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quinta-feira, 4 de junho de 2020

Poetas da Quarentena

Contador de Entradas: 180

Com que, então, eu lia Os Lusíadas e me encantei com a métrica de Luís de Camões, ao contar sobre a épica viagem de Vasco da Gama, rumo às Índias.

São mais de 1000 oitavas, ou seja, estrofes de 8 versos, e portanto, mais de 8.000 versos, com rimas, a mais (íssimas) das vezes, na configuração AB-AB-AB-CC.

Fiz desafios a alguns amigos com a primeira estrofe deste post com as devidas adaptações dos versos 2 e 4, para finalizar o verso 6 com seus respectivos nomes. Desafiava-lhes dizer-me o nome do livro que eu lia. 

Um deles, Oswaldo, respondeu-me com uma estrofe de 4 versos, sem acertar de primeira, trepliquei com mais uma dica, ele acertou, agora com uma estrofe sexta, com as rimas a la Camões, e continuamos o duelo.


Bel(l)a hora, resolvi convidar um terceiro amigo, o Falabella, que também acertara o autor após a segunda dica, também respondeu-me com versos, mas não seguimos o tema... Então, ocorreu-me que ele talvez apreciasse ser incluído, e ele aceitou de pronto, porém alertou que talvez não seja tão ativo por estar ainda 'na ativa'.

Fiz um grupo no WhatsApp.... colhi lá as estrofes e fui apondo-as ao blog desta maneira: as minhas estrofes ficam alinhadas à esquerda, as do Oswaldo à direita e as de Fallabella ao centro, de forma que assim elimino a necessidade de identificar-lhes a autoria...

Bela hora, resolvi contar as estrofes (sonetos) à medida que iam entrando!

E o número atual está lá em cima, à direita!


Eis os 'Poetas da Quarentena'!!!


Homerix
Oswaldo








Falabella


Então vamos lá!
Espero que apreciem!

1
A varanda de casa é leste-oeste.
A solar incidência é belo saldo.
À procura de ação que bem se preste,
Ler é atividade a que respaldo.
Se permite, proponho breve teste. 
Venho aqui desafiar-te, Oswaldo:
Dado o estilo que emprego neste artigo,
Que livro estou a ler, ínclito amigo?


2
De Português é com certeza
E poeta de rima esmerada
Seria Pessoa em sua varanda acesa
Pelo sol de uma manhã iluminada?

3
Com certeza, uma trova portuguesa,
E, claro, estou tentando imitar
Um gênio que descreve com destreza
Viagens de um aventureiro ao mar
A buscar consagração e riqueza
E tudo o que a Terra tem a dar.
Entretanto, u'a dúvida consome:
Inda não deste ao escritor o nome!


4
Ora, claro o verso em ditirambo
A cadência do vate consagrado
Deixou-me até um pouco bambo
E perdido por tão lindo arrazoado
Sem dúvida, desta saga de leões
O arauto só podia ser Camões

5
Agora que me falta um rega-bofes,
Decidi entrar fundo no universo,
Que não permite nossa mente mofe
E afasta o raciocinar disperso.
Mais de mil, ai, são tantas as estrofes
E oito vezes, o total de versos.
E em motes decassílabos, eu tento
Descrever-lhe o belo estilo a contento.


6
Que contento, meu amigo Homero
Sabê-lo tão preciosa pena
Não se perde em reles lero-lero
Nem se afasta de uma rima plena
É perfeita sua métrica e espero
Poder eu emular-lhe o tema
E fazer poesia a sério
E que à alma traga refrigerio

7
Quando de tarde sentar-me ao notebook,
Elaborarei tréplica devida,
Sem ter medo de qualquer vício ou truque.
Gran Camões inspirará a guarida!
Seguirei a batalha em um bom muque,
Enquanto continuar-lhe a vida.
Desta forma tão bem nos alegramos,
Cultivando lá do cérebro os ramos!


8
Estarei esperando o nobre repto
Que virá, como soi, de estilo certo
Pois sei que, caro amigo, és adepto
De ter o bom idioma sempre perto
Deslize pelas teclas do teu lapto(p)
A tua inspiração de peito aberto
E assim prosseguiremos esta lide
Até que nos esqueça o COVID


9
Que belo anglicismo, ó amigo Oswaldo,
Inda mais com o recurso parentado
Evitando o indesejado saldo
Do incômodo ‘p’ ali instalado.
Este nosso duelo vai dar caldo,
Pois que temos o gosto do babado.
Até quando esta laia manteremos?
Até quando nos caírem os remos?



10
Nem quis esperar pela manhã
E ter a noite por boa conselheira
Apressei-me em atender meu justo afã
E oferecer esta resposta alvissareira
A poesia veneramos como irmã
Os versos nos escapam da algibeira
Portanto tenho fé que remaremos
Muito além do que singrou Gaspar de Lemos


11
Em prol do conhecimento geral,
Quis saber mais desse bravo Gaspar,
Que chegou cá no Brasil com Cabral
Comandando o navio alimentar,
E retornou com carta a Portugal,
Aquela de Caminha a revelar
Aos olhos de Manoel Venturoso,
A visão deste país assombroso!


12
Porém não satisfeito ele ficou
De já fazer parte da nossa história,
E no ano seguinte retornou,
Exercendo vontade exploratória.
E ao longo de costas encontrou
Baías que nos ficam na memória:
A que tem nome de Todos os Santos
E a Guanabara de tantos encantos.
13
Gaspar foi um grande aventureiro 

De D. Manuel fez-se amigo e paladino
Vasco da Gama conheceu-o por primeiro
Lá nas Índias onde um trágico destino 
O havia abandonado sem dinheiro 
E trouxe-o para a Corte. Fez-se fino.
Elegante, sagaz e ambicioso, 
Conquistou D. Manuel, O Venturoso

14
O Rei, entusiasmado e mui atento

Deu-lhe o comando de uma naveta crucial
Responsável pelo provisionamento
Das caravelas da esquadra de Cabral
E então, à procura de bom vento
Afastaram-se da rota original
E Gaspar, deserdado no Oriente
Veio parar em um outro continente

15

Recordo-me de ti, senhora minha
Em noites claras de imaginação
Serena e altiva, o porte de rainha
As mãos fadadas à perpétua ação

Saber-te tão distante e tão vizinha
Depois dos anos de separação
Corrói-me o peito e azeda a doce vinha
Que outrora teve o mel de tua afeição

Pudesse eu só um instante te olvidar
E nesse breve átimo apagar
Essa saudade que minh'alma salga

Porque tamanho amor não se há de achar
Como esse que me uniu a ti, fidalga
Edith Costa de Sousa-Aguiar


16
Eis que chega então um bravo guerreiro,
Celebrando, em soneto, sua nona.
Vai entregar-se à batalha por inteiro?
E insuflar a nossa vela bujarrona?
Sua chegada é como um tiro certeiro,
Aliando sua alma brincalhona
Em prol da flor do lácio inculta e bela.
Seja bem-vindo, ó nobre Falabella!

17
Bem me lembro o como o conheci,
Do momento em que me vi felizardo,
Quando"Falabella!", feliz, ouvi.
Para todos, foi como um petardo!
Que breve decepção então senti!
Não era o Miguel, mas o Eduardo!
Porém, logo, gargalhada emergiu,
Com a classe da pessoa gentil!


18
Que ótimo embrenhar-nos nesta senda
De sonetos, sutil forma de amar
Poção magica, mais leve do que o ar
Que os mestres sempre usaram de oferenda 

Vinicius, de paixão dele fez prenda
Às deusas que sonhava encantar
Drummond também com seu suave cantar
Fazia de sonetos sua lenda

Não chego nem de longe a este par
Mas à minha imodéstia falta emenda
E ouso, imprudente, publicar

Esta trova tão pobre, indigente
Sem pé, nem mão, um mau rimar
Que apagá-la eu devia prontamente.


19
Nada disso, ilibado trovador!
Métrica, versos, rimas bem casadas! 
Eu te conheci, brincavas de cantor,
Evento de pessoas animadas,
Mas logo te percebi escritor
De poesia e prosa imaculadas.
Tua presença aqui vai dar bom caldo
Para nossa viagem, Douto Oswaldo!


20 
A quarta Maria
(Falabella lembra sua mãe)

Foi no ano que passou
Numa noite clara e linda
Que nova estrela brilhou
E dela se fala ainda

No céu negro, faiscante
Junto das três que já havia
Inda mais clara e brilhante
Luzia uma quarta Maria

Só o menino falante
Calou a sua alegria
Ai ver a luz tão distante
Pois o menino sabia

Que essa estrela que acordou
Essa vela que não finda
É porque no céu chegou
Sua avó, Maria Arminda.. 



21
Volto com vontade a esta liça
E trago mais um novo desafio 
E peço que saiam da preguiça 
E que desta meada achem o fio
Há um outro poeta a quem submissa 
A muda da poesia muito servi-o
Para tornar o enigma mais mundano

Digo que o poeta era jovem e baiano...


22
Não tenho o perceber tão elevado
Pr’acertar de primeira tal querela,
Porém sendo baiano o tal citado,
Posso arriscar humilde arranhadela.
Seria ele, pois, o rico advogado
Que tudo vende pra viver pelas ruelas
Ironizando a Bahia em tristes fatos,
Gregório o poeta tão De Matos?

23
Mas jovem era o poeta aposto,
E Gregório chegou aos sessentanos!
Pois, retiro o que foi acima exposto
Para não cometer outros enganos
Arrisco então mais um com muito gosto
Para acabar de vez com vossos planos:
Imploro que desse repto me salves
Pois que o grande poeta é Castro Alves!

24
Na mosca, caro Homero, acertaste
O poeta é o vate dos escravos
Não que de Matos eu afaste
O valor de seus versos, doces favos
Mas Alves tem tudo o quanto baste
Para ser o inspirador dos bravos
Que lutaram contra a infâmia dos grilhões 
Nódoa negra na História das Nações

25
É de Alves, imerso nesta guerra 
A rima de que a mente não se cansa
"Auriverde pendão da minha terra
Que a brisa do Brasil beija e balança"
O seu brado e tudo o que ele encerra
Inda serve aos povos de esperança 
Cultuemos pois este cantor
Que tão jovem nos deixou,  por seu valor



26
O poeta morreu, sim, muito novo
Como tantos artistas que se vão.
Não precisa descobrir pelo em ovo
Pra se chegar à óbvia conclusão
Que a Praça Castro Alves é do povo
Sim, senhor, como o céu é do avião.
Isso é só pra lembrar de Caetano
Que também se lembrou doutro baiano

27
Pois que em outra canção muito marcante
Musicou o mais famoso poema
De Gregório de Matos, o vagante,
Aonde criticava o vil sistema
‘Triste Bahia, ó quão dissemelhante’
De sua obra, o máximo emblema.
E o cantor, nessa obra tão cabal,
Apôs mais cantos da terra natal.

28
Agora noto que nosso duelo
Bem se expande de maneira expedita
Pois que encontra registro paralelo
No espetacular Palavra Escrita!
Seja bem-vindo, ó blog mais que belo,
Teu par, chamado Homerix, felicita!
Que teu poder bem profundo se finque
Para o efeito, aqui aponho o link:
https://obpereira.blogspot.com/2020/05/duelo-num-oasis.html


29
Caro Homerix, que bela homenagem 
Apregoar o meu blogue tão modesto
Poetas que como você agem
Estão sempre prontos a fazer tão belo gesto
E diante de você sou mero pagem
Um simples trovador bissexto 
Incapaz de criar com tal destreza 

Um fecho tão precioso. Que Beleza

30
Flanando na cidade, a passear,
faminto, em bela tasca vi-me entrando.
No menu, "Bife a Camões". Já sonhando,
peço o bife e dois ovos a encimar.

Ao vir o prato, ainda sem provar,
nas mãos da garçonete, balançando,
vejo com tristeza, me apavorando,
magro bife e um ovinho a decorar.

Mais que o prato, na verdade, o que assusta
não é o bife, nem o quanto ele custa,
sequer me importa o arroz e pouco molho.

"-Senhorita, lhe imploro, tenha dó!
Camões, era sabido, tinha um só olho;
contudo, nunca teve um ovo só!"



31
Ainda a rir contigo, Falabella,
Saúdo o retorno àquele tema 
Que iniciou nossa linda aquarela.
E aproveito pr’explicar o poema
Em sua métrica complexa e bela.
Não tem simples solução o problema.
Estrofes e versos aos borbotões,
‘Os Lusíadas’, Luis de Camões!


32
Elogie-se do poeta o afinco
Com que o grande épico ele fez:
Verso Um se rima com Três e Cinco
Verso Dois faz igual com Quatro e Seis.
Versos Sete e o Oito irmanam vinco,
São sempre rimados, com altivez.
Inda por luxo findam, (purq’não¿)
O tema elaborado até então!

33
Estrofes bem montadas, mais de 1000,
Distribuídas, fartas, em 10 cantos. 
Entretanto, tamanho corpanzil,
Permitido se foi quebrar o encanto.
A métrica perfeita e varonil
Se quebra algumas vezes, entretanto:
O Um, o Dois e o Cinco formam rima,
E o Três, Quatro e Seis completam o clima.

34
Se há um problema que se apresente
Em luminar e brilhante obra-prima,
Usado é muitas vezes precedente
Que na escrita até parece dar rima
Mas na fala, o som aberto e pungente
Faz par com som fechado que aproxima.
Mas claro que isso tudo é perdoado,
Em obra de tão gigântico fado!

35
A técnica ao declamar tantos fados
Em decassílabos mostra-se espartana.
Logo nos dois primeiros entoados
A métrica lá’stá, nobre e espartana:
‘As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia Lusitana’
Nã-Nã-Nã, Nã-Nã-Nã, Nã-Nã-Nã-Nã,
Nã-Nã-Nã-Nã, Nã-Nã, Nã-Nã-Nã-Nã

36
É Três, Três, Quatro ou Quatro, Dois, Quatro
São muitas formas de somar-se DEZ
Declamar é integral do teatro.
Ó sílaba, poética que és,
Em ritmo que tanto idolatro, 
Corriges da contagem o viés,
Pois que aqui, a operação da vez
No’é contar como manda o Português.


37
Homerix, já estás bem a caminho
De fazer dos teus versos uma epopeia
As estrofes já lhe saem em borborinho
Com rimas de que nem fazia ideia
Tiradas cuja origem, adivinho
Vem de uma sutil prosopopeia
Eia, avante, grande Homero, até a meta
Que é a de ser nosso maior poeta

38
Amigo, tenho bom vocabulário.
Ser preciso no rimar sempre tento
Mas não são todas do imaginário
Te confesso, que mais que em 10 ao cento
Das rimas, peço ajuda ao dicionário.
Certas vezes, é belo salvamento
Pois que chega a alterar a viagem
E modifica o teor da mensagem.

39
Do dicionário eu também me valho
Pra ajudar na minha insone tentativa 
De tirar muitas vezes do borralho
As brasas de uma chama ainda viva
E transformá-la, sem me valer de atalho
Num verso em voz ativa ou passiva
Que um pouco de alegria traga ao grupo
E que escape da vergonha de um apupo


40
Não sei se a tempo ainda vou 
De cravar o número 40
Acordei bem cedo e inda estou
Com a mente ensonada e desatenta
Se conseguir será um belo show 
Caso eu falhe, a pergunta se apresenta 
Quem será o vencedor desta querela
O amigo Homerix? Ou o Falabella?



41
Então, foi confirmado o belo show!
Tal qual o garboso Napoleão,
Que 40 séculos contemplou,
Ou como Ali Babá, grande ladrão.
Que 40 larápios comandou,
Foste tu, emérito campeão,
Desta enorme e profícua quarentena,

Que pros 40, deu tchau e acena!


42
Quarenta é um número encantado 
De várias lendas o facho que conduz
Cabalístico, divino, venerado
40 dias no deserto andou Jesus
Quarenta anos Moisés com sua luz
Guiou a Canaã seu povo amado
E até 2020 nos atenta
Porque vinte mais vinte dá 40



43
Isso está um verdadeiro filé
Mas não finda essa saga quarentana:
40 dias, dilúvio, Noé
40 horas laborais, semana
E 40 semanas, termo é
De uma boa gravidez humana.
E concluindo este ciclo que se encerra
Quarentanos viveu Lennon na Terra.


44

Ouvi séculos, anos, e semanas?

E dias e coisas a celebrar

O 40 em variadas hosanas.

Porém mesmo depois de chacoalhar

Nossas mil cavidades cranianas,

Falhamos, lamentável, encontrar

Meses, horas, minutos e segundos

Prostraram-se mortos e infecundos

45
Mas há ainda fato a celebrar:
Pois dezenove centos mais 40
Mostra-se um ano espetacular.
Analisando de maneira atenta,
Foi um ano de prole luminar!
Afirmo de maneira clara e isenta:
Pois que, então, entre Lennon e Pelé
Nasceu Oswaldo, Avé Evoé!!!

46
De verdade, seu ano impressiona,
Mas o meu não fica lá muito atrás,
Pois que trouxe a este mundo Madonna,
Prince,  Michael Jackson, mais que demais!
Cazuza, Bial, Maitê, só abona!
Tim Burton, Sharon Stone e muito mais!
Esqueci de dizer, de tão afoito:
Meu ano foi o Gran 58!



47
E a lista de notáveis inda engrossa
Com fatos de que meu ano foi pleno:
·        A Taça do Mundo terminou nossa
·        Brasília fincou pá em seu terreno
·        E cá no Rio surgiu a Nova Bossa
·        Inda teve Maria Esther Bueno.
Enfim, convido então aos duelantes,
Que provem ser seus anos importantes!

48
Que gentil homenagem em me por
Ao lado de tão real companhia
Lennon e Pele, par superior
Ao qual eu nem em sonhos ousaria
=== === ===or
Partilhar tal suprema honraria
Nascer entre os dois foi coincidência
Coisas que nem explica a Ciência


49
O mundo que me viu nascer
Vivia um momento complicado
Hitler expandia seu poder
E Mussolini seguia-o atrelado
A França caiu e ao perder
Deixou Paris num caos nunca igualado
Meu ano foi sinistro e sombrio
Co'a Humanidade em pleno desvario


50
Sim, já imaginava, tal suma de seu ano.
Corações e mentes em desatino.
Lennon nasceu em bombardeio insano
Pois Liverpool era sempre destino
Da mira do incomparável tirano,
Que brilhava também o céu londrino.
Mas lá vivia célebre comandante
Que viraria o jogo mais adiante!!


51
Oswaldo, permita-me breve alerta
Pois na linda antepenúltima oitava,
Creio que não fizeste a conta certa.
Ali, no verso 5 se esperava
De sua nobre escanção a oferta
De rima do 1 e do 3 escrava.
Aguardo-lhe uma breve correção?

Ou seguimos nossa sofreguidão?


52
Touche, como dizem na esgrima
E me desculpar aqui eu quero
Mas sei que dirá quem me estima
Que cochilos cometia até Homero
Nesta "quinta", para manter o clima
Da boa inspiração eu me esmero
E quero prometer: I'll do my best!
E lembrar-lhes que Errare Humanum Est


53
Então, amigo, seguimos assim!                    
Ainda brindas meu xará famoso
Falando Francês, Inglês e Latim!!!
A parceria me deixa orgulhoso
Mas quero ver sacar um Mandarim,
Um Suahili ou um Farsi frondoso!
Esquece! Não ia adiantar nada...
Ninguém iria entender a parada.


54
Suahili, pashtu ou mandarim 
Urdu, tagalog e até esperanto 
Poderia eu ficar horas sem fim
Perdido aqui neste meu canto 
A pensar em frases de festim
Mas então eu me pergunto: pra que tanto
Se temos uma língua inculta e bela
E que pr'este cantor a deusa é ela


55
Mas ora veja então que engatamos
A tecer muitas loas ao quarenta
E sem perceber logo chegamos
Ao igualmente impávido cinqüenta!
Cara, desobedecemos aos amos
Da língua, de maneira violenta!
É que nós temos um sério problema:
Somos e seremos fiéis ao trema!

56
Ah! O trema, que saudade
Nobre umlaut das poesias alemãs 
Perdido para a posteridade 
Por regras ortográficas malsãs 
Dava ao "u" após o "q" sua identidade 
E o mantinha bem sonoro para os fãs 
Da pronúncia correta e não aguenta
Ouvir alguém falar "cinkenta"...


57
Amigos, o meu mal já não tem cura
Dez sílabas no verso eu sempre caço
A métrica pra mim é uma tortura
Sem ela minha rima é um fracasso

58
 Perfídia

Perguntas se te amei, oh! Deus e quanto,
com que imensa ternura, com que ardor,
mortal, fiz de minh'alma um templo santo,
onde reinavas, meu único amor.

Fiel a esse amor estive e no entanto,
volúvel, sem qualquer medo ou pudor,
queimaste meu clamor, calaste o canto,
em cinzas transformaste meu fervor.

Ao ver-te uma vez mais, em meio ao pranto,
perdida e abandonada, tristemente,
sentindo o peso da separação,

voam as cinzas, como por encanto,
pois em meu peito vibra, ardentemente,
o mesmo impulso antigo de paixão.

59
Se a rima lhe é tão doce tortura
E nos brinda com peça magistral, uso de seu
Favor não nos prover a vida dura
De não ter tua presença capital,
E siga ofertando sua cultura.
Lance mão de seu gran cipoal
A casa aqui estará sempre aberta
Para sua palavra sempre esperta!

60
Será que à centena chegaremos 
Antes que o COVID se escafeda?
Engenho e arte eu sei que nós 3 temos 
É só sair destes lençóis de seda
Em que  a preguiça  quer que nos deitemos
Pra deixar a nossa verve muda e queda. 
Vamos encarar esta porfia
E fazer nossa homenagem à Poesia


61
Responderei com o copo meio vazio
Pois entendo qu’inda vai adiante 
Nosso presidencial desvario. 
Se ele não mudar doravante 
Seu discurso mais que sombrio,
O vírus seguirá em seu rompante 
E iremos chegar não só aos 100
Mas a 200 e bastante além...
________________

62
Caro Oswaldo, nosso prelado amigo
Publicou poemas de fino humor
Em grupo seguro que tem comigo.
Ri-se fácil sem qualquer despudor
Mas o incauto poeta corre perigo
Pois entrega nomes, nosso cantor.
E como prevemos ter repercussão
Talvez não seja a melhor ocasião...

63
Decassílabos decerto que são
Entretanto tal tema tão singelo
Dessas outras cousas 'do coração'
Não sei se encaixam no nobre prelo,
Pois abrirá vazão pra levar o duelo
Pruma outra perigosa direção.
Anyway, colocá-lo-ei em pauta
Pra ver se fazem jus à ribalta.

Vamos a eles...

64
Preâmbulo 
Uma colega, viúva, pediu a receita de um quiche 
a outra amiga no meu grupo de colegas de colégio 
(sim, ainda nos encontramos). 
Eu respondi com o seguinte verso.
________________

Querida vou lhe dar breve resposta
Que vai tardar não mais que uma estrofe
Não é de quiche que a amiga gosta
O que ela mesmo quer é mais um bofe!!!

65
Preâmbulo
Uma colega chamada se internou. 
Parece que foi corona, mas escapou. 
A rapaziada, orá sacanear, disse que ela foi, 
na verdade, fazer uma plástica. Eu então escrevi...)

________________

Lamento se os deixo cabisbaixos
E por favor, não me levem a mal
A nossa amiga fez no seu hospital
Cara, peito e os Países Baixos!!!

A cara bonita se pôs mais bela
Dos peitos eu nem falo, data vênia
Mas dizem que do mais que gostou ela
Foi ter dado um retoque na Chechênia!


66
Talvez sem sua identificação,
Diminua-se um pouco o risco
E seguimos com a publicação
E podemos virar esse disco,
Mas ainda restará uma tensão,
Ainda que um tênue chuvisco:
Que o entourage das citadas
As deixem de pronto informadas...


67
Amigo você tem total razão
Das damas, nunca revelar o nome
Ainda que por vezes ele assome
Há que apagá-lo sem hesitação


68
Decano, eu? Mas que loucura! 
Esta honra decerto não mereço
Ter idade não é a razão pura
E certa para todo este apreço 
O cargo por preceito e lei segura
Tem de ir a quem este grupo deu começo
Você Homerix é que tem o jeito
De ser o nosso guru por direito

69
'As armas e os Barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana, 
Por mares nunca dantes navegados. 
Passaram ainda além da Taprobana'
Era o que conhecia do legado
De Camões, de sua lavra soberana.
Era preciso tirar esse atraso,

Debrucei com afinco até o ocaso.

70
Enfim, terminei longa batalha!
Venci, Camões, teu épico poema.
Acabei Os Lusíadas admirando
Tua sapiência enorme, extrema
Pois que em 8 mil linhas versando,
Descreveste mais que o básico tema,
Além da linda história lusitana,
Geografia bem além da Taprobana.

71
Ele o realizava muito evocando
Deidades mitológicas romanas,
Bem ardilosas, influenciando
Movimentos e decisões humanas,
E o clima e os ventos alterando,
Transtornando as idéias capitanas.
Como acontece em muita epopéia,
Aprendi ao ler a ‘minha’ Odisséia.


72
Começaram muito bem, explicando
Termos, nomes, notas de rodapé,
Mas em breve foram escasseando,
Quando mais me parecia um banzé.
Às vezes me sentia afundando
Até quase não me dar mais o pé.
Na moral, toda estrofe requeria
Um bom parágrafo de tutoria!!

73
Reconheço, portanto que li,
Entendendo, sim, bem menos que tudo.
Muitas coisas, nomes que nunca ouvi, 
Tive que, solene, pular, contudo,
Não cheguei cogitar haraquiri
Por não contar com saber tão agudo.
Compreendia, sim, o sentido geral,
E lá cheguei, muito bem, ao final. 

74
Era o navegador Vasco da Gama,
Que singrou dois oceanos em busca
De aventura, riquezas mil e fama.
Porém, o deus Baco sempre lhe ofusca
Os movimentos, tornando-os drama,
De forma sempre reles e brusca.
Baco quer evitar novas quimeras
A ofuscar outras de priscas eras.


75
Porém, Gama conta sempre ao seu lado
Com Vênus, que em toda sabedoria,
Convence Júpiter, seu pai amado,
Que o bom lusitano, sim, merecia
Sucesso pleno a ele destinado.
Todas tramas de Baco desfazia,
Quer lhe contando das vis traições,
Quer dissipando enormes furacões.

76
Em 10 cantos se divide o poema
No primeiro, vem a Proposição.
Com a apresentação dos heróis e lema.
Em seguida, vem a Invocação
Das ninfas do Tejo, força suprema.
E a Dedicatória ao Rei Dom Sebastião.
Só então a Narração se inicia.
São mais de 1000 oitavas de porfia.


77
E não se pode acusar de linear
O estilo do poeta em sua dança
Pois que começa bem após dobrar
O austral Cabo da Boa Esperança.
E depois de intensamente lutar
Com vários nativos de má lembrança,
Só então, as naus aportam no Quênia.
Em Melinde, eles recebem a vênia.

78
E, na cidade africana, instigado
Pelo curioso soberano local. 
E Vasco da Gama conta, de bom grado,
A famosa história de Portugal.
Reis e rainhas, reinado a reinado,
De conquistas, ditoso manancial,
Lutas contra Mouros e Castelanos
Até começar a navegar oceanos.

79
Destaca-se o relato escaldante
Da desventura de Pedro Primeiro
Que teve executada sua amante
Inês de Castro, amor belo e fruteiro,
E seu cadáver coroou, galante,
Um lustro depois do ar derradeiro.
Assim surgiu dito que se reporta
Do "Qu’importa, se agora Inês é morta!"

80
Só então se desenrola o novelo
Da viagem a partir de Lisboa,
Onde o orador Velho do Restelo
Que lhes brama ser mau para a Coroa,
Contrassenso, abandono e desmazelo.
Com furor e alarde ele apregoa
Que aqueles homens fortes qual touros,
Deviam ficar e lutar co’s mouros.

81
Rumo ao sul pela costa ocidental,
Hostilidades de povo agressor,
Fogo de Santelmo fenomenal,
Encontram o gigante Adamastor
Ao contornar o cabo mais austral,
Que Das Tormentas era assustador.
Para o norte, além de brigas, o luto
Por causa de baixas por escorbuto.


82
Em Melinde, a boa prudência incute
Que com Da Gama embarque um prático
Que os leve a salvo a Calicute,
Evitando um caminho errático.
Sua chegada às Índias repercute,
Lhes recebe um povo simpático.
Rei Samorim bem acolhe, mas Baco
Logo aparece para encher o saco!

83
Convence o Brâmane de plantão
Que o que quer Vasco Da Gama é pilhagem,
O Rei prende gente da expedição
Pra lhes retardar a volta, a viagem.
O plano é dar à frota a destruição.
Monçaide, aliado, vê sacanagem,
E revela o vil plano ao Capitão, 
Que logra resolver a situação.

84
Na volta, Vênus protetora os brinda
Co’a parada numa Ilha dos Amores
Cheia de ninfas de beleza infinda,
Amorflechadas p'ra prover favores
Aos cansados navegantes e ainda
Banquete de celestiais odores,
Onde Tétis revela ao Capitão
O bom ‘futuro’ da pátria expansão.

85
E finalmente, Vênus garantiu
Uma volta tranquila aos navegantes.
Não mais do importuno Baco se ouviu,
Não houve mais tormentas torturantes.
Com isso o grande Camões concluiu
A viagem do bravo comandante,
Maior obra da Língua Portuguesa!
Disso você pode, sim, ter certeza!


86
Homerix, você fez o luso vate
Reduzido à categoria de um mero
Contador de estórias; você o bate
Com o confortável placar de 10 a 0
Assim, não tenho como enfrentar o embate 
Nem como igualar neste entrevero
A sua bela e inesgotável verve
Que a todos nós de sumo exemplo serve

87
Os Lusíadas eu li inda criança 
Sem entender muito do que lia
Meu pai deu-mo a ler na esperança 
Que a leitura eu adotasse como guia
Sábio pai,  minh'alma não se cansa
De te agradecer a todo dia 
O amor à leitura fez-me gente 
Um amor que durará eternamente



87
Sete anos de pastor serviu Labão
Por amor a uma bela camponesa
Camões deu vida, sangue e coração
À nossa bela língua portuguesa
__________


88
Saúdo as mães qu'stão em outro plano
E também as que aqui ainda estão
Que nos brindam com amor ano a ano
Entrega, coragem, dedicação.
E agora neste momento insano,
As que batalham com sofreguidão,
Que lá se encontram na linha de frente
Firmes tentando salvar quanta gente.


89
Mãe, o que foste para mim
Descrever em palavras não consigo
Teu sorriso gentil e sempre amigo
Teu carinho e teu amor sem fim

Teu colo era meu porto e meu abrigo
Teu Não que se transmutava em Sim
Toda vez que me vias triste assim 
A pedir que relevasses o castigo 

Ó mãe,  descrever-te não consigo
Teu amor,  a tua entrega enfim
Tua coragem a proteger-me do perigo

Serás sempre no céu do meu jardim
Em que a cultivar teu nome eu sigo

A mais linda flor rosa carmim

Preâmbulo: Na onda do Dia das Mães, 
Falabella com sua doce voz 
nos brinda com o áudio de um trecho 
da valsinha Mamãe, Mamãe, Mamãe, 
lá de priscas eras.

90
“Eu me lembro chinelo na mão
O avental todo sujo de ovo
Se eu pudesse, eu queria outra vez, mamãe
Começar tudo, tudo de novo”
Nove Dez Onze Dez, por que não?
Decassílaba média! Comovo!
Viciado em Camões, vou à caça,
Só por diletantismo e pirraça.

91
Me lembrou de minha infância profunda
Ao ouvir novamente a linda valsa.
Da cidade a nenhuma segunda,
De lembrança a memória me calça:
Minha Santos, de tradição fecunda,
Os jardins, futebol, praia e balsa.
Porém, isso é só um contorno
Quem sabe pra lá eu retorno...

__________

92
Depois de lograr notável sucesso                                 
Devorando o épico de Camões
Não me permiti um simples recesso 

E direcionei todos meus canhões
A outro épico deveras antigo 
Que me lançou em outras emoções,

De um rimar que levarei comigo.
São breves terças bem encadeadas,
Num tal encantamento que, te digo,

Que nos deixa de calças arreadas
Com a perfeita métrica envolvida,
As emoções em muito ampliadas.

Onde então buscaremos a guarida
Pra recuperar fôlego perdido?
Onde encontrarei a contrapartida

Para um invento tão colorido?
Pois assim me deixou esse poeta
Há sete séculos já falecido.

E ainda não atingiu minha seta
Ao conteúdo da grande obra-prima,
Uma projeção perfeita, completa

Do que os aguarda no andar de cima
Ou de baixo, dependendo dos atos
Nesta nossa vida em constante esgrima.

Mas agora, vamos aos finais fatos:
Quem é o poeta em linguajar vivo
Que nos comove, tão estupefatos?

Um patrimônio tão substantivo
Que não feliz em criar um idioma,
Teve seu nome tornado adjetivo?

E pra lhe facilitar o diploma,
Para que sigas logo adiante
De duas dicas permito-lhe a soma

E assim resolva a dúvida asfixiante:
Sua grande obra rima com ‘eterno’
E seu primo nome, com ‘empolgante’...



93
Ora, pois temos nova charada
Pra quem da poesia é amante
E com esta rima assim encontrada

Já sabes que vou bem avante
Na direção mais que certa
De dar o nome a tal gigante

Que ao cruzar a porta aberta
Do eterno Inferno incandescente 
Ouviu a frase como alerta :

"Deixai a esperança, ó descrente 
Fora desta cena fumegante 
Se queres mesmo andar em chão tão quente"

E mesmo assim o fero viajante 
Entrou para escrever sua Comédia 
Celebrada, Divina, empolgante

E então, mesmo com o meu saber na média 
Descobri que o poeta era Dante
E nem precisei ir à Wikipedia



94
Saúdo-te, Ó Oswaldo Pereira,
Pois que agora podemos duelar
Em distinta poética maneira.

Encantou-me o belo encadear
De rimas imaginado por Dante.
Mas antes de o papo continuar,

Note como salta interessante
A magia da sílaba poética:
"Fora desta cena fumegante"

Tem vinte e duas letras na estética,
Mas iguala no tamanho eloqüente
Do verso a seguir, na aritmética:

"Se queres mesmo andar em chão tão quente ",
Que de letras, agrega trinta e três!
Para mim, é deveras envolvente!

__________


95
Preâmbulo:
Sou um Especialista em Catálise, e já fui conferencista 
em congressos internacionais em 21 países
Em 4 idiomas, mas santo de casa não faz milagres. 
Nunca havia sido convidado no Brasil. 
Há alguns anos, fui enfim convidado a dar uma 
conferência plenária no Congresso Brasileiro de Catálise.
Resolvi então terminar minha conferência com esse soneto,
celebrando a Catálise, a ciência e a língua portuguesa...

Catálise

Uma pergunta lhes devo brindar
Fruto de noites de muita agonia
Será legítimo, de fato, afirmar
Que a Catálise é ciência, e não magia

Pois tudo que encontrei ao pesquisar
Acima de qualquer filosofia
Demonstra-me ser justo assegurar
Que sim, é uma ciência e não magia

Mas dados que não andam se ajustando
Se um sofredor, em seu laboratório,
Os tira com cuidado, utilizando

Um método seguro e meritório
Indicam, caro amigo, que há, no entanto,

Muita ciência... e de magia, outro tanto...

Que máximo! 
Garanto que garantiu muitos minutos 
de aplausos finais e a última impressão 
foi a melhor possível.

Verdade, meu querido. 
Um bando de engenheiros químicos estupefactos...

__________

96
Voltando ao fero DantEncantamento
Destaco o ritmo sobrenatural
Do magnífico encadeamento.

Veja bem como o verso inicial
De cada uma terça (ou terceto)
Rima sempre com o verso final

E o verso do meio? Eu prometo!
Trará sempre uma rima não vista!
Não recentemente em nenhum carreto!

E a nova rima então se conquista
O direito de brilhar, orgulhosa,
Porque na estrofe seguinte, é prevista,

Abri-la e fechá-la, bastante prosa.
“Já apareci três vezes, adorei
O destaque, mas partirei, saudosa!!”

E segue o poema, eu te direi,
De maneira empolgante e agradável.

Estou muito entusiasmado, eu sei!



97
Lá vamos novamente replicar
O que escreveu com muito tino
Homero, sempre bom no versejar

Pois até do mestre florentino 
Pegou o jeito, o estilo e a arte
Com muito afinco e alma, imagino 

E bom será que você não descarte
A ideia de seguir falando em Dante
E que de tal tarefa não se farte

Poesia é um vício delirante
Que nos prende, acorrenta, subjuga
Na prisão de uma doce amada/amante 

Do seu poderio não há fuga
Fugir de seu fascínio não se espere
Ela é o vórtice que toda a vida suga

E assim onde quer que ela impere
A poesia será sempre a rainha
Como o  foi para Dante Alighieri

98
Compartilho contigo essa paixão
Pela poesia com versos rimados.
E, sim, iremos, com sofreguidão,

Desbravar relatos Dantexplicados.
Mas permito-me um rápido desvio
Para explicar aos não iniciados,

De como enfrentar fero desafio
De embarcar em nossa nau vencedora,
Ó, poesia em que me contagio.

É que em bela cantiga antecessora
Eu dediquei uma estrofe inteira
A reclamar de uma regra impostora,

A de rimar, sem nenhuma barreira,
A vogal aberta com a fechada.
Felipe me salvou ao descobrir:

Trata-se de prática consagrada
Pelo uso, desde o tempo infante.
Tem até alcunha a malfadada

Trata-se de uma rima ‘toante’,
Diferindo da que soa perfeita,
E que merece seu nome: soante!

Então, se perdoa tanta desfeita.
Quem sou eu pra reclamar, numa boa.
Irei assim engolir, imperfeita.

Cá entre nós, ela ainda destoa.
Melhor seria fosse DEStoante!
E durma-se com essa garoa....



99
A próxima entrada é a centenária.
Sugiro que o nobre Oswaldo Pereira,
Dono de aptidão luminária,

Dedique-a à nossa sobranceira
Saga que muito impávida cresce,
E por enquanto não vê a fronteira.

Teu nome naturalmente aparece
Pois celebrou a entrada QUARENTA
E sem que ordem qualquer se lhe desse,

Emendou com a de número SESSENTA.
Evidente que também Fallabella
Pode uma vez despir a vestimenta

De só apresentar nesta nossa tela
Apenas brilhantes obras pregressas.

Será bem-vinda tua tarantela!!




100
Cem, centen 100 a, centenário 
Um século se de anos é composto 
Centúria no exercito Cesário 
Cabeças da hidra em seu rosto 
Olhos do dragão que, temerário, 
Sigfried matou com muito gosto 
Assim, em decassílabos eu exalto
Os 100 e para outros 100 eu salto
101
Acertei na mosca em chamar a lavra
De Osvaldo para cantar nosso 100
Pois que sua razão de ser é palavra
Na prosa e na poesia também.
Arquiteta qual o espanhol Calatrava
Sílabas, rimas, métricas e além,
Não é que em meio à nossa nobre lide
De repente exalta um tal Sigfried?

102
Expressei a solene ignorância,
Ensejando ir verificar na rede,
Em nossa outra singular instância,
Quando então sacia minha sede,
Falabella, que excede abundância
Em saber e, altivo, intercede:
É um nórdico herói, sem mais gírias,
Ópera de Wagner, As Valquírias!

103
Aqui, os dois poderíeis expor
Vossos saberes de grande requinte,
Sobre óperas em todo esplendor.
Encontrarão em mim (ho)mero ouvinte
Pois que do assunto não tenho sabor,
Meu conhecimento do tema, acinte,
É no máximo, populares árias. 

Favor solver minhas falhas primárias!



104
Gramática intestinal

(Soneto em redondilha maior)

Um dia, muito apertado,
meu avô entrou num bar,
buscando, desesperado,
um sítio onde se aliviar.

Ao achar o reservado,
viu aviso singular,
na latrina pendurado.
'Nunca no chão deFFecar'.

Da musa vovô se valeu
e logo abaixo escreveu:
'Só um rei dos mequetrefes,

Diz tamanha maravilha.
Pois quem caga com dois efes,

limpa o cu com cê-cedilha!'

105
Falabella, essa ascendência
É deveras singular
Mãe e avó com sapiência

Avô de humor exemplar
Tens a quem sair, amigo
E razões para brilhar

E ainda veio contigo
Um brilhante ‘baby bródi’:
O Miguel, que muito sigo,

Que os esqueletos sacode
Com obras de valor mil.
Decerto merece ode!!

106
Amigo, muito agradeço
A poesia tão formosa
Mas eu não sei se mereço
Homenagem tão honrosa
107

Merece e digo obrigado
Por novo nome aprender
De um verso bem manjado

Por sete sílabas ter,
A redondilha maior,
O que sempre pensei ser

Heptassílabo, de cor.
E se maior ela seria,
É que tinha uma menor

Fui à rede na porfia
E encontrei qual era ela,
Cinco sílabas, eu lia.

Completou a aquarela.
Veja a maior redondilha
Ser uma métrica em tela

Na épica maravilha
Do romântico baiano
Ao cantar triste flotilha

A trazer o africano.
Perceba no Canto 2
Tal medir cartesiano! 

______________________

108
Saldei dívida no treze de maio:
Li Castro Alves, O Navio Negreiro,
E humilde empreenderei um ensaio,

Onde tentarei saudar por inteiro.
Seis Cantos? Seis estrofes farei,
Cada uma em seu estilo brejeiro.

Às rimas, métricas, obedecerei,
Cada uma estrofe a seu canto atrelado,
E em breves termos descreverei

Mensagens de cada canto cantado.
Ao findar a leitura, eu vos peço,
Dizer-me se fui fiel no resultado!


109
No Canto I, são 11 quartetos.
Canta a beleza e grandeza do mar.
Decassílabos em métrica simples
E com versos 1 e 3 sem rimar.

110
Agora, a tripulação, 
Suas origens e feitos,
Tem a sua exaltação
Em versos perfeitos.
Heptassílabos são dez
Sem lhes revelar o viés
De raptores de africano.
Quatro estrofes tem o canto.
Agora, começa o pranto!
Da exaltação, cai o pano!

111
Aí então cai a ficha, o eu-lírico percebe
Que nos porões ocorre o que não se concebe.
Canto III, seis versos, começa a falar da dor,
Dodecassílabo, descreve o poeta o espanto.
Ao findar, descrevo aqui o seu triste canto:
“Que cena infame e vil... Meu Deus! Meu Deus! Que horror!”

112
Dante invocado, com sangue e horror,
Açoite, choro, fome, loucura, gritos, dor,
Quarto canto vereis:
Seis sextilhas em métrica composta
Com sílabas em valsa dispostas
Dez, dez, seis, dez, dez, seis

113
Senhor Deus dos Desgraçados
A quem se invoca o motivo
Roubar os pobres coitados
Para algemá-los, cativos.
Assim é o Canto Cinco,
Seis dezenas com afinco,
Heptassílabos, contei.
Contam peste, infecção,
Vãs mortes em borbotão,
Quão absurda essa lei!!

114
Métrica de Camões no Canto Fim,
Cabais decassílabos, três oitavas,
Cobram do Brasil revolta, motim,
Para que se rompam as tristes travas,
Que se finde o terrível folhetim
Que se mande a escravidão às favas.
E assim termina o épico poema
Do romântico baiano, seu emblema!
_____________________

115
(em resposta à entrada 51)
Estou eu dando tratos à bola
Para assim descobrir onde errei
Pensava, entre ousado e gabola
Que de poesia era um rei
Mas já vi qu'esta pose não rola
Com os parceiros desta culta grei
Pois que em seus versos carregam
Os preceitos que as musas me negam

116
Nada, amigo, é que estou muito animado
Em meio a este nosso bom projeto,
Sim, o faço com gosto redobrado.
Tanto que na ânsia de ser correto,
Reconheço que cortei um dobrado
Sem lágrimas, ou suor mas com afeto,
A revisar quase 60 entradas
Na procura de contagens erradas...

117
(no grupo WApp de minha turma na empresa)
Ó grande Maio, campeão de saudações
De aniversários neste no nosso grupo! 
São parabéns dados aos borbotões!

Como no nosso Whatsapp não me ocupo,
Como muitos,  em saudar um a um,
Fiz poema pra evitar o apupo.

Sei que não sofreria apupo algum,
Mas como estou em sanha versejante,
Quis versejar este mês incomum.

Evitando a escanção extenuante
De rimar nomes tijolo a tijolo,
Decidi por singela atenuante.

E mesmo pra não torrar o miolo,
Envio parabéns aos 12 amigos
Ajuntados neste prosaico bolo!!!
(e anexei imagem de um bolo com 12 velas nomeadas)


118
Resolvi enfrentar o desafio!
Impensável viver co’o desacato!
E encarei o demônio com brio,

Difícil, sabe, rimar num só ato,
Márcio, Celso, Maurício, Manoel.
Inda juntar Marco Paulo e Busato

E necessário é tirar o chapéu
Pra nossas meninas Rosane e Lúcia.
Representantes de nossa babel

Que souberam levar com argúcia
Suas vidas, sonhos, planos, fardos
Com calma, no detalhe, na minúcia

Em momentos brancos, pretos e pardos.
Toda essa lenga lenga pois esqueci
O Gabbay, o De Tarso e dois Ricardos.... 

_______________

119
A Pandora, cadelinha faceira,
Que Falabella tem ao seu lado,
Picou-lhe uma aranha caranguejeira,
Deixando eles todos preocupados.

Bem além da patinha dolorida,
Na sua glote, edema e inflamações.
Mas voltou pra casa ainda combalida
Após muito soro e medicações. 

Já em casa seguia o mau estado 
Para dormir era grande aflição.
Mas lá estava um Felipe iluminado.

Ele sacou do nada a solução.
Não salvou-lhe o rhum creosotado
Mas uma simples nebulização!
________________

120
No Século 13, Dante Alighieri
Vem ao mundo pra lhe dar um verniz.
Na história da poesia se insere.

Inda piá, Dante viu Beatriz.
Com dezoito anos, falou com ela.
Foram um com o outro gentis,

Mas ele era de outra donzela
Que lhe fora pelo pai prometida,
Era assim que seguia a tarantela

Em Florença, cidade tão querida.
Quando Beatriz, bem moça, morreu
Dante enterrou sua alma ferida

E a maior obra ele desenvolveu
Inspirado no amor não consumado.
Em exílio político, escreveu

Um abundante poema rimado
Na língua de seu cenário toscano.
Sendo sua obra de enorme legado,

Com influência e poder sobre-humanos
Pra todo sempre enterrou o Latim
E criou o moderno Italiano.

La Commedia, Dante a chamou assim,
Porque, em que pese o pesado miolo,
Ela termina em agradável fim.

Musa Beatriz põe cereja no bolo
No Paraíso, a Virgílio chamando
Para orientar, tijolo a tijolo,

Ao inda vivo Dante, lhe mostrando
Do outro mundo, o que era seu juízo:
O Inferno de Lúcifer, nefando,

E depois, Purgatório e Paraíso.
E essas 3 intrigantes canções,
Destrinchou-as cada uma, preciso,

Em 33 Cantos, com escansões
De 3 versos em sua métrica nova,
Encadeando nossos corações

Com rimas muito além da mera trova,
Desafiando o fôlego da gente,
Que a cada dois tercetos se renova,

Em ritmo acelerado e crescente.
Tão grande foi do poema a sina,
Que Boccacio resolveu tão somente,

À causa da devoção genuína,
Apor-lhe ao nome justo adjetivo:

Desde então, a Comédia é DIVINA.

________________

Falabella publica um texto
sobre sua vida, e eu
o transformei em versos
1
121
Depois de 3 gerações de arquitetos,
Falabella escolheu outros caminhos.
Ovelha negra? Não, sem desafetos,
Pois foi inspirado por seus padrinhos. 
Ele e ela engenheiros corretos,
Da Química fuçavam os escaninhos.
E a mãe, professora de literatura,
Deu-lhe das letras a assinatura.

122
Em família de grandes professores,
Não estudar era episódio insólito.
E ele impressionava os doutores
Querendo modificar os zeólitos,
E aqueles eméritos formadores
Viravam sócios, parceiros, acólitos.
Sua força, dedicação, análise
Tornaram-no bam-bam-bam da catálise.

123
Seu expertise ganhou-lhe o mundo
Viena, Trieste, Cartagena, Paris
Sorriento, Dalian, e bem mais fundo.
Inglês, Francês, Mandarim por um triz
Espanhol, Alemão, saber fecundo.
Ensinar é principal diretriz!
Incansável, muitos prêmios ganhou
E até combustível ele inventou!

124
Porém nunca deixou que a ciência
Embotasse-lhe a metade direita.
Sempre teve ótima convivência
Com sua arte em parceria estreita,
Mantendo-a em sua adjacência,
Juntando em combinação perfeita:
Ator, Diretor, é vasta a dieta,
Cantor, dramaturgo, escritor ..... poeta!

125
O que me faz feliz na quarentena? 
Uma série na TV com pipoca,
Um banho de sol em varanda amena,

Um lanche com recheio em tapioca,
Um bom livro exercitando a cachola,
Debruçar em difícil rebimboca.

Tomar uma gelada coca-cola.
Ah, como ela desce bem na garganta.
Tem muita diversão nesta gaiola! 

Mas sabe o que mais me encanta?
É a firme evolução de um emblema,
Quando uma ação mais alta se alevanta,

E é saudada a chegada de um poema,
Em nossa saga, dignos trovadores.
Noto, porém, uma falha no sistema:

A produção está nos estertores..
E a mantermos este nosso cenário,
Com a baixa versagem dos senhores,

Não chegará ao sesquicentenário.
Este canto é o 125,
Que publicarei sem o ‘reclamário’.

Depois, seguirei em firme afinco
Com os cantos da Divina Comédia,
Que não passarão de uns 4 ou 5...

O que eu sonhava ser enciclopédia
Com chances de até ser publicada
Fenecerá numa leve tragédia,


Permitam-me esta rima exagerada...



126
Reclamar é um direito que assiste
A todo o que se sente esquecido
Abandonado, sozinho, preterido
Deixado num desvio, só e triste

Às vezes, por imposição do fado,
Do Destino com sua lança em riste
Que nos tira do caminho e ainda insiste
Em fazer-nos afastar de um fim sonhado 

Mas, creia-me, meu caro e bom amigo 
Que a vontade de um puro versejar 
Continua a viver aqui comigo

Só que às vezes o chamado doce lar 
Exige afazeres que, lhe digo
Nos deixa pouco tempo pra sonhar



127
Animado, amigo, com seu refresco,
Recuperado de meus desvarios,
Retorno feliz a meu canto dantesco
_____________________

Meio que preocupado com desvios
Possa em sua vida ter cometido,
Dante busca da meada os fios.

Em ‘selva selvagem’ se vê perdido,
E após noite de angústia e solidão,
Dela se livra mas, inda contido

Por três feras, onça, loba e leão,
É salvo por uma alma bem-vinda,
Enviada por Beatriz, paixão

De sua adolescência que ainda
Olha por ele, beata, no céu.
Virgílio, de sabedoria infinda,

Poeta que merece mausoléu,
Romano que morreu antes de Cristo,
É a alma a levantar o véu,

Pois recebeu dos céus o visto,
Pra descerrar todo e qualquer portal,
Dos caminhos até e após Mefisto,

E partem, juntos, ao Reino do Mal.


128
De engraçada A Comédia nada tem
Não é fácil ver as penas destinadas
Àqueles que não praticam o bem.

E se vê isso inda logo na entrada,
Aonde vagam os tristes ignavos, 
Que não fizeram mal em sua estrada,

Mas relaxaram ao negar centavos
A instâncias de qualquer bem, moral
Ou físico, o que lhes gerou agravos,

E fadados são até o final
A correrem de malvados enxames
De vespas, em castigo bestial.

Ao final do vestíbulo, há exames
Feitos à beira do Rio Aqueronte
E o vil responsável pelos ditames

É o deplorável barqueiro Caronte
Que analisa os crimes dos danados,
E não há alma sequer que o afronte

Ao ditar os andares destinados.
O Inferno é uma grande cratera
Como gigantesco cone avessado

Cujo vértice é o centro da esfera
Onde habita o Satanás tão temido
Lá, onde o fogo mais quente impera.

Em suas garras estão os punidos
Pelo crime maior, a traição,
A sentirem os piores pruridos,

No Círculo NOVE da construção.
Depois dos ignavos, lá em cima,
O Círculo UM nos chama a atenção:

Num ‘Nobre  Castelo’, a pantomima,
Para os sempre fadados a vagar
Ainda que sem pena que os oprima,

Por motivo muito peculiar:
A falta do Diploma de Batismo!
Por ali, em eterno caminhar,

Os precedentes ao Cristianismo!
Nesse Limbo, estão Horácio e Homero,
Ovídio e Lucano, pais do lirismo.

Dali saiu Virgílio, com esmero
Para cumprir a missão lá do Céu.
Dali escapou o Primeiro Clero,

Quando Jesus, em enorme escarcéu,
Antes de ascender, ressuscitado,
Derrubou a porta do mau quartel

Pra resgatar profetas do passado,
Davi e Noé, Moisés e Abraão, 
E outros, assim, beatificados!

129
Conhecida a arquitetura do Inferno
E como ele começa e termina
Partimos prum relato nada terno,

Mostrando o passo a passo da ruína
Que o ser humano semeia com atos
Na passagem pela vida ferina.

Decerto não se constitui em fatos,
Porém a escala de crimes e penas
Desenvolve um intrigante retrato

Que nos faz estrebuchar as antenas.
Se lembram da onça, loba e leão
Que fizeram Dante rezar novenas?

Cada qual representa transgressão
Punida nos infernais arrabaldes,
Em ordem crescente de punição,

Incontinência, Violência e Fraudes.
Notaram qual é a principal delas?
Em quem mais vão despejar fogo em baldes?

Não é quem mata, esfaqueia, escalpela,
Mas quem engana, corrompe, desvia!
E não dá pra esquecer nossa novela,

Onde em época de vil pandemia,
Governantes desviam da saúde
O recurso que a salvação traria.

E deixar de raciocinar não pude:
Se as somas que não vão pra UTI’s
Aumenta é o número de ataúdes!

“Então, ó pessoas públicas vis,
Sabei que com esses atos danados,
Para muitas mortes contribuís!”

Para vós, os infernais magistrados
Somariam, sem a menor clemência
Os castigos abaixo listados:

Imersos, pelo crime de violência,
Em sangue fervente pela garganta.
E pelo roubo, a eterna pestilência 

De serpentes em dioturna janta,
Causando-lhes frequentes aflições! 
O canto seguinte detalha e canta

Os restantes crimes e punições

130
Estendi-me um pouco que demais
Nos lamentos que experimentamos
Nos execráveis tempos atuais,

Mas eu agora garanto que vamos
Ser mais céleres na vã descrição
Do que é o Inferno em seus tristes ramos.

Nos Círculos DOIS ao SEIS, há, então,
Os que morreram em Incontinência,
Assim dita Primeira Transgressão.

Naqueles estão, sem qualquer clemência,
Avaros, pródigos, luxuriosos,
Que dos crimes não tomaram tenência,

Assim como heréticos e gulosos,
Também os rancorosos, iracundos.
Tivessem alguns em vida, ditosos, 

Se arrependido dos atos imundos,
Teriam um lugar no Purgatório,
Apenados por seus erros rotundos,

Mas em pleno processo expiatório,
Com chances de ascender ao Paraíso.
Retornemos, então ao falatório, 

(ai, não consigo ser mesmo conciso)
Descrevendo as vis penas capitais
Pelos pecados de mesmo juízo.

As Luxúrias na vida são banais
Mas ali se lhes pune o negro vento
A sacudi-las pra frente e pra trás

Provocando permanente lamento.
Decerto é menor que os pares da Gula,
Submergidos em solo lamacento,

Açodados por neve, chuva fula,
Granizo, e não só isso, ameaçados,
Por Cérbero, que sempre perambula

Co’as três cabeças por todos os lados
A intimidar, espancar, incessante,
Os pecadores, pra sempre acordados.

A crueza da pena avilta Dante 
Que não entende tamanho tormento,
Porém segue seu caminho adiante.

Não se perca que segue o sofrimento.
A Avareza está no Círculo QUATRO 
Co’a Gastança, mesmo fim virulento.

Um bloco incomensurável e atro
É empurrado por sobre enorme aro
Por um pródigo em lúgubre teatro,

Vendo igual tarefa de um par avaro
Percorrendo o outro lado da figura
Até encontrar o violento amparo

Do grande bloco d’outra criatura.
E se voltam pelo mesmo caminho
Pra seguir repetindo a desventura,

Um pro outro, em enorme burburinho
“Por que poupas?” ou “Por que dilapidas?”,
E tudo sob o comando daninho

De Plutão, amplificando as feridas,
O demônio horroroso e assustador.
No CINCO, os que tiveram suas vidas

Dominadas pela Ira e Rancor, 
Mergulhadas no Estige em negro lodo,
Os irados em módulo agressor,

Esmurrando-se febris o tempo todo,
Os outros, submersos por completo,
Borbulhando e lamentando o engodo

Das vidas a somarem desafetos.
No último círculo incontinente,
Que é o SEIS, para ser mais correto,

Apena-se quem viveu resistente
Aos dogmas ditados pela Igreja.
Aos heréticos, o fogo inclemente

Envolve cada tumba malfazeja,
Sem tampa, mas sem deixar saída
E pra que cada tortura se veja.

Escapam da punição vil, doída,
Os outros três Pecados Capitais
Que apenas ganham firme guarida

Fora destas câmaras infernais.
Então o Orgulho, a Inveja e Preguiça
São sujeitos a injunções penais

No Purgatório, sob outra premissa:
A expiação, de onde vão ao Paraíso
Em verdadeira ponte levadiça!

131
É, parece que não tem jeito mesmo
Achei que ia ficar em alguns cantos
E fui criando umas terças a esmo

E acabei me envolvendo tanto, tanto,
Que o canto acabou ficando enorme.
Porém, não vamos nos encher de prantos

Mas sim, seguir em frente nos conformes.
Não vou poupar verso, métrica ou rima
Pra que uma correta ideia se forme.

A Segunda Transgressão se aproxima:
Violência e Bestialidade!
É o Círculo SETE, torpe vindima

De castigos sem sinal de bondade.
O círculo é dividido em três giros,
Conforme a vítima, a severidade,

Cada pena que era melhor um tiro:
Contra Si Próprio, o Próximo ou Deus.
Maldades que só de ler, eu transpiro!

Giro 1, Contra o Próximo, um liceu
De aulas em rio de sangue fervente,
Centauros a flechar o fariseu

Que do nível da pena saliente,
Os Tiranos, até cobrir a visão
Os Homicidas, com garganta quente

Salteadores, com menor aflição,
Com sangue até a altura do peito.
Giro 2, numa selva em profusão,

Suicidas se arrependem do feito,
Transformados em árvores frondosas,
Hárpias a atacar sem preconceitos

Sangrando-lhes em dores horrorosas.
Em companhia estão os perdulários
Sempre a fugir de cadelas raivosas.

Mutilados em eternos calvários,
Com os membros refeitos em seguida,
Para retornar aos ritos sumários.

Giro 3, é muito duro o pós-vida
De blasfemos, em areião ardente,
Deitados em perene desvalida

Em chuva de chispas incandescentes,
Os usurários, ali a sentar,
Enquanto os sodomitas, inclementes,

Fadados a eterno caminhar
No mesmo deserto avassalador.
Se estranham a pena espetacular

Para o modo homossexual de amor,
É só lembrar que no Século Vinte
O gênio Alan Turing, o inventor

Do computador, sofreu o acinte
De uma torpe química castração,
Imagine então, por conseguinte,

Como era a triste situação
Daqueles irmãos em 1300.
Porém, não consegui explicação,

Nas escrituras e procedimentos,
Da razão de se tachar a usura
Como heresia a Deus, aos olhos bentos.

Seguiremos , agora, sem brandura
À próxima transgressão infernal.

Aconselho preparar a armadura...

132
Chegamos à Terceira Transgressão!
É a Fraude, que vem em duas partes:
A Fraude simples e a Traição.

A Simples, pra punir todas as artes,
É um cilindro que vem em 10 valas,
Não vá se perder nem sofrer enfartes!

Antes de ver o destino dos malas
Lembro que o relato é feito por Dante.
Do mentor Virgílio, ouve-lhe as falas,

E vai encontrando, sempre adiante
Figuras da Clássica Antiguidade,
E gente que lhe foi interessante.

Com a jornada refeita em nossa idade,
E se correta for essa visão,
Figuras de torpe notoriedade.

Lá nas valas infernais estarão,
Sofrendo pelo que fizeram em vida,
Pulhas do mensalão, do petrolão,

E outros ãos que terão a acolhida
De demônios e infames sofrimentos,
Essa raça que deixou combalida,

Em meio a sórdidos tormentos,
Gente que depende do governo,
Suas instituições e instrumentos.

Sugiro que se anote num caderno
Na medida em que identificar
Nomes de nosso ambiente interno

Em que for possível associar
Àlguns dos crimes relacionados.
E não poderia deixar de lembrar

Que Hitler, Stálin, e outros celerados,
Como Saddam, Gaddafii, Mao, Pol Pot,
Seriam estranhamente condenados

A castigos mais leves no caixote
De penas, no panorama dantesco.
Comparável a um leve convescote.

Sem dúvida é um ponto pitoresco
A alertar nossos corruptos de plantão:
“Acabem com esse costume grotesco,

Devolvam o que afanaram de antemão,
Pra ficar melhor na fotografia!”
Nossa, demorei muito na ilação!

Vou deixar o detalhe da porfia
Pra ser descrito no próximo canto
Irei vala por vala na desvalia.

E, sim, terminarei, isso eu garanto!

133
Homerix, pelo andar da carruagem 
Vais compor uma alentada obra
Aproveitando o tempo que te sobra
Durante o acontecer desta estiagem 

Que nos priva de um prazer, uma viagem 
De ir à praia, brincar em água salobra
Pegar o carro, fazer uma manobra
Viver a vida e não uma miragem

Mas, para nós, leitores encantados
Esta é uma nítida vantagem
De poder ler os teus dantescos fados

E até acho que deve ir pro teu semblante 
O adorno que é de louros a ramagem
Que enfeita o perfil nobre de Dante

134
Longe disso, amigo, bondade sua!
Dá-me grande prazer esta querela,
E com Dante é cor viva numa tela
E o elogio, o fervor acentua.

Vou dar breve parada nesta grua,
Pra registrar diferente aquarela
Sobre um grupo de paixão singela,
E depois, a refrega continua.

Há 10 anos, celebramos a história
Dos quatro rapazes de Liverpool
Vida, canções, derrotas e vitórias.

Agorinha, num virtual festim
Pintei a ocasião de vivo azul
Com poeminha que ficou assim:


135
“Há 10 anos, soltamos a matraca
Em torno de legítima paixão,
Enaltecemos os gols de placa
De Ricardo, Jorge, Paulo e João.
Um de nós, dos outros se destaca:
Sabe muito inda toca violão!
E é pra ele que nossa voz se ergue

Feliz Aniversário, Danemberg!!!”

_________

E então saudei aniversariantes de junho
da minha turma de empresa...

136
E lá se foi o Maio recordista
De Parabéns no CEP-81,
E terminou com mais uma conquista,

Pois Lúcia só teve um breve jejum,
Após 34 anos de lida,
Na empresa de nós todos comum.

Aqui vai mais um Parabéns, querida!
E junho arrebentou logo de cara,
Nosso Egídio celebrou na partida!

Inaugurou a nossa alegre seara
E em breve será a vez de Alberto
Que em paz, muito celebrará, tomara!

Dia 8, tem Odair, que oferto
Parabéns antecipados e.... Vixe,
Até fiquei assaz boquiaberto,

A seguir, junta Pollilo e Konichi!
No terceiro decanato tem João.
Que a alegria a todos eles espiche! 

Que a todos emocione o coração!
Dos viventes, falei, mas continuo,
Porque me foi grande a emoção,

E de homenagear, eu não acuo, 
Ao perceber na lista do Excel
O nome do bom amigo Kazuo,

Que com sorte, talvez já lá no céu,
Pelas palavras que a filha ofertou,
Viu em maio chegar-lhe um troféu,

Pois a indústria assim o consagrou!
E, retornando a meu confinamento,

Sem mais pra o momento, já me vou!

_________

E então um brilhante colega de
empresa se aposentou!

137
Verbo: Orlar. Gerúndio: Orlando
De muitos sinônimos eu crivo!
Brilhar, Brilhando? Encantar, Encantando?
Nobre! Sagaz! Inteligente! Ativo!
O nome do velho pai orgulhando:
Gerente Normal, Geral, Executivo!
Fala mal dele? Ajoelha no milho!

É Orlando José Ribeiro Filho

_________

E voltamos ao Inferno de Dante

138
Agora nós vamos direto ao ponto!
Na Vala 1, Sedutores, Rufiões
Correm em constante contraponto,

Pagando por suas embromações 
Com a lábia que o diabo lhes deu,
Têm as costas em rudes arranhões

Açoitados por demônios só seus.
Aduladores, na vala segunda,
Lisonjeadores no próprio apogeu

De suas fezes em rotina imunda.
De tanto venderem indulgências,
Simoníacos em grota profunda

Têm pés pra fora em perene inclemência 
De chamas em eterna combustão.
Isto, na Vala 3, sem condolências.

Na quarta, pagando por compulsão
Em enganar, antevendo o futuro,
Os Adivinhos choram em aflição

Com a frente sempre para o escuro,
Suas cabeças para trás torcidas,
Pagando suas mentiras com juros.

Na Vala Cinco, castigam-se as vidas
Dos vis Corruptos e Traficantes,
Com todas as partes imergidas

Em alcatrão fervente e causticante,
E a cada tentativa de escapar,
Encontram 10 demônios vigilantes,

Com dupla missão: dilacerar
As cabeças que encontrarem pra fora,
Reformá-las para ao pixe voltar.

Chegando ao meio círculo agora,
Uma parada se faz necessária
Pra descansar a Caixa de Pandora.

O nome desta câmera mortuária,
Na língua da Florença erudita,
É Malebolge, na acepção primária,

Quer dizer Bolsas ou Valas Malditas,
As quais continuamos a descrever
Em nossa missão deveras bendita.  

Na Sexta Vala, se vê o sofrer
Dos Hipócritas, sempre caminhando
 Sob peso de impossível soer

Para lembrarem-se de quão nefando
Era o hábito de enganar os viventes.
Porém Dante viu lá, não carregando

A vestimenta de chumbo inclemente,
Mas crucificado, era aquele primaz
Que acusou, e convenceu tanta gente

Que Cristo era pior que Barrabás,
Agora sofrendo as mesmas vis dores
Do Salvador. Seu nome: Caifás!

A Vala Sete pune os pecadores
Que tomavam o que não era deles,
Os Ladrões, de variados pendores.

Serpentes lhes dilaceram as peles,
Tomando-lhes suas feições humanas,
Coligindo depois o corpo a eles, 

Para renovadas aflições insanas.
Os Maus Conselheiros têm seu lugar,
A Vala Oito, em condições tiranas,

Envoltos em chamas a mergulhar
Em oceanos de lava, e açoitados
Por raios a aumentar seu penar.

Na Vala Nove estão lá apenados
Os Cismáticos, os semeadores
De desunião, tanto motivados

Por religião ou por desamores
No seio familiar, e seu castigo
É recheado de aflições e dores,

Carregando sempre consigo
As partes que lhes foram decepadas
Conforme as leis, incisos e artigos

Das discórdias em vida provocadas.
Um desfile de entranhas, mãos e pés,
Línguas, orelhas, cabeças cortadas.

Afinal, chegamos à Vala DEZ
Do Círculo OITO do Canto UM
Da Comédia, a merecer rapapés

Ao firme ritmo sem descanso algum.
Fiz esse stop pra não perder a conta
Da saga avassaladora incomum

De Dante Alighieri, que aponta
Os caminhos para além desta vida,
Em crueza que por vezes afronta!

Nesta última vala, reina a ferida.
Falsificações de todo jaez
São aqui severamente punidas

Por ulcerações de dura agudez:
Alquimistas, inchados, hidropsia;
Simuladores, lepra, em fetidez;

Falsos ficam loucos em agonia;
Mentirosos, com febre ardente, sede.
Findamos!! Mas é breve a alforria!

139
Chegamos ao Círculo NOVE, o fim!
Lá embaixo encontra-se o Diabo,
O rebelde caído querubim.

Neste Canto, enfim, eu levo a cabo
A descrição do Inferno de Dante,
Missão de que decerto me gabo.

Pra começo de papo é intrigante
Que o pior dos crimes, a Traição,
Não está punido em fogo flamante.

Mas é gelo o que comanda a aflição!
São quatro as esferas de pecadores.
Caína, pois Caim matou o irmão,

Onde se castiga os vis traidores
De parentes, que tinham confiança,
Submersos em lagos congeladores


Até seus ventres, adeus, temperança.
Antenora, do troiano Antenor,
Que com gregos fez aliança,

Pune quem da Pátria é vil traidor.
Estão só com as cabeças de fora.
E em um terceiro gélido horror, 

A chorar pelos crimes de outrora,
Está quem traiu gente convidada.
Só a face de cada um aflora

Mantendo as lágrimas congeladas.
Ptoloméia é como chama a esfera
Lembrando na Jericó sitiada,

Simão e seus dois filhos à espera
Da boa recepção de Ptolomeu,
Que entretanto na espada os dilacera.

No último gelado perigeu,
Quem a Mestres e Reis traiu
Está sob o domínio de Asmodeu,

Submerso em seu gélido covil.
Só três tem tratamento diferente:
Satanás, em peludo corpanzil,

Com suas três cabeças, inclemente,
Mastiga os três maiores traidores,
Brutos, Cássio e apenas e tão somente,

Judas, culpado de todas as dores
De Cristo, em sua missão redentora.
Judeca, chama a esfera dos horrores.

Ai, mas que jornada assustadora
Tiveram Dante e Virgílo, seu mentor.
Seguem na viagem libertadora.

Começa o Purgatório
__________

140

Do nosso planeta em 1300,
E durante a Era Medieval,
Era diferente o conhecimento.

Num hemisfério setentrional
Havia toda terra e toda gente,
E lá na remota metade austral

Um oceano, sem vida presente.
No centro desse imenso oceano
Uma montanha se eleva, imponente,

Que é o Purgatório soberano,
Purgando os Pecados Capitais,
Que comprometem o andar humano.

São Sete Círculos Co-axiais
Com seus diâmetros diminuindo
Até o Paraíso em seus portais.

As penas que lá se vão impingindo
São menos cruéis que no lado oposto
Pois de desconforto vão infligindo

Mas de dores não lhes dão o desgosto.
As almas as cumprem, tão ansiosas
Por preces que as afastem do encosto,

Que as liberará para, gloriosas,
Rumarem, beatas, ao Paraíso!
Sei que pessoas estão desejosas

Pelo, das penas, relato preciso,
Mas devo voltar à Cosmologia,
E prometo que serei bem conciso.

É que no início desta vã porfia,
Ao descrever do Inferno a arquitetura,
Faltou detalhe da geografia.

O mundo então tinha a envergadura
Da Espanha até o Golfo de Bengala,
Jerusalém no centro da figura,

Onde se abre a insuperável vala,
Destino dos pecadores mortais,
O Inferno que as almas encurrala.

Dante desce os círculos infernais
Até chegar ao centro do planeta,
E não volta, mas segue mais e mais,

Agora subindo a posterior valeta,
Surgindo noutro lado, no oceano,
Pra abrir do Purgatório a maçaneta,

E seguir, de Beatriz, o santo plano.


141

Na praia daquela gigante ilha,
Donde se vê montanha até o céu
Continuamente chegam camarilhas

De almas em colossal escarcéu,
A ver em que estágios ficarão,
Penando até descerrarem o véu

Que lhes dificulta a sublimação.
Ancião, legista da Roma Antiga,
Do Purgatório, é sagaz Guardião.

O arrependimento dá a liga:
Se já faz tempo, Catão já libera
Para o devido círculo que abriga

Os pecadores de igual quimera.
Já os arrependidos tardiamente,
Não já. Vão ter que amargar dura espera

Em tempo ao mínimo suficiente,
No assim chamado Ante-Purgatório,
Ao tempo de quando, enquanto viventes,

Habitaram pecador território.
Tendo vencido essa fase, então vão
Ao devido círculo expiatório,

Onde pacientemente cumprirão
As penas assim estabelecidas,
Até que preces em sã profusão,

Daqueles que aqui ficaram na vida,
Os façam merecedores de alta,
E então possam proceder à subida

Para a paradisíaca ribalta.
Para finalizar a arquitetura,
Um interessante aspecto ressalta:

É que a severidade da aventura
Decresce ao se subir o grande monte.
Veja o Orgulho, maior desventura,

Inveja e Ira, a seguir se confronte
Preguiça e Avareza, ora se enfrente
Gula e Luxúria, antes da sacra ponte,

À entrada do Paraíso clemente.

_________

Intervalo para promover a saga

142
Aqui o 12° Canto
D’A Divina Comédia’ do Homerix.
Espero que eu possa seguir no encanto
De desvendar o destino das psiques
Dos amigados do Demo e do Santo,
E ao final brindarei de alambiques.
Em versos vou seguir firme e avante
Nesta singela homenagem a Dante.

_________

E segue Dante
143
A caminho do Portal do Purgatório
Almas interrompem Virgílio e Dante 
Pra lhes fazerem o relatório

Do por que não podem seguir avante
E muitas se assustam com a presença
De sombra na cercania do caminhante

Que ascendeu inda vivo de Florença.
Isso não ocorrera no sombrio
Inferno, de flagelação intensa,

De faca, ferro, fumo, fogo e frio,
Dos que sofrem os infindos castigos
Por terem vivido em vão desvario.

Chegando, afinal, um anjo amigo
Abre com chaves, de ouro e de prata,
O Portal do mediano jazigo

De expiações rumo à vida beata
Do Paraíso, o destino final.
Porém, pra dar-lhe a dimensão exata

De sua viagem celestial,
Dante ganha na testa Sete P’s
Um para cada Pecado Capital,

Cingidos pelo anjo com altivez
Usando sua angelical espada.
Eles sumirão um a cada vez,

Em meio à peculiaríssima jornada,
Que se vença cada qual das etapas
Da vital experiência angariada.
________________


144
De como superar um florentino
Esta foi tua proeza, caro Homero
Com lindo versejar e muito tino
Cumpriste esta missão com brilho vero
E tal como a Comédia, foi divino
O teu belo trabalho e aqui eu quero
Cumprimentar-te pela obra e pelo empenho

E à Musa que te deu arte e engenho

145
Obrigado, amigo, obrigado, amigo
Como sempre, o exagero presente.
Mas em verdade, amigo, bem te digo:
O esforço pra fazê-lo é inclemente!
Há vezes que desanimo, mas sigo.
O resultado tem sido decente.
Em tempo, aproveito e feliz, te aviso:
Já terminei de ler O Paraíso!!

_______________

E um grande amigo, super legal, fez anos.
Saudei-o num grupo comum

146
Não sei se sabem, ora leio Dante.
Na Divina Comédia, ele descreve
O que nos espera mais adiante
Quando nosso tempo aqui prescreve,
Do Céu Salvador ao Inferno flamante,
Quanto ao nosso amigo, ele nada deve.
De castigos, ao se ir, será imune.
São Pedro já tem placa: Pedro Bruni.



___________

E retornando aos Cantos do Purgatório de Dante

147
Adentrando à primeira vil cornija
(no Purgatório é assim que se chama),
Observa-se a rotina assaz rija

Dos orgulhosos em seu duro drama.
Caminham em rochosa rota estreita,
Emparedados por extensa gama

De imagens, à esquerda e à direita,
De exemplos de extrema humildade,
Em oposto à sua vida imperfeita.

E carregam, em sua triste realidade,
Blocos de peso maior ou igual
Ao tempo que eram corpos de verdade.
,
Em seu marchar de baixo astral
Pisam em mil imagens esculpidas
Da história da soberba tão cabal.

E em meio a essas penas tão sofridas,
Entoam, de forma tonitruante,
Um Pai Nosso com letras estendidas.

Achei a coisa tão interessante,
Que reservarei o próximo Canto
À análise do Pai Nosso de Dante,

E, sim, prevejo um desafio e tanto,
Pois que terei que encadear as rimas
Da explicação aos versos do acalanto.

Que as Musas me iluminem lá de cima!


148
Breve resumo do Canto anterior:
Orgulhosos carregam enormes pesos
E em Pai Nosso aliviam a dor.

Do desafio, que eu saia ileso,
Quero explicar a oração de Dante,
Que ela me deixou deveras surpreso.

“Entre aspas”, ditarei a versejante,
-Em traços-, a habitual acharás.
Ó Musa, me faça seguir avante!

“Ó Padre nosso que nos Céus estás,
Não circunscrito, mas em todo o amor,
Que aos primos entes do teu feito dás,

Louvado seja o teu Nome e Valor
Por toda criatura, à qual apraz
Render graças também ao teu Vapor.”

Não só nos Céus, o Pai encontrarás,
Mas nos filhos que tem-lhe o sobrenome.
Louvação ao Vapor também farás,

Que é do Espírito Santo o cognome.
- Pai Nosso, que estais no céu – orarás
- Santificado seja o Vosso Nome-

“Bem venha do Teu reino a nós a paz,
porque de procurá-la, se dos Céus
não vier mais, nosso engenho é incapaz.

Como, de seu querer, os anjos teus
fazem, cantando a ti, renúncia pia,
o mesmo façam os homens dos seus.”

-Venha a nós o Vosso Reino- se dizia
Pois impossível é nossa subida.
-Seja feita a Vossa vontade- seria   

-Assim na terra- nós aqui em vida,
-Como no Céu- onde em cantos se ouvia
Os anjos em hosana mais garrida.

“Dá-nos hoje o maná de cada dia,
Que, se faltar neste deserto infido,
Vai pra trás quem pra frente mais porfia.

E como nós o mal que hemos sofrido
A cada um perdoamos, tu perdoa
Benigno, sem cuidar se é merecido.”

-O pão nosso- alimento que abençoa,
Como o maná que salvou os judeus.
-Perdoai nossas ofensas- de boa,

Mesmo que imerecido aos olhos Seus.
-Assim como perdoamos-, à toa,
Quem nos causou mal, crentes ou ateus.

“Nossa virtude que preste esboroa
Não experimentes co' o antigo adversário
Mas dele nos liberta, que a aguilhoa.

Este rogo, Senhor, que último eu digo,
Por supérfluo, não é pra o nosso bando,
Mas pra os que ainda não têm o seu castigo".

Pra afastar o adversário nefando, 
-Não nos deixeis cair em tentação-
Lhe rogamos que execute o comando

E –Livrai-nos do mal- e da aflição.
Note que termina a similitude
Na penúltima terça da oração.

A última mostra a beatitude
Dos apenados, que dedicam a prece
À gente que ainda está na plenitude

Da vida e que portanto ainda carece
Da luz para que sigam bons caminhos.
E agora, que finalizou este estresse

De encadear versos com carinho
Com brilhantes outros já existentes,
Nesta missão que assumi sozinho,

Venho pedir perdão, entrementes,
Por umas breves gotas de apelação,
Que fogem das regras inclementes,

De que fui obrigado a lançar mão.
Se não percebeu, aqui eu entrego:
Foi, das rimas, a vil repetição,

Em duas ocasiões, e não nego
Que doeu-me fundo no coração,
E aqui pela terceira vez me pego!

Retornemos então à descrição
Das restantes penas do Purgatório,
Que Dante versejou com emoção!


149
Que sigas desta forma sempre avante
No árduo garimpar da rima certa
No teu interpretar d'obra de Dante
Mesmo quando o desafio aperta
E a Musa parece andar distante
E fecha uma porta quase aberta
Mas sua lide bela e temerária 
Dá-lhe o direito à sesquicentenária

150
Atingimos nobre sesquicentena,
Entre sonetos, estrofes, e cantos,
Em nossa prática de quarentena,
Quando exercitamos os encantos
Da poesia rimada e serena,
Aliviando diversos quebrantos.
E aqui agradeço ao culto Latim

Por prefixo tão adequado assim.
________________

E voltando a Dante


151
A caminho da cornija segunda,
Imagens de históricas figuras
Que caíram por aptidão rotunda

Ao Orgulho em suas vidas impuras,, 
O maior deles, o Anjo Caído, 
Lúcifer, que teve a queda mais dura

Por querer ser mais que seu Pai querido.
Um belo anjo se apresenta a Dante
Que sente seu peso diminuído:

Menos um P na testa, doravante,
Pra mudar de estágio capital,
Onde a Inveja é punida adiante.

 A sina dos que, na fala geral,
Têm no ‘olho grande’ o maior defeito,
Sofrem em seus olhos a pena cabal:

Ficando sem descanso em qualquer leito,
As pálpebras em arame cerzidas,
Pra que se recordem, do pior jeito,

Do tempo que perderam em suas vidas
Em dor pela felicidade alheia.
Grande exemplo de inveja ressentida,

Enorme trovão passa e alardeia
Uma frase de Caim a Deus dita,
Após inaugurar, de pecados, a teia,

Ao matar Abel, em cruel vindita,
Por ter o irmão melhor agradado
A Deus, não lhe perdoando a desdita.

Quem em vida teve na Ira o pecado
Expia-os indo em quase cegueira,
Sempre imergidos em fumo cerrado.

Vão em constante oração carpideira
Ao Cordeiro de Deus pra lhes tirar
Os pecados da vida estradeira.

Como exemplo de Ira lapidar,
Dante chora com a vil lapidação
De Estêvão ainda assim a rogar

Que se lhes perdoe a contravenção,
Maior mostra da palavra de Cristo.
Saindo da densa fumegação,

Mais um anjo vem pra lhe dar o visto 
E agora só com 4 P’s na testa,
Pode seguir para o próximo quisto.



152
Preguiça é o ponto médio da Montanha,
Ela é o quarto dentre os sete pecados.
Está também no centro da barganha

Dos níveis de amor experimentados.
Vejam que o Amor Prejudicial
É a tônica dos três já passados.

Na Preguiça, não se faz bem nem mal,
É a marca do Amor Insuficiente.
Já nos três a seguir no cabedal,

É o Amor em Excesso lá presente.
Perdoem este breve divagar,
E retornemos à nossa vertente.

Pecadores no monte a expiar
São castigados por ações contrárias
Aos costumes que lhes era vulgar.

Os preguiçosos ouvem vozes várias
De arautos a incitar muita pressa
Para realizar tarefas ordinárias,

E depois que cada a missão lhes cessa
Mais outra ordem lhes vem a cumprir.
Como exemplo de preguiça pregressa,

Um apenado fez a Dante ouvir
Da saga dos Hebreus em rebeldia,
Os Mandamentos driblavam seguir,

E ainda em vida sofreram porfia:
Quarentanos a vagar no deserto
Inda que mais curta lhes fosse a via.

Um P a menos na testa e esperto,
Dante avança pro terraço seguinte,
Onde os avaros, é líquido e certo,

Muito se arrependem pelo acinte
De terem poupado demais em vida.
Seus pares, de oposto constituinte,

Pródigos pagam em mesma medida.
Os dois pecados são lá expiados,
De barriga pra baixo, sem guarida,

Tendo suas mãos e seus pés sempre atados,
Ao sol entoando causos da pobreza
Como que a aprenderem dos pecados

À lua, é hora de cantar a avareza
Punida em vida, em plena encarnação.
Como exemplo de notável dureza,

Do caso do Rei Midas, vem a lição.
Com extremado apego a seu tesouro,
Pediu aos deuses o nobre condão

De transformar no tão amado ouro
Tudo o que tocasse. Brincou feliz
Até que percebeu o mau agouro

Que era o poder que tanto quis:
Comida e família ele dourou,
Mas pôde reverter a cicatriz.

Após o susto, Midas se tornou
De avarento em vero benfeitor.
E Dante, aquele ciclo terminou.

153

Com apenas dois P’s em sua testa,
Dante, ansioso, parte resoluto
Para o fim do caminho que lhe resta.

Inda com Virgílio em salvo-conduto,
Segue seu passo rumo ao Paraíso.
Encontra árvores, com lindos frutos,

Porém tendo seu topo como piso,
Como se fosse um pinheiro invertido,
Causando às almas duro prejuízo,

Distantes do alimento tão querido,
Que em vida afagaram o paladar.
A Gula é o pecado aqui punido,

A fome traz contínuo definhar,
Saudosos da extrema comilança,
E agora estando sempre a escutar

Exemplos de notável temperança
E também dos históricos pecados.
E lá também se encontra a lembrança,

Da árvore dos frutos consagrados,
Da serpente que nos causou a treva,
Que nos deixou milênios condenados,

Por atiçar Gula fatal em Eva.
Agora só resta o ‘P’ da Luxúria,
Que Dante, sofregante, ainda leva.

As almas, em permanente lamúria,
Declaram seus pecados em voz alta
Em meio a fogo crepitando em fúria.

O fluxo em oposto aos olhos salta,
Vão prum lado os heterossexuais,
Vêm os que o sexo oposto não lhes falta.

E se ouvem cantos angelicais
Com exemplos de desejo em excesso,
E outros de castidades cabais.
                                                             
O maior deles, claramente expresso,
De Maria, quando foi anunciada,
E retorquiu em espanto confesso:

‘Virum non cognosco’, estava intrigada,
“Como pode, se homem não conheço?”.
Por fim, Dante vê sua testa aliviada,

Mas ainda lhe surgia um tropeço,
Uma parede de fogo a atravessar,
A qual seria do fim o começo.

Após ela, um anjo a clamar
“Veniti benedictis Patris mei”
“Vinde os benditos de meu Pai”, a dar

Boas-vindas ao Palácio do Rei
Daquele Reino de Todas as Coisas.
Dante é prestes a bradar “Agnus Dei!”


155

Dante entra no Paraíso Terrestre,
Já sem a companhia do Mentor.
Em um cenário mui puro e silvestre,

Flores, frutos de toda forma e cor,
Águas correntes de ímpar frescura,
Ali, nem Eva ou Adão sentiram dor.

À beira de um riacho de água pura,
Dante assiste donzela do outro lado
A colher flores com doce ternura.

Matelda é seu nome, após, revelado,
Que lhe explica que o local foi feito
Pra o prazer do homem abençoado,

E que aquele Rio Letes, com efeito,
Vem da mesma fonte que o Eunoé,
E agora ele vai entender direito.

Aquele anula a culpa como é,
Desde que devidamente expiada,
E o último recobra a sana fé

Nas boas ações já realizadas,
Dois banhos que serão fundamentais
Para permitir no céu a entrada.

Explicações necessárias não mais,
Dante nota estupenda procissão
A brilhar nas rotas celestiais.

Candelabros, Livros, em sucessão,
Evangelhos, Virtudes, vêm trazendo
Um carro triunfal em suspensão,

Vem puxado por um Grifo estupendo. 
Ao som d’O Cântico, vem Beatriz,
O que deixa pobre Dante tremendo.

Ela invoca seu poder de Juiz,
Outorgado pelo Pai aos beatos,
Pede a Dante que cure a cicatriz

Da vida, seus feitos, fatos e atos
Para serem limpos em confissão,
O que ele faz, em penitente acato,

Imergindo depois em contrição,
Após despertar, Matelda o conduz        
Através do Letes, em ablução,

E afasta qualquer vestígio de pus,
Mergulhando a cabeça, qual Batista.
Finalmente livre de sua cruz,

Num pequeno séquito segue a pista,
Estácio, um que entrou junto com Dante,
As Sete Virtudes e a banhista,

Todos no rumo da fonte abundante.
Beatriz vai revelando segredos,
Enquanto seguem firmes adiante.

Quando chegaram, fim dos enredos,
Para o banho santo no Eunoé,
Repondo-lhes os pensamentos ledos

Da vida, renovando-lhes a fé.
Agora as duas almas estão prontas
E galgarão do Paraíso o sopé.



156

Estando agora pronto a desvendar
Mistérios do Paraíso real,
Beatriz leva Dante a volitar.

Na Cosmologia de então, igual
À de Aristóteles e Ptolomeu,
A Terra está em posição central

De estrelas, planetas e o apogeu.
Lua, Sol, Planetas, no dia a dia,
Constelações, anual perigeu.

Nove são as esferas na porfia,
Mais longe, maior bem-aventurança,
Dos cristãos de inferior energia

A Cristo e sua mui santa ordenança.
E fixos, a Rosa e os angelicais
Círculos, nove também, em balança,

No Empíreo das bordas celestiais,
Onde no centro está o Criador.
E seguiremos em nossos anais

Tentando descrever o Esplendor.

________
Pausa para saudar ex-comandado
Que fazia aniversário

157

Ó, Musa, recordo o trovão!!!
Curvas do Plano Diretor
Sob o crivo da pesada mão
De nosso Baiano Reitor!
E lembro do Vovô Fujão!
E, claro, do Sogrão Leitor!
Mas siga brilhando nos ringues

Ó, Fábio de Matos Domingues!!!
________
De volta aos Cantos Dantescos
Agora, já no Paraíso

158

Como já disse, nove esferas são,
Como se fossem nove atmosferas
De nosso planeta em sã ascensão,

Em que a cada andar se reverbera
O nível de santa beatitude
Da nobre alma que ali aglomera.

Na primeira, de menor magnitude,
A Lua abriga as almas virtuosas
Mas que não foram firmes na atitude.

Lá, Dante vê Santa Clara, bondosa,
Mas que foi retirada de um convento,
Para uma vida menos primorosa.

A seguir, Mercúrio, onde têm acento
Os que, em ambição, fizeram o bem,
Porém em busca de fama e provento.                                                                                          

O Imperador Justiniano mantém
Ali seu lugar. No Século SEIS,
Ele entregou as armas pr’outro alguém,

Em prol do aprimoramento das Leis,
Pois que, então, Roma era a Águia de Deus.
Ele conta que ali estão outros reis.

Dignifica dois seguidores seus:
Tibério que proveu Glória à Paixão,
E Tito, que se vingou dos judeus,

Colocando Jerusalém ao chão.
Vênus é a inspiração do puro amor,
Que ao terceiro Céu dá luz e vazão,

Lá estão almas que amaram com fervor,
Ainda que com pouca temperança.
Como exemplo desse fio condutor,

Dante vê Raab, que deu esperança
Aos hebreus em Canaã, abrigando
Espiões, que os levaram à bonança,

Na Terra Prometida. Abandonando
Sua rameira profissão, deu a luz
Ao bisavô de Davi, pés fincando

Na sã linhagem santa de Jesus.
Importante neste ponto é notar
Que não importa qual o seu capuz,

Qualquer alma pode bem volitar
Ao Empíreo, onde Deus se acha,
Para uma bênção e depois voltar

À atmosfera em que melhor lhe encaixa
Aos costumes que tiveram em vida
Que fizeram por merecer a faixa.

159
Na próxima esfera, com o brilho do Sol
E dos Sábios da Teologia,
Dante é recebido por nobre rol.

Santo Tomás de Aquino, em parceria
Com monges, filósofos, preceptores,
Chega dançando em cândida harmonia,

Conta de notáveis merecedores
Da presença nesta esfera celeste,
De São Francisco, muitos seguidores,

Que se casou com a pobreza agreste,
São Domingos, da Santa Pregação
A combater a medieval peste

Das heresias, e também Salomão,
O mais justo dos Reis de toda a história.
Marte é o mote da próxima ascensão,

Daqueles que experimentaram glória
De combatentes, mártires da fé,
Que em nome de Deus lograram vitória,

Até muito antes da Santa Sé,
Como o comandante dos Hebreus,
De Moisés discípulo, Josué,

E um primeiro Judas, dos Macabeus,
Qu’inda antes de Cristo expandiu
As fronteiras da terra dos Judeus.

Dos mais recentes, Dante descobriu
Lá entre as almas um seu ascendente,
Que em uma das Cruzadas sucumbiu,

Além de muitos outros combatentes,
Várias Guerras Santas, de outro jaez,
Como Carlos Magno que, inteligente,

Para expandir seu Império Francês,
Aliou-se a Adriano Primeiro,
O Papa que, esperto, por sua vez,

Queria Sacro Império sobranceiro,
O que ambos conseguiram, sobrevindo

Nova Pax Romana por inteiro.


160
Júpiter é dos Justos a Esfera,
Onde Dante vê Águia Imperial,
Em que para ele finda a espera

Por uma dúvida transcendental:
A de por que almas sãs e perfeitas
Não merecem lugar celestial

Pela razão de não estarem sujeitas
Ao conhecimento da Lei Divina.
A dúvida é então satisfeita

Por uma só voz clara e genuína
Que emana das Almas Justas e Santas
Da Águia de Deus, que a ele ilumina:

O Pai não podia estender a tantas
Paragens do Universo em vil excesso,
E optou por negar as sagradas mantas,

Causando injustiça nesse processo,
Ao menos aos olhos de nós, mortais.
Dante resignou-se em calmo recesso,

E foi apresentado aos Seis Vogais
Representantes Ases da Justiça
Em suas nobres vidas dentre os quais,

Rei Davi, pra bem além da fama viça,
Quando venceu Golias bem menino,
Adotou pra si a missão castiça

De fornecer o devido destino
À Arca da Aliança, Jerusalém,
Dessa forma, deixando cristalino

O elo milenar que Deus mantém
Com o povo escolhido no deserto.
E os Justos também dizem amém

A Reis, Imperadores e esperto
Descendente de Davi, Ezequias,
Que governou de jeito limpo e aberto,

E combateu a vil idolatria.
Acometido de doença mortal
Pôs-se a orar com grande maestria

E lhe foi dado tempo adicional.
Com essa informação interessante,
Dante segue trajeto celestial

Rumo à Esfera Sete, a tronante.
É Saturno, dos Guardiães Tronos
De Inteligências Celestes. Avante,

Ele estranha não encontrar colonos,
Os Contemplativos que esperava,
Mas aqui ele não terá tal bônus,

Pois a prudência assim orientava,
Que não suportaria a intensidade,
Tanto que Beatriz já se afastava,

Que seu fulgor seria uma maldade
Com os sentidos mortais do poeta.
Agora, rumo à maior potestade!

________

E Paul McCartney fez 78
E interrompi a Comédia
Para celebrar com alguns posts
A que convocava com poemas

161
Na Paul McCartney Week, 
Vai um texto a cada dia,
Para que na memória fique.
Aqui, sobre sua parceria,
Mais que nobre, chique,
Que nos deu tanta alegria.
Amanhã, meu carro atolo
Em sua carreira solo.
http://blogdohomerix.blogspot.com/2010/12/rock-parceria-e-poesia-2004.html
162
E seguimos celebrando
O aniversário do Macca,
E aqui vamos exaltando
Carreira digna de placa,
Fora dos Beatles estando
E mesmo assim se destaca.
Saibam que vem amanhã
Show de dar febre tersã!
http://blogdohomerix.blogspot.com/2010/12/paul-is-63-and-rolling-2005.html


163
Seguindo na Paul Week,
Faço aqui uma homenagem
A show invasor da psique.
Um chefe aclamou a viagem:
Uma palavra de Homerix
Vale mais que 1.000 imagens.
Amanhã, grande sacada
Finalizando a jornada.
http://blogdohomerix.blogspot.com/2010/11/meu-depaulimento-show-de-paul-mccartney.html

164
"Porque não vamos lá fora,
e atravessamos a rua?!"
Sacou Paul, assim na hora.
Da foto pra capa crua,
Que se espalhou mundo afora,
Que até hoje se cultua:
Abbey Road, fila indiana. 
E seguimos na semana!

http://blogdohomerix.blogspot.com/2009/08/por-que-nao-vamos-la-fora-e.html

165
‘Back In The USSR’,
Lá atrás brilhou a centelha.
Paul sempre quis lá cantar,
Fazer feliz russa orelha.
Enfim, conseguiu lotar
A linda Praça Vermelha.
E a Casa Banca se inflama!
Show pro Presidente Obama!


166
Paul cantou ‘Michelle, Ma Belle’
Pra mulher do Presidente,
Mas com seu lindo cordel
Conseguiu salvar os dentes.
Foi show de alegrar o céu,
Pra todos, foi um presente.
E agora, um triste recado:
O fim de um sonho encantado...


167
Foi Paul quem bradou o fim,
Da maior banda do mundo.
Acabou! Simples assim!
Foi um desgosto profundo.
Não foi o culpado, enfim.
As razões iam mais fundo.
Agora, um relato esperto,
Pois dele cheguei bem perto!

168
Foi Harvard que descobriu:
Com seis apertos de mão
Se encontra qualquer covil
De gente de sua atenção.
Quase cheguei ao Paul, viu?
Dois Graus de Separação!!
Agora bem menos stress
É Paul em Back to US


169
No meu ‘exílio’ no Texas,
Vi shows de enorme renome,
Deixando a gente perplexa.
E Paul me matou a fome.
Saldou dívida complexa,
Pois cantou “She’s Leaving Home”.
Finalizando a Paul Week
Descrevo um show muito chique!

170
                                                                            
Paul McCartney é maior
Não bastaram 7 dias
E com 12 foi melhor.
Finalizo co’a alegria
De um show que sei de cor.
E o velho Paul surpreendia:
Cartazes levaram lá
Na-NaNa-NaNaNa-Na
https://blogdohomerix.blogspot.com/2014/09/homerix-com-paul-in-rio.html

____________

E chegou 29 de junho
Que além de São Pedro e São Paulo
Celebra o lado Profissional
Deste Poeta alinhado à esquerda
..... atenção ... do texto!!

171
Era um clima hospitaleiro!
Era um sonho comum!
Era 5 de fevereiro!
Era 1981!


Dia de Santos queridos,
O Vinte e Nove de Junho
É um de poucos sabido.
E por ele aqui me empunho!

Todo mundo já sabia
Que água pesa mais que óleo;
Quase ninguém, que era o dia
Do Engenheiro de Petróleo!

Já são 39 anos,
Trago a imagem comigo:
Muita ilusão, muitos planos,
Cada um trazia consigo.

Éramos mais de duzentos,
Com cabelo e sem barriga,
Movidos aos quentes ventos
Da capital mais antiga.

Era gente de todo lado
Formando um grupo complexo.
Por vezes equilibrado,
Com exceção do tema sexo...

Nossa conta era a seguinte,
Da engenharia era o hino:
Relação de 1 pra 20!
Pouca caixa e muito pino! (1)

O dia era ensolarado.
Marazul ou Praiamar. (2)
Pondo as exceções de lado,
Viemos para ficar.

Chegamos humildes, quietos
Pra aprender um novo mundo,
Nova língua, um dialeto,
Conhecimento profundo.

Morreu no primeiro dia
Um mito que engana o mundo:
Que o petróleo então dormia,
Em lagos bem lá no fundo.

Geologia para engenheiros ...
Difícil aprender a lição.
Pois nos deixava cabreiros
Com tanta imaginação.

A gente nem entendia direito,
E pior, vinha o Girão! (3)
E se ria do seu jeito,
Falar Rausgama, Neutrão. (4) (5)

Pra ensinar Processamento,
Zé Alves, falar ‘sólene'. (6)
E tinha que estar atento
Pra entender a UPGN. (7)

Senão o Otto, era o Lima. (8)
Tentando nos convencer
"Perfurar está por cima:
Cê num vai se arrepender!"

A turma foi dividida:
Uns pra lá, outros pra cá,
Uma decisão pra vida,
Quase sem poder voltar.

Cada um teve um destino
No curso e na profissão.
Sul, Sudeste ou Nordestino,
Na Técnica ou Gestão.

Provimos o crescimento
De uma empresa sem igual,
Que valia monumento,
Mesmo antes do Pré-Sal.

Pena que uns sem-vergonha
Quase acabaram com tudo...
A situação é medonha,
Mas petroleiro é cascudo

Aos engenheiros ou ex,
Muita luz em seu caminho.
Sigam com jeito cortês
Neste mundo em desalinho.

Repito desejo expresso
Para o futuro que virá!!
Sorte, Saúde, Sucesso,
E Sossego e .... Saravá!
________________________________________________

P.S: Para quem não é da turma, ou do ramo


  1. Caixa e Pino: Apelidos das roscas de tubos, a primeira interna que recebe o tubo de trás, e a segunda externa que penetra o tubo seguinte, daí, a associação, entende?
  2. Marazul e Praiamar: nomes dos hotéis da orla de Salvador que receberam a maior parte dos 200 novos petroleiros
  3. Girão: professor da matéria Perfilagem de Poços
  4. Raosgama: como o Girão chamava o perfil Raios Gama
  5. Neutrão: como o Girão chamava o perfil Nêutron
  6. Zé Alves: professor baiano, de Processamento de Fluidos
  7. UPGN: Unidade de Processamento de Gasolina Natural
  8. Otto e Lima: professores da matéria Perfuração de Poços


___________


Saudando o ministro que não foi

172
O novo quase ministro
Queria ser Pós-Doutor,
Mas de Doutor, sem registro.
De frases copiador,
Nem Mestre, mas que sinistro!
E agora, nem Professor!
Resta um debate oportuno:
Será que ele foi Aluno?

____________
Filha de primos queridos
Casam-se apenas no civil
Festa adiada pela pandemia


173
Natália e Henrique queridos,
Que esses tempos de pandemia
Não empanem vossa alegria,
E que fiquem pra sempre unidos.

Que mostras de amor incontido
Envolvam o seu dia-a-dia.
Saúde, progresso e magia,
Que preencham vossos sentidos.

E que se assim Deus permitir,
Que seu lar receba a doçura
De bênçãos do Céu a cobrir

De harmonia, calor e ternura.
Que estejam sempre a luzir!

Parabéns! Família Ventura.
____________

E finalizando a saga dantesca

173
Uma escada dourada é o caminho
Para o Céu das Fixas Constelações.
Ao seu topo, olhou só um pouquinho

Para baixo e viu as revoluções
Das sete esferas já testemunhadas
Girando em torno das vis aflições

Da Terra em suas lutas desvairadas
Em que se enredou desde o mau fruto.
Ao retornar o olhar à sua pousada,

Dante se encanta com o impoluto
Séquito de Jesus e suas fileiras
De beatos em rumo resoluto

Ao Empíreo, levando as bandeiras
Do veneração a seu Supremo Guia.
E ainda vê a sagrada lumeeria

Em que ao centro está a Virgem Maria,
Que vai junto ao filho em elevação.
O poeta se deslumbra em alegria,

Nem consegue expressar a emoção.
Beatriz pede a ajuda de beatos
Que abandonem a nobre procissão

Para que verifiquem se são fatos
Os dotes do poeta, a lealdade
Aos princípios divinos correlatos:

A Fé e a Esperança e a Caridade.
São Pedro, São Tiago e São João,
Seus patronos, perguntam com vontade,

Dante usa plenamente o coração
E passa nos três testes com louvor.
E pronto pra seguir em ascensão.

Antes, porém, conheceu o esplendor
Da alma prima, que ali chegava pura,
E juntava-se ao ascendente andor.

Adão contou que, após a travessura
De Eva, pela Terra caminhou
Noventa e três decênios, se apura,

E pelo Limbo, então, perambulou
Por quatro mil trezentos e dois anos
Até que Jesus a tantos salvou

No caminho de volta aos altos planos.

174
Os três lumes Santos e o não, Adão,
Partem ao Empíreo, com luz e graça.
Beatriz traz Dante em adoração

Ao Nono Céu, cristalino, que enlaça
Os demais outros oito céus corpóreos,
De cujo movimento ele encompassa.

É o Primum Nóbile, giratório
Na mais alta velocidade e também
É do Tempo, o capataz Diretório.

De lá, Dante avisa, como ninguém,
Os Nove Círculos de Inteligências
Angélicas. Cada um se mantém

Ligado em direta jurisprudência
Com as esferas que dão volta na Terra
Tal qual virtuosa proeminência.

A Lua, de menor virtude, encerra
Com o primeiro círculo, dos Anjos;
Mercúrio, dos Ambiciosos, aferra

Elo com o Círculo dos Arcanjos;
O Céu de Vênus, das Almas Amantes,
Têm com os Príncipes firmes arranjos;

Da esfera do Sol, os Teólogos reinantes
Aliam-se ao Círculo dos Poderes;
Os Guerreiros de Marte, triunfantes,

Juntam co’a Virtude seus afazeres;
Os Justos de Júpiter são parceiros
Das Dominações, em santos prazeres;

No Ternário dos Círculos Primeiros,
Os Tronos associam-se a Saturno,
Céu dos Contemplativos Pioneiros;

Enquanto os Querubins, a seu são turno,
Aliam-se ao Céu das Fixas Estrelas,
E os Serafins em louvor dioturno,

Múltiplas bênçãos, para obtê-las
Em conjunto com o Céu Cristalino,
Tanta luz, difícil a Dante vê-las,

Rumo ao Empíreo, o Solar Divino.

175
Quando saíram do Móbil Primeiro
Dante sentiu melhorar-lhe a visão,
E no Empíreo, se entregou por inteiro

Ao assombro da prima Criação.
Deus, inda Luz em todo seu Esplendor,
Quem O olha ganha Paz de antemão.

Da Rosa Mística, em pleno fulgor,
Em seu centro, está a Virgem Maria.
Nas pétalas dessa sagrada Flor,

Milícia de Beatos na alegria,
Já com as faces que os corpos terão
No Juízo Final que os inebria.

Outra em constante feliz evolução,
A dos Anjos em perpétuo doar
O que foram receber na ascensão

Ao Pai, em firme vaivém singular.
Quem agora aparece é São Bernardo.
Beatriz se dirigia ao seu lugar

E o pôs a orientar o felizardo,
Ao final de seu glorioso caminho,
Livrando a beata do feliz fardo.

E Dante a vê em seu divino ninho
E lhe dirige um agradecimento
Por ter-lhe abençoado com carinho

Na sua jornada de salvamento.
São Bernardo segue em sua lição,
De apresentar a Dante o ajuntamento

De beatos, em santa profusão,
Circundando a Virgem Maria em luz.
Ao lado esquerdo se coloca Adão,

E no direito, Pedro, a quem Jesus
Deu as chaves de nossa Santa Igreja,
À frente, com a glória de quem conduz

Um povo inteiro à terra benfazeja,
Está Moisés, e ao lado o Evangelista
João, a quem sua caridade enseja

Aquela declaração imprevista
De Jesus: “Mulher, eis aí teu filho!”
“Eis aí tua Mãe!”, por todos vista

Na Cruz, todo ferido e maltrapilho.
Inda no sacro redor, Santa Ana
E Santa Luzia, quem dá o brilho

Aos olhos de quem tem a vista insana.
Aos pés da Virgem está a bela Eva
Ainda com a luz de primeira humana

De antes de levar todos à treva.
E lhe seguem Raquel, Judite e Rute,
Outras mulheres que Jesus eleva,

Lá no mais inferior azimute,
Salvando-as do Limbo do Inferno,
Decisão certa, que não se discute.

Mais abaixo, o contemplativo terno
São Francisco, Bento e Santo Agostinho.
E fechando da lição o caderno,

São João Batista, a cabeça no ninho.
E então, São Bernardo pede a Maria,
Em seu novo papel de bom padrinho,

Que conceda a Dante a sã alegria:
Conhecer o mistério da Trindade!
Sua visão clareia qual magia,

E ele vê, com imensa potestade,
Os três círculos de cores variadas,
No mesmo espaço, e mesma irmandade,

O Espírito Santo em firmes jorradas
De fogo sobre os dois primeiros pares,
E o Filho com imagens espelhadas

No Pai, contendo os dois, humanos ares,
Imagem, Semelhança, pode crer.
Em homenagem, cá as singulares

Últimas terças de Dante, a saber:
“Até que minha mente foi ferida
Por um fulgor que cumpriu seu querer

À fantasia foi minha intenção vencida
Mas já a minha ânsia, e a vontade volvê-las
Fazia, qual roda igualmente movida

O Amor que move o Sol e as mais estrelas”

176
A Divina Comédia do Homerix
Foi meu maior projeto deste ano,
E eu celebro com muitos pic-pic-pics.

Dediquei-lhe um esforço espartano.
O primeiro Canto em 20 de maio
Foi só um desafio entre hermanos

Que admiram dos versos o balaio.
Mas logo vem a ideia da resenha,
Quando então eu disse: “Daqui não saio!”

E quando nessa floresta se embrenha,
É difícil encontrar a saída,
Ainda mais ao descobrir-se a senha

Dessa linda encadeação incontida
De versos criada pelo Poeta,
Que deixo em maiúscula merecida!

Para não deixar a coisa incompleta,
Com Canto de Inspiração e Legado,
Contextualizei de forma direta

O cenário lá por ele enfrentado.
Depois, emendei 24 Cantos,
Com tudo irmanamente demarcado:

Cada Livro recebeu igual tanto,
Pra mim, a jornada foi um encanto,

Cada canto eu findava em sorriso,
Fiquei em Dante feliz e imerso,
Para ser um pouquinho mais preciso,

Foram mil trezentos e cinqüenta versos.
Teve dois cantos que começam a viagem
E os dois que fecham o universo,

Este aqui e mais um em homenagem
Ao nobre valoroso tradutor.
No começo da minha ‘reportagem’

Optei por ajustar o seletor
Para uma abordagem pragmática,
Para não derrubar o firme andor,

Embrenhando na discussão dogmática.
Resolvi centrar nas informações
De disposição mais direta e prática.

O que mais se viu foram punições
Aos pecados mortais e capitais,
E virtudes e localizações

Das gentes que ficaram nos anais
Da História Antiga e religiosa,
Nas arquiteturas sensacionais,

Descritas de forma prodigiosa
Pelo Poeta-mor da Cristandade.
Foi-me tarefa muito saborosa

Caminhar por maldades e bondades,
Bem ou mal punidas ou premiadas.
No que concerne à atratividade

Do sentido das palavras cantadas,
Lembrei “Notícia ruim vende mais”
Que se diz da imprensa exagerada.

Constatei semelhanças pontuais,
Pois que atrai mais ler sobre penas
Do que sobre bênçãos celestiais.

Espero ter agradado às antenas
De meus atentos leitores queridos,
Vou até rezar algumas novenas.

Obrigado pelos tempos fluídos.


177
Quando se lê livros em Português
E o original é em outro idioma
A gente percebe, de quando em vez,

No rodapé, informação que soma
Para o entendimento do leitor,
Que nos salva tal qual firme redoma,

A famosa ‘Nota do Tradutor’.
Tendo acabado de ler ‘A Comédia’
Obra-prima de notório esplendor,

Com dificuldade acima da média,
Em que é necessário ao profissional
Saber nível alto de enciclopédia,

E além disso, uma aptidão colossal
De versejar com rima encadeada
Mantendo o sentido original,

Sem perder o doce fio da meada,
Terça a terça pelo longo caminho
De 14 mil versos, linda estrada,

É bem de se ajeitar o colarinho,
Contratar coquetel com canapés,
E dar Nota AO Tradutor, com carinho,

Um muito sonoro DEZ, NOTA DEZ,
Qual diria Carlos Imperial,
E cercá-lo de ternos cafunés.

E na Comédia, ele é fundamental!
São tantos nomes e situações,
Que sem seu estupendo cabedal

De história, fatos e informações,
Que vêm nos mui bem-vindos rodapés,
Impediria as interpretações,

Seríamos pegos nos contrapés,
À deriva no denso temporal.
Ítalo, coloco-me aos seus pés!

E vejam como é fenomenal
Sua história, querido ouvinte!
É nascido em São Paulo, Capital,

Aos nove anos do Século Vinte,
Filho de pai e mãe italianos,
Mas veja bem o incrível requinte,

Na Primeira Guerra, passou os anos
Na Itália, onde o pai médico serviu,                       
Onde ‘piano piano se va lontano’,

Empreitou uma tarefa varonil:
Guardou de cor a Comédia de Dante!!
Bem educado, PONTE QUE PARTIU!

Na volta, a paixão seguiu adiante:
Estuda lá no Dante Allighieri.
Na literatura não vai avante,

Porque a Engenharia ele prefere.
Faz nome em Arquitetura Moderna,
Mas no final, é Dante que interfere!

Já nos setenta, volta a paixão terna
Pelo Poeta maior florentino,    
E o doce tempo não lhe passa a perna:

Por 15 anos traduz, bailarino
Dos versos cultos com rima encadeada,
Conseguindo um sucesso genuíno.

A obra foi com honra premiada
Com o renomado Prêmio Jabuti,
No ano 2000, quase ao fim da estrada.

Mais três anos, foi-se embora daqui.
Digníssimo Ítalo Eugênio Mauro,
Grato por descascar o abacaxi!


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Pausa para saudar os aniversaariantes
De minha turma em Julho

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Já metade sucedeu,
Mas eu nem vim à tribuna.
Hoje, Teidi e Tadeu,
No começo, foi Pavuna.
Willy segue o jubileu,
Reinaldo fecha a coluna.
Sem contudos ou poréns,
A todos dou Parabéns!!!

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Pausa para saudar um gremista
Que fazia aniversário

179

Bem avisou o Guru!
Saudarei com oboés,
Celebrarei em rebu,
Nosso grande Radaés.
Mas assim, no claro e cru,
De verdade, quem tu és?
No crachá, está cabal:
Tu és ‘INTERNACIONAL’

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Pausa para saudar os aniversaariantes
De minha turma em Agosto

180

Assim com tanto aniversariante,
Uma estrofe só não ia dar certo.
Resolvi usar as terças de Dante,

Em decassílabos com fim incerto.
Agosto é só serpentina e confete
No nosso grupo ínclito e esperto.

Começando com dois no dia sete,
É parabéns pra Régis e Parada.
E nem bem dispensamos a claquete

Aparecem, como quem não quer nada
Nobres Wellington e Guadagnin.
E passando mais seis dias na estrada,

A Luiz Flávio, brindamos com Tin-Tin.
Dia 18, atropelando os fatos,
Para mais três, tocamos o clarin:

É Ricardo César e Henrique Mattos
E o Rubens que não sei pronunciar.
E vem Amigo com espalhafato,

Lá no dia 23 a celebrar.
Mais cinco dias, Levi segue a sina,
De bem celebrar e comemorar.

Finalmente, quando agosto termina,
Quem canta Pique Pique Rá-Tim-Bum,
São os amigos Herbert e Gravina.

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