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sexta-feira, 9 de abril de 2021

Com mais de 30, uma descoberta empírica

Capítulo 31

 

Não confio em ninguém com mais de 30 ternos

Não acredito em ninguém com mais de 30 vestidos

O diretor quer mais de 30 minutos

Pra dirigir sua vida, a sua vida

A sua vida, a sua vida

Quem se lembra desta canção de Marcos e Paulo Sérgio Valle? Foi sucesso na voz de Cláudia, em 1971! 

Se não conhece ou para lembrar, aqui está um LINK com ela!

Bem, eu cheguei a mais de 30 ... Capítulos!!

Você ainda confia em mim?

Sei que SIM!!!

Após esta introdução inusitada, vamos tocar o barco!

Esta é minha saga 

O Universo das Canções dos Beatles

Todos os Capítulos têm acesso neste LINK 

Meu plano para este Capítulo 31 era iniciar um passeio por cada um dos 15 álbuns dos Beatles. Para isso, fui burilando minhas tabelas no Excel, coloquei as 186 canções compostas pelos Beatles em ordem  alfabética, e notei uma predileção para nomes de canções começando plea letra 'I'. Resolvi parar para analisar. E fui buscar na rede informações sobre palavras na língua inglesa, encontrei uma boa estatística, burilei e montei esta comparação com os nomes das canções dos Beatles.

 
Então, as iniciais mais frequentes das palavras em inglês são S, C e P,  e só na 12ª posição vem a Campeã nos Beatles, nossa impressionante I, e a vice-campeã beatle, o T, fica na posição 9 do Dicionário. Note um paralelismo em frequências a partir da posição 4, que segue até as últimas 6 posições do final, quando os Beatles descem a Zero, pois se recusaram a nomear canções começando por K, Q, U, V, X e Z. Sabe o que fica esse paralelismo significa? NADA! Até porque ninguém fica pensando nisso quando dá o nome de canção. Mas não deixa de ser interessantíssimo como cultura inútil.

Passo seguinte, a razão do poder do I nos Beatles. Claro, o pronome 'I', que quer dizer 'Eu', campeoníssimo, abrindo 25 canções dos Beatles, então é 'Eu isso', 'Eu aquilo' em quase 15% das canções. O I também tem outro pronome, o 'it', que é o 'ele' impessoal. 

Resolvi contabilizar todas as vezes em que os pronomes (os pessoais, retos ou oblíquos, e os possessivos) aparecem nos títulos das canções. Por exemplo, em And I Love Her, o 'I' não abre mas conta, assim como o 'her', finaliza, mas conta. Foram 114 as vezes em que pronomes apareceram nos nomes das canções. Juntei por Pessoa, então vêm seguidinhos, 'I', 'me', 'my' e 'mine', e depois, 'you' e 'your', e depois, 'she' e 'her', e finalmente os isolados 'it' e 'we'. Note a dominância da Primeira Pessoa, portanto, os autores referem-se mais a si mesmos que às demais pessoas.

Depois, resolvi verificar como seria o comportamento dos títulos da canções com relação ao Grupo que ela se insere, conforme definido no último capítulo, as Heart Songs e as Mind Songs. Notem as diferenças.





Note que nas Heart Songs, aquelas que falam ao coração, grupando os assuntos Girl e Miss, o número de ocorrências, 83 das 117 vezes, em que pronomes apareceram no títulos, ou seja, 71% delas, bem superior aos 52% que as Heart Songs representam do total. Do outo lado, as Mind Songs, dos outros cinco assuntos (Speech, Story, Self, Acid, Nonsense) somam os outros 29%, ou as 31 vezes em que pronomes foram citados. A destacar uma menor predominância nas Mind Songs da Primeira Pessoa, deixando mais espaço pra Segunda e Terceira Pessoas.

Uma evidência que não está no gráfico, mas eu conto pra vocês, é a mudança no objeto das declarações. Nas Heart Songs, é Eu amo, Eu quero, Eu chamo, Eu preciso, Eu choro, Eu estou feliz, enquanto nas Mind Songs, é Eu sou um perdedor, Eu sou a morsa, Estou cansado, Estou dormindo, (aliás, todas estas de John) ou seja, temas menos leves.

Eu achei esquisito esse desequilíbrio de números, então fui procurar se haveria uma compensação em outras classes gramatica. Comecei pelos verbos. Contei todos os os verbos presentes nos títulos das canções. Foi um total de 91 vezes, com 1/4 deles sendo o verbo Ser, amplamente superior aos demais. Do lado Heart, algum destaque para Querer, Amar, Fazer e Ver, e do lado Mind, algum destaque para Pegar e Saber. Mas a maior conclusão a que cheguei foi na observação dos quantitativos por grupo: Heart: 57 verbos; Mind: 34 verbos. Portanto, contribuindo para a diferença a favor das obras do coração.

Dei uma passada rápida nos pronomes relativos, os 5W1H,  (What, When, Why, Where, Which, How), e o resultado veio rápido e avassalador: 7x0, de novo a favor das Heart Songs, sendo que as Mind Songs, nem fizeram nem o gol de honra. O Brasil foi melhor no quesito, contra a Alemanha, na Copa do Mundo no Brasil.

Próximo passo, fui em busca dos Nomes. Em português, os chamamos de Substantivos, os Comuns, das coisas, e os Próprios, das pessoas e entidades. Em inglês, a coisa fica melhor definida, pois Substantivo é Noun. Então, em inglês, eu passei, efetivamente, para investigar, saí lá dos Pronouns para os Nouns. Anotei todos os Nouns das Heart Songs, 51 no total, e como a variedade era grande, com poucas repetições, o Pie Chart não seria adequado para a representatividade, então joguei as palavras numa nuvem. As que ficaram em fonte maior aparecem em frequência maior na lista, por exemplo, love, girl, day.



Ao fazer o mesmo para as Mind Songs, a surpresa: apesar de ter menos canções, o grupo Mind tinha o DOBRO de Substantivos, de que o Grupo Heart. Foram 100 substantivos em 89 canções, na prática, mais de um para cada canção. E a nuvem ficou magnífica! As palavras mais frequentes foram  sun, life, man e night. Optei por não repetir substantivos de canções com títulos repetidos. Fizesse isso, por exemplo, revolution teria três ocorrências!




Baseado nas informações até aqui,  posso, então, empiricamente, agora enunciar minha descoberta, importantíssima (sic)!  Empírica, porque baseada em apenas uma observação do fenômeno, sem a aplicação de método científico, aliás, sem vestígio de método científico.

A relação entre o número de pronomes e verbos 
e o número de substantivos 
nos títulos de canções da história de uma banda 
cresce na razão direta da relação entre 
Heart Songs e Mind Songs dessa mesma banda.


Ou, matematicamente...




Bueno! 

Para que servirá esta descoberta para a posteridade?
Bem sei que pouco ou quase nada,
Mas adorei o tempo investido,
Em especial as nuvens de palavras,
Onde pude ver, de uma tacada só,
Palavras, que remetem a emoções,
Que eu reconheço de que música vieram...
Quando foram lançadas...
Quem as compôs...
Quem as cantou...

Nem anuncio qual vai ser o próximo capítulo, porque as coisas acontecem tão de repente nesta saga!


4 comentários:

  1. Linda a canção "Com mais de Trinta" dos maravilhosos Marcos e Paulo Sérgio Vale que por sinal compuseram inúmeras obras primas para a MPB. Diante dessa lembrança irei rever o trabalho desses ícones da criatividade.
    Quanto ao seu levantamento e interpretação de dados, é como você mesmo sugere: somente a posteridade dará o seu veredito. De antemão começa com um importante saldo. Você se divertiu.

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  2. O Martinho tem razao voce se divertiu. Mas tambem nos diverte e informa de coisas importantes ou nao mas muito interessantes sem duvida alguma. Eu garanto que aprendi muitas coisas.

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  3. Grande! Homero. Divertida análise. Continue os produtos são excelentes culturalmente e muito criativos.
    Parabéns.

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