhos e dos filhos deles, que seja para preservar o seu presente, o seu bolso: uma diminuição consistente no consumo de água pode levar a assembléia do seu condomínio (que você nunca vai!) a decidir por uma diminuição da cota condominial (que você nunca viu!). Pode acontecer! Quanto à conta, é bom também dar uma calibrada nos hidrômetros, vez por outra, esvaziando e enchendo as caixas d’água, medindo as leituras antes e depois. Eles podem estar medindo a passagem de ar: Já é duro pagar pela água, muito mais doloroso pelas volumosas bolhas de ar, que também é precioso, porém inútil neste caso!
A grande economia, entretanto, seria se todos os queridos condôminos, pais, mães, filhos e agregados agissem conforme as boas práticas da consciência aquático-ambiental. Uma boa campanha, bem humorada, que leve mesmo aqueles mais espírito-de-porco a pensarem, pode levar a uma mudança de atitude. Cada um pode fazer sua parte, como o passarinho da história do Betinho, ajudando a apagar o incêndio da floresta com o pouquinho de água que carrega no bico, em incontáveis vôos. Bom, pensando bem, a contribuição do passarinho era nula, porém muito simbólica. A nossa contribuição, já que somos um pouco mais racionais, tem um efeito muito maior que zero, e pode fazer a diferença.
Enfim, inaugurei minha fase de chato ecológico, mas, estou seguro, é por uma boa causa!  Minha próxima manobra será conseguir um posto no Ibama! (HeHeHe)