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quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Direito certo e justo ... só que não


Rio de Janeiro
Segunda-feira, 
17 de dezembro 
4 da tarde 
Rua do Ouvidor, 98

Esse pequeno mar de cabeças brancas e outras nem tanto não deveria estar aqui, e sim em suas casas, usufruindo de suas merecidas aposentadorias.

Só que não!

Naquele endereço, o Conselho de Administração da Petros iria se reunir em uma hora para deliberar sobre um novo plano de pensão, o Plano Petros 3.

Só que não!

Secretamente, os decisores escapuliram para um outro endereço. Em tese, o novo plano serviria para eliminar os descontos mensais de 30% ou mais de nossas pensões líquidas destinados a cobrir o déficit bilionário do plano.

Só que não!

O desconto mensal é eliminado, sim, mas a troco de perdermos o caráter vitalício de nossa pensão, pois o que recebermos mensalmente irá consumindo uma tal ‘reserva matemática’, até ela simplesmente acabar!!! E a tal ‘reserva’ será calculada com o desconto antecipado da cota parte de cada um no rombo do qual não tivemos nenhuma participação no lado das saídas espúrias, dos investimentos mal feitos, do roubo desenfreado, e apenas alimentamos a entrada de caixa com nossas contribuições mensais de nosso salário ao longo de 35 anos ou mais. Coisa que a Patrocinadora Petrobras falhou em fazer, aliás. Ah, mas em troca, nos dão um bônus!

Só que não!

Teríamos o direito de sacar até 15% da tal ‘reserva’ no ato da adesão, só que esse ‘molhamão’ é nosso dinheiro, apenas vai levar a uma diminuição proporcional do tempo de esgotamento: o dinheiro vai acabar em 85% do tempo original, 15% mais cedo!

Além disso, as patrocinadoras simplesmente param de patrocinar: Petrobras e BR não colocam mais um centavo. É como uma represa sem chuva!

Ficamos sós!!!

Final das contas, o PP3 foi aprovado, onde quer que eles se tenham se reunido secretamente!

Ainda precisa passar pelo CA das patrocinadoras e órgão regulador, e então estará aberto a adesão!

Vai aderir?

Bem, eu pretendo viver muito mais do que o tempo de esgotamento da ‘reserva’.

Então, se for assim mesmo, deverei continuar com meus espúrios descontos mensais, esperando que a justiça seja feita, com a sentença que as patrocinadoras paguem o que devem e com as sentenças de cadeia para quem geriu nosso dinheiro levianamente ao longo de 13 anos (ah, esse 13 nos perseguindo!) e com o sequestro de bens e dinheiro vivo dos criminosos, e voltemos a ganhar o que é nosso direito certo e justo após uma vida de dedicação."

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Engenheiro metido a besta


Hoje 11/12, celebra-se mais um Dia do Engenheiro.
Algum tempo atrás um amigo reclamou que eu não celebrei,
um blogueiro engenheiro teria que registrar....
Falha nossa!!!
Pensei rapidamente no assunto
e lembrei que um belo motivo para eu ter inconscientemente esquecido da data
pode ser minha sina de exemplo de desvio de função visceral.
Escrevi sobre isso, e agora atualizo!
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Sou um engenheiro civil que nunca projetou ou construiu nenhuma casa, prédio, ponte, estrada ou barragem, afinal, 4 dias depois de me formar, soube que iria me tornar Engenheiro de Petróleo. Cronologia? Formei-me em 31/12/1980 e recebi, no dia 4/1/1981 o telegrama dizendo que havia passado no concurso da Petrobras, e que seria admitido (caso passasse nos testes psicológicos) para o curso de Engenharia de Petróleo. Daí, varreu-se-me da memória qualquer vestígio de vigas, pilares e lajes durante aquele mês, e entrei na Petrobras em 5/2/1981, aonde fiquei até 2016... nunca fiz uma entrevista de emprego, nunca mandei um currículo... depois ainda exerci a profissão por mais um ano, e agora parei mesmo!

Era um mundo totalmente diferente ...
Éramos 200 engenheiros na ensolarada Salvador, que embarcariam num novo mundo, uma nova língua, um verdadeiro dialeto, e acabou-se logo no primeiro dia uma ideia que o povo ainda tem: que o petróleo então dormia em lagos no fundo da terra. Essa nova engenharia era inversa da que eu havia aprendido, ela construía para baixo, e era uma obra de um, dois, sete, dez quilômetros lá para o fundo, para trazer o óleo à luz do sol.

Foi um ano de especialização e então haveria a distribuição pelo país. Fiquei no quintil (existe isso?) melhor e consegui vir para o Rio, fui cedido à Braspetro, subsidiária que cuidava dos negócios internacionais, que era a opção mais próxima que podia da minha querida Santos.

Mas o desvio não parou por aí.... afinal, 6 anos depois de formado em Engenharia de Petróleo, foi a vez de abandonar poços, revestimentos, árvores de natal (secas ou molhadas), separadores, FPSOs, e virei Analista Econômico de Contratos de Exploração e Produção, onde realmente me encontrei profissionalmente, e virei fera em contratos de todos os tipos, Concessão, Associação, Partilha de Produção, Serviços, de países dos quatro cantos do mundo....

A coisa foi ainda mais adiante quando desviei de vez,  10 anos depois e virei Gerente Financeiro de nosso escritório nos Estados Unidos, e esse foi outro mundo novo, aprendi contabilidade e finanças na marra, em outro idioma, e pra complicar um pouco, os negócios eram não apenas de E&P ("aquela diretoria que fura poço e acha óleo", lembram-se de Severino Cavalcanti?), mas tinha que controlar as atividades de Trading e Procurement. Foi tenso!!!

Na volta, cheguei a ser responsável pela Comunicação Internacional, mas logo voltei ao Portfolio  e segui minha estrada por aí, e geri a estratégia internacional até que acharam que a atividade internacional não era mais prioridade.
Claro que, em todos esses movimentos, sempre me vali do raciocínio lógico que desenvolvi na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, e tudo o que consegui começou lá, não posso renegar. Os ventos da vida é me levaram a outros portos.
Isso tudo sem contar que sou mesmo é um
engenheiro metido a besta
que acha que sabe escrever
e fica incomodando os amigos com suas abobrinhas...

Um abraço

Homero Para Sempre Desviado Ventura

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Rubber Soul, o começo da revolução


No último dia 3, no Facebook, notei a celebração de um aniversário beatle.. e resolvi escrever rapidinho sobre o aniversariante: era o LP Rubber Soul. Foi assim:
Esse disco marcou minha alma!!!
Completa 53 anos hoje!
Foi o terceiro LP ‘oficial’ que tive deles, depois de “Os Reis do Iê-Iê-Iê” e de “HELP”. Tive também “Beatles Again” mas esse era uma coletânea não-oficial que saiu aqui.
Se eu fosse eleger as canções que mais me marcaram, eu diria “Girl”, “Michelle”, “In My Life”, “Norwegian Wood”, “Nowhere Man”, “Drive My Car” e “You Won’t See Me”.
Ele foi o último LP que teve canções tocadas ao vivo em alucinantes excursões pelo mundo. Era o começo do fim da Beatlemania e o prenúncio de uma revolução que se desenvolveria apenas em estúdio após “Revolver”. Nele, o som começava a ficar mais sofisticado e eclético e ficava mais difícil reproduzir na histeria as nuances das gravações.
Marcante!!

Só que aí veio a reclamação de um primo querido, sobre as outras músicas não citadas.
Sim, adoro também! Gosto também de WHAT GOES ON, na voz de Ringo, I'M LOOKING THROUGH YOU, na de Paul, e IF I NEEDED SOMEONE, na do velho HARRISON. Show, como todos os outros, né!

Pois é… na verdade, eu gosto de todas as citadas, e também de “Run For Your Life”, “Think For Yourself”, “Wait” e “The Word”, que completam o álbum…. nós somos assim mesmo ... gostamos de tudo dos Beatles!

E notei que NUNCA havia escrito sobre esse álbum marcador de almas!!

Então, vou completar com algumas informações interessantes sobre o contexto do álbum e sobre algumas das canções!

O ano de 1965 foi o último em que os Beatles lançaram dois álbuns, o outro do ano sendo o excepcional “HELP” que tinha a trilha sonora do filme homônimo, segundo da carreira cinematográfica dos Beatles. Depois disso, foi "Revolver" em 1966, "Sgt. Pepper’s" em 1967, “The Beatles" (Álbum Branco) em 1968,  "Abbey Road" em 1969 e, finalmente, "Let It Be" em 1970, fechando a carreira. Claro que houve outros dois lançamentos que acabaram se configurando em LPs oficiais, em 1967, “Magical Mistery Tour” foi lançado como EP (Extended Play) com apenas 6 músicas do filme homônimo feito para a TV, com sucesso mediano, e que posteriormente foi complementado com 5 canções contemporâneas que foram lançadas em compacto! E, em 1969, acoplado ao filme “Yellow Submarine” veio um LP com algumas inéditas que eram tocadas no filme e pérolas clássicas de George Martin que estavam na trilha sonora. Então, nenhum dos dois podiam ser chamados de álbuns, com 12 ou mais canções deles!!

Enfim, pode-se dizer que Rubber Soul fechou com chave de ouro esse ciclo… como falei em cima, que fechava a época da Beatlemania. A produção deles era tanta que eles se davam ao luxo de não colocar tudo em LP, sempre lançavam compactos com canções que não se materializavam em LPs. Contemporâneo às gravações de Rubber Soul, eles lançaram o fenomenal ‘Double A Side’ com “Day Tripper” e “We Can Work It Out”. Um luxo, realmente!!! E ainda fizeram dois filmezinhos com as duas canções, seguindo a onda começada em HELP naquele mesmo ano ... sim... os Beatles foram os INVENTORES do video-clip!

E as canções, ah, que canções!!!

Lado A

Canção 1
O "Beep Beep, Beep Beep, Yeah!" de "Drive My Car" dispensa comentários, é definitivo!! É canção de Paul, que ele mantém até hoje em seu set list, até mesmo foi a única canção que ele tocou em sua última aparição, numa brincadeira genial do programa de Jimmy Fallon, em que apareciam de surpresa no hall de um elevador que parava num andar não desejado.

Canção 2
"Norwegian Wood"
Sem mais nem menos, os Beatles apresentam ao mundo a cítara, instrumento indiano que George se apaixonou, e tocou na inesquecível introdução desta canção de John, que fala, possivelmente, de uma relação extra-conjugal dele mesmo (sim, eles pulavam a cerca!)

Canção 3
"You Won't See Me"
Paul usou nesta canção sua proverbial construção de rimas diferentes, com o fim de um verso ligado ao meio do verso seguinte. Vejam: "Though the days are few/ Thei're filled with tears/ And since I lost you/ It feels like years". E note o uso de TRÊS palavras homófonas com uma proximidade estonteante: Few, Fill, Feels. Genial!  Notem também uma interessante nota LA que fica tocando sem parar do meio até o final da canção, harmonicamente perfeita (e tocada por um dos roadies do grupo, Mal Evans)

Canção 4
"Nowhere Man"
Genial canção de John, considerada a primeira dos Beatles a não ter qualquer relação com relacionamentos amorosos... bem, eu acho que HELP também não falava de amores, mas, enfim ... Considero sim uma auto-análise de John que, mesmo já tendo sucesso mundial, se achava ainda sem um lugar nesse mundo (pode?!). A harmonia vocal é perfeita e tríplice, com John, Paul e George destilando suas habilidades ímpares no mundo de então.

Canção 5
"Think For Yourself", primeira das duas canção de George no álbum, aliás, a primeira vez que isso acontecia! É mais uma demonstração de como os rapazes estavam amadurecendo, com sua letra de múltiplas interpretações

Canção 6
"The Word" é a primeira incursão de John no movimento de defesa do Amor como salvação. Uma seguinte seria a definitiva e espetacular "All You Need Is Love", transmitida ao vivo para o mundo todo da TV 18 meses depois. Eu particularmente acho que Love is Really All We Need, para consertar o mundo. Ninguém faria maldades, de qualquer tipo, se sentisse amor pelo outro, enfim...

Canção 7
"Michelle"
Balada genial de Paul, usando inclusive algumas palavras em francês, sucesso mundial imediato. Foi a PRIMEIRA e ÚNICA canção dos Beatles a ganhar o Grammy de Song Of The Year', e foi no ano de 1967, veja só! Nem "Yesterday" conseguira o feito, um ano antes! Paul a canta pouco ao vivo, entretanto, mas não deixou de fazê-lo na espetacular apresentação da Casa Branca em 2010, onde a cantou olhando para Michelle Obama, sob os olhares desconfiados de Barack....

Lado B

Canção 1
"What Goes On" dá a Ringo a honra de abrir com a sua voz um lado de um LP dos Beatles! A composição tem créditos de Lennon/McCartney/Starkey, este último sendo ele próprio, o eterno baterista, mas o que eu acho realmente é que os dois grandes compositores fizeram uma homenagem ao querido amigo, por ter dado uma sugestão de palavras... Ringo não conseguia compor nada até então, ou sempre que tentava era barrado pelos dois, enfim. De qualquer modo, sua voz sempre esteve em todos os discos dos Beatles!

Canção 2
"Girl" ah Giiirl Giiirl ... John Lennon retrata aqui o relacionamento difícil com uma garota que ainda não existia, mas que procurava, e que encontraria naquela nipônica dos infernos dois anos depois, que viria a ser sua alma gêmea. Harmonicamente são notáveis a respiração audível de John no refrão que foi objeto de revoluções no estúdio, e o tit tit tit de Paul e George durante o middle eight (aquela parte intermediária 'She's the kind of girl that puts you down when friends are there you feel a foul...'. Notável também lembrar que a versão dela foi sucesso aqui no Brasil na voz de Ronnie Von e seus cabeloss miraculosamente lisos e invejados pelos demais cantores da Jovem Guarda. incluindo Roberto Carlos.

Canção 3
"I'm Looking Through You"
Aqui, Paul começa a demonstrar que seu relacionamento de alguns anos com a atriz Jane Asher já não estava tão firme assim, apesar de ainda morar no sótão da casa dos pais dela (!!!) isso mesmo, eu visitei o local, em Wimpole Street. Folgado o rapaz!!

Canção 4
"In My Life"
Nada mais nada menos a canção que John considera sua melhor canção, rivalizando com "Across The Universe". Linda demais, filosófica, saudosa, e na gravação contando com uma pianola magistralmente tocada pelo grande George Martin. Meu amigo e guru Ricardo Quaresma não tem dúvida em apontá-la como a melhor canção dos Beatles!!!

Canção 5 
"Wait"
Esta canção de Paul havia sido rejeitada para inclusão em HELP, mas foi ressuscitada para completar as 14 do álbum, 7 de cada lado de Rubber Soul, quem diria, faltou música!! Mais um relato de problemas de relacionamento com Jane... ao que parece, os problemas já haviam começado antes...

Canção 6
"If I Needed Someone"
A segunda de George no disco é muito superior a "Think For Yourself", tanto que aquela foi esquecida e esta foi tocada em shows solo, quando ele se decidia a relembrar da época Beatle, inclusive no show de Tokyo de 1988, quando ele retomou a carreira, incentivado por Eric Clapton. Coincidentemente, no mesmo 1965, George produziu outra memorável canção com o verbo To Need no nome, "I Need You", em "HELP".

Canção 7
"Run For Your Life"
Puro rocker de John, que ele mesmo considera uma de suas mais fracas composições... talvez por causa do conteúdo machista "I'd rather see you dead, little girl, than to be with another man.", que ele começou a combater na carreira solo por influência de Yoko... é só lembrar de "Woman Is The Nigger Of The World"


UFA
Acabei falando sobre todas as canções!!!
Mas merecem, né!