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segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Nação Secreta - Qualidade Nada Secreta

Hoje tem, na TV!!
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Incrível como ainda não escrevera sobre a franquia Missão: Impossível. A qualidade de sempre está de volta, estrelada por Tom Cruise e um conjunto excelente de asseclas, que agora fazem um elenco fixo, com cenas espetaculares, locações estonteantes, vilões hipnotizantes, roteiros mirabolantes, muita mentira, mas sempre muita satisfação ao deixar a sala de projeção. O vilão feito por Phillip Seymour Hoffman no 3º filme segue, entretanto, imbatível. Uma pena ele ter partido tão cedo deste plano... Ainda bem que o veremos ainda no último filme de Jogos Vorazes. Ele já havia gravado quase tudo quando morreu...
Assistia à série na TV, de 1966 a 1973, estrelada por Peter Graves, no papel de Jim Phelps, e que teve, desde 1970, a ilustre presença do Sr. Spock (saudade!!!), após terminar sua missão de cinco anos buscando novas vidas, novos mundos, novas civilizações, audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve (a série Jornada nas Estrelas terminara em 1969, com a missão abortada após o ano 3).
Cruise com Rebecca Fergusson: uma igual
A franquia passou para o cinema, com Jim Phelps sendo interpretado por Jon  Voight, e não me conformei com a traição do personagem ao final .. depois entendi... era porque o protagonismo mudaria de Phelps para o super agente Ethan Hunt, personificado por Tom Cruise, que ao longo da série foi assumindo cada vez mais importância, até se tornar produtor, acho que nos últimos dois filmes. E também, cada vez mais fazendo ele mesmo as cenas que naturalmente seria feitas por loucos dublês.

Fui assistir ao 5º filme – Nação Secreta - logo na estréia. A maluquice de Cruise continua, cada vez mais forte, desde a cena inicial em que se pendura num avião em decolagem... espetacular e segue, especialmente nas cenas embaixo d’água, numa estrutura que só pode passar na cabeça de roteiristas também doidões, mas que têm um efeito espetacular ... vou parar de usar o adjetivo!!! 

Estão presentes todos os ingredientes da série, inclusive com os disfarces perfeitos, as surpresas de good guy / bad guy, o bunker de tecnologia  que de repente aparece, as ferramentas que saem dos bolsos e funcionam perfeitamente para o objetivo desejado, as piadas do gênio Benji (Simon Pegg) e seu desejo de participar da ação, as escapadas sensacionais, as perseguições eletrizantes, a maldade do vilão, a fidelidade de Hunt à esposa, desta vez sem mesmo ela aparecer. E, claro, a missão segue sendo entregue por uma mensagem gravada, desta vez em um meio inusitado e um desfecho mais ainda. A música tema segue impactante .... e temos que lembra que foi feita por Lalo Schiffrin, um argentino .. quando será que teremos uma música nesse nível feita por um brasileiro? Boto fé no Felipe!!!
Alec Baldwin faz o chefe da CIA inconformado com os métodos da IMF, agência de Hunt. É dele o melhor 'quote' do filme, quase no fim, quando lista as qualidades incríveis do agente que ele abomina. Certamente entrará para a lista dos 'memorable quotes' do cinema' e deve figurar entre as Top Ten!!!
Ah - não deixe de notar a homenagem a Hitchcock cena cena da Ópera
Nação Secreta é considerado por muitos o melhor Missão: Impossível.

Resumindo, apenas uma palavra ...
ESPETACULAR!!!

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Novos Beatles? Que nada!

Em algum dia de outubro de 1997, 
mandei a um pequeno grupo de amigos um textão sobre Beatles. 
Choveram comentários altamente positivos. 
Era meu primeiro texto. 
O PRIMEIRO DE 1700, QUE ACABEI REGISTRANDO NO BLOG

20 ANOS... HORA DE CELEBRAR
      

Com o fim dos Beatles como grupo, em 1970 (já que em qualquer outro aspecto, eles serão eternos!), a imprensa mundial especulou durante 10 anos, em torno de sua volta, criaram boatos, tipo "Agora vai!" várias vezes, alimentaram sonhos, inventaram situações propícias, enfim, nunca desistiram de tentar botá-los juntos novamente.
         Com a morte de Lennon, foi o fim do sonho. Harrison sempre dizia: "Enquanto Lennon estiver morto, os Beatles não voltarão!" Só a tecnologia conseguiu fazer com que ouvíssemos o grupo novamente junto, com a voz de Lennon, ao vivo do Além. Desde então, a imprensa mundial e em especial, a inglesa, cisma em encontrar um grupo sucessor para preencher o vazio. Mais ou menos como sempre tentaram achar o Novo Pelé, o que não conseguiram até hoje. Bem, agora, com a ida de Harrison, para botá-los juntos novamente, só mandando os outros 2 para tocar no céu (ou, no inferno, como queriam alguns mid-western americanos, quando Lennon disse que os Beatles eram mais populares que Jesus Cristo!).
         A última bola da vez chama-se Oasis! Comprei alguns de seus discos, e devo confessar que até gosto!
         O som é agradável, embora a batida de 80% de suas músicas seja o tradicional "Cha-kun-dum". As músicas e as letras são boas, muitas delas com citações explícitas de músicas dos fab-four. Dá vontade de ouvir o disco de novo, e cheguei até a pegar-me cantarolando alguns Chorus.
         Mas, daí a dizer que eles são "Os Novos The Beatles", como diriam o finado Bussunda e Cia., é prá mais de légua e meia, pra não dizer anos-luz.
         Para um grupo poder ser considerado como legítimo sucessor dos Beatles (e parece que esses aí aceitam a alcunha...) deve preencher os seguintes requisitos:


1. Tem que ter 100% de seus componentes como intérpretes das músicas.
·         Nos Beatles, todos cantavam e cantavam bem, ehrrrrr  .....   hummm  ....   quer dizer, Ringo tinha um voz meio esganiçada, mas as músicas que cantava foram todas marcantes e nós, beatlemaníacos, não admitimos as mesmas cantadas por outra voz, com a brilhante exceção de Joe Cocker, que gravou uma versão estonteante de With a Little Help From My Friends.
·         No Oasis, há apenas um cantor, Liam Gallagher, seu irmão Noel faz backing vocal e os demais três são mudos que nem uma porta de mogno!

2. Tem que ter 100% de seus componentes como compositores.
·         Nos Beatles, todos compunham e  compunham bem, ehrrrrr  .....   hummm  ....   quer dizer, Ringo demorou um pouco para ter uma música sua aceita pelos demais, “apenas” 6 anos ou  10 LP's. De Lennon/McCartney, não preciso falar nada! E, de George Harrison,digo apenas que, apesar de ter composto menos de 20 músicas na época Beatle, teve uma delas classificada como "A mais bela música de amor de todos os tempos" pelo notório Frank Sinatra, a antológica Something, a 3ª música mais regravada de todos os tempos (a 1ª é Yesterday, de McCartney e a 2ª, “Parabéns a Você”  ..... He He He!).
·         No Oasis, há apenas um compositor, Noel Gallagher, os demais quatro compõem tantas músicas quanto uma porta de mogno!

3. Tem que ter 100% de seus componentes como instrumentistas.
·         Nos Beatles, todos eram excelentes instrumentistas ehrrrrr  .....   hummm  ....   quer dizer, Lennon era apenas um bom guitarrista de base (rythim guitar), mas complementava bem a banda. Harrison era um guitarrista solo (lead guitar) de mancheias, seus solos de middle-eight (meados de uma música) eram sempre marcantes, como em And Your Bird Can Sing, algumas introduções são inesquecíveis, como em Ticket to Ride, Day Tripper e I Feel Fine. McCartney é um espetacular baixista (bass guitar), um estudioso, jamais se contentava em fazer uma seqüência de baixo simples, é só reparar em Lucy in the Sky with the Diamonds. Ringo é um baterista magnífico, apesar de não fazer aqueles solos demorados que aparecem em todas as bandas (... os outros três Beatles não deixavam!). Aliás, fez apenas um grande solo, no final do magnífico e inesquecível medley de Abbey Road, logo depois de You Never Give Me Your Money / Golden Slumbers / Carry That Weight e antes de The End. Fora aquelas batidas de rock que qualquer um sabe fazer, procurava elaborar e inovar, como em Tomorrow Never Knows , Come Together e em A Day in the Life, esta última muito elogiada pelo também grande Phil Collins, o baterista que virou cantor.
·         No Oasis, ainda não tenho conhecimento suficiente para apreciar as qualidades instrumentais do grupo, mas tenho certeza que pelo menos um deles, o cantor Liam Gallagher, toca tantos instrumentos quanto uma porta de mogno! Ou melhor, deve tocar chocalho, ao menos!

4. Tem que ter 100% de seus componentes com carisma.
·         Nos Beatles, todos tinham um carisma fenomenal ehrrrrr  .....   hummm  ....   quer dizer, Harrison era um pouco tímido e ficou conhecido como "The Quiet Beatle", mesmo assim, em entrevistas, tinha respostas oportunas e engraçadas. Lennon, o líder do grupo, tinha a língua mais ferina. Numa ocasião, num show no Albert Hall com a presença da Princesa disse: "Os sentados nos assentos populares, batam palmas; os demais, balancem suas jóias!", chocando os nobres e ricos que ocupavam nos melhores lugares. McCartney, um pouco intimidado no começo pela sobre-presença de Lennon, foi se abrindo aos poucos e chegou ao mesmo nível. Bom, de Ringo, basta dizer que tinha tanto carisma que houve época em que era o campeão em número de cartas de fãs, mesmo sendo, como direi (?) o menos bonitinho dos quatro, além de dar show em entrevistas: perguntado, numa ocasião, se apreciava Beethoven, que era citado em Roll Over Beethoven, ele respondeu: "Sim, claro, especialmente seus poemas!"
·         No Oasis, fora Noel, o solitário compositor, que ainda diz coisa com coisa, os demais quatro têm a expressividade de uma porta de mogno!

5. Tem que apresentar um repertório de ritmos variados .
·         Nos Beatles, após os primeiros anos de puro rock'n roll, mesmo assim entremeados de pérolas cover como Baby, It's You e You've Really Got a Hold On Me, começaram a mesclar ritmos, nunca deixando de lado o bom e velho rock, misturando como ninguém, até então, guitarras e violinos. Paul, com baladas como Eleanor Rigby e Hey Jude, Lennon com acid trips como I Am the Walrus, Harrison com viagens orientais (com cítaras e tudo o mais) como em Within You Without You e Ringo com ehrrrrr  .....   hummm  ....   bem, deixa pra lá!
·         No Oasis, ainda é cedo para julgar sua evolução, se bem que acho difícil, com uma só cabeça pensante!

6. Tem que chegar ao menos perto dos feitos dos rapazes de Liverpool (e isso só o futuro dirá!), como:
·              Vender mais de 1,5 Bilhão de discos, entre LPs e Singles, figura registrada no Guinness Book of Records;  
·   Produzir um álbum que dê uma guinada na música mundial, que sirva de marco tipo "Antes de ......  e Depois de ...." como Sergeant Pepper's Lonely Hearts Club Band;
·   Produzir o equivalente a 15 Álbuns, com mais de 200 músicas em pouco mais de 7 anos de carreira;
·   Ocupar, em alguma ocasião, os 5 primeiros lugares da parada americanas e 14 entre os Top 100 durante semanas consecutivas;
·   Causar comoção coletiva por onde passarem;
·   Parar o aeroporto de Nova York em sua chegada aos States; 
·   Ter um manuscrito de alguma letra, ou original de certidão de nascimento, arrematado em leilão por 50.000 libras;
·   Ter mais de 200 biografias e ensaios fotográficos feitos sobre eles. Um bibliotecário velhinho de Nova York disse que não passa uma semana sequer sem catalogar alguma publicação sobre os Beatles, seja livro ou revista, nos últimos 40 anos;
·   Ter mais de 5.000 títulos piratas (não oficialmente lançados), entre LPs e CDs;
·   Ter dezenas de CDs com entrevistas, lançados no mercado;
·   Vender em um ano, 26 anos depois de terminada a banda, mais de 50 milhões de discos e se tornarem a entidade artística que mais faturou no período (1996, segundo a Fortune);
·   Voltar ao Guinness Book 30 anos depois de terminada a banda, com a marca de 13,5 milhões de cópias vendidas de um lançamento em um único mês;
·   Produzir outra Equação do Amor como:
...and, in the end, the love you take is equal to the love you make!


7. E, finalmente:
·         Serem naturais de Liverpool     e
·        Chamarem-se
JOHN LENNON                 
PAUL McCARTNEY
GEORGE HARRISON  e   
RINGO STARR.

              E TENHO DITO!!!

terça-feira, 17 de outubro de 2017

In My Life …. In Our Lives

Uma referência a um dos intérpretes me fez lembrar de uma de minha melhores críticas.
Como músico boa sempre é atual, republico!!!

         Ainda embalado, emocionado e com os olhos marejados pelo violino de Vanessa Mae, decidi começar estas linhas para reativar minha sub-carreira de comentarista musical. Desta vez, para recomendar uma coletânea de homenagem. Sim, uma coletânea de homenagem! Nós, os puristas admiradores da boa música, temos uma certa aversão a coletâneas de artistas que admiramos, pois elas só listam o que os organizadores pensam ser o melhor de vários discos, com aquele enfoque oportunista de ganhar uns trocados a mais em cima de sucessos que já deram o que tinha que dar. Menos mal quando são produzidas pelo próprio artista, porém, coletâneas deixam de captar nuances escondidas em músicas do Lado B (lembrem-se dos velhos LPs!), por vezes pouco conhecidas, que não chegaram às BillBoards da vida, mas que têm doses generosas de prazer musical. Agora, a aversão a coletâneas se transforma em algo próximo ao ódio, quando ela é “de homenagem”, aquelas iniciativas oportunistas ‘ao quadrado’, em que um certo cantor(a) ou banda,  sozinho(a) ou acompanhado(a) de outros cantores e bandas, de vários estilos, para gravar canções famosas de cantores ou bandas antológicos, geralmente extintos ou mortos. Um horror! Pior que as coletâneas simples, pois estas se prestam a esse papel para ganhar dinheiro em cima do sucesso de outrem.
         Bem, todo o asco explícito acima se esvai no caso de In My Life, ‘coletânea de homenagem’ aos The Beatles, lançada em 1998.  “Ih, lá vem ele de novo, o chato beatlemaníaco!”, vocês diriam! “Só porque é Beatles!”, vocês bocejariam! Bem, pode até ser um pouco disso, mas posso garantir: desta vez, há mérito. E o motivo começa pelo produtor, patrocinador, idealizador, maestro do projeto: ninguém menos que George Martin. O maestro por trás (no bom sentido!) da carreira dos 4 rapazes de Liverpool, considerado como o 5o Beatle, responsável por muitos dos magníficos arranjos das canções, produtor de n-1 discos da dourada era. Quando anunciou-se sua intenção de realizar o projeto, já se sabia que vinha coisa boa. Ele não é de arriscar seu nome colocando no mercado um produto menos que ótimo.
         E o motivo principal não é o repertório: quaisquer grupos de 10 ou 12 canções beatle fariam um bom serviço. Na verdade, o que toca é a escolha dos intérpretes, instrumentistas perfeitos e arranjos com a marca Martin. Profissionais do canto mesmo, em somente 2 canções. Os demais, inesperados intérpretes inesperadamente bons, instrumentais tocantes, e ainda, ..... declamadores.
         Abre o disco uma dupla inusitada: Robin Williams e Bobby McFerrin cantando “Come Together” com exatamente o mesmo arranjo do Abbey Road. Robin leva com afinação e emoção o vocal que era de John. McFerrin, com sua destreza vocal, tirando sons não se sabe de onde, como sempre, faz a abertura e lidera uma das estrofes. Depois, “A Hard day’s Night” por Goldie Hawn em arranjo tipo Big Band, com um vocal leve e afinado que parece ter saído sem esforço. Vai longe, a garota (!!). A terceira é “A Day in The Life” com exatamente o arranjo original, porém com os vocais de John e Paul substituídos pela guitarra chorosa de Jeff Back, pertencente ao seleto grupo de quitarristas que cantam com o instrumento. O ritmo vai bem, as novidades se sucedem, aí chega a mesmice de Celyne Dion, primeira concessão de George aos intérpretes tradicionais: a interpretação de “Here, There and Everywhere” é perfeita, limpa e .... chata! Além disso, por ser mulher, troca todos os ‘her’ por ‘his’, quebrando a magia da linda letra de Paul.
         Agora, vêm dois momentos mágicos. O primeiro, o momento que originou este texto: “Because”, solado pela violinista chinesa Vanessa Mae. Na introdução, arrepiante, usando todos os recursos de um virtuose, esbanjando ‘double stops’; na primeira estrofe, solando com vibratos pungentes; na segunda, acompanhando em segunda voz um coral, atingindo notas incrivelmente agudas. Simplesmente, de parar o carro, se arrepiar todo e chorar! O segundo, uma surpresa: Jim Carrey interpretando “I Am The Walrus” (curiosamente, The Walrus was Paul!), nada menos que uma de minhas Top Five Beatle Songs, virtual viagem alucinógena de John. Interpretação vigorosa, afinada, divertida, magnífica, cheia de graves, agudos, e falsetos, em arranjo idêntico ao original, com todos os Hoo Hoo Hoos e Haa Haa Haas, ponto fundamental da música. Tenho certeza que John não revirou no túmulo ao ouvir a nova versão. Teria aprovado, com louvor!

Delicie-se!

         O próximo intérprete, ‘The Choir of the The Singing Girls of Peter City’, ou, em bom português, ‘O Coral Das Meninas Cantoras de Petrópolis’, canta “Ticket To Ride”, interpretação corretíssima, boa de se ouvir. Penso tratar-se de retribuição de George às meninas, que não se furtaram a cantar debaixo do dilúvio que se abateu sobre a Quinta da Boa Vista, quando ele esteve no Rio, 2 ou 3 anos antes, para tocar seu concerto beatle, coisa que a orquestra que veio de Londres não pôde fazer, sob pena de estragar os instrumentos. Depois, a bola baixa um pouco: primeiro, a única concessão de George ao outro George, o Harrison, com a performance, em orquestra, de “Here Comes The Sun”, nada demais; depois, um desconhecido (para mim) comediante inglês Billy Connoly anuncia, como se fosse o mestre de cerimônias de um circo, a letra de “Being For The Benefit Of Mr. Kite”. Interessante, mas ‘boring’.
         Dentre as 4 últimas faixas, duas performances de George Martin e orquestra: numa, fazendo um medley com as quatro bonitas músicas orquestradas do filme “Yellow Submarine” compostas por ele; noutra, uma composição inédita dele, chamada “Friends and Lovers”, muito bonita.
         A segunda concessão a intérpretes tradicionais é feita para Phil Collins, cantando e tocando bateria no fantástico medley de Abbey Road “Golden Slumbers / Carry That Weight / The End”. Muito bem escolhido o intérprete, pois Collins, originalmente o baterista do Genesis, teve a oportunidade de repetir o único solo de bateria de Ringo Starr e, ainda por luxo, encomprindá-lo um pouco mais, com categoria. Nós, beatlemaníacos, o perdoamos!
Finalmente, para fechar o barraco, a canção título da coletânea, não cantada mas declamada. Sean Connery, com aquela voz de Sean Connery que só ele tem, declamando a linda letra de John. Tenho certeza que John, não apenas ficou quietinho, ouvindo, mas deve até mesmo ter esboçado um sorriso. Nada como uma conexão Beatle/Bond para fechar, com chave de ouro, esta última obra do grande George Martin.
É para estar na CDteca de qualquer um.

domingo, 15 de outubro de 2017

Colégio Santista, fator crítico de sucesso

No Dia do Professor, republico minha homenagem ao Colégio de minha vida
e, por tabela, a seus professores, que me indicaram o caminho ....
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1964
1975
Viva o Facebook!

Graças à sua existência e abrangência, e à dedicação e mobilização de alguns, estou tendo oportunidade de reviver um passado que parecia distante: minha educação básica, do princípio ao fim no Colégio Santista, tradicional instituição marista da minha cidade, fundada em 1904.

A coisa começou com a publicação no mural de um colega, de uma foto daqueles tempos, e foi crescendo aos poucos, em princípio, com os poucos amigos daquele colega convidando como amigos outros que conhecia, de outras turmas. Mas tudo se organizou mesmo quando alguém descobriu que se podia formar um grupo aberto no Facebook. Daí, foi, e tem sido, uma febre. E foi, e tem sido, um tal de pessoas puxarem pela memória, e testarem se outros que não viam há 35 ou 40 anos e só se lembravam do nome, estavam já cadastrados, e se não estivessem, era um tal de chamar: "Entra no Facebook você também!". Viramos todos garotos propaganda da rede social de Mr. Zuckerberg.

Estamos prestes a celebrar o 1.000º inscrito .... e a 300ª foto. Como é legal relembrar os cabelos que usávamos, as calças boca-de-sino e os paletós xadrez das festas. Mas o mais legal e tocante são as memórias que aquelas fotos suscitam, as lembranças dos professores e os irmãos maristas que nos educaram e nos formaram bons cidadãos. Muitos que já se foram, e uns poucos que ainda estão conosco. Irmãos e professores que levaram a sério o lema do beato Marcelino Champagnat, o fundador da ordem marista: "Educar é formar bons cristãos e virtuosos cidadãos; para educar uma criança é preciso amá-la" Toda escola, adaptando ou eliminando a menção religiosa, deveria se pautar por essas palavras. O Santista fez isso com a gente, direitinho.
 
Sendo um colégio religioso, era rígido o suficiente para prover valores morais firmes a seus alunos, com educação séria, o que o tornava muito concorrido, e fazia as famílias da cidade fazerem grande esforço para matricularem seus filhos e mantê-los lá. Famílias que pressionaram muito para que o privilégio da boa educação fosse estendida ao sexo oposto. Em 1970, o colégio adaptou-se aos tempos modernos e admitiu a presença feminina, após 65 anos como um tradicional colégio de meninos! Eu estava lá nessa transição revolucionária. Recebemos, ao que me lembre, muito bem, as meninas no nosso convívio.

Lá passei 12 ótimos anos de minha vida, Primário, Ginásio e Científico, como assim era chamado, bem mais romântico que hoje. E foram 12 anos (o normal seriam 11), de 1964 a 1975, pois não tive idade para fazer o exame de Admissão ao Ginasial, e tive que fazer o 5º Ano, coisa que tinha naquela época. É que entrei no 1º ano do Primário com tenros 6 aninhos, veja que coisa fofa lá em cima, à esquerda (HeHeHe). Que saudade da lancheirinha! O ponto alto da hora do lanche, que hora tão feliz, era desenroscar aquela garrafa de plástico e tomar aquele suquinho de qualquer coisa com leve gosto de plástico, e desembrulhar o papel alumínio, para comer aquele misto-frio (ou sanduíche de atum) maravilhoso!! Mais tarde, quando aposentei a lancheirinha, a corrida pelo enorme pátio para ver quem chegava na frente, na fila da lanchonete.   E tinha a banda, que disputava e ganhava de outras escolas, com evoluções memoráveis. E tinha os desfiles de 6 de setembro, em que marchávamos ao som da banda, com impecáveis fardas brancas e quepes. Em alguns anos eu até ia à frente, empunhando uma espada maneiríssima, como se diz hoje. E tinha a rotina de perfilar ante  bandeiras e cantar o Hino do Brasil e, sim, o Hino Do Colégio, três estrofes das quais a segunda me lembro até hoje, inteirinha. Muito legal! 


Memórias que não se apagam!!!

Ter feito o 5º ano certamente frustrou aos meus pais, pois viram seu filho perder um ano em sua evolução escolar, profissional, de forma irrecuperável. Frustrou a mim, pois perdi a convivência com amigos queridos, especialmente o Magalhães, grande sujeito, que já se foi, que era com quem mais brincava, com quem mais competia pelo 1º lugar, perdendo eu sempre. Mas agora, olhando por um amplo espectro, não fosse assim, e eu não teria conhecido o Cid e o Zé Marques, meus colegas de Científico, com quem eu jogava sueca, na garagem da casa do primeiro, e não teria conhecido a Neusa, aos 20 anos de idade, sua vizinha, que de vez em quando se juntava a nós (ela também estudou no Santista, mas só nos anos de Científico, e na turma de Medicina, eu na de Engenharia). E ela não teria sido a minha 1ª namorada, e não teríamos nos casado, e eu não estaria feliz com ela até hoje, e com nossos queridos filhos Renata e Felipe.

Enfim, assim é o destino!!!

Felizmente, quando a conheci, já não ostentava a cabeleira da foto da direita, que usei em meu último ano no Colégio Santista. Ela me diz hoje que se tivesse me conhecido daquele jeito, teria pensado mal de mim, e nem teria percebido o meu sorriso, que a conquistou (palavras dela...). A cabeleira foi trocada pela careca de calouro, aos 18 anos, quando fui um dos 6 santistas a entrar na Escola Poltécnica da USP. Essa configuração hexagonal repetiu-se outras duas vezes em minha vida: fui um dos 6 politécnicos a entrar como estagiário na Petrobras, e um dos 6 estagiários a se formarem engenheiros de petróleo designados para a área internacional da empresa. Completei 30 anos como petroleiro, em fevereiro destre ano.

Tudo o que consegui começou naqueles 12 anos de ensino básico e virtuoso, seguiu com estudo e dedicação, claro que associado a oportunidade e sorte. Mas aquela base está presente em cada ato meu como cidadão, que prezo muito, e que consegui, junto com Neusa, passar a meus filhos.

Infelizmente, essa ventura (!) não está mais disponível às famílias santistas. O Colégio Santista, berço de tanta gente importante e conceituada, não existe mais! A mãe dele (como a piada) subiu no telhado quando, em 1987, os maristas se mudaram, e a administração mudou de mãos. A educação começou a ter uma tendência mais socialista e esquerdizante, e os pais foram, naturalmente, tirando seus filhos da escola. Nos tempos áureos, chegou a ter 1800 alunos. Foi minguando, minguando, até que, em 2009, tinha pouco mais de 400, e foi estatizada pela prefeitura. Dizem eles que continuarão as tradições da escola, mas acho difícil, sem os valores da causa marista.

Publicando este post no Dia dos Pais, devo, então declarar que o pai que sou, foi devido à educação que tive, que o  pai que tive pôde proporcionar a mim, mantendo-me, em todo meu ensino básico, no tradicional Colégio Santista.

Obrigado, pai!!!

E parabéns aos pais, neste dia, 
especialmente àqueles que se preocupam 
"em deixar filhos melhores para o mundo".


E, claro, obrigado, eternos professores,
Nilo, Farid, Silvestre, Eliza, Wilma, Dulce, Regina, Fernando, Lobo, Cordella, Bóris, Buzo, Adilson, Maria Alice, Nilde, etc, etc, etc, etc...


Homero Agradecido Ventura