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quinta-feira, 29 de abril de 2021

Maxwell´s Silver Hammer, ah Paul, menino mau!

Esta é a 3ª canção do Lado A do LP Abbey Road

a história do álbum, cenário, assuntos e canções, aqui neste LINK

É uma de 7 canções com histórias engraçadas

                                        as demais 6 canções de mesmo Assunto e Classe, neste LINK

Atenção, canções com títulos em vermelho 

são links que levam a análises sobre elas.

3. Maxwell´s Silver Hammer  (Funny Story Song by Paul McCartney)

Paul conta 'Posso levá-la ao cinema, Joan? Ela aceita e quando se apronta para ir, Maxwell chega à sua porta e 'Bang Bang, o martelo de prata de Maxwell atinge a cabeça dela, até ele ter a certeza de que ela está morta!' 

Caramba, Paul, what the hell? E tem mais, ele ainda vai à escola e a coisa se repete com a professora que lhe deu o castigo de escrever 50 vezes que não deve ser assim, e só depois o rapaz é preso, mas na hora do julgamento, aclamado por Rose e Vallery, repete a dose no juiz! Ah, Paul, mas que humor negro é esse?! Ah, eu gosto muito! E vou repetir aqui:

                D-I-V-E-R-T-I-D-Í-S-S-I-M-A!!!  

A estrutura da canção é composta de 3 Versos, um para cada martelado, cada um seguido por uma ponte, com letras diferentes, e depois o refrão "Bang! Bang! Maxwell's silver hammer came down upon her head. Bang! Bang! Maxwell's silver hammer made sure that she was dead." nos Versos 1 (Joan) e 2 (Professora) e trocando por "his/he" no Verso 3 (Juiz). Destaque-se o Paul de sempre em suas rimas internas ("Science in the home, Late nights all alone", ("Teacher gets annoyed. Wishing to avoid ...", "So he waits behind, Writing fifty times" e "Maxwell stands alone, Painting testimonial pictures), e com a escolha de nomes dos personagens de sua historinha que se encaixassem no tema "Edison-Medicine", "phone -Joan", "Vallery-gallery".

Musicalmente? Um Vaudeville (*) delicioso, estilo dos anos 1920! Mas sou minoria! Críticos arrasaram.... e os demais Beatles detestaram. É que foi muita insistência de Paul. Ele começou a compor em Rishikesh, pretendia que fosse pro Álbum Branco, não deu, tentou nas sessões em Twickenham, no Projeto Get Back, não deu, queria até que fosse single, não deu. Então, de Abbey Road, não escapava, mas ele infernizou a vida de George e Ringo até chegar ao ponto que queria, foram muuuitos takes! Interessante o som do martelo, que foi obtido por Mal Evans batendo numa bigorna! E o sintetizador Moog, já definitivamente na lista dos instrumentos preferidos pelos Beatles. 

Mas vamos a mais um pouco de 

detalhe sobre o tal 'inferno'. A coisa começou ok, em 3 de janeiro, num estúdio de filmagem (Twickenham), onde tudo era filmado, o projeto Get Back. Paul apresentou a canção ao piano, e ensaiaram 10 vezes, primeiro com Paul no baixo, depois George assumiu, passando Paul ao piano. Dia seguinte, além de George ensaiar um backing vocal, a novidade foi a bigorna que Mal Evans trouxe para ser martelada, sugestão de Paul, e o roadie assumiu o martelo, primeiro batalhando pra acertar as horas certas de martelar. Nesse dia, foram mais 18 ensaios. E num terceiro dia, vai contando, mais 13 ensaios. E o quarto dia foi o infausto 10 de janeiro, quando George se desentendeu com Paul e foi-se embora! Mesmo naquele climão, Paul botou os outros dois pra mais 4 ensaios, com direito a vocais irônicos de Paul e John, que certamente veremos na nova versão do filme que está pra sair neste ano. George voltaria 10 dias depois, com Billy Preston, que aparece na foto da bigorna acima. 

Pulemos 6 meses  e algumas estações de metrô adiante, e encontremo-nos em Abbey Road, estúdios da EMI, no glorioso 9 de julho de 1969, e imaginemos Paul, George e Ringo ansiosos pela volta de John após 10 dias de molho por causa daquele acidente de carro que mencionei em Come Together! 

Pausa para um evento marcante 

John chega aparentemente bem, com Yoko, como sempre, mas ela está meio cobalida, grávida de risco, e logo depois abrem-se as grandes portas do estúdio e quatro carregadores invadem, com uma cama hospitalar, com rodinhas, e logo chegam camareiras com lençóis, travesseiros e colchas, fazem a cama, e Yoko lá se instala. Imagine-se as bocas abertas de todos. John comanda a instalação de um microfone para o caso de Yoko participar (!!). Constrangimento geral. Essa pantomima se repetiria por muitos dias, com a cama viajando em suas rodinhas entre os estúdios 2 e 3, conforme fosse o estúdio onde John trabalharia. 

 Fim da pausa pa para um evento marcante 

John não participou das gravações naquele dia, aliás em nenhum outro da canção. Recusou-se a participar. Naquele famoso dia, Paul comandou 16 takes, na mesma configuração dos ensaios de seis meses antes, piano-baixo-bateria. Paul também gravou seu vocal, completo nos Versos 1 e 2, e incompleto no Verso 3, ainda sem letra definitiva (ouça neste LINK). Paul foi muito impositivo com Ringo e George nas sugestões de como queria os instrumentos em sua canção. Paul e George também tocaram guitarra, harmonizando conjuntamente, e cantaram os "tchutchururu" dos refrões. No dia seguinte, mais overdubs, incluindo agora a famosa bigorna e martelo, para serem tocados nos Bang-Bang's, desta vez, por Ringo. E também George Martin num órgão. E Paul e George nos backing vocals em falsete de "Mawxell must go free" do Verso 3, e chamando Ringo para o grave de "Maxwell hammer man". Paul fez arpégios ao piano que se ouvem antes do Verso 3, e finalmente acrescentou o vocal com as letras finais desse mesmo verso, o do julgamento. John ouvia aquilo tudo de longe, impassível, de um canto do estúdio.... Bem, se você pensa que acabou, está enganado! Um mês depois, Paul acrescentou o tal sintetizador Moog em diferentes modos, nos interlúdios instrumentais logo antes do verso 2, e ao longo deles, ao fundo, e próximo à conclusão, todas as inclusões com um efeito marvilhoso.

A canção fecha, com chave de ouro, um pentateuco de fofurice explícita de Paul McCartney, que embarcou nessa onda e surfou muito bem nela, gênio, sempre em homenagem às canções que seu pai colocava ele pra escutar, quando criança. Vejam quais foram, todas fofíssimas, e cliquem em seus nomes para mais detalhes: 

When I'm Sixty Four - Sgt.Pepper's Lonely Hearts Club Band - 1967

Your Mother Should Know - Magical Mistery Tour - 1967

Honey Pie - Álbum Branco - 1968

All Together Now - Yellow Submarine - 1969

Maxwell's Silver Hammer - Abbey Road - 1969 

Bem, gente, nada melhor do que esta animação (LINK) para contar a história que Paul contou!!

9 comentários:

  1. Cara vc é bom demais...seria o quinto Beatle?! Kkk

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  2. Aparentemente as frases dessa música não inspiraram nenhum louco tal como ocorreu com o SHOOT ME de Come Together. Ou será que sim?

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  3. Genial, o resultado final da gravação de _Maxwell’s Silver Hammer_, composição de Paul sobre o garoto Maxwell, com seu martelo prateado, fazendo bang-bang-bang, matando uma garota e, depois, a professora. Ensaiaram 10 vezes, houve desentendimento de George e Paul, saída de George, voltando dez dias mais tarde; presença imposta de Yoko, grávida de risco, acompanhando a gravação numa cama hospitalar de rodinha. Entre tantas, duas coisas espetaculares: o _link_ onde se ouve Paul falando e fazendo o vocal, e o filme de animação, sobre a matança feita por Maxwell com seu martelo prateado. Show!

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  4. Gênio!! Isso define Paul!! Adoro Maxwell!! E te adoro também, Homero! Ótimo texto, as always. BANG BANG!

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  5. Tudo maravilhoso, música e analise

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  6. Ótimo texto!Quem ouve por ouvir não faz idéia do que é a história bolada pelo Paul McCartney, gênio criativo e as vezes incompreendido pelos próprios amigos da banda.

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  7. Também gosto da música
    Bela e interessante descrição

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  8. Ha, ha, ha! Não conhecia a animação! Canção divertida, british humor negro do Paul. Som límpido, vocais bem-humorados. E - pela falta de ritmos das marteladas de Mal, vistas no filme Let it be - Ringo assumiu o martelo na gravação 😁.

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