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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Será que estava escrito?


Homerix em Áudio

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O que se segue abaixo
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Será que estava escrito?

Passou mais um 4 de agosto.
Completou 48 anos!!
Pensei no Day After! 
Como terei eu acordado naquela manhã de 5 de agosto de 1978?

Teria dormido bem?

Quase certo que sim, porque dormir mal não faz parte de meu ser.

Mas decerto que devo ter pensado na noite anterior, a do primeiro beijo, na Boate Terraço da Ilha Porchat, para onde eu tinha tomado a coragem de convidar Neusa, sabe-se lá como, depois de conhecê-la melhor um ano antes, na casa do Cid, seu vizinho da João Guerra, onde jogávamos Sueca, um delicioso jogo de baralho em duplas. Não a conhecera ali, pois ela já estava no radar há alguns anos, quando a via com seu namorado de então, no Colégio Santista.

Será que eu sabia que seria um namoro firme? 

Era meu primeiro namoro... será que eu ia acertar assim logo de cara e encontrar a mulher de minha vida? Até então, minha perspectiva era a de um futuro solitário, com um belo cachorro a meu lado... era mesmo!

Era um namoro de fins-de-semana, pois eu cursava a Escola Politécnica da USP, em São Paulo, onde morava numa República com outros cinco santistas, então aquelas noites paulistanas eram sempre de expectativa pelo fim das aulas de sexta-feira, quando pegaria meu Passat pra descer a Serra do Mar, as famosas curvas da Estrada de Santos, após as quais eu invariavelmente estacioná-lo-ia na João Guerra para vê-la, só indo pra minha casa tarde da noite. E sábado e domingo, íamos à praia, coisa que eu nunca fazia, mesmo morando em frente! Uma das muuuitas coisas que ela me ensinou a gostar.... quer dizer .... carnaval ela não conseguiu ... mas eu ia sempre com ela nos bailes do Atlético.

Será que passava por meus pensamentos que aqueles encontros de fins-de-semana passariam a ser mensais, depois da formatura, quando morei um ano em Salvador, mudando de profissão (de Engenheiro Civil a Engenheiro de Petróleo), e quando a saudade era suportada por longas e diárias cartas, onde eu contava detalhes de meu dia-a-dia baiano, incluindo aqueles longos fins-de-semana sem ela? 

O namoro suportaria isso?

Hoje é 7 de agosto!

A resposta?

Parecia que sim, afinal, tornamo-nos noivos, num daqueles retornos mensais, também num agosto, e a um ano da grande data de nossas vidas, quando ela adentrou, maravilhosa, a nave central da Basílica Maior de Santo Antônio do Embaré, a principal igreja de Santos (na verdade, a igreja se chama Basílica Menor, mas mudou de patamar, depois da passagem dela)!!

Lá se vão 44 anos!

E, logo após a lua-de-mel, no Sul, viria uma grande mudança! Eu ia tirar a grande alegria da casa de Dona Mira e Seu Antônio, para morar a 500 km dali, e eles ficariam sem ela, cuidando do Carlinhos, meu querido e especial cunhado. Será que isso estava em meu subconsciente naquele 5 de agosto? 

Será que isso daria certo?

Deu, sim, voltávamos frequentemente a Santos, e muitas vezes, buscávamos todos para ficarem com a gente aqui no Rio, era uma festa, especialmente após a chegada de Renata, e depois de Felipe... pena que vovô Antônio aproveitou pouco tempo do sonhado neto. E então, vieram Dona Mira e Carlinhos morar perto da gente, no mesmo prédio, três andares abaixo, depois mudamos para três andares acima, e veio a proposta para mudarmos para oito mil quilômetros dali. 

Será que isso teria a mínima chance de funcionar?

Funcionou, fomos, e voltamos 4 anos depois, e ano seguinte estávamos os seis juntos num mesmo teto, mais um tempo passou, e se foi o querido Carlinhos, e outro tempo depois, nossa querida Dona Mira, e ficamos, aposentados, e junto com filhos e Luna e Apollo, curtindo essa vida, bem felizes.

Tudo deu certo! 

... agora, com algumas atualizações...
  • O filho saiu de casa...
  • Voltei a trabalhar...
  • Apollo se foi, lindo!
  • A filha também se foi!
  • E levou Luna com ela!

Mas decerto que nem de longe imaginava tudo isso aquele universitário de 20 anos, um dia depois de encontrar o amor de sua vida!!

Decerto que não...

sábado, 25 de outubro de 2025

O dia em que a Madrinha viu a capa do 1º disco dos Beatles


 Este é o 3º programa mensal especial do Submarino Angolano, em que Virgínia Abreu de Paula nos conta sobre suas experiências com os Beatles. 

Ela tem hoje 77 anos e viveu Beatles na veia, e tem muita história pra contar!

Clique no play verdinho acima e se quiser leia o que acontece aqui abaixo

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Caríssimos  ouvintes,  aqui é Virginia Abreu de Paula, de Montes Claros, MG, Brasi,  com o 3º episódio das  série Os Beatles na minha Vida. Hoje, conto para vocês  o que senti ao   ver a capa do primeiro compacto lançado aqui no Brasil. Venham comigo  para o dia 27 de maio  de  1964, em Belo Horizonte. Estou na casa de um primo do meu pai, o dentista RuyTupinambá.

Tinhamos jantado  juntos, na noite anterior,  celebrando o aniversário do meu irmão Virgílio.Sua filha, Angela  Vera,ainda com 12anos, assim que me vê,  pergunta  se eu já tinha ouvido falar nos Beatles. Eu disse que sim, e que gostava  deles. Ela os adorava.  Tinha o compacto, que eu não  conhecia. Daí o convite para ir até sua casa no dia  seguinte. Bom, eu  iria  de qualquer forma,  meu pai sempre vai lá. Mas, dessa vez, tinha um  motivo especial: ouvir o disco. Só que não estava com ela!  Estava na  casa de uma vizinha. Nisso chegam três amigas. Todas crianças,   entre 10 e 12 anos. Todas fãs dos Beatles.  Vamos juntas  pegar o  disco.   She loves you, Yeah Yeah Yeah...  

She Loves You

Ah, o Lado B  do disco, que eu ainda não conhecia.!As meninas gritam: Os Beatles! E começam a dançar na calçada. E eu canto junto!  Primeira vez,  mas  parecia não ser. O que tinha acontecido quando ouvi I Want To Hold Your Hand, aconteceu de novo,porém mais forte.Não apenas me pareceu familiar. Eu sabia cantar a música! 

She Loves You

Só não  sabia a letra. Mas cantei com la la la, baixinho, do principio ao fim! Como podia ser possível? Até hoje eu não sei.

 Bom,  recebemos o disco, voltamos para a casa de Angela, a fim de ouvi-lo. 

She Loves You

Elas muito animadas,  ensaiando passos de uma nova dança, criada por elas,  para  dançar ao  som dos Beatles. Como se chamava? Combo?  Algo assim. 

She Loves You

Nem Ângela se recorda. Ela é amiga até hoje e reside aqui em Montes Claros. É minha confreira na  Academia Feminina de Letras. Pois perguntei se ela se lembrava.,,  Não se lembra, embora lembre daquela tarde. 

She Loves You instrumental

Teve festa à noite para o lançamento  da dança, ao som dos Beatles, com o irmãozinho  Ruy servindo  de garçon.  Uma delas põe  a capa nas  minhas  mãos. Aponta para George e diz: Lindo, não é? Respondo. "O maior pão da paróquia." Para  quem não sabe, "pão" era homem bonito, naquele tempo. 

She Loves You vocais

Fico  impressionada com sua beleza, que nunca tinha visto antes, mesmo já tendo visto outras fotos depois da primeira.   

She Loves You vocais

Olho para os outros... Incrível! Todos lindézimos.  O que tinha acontecido? Eles não mudaram. Eu, sim. Uma porta qualquer tinha sido aberta na minha mente,  tornando possível ver beleza  onde antes eu não via. Gente, e que coisa mais linda estava diante dos meus olhos. Minha mente tinha se expandido. Agora é prestar atenção na foto.  Eles estão flutuando no espaço. Acima de ruínas. Vejo claramente o que querem dizer.   Estavam passando uma mensagem ali: um convite para uma vida diferente, livre de coisas ultrapassadas,  de valores que já não deviam existir.  Eles pulam acima do lixo, e querem que pulemos com eles. Ah, eu aceito o convite. 

Ao mesmo tempo, fico rindo de mim. Achando que  estava fantasiando demais. 

Os anos passam, e chega 2019. Ano do falecimento  da  fotógrafa Fiona Adams. Leio matéria sobre ela, onde diz, entre outras coisas,  ser  ela  a autora da icônica foto de abril  de 1963,  com os Quatro  fabulosos parados no ar, acima de um sítio bombardeado em Londres.  A foto foi descrita pela National Portrait Gallery como aquela que define os Beatles no início. 

A idéia de como seria e onde seria veio dela, reconhecendo  ser um lugar não muito seguro, "mas pularam lindamente,  cada um do seu jeito.", diz ela. 

Leio também que: "a famosa foto deles pulando com  grande joie de vivre tornou-se uma  imagem de crucial  importância dos anos 60, parecendo prometer uma nova era onde a energia e vitalidade da juventude triunfaria sobre a monótona austeridade do pós guerra."...

.... bem parecido com meus sentimentos ao ver a capa , não é? Fui um pouco mais longe, é verdade. Não apenas acima da austeridade inglesa,  mas acima dos preconceitos  e   falsos valores no mundo  inteiro. Ah, mas é que Dona Fiona, ainda não  sabia que eles se tornariam internacionais naquele ano de 63. Ganharam o mundo no ano seguinte. E assim, o salto dos Beatles deixando o lixo  para trás,  foi bem mais além. 

Voltei para  Montes Claros naquele dia.  No trem, minha mãe pergunta. "O que aconteceu que está sorridente assim o tempo todo?" Eu não sabia que estava sorridente. "Estou?  Ela responde que  sim, desde que foram me buscar na  casa do primo. Alguma coisa  muito boa teria acontecido lá. Penso dois segundos, e respondo”  “Ah, mamãe.... Os Beatles chegaram.” 

She Loves You

 E  chegaram para valer. Contarei mais no próximo mês. Até  lá.

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Já temos 7 episódios

  1. Como a Madrinha soube da existência dos Beatles clique aqui, 
  2. Quando ela ouviu The Beatles pela 1ª vez, clique aqui! 
  3. Como ela viu o primeiro compacto dos Beatles, (este) 
  4. Como ela ouviu o 1º LP dos Beatles, clique aqui! 
  5. Quando ela comprou o 2º LP dos Beatles, clique aqui! 
  6. Um break: homenagem a George Martin, clique aqui! 
  7. Quando ela viu The Beatles na Telona, clique aqui!  

terça-feira, 12 de março de 2024

Jessica fez 50 anos

Na semana passada, ouvi novamente, no carro, uma canção espetacular, que está na minha vida há 5 décadas. E não é Beatles, nem Pink Floyd. Ao ouvi-la, lembrei-me de como a conheci, e resolvi contar a historinha.

Nos idos de 1973, em meus tenros 15 anos (e bem tenros pois sempre fui gordinho), eu passava algumas tardes na casa de uma tia, bisbilhotando a discoteca de meu primo. Ele era sete anos mais velho (e continua sendo!), e já fazia faculdade em São Paulo, só voltando a Santos nos fins de semana. Ele tinha um gosto musical apurado (e continua tendo!), e lá eu encontrava coisas de alto nível. Desconfio que ele não gostava muito de ter um garoto mexendo naquelas preciosidades de vinil, mas eu era bem cuidadoso.
Aquelas tardes de bisbilhotice passaram, muitas músicas ficaram, mas uma me marcou especialmente: um rock instrumental longo, que ocupava uma larga faixa de um certo LP, que eu ouvia muito. O tempo passou, fiquei décadas (!) sem ouvir a faixa, esqueci-me da canção mesmo, só me lembrava vagamente, não sabia qual era a banda, mas guardei em algum lugar da memória o seu título: Jessica. 
Sempre me intrigou o que passa pela cabeça de um sujeito que compõe uma música instrumental quando tem que dar o nome dela, sem a ajuda de uma letra. Agora que tenho um filho compositor, vi que a coisa pode ser deveras aleatória. Uma de suas canções instrumentais, numa banda de matemáticos chamada ‘Os Quaternions’, hoje finada há 15 anos, permanecia sem nome até a gravação final. Naquele dia, o guitarrista base não apareceu porque perdeu um dente, e o Felipe teve que gravar a parte dele. Nome da canção: Arcada, em homenagem ao dente perdido. Tudo a ver!
Bem, outra boa razão pode ser uma homenagem a alguém, a uma musa inspiradora, a uma namorada, ou a uma filha, que foi o caso de Jessica (fiquei sabendo agora que ela brincava em sua frente quando criou o espetacular tema). O fato é que só o nome da música ficou na minha cabeça. E nunca mais pensei nela.
Um quarto de século depois (ou um científico, uma faculdade, um emprego, um casamento e dois filhos depois), fui visitar aquele mesmo primo, agora um renomado Livre Docente em Jornalismo, correspondente de um grande jornal brasileiro em Washington, que nas horas vagas dava aulas da matéria para Doutorandos na matéria, na Universidade da Capital dos Estados Unidos. (Pouco, né?) Papo vai, papo vem, reminiscências de parentes que pouco se vêem, acabei me lembrando daquelas tardes, e Jessica voltou ao centro da atenções. Depois de algum esforço, ele se lembrou: grande sucesso dos Allman Brothers. (Ainda não havia Wikipedia assim disponível para aclarar nossa memória...)

Quando morei uns anos depois pelas terras hoje comandadas por Obama, dois anos após aquela visita, comprei o CD de Greatest Hits da banda, composta pelos irmãos Greg e Duanne Allman --- e vários músicos de primeira. E, claro, lá estava Jessica. Magnífica como sempre. O autor é Dickey Betts, um não-irmão guitarrista. 

Aqui, neste link, ei-la, em seu esplendor: Jessica (link).  Abra, deixe tocar, minimize e volte, para conferir do que falo a seguir...
 Depois de uma introdução com guitarra e piano grave em quatro notas, junto com o baixo, entra o verso principal executado por duas guitarras harmoniosa e simultaneamente executadas, numa combinação perfeita, acompanhadas de bateria, percussão, piano e órgão; depois, uma sequência que pode ser considerada como uma ponte, reduzindo a uma guitarra, mais grave; depois, repete-se o verso, e volta a introdução ampliada, agora como quase um minuto de deliciosa preparação, com atabaque firme ao fundo, para os solos de improviso; e então, a bateria aumenta, para apresentar um solo de piano imperdível, que acaba em pouco mais de um minuto, deixando gostinho de quero mais; e vem um crescendo em guitarra, introdução para o improviso de guitarra, um tom acima, é rápida e empolgante, e o solo dura mais de dois minutos, brilhantemente executado pelo próprio Betts; aí vem um dos melhores momentos da música, com uma desaceleração do ritmo, parece uma valsinha, ao vivo, a galera ao vivo vai à loucura, uma volta ao tom original para retornar com a ponte, e mais duas vezes o verso principal com as duas guitarras, vindo então, o grand finale. Sete minutos de perfeição e virtuosismo!!
O solo espetacular de piano é executado por Chuck Leavell, que fora convidado pela banda para a vaga de pianista aberta pela morte de um dos irmãos, Duane. Um pianista de rock sensacional que é sempre muito solicitado pelos grandes do gênero, como Chuck Berry, Eric Clapton, Mick Jagger e George Harrison, infelizmente não mais por este último.
Como cereja do bolo, deixo aqui uma performance minha com Air Piano, Air Guitar e Air Atabaque, hehehe, neste doido link.
Tenho certeza de que Jessica entrará na lista de Top Ten Instrumentais de qualquer um que a ouça. Na minha, ela disputa o título de melhor instrumental com cinco outras
•    Blue Rondo A La Turk, de Dave Brubeck, de um dos poucos discos de Jazz que conheço, chamado Time Out (aliás, o disco traz outro clássico, Take Five), de 1959, Air Song by Homerix aqui, neste LINK ;
•    Smoothie Song, do disco This Side, de Nickel Creek, um blue grass fantástico que conheci há 20 anos;
•    One of Theses Days, de Pink Floyd, clássico do rock progressivo, de 1971;
•    Also Sprach Zarathustra, uma adaptaçõo pop/jazz do clássico de Strauss, criada pelo músico brasileiro Eumir Deodato em 1973. Air Song by Homerix aqui, neste LINK
•    Journey to the Center of the Earth, ópera rock de Rick Wakeman de 1974, não um instrumental puro, pois tem coral, e tem inserções acidentais, mas é certo que pode concorrer na categoria.
Confesso ser difícil me lembrar músicas instrumentais. Eu mesmo não tirei da cachola muito mais músicas que as listadas acima.
Conhece as minhas indicadas? Delas, tenho quase certeza que não conhece a blue grass citada. Eu não a conheceria se não tivesse vivido nos Estados Unidos, e ouvido algumas rádios locais. Não sei se o grupo Nickel Creek ultrapassou as fronteiras americanas. Meu filho escreveu sobre a nossa descoberta no blog dele: Tio Pacheco e seu guarda-chuva. Se tiver interesse, apareça por lá. Ele anda meio desativado.
Que outras você indicaria, para compartilhar comigo?

Grande abraço
Homerix Lembrando Jessica Ventura

OUÇA e LEIA - A porta original da Apple volta ao seu lugar - by Cláudio Teran

É Cláudio Teran quem comanda a Beatles News!! Clique no Play Verdinho para ouvir View on Vocaroo >>   E leia a seguir! _______________...