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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

De Pernas Bambas



Narrei este texto para um amigo que descobri recentemente estar cego.
Foi a semente do Projeto Homerix em Áudio.
Como que um "Episódio Piloto".
Como o texto é grande, ficou em DOIS Áudios


Conto pra vocês aqui, como foi essa emoção, que me deixou .... de pernas bambas...

___________________________________________

         Data:               23 de março de 2007
Local:              Praça da Apoteose (foi o que lá aconteceu!)
Motivo:            Show de Rock (é pouco para defini-lo)
Título:             The Dark Side Of The Moon
Artista:            Roger Waters


ÁUDIO 1
Clique no Play Verdino para ouvir

View on Vocaroo >>

.... o que está escrito a seguir! 

Amigos, eu disse que ia e fui! Fui e me emocionei! Fiquei emocionado e satisfeito, por ter proporcionado a meus filhos um momento mágico! Valeu cada dollar & cent, pound, shilling and pence!!! 
Era Roger Waters, no show Dark Side of The Moon, que foi na Praça da Apoteose
Como eu disse, eu fui e me emocionei!
Foi um excelente retorno à minha presença em meio a multidões, seriamente ameaçada de extinção pelos acontecimentos nefastos ocorridos no (would be) show dos Rolling Stones, em Copacabana. É bem verdade que o principal critério para o meu retorno estava obedecido: o ingresso era bem carinho! De ‘grátis’, nunca mais!
Abrimos o programa com chave de ouro: pegamos um táxi dirigido por um motorista incomum. Ele ouvia U2 em seu CD. Com o andamento da corrida, o meu filho notou que não se tratava de uma compilação (Arrrgh!), e sim de um dos discos de carreira da banda irlandesa, Achtung Baby. Fui conversando com meus filhos e uma bela hora disse a eles: “Já estou até me arrepiando, só de imaginar os acordes iniciais do show!” Eles duvidaram que eu soubesse. Então, eu cantarolei ....
Tchaaaaaaan -- Tchaaaaaaan -- Tchaaan Tchaaaan Tchaaaan Tchaaaaaaan –-
Tchaaaan  Tchaaaan Tchaaaaaaan -- 
                        ... e, imediatamente, o motorista falou: “In The Flesh”, acertando em cheio e, na carne,  o título da música cujos acordes eu entoara. Ante o nosso espanto, ele disse: “Vou fazer mais umas duas ou três corridas e me colocar ao lado da Praça, para poder acompanhar o show!!!”.
                        Foi ou não foi um começo auspicioso? Pra entrar no clima!
                        Depois de ter a emoção de caminhar por toda a Marquês de Sapucaí, única forma de alcançar a praça, lá chegamos, mais ou menos 90 minutos antes do show, e conseguimos nos colocar a uns 20 metros do palco. Deu pra sentir o que estava por vir quando notamos 4 Carvalhões (aqueles guindastes enormes), dois a dois postados por trás das arquibancadas leste e oeste, onde estavam pendurados 4 gigantescos ‘alto’-falantes. Sim, ‘alto’, e não ‘auto’, pois seguramente dali sairia um som extremamente alto. Estava garantido o som surround, marca registrada de Roger. A música de aquecimento era boa, Tom Petty, Bob Dylan e Chuck Berry, de forma que o tempo passou rápido. No telão, uma imagem em altíssima definição mostrava um rádio, na frente dele um copo e uma garrafa de Red Label a meio-pau, em cima dele uma miniatura de um avião da época da segunda guerra e um soldadinho. Dez minutos antes de começar o show, aparece no telão uma fumacinha de cigarro, (a platéia se ouriça!) logo depois uma mão gira o dial (a platéia vibra!) e muda de estação (nesse momento, o som já é o ofical, do show). No meio da canção, a mão chega de novo, serve uma dose de whiskey e procura outra estação e encontra uma canção do Abba, muda rapidamente, encontra outra do Abba, mais uma vez sai de lá para um terceira, e só depois desta, encontra uma em que o dial descansa. Muito engraçado!!!!
Chega a hora, 9:30 em ponto, aparece a banda, depois Roger (a platéia urra!), e, então, os primeiros acordes:
Tchaaaaaaan -- Tchaaaaaaan -- Tchaaan Tchaaaan Tchaaaan Tchaaaaaaan –-
Tchaaaan  Tchaaaan Tchaaaaaaan –
.... batata! Tinha que ser: além dos acordes arrebatadores, perfeitos para uma abertura, a letra dá boas-vindas a quem está no show: “So you thought you might like to go to the show.”
A canção é do álbum duplo The Wall79, obra-prima (mais uma) da carreira do Pink Floyd, também idealizada por Roger, onde ele expressa seu inconformismo pela perda de seu pai na segunda guerra, e destila sua ironia em “Mother”, um diálogo com a mãe viúva, que ele felizmente reproduz no show: quando ele pergunta “Mother, should I run for President?”, a platéia responde “Yeah”; depois, “Mother, should I trust the government?”, e a platéia, em uníssono, “No”. Chega, então, a primeira vez que temos a oportunidade de ouvir a voz que nos assombraria uma hora (or so) depois, de uma das cantoras negras do trio vocal de apoio, interpretando a mãe do perturbado menino Roger, ainda na mesma canção.
Depois, uma única concessão ao tempo pre-Dark Side, com “Set The Controls To The Heart of The Sun” de A Saucerful Of Secrets68. Preferia que ele arriscasse mais e tentasse reproduzir no palco a mais abstrata e concreta canção da época,  “Several Species of Small Furry Animals Gathered Together in a Cave and Grooving with a Pict” (Gostaram do título? Precisam ouvir a música!) do álbum duplo Ummagumma69, mas seria pedir demais.
Segue o show e chega a hora de homenagear o amigo Syd Barret, outro fundador do Pink Floyd, morto em 2006, após quase 40 anos escondido num porão, mergulhado em perenes alucinações, fruto indelével das pesadas drogas que tomara em sua juventude, terminando precocemente sua carreira: do álbum Wish You Were Here75, Roger canta a canção título, que a platéia acompanha inteirinha, quase às lágrimas (pelo menos, eu estava!), e “Shine On You Crazy Diamond”, também acompanhada com emoção.
A platéia permite, respeitosa, que Roger entoe duas canções não lá muito famosas, do álbum The Final Cut83, a própria canção-título e “The Fletcher Memorial Home”, que foram acompanhadas apenas pelos mais fanáticos (que eram muitos!). Digo isso, pois o álbum, que foi o último da carreira do Pink Floyd ainda com Roger Waters no grupo, era meio chatinho, e poderia mesmo ser considerado como o primeiro álbum de sua carreira solo, também chatinha (com exceção do álbum mencionado a seguir), já que não há contribuições autorais dos demais membros David Gilmour, Richard Wright e Nick Mason, que lá estão como meros (e excelentes) instrumentistas. Aliás, o título do álbum foi mais que premonitório.
Da carreira solo, Roger canta, então, a magnífica “Perfect Sense”, do álbum Amused to Death92. Em sua Parte 1, a canção é interpretada por aquela mesma cantora que, apesar de continuar vocalmente perfeita, certamente não poderia estar com um sorriso no rosto ao entoar versos como: “And the Germans killed the Jews, and the Jews killed the Arabs, and the Arabs killed the hostages, and that is the news!”, ou então, o supremo, contumaz e agonizante grito de desespero “Why do I have to keep reading these technical manuals?”. Um claro ponto para melhoria. Na Parte 2, Roger volta com sua voz rouca para entoar, como eu disse uma vez, o ápice de uma letra de Rock em todos os tempos, “Can't you see? It all makes perfect sense, expressed in dollars and cents, pounds, shillings and pence! Can't you see? It all makes perfect sense”. No telão, as imagens de um estádio onde se travará uma desigual batalha entre um submarino nuclear (mencionado na Parte 1) e uma plataforma de petróleo. Toda a potência é despejada nos auto-falantes com um coral gravado entoando o refrão (junto com a platéia, claro!) e, no momento em que os mísseis atingem a indefesa plataforma, clímax magnífico, booom, explosões no palco e ...... fim! Tudo se apaga! A sobre-carga foi demais! Uma interrupção não programada de 15 minutos! Pensei “... tinha que acontecer no Brasil?!” Enquanto a produção se debatia para sanar o problema, Roger, muito simpático, veio ao palco e autografou inúmeras camisas que o público jogava.
(como já estou em 10 minutos de áudio, vou parar por aqui... depois... o resto)


ÁUDIO 2
Clique no Play Verdinho para ouvir

.... o que está escrito a seguir! 
Felizmente, tudo se resolveu, Roger voltou, pediu desculpas, fez uma piadinha, jogando a culpa pelo estrago na platéia, que cantara alto demais, e anunciou uma canção nova, “Living in Beirut”. Sabiamente, ele coloca no telão, uma história em quadrinhos e a letra da inédita obra, que de outra forma, não poderia ser admirada, basicamente falando mal de Bush e de Blair (não confundir com ‘A Bruxa de Blair’!). O guitarrista solo nessa hora (uma figurinha carimbada de vários shows de rock) usava um chapéu de cow-boy texano e tirava sons muito diferentes de sua guitarra, que empunhava tal como se fosse uma metralhadora atirando. Bom momento!
A primeira parte do show termina com a movimentada “Sheep” do álbum Animals77, que só tinha animais como títulos de canção, entre eles, o porco. Na época do álbum, para tirar a foto da capa, eles criaram um imenso porco inflável, que aparecia ‘voando’ em frente a uma estação elétrica. Aliás, conta-se que, na ocasião, o artefato acabou se enroscando numa rede de alta tensão, provocando um black-out generalizado em Londres. Bem, para gáudio do público, que se deliciava com a magnífica interpretação de Roger (a canção é bem gritada!), eis que surge, do lado direito do palco, ele póprio, o porco voador, com frases politicamente (in)corretas (“Ordem e Progresso Não, All We Need is Education!”) pintadas em seu corpo cor-de-rosa. Seguro por cabos, ele vai passeando por sobre a platéia e quando a canção acaba, e Roger anuncia o intervalo, ele se desprende e começa a subir, subir, subir, para festa da platéia e desespero dos inúmeros aviões que, propositalmente ou não, passavam por sobre a Sapucaí (foram uns 4 ou 5). Magnífico momento!
O intervalo, ao contrário dos normais, em que nada se faz, teve a atração de ver o porco sumindo, sumindo, sumindo, ao mesmo tempo que, no telão, uma lua ia chegando, chegando, chegando, anunciando a segunda parte do show, que, como prometido, teria a execução, na íntegra, sem mudar uma única vírgula, de The Dark Side Of The Moon73, o disco de maior sucesso de todos os tempos, que permaneceu na parada americana por ininterruptos 14 anos. O Pink Floyd de David Gilmour já havia feito o mesmo no show Pulse93. E assim se fez novamente, desta vez, igualzinho ao original, digo, 99,9% igual. Seguem alguns momentos memoráveis:
·         “Time”: Introdução com tic-tac do relógio tocado no baixo de Roger; o esforço do percussionista para reproduzir a bateria elétrica exatamente como no original, prejudicado no final porque ele mesmo era o baterista e tinha que trocar de instrumento no instante mágico em que bate TumTumTum e entra a letra : “Ticking away the moments that make up a dull day...” cantada, literalmente, por todos os presentes, um arrepio só!
·         “On the Run”: Instrumental perfeitamente reproduzido, com o bônus de uma su-woofer gigantesca que faz o chão vibrar, quase tremer. Senti-me no Japão!
·         “Money” e “Us And Them”, clássicos eternos, com desempenhos de guitarra e saxofone de estrebuchar de tão similares aos originais!
·         “A Great Gig On The Sky”: Aqui foi o grande desempenho da cantora negra. O que ela faz, tecnicamente, chama-se ‘vocal improvisation’, na verdade, aqui pode ser chamada o de ‘vocal copiation’, posto que o que se ouviu foi i-d-ê-n-t-i-c-o ao da cantora original, 34 anos atrás. E não vai aqui nenhuma ironia no comentário, pois isto é exatamente o que os fãs querem: cópia perfeita! E acho mesmo que ela cantou até melhor, com mais potência! Aliás, falando em potência, enxergo, ou melhor, ouço esta canção de uma forma que nunca vi descrita em lugar nenhum: trata-se da vocalização da reação feminina de vários momentos de uma relação sexual, começando nos preparativos, depois, a aceleração (acompanhada por um ‘crescendo’ vocal), chegando ao clímax (onde os gritos da cantora são mais lancinantes) e depois a calmaria, o cigarro (pra quem fuma), o ‘foi bom pra você?’, quando os decibéis voltam ao normal, o ritmo fica mais lento, enfim, ouçam agora esta canção com esses ouvidos imaginosos e me digam se tenho um pouco de razão, ou viajei na mayonnaise!
·         “Brain Damage” e “Eclipse”, as duas últimas canções do álbum têm a companhia da evolução de um artefato que estava lá em cima, no meio do palco, cuja presença não havíamos notado até o momento em que foi acionado. Só aí apareceu sua verdadeira forma, o famoso prisma  da capa do disco! As quatro arestas do prisma eram formadas por quatro raios laser que se materializavam sobre o gelo seco lançado sobre a parafernália. Depois, um quinto raio simulava a formação das 7 cores do arco-íris, um efeito bem parecido com o da capa. Legal!
Ih! Acho que acabei considerando memoráveis quase todas as canções do disco! Tudo bem, realmente merece.
Bem, depois vem o final falso, quando eles fazem aquela onda toda, dizem que vão embora, agradecem ao público, depois a gente grita, pede para eles voltarem e eles voltam e tocam mais 2 ou 3 canções. Dito e feito. O show termina com 3, ou melhor, 5 canções de The Wall79:
·         “The Happiest Days of Our Lives”/ “ Another Brick In The Wall – Part 1&2”: Ele traz ao palco um coral de 15 crianças para cantar o antológico “We don’t need no education  ... Hey teacher, leave them kids alone”. Na verdade, elas fingem que cantam, pois o que sai da caixa é exatamente aquele sotaque inglês do disco! Ao menos, eles fazem uma coreografia, acompanhando com palmas;
·         “Vera”/“Bring The Boys Back Home”: Esta última, muito apropriada para o momento de guerra, foi acompanhada no telão por imagens de Bush, imediatamente recebidas por sinais nada educados com o dedo médio em riste, da platéia;
·         “Comfortably Numb”, sem palavras.
Cai o Pano! Sem segundo bis, saímos com a alma lavada e as pernas bambas, misto de cansaço e emoção.


terça-feira, 12 de março de 2024

Jessica fez 50 anos

Na semana passada, ouvi novamente, no carro, uma canção espetacular, que está na minha vida há 5 décadas. E não é Beatles, nem Pink Floyd. Ao ouvi-la, lembrei-me de como a conheci, e resolvi contar a historinha.

Nos idos de 1973, em meus tenros 15 anos (e bem tenros pois sempre fui gordinho), eu passava algumas tardes na casa de uma tia, bisbilhotando a discoteca de meu primo. Ele era sete anos mais velho (e continua sendo!), e já fazia faculdade em São Paulo, só voltando a Santos nos fins de semana. Ele tinha um gosto musical apurado (e continua tendo!), e lá eu encontrava coisas de alto nível. Desconfio que ele não gostava muito de ter um garoto mexendo naquelas preciosidades de vinil, mas eu era bem cuidadoso.
Aquelas tardes de bisbilhotice passaram, muitas músicas ficaram, mas uma me marcou especialmente: um rock instrumental longo, que ocupava uma larga faixa de um certo LP, que eu ouvia muito. O tempo passou, fiquei décadas (!) sem ouvir a faixa, esqueci-me da canção mesmo, só me lembrava vagamente, não sabia qual era a banda, mas guardei em algum lugar da memória o seu título: Jessica. 
Sempre me intrigou o que passa pela cabeça de um sujeito que compõe uma música instrumental quando tem que dar o nome dela, sem a ajuda de uma letra. Agora que tenho um filho compositor, vi que a coisa pode ser deveras aleatória. Uma de suas canções instrumentais, numa banda de matemáticos chamada ‘Os Quaternions’, hoje finada há 15 anos, permanecia sem nome até a gravação final. Naquele dia, o guitarrista base não apareceu porque perdeu um dente, e o Felipe teve que gravar a parte dele. Nome da canção: Arcada, em homenagem ao dente perdido. Tudo a ver!
Bem, outra boa razão pode ser uma homenagem a alguém, a uma musa inspiradora, a uma namorada, ou a uma filha, que foi o caso de Jessica (fiquei sabendo agora que ela brincava em sua frente quando criou o espetacular tema). O fato é que só o nome da música ficou na minha cabeça. E nunca mais pensei nela.
Um quarto de século depois (ou um científico, uma faculdade, um emprego, um casamento e dois filhos depois), fui visitar aquele mesmo primo, agora um renomado Livre Docente em Jornalismo, correspondente de um grande jornal brasileiro em Washington, que nas horas vagas dava aulas da matéria para Doutorandos na matéria, na Universidade da Capital dos Estados Unidos. (Pouco, né?) Papo vai, papo vem, reminiscências de parentes que pouco se vêem, acabei me lembrando daquelas tardes, e Jessica voltou ao centro da atenções. Depois de algum esforço, ele se lembrou: grande sucesso dos Allman Brothers. (Ainda não havia Wikipedia assim disponível para aclarar nossa memória...)

Quando morei uns anos depois pelas terras hoje comandadas por Obama, dois anos após aquela visita, comprei o CD de Greatest Hits da banda, composta pelos irmãos Greg e Duanne Allman --- e vários músicos de primeira. E, claro, lá estava Jessica. Magnífica como sempre. O autor é Dickey Betts, um não-irmão guitarrista. 

Aqui, neste link, ei-la, em seu esplendor: Jessica (link).  Abra, deixe tocar, minimize e volte, para conferir do que falo a seguir...
 Depois de uma introdução com guitarra e piano grave em quatro notas, junto com o baixo, entra o verso principal executado por duas guitarras harmoniosa e simultaneamente executadas, numa combinação perfeita, acompanhadas de bateria, percussão, piano e órgão; depois, uma sequência que pode ser considerada como uma ponte, reduzindo a uma guitarra, mais grave; depois, repete-se o verso, e volta a introdução ampliada, agora como quase um minuto de deliciosa preparação, com atabaque firme ao fundo, para os solos de improviso; e então, a bateria aumenta, para apresentar um solo de piano imperdível, que acaba em pouco mais de um minuto, deixando gostinho de quero mais; e vem um crescendo em guitarra, introdução para o improviso de guitarra, um tom acima, é rápida e empolgante, e o solo dura mais de dois minutos, brilhantemente executado pelo próprio Betts; aí vem um dos melhores momentos da música, com uma desaceleração do ritmo, parece uma valsinha, ao vivo, a galera ao vivo vai à loucura, uma volta ao tom original para retornar com a ponte, e mais duas vezes o verso principal com as duas guitarras, vindo então, o grand finale. Sete minutos de perfeição e virtuosismo!!
O solo espetacular de piano é executado por Chuck Leavell, que fora convidado pela banda para a vaga de pianista aberta pela morte de um dos irmãos, Duane. Um pianista de rock sensacional que é sempre muito solicitado pelos grandes do gênero, como Chuck Berry, Eric Clapton, Mick Jagger e George Harrison, infelizmente não mais por este último.
Como cereja do bolo, deixo aqui uma performance minha com Air Piano, Air Guitar e Air Atabaque, hehehe, neste doido link.
Tenho certeza de que Jessica entrará na lista de Top Ten Instrumentais de qualquer um que a ouça. Na minha, ela disputa o título de melhor instrumental com cinco outras
•    Blue Rondo A La Turk, de Dave Brubeck, de um dos poucos discos de Jazz que conheço, chamado Time Out (aliás, o disco traz outro clássico, Take Five), de 1959, Air Song by Homerix aqui, neste LINK ;
•    Smoothie Song, do disco This Side, de Nickel Creek, um blue grass fantástico que conheci há 20 anos;
•    One of Theses Days, de Pink Floyd, clássico do rock progressivo, de 1971;
•    Also Sprach Zarathustra, uma adaptaçõo pop/jazz do clássico de Strauss, criada pelo músico brasileiro Eumir Deodato em 1973. Air Song by Homerix aqui, neste LINK
•    Journey to the Center of the Earth, ópera rock de Rick Wakeman de 1974, não um instrumental puro, pois tem coral, e tem inserções acidentais, mas é certo que pode concorrer na categoria.
Confesso ser difícil me lembrar músicas instrumentais. Eu mesmo não tirei da cachola muito mais músicas que as listadas acima.
Conhece as minhas indicadas? Delas, tenho quase certeza que não conhece a blue grass citada. Eu não a conheceria se não tivesse vivido nos Estados Unidos, e ouvido algumas rádios locais. Não sei se o grupo Nickel Creek ultrapassou as fronteiras americanas. Meu filho escreveu sobre a nossa descoberta no blog dele: Tio Pacheco e seu guarda-chuva. Se tiver interesse, apareça por lá. Ele anda meio desativado.
Que outras você indicaria, para compartilhar comigo?

Grande abraço
Homerix Lembrando Jessica Ventura

sexta-feira, 8 de setembro de 2023

Nunca antes, nem depois!

O responsável pelo ápice fez 80 anos...
hora de relembrar minha resenha...

AMIGOS, CHEGUEI AO ÁPICE!!!
Era 29 de março de 2012

Escolha os melhores adjetivos para o que vi na última quinta-feira, no Engenhão, e eles serão insuficientes.... seguramente, Roger Waters - The Wall foi o melhor show a que assisti e a que assistirei, contando minha vida pregressa e futura ... não tenho dúvida ... e olha que eu vi Paul McCartney!!! E vocês sabem o que isso significa pra mim!!

Estava com medo da chuva, por causa da recente pneumonia, mas fui liberado pela pneumologista... ela disse que eu não só podia ir, como devia ir, qualquer coisa era melhor que amargura de não fazer uma coisa muito desejada...Arrisquei e me dei bem: não choveu uma gota e cheguei a ver estrelas!! Uma no céu, e várias de êxtase total!

Realmente, seria uma amargura profunda, ter perdido o maior show de todos os tempos.
 
A essência do show é tocar o repertório do disco do Pink Floyd, The Wall, de 1979, que conta a história de um personagem que não conheceu seu pai que morreu na 2ª guerra, superprotegido e sufocado pela mãe, maltratado na escola, reprimido de todas as formas, depressivo quando adulto, que vai construindo um muro em volta dele. Muito da própria vida de Roger, e que, no filme homônimo de Alan Parker, de 1982, ganhou o codinome Pink. O espetáculo mostra tudo isso...

Quando se entra no estádio se vê o muro, com 'tijolos' de quase um metro de altura e profundidade por quase 2 metros de largura, ou algo assim. A extensão dele é de 130 metros, a altura, de 11 metros. Ele está completo nas extremidades, mas incompleto no meio, aonde fica o palco, e, claro, como não poderia deixar de ser, o enorme telão circular, marca registrada do Pink Floyd.

Ao longo da 1ª parte do show, o muro vai ganhando tijolos, um aqui, dois ali, três juntos acolá, a banda vai desaparecendo atrás do muro que vai crescendo, até que no final do primeiro ato, Roger aparece pra cantar Goodbye Cruel World, e desaparece atrás do último tijolo!! Está construído o muro em volta de Roger/Pink. 

Na volta do intervalo a banda, que não se vê, começa os primeiros acordes de Hey You, você sabe, quando 'pink' canta "Hey You, out there on the wall ... can you help me!!!" ... e depois  Is there anybody out there?, Ou seja, tudo a ver, ele preso dentro do muro, pedindo socorro. E aí vem Comfortably Numb, executada ainda detrás do muro, mas com aparições lá em cima, na pele dos dois 'subs' de Gilmour, um para cantar sua parte na música, outro para fazer dois dos mais espetaculares solos da história do rock, à perfeição!!!! Ao longo do 2º ato, parte da banda passa pra frente do palco, Roger fica pra lá e pra cá, em êxtase e extasiando, e ao final, o muro é destruído novamente!!

Entretanto,  a presença do muro não pára por aí. Ele se torna o maior telão de todos os tempos, e em sua face, a história de The Wall é contada em enorme resolução de trilhões de pixels ao longo de cada um de seus 1.200 tijolos. Quem estava ali na frente notou um monte de projetores lançando as imagens perfeitamente concatenadas.

E então, cenas do filme The Wall, tão marcantes, fazem parte do show, e com a alta definição, ficam muito mais impressionantes. Aliás, é tanta coisa que acontece no telão que duvido que quem estivesse ali, de pertinho, na Pista Prime, tenha conseguido ver a totalidade do espetáculo.

Pontos altos? Difïcil desfilar duas horas de pontos altos... Vou aqui listar alguns que sobressaíram por gerarem uma dose extra de emoção, de estupefação, de espanto, ou um sorriso agradecido por estar ali, ou mesmo uma gargalhada...

Um só momento de pirotecnia


Na abertura, In The Flesh começa a contar a história de Roger/Pink, passa o clima da 2ª Guerra que matou seu pai. Os fortes acordes iniciais são marcados por sucessões de fogos de artifício, depois, sons de bombardeio e aviões. A coisa culmina com um avião em miniatura que vem lá do fundo alto do estádio, com muito barulho, dirigido por um cabo, e destrói uns 4 ou 5 tijolos do topo do muro para delírio da platéia!!! Eu estava quase debaixo do cabo, e percebi o momento em que o avião viria, olhei pra trás e filmei, abaixo...

 
Outro tijolo no muro

Não se pode deixar de ressaltar o maior sucesso do disco, Another Brick In The Wall, com a presença de um boneco marionete gigante representando o professor repressor, com olhos brilhantes e a vara com que ameaçava os alunos. Adolescentes da Rocinha chamados ao palco para cantarem, ritmados, 'We Don´t Need No Education...', e para fazer uma admoestação ao professor amedrontado pela reação dos alunos. Eles não decepcionaram na coreografia. Solo de guitarra perfeito, como era de se esperar. Ótimo!

 
Terrorismo de Estado

Roger tem homenageado nesta excursão pessoas dos países que foram vítimas do terrorismo de Estado, como ele diz no show, num breve discurso em português perfeito, em homenagem a Jean Charles de Menezes. Interessante que, como os olhos de Roger são pequenos, como os de Richard Gere, a gente nem percebe que ele está lendo o teleprompter. Aliás, interessante também, é como um sujeito tão esplendorosamente feio na juventude, pode se tornar um senhor charmoso, a ponto de lembrar o galã Richard Gere... Notável, na homenagem, é quando Roger fala: 'Jean Charles de Menezes you are just another brick in the wall', e todo o muro se apaga, com exceção de um tijolo, com a foto do brasileiro morto pela polícia de Londres, confundido com um terrorista. Arrepiante! Aliás, apenas Jean Charles e o pai de Roger, Eric Waters, aparecem, com nomes e tempo de vida no telão redondo.

No Fucking Way

Em 'Mother', que é desempenhada apenas ao violão por Roger, uma conversa dele com a mãe superprotetora, cantada pelo avatar de Gilmour. Antes, Roger anuncia que mostrará a imagem dele mesmo 33 anos antes, cantando a mesma canção em Londres. Emocionante!! Foi aqui nessa música, muito emotiva, com um diálogo tocante, que aconteceu, paradoxalmente, o momento gargalhada do espetáculo. Roger canta: "Mother, should I run for president?" e a galera: Yeeeah!!, logo depois: "Mother, should I trust the government?" e a galera: Noooo!. Melhor que isso é o que acontece no muro/telão, á esquerda. Aparece uma pichada com o 'No Fucking Way!!' acima, mas logo depois, para delírio e gargalhada generalizada, aparece um brasileiríssimo e garrafal: 
'Nem Fudendo!!'

 
Bombas modernas

Em Goodbye Blue Sky, em que a amedrontada criança diz
"Look, mommy. There's an airplane up in the sky!" o muro mostra todo o seu esplendor de telão com imagens do filme, de aviões bombardeando as cidades. No show, além das tradicionais bombas com símbolos políticos (suásticas, foice/martelo) e de religiões (cruzes, estrela de David, estrela e o crescente lunar), Roger destila sua crítica às grandes corporações, acrescentando os logos da Shell, da Mercedes Benz, do McDonald's. Imagem forte!!

Lágrimas pelo muro

Em Young Lust, o muro mostra dois olhos femininos enormes...... pelo meio da canção, eles começam a chorar lágrimas coloridas .... no quarto final, o muro todo começa a chorar, impressionantes 130 metros de lágrimas.... liiiindo!!

Atrás do muro

Essa já contei ali em cima, com as canções sem a visão da banda, culminando com a performance em cima do muro.

Imagem de guerra
 

Em Run Like Hell, um duelo paranóico, o telão mostra as mesmas imagens do flme EXCETO a impressionante imagem de um helicóptero, em que seu piloto pergunta de deve atirar em suspeitos, no Iraque, ainda na época Bush. Ao receber a ordem, o helicóptero atira e mata todos, para depois se descobrir que as armas eram câmeras, e entre as vítimas estavam dois jornalistas....


O porco

O animal é figura marcada na história de Pink Floyd, desde que o porco inflável que aparece na capa de Animals, junto a uma sub-estação elétrica, caiu, provocando black-out em Londres. Ele reaparece em shows, e não poderia deixar de estar aqui. O dito cujo, enorme, mais de 5 metros de comprimento, começou a flanar por sobre a platéia, lá pela metade do segundo ato, negro, cheio de inscrições contra o governo, contra a corrupção e racismo, e lá perto do fim, ele começou a baixar, baixar, baixar, até que pousou sobre as pessoas a uns 5 metros de onde eu estava. Nâo sei se a descida foi proposital, mas só que quando pousou, não saía mais e foi devidamente esvaziado... como que simbolicamente acabando com as coisas ruins que os escritos levantavam...
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O show continua magnífico, com os marcantes martelos cruzados marchando pelo muro/telão, os impressionates vermes de Waiting For The Worms e o julgamento em The Trial, aonde voltam o professor acusando e a mãe defendendo, mas para o veredicto final: culpado!! E, a destruição final, do muro, de parte daquilo que foi construído no 1º ato... Perfeito!!!

Na saída, sem clima para qualquer tipo de bis, afinal aquilo lá foi um teatro, uma ópera, aparecem os membros da banda e os vocalistas, tocando acusticamente, e Roger surpreende com um trompete!!! A platéia solta um estranho 'Olê Olê Olê Rogêêê, Rogêêê', mas que é acompanhado pela banda.
 

Fim de tudo

Mais uma vez 'deixo a arena com as pernas bambas, de cansaço e de emoção', como deixei quando vi 'Dark Side Of The Moon', na Apoteose em 2007, mas desta vez com a certeza de que ... 


'Nunca antes na história deste rock and roll!!' 

parafraseando o ex-presidente, houve um show como este.
E também, qual Olavo Bilac , digo...
'Nunca verás um show como este!!'

Homerix Ainda Embasbacado Ventura

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

Pink Floyd On The Road - The Final Leg

 Finda a semana Pink Floyd na estrada!

A 1ª perna foi a ida Rio - São Paulo, pela Via Dutra

,,, com a 1ª fase da banda, pré-Dark Side of the Moon, neste LINK.

A 2ª perna foi Um bate-volta São Paulo - Santos - São Paulo

,,, com Dark Side of the Moon e Wish You Were Here, neste LINK.

A 3ª perna foi a volta São Paulo - Rio, pela Via Dutra... mas que começou por outra Rodovia, o RodoAnel Mário Covas.... necessário explicar. 

O ponto de partida da viagem era o bairro da Saúde, próximo à estação Praça da Árvore do Metrô na tradicional Linha Azul, a 1ª da maior cidade da América do Sul, que usei muito lá em 1976 quando cheguei à cidade para estudar na Poli. O RodoAnel é um complexo viário que faz um anel, como o nome diz, ao redor da grande capital, unindo as 10 grandes estradas que chegam a ela de norte, sul, leste e oeste. 

Então, ao sair de minha origem, como sempre faço, usei o aplicativo Waze para me orientar, e ele, ao invés de me encaminhar pelos corredores internos da cidade a caminho da Via Dutra, a rodovia que leva ao Rio, ou da Ayrton Senna, que foi criada para desafogar a Via Dutra (ROTA 1), ele me orientou a ir para a Imigrantes, que leva a Santos, e sair para o RodoAnel, a caminho da Ayrton Senna, depois Carvalho Pinto, depois Dutra (ROTA 2). Era mais rápido, e lá fui!

Ao fundo, a Battersea Power Statio - 2005
E lá fui, munido de meu pacote de 12 CDs do Pink Floyd, volume do rádio travado no mais alto possível, e veio Animals, o LP de 1977, que tem todas as suas canções tituladas com nomes de animais, então temos longas e magníficas canções chamadas Pigs, Dogs e Sheep, e mais duas menores também com porcos no nome  (Pigs on the Wing Partes I e II), mas de fundo romântico. Afora Dogs, cuja música (não letra) foi feita por Gilmour, todo o resto, música e letra, são de Roger Waters, numa forte crítica social, aos governantes (cães), aos políticos (porcos), è a população submissa (carneiros). Magnífico, mas não o suficiente pra chegar ao topos das paradas, nem em UK, nem em US. Notável nesse disco é sua capa, aliás, como quase todas as outras de Pink FLoyd, mas esta é especial porque EU ESTIVE LÀ! Não me inspirei a fazer nenhum clip de viagem, apesar de amar todas as canções. Já para o seguinte, foram dois!

Vamos ao primeiro! Vão reconhecer na hora! É a canção mais conhecida do Pink Floyd. Foi a 1ª, já aos 12 anos de carreira, a atingir o topo das paradas, como single, nos Estados Unidos. É The Happiest Days of Our Lives, que se conecta com a Parte II de Another Brick in the Wall, que retratam a época da escola de Pink, francamente baseado em Roger Waters, cuja história, o disco The Wall, de 1979, conta em dois LPs: no 1º, conta sua atribulada vida, e o 2º, o pós morte! A parte 1 da canção fala do pai do personagem, que morreu na 2ª Guerra. Alíás, o avô de Roger Waters também morreu em uma guerra, a 1ª Mundial. Ô sina...


Curti muito.... o Lado 2 termina com a sugestiva canção Good Bye, Cruel World, com o anúncio de seu iminente suicídio, dizendo que não há mais nada que ninguém possa fazer por ele... O Lado 3 começa com esta aqui, Hey You, em que Pink está do outro lado do muro, perguntando se alguém o ouve... mas ele já é espírito! Ponto a destacar, o pianista Richard Wright foi expulso da banda por falta de empenho! Mas participou das excursões!


O LP seguinte, The Final Cut, de 1981, eu deixei em casa ... como viram .... realmente não consegui me conectar com as ideias de Waters, autor de TODAS as canções... e parece que nem seus companheiros Gilmour e Mason (nem sinal de Wright), se conectaram tm, se cansaram de tanta inspiração, expulsaram Waters e Pink Floyd acabou... só que não... longas batalhas ocorreram que terminaram por dar aos outros 3 o direito de usar o nome, e surgiu, em 19897, A Momentary Lapse of Reason, o 13º LP, não tão bom, sem o potencial criativo de Waters, mas cheio de música legal. Wright era apenas um pianista contratado. Não pude gravar nenhum clipe pois começou a parte sinuosa da Dutra e depois a própria Serra das Araras, então ficou sem registro na estrada.

Mas veio Division Bell, já com Wright de volta à banda, participando da composição de 5 faixas, mas sem Waters! E foi excelente! Era 1994. Aqui, uma das 5 compostas pelo tecladista, What Do You Want From Me, maravilhosa. Esse You, é visto por muita gente como um recado a Waters, assim como muitas outras das canções podem ter essa interpretação!


E meu registro final vem na canção Coming Back To Life, totalmente de Gilmour, por um singelo motivo!

EU ADORO COWBELL








domingo, 16 de janeiro de 2022

Mais duas viagens numa só, agora na Imigrantes

 E seguiu meu plano de fazer uma viagem dentro de outra viagem.

Na perna Rio São Paulo, as pistas da Dutra, Carvalho Pinto e Ayrton Senna foram acompanhadas por 5 CD's da fase inicial do Pink Floyd.

Descrevi a experiência aqui, neste LINK.

Hospedado em São Paulo, surgiu a necessidade de fazer um bate-volta a Santos, minha cidade natal, então nas curvas da estrada de Santos realizei mais um episódio de viagem dupla! 

Bem, em primeiro lugar, eu teria que corrigir, pois o normal agora, não é experimentar as emoções da sinuosa descida nas encostas da Serra do Mar. Desde a inauguração da descida da Rodovia dos Imigrantes, que completa 20 anos este ano, melhor seria dizer  Os Túneis e Viadutos da Estrada de Santos! Sim, porque, agora o que temos são 8 km em 3 túneis, dois deles com mais de 3 km, unidos por 4 km de viadutos, todos monumentais obras de arte da engenharia civil, causando mínimo impacto ambiental. Pena que a velocidade nas 3 confortáveis faixas de rolamento é limitada a 80 km/hora...

Voltando ao tema, e antes de mais nada, deixo aqui o primeiro registro, porque faço nele uma pergunta, e deixo a resposta para vocês.


Pois é... era chegada a hora de ouvir Dark Side of The Moon, lançado em 1973, direto para o primeiro lugar das paradas do mundo todo, em especial nos Estados Unidos, onde ficou entre os 100 mais vendidos até 1998!! Estima-se em 45 milhões de cópias vendidas mundialmente! É um álbum conceitual concebido por Roger Waters, que participa de TODAS as letras do LP, que trata de morte, sanidade, cobiça, solidão. A peça do vídeo chama-se Time e aquela sucessão de despertadores, sinos e tic-tac's de relógios é icônica!! Meu guru no assunto Pink Floyd, utilizava-a verdadeiramente como despertador, programava para tocar a canção em alto volume para acordá-lo.

Mais adiante, inspirei-me a registrar esta aqui...


The Great Gig In he Sky é uma composição do tecladista Richard Wright e tem no vocal de Clare Troy seu maior destaque, tanto que conseguiu na Justiça créditos de composição da canção.... o que certamente a deixou milionária. Apesar de ser descrita como O Canto da Morte, eu a vejo como uma relação sexual a caminho de um orgasmo.... que acontece, no grito mais sentido ... e depois a calmaria do: 'Foi bom pra você?' e a retomada para mais umazinha!!!

A terceira peça que escolhi de DSOTM foi esta aqui!



Ela é Money, e o que levou-me a fazer a performance foi seu inusitado tempo de seus versos, que é 7x4 (fala-se sete por quatro), que fiz questão de provar no vídeo. Meu filho me ensinou nesse quesito. Note que quando a canção passa ao solo instrumental excepcional, da guitarra de David Gilmour (que também a canta), o tempo passa a 4x4. A canção fala de cobiça e consumismo, e foi uma de duas do LP lançadas em compacto, e gravada por muita gente, mas não chegou ao topo das paradas... aliás, a primeira Nº1 do Pink FLoyd em singles foi somente em The Wall!

Breath, Us and Them, Brain Damage e Eclipse são outras pérolas da verve de Roger Waters no LO, que conta com outras 3 instrumentais.

A próxima inspiração veio já no LP seguinte, Wish You Were Here, de 1975, e veio logo na canção de abertura e de fechamento. 



Lembro-me que nos idos de 95 ou 96, eu colocava essa canção pra tocar no carro e meu filho, com 7 ou 8 anos, ouvia, quietinho, prestando atenção respeitosa, até o que após o quinto ou sexto minuto, ele pergunta: 

“Pai, a música não vai começar, não?!”

A introdução tem mais de 8 minutos, com vários versos instrumentais, antes do primeiro verso cantado, o primeiro de uma série de evocações de Roger Waters a seu amigo Syd Barrett, que deixara a banda 7 anos antes, dominado pela loucura! Claro que um tempo depois, Felipe entendeu perfeitamente e ama de paixão, ela e toda obra do Pink Floyd! Ali em cima eu digo 'abertura E fechamento' do LP, porque é exatamente isso que acontece: as Partes I a V abrem o Lado A do LP, e as Partes VI a IX fecham o Lado B. E por que isso? É que o tempo combinado de 26:07 minutos simplesmente não cabia num lado do LP! Então, é de SOYCD o posto de maior canção do Pink Floyd. As outras grandes, Atom Heart Mother e Echoes passam um pouco de 24 minutos! Eu acho, sinceramente, que quando lançaram o CD, deveriam ter colocado as 9 Partes juntas! As outras 3 canções do LP, isso mesmo, o LP todo tem só 4 canções, são uma Obra-prima, a canção título, mais uma declaração de Waters ao amigo agora insano, e duas canções medianas, Welcome To The Machine e Have A Cigar, também de Waters, a primeira simulando máquina da indústria da música dando boas-vindas ao músico, e Have A Cigar, na mesma linha, mas com mensagem à banda, falando algo como "Relaxe e goze, mas siga produzindo, queremos mais dinheiro!". O interessante é que ela não é cantada por nenhum dos integrantes da banda mas por um cantor convidado, Roy Harper. As duas foram lançadas em compacto, com pouco sucesso.

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Na perna final, voltando pra casa, viajei no auge de Roger Waters e na fase David Gilmour do Pink Floyd.

aqui, neste LINK

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Duas viagens



Necessidade de ir a São Paulo sozinho, preparei a trilha que iria me acompanhar....

Veja o vídeo, que tinha esta descrição:

A viagem em si é para São Paulo…

A ‘outra viagem’ é no som que me acompanhará!!

Pink Floyd na veia!! 

 

Confirmado! Foram duas viagens mesmo!!

Escrevi para alguns, no WhatsApp  

Rapaz.... na verdade foram DUAS viagens ... a de carro ... e a do som .... verdadeiramente viajei  ... som lá no alto ... fiz a a fase toda Pré Dark Side .... ouvi os singles .... e os LPs The Piper At The Gates of Dawn ... Obscured by Clouds ... Atom Heart Mother ... e Meddle ...  Como disse, arrependi-me de não ter trazido o CD Duplo Ummagumma!

 

Explicando.....  

Os Singles que mencionei vieram numa Box Set que comprei há quase 30 anos! Chama-se Shine On, veja ao lado! São 8 CDs em caixa rígida (com 7 álbuns) e mais um CD encartado contendo os Early Singles. E tem um livro espetacular acompanhando, com alguns detalhes da obra de Pink Floyd e fotos memoráveis, como tudo o que eles faziam! Gênios! Os singles refletem a era de Syd Barrett, guitarrista da formação original, que deixou a banda por conta de viagens alucinógenas que afetaram sua mente, indelevelmente.... fazia loucuras, aparecia pelado para tocar nos shows, enfim... não deu, foi expulso da banda e chamaram David Gilmour. 

Barrett seguiu sendo inspiração de seus companheiros... ele é o Crazy Diamond... e era o YOU de Wish YOU Were Here. Ele foi dominante também no primeiro LP, The Piper At The Gates of Dawn, (1967 - gravado em Abbey Road no mesmo ano que Sgt Pepper's), que foi o segundo CD que ouvi. A Era Syd Barrett tinha composições psicodélicas divertidíssimas, verdadeiras viagens ao mundo dos personagens esquisitos, Emily, Arnold Laine, Grimble Grumble, o Gnomo (isn't  it coot?), um espantalho, uma bicicleta e até Lucifer, o gato, aliás, que identifiquei muito com a minha Luna... That cat's something I can't explain! E também fazia viagens estelares! Decerto Astronomy Domine poderia ser trilha de Jornada nas Estrelas. Enquanto Syd seguia isolado em seu mundo num porão em Londres, seus companheiros fizeram questão de incluir essa canção em P.U.L.S.E. (1995) para render-lhe direitos autorais!! Nunca o abandonaram! Ele morreu em 2006!

Não vou analisar os demais álbuns, decerto o farei algum dia, mas destaco um deles... o da vaquinha... sim, Atom Heart Mother, sim, a capa do disco era apenas uma vaca, sem nome de banda, de álbum, nada... apenas a vaca! Marcante!! E o álbum abre com uma faixa única de 24 minutos!!! É a faixa título, que tem seis fases, creditada aso 4 membros da banda, já então com a formação definitiva, Roger Waters, David Gilmour, Richard Wright e Nick  Mason. Era ainda antes da era de dominação de Roger Waters e muitos da era de dominação de David Gilmour (já sem Waters). O tecladista Richard Wright nunca foi dominante, mas escreveu grandes canções, a melhor de todas, e que ele poderia parar de compor depois dela, Summer '68, que gosto desde antes de curtir Pink Floyd, quando ouvia um seu trecho na abertura do Jornal Nacional em 1969 (ou era do Banco Nacional, não lembro). Animei-me tanto ao ouvi-la novamente, perfeita, que fiz uma chamada a um grande amigo meu, petroleiro, que tem uma banda cover de PF, já em plena Carvalho Pinto, ruma à Ayrton Senna... já havia abandonado a Dutra!

O final da canção Atom Heart Mother provocou em minha epifania.... épico, majestoso, como o sol que aparecia pela primeira vez numa viagem inteira cheia de chuva.... Sintam comigo!


Ao mostrar esse vídeo a um amigo pelo WhatsApp, ele reconheceu que eu estava na Carvalho Pinto, e eu respondi : Bingo! 

E complementei com um relato sobre o final da viagem!

Confirmado! Escrevi para alguns, no WhatsApp

Engraçado que o Waze me remetia para não entrar nela, e seguir pela Dutra... Isso me custou 5 minutos segundo o aplicativo, mas foi decisão consciente, a estrada é muuuito melhor ... mas tirei com folga... chegou ali na chegada a Sampa, pessoal parece que entra em ritmo de  procissão, então revivi meus tempos de 'piloto de fuga', passando pela direita quando necessário, sempre abaixo do limite de velocidade, e só fui percebendo o horário de chegada do Waze diminuindo ... minuto a minuto.... tirei 15 minutos!! Depois perdi uns 6 em dois movimentos que não fiz, uma na chegada à Marginal Tietê, outra numa saída que perdi na 23 de Maio... mas me diverti muito!!!

Uma viagem, sem dúvida! 

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Numa segunda perna da viagem, viajei no Dark Side, e Wish You Were Here

aqui, neste LINK

Na perna final, voltando pra casa, viajei no auge de Roger Waters e na fase David Gilmour do Pink Floyd.

aqui, neste LINK


terça-feira, 28 de dezembro de 2021

Novo leitor com ótimo Cartão de Visitas me fez lembrar de Heresias!!

De repente, o colega Fulano apresentou-me, no privado do WhatsApp, um amigo dele, Beltrano, que era admirador dos Beatles, que estava interessado em conhecer o meu trabalho, e sugeriu que eu cadastrasse o telefone dele em meu WhatsApp. 

Fi-lo de imediato,  e estabeleceu-se o seguinte diálogo, que reproduzo por um bom motivo!

Homerix: Olá

Homerix: Aqui é Homero Ventura, Vulgo Homerix!

Homerix: Fulano me passou seu contato! Você é Beltrano, amigo de Fulano?

Homerix: Conte-me sobre ti ... E sua relação com os Beatles!

Beltrano: Boa noite Homerix. Sou eu mesmo. Conversava outro dia com o Fulano quando me falou que era um grande fã.  Minha experiência é limitada mas mantenho o hábito de estar sempre ouvindo os álbuns completos para não fixar apenas nas músicas mais populares. Esta semana vou ver o documentário novo que está no Disney Club.

Beltrano: Tenho um colega no trabalho que é baterista e tocava em uma banda especializada em Beatles. Infelizmente perderam a principal voz que era de um médico que faleceu. Mas estão se reestruturando para voltar a ativa.

Homerix: Beltrano, boa noite. 

O seu cartão de visitas como Beatlemaníaco é dos melhores. O hábito de ouvir um álbum inteiro dos Beatles faz jus à filosofia da banda. Cada álbum tem a sua história. Cada álbum dos Beatles é um projeto íntegro. Não deve ser ouvido em separado.

Mesmo nos primeiros álbuns, que não eram 100% de canções autorais, a ordem das canções tinha sua razão de ser. Começar Please Please Me por outra canção que não fosse I Saw Her Standing There desprestigiaria o 'simples' fato de ela ser a PRIMEIRA composição realmente Lennon McCartney.

E terminar o álbum sem ser com Twist And Shout vai arruinar com a grandeza que foi a gravação da canção, finalizando um 11 de fevereiro de 1963 intenso, última de 11 canções, com John de garganta estourada, tendo só uma chance pra acertar… e acertou…! 

As 5 primeiras e as 5 últimas do álbum foram gravadas naquele dia. As 4 do meio, duas fechando o Lado A e duas abrindo o Lado B foram respectivamente o 2º e o 1º compacto lançados antes. Em tempo, a 11ª daquele dia era Hold Me Tight, e ficou para o LP seguinte.

Então, faz algum sentido não ouvir na ordem que ELES escolheram?

Nenhum!!

E eu nem vou falar aqui no crime que a Capitol (americana) fez com os primeiros álbuns dos Beatles. Aliás, a nossa Odeon fez algo parecido, mas em menor intensidade de heresia.

Outro dia, eu falo sobre isso!!

Homerix: Vou deixar aqui minhas resenhas dos 3 episódios de Get Back…. 

Quer dizer, não!!! Melhor você ver primeiro!!!

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Vou antecipar aqui parte das últimas fases da minha saga.... O outro dia chegou!

Os Beatles lançaram seu primeiro compacto em 1962, e logo no ano seguinte entraram em ritmo efervescente de criação, shows, rádio e TV. Foram 2 LPs e 4 compactos que chegaram ao Nº1 das paradas britânicas.

No Brasil, passaram desapercebidos... Nos Estados Unidos, a Capitol não acreditava nos Beatles e selos menores lançaram algo da banda, mas nada acontecia.

Então, quando a coisa aconteceu, com I Wanna Hold Your Hand em janeiro de 64 e a consequente invasão da América, foi um Deus nos acuda para lançar o monte de coisa que que os Beatles já haviam entregue ao mundo, mas ao invés de lançarem simplesmente os álbuns conforme a Inglaterra fez, começaram as saladas, tanto no Brasil como nos EUA. 

Aqui, dois LPs, Beatlemania e Beatles Again, misturavam as canções dos dois LPs ingleses Please Please Me e With The Beatles, e as canções que faltavam eram lançadas em compactos simples e duplos. Nos EUA, até mantiveram o Please Please Me, mas com o nome Meet The Beatles, mas o resto foi distribuído atrapalhadamente em vários lançamentos esporádicos.

O LP A Hard Day's Night foi lançado nos EUA apenas com as 7 canções da trilha e várias instrumentais. Ponto para a Odeon no Brasil que lançou exatamente a versão inglesa, mas somente em janeiro de 1965, com mais de 6 meses de atraso.

Beatles for Sale saiu aqui com as mesmas canções, porém com ordem diferente e com o nome Beatles 65, e uma capa que não tinha nada a ver, de um show ao vivo em Washington, quando não havia NENHUMA canção ao vivo no disco.  Um verdadeiro desrespeito! Nos EUA, foi pior, veio em dois LPs, um tal de Beatles VI misturado com um tal de Beatles 65,  com as canções de Beatles For Sale divididas entre os dois, e com refugos de HELP! e A Hard Day's Night e de Lados B diversos. Olha, que salada!

O LP HELP! brasileiro teve a mesma abertura A La James Bond do americano, que eu adorei e lembro até hoje, e colocou 6 das 7 canções da trilha no Lado A, escorregando Ticket To Ride para o Lado B, e simplesmente desprezou TODO o Lado B do LP inglês (incluindo Yesterday!!!), preenchendo o resto com canções que eram inéditas aqui. Elas eram ótimas (I Feel Fine e 4 Lados B de compactos), eu sei, e adorei aquele LP em meus 8 anos, mas perdeu-se totalmente a identidade do original.... mas pior fez a Capitol que intercalou as canções da trilha do filme com algumas instrumentais ao longo dos dois lados do LP. Pobre HELP!

A doença da Odeon brasileira foi curada após HELP!, então o Rubber Soul daqui já foi idêntico ao Rubber Soul oficial inglês! Já a Capitol deixou para o final da doença seu principal crime! Vou até listar pra vocês as canções do Rubber Soul americano pra vocês tirarem suas conclusões. 




Começa pelo seguinte: parece que havia alguma norma na Constituição americana que proibia álbuns com mais de 12 canções... sim, porque lá eles só saíam com 11, máximo 12 canções, enquanto na Inglaterra, N-1 álbuns dos Beatles saíram com 14 canções, sendo a exceção Hard Day's Night, com 13. Então os brilhantes produtores da Capitol pensaram; ' Ainda temos duas canções do HELP! oficial ainda inéditas... vamos fazer o seguinte, vamos colocar cada uma delas abrindo um Lado do LP! Humm, faltam 10 ... mas o Rubber Soul tem 14 ... então vamos cortar 4!!!" Simples assim, e cortaram nada menos que Nowhere Man, Drive My Car, If I Needed Someone e What Goes On. Como definir essa operação? 
HERESIA... INFÂMIA ... CRIME!!! 
Pobres americanos .... não sei como um povo desse domina o mundo... 

Acrescento aqui parte do primeiro comentário a este post, 
da nobre leitora Virgínia de Paula:

"Os Beatles passaram a ser (não começara assim) uma banda de álbuns especialmente. E fez escola, porque outras bandas entraram nessa, como é o caso do Pink Floyd. Mas antes deles, os LPs eram apenas coletâneas de músicas. Os Beatles inventaram que um LP deveria ter vida própria e completa. Até a capa tinha de ser bem pensada assim como o titulo. Com isso, pela primeira vez na história penso eu, as pessoas falavam não apenas nas músicas. Falavam nos álbuns. Seus títulos eram mais conhecidos que os títulos das músicas. Todo mundo falava assim..." Ouviram o Revolver? O Sgt. Pepper? O Abbey Road?" Tenho por mim que foi daí que mudaram o nome LP para álbum visto que eram verdadeiros álbuns até com letras das musicas e posters como brinde.
Mas como você bem disse, até mesmo antes dessa mudança já havia uma certa sequencia na ordem das musicas, um certo cuidado especial. A Odeon parece que ainda não sabia da importância disso e nos jogou uma capa nada a ver no Beatles 65. E quando vemos a capa do Beatles for Sale vem a pergunta: o que o pessoal da Odeon tinha na cabeça?

Sim, heresia. Você achou a palavra certa."

OUÇA e LEIA - A porta original da Apple volta ao seu lugar - by Cláudio Teran

É Cláudio Teran quem comanda a Beatles News!! Clique no Play Verdinho para ouvir View on Vocaroo >>   E leia a seguir! _______________...