-

quinta-feira, 1 de abril de 2021

As Self Dream Songs dos Beatles

Capítulo 24

Esta é minha saga 

O Universo das Canções dos Beatles

Todos os capítulos têm acesso neste LINK 

Este capítulo finaliza os relatos sobre as Self Songs dos Beatles, já tendo passado pelas Classes Mind, Body e Help! Aqui, relato as canções que têm a ver com sonhos, que os autores tiveram, sobre seu passado (ou futuro), sobre lugares (ou coisas), sobre entes queridos (ou superiores), ou mesmo sobre melodias, que é o caso da primeira listada! 

Esta classe é a primeira, dentre as Self Songs, em que John não tem o protagonismo, muito além disso,é a primeira em que todos os Beatles contribuíram, sim, isso mesmo, até Ringo tem a sua Dream Song.

Vamos ao gráfico!


E vamos direto ao papo!!
As canções que estão em vermelho já tenho 
análises mais aprofundadas sobre elas! 
Basta clicar em seus nomes!

1. Yesterday (HELP! - 1965)

Bem, esta mereceu um post especial! 

Aqui, neste LINK

Mais adiante, eu volto com o texto para cá!


2. In My Life (Rubber Soul - 1965)

John sonha: Há lugares dos quais vou me lembrar, por toda a minha vida, embora alguns tenham mudado, alguns para sempre, não para melhor, alguns já nem existem, e outros permanecem. Todos esses lugares tiveram seus momentos' A canção é John aceitando a sugestão de escrever sobre sua infância. A primeira letra que fez, imaginou-se num ônibus que usava em Liverpool e ia descrevendo os lugares por onde passava, o que incluía, inclusive, os hoje famosos Penny Lane e Strawberry Fields. Depois, ele eliminou todas as citações e elaborou mais filosoficamente, o que ficou magistral. Paul contribui com a harmonia e com a melodia da ponte (All these places had their moments with lovers and friends, I still can recall). Musicalmente, a mais marcante parte da canção é o solo de piano de George Martin, inesquecível. Parece um cravo, mas é um piano acelerado.
 
Foi muuuito  regravada, e está sempre  na lista das melhores dos Beatles e também na de todos os tempos, a depender do veículo. Dentre os covers, destaco uma ideia que George Martin teve em seu projeto In My Life, com regravações de músicas dos Beatles, quando chamou ninguém menos que Sean Connery declamando a letra (aqui, neste LINK)! Apesar de ter ido 'ao ar' ainda no século passado, mais recentemente é que ela vem tendo destaque nas redes.

 

3. Julia (Álbum Branco - 1968)

John sonha com sua mãe: 'Metade do que digo não faz sentido algum, mas eu digo só para que você ouça, Julia. Julia, Julia, filha do oceano, me chama, então eu canto uma canção de amor, Julia!'

Mulher do mundo, Julia teve seu filho John e deixou com sua irmã Mimi, para criar! Aos 15 anos, John voltou a conviver com Julia, e tinha nela, não só uma mãe, mas uma amiga, com seu espírito jovial. Amante do Rock and Roll, que começava a despontar nos USA, ela ensinou a John os primeiros acordes musicais em um banjo. Extrovertida, andava com John para todos os lados e os amigos dele a adoravam. Tudo ia muito bem, até que o destino deu um duro golpe no rapaz: em Julho de 1958, quando atravessava a rua da casa de sua irmã para pegar um ônibus, Julia foi atropelada por um policial bêbado, de folga, sendo lançada a 10 metros de distância, e morrendo instantaneamente, aos 44 anos de idade. John nunca se conformou e, 10 anos depois, fez sua primeira homenagem a ela, durante seu retiro espiritual na Índia, que materializou-se no Álbum Branco, com John tocando um lindo dedilhado no violão, que aprendeu lá, com o companheiro Donovan, e também usou em Dear Prudence, do mesmo álbum. Nenhum outro Beatle toca na canção. John faria outras duas canções no tema, e que foram lançadas em sua carreira solo, Mother (ma-ra-vi-lho-sa!!) e My Mummy's Dead (uau!).

 

4. Long Long Long (Álbum Branco - 1968)

George sonha: 'Faz um longo longo longo tempo.  Como eu pude perder você quando eu (A) (O) amava. Parece longo longo longo tempo. Agora estou feliz por ter encontrado você. Como amo você!'
Repararam na dúvida se o pronome é O ou A? Em inglês, que é uma língua desgenerada, no sentido de não ter gênero (escrevi sobre isso, aqui), não há essa dúvida, pois ele fala 'How could I ever have lost YOU'. Então, quem lê ou ouve a letra pela pela primeira vez, acha que ele está lamentando a perda de uma garota que amava. Eu pensava assim... por isso a classifiquei pela primeira vez como uma 'I Miss Her' Song. Só recentemente eu soube que George declarou que o YOU que ele queria encontrar de novo era DEUS. Tudo se encaixou melhor, com o período de vida de George, cada vez mais imerso em seu interior, a canção foi escrita na Índia e tal. Musicalmente, quer dizer, como vou confessar isso, eu acho ela chatinha, chatinha, arrastada, e sempre declarei isso em conversas com beatlemaníacos. Entretanto, não é assim que os críticos a consideram. Em uma enquete sobre quais músicas do Álbum Branco sobreviveriam se ele tivesse apenas 12 faixas, essa de George estaria lá, e outras duas dele, que eu considero muuuito melhores, Piggies e Savoy Truffle, não estariam!! Recentemente, eu a tenho ouvido mais e tenho-a sentido um pouco melhor! Beatles na canção? Apenas George, Paul e Ringo! John se recuperava de um acidente!


5. Octopus's Garden (Abbey Road - 1969)

Ringo sonha com um lugar: 'Eu gostaria de estar sob o mar, no jardim do polvo, na sombra. Ele nos deixaria entrar, sabendo de onde éramos, em seu jardim, na sombra'

Olha o Ringão aí, geeente! Depois de um longo período em que via seus amigos produzindo canções e mais canções, Ringo desabrochara no ano anterior, com Don't Pass Me By, sua primeira autoral na época dos Beatles, e um ano depois, gravou sua segunda, uma composição leve, onde sonha em morar num local idílico, sem preocupações, mais especificamente sem as tensões que sentia naquela fase meio turbulenta de sua banda. Ele teve a inspiração em férias na Sardenha usando o iate de Peter Sellers, óia que chique, e comeu polvo pela primeira vez, e o capitão contou que os polvos iam coletando materiais sólidos no fundo do mar e faziam seu refúgio, um octopus's garden, e então Ringo sonhou I'd like to be under the sea. Ringo teve a ajuda não creditada de George nos acordes, além claro do riff de abertura inspirador e característico de uma children's song, aliás, como ela foi considerada, sendo utilizada no programa Muppets (LINK) várias vezes, e em outras instâncias do gênero. Foi a última vez que se ouviu a voz de Ringo num disco Beatle. Os demais Beatles contribuíram nos instrumentos tradicionais e, veja bem, Ringo Starr é o ÚNICO ser humano a poder contar aos quatro ventos que teve John Lennon, Paul McCartney e George Harrison como vocais de apoio numa canção que ele fez!! Não é pouco!!!


6. Let It Be (Let It Be - 1970)

Paul sonha com sua mãe: 'Quando eu me encontro em momentos difíceis, Mãe Maria vem para mim, saiba, e diz: Deixa estar. E nas minhas horas sombrias ela está em pé bem na minha frente, sempre sábia, e diz: Deixa estar'

Isso mesmo, parece que uma constante naqueles tempos, mais precisamente em 1968, Paul, assim como, John, como George, e até como Ringo (como vimos acima) estava preocupado com os rumos da banda, e ele teve uma visão de sua mãe Mary, em sonho, dizendo Let it be.... mas a quem lhe perguntava se Mary não era a mãe de Jesus, ele deixava a critério do avaliador a interpretação. Só não lhe viessem com a esculhambação de dizer que seria Maryjuana (maconha), que ele ficava doido. Paul, como John, perdera sua mãe cedo, mas para o câncer de mama, quando ela ainda atuava como enfermeira, e ainda antes dele encontrar John. Aos 14 anos, um Paul arrasado encontro consolo num violão que seu pai Jim havia comprado recentemente para ele e seu irmão Mike, enfiando a cara no instrumento, e ficando tão bom, que impressionou John no encontro no pátio de uma igreja, menos de 9 meses depois. Foi como uma gestação, sendo a semente, a dor da perda, e sendo o parto, o nascimento da maior dupla de compositores de todos os tempos.  Depois da homenagem, ao mencionar a mãe numa canção, Paul também deu o nome dela à sua primeira filha com Linda, que nasceu em 1969. 
A canção tinha Paul no piano, George numa ótima guitarra solo, John no baixo, Ringo na bateria, Billy Preston no órgão, backing vocals de John e George, e até de Linda, em sua única participação em gravação beatle. Acresceram-se também algumas cordas, que apareceram em níveis variáveis ao longo das várias versões. Por incrível que pareça, a canção teve mixed reviews, tendo de um lado os exaltadores, do outro os detratores, um deles o próprio Lennon, que achava que aquilo não era para os Beatles lançarem, oh, come on, John! No lançamento do compacto, em março de 1970, a canção atingiu 'apenas' o N°2 na Inglaterra, mas não falhou em alcançar o topo nos EUA, garantindo 3 recordes: (1) tal como Elvis, os Beatles tiveram o seu 7° ano em sequência com pelo menos um hit N°1 na parada americana, carregando junto (2) o produtor da canção George Martin, que igualou-se ao produtor de Elvis, mas o (3) é só deles, pois foi a primeira vez que uma entidade compositora, no caso, Lennon/McCartney, atingiu tal feito, tendo ao menos um N°1 em 7 anos seguidos, 1964, 1965, 1966, 1967, 1968, 1969 e 1970... Quantos mais não seriam se os Beatles continuassem juntos e lançando canções como My Sweet Lord, Another Day, Uncle Albert/Admiral Halsey, Imagine, Happy Christmas, It Don't Come Easy, Give Me Love, My Love, Band On The Run, Photograph, Live and Let Die, Mind Games, Whatever Gets You Thru The Night, Steel and Glass, With a Little Luck, Just Like Starting Over, Woman, Ebony and Ivory, Tug of War, e tantas outras.


2 comentários:

  1. Ah, como são bem representadas essas 'Dream Song', afinal reunir músicas do quilate de Yesterday, In my Life, Le It Be e da divertida Octopus's Garden não acontece a todo momento. Músicas eternas e creio que para qualquer público.

    ResponderExcluir
  2. Eu acompanho os comentsrios do Martinho acima e acrescento que o Octopus Garden eh uma excelente obra do Ringo e foi pena ele nao produzir mais musicas, talvez por inibicao frente aos monstros sagrados Paul e John.

    ResponderExcluir