de Renata Ventura, abro espaço aqui para uma das lutas da autora. Suas lutas são perenes ou foram brevemente interrompidas por sua dedicação às peripécias de Hugo Escarlate entre seu mundo mágico e o mundo real de sua favela: o combate à colonização cultural do brasileiro, a defesa do ensino de valores morais nas escolas e a disseminação do Esperanto.
Aqui, transcrevo o primeiro trecho da introdução da monografia
Desde seu “descobrimento”, o Brasil é assolado por uma doença séria, cujos sintomas são a baixa auto-estima e o menosprezo por tudo o que seja nacional. Ela ataca boa parte da população e é causada, principalmente, pela mania que o brasileiro tem de só gostar do que vem de fora. É a síndrome do colonizado.
Não é a admiração pelo estrangeiro que é prejudicial, mas sim a imitação gratuita de uma outra cultura por achá-la superior à sua. Este comportamento, que nasce no início da dominação portuguesa, passa pela colonização cultural francesa e vem até a nova colonização perpetrada pela indústria cultural americana, leva não só a um menosprezo esnobe por tudo o que seja diferente da cultura da “metrópole” (a cultura dominante), como também a uma consequência ainda mais preocupante: o brasileiro, principalmente a elite pensante, passa a interpretar os problemas, as características e os comportamentos do Brasil através dos olhos de um outro país que julgam ser mais desenvolvido. Interpretação esta que leva a conclusões errôneas sobre a cultura brasileira, por se basear em estereótipos criados por estrangeiros e não em observações e estudos profundos sobre o país. Enquanto isso, a população se vangloria por falar palavras estrangeiras, rechaça as culturas regionais e tudo o que possa parecer “inferior” aos olhos de um estrangeiro, imita seu modo de vestir, de falar, de portar-se e, por que não, de pensar.
A visão de um colonizado se fixa em um só ponto de referência, sempre estrangeiro, que limita seu pensamento e sua maneira de ver o mundo e o próprio país em que nasceu e vive. O colonizado passa a reconhecer na metrópole escolhida, a única possibilidade de se desenvolver e evoluir.
___________________Uma descolonização do Brasil se faz necessária quando se constata a falta de respeito que o brasileiro tem por sua própria cultura. Falta esta causada por uma mentalidade que o transforma, e sempre o transformou, em mera marionete; papagaio desorientado que imita até mesmo os hábitos mais prejudiciais à saúde, em nome de uma superioridade ilusória que é sempre buscada no exterior. É preciso que o brasileiro se liberte desta ilusão para poder finalmente olhar-se no espelho e se reconhecer como um ser pensante, conhecedor e mestre de si mesmo.
A Segunda
Abraço
















