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quarta-feira, 28 de abril de 2021

Something in the way she wooes me

 Esta é a  canção do Lado A do LP Abbey Road

a história do álbum, cenário, assuntos e canções, aqui neste LINK

É uma de 27 canções de Amor por Garotas

                                        as demais 26 canções de mesmo Assunto e Classe, neste LINK

Atenção, canções com títulos em vermelho 

são links que levam a análises sobre elas.

2. Something  (Love Girl Song by George Harrison)

George se declara: "Alguma coisa em seu jeito de andar me atrai como nenhuma outra. Alguma coisa no jeito como ela me seduz. Eu não quero deixá-la agora. Você sabe o quanto eu acredito" 

O maior momento de George no disco Abbey Road veio logo na segunda canção e merece alguns parágrafos especiais e até uma digressão, afinal é o biggest moment de George em sua carreira Beatle. Trata-se de 'alguma coisa' especial, ou 'Something' special. Tão especial que mereceu um lançamento em Lado A de compacto Beatle, deixando a ótima 'Come Together' no Lado B, e John não reclamou nem um instante, e eu ainda soube recentemente que ele inclusive sugeriu que ela fosse o Lado A (Yoko contou para Olívia, as duas já viúvas). Foi a primeira e última ocorrência deste tipo na história dos Beatles. Trata-se de uma das mais regravadas canções Beatle (perdendo apenas para 'Yesterday'), inclusive pelo Rei Elvis e o grande Frank Sinatra. Este último elegeu 'Something' como a mais bela canção de amor de todos os tempos! E olha que o 'old blue eyes' entendia do assunto. E, cá entre nós, ela merece a alcunha:  Olha só o começo da canção 'Something in the way she moves attracts me like no other lover, something in the way she wooes me...' Eu me arrepio ao escrever este trecho da letra, aliás... 
 
Pausa para digressão anglo-linguística!
E reparou no último verbo, 'woo'? Tenho quase certeza que você não conhecia, mas nem precisa dicionário, precisa? '... alguma coisa no jeito que ela me uuuuuuseia'. Esta é uma beleza do idioma inglês: a facilidade com eles substantivam um som, e depois verbalizam, ou seja, colocam ação no substantivo resultante, é uma grandeza. Então, 'She made a woo sound to me!' se transforma rapidamente em 'She gave me a woo!' para logo depois virar 'She wooed me!'. Mágico! A tradução pra o português resulta em 'flertar'. Chega a ser sem graça!
Fim da digressão anglo-linguística!

E antes de passar à parte musical quero deixar bem clara minha classificação da canção como LOVE GIRL SONG! É George falando para Pattie, sua então esposa, e inspiração desde 1964. Eu fiz questão de capitalizar o assunto que defini, porque, à época o George estava numa de dizer que toda canção dele era falando com Deus, e disse que Something era uma delas. SAI PRA LÁ!! Vou destacar algumas partes da letra "the way SHE moves", "the way SHE wooes", "Somewhere in HER smile SHE knows", "Something in HER style", "I don't want to leave HER now""Something in the way SHE knows""And all I have to do is think of HER"Ora, vá plantar batatas! Quer me enganar que conversava com Deus? Acresça-se que as principais divindades indianas, que é onde ele se descobriu em 1966, Brahma, Vishnu, Krishna, e até mesmo Shiva, que tem uma aparência feminina, são masculinas. Sorry, George! Aliás, se fosse uma conversa com Deus, por que você aceitou fazer aquele filme promocional, lindo, com os quatros casais Beatles em ternas imagens, incluindo edição mostrando Pattie andando, Pattie olhando e Pattie sorrindo, enquanto você os verbos correspondentes na letra? Deixo o filmezinho aqui, neste LINK, pra vocês!
 
 
A melodia de 'Something' é linda, suave, triste, a gente se arrepia já na introdução, de bateria e guitarra, o solo de guitarra de George no meio da canção é o mais lindo da história do rock, e na hora da ponte "You're asking me will my love grow, I don't know, III don't know!', a bateria de Ringo é inesquecível. Ela já estava quase pronta em setembrode 1968, quando apareceu no estúdio assim como quem não queria nada, quando George a cantou para Chris Thomas, dedilhando seu começo no cravo que ele ia usar para Pixies e o engenheiro se impressionou, e sugeriu que gravasse aquela canção. George perguntou: 'Você acha boa mesmo?', veja só! E ele pensou em dar para um outro gravar, um certo Jackie Lomax, artista novo da Apple, mas ele escolheu outra, veja só! E ele a deu para Joe Cocker e ele aceitou mas, felizmente, atrasou o lançamento para o final do ano e nesse meio tempo, George finalmente ganhou confiança para gravá-la com os Beatles, e deu no que deu! Insegurança, teu nome é George Harrison! 
 
Depois daquela amostra ao cravo, ele escreve outro verso e a melodia da ponte, e a traz para as sessões do Projeto Get Back, em janeiro de 1969, e pede sugestões de letra, e John sugere as linhas que seriam a finalização de todos os versos: "I don't want to leave her now, You know I believe and how". Incrível, não? Bem poderia então ser uma Harrison/Lennon, mas não foi o caso. Apenas um mês depois, em 25 de fevereiro, ocorreu o primeiro dia oficial de gravação, no formato demo, apenas George e sua guitarra, várias, e também piano. Uma parte dessa sessão sobreviveu e foi lançada no Anthology 3, e deixo aqui o LINK pra vocês, principalmente para mostrar uma letra que não sobreviveu, que ele cantava na sessão solo. Em abril, houve uma sessão estranha, sem a presença de Ringo, Paul tocou bateria e John o baixo, foram 13 takes, todos jogados fora. Duas sessões jogadas fora, aliás, pois tudo começou de novo, do zero, em 2 de maio, e então foram 36 takes, o último válido, com a base com John ao Piano, George nas duas guitarras, Paul no baixo, e Ringo na bateria. Três dias depois,  a sessão foi no Olympics Studios, e foram somente dois overdubs, George na guitarra e Paul no baixo, mas num sentido inverso do que se espera na evolução de uma canção: ele passa de uma tocada mais burilada, para uma mais simples ao final, a pedido de George, que não queria porque não queria que o baixo tivesse destaque em sua canção. Coisas daquela época... 
 
Quase dois meses se passaram, e apenas nesse tempo foi decido que um novo álbum seria gravado. Dia 1 de julho recomeçaram as gravações, e no dia 11, Something estava de volta! George gravou seu vocal e Billy Preston aparceu para brilhar com seu órgão. Nesse ponto, decidiu-se que o piano de John seria eliminado da versão final. E ele não mais voltou. Não existe John em Something!! Paul gravou um piano depois. Após uma mixagem no começo de agosto, George percebeu que uma 'orquestrazinha' iria bem! Que bela decisão! Encomendou o arranjo a seu xará Martin e, no dia 15, aquele magnífico som veio ao mundo! E não só da canção de George, mas de outras quatro de Abbey Road, incluindo a outra dele, Here Comes The Sun.  E foi uma extensa sessão com muitas horas extras pagas aos músicos, e uma conjugação de armengues para fazer com o gravador de oito canais de um estúdio fosse conectado com o Estúdio 1, aquele enorme, que não dispunha do console! Calro que deu tudo certo. E decerto, Abbey Road é o álbum com mais participações orquestrais da carreira dos Beatles! 
 
Entretanto, o mais marcante dessa já marcante sessão, é que George resolveu refazer o seu solo, sim, aquele magnífico solo de guitarra, o mais fenomenal solo romântico da história do rock. Só que.... não havia mais espaço na fita. O último canal tinha que ser o mesmo da orquestra. Ele teria que tocá-lo ao vivo, e sem falhas, para não vazar sons indesejáveis para os outros microfones! Ao ser colocado sobre o problema, George não teve dúvidas: "I'll do it!". 
 
E olha o que ele fez, ouve o que ele fez, sente o que ele fez!!! 
Un parfait Gran Finale pour une Grand Chanson!! 
Enfim, uma grande bola dentro de George. A melhor de todas, em minha opinião! E o mundo assim o percebeu. George a tocou nos dois únicos shows que fez ao vivo em sua carreira solo, Concerto para Bangladesh, e Live in Japan, vocês podem encontrar facilmente. Deixo pra vocês a melhor interpretação da canção, em minha opinião, que foi no Concert for George, neste LINK. Não vou nem descrever, pra vocês sentirem a emoção, a entrada de Paul no ukulele, e depois o arranjo completo, com Eric Clapton cantando, e com Ringo na bateria!

9 comentários:

  1. Disse tudo! Música e letras maravilhosas, base e orquestração impecáveis. Não dá para imaginar a gravação com aquele verso que George cantou na demo e foi - bem - excluído.
    O detalhe do solo, enfiado na pista da orquestra, é prova do começo da autoconfiança de George, quando se sentia seguro do que queria.

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  2. Ficou legal sim seu comentário sobre a música ser para Pattie. Mas...eu e meus mas...Ele não disse que a letra era para Deus. Ele teria alterado a letra depois porque lhe foi dito que era uma música tão bonita que devia ser dedicada a Pattie. Pelo que entendi, e posso ter entendido errado, Deus foi a inspiração. A melodia teria vindo como algo a ser dedicado a Deus. A letra realmente não tem como esr para Deus de forma nenhuma. E Pattie no seu livro afirma que foi para ela.
    Ele também falou que a video clip não foi ideia dele. Nâo foi feio pelos Beatles como os outros sempre foram. Coisa lá da Capitol. O que era lançado nos Esados Unidos eles não tinham controle.

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  3. Muito legal Homerix! O Abbey Road foi o álbum que me introduziu aos Beatles, gosto dele de ponta a ponta, e Something sem dúvida é o destaque, harmonia, melodia e arranjo impecáveis.

    A propósito, sou Vitor, filho de Flávio. Ele comentou que compartilhou a produção caseira que fiz de For No One, espero que o mestre tenha aprovado! haha

    Abraços

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  4. Maravilhosa história de _Something_, gravada, depois, inclusive, por Elvis Presley e Frank Sinatra, é a grande joia exclusiva da lavra de George Harrison.
    Pensar que George não se sentia seguro e queria dar para outro gravar. Seu magnífico solo de guitarra abrilhanta a interpretação, e “não existe John” em _Something_. Show! 🎶 🎵

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  5. Em relação aos Deuses hindus uma correção
    Deuses são femininos e masculinos ao mesmo tempo
    Jamais um ser onipotente se limita a um sexo..
    Essa visão "católica patriarcal" de um Deus "masculino" é muito limitada e subjetiva.
    George não via mais o amor como um sentimento particular egoísta tanto é q perdeu a mulher para o amigo e nem se abalou..
    Mas com certeza essa música pode ser interpretada de diversas formas pois o amor tem várias facetas.

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  6. Musica da alma, simplesmente a alma de harrison

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  7. Amigo, li em alguns sites internacionais que o piano do John nao foi retirado totalmente. Mas apenas em partes da musica, mas ele aparece em alguns trechos, em especial os de C Maior. Sera que existe chance disto proceder?

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    1. Interessante isso. Homero pode saber porque é uma área que ele entende a fundo. Espero que nos informe.

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  8. Preciso apurar meu ouvido para perceber!!

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