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quinta-feira, 7 de abril de 2016

Bomba-relógio de 10 anos

5 anos depois, será que algo mudou
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Não havia visto escrito em lugar nenhum uma associação como esta.

Um psicopata saiu atirando em escola, e matou (por enquanto) 12 crianças... frieza, execução, tiros preferencialmente na cabeça ... E ele tinha um alvo muito bem definido: meninas entre 12 e 14 anos... Inclusive um dos sobreviventes, um garoto, disse que  o assassino, diante de seu pavor, disse:
           "Pode ficar tranquilo, gordinho, você se livrou dessa." (ou algo assim)

Livrou-se por ser menino, ou por ser gordinho?

O assassino era um ex-aluno da escola, aliás, o que facilitou sua entrada. Ele estudou lá entre 1999 e 2002... Ou seja, na época em que ele tinha entre 11 e 14 anos de idade... Justamente a idade de suas vítimas. Ele escolheu aquelas salas, porque sabia que lá estudavam crianças entre 12 e 14 anos.

Teria sido ele discriminado por meninas, quando estudou lá?

Seria um caso de revanche a bullying com efeito retardado em uma década?

No Globo de sábado, depoimentos dos colegas da ápoca confirmaram o que eu disse! O bullying era praticado de várias maneiras, mas o que deve ter marcado mais foi o das meninas, ainda que instigadas pelos meninos, por sua proximidade a um outro colega, efeminado. Ou seja, bullying e homofobia!

Bingo!

Domingo, na Globo, três momentos importantes:
  1. No Faustão, uma psicóloga, escritora, especialista em esquizóides, lamentou profundamente o fato de as três principais revistas semanais estamparem na capa a foto do criminoso, ao invés da do Sargento Alves, que evitou uma tragédia maior. Pena que ela foi miseravelmente interrompida pelo ex-gordo, como sempre, e não pôde completar o raciocínio. A delaração dela é na linha dos comentários aí debaixo, no meu post: a desenecesária glamourização do indivíduo. Um pouco antes, o Capitão Nascimento, digo Rodrigo Pimentel, também presente, já havia exaltado a ação do policial, que não esperou pra ver como era o ambiente e foi subindo as escadas na direção do som dos tiros. Coisa que a polícia de Columbine foi criticada por não fazer: eles esperaram muito!
  2. No Fantástico, uma entrevista com alguns dos perpretadores do bullying sobre o asssassino, 10 anos antes, em que um deles diz: "Acho que nós temos uma parte da culpa!" Muito bem! Eu gostaria mesmo é que o episódio, se não serviu pra nada, servisse de alerta para essa juventude gozadora, inconsequente, e muitas vezes cruel, para que pensem bem antes de hostilizar um sujeito tímido, ou com alguma coisa diferente deles.
  3. Ainda no Fantástico, a entrevista com a professora da primeira sala. Eu tenho uma opinião, mas é melhor nem comentar, afinal, só estando lá, com um doido atirando na sua frente é que daria para saber exatamente qual atitude eu teria.

Este é um evento em que é difícil se encontrar razões, culpados (fora o assassino). E difícil também pensar em prevenção. Talvez a colocação de porteiros treinados para perceber homens suspeitos entrando com volumes de munição escondidos. Na escola, não havia nem porteiros.

Falando em causas, hoje, quarta-feira, o meu chará Zuenir resumiu, com a proficiência de um cronista, tudo isso que eu achava. A causa pode ter sido uma conjunção de causas, mas ele defende que o bullying deve ter sido o fator primordial, o desencadeador de tudo. Veja abaixo, principalmente os 3 quadros que eu ressaltei: a(i) a declaração do assassino (ii) a confissão dos atos de bullying e (iii) a proposta de Zuenir:



Bingo, de novo. Tinha que ser um Ventura (HeHeHe)

Enfim...


Uma tragédia... anunciada...

Entramos no mesmo rol de Estados Unidos, Japão, Alemanha, Austrália...

Este era um costume de Primeiro Mundo que certamente poderíamos ficar sem....

Homero Chocado Ventura

6 comentários:

  1. O que me preocupa é o despertar de outros psicopatas com a mesma idéia. O garoto agora é famoso, a mídia só fala nisso, repetindo e repetindo os fatos, já exaustivamente divulgados. Aí, vem um infeliz e, no seu delírio, pensa: Se eu matar mais, com uma automática (por exemplo) fico mais famosos que o Wellington... É como uma peste, o risco de contaminação é grande, precisamos aprender com a tragédia para evitar outras ainda maiores.

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  2. Concordo plenamente com a Anália. A mídia ajuda a estimular o efeito da causa (ou a causa do efeito?

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  3. Mais uma voz de apoio à Anália. Já tinha comentado pessoalmente e agora deixo aqui registrado mais esta crítica à nossa imprensa. Não existe um mínimo de bom senso; apenas o desespero para vender notícia.

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  4. Homero

    A curiosidade mórbida dos seres humanos move montanhas. BBB é o grande exemplo disso. É um programa assistido por todos os níveis sócio culturais da população, aqui e no mundo.

    Na manhã seguinte fazendo ginástica no CPS. todas as TVs ligadas na Globo. O jornal da manhã foi praticamente inteiro sobre o assunto. A repórter não buscava informar. Fazem as perguntas mais estúpidas possíveis para os familiares, não respeitando a dor das pessoas.

    Entrevistam, Deus e o mundo. O vizinho, o motorista do ônibus, qualquer um que um dia já tenha visto ou falado com o rapaz. Ninguém pode realmente dizer que o crime foi consequência de uma doença, mais anos de humilhações. Porque não é isto que queremos ouvir. Por isso o Faustão não deixa a profissional falar sobre a capa da revista. O policial que cumpriu o seu papel não vende, não temos curiosidade sobre ele.


    Hoje vindo para o trabalho ouvi no rádio que o corpo do rapaz ainda está no IML. A família não tem coragem para reclamar o corpo. A casa da família em Realengo, pelo que li no jornal também foi pixada e o portão destruído.

    Sds,

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  5. E pensa...
    O bullying sempre existiu, entre colegas, e o que é mais sério, aquele que vem dos educadores, que desconhecem os tratos que deveriam ter com seus discípulos, os sim problemáticos e os não problemáticos... a coisa é complicada, assim que hoje está no rol das atenções de "coisas de relacionamentos humanos"... respeito, compreensão, compaixão e toda sorte de comunicação. Há que saber brincar, gozar, enfim, com os cuidados nas interpretações.. vejam os cartunistas... daqui em breve os seus alvejados, estarão sentindo-se bullyingnisados!!!!!!!!!!!!!!
    Paulus

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  6. Homero, sempre equilibrado e sábio! É claro que a situação deste rapaz chegou a extremos, tanto como vítima quanto como algoz. Como diz um ditado em latim, " A virtude está no meio". Atualmente qualquer brincadeira mais pesada é "bullying". A fronteira entre a brincadeira e o bullying é muito tênue. No passado, não havia esse cerceamento e todos crescemos saudáveis e felizes. No entanto, o colégio tinha o direito de utilizar suas ferramentas de punição: suspensões, advertências e expulsões. O "bullying" é consequência direta do excesso de libertinagem (não é liberdade) que não pode mais ser coibida com a legislação atual. Perdemos a virtude do meio e vivemos nos extremos. "Vida longa e prospere" !! :)

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