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domingo, 21 de dezembro de 2008

Um 2009 bem melhor

Homero Ventura


Vem aí 2009....
2008 já vai tarde!!
Que a esperança se renove!
Que ele chegue com alarde!

O ano velho, eu dispenso,
Vou esquecer e deixar pra lá!
Na média, foi muito tenso.
A nota? Não deu pra passar!

Seguimos com aquelas mazelas
No país, estado e cidade.
Violência, seqüestro, querelas,
Desespero, terror, crueldade.

Crianças jogadas do alto
E outras por bala atingidas.
Os culpados soltos no asfalto;
As famílias findas, perdidas.

Dos céus, não cairam aviões,
Mas muita água desceu!
E afetou multidões,
Comovendo você e eu.

Foi grande a mobilização
Para ajudar o desabrigado,
Mas maior foi a indignação
Com o produto saqueado.

Do congresso até se supunha
Que fossem melhorar de imagem!
Mas seguem merecendo a alcunha:
'Os Unidos na Sacanagem'!

Pois não é que na calada da noite,
Senadores repetem seus pares,
Na decência descem um açoite,
Parindo vereador aos milhares?!

O mundo em crise eclodiu.
Não deixou um só grande impune.
E o passar do tempo ruiu
Com a ilusão de um Brasil imune.

A cascata foi de arrasar
Sem deixar vestígio de tinta!
Ninguém ousaria imaginar
Um preço do óleo a 30.

Agora, pensando melhor,
Serviu pra ficarmos maduros,
E também a um bem maior:
Deixar Chávez em apuros!

De bom mesmo, foi pouco.
Que bom que o ano vai acabar!
Leva junto o blogueiro louco,
De quem vamos nos livrar!

A Polícia Federal fez sua parte,
Com operações de nome sagaz!
Com planejamento, ação e arte,
Deixou bandidos com a pulga atrás!

Um deles tentou de tudo
Pra deixar tudo como Dantes.
Mas um juiz não ficou mudo:
Um certo cara, De Sanctis.

O São Paulo foi uma barbada,
E se deu bem o Coringão.
Meu time não foi de nada,
Mas foi melhor do que o Vascão.

Massa foi quase campeão,
Mas a Ferrari só deu mancada!
Meteu os pés pelas mãos,
E selou com uma mangueirada!

Foi um fracasso em Pequim, acho.
Manchetes de ouro ficaram no prelo.
Foram 4 anos por água abaixo.
Ao menos, as meninas chegaram ao Cielo!

A boa nova vem do grande irmão:
A black brother in the White House.
Um recado para a administração
Que deixou o mundo no caos!

Vade retro, maldito arbusto!
Chega ao fim a tua jornada!
Leva de nós um belo susto:

Que venha logo o novo ano!
Que afaste o ódio e a cobiça!
Que aplique em cada ser humano
Doses fartas de ética e justiça!



Feliz 2009
Homero Ventura

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

A Bola de Neve derreteu

Infelizmente, o Los Bife não foi um dos 3 artistas selecionados entre 474 inscritos para participar do festival.
Pelo menos,  valeu a divulgação!
Espero que tenha gostado do que ouviu (se não ouviu, ouça!) no site www.losbife.com.br  !!!
E gostei muito de minha pequena campanha, a la Francisco (o pai dos 2 Filhos de Francisco), com outros métodos.
Ela rendeu 90 dos 190 comentários lá 'postados', que eu anexo aí embaixo.
Eles ficaram em 15º lugar na lista dos mais comentados.
O 1º lugar teve 450 comentários .... e nem foi escolhido.
Como brinde pela sua contribuição, anexo um link de duas novas músicas do Los Bife, que não estão no disco Los Bife Ao Ponto, aquele que está no site!
'Figurinha Repetida' de autoria do Felipe
'Bata Palmas, Mary' de autoria do Igor (o cantor)

Se não conseguir abrir o link do U Tube, mande para casa e veja/ouça/leia o vídeo/música/letra no aconhego do lar.
Como verão, a fonte não acabou no primeiro disco, que ainda não foi nem lançado.
Será um dia, e eu avisarei aonde está vendendo (HeHeHe).
Abraço

Homero Com o Dever Cumprido Ventura

sábado, 6 de dezembro de 2008

Los Bife e a Bola de Neve

Colega, se já comentou, obrigado. Se ainda não, perca um tempinho e faça-o, se puder.
O Los Bife (é um bife só!) agradece!
Aliás, faça mais do que isso! Confira no site www.losbife.com.br a performance da banda. Se tiver fone de ouvido, é bem melhor!
Meu filho é o Felipe Pacheco, o 'F' do nome da banda. Ele é o guitarrista, tecladista, violinista, backing vocal e compositor de várias das faixas, entre elas Rindo de Mim, e quase toda Amy, além de arranjador de todas elas. Aliás, se não ouviu Amy, faça-o: a letra é marcante e o violino (do Felipe) é tocante! E preste atenção nas letras, bem humoradas. Aliás, não contribuí em nenhuma delas.
(vez por outra aparecem umas palavras meio, como direi, duras, mas estão totalmente inseridas no contexto!)
ATENÇÃO:    A boa nova é que foi estendido o prazo para enviar comentários. Acho que o resultado sai dia 15. Então, dá para fazer um esforço de divulgação adicional. Se puder (e achar apropriado e merecedor), fale para seus parentes, e amigos de fora da Petrobras. Aliás, a firewall da empresa não está bloqueando.
Isto tem que se tornar uma Bola de Neve, para o bem do Los Bife (no singular). Acho que eles merecem!!! São muito poucas vagas, e são quase 200 bandas (a vida é dura!).
Eis o procedimento:
Para a banda Los Bife (atenção, é sem o 's'), do meu filho Felipe, se apresentar no Humaitá Pra Peixe (magnífico trocadilho!), que é muito conceituado no underground carioca, ela precisa do seu comentário.        
Tenho quase certeza de que, ao ouvi-los, terá vontade de fazer um comentário positivo. Se assim não foi, conte uma mentirinha....
 Entra no link http://2009.humaitaprapeixe.com.br/oinovosom/los-bife/, vai até o final, coloca seu nome (pode ser fictício), email (tem que ser verdadeiro), esquece o tal 'site' que eles pedem pra colocar, e escreve qualquer coisa que recomende a banda dele, o Los Bife (sem o 's'), ser escolhida para participar do festival.                                                  
Para ajudar no comentário, e se não teve tempo de formar sua própria opinião, dá uma vista  d'olhos em alguns comentários anteriores e faz uma compilação.
Não é apenas o número de votos que conta, eles fazem uma triagem, ao menos dizem que fazem! Duas ou três linhas já bastam.              
Ó, tem que ser uma mensagem por computador, senão, anula-se a repetida!
Abraço e mais uma vez, OBRIGADO!!!

Homero Pai Insistente Ventura
(Em tempo, você assistiu ao filme '2 Filhos de Francisco'? Qualquer semelhança não é mera coincidência, apenas os tempos e os métodos são outros...)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Storm on a Glass of Water

É o que estão fazendo por causa do discurso de do nosso presidente.

Falando sobre a crise ontem, ele proferia mais uma de suas metáforas, dando alternativas sobre como tratar um paciente muito doente,
         se oferecendo o melhor tratamento possível, dado o avanço da Medicina, ou
         "... você vai chegar pro cara e dizer:
                    Meu amigo, sea food??"
 (clique aí no azulzinho...)

Só porque ele resolveu dar um conselho na língua do Obama, e quis contribuir para a saúde do indivíduo, de uma forma natural, orientando um tipo de alimentação nutriente, rica em iodo, saudável, o pessoal fica pegando no pé presidencial.

Pessoal não é mole, não ...

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Um Dia Fausto

Depois daquele péssimo dia de notícias no Bom Dia Brasil (Sexta-Feira 13 +1), fiquei meio sem vontade de assistir ao matinal, para não seguir me desanimando.
Ontem, porém, antes de sair de casa, dei uma olhada rapidinha na primeira página d'O Globo, e notei duas coisas interessantes: a condenação do Daniel Dantas e o fim das bocas de fumo no Dona Marta (acredita?), devido a uma ocupação ostensiva da polícia.
No tal caso Satiagraha, o juiz Fausto de Sanctis, sempre ele, condenou DD à prisão de 10 anos (mais alguns milhões de multa), por tentativa de suborno de um delegado da PF. E seguem os outros processos. Se ele vai pra cadeia, acho que não, mas esse tal de De Sanctis está determinado a ferrar com o grandão do colarinho branco. E foi buscar em Nieztsche uma citação que aquele havia ido buscar no grego Píndaro, para defini-lo como uma personalidade desajustada. O cara estava inspirado e a cara dele aparece na primeira página e depois, na página da reportagem. Uma exposição estupenda.
Aí, resolvi assistir ao Bom Dia Brasil de novo, na academia.
E veio a reportagem do Daniel Dantas, boa, confirmando o que eu havia lido, mostrando também a cara dos outros condenados, enfim.
E veio uma outra, também boa, sobre Brusque, Santa Catarina, cidade que foi pouquíssimo afetada pelos dilúvios recentes, apesar de ter sido uma das piores vítimas da enchente de 20 anos atrás. Por que? Porque um prefeito resolveu fazer o que deve, e fez obras de contenção, canalização, enfim, o básico, apenas teve disposição para fazê-lo. Os demais, nada fizeram, o que provocou mais de 100 mortes.
E não vi nada sobre o Dona Marta, mas depois, na Band News, o Boechat menciona (outra boa) que também, pasmem, a Cidade de Deus estaria livre do ofício (duro de acreditar!). Infelizmente, esta última era ainda a confirmar, pois veio de um ouvinte.
E veio a carta (boa) do Presidente Gabrielli à colunista Miriam Leitão, rebatendo com classe, fatos e dados as acusações indevidas contra a Petrobras. Só que agora, depois do estrago feito, para consertar leva tempo... A bolsa que o diga!!!
Enfim, um dia fausto, muito graças a um Fausto.
Só espero que, no futuro, as coisas não revertam, e evidências venham a mostrar que esse tal de Fausto, De Sanctis não tem é nada!!!
Bate na madeira treis veis.

domingo, 30 de novembro de 2008

Assista Antes de Listar

Em uma pequena comunidade cinéfila, instaram-me a listar as 10 melhores comédias que eu havia visto na vida. E pediram que eu destacasse algo, em cada filme, que mais marcou minha lembrança!
Signed, Sealed, Delivered!
Porém, após o último fim de semana, tive que alterá-la.
Ela agora tem um novo filme, no décimo lugar.
1.         Um Convidado Bem Trapalhão
                       Peter Sellers em todos os momentos da festa
2.         Monthy Pithon Em Busca do Cálice Sagrado
                       O interrogatório
3.         Deu a Louca no Mundo
                       Os coqueiros em W
4.         O Meninão
                       As caras de Jerry Lewis
5.         O Dorminhoco
                       Os 5 minutos iniciais de Woody Allen
6.         Quem Vai Ficar Com Mary
                       O conjunto
7.         Apertem Os Cintos, O Piloto Sumiu
                       Leslie Nielsen e a fila dos 'acalmadores' da passageira histérica
8.         A Pantera Cor de Rosa
                       Peter Poirot Sellers
9.         O Jovem Frankenstein
                       Igor (Marty Feldman)
10.       Queime Depois de Ler
                       O Final, além de Brad Pitt

Trata-se do último filme dos Irmãos Cohen. Acho que há 20 anos não ria tanto. E nem sei se está classificado como comédia. Comédia de absurdo genial. Brad Pitt está impagável, subiu muito no meu conceito.
E o final!! Continuei rindo por 2 minutos após o final!
Não deixe de ver!
E me diga se exagerei!
Em tempo, o filme que saiu da Lista foi:
11.        Beetlejuice
                       A cena do jantar.  
                       (Pode achar um exagero colocar este filme numa lista tão restrita,
                                   só que a cena do jantar vale a classificação.)
E me perdoe se não coloquei nada do cinema mudo, em especial Charles Chaplin, que merecia tomar os 5 primeiros lugares. E nada da comédia italiana (Lando Buzzanca et ali), ou francesa (Monsieur Hulot). Vamos fazer o seguinte: considere-as as melhores em língua inglesa! Assim, eximo-me de culpa, inclusive redimindo-me com os de língua nenhuma (cinema mudo).
Pode-se entender alguns filmes de minha lista como uma espécie de reconhecimento, tipo Oscar Especial pelo Conjunto da Obra. Mais especificamente, coloquei 'O Meninão', como poderia ter colocado 'Professor Aloprado' ou uma penca de outros filmes de Jerry Lewis, para homenageá-lo. E coloquei 'O Dorminhoco', como poderia ter colocado 'Tudo o Que Você Queria Saber Sobre Sexo Mas Tinha Medo de Perguntar' ou uma penca de outros filmes de Woody Allen, para homenagear aquela fase cômica, no começo de sua profícua carreira, de quase 1 filme por ano, desde 1966!!!
Já 'O Jovem Frankenstein' poderia ser uma homenagem a Mel Brooks, mas está em nível tão superior, que não considero um representante da carreira, merece estar lá de per si. Da mesma forma, o escolhido do grupo Monthy Pithon ('Em Busca do Cálice Sagrado') é uma das obras-primas do cinema, e cai na mesma categoria. E 'Apertem os Cintos ..." até que poderia ser uma homenagem ao estilo sátira (tipo 'Top Gang', 'Austin Powers') mas, é simplesmente genial e lá está por puro merecimento, mil pontos acima dos demais! Finalmente, as duas presenças de Peter Sellers falam por si só!

Ah, se quiser colaborar com sua opinião, alguma inclusão, ou mesmo um comentário indignado, o fórum é livre.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

O Iôiô do Pré-Sal

Não tem empresa no mundo com esses resultados, nem de longe.
A Petrobras tem uma taxa de sucesso exploratório superior a 60%, contra uma média mundial de 25% a 30%.  E que sucesso! Acabou de anunciar uma nova descoberta

Seguimos
 Descobrindo mais óleo, 
  muito óleo (mais 2 Bilhões bbl !!!), 
   e óleo leve (API 30)
    e com excelente vazão (segredo!).

E agora,
 menos profundo,
  menos lâmina dágua,
   menor camada de sal,
    mais próximo à costa e,
     próximo a instalações existentes.

Quer mais? Quero: Óleo a US$ 100/barril !!!! 
 Aí, não haveria dúvidas de que esse óleo todo seria economicamente viável!
Tudo isso e a ação da Petrobras bateu @ R$ 18,00.
Tem sido assim, fazer o quê ....
  a empresa descobre reservas aos bilhões,
   uma atrás da outra,  
    depois de um esforço de anos de técnica apurada
     e centenas de milhões de dólares de investimento,
      a ação sobe xx% no dia do anúncio de cada descoberta, 
       depois, no dia seguinte, a economia do Bush dá um espirro,
        e a ação desce os mesmos xx%, às vezes mais.

Tá difícil!


Atualizando, alguns dias depois....

Na verdade, a querida PBR havia fechado a R$ 15,00 na 5ª feira antes do anúncio;
Com os 2 Bihões de barris descobertos no Espírito Santo, fechou a R$ 17,40 na 6ª feira;
Na 2ª feira, o preço de óleo deu uma suspirada, e ela foi a R$ 19,30;
Ontem, veio a descoberta na bacia de Jequitinhonha (gostaria de ver os americanos falando esse nome) e a ação, nem tchum;
Hoje, veio a notícia de que a Petrobras saiu do Índice de Sustentabilidade da Bovespa, e a PBR está a subir, já em R$ 21,90 (pelo visto, o mercado acha esse negócio de sustentabilidade pouco atraente, hehehe!). Veja bem, quem comprou na 5ª feira e vendeu hoje, ganhou mais de 40%.
Enfim, o fato é que são muitos os fatores a influir na variação do preço da ação da Petrobras, uns micro, outros macro-econômicos, e outros ainda geo-políticos. Um dos poucos que comentou, como você, a mensagem original, garante que boa parte da queda no preço do óleo é uma grande manobra americana para que Irã, Venezuela e Rússia acelerem o caminho para o fundo do poço. Isso é que é maquiavélico!

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Sexta-feira 13 + 1

Hoje, no Centro de Prevenção de Saúde, (CPS), esperava a hora da entrevista com o Professor, em meu retorno oficial à atividade física.
O que representava uma boa nova, afinal ele acontece 3 anos e 20 kilos depois.
Enquanto aguardava, fiz 40 minutos de esteira, assistindo ao Bom Dia Brasil, lendo as notícias no Closed Caption.
Aquela havia sido a última boa notícia!
1.        Escolas depredadas na Cidade de Deus (!), vandalismo, barbárie;
2.       Relato de professora que foi seguidamente agredida, chutada, até torturada por alunos, e diretor dizendo que melhor é ficar quieta;
3.       Menina de 16 anos agredida e estuprada em Santa Catarina por dois participantes de uma festa, cenas veiculadas pelo YouTube;
4.       Policiais explicando a ação que matou 3 bandidos, e a situação em que estavam, com parte da população fazendo o jogo do outro lado, instaurando pânico, com mentiras sobre o estado dos civis;
5.       Caixa eletrônico explodido em SP;
6.       Incêndio na Califórnia;
7.       Enchente no Rio;
8.       Setor de tecnologia desacelerando: Dell demitindo 8 mil, ação do Google a menos de USD 300;
9.       Bush defendendo capitalismo: Circuit City entrando em concordata (ou curto circuito), GM virando pó;

.... isso tudo, antes das notícias da política, que fiz questão de não ouvir.
Tá fácil não!!!
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Para terminar bem, compartilho com você, foto que minha filha descobriu. 
Um olhar de admiração pura, e esperança no futuro.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

007 – Quantum of Solace

Não falo nada, pois sou suspeito.        
         Só digo que Daniel Craig está ótimo, insinuante, cínico, ágil, convincente, um pouco invulnerável demais, mas tudo bem; que Dame Judi Dench arrebenta mais uma vez como M; que Q e seus truques não fazem, de novo, a menor falta (sorry, saudoso Desmond!); que Olga Kurylenko é inacreditavelmente bela, e convence muito bem como Bond Girl parceira; que a trama é mirabolante o suficiente; que o tema é super atual; que os vilões são sérios; que as locações continuam maravilhosas; e finalmente, que o mito está vivo e ainda vai durar muuuuito tempo.         
         Só isso!!!!               
         Quer dizer, vou falar sim!
         E começo pelo título.
         Desde que os produtores anunciaram o novo filme com o estranhíssimo nome "Quantum of Solace" (QoS), fiquei me perguntando como seria o título em português. No letterfoot, seria "Um Pouco de Refrigério", sendo a última palavra usada no sentido de esfriar o sangue, já que a vingança era a mola do espião. Sabia que havia acabado o tempo em que os distribuidores daqui usavam sua imaginação tradutora deslavadamente e transformavam "007 Thunderbal" em "007 Contra Chantagem Atômica", ou "007 Moonraker" em "007 Contra o Foguete da Morte", ou ainda "007 From Russia With Love" em "Moscow Contra 007" (inacreditável!). Outros vieram em que a tradução foi literal e caiu como uma luva como "O Espião Que Me Amava", "O Mundo Não é o Bastante", ou "Viva e Deixe Morrer". No presente caso, se por um lado, a tradução literal era impossível, por outro lado, os produtores estão mais modernos e não iriam aceitar uma tradução ultrajante.
         Depois de muito pensar, os produtores decidiram que o título seria "Quantum of Solace"! Simples assim! E explicaram: "Manter o título em inglês foi uma decisão mundial, recomendada pela produtora do filme, e ao assistir o filme você vai descobrir que existe uma razão para isso!", resposta da Columbia Pictures a um email indignado de alguns fãs (me inclua fora dessa!). Acertadíssima decisão, Mrs. Brocolli!
         Traduzir "Quantum" iria perder o duplo sentido, já que é o nome da organização criminosa, que parece ser a inimiga moderna da MI-6 (os patrões de Bond), nestes tempos sem guerra fria. Neste novo 007, somos apresentados à identidade da entidade vil que foi a causadora dos infortúnios do agente secreto em "Casino Royale”, o revolucionário retorno do espírito de 007, incorporado em um novo ator, Daniel Craig, que imprimiu um ritmo mais humano e menos fantasioso à série. Aliás, a coisa parece continuar inédita: pela primeira vez, a trama do novo filme é continuação da anterior, com os mesmos personagens (aqueles que não morreram, claro!), na pele dos mesmos atores de "Casino Royale". E não só é continuação como começa alguns minutos depois do final do outro: Bond havia se apresentado ao vilão White com o tradicional "Bond, James Bond", e com cartão de visitas, ele tinha apresentado um tiro certeiro na canela do malvado. QoS começa com Bond levando White para interrogatório, logo após a cordial apresentação, numa perseguição insana, com seu Bond Car mais uma vez destruído. Outras perseguições acontecem, uma delas muito improvável, de avião. Outra sobre as águas do Haiti, difícil de engolir, onde parece que há um campo de força a proteger o espião em fuga, rechaçando os balaços. E outra, muito realista, e que já parece ser a marca da nova era: a pé, no mais puro ‘le parcour’, a sensação do momento, pelas vielas de Sienna, Itália, simplesmente sensacional. Mais ainda por saber que o próprio Craig é quem faz. Ele dispensa dublê em 90% das cenas, o que dá uma autenticidade tremenda à ação. E, claro, dificuldades para a filmagem: ele se machuca de verdade, e tem que passar um tempinho no estaleiro. Ele apareceu dando uma entrevista com um braço na tipóia. Não só as perseguições são arriscadas, também as brigas, numa veracidade estonteante. Um pouco estranho porém, é a velocidade com que as cicatrizes de uma briga quase desaparecem na próxima cena. O MI-6 deveria revelar este segredo à humanidade.
         Traduzir "Solace" perderia um interessante triplo sentido: além de resfriar a temperatura do sangue, o tal refrigério poderia aplicar-se ao efeito refrescante da água, que é o principal motivador da ação criminosa (ih, contei!), e, terceiro, lembra, na origem latina da palavra, se é que ela a tem, insolação, que é o que sofrem alguns dos personagens, em longas caminhadas num deserto da Bolívia (Chile, na verdade!).
         Essa tal insolação deve ter, aliás, contribuído para a cor da Bond Girl, Camille, uma boliviana, filha de russo, também em busca de vingança, numa repetição do clichê homem-mau-mata-pai-estupra-e-mata-mãe-e-irmã-incendeia-casa-menininha-sobrevive. A cor da heroína surpreende pois trata-se de uma tremenda modelo ucraniana, que foi muito bem selecionada. Seleção que teve a ilustre presença de nossa Cléo Pires, na busca dos produtores por uma beldade latina. Infelizmente não emplacou, mas vamos ter que convir que não dava para encarar aquele verdadeiro Tupolev de saias.
         Ponto fraco? Sim, a música! Não que a dupla de compositores escolhida tenha sido ruim, nada menos que Jack White, dos White Stripes, e Alicia Keys. O problema é que eles foram o Plano C! O primeiro compositor a ser convidado foi ninguém menos que Paul McCartney, ele mesmo. Entretanto, ele nem aceitou, nem sei porque, talvez outro projeto em andamento, mas na verdade, tenho a impressão de que ele deve ter tido um pouquinho de paúra: certamente, ele deve querer deixar sua associação com a marca Bond limitada à magnífica "Live and Let Die", grande sucesso, que ele sempre toca em seus shows com efeitos pirotécnicos, e que, inclusive, foi candidata ao Oscar, em 1972. Ele não aceitou, mas ofereceu aos produtores um excelente Plano B: indicou a surpreendente Amy Winehouse. Infelizmente, sempre entre seus momentos de genialidade e delírio, não quis aceitar a responsabilidade. E a música acabou ficando meeira, nem um pouco marcante, pode ser até que eu venha a me acostumar. Ainda bem que o tema de Bond continua lá, a pontuar as cenas de ação.
         Alguns bits and pieces :
1.    Grande cena: JB participa de reunião durante a ópera Tosca;
2.   Destaque tecnológico: a investigação da vida alheia nas telas do QG do MI-6
3.   Grande homenagem ao passado: Blackgoldfinger (quem souber do que falo, ganha .... hummm .... ganha .... um cumprimento!);
4.   Pequeno desprezo ao passado: a rejeição ao famoso drink "shaken, not stirred", que já foi feita em Casino Royale, e agora confirmada;
5.   Grande desprezo ao passado: não vou nem falar, pois ainda estou chocado, mas perdôo, ahnnnn, sei não se perdôo! Não houve nenhuma oportunidade de se ouvir a frase cinematográfica mais famosa de todos os tempos.
         Era isto, apesar de as iniciais JB terem sido imitadas pelos criadores de Jason Bourne e Jack Bauer, considero, pelo nível dos imitadores, uma verdadeira homenagem ao seu verdadeiro dono, James Bond, mais vivo que nunca.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Yes, They Could!

5 de novembro de 2008, 2:40 Horário de Brasília.
Mr. John McCain acaba de admitir num hotel em Phoenix, Arizona a vitória de Mr. Barack Obama, o 44• Presidente dos Estados Unidos da America.
Discurso bonito, em que ofereceu ajuda ao primeiro afro-americano a disputar a presidência da maior nação do mundo, tem-se que admitir.
Câmera muda para Chicago, Grant Park, onde mais de cem mil americanos mostram suas sorridentes faces, morenos, loiros, ruivos, carecas, rastafaris, jovens, velhos, amarelos, brancos e negros gritando "Yes We Can" e "Obama", aguardando a presença do vencedor no palanque para proferir o discurso da vitória. Uma face se destaca, a do Senador (ou ex-senador) Jesse Jackson, como se fosse uma pessoa comum, sua expressão é séria, seus olhos, brilhantes, lágrimas silentes escorrendo pelas faces. Mais tarde, ele falará o que passava por sua mente, mas certamente, lembrava-se de Martin Luther King Jr., morto há exatos 40 anos por defender uma igualdade racial, uma luta que hoje possibilita este grandioso momento.
                             
2:57 ... Entra Obama, e família.
Belo e sereno discurso, em que lembra as minorias. Mais lágrimas, emoção, quando passeia pela história do mundo, vista pelos olhos de uma negra senhora de 106 anos, que eu não captei quem era. A cada grande momento dessa história, ele bradava "Yes We Can" e o povo repetia "Yes We Can". Marcante. Sem dúvida, um grande momento da história do mundo.                           

3:14 ...  Yes, they could!
Que bom que fiquei acordado!