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sábado, 22 de setembro de 2012

CeL - Abbey Road


Este é o segundo capítulo da série 

Capítulo Anterior: CeL - Hyde Park

Nota do escritor:
Em meu texto original, eu havia chamado o relato deste domingo, 
que começou no Hyde Park e terminou aqui, de 'Sunday Holy Sunday'
Veja aqui, porque!!

No metrô, primeiro Central Line oeste, depois Jubilee Line norte .... ah, como eu curto o underground londrino! Como a Jubilee Line é uma linha relativamente nova, significa que ela passa mais profundo que as linhas mais velhas... portanto, muita escada rolante até chegar à plataforma!! Na saída da estação de St John’s Wood, a surpresa do fim da carga de minhas pilhas normais, tive que perder tempo e 4 pounds para conseguir fazer a câmera digital funcionar de novo .... não poderia ficar sem ela neste crucial momento. Ao chegar próximo aos estúdios da EMI em Abbey Road, notei o movimento acima do normal: ao invés da meia dúzia de desocupados que normalmente atravessa a rua em frente aos estúdios a cada 5 minutos, por cima da zebra, como os Beatles fizeram em 1969, lá estavam 50 ou 60 pessoas aglomeradas.

Enquanto eu pedia aos passantes o favor de tirarem fotos minhas atravessando a rua (desta vez, com direito até a filminho!) notei que as pessoas aglomeradas começaram a se organizar em uma fila. Eles estavam esperando a hora de entrar nos estúdios! Era verdade, eles abriram os estúdios à visitação pública! Feliz da vida, posicionei-me ao final da fila e, na conversa com um casal, que acabei por descobrir serem brasileiros, notei (tolinho!) que portavam um ingresso. O evento era, na verdade, o “Abbey Road Film Festival”, que começara em fevereiro e estava terminando, pasmem, naquele mesmo domingo, com a exibição de, pasmem, “Yellow Submarine"!

Durante todo esse tempo, houve três sessões diárias de cinema, com filmes que, ou tinham a ver com os astros que ali gravaram suas canções, ou cujas trilhas sonoras foram ali orquestradas. Nas sessões anteriores daquele dia, rolara “Pink Floyd: The Wall”e “Braveheart”. Pensei: “Que sorte a minha: chego em Londres no último dia de visitação ao templo do rock!” Fui, feliz da vida, à bilheteria comprar meu ingresso ... tolinho (2) .... a sessão estava lotada há mais de uma semana! Perguntei se haveria abertura em outros dias, mesmo que fosse apenas para visitação, sem cineminha. Nada feito: aquela tinha sido uma ocasião única, primeira e última vez que os estúdios foram abertos à visitação! Cheguei às raias do desespero! "Unprobable” foi o que ouvi da bilheteira
quando perguntei se poderia haver “return tickets”,  De qualquer maneira, resolvi esperar, eu e mais uns três outros incautos como eu. Quando todos entraram, o segurança nos chamou e disse "We have some return tickets, Sir”. Aí sim, percebi que, realmente, eu estava iluminado. Iria realizar um grande sonho: pisar, na última oportunidade possível, no solo sagrado onde foram gravadas 190 canções dos Beatles, o Estúdio 2 de Abbey Road! Quiçá beijar aquele assoalho de tacos de madeira (mas acabei não pagando este mico)! Lá fui eu, feliz da vida (2). Por módicos £ 21,00 que eu paguei com lágrimas nos olhos, eu iria ser agraciado com um momento único na vida de um beatlemaníaco.
 

Cheguei a tremer quando adentrei o Estudio 2: deu para imaginar os rapazes tocando naquele mesmo espaço, tocando alguns dos instrumentos ali expostos, enquanto George Martin orientava da janelinha lá de cima. Parecia que dava para ouvir as brincadeiras entre eles ou a voz de George falando

 “ A Hard Day’s Night ... Take Two"
A real dream come true.
Pode parecer bobagem para muitos, porém tenho orgulho de sentir estas coisas. Depois do deleite de ficar sentado ali naquele chão, por mais de 15 minutos, chegou a hora da sessão, que rolaria no Estúdio 1, lugar onde eram feitas as gravações de orquestra e, mais importante para mim, onde foi gravada a primeira transmissão de TV ao vivo para todo o mundo, da história, em 1966!  Beatles e orquestra, tocando “All You Need Is Love". E, claro, não menos importante, ali foi gravado o antológico “crescendo” orquestrado de “ A Day In deLife”, uma das mais famosas canções Beatle. 

Depois, a sessão de cinema, sem novidades, pois já assistira ao filme algumas vezes. Depois, acabei tirando algumas fotos noturnas do local, o que por si só era uma novidade, pois jamais pensaria em visitar aquele local à noite. 

Para terminar o domingo, uma passada para ver os luminosos de Picadilly Circus, já com quase todo o comércio fechando, para comer uma Super Supreme, no Pizza Hut. 

Foi ou não foi um domingo memorável?

Próximo capítulo: CeL -

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