-

sábado, 25 de dezembro de 2004

Why Do I have To Keep Reading These Technical Manuals

Amigos, lá vamos nós novamente. Desta vez não falando de Beatles, ainda que de música. O motivo da mensagem chama-se Roger Waters.
Ouço, ao menos uma vez por ano, os discos dos Beatles e do Pink Floyd para manter a mente bem azeitada com música de primeira. Tenho o mesmo hábito também com um certo disco de Roger Waters, chamado Amused to Death lançado em 1992.
Para quem não sabe, Roger Waters foi o baixista do Pink Floyd. Mais que baixista, ele era o principal letrista do grupo. E bota principal nisso! Para vocês terem uma idéia, ele fez TODAS as letras de The Dark Side of The Moon, TODAS as letras de Wish You Were Here, TODAS as letras de Animals e TODAS as letras de The Wall (e, claro, mais de 90% das melodias). Melhor parar por aqui, só nos mais famosos álbuns. A contribuição letrista dos demais membros do grupo ficou lá no começo da carreira ou quando Roger “disbanded” em 1984. Nos álbuns desde então (somente 2), David Gilmour, o magnífico guitarrista, passou a ser o líder e principal letrista do grupo. Ah, justiça seja feita, o primeiro líder do Pink Floyd era outro Roger, porém conhecido como “Syd”, Barret, um guitarrista absolutamente lisérgico, que compunha canções com letras ingênuas e absolutamente interessantes, que, de tanta droga, acabou ficando maluco (como eles gostam de dizer, “slipped from reality”) e foi afastado pelo grupo. Há controvérsias, mas dizem que vive até hoje, num porão de Londres, totalmente alheio ao mundo, sustentado pelos direitos autorais antigos e por manobras de fãs, que arrecadam somas exorbitantes por qualquer coisa que possa ser associada a ele.
Bem, voltando ao outro Roger, sua carreira solo limita-se a 5 ou 6 discos, sendo Amused to Death o melhor deles, by far. Os fãs do Pink Floyd o posicionam, inclusive, como o 4º melhor disco da produção floydiana, misturando a carreira do grupo e as carreiras solo de todos os componentes. Como a maioria de suas obras, trata-se também de um álbum conceitual, ou seja, todas as músicas têm um pano de fundo, um mesmo fato gerador. As letras são políticas, irônicas, preocupantes, incitantes, aliás,  como sempre. Além disso, a melodia, que não costuma ser o forte dele em sua carreira solo, está surpreendentemente agradável. Roger ainda introduz muitos recursos, como sons de animais, gravações de depoimentos em rádio, sons de guerra, que complementam o conjunto magnificamente. A voz dele está meio rouca, mas o uso de backing vocals disfarça e dá conta do recado perfeitamente.
O objetivo maior desta mensagem é comentar sobre algumas pérolas das letras, que sempre me emocionam, quando ouço. O primeiro grande choque é logo na segunda faixa “What God Wants” em que ele deixa claro que tudo que acontece no planeta é porque Deus assim o quer, seja para o bem ou para o mal. Trechos:


What God wants God gets   God help us all
God wants goodness            God wants light
God wants mayhem          God wants a clean fight
       E depois:
God wants peace          God wants war
God wants famine          God wants chain stores
       E depois:
God wants voodoo         God wants shrines
God wants law   God wants organised crime
God wants crusade          God wants jihad
God wants good          God wants bad

    E assim vai! Claro que a letra tem mais do que isso, mas é melhor ouvi-la. E o arranjo é fenomenal!
 
O máximo, em minha opinião, vem a seguir, na música “Perfect Sense”, onde temos a pérola que dá título a esta mensagem. A letra relata, em sua Parte 1, a crise existencial de um macaco, na verdade o autor ou um outro ser humano qualquer. Arrepiem-se:
 
… There's an ounce of gold          And an ounce of pride in each ledger
And the Germans killed the Jews          And the Jews killed the Arabs
And the Arabs killed the hostages         And that is the news
And is it any wonder that the monkey's confused         He said Mama, the President's a fool
Why do I have to keep reading these technical manuals
And the joint chiefs of staff         And the brokers on Wall Street said
Don't make us laugh, you're a smart kid         Time is linear
Memory is a stranger         History is for fools
Man is a tool in the hands         Of the great God Almighty
And they gave him command of a nuclear submarine
And sent him back in search of the Garden of Eden


         A Parte 2 de “Perfetc Sense” começa com o ponto máximo de uma letra de Rock de todos os tempos (acho que exagero um pouco, mas é de arrepiar!) ...
Can't you see
It all makes perfect sense
Expressed in dollars and cents,
Pounds, shillings and pence
Can't you see
It all makes perfect sense
ou, em outras palavras, tudo no mundo é movido pelo dinheiro! Na continuação, há uma narração, feita por um narrador da NBA (de verdade) que descreve um “jogo” dentro de um estádio, entre o submarino nuclear (da Parte 1) e uma plataforma de petróleo, na verdade, descrevendo uma batalha desigual, pois a plataforma não tem como se defender, retratando como os donos do poder lidam com seus inimigos. A música termina com a repetição do Can´t you see..., cantada por todo o público do estádio. É de arrebentar!
          A seguir, em “The Bravery Of Being Out Of Range” ele relata a frieza de um atirador solitário, certamente inspirado nos horrores da Bósnia em que snipers proliferavam, matando mulheres e crianças a uma distância segura. Sintam:


You opened the suitcase         Behind the old workings
To show off the magnum         You deafened the canyon
A comfort a friend         Only upstaged in the end
By the Uzi machine gun         Does the recoil remind you
Remind you of sex         Old man what the hell you gonna kill next
Old timer, who you gonna kill next
     E depois:
We play the game         With the bravery of being out of range
We zap and maim         With the bravery of being out of range

Depois, em”Watching TV”, numa linda balada, ele relata a morte de uma estudante (“Yellow Rose”) no massacre da Tianamen Square (Praça da Paz Celestial). Começa por dizer como ela era, o que fazia, passa por extratos da história da Revolução Comunista de Mao Tse Tung, conta como Chang Kai-shek fugiu para Formosa e termina concluindo que sua “Yellow Rose” é diferente dos Astecas, dos Cherokees e outros executados ou massacrados da História, pois o mundo a viu morrer, ao vivo, pela TV.       É tocante:
 
We were watching TV                  Watching TV
We were watching TV                  Watching TV
In Tiananmen Square                  Lost my baby there
My yellow rose                  In her bloodstained clothes
She was a short order pastry chef         In a Dim Sum dive on the Yangtze tideway
She had shiny hair         She was the daughter of an engineer
Won't you shed a tear         For my yellow rose

                                                          E, no final:

And she is different from Cro-Magnon man        
She's different from Anne Boleyn
She is different from the Rosenbergs         And from the unknown Jew
She's different from the unknown Nicaraguan         Half superstar, half victim
She's a victor star, conceptually new         And she is different from the Dodo
And from the Kankanbono         She's different from the Aztec
And from the Cherokee         She's everybody's sister
She's symbolic of our failure         She's the one in fifty million
Who can help us to be free         Because she died on TV
And I grieve for my sister



Na irônica “It’s a Miracle”, desnecessário é comentar, pois a letra é auto-explicativa. Veja apenas, como é triste a imagem que temos lá pelas bandas (!) britânicas:



Miraculous you call it babe         You ain't seen nothing yet
They got Pepsi in the Andes         They got McDonalds in Tibet
Yosemite's been turned into a golf course For the Japs
And the Dead Sea is alive with rap         Between the Tigris and Euphrates
There's a leisure centre now         They got all kinds of sports
They got Bermuda shorts         They had sex in Pennsylvania
A Brazilian grew a tree         And a doctor in Manhattan
Saved a dying man for free

It's a miracle
It's a miracle
It's a miracle
Another miracle

Finalmente, na faixa título  “Amused to Death”, um relato triste de como a espécie  humana marcha para o fim, diagnóstico isento feito por antropólogos alienígenas:


The little ones sit by their TV screens         No thoughts to think
No tears to cry         All sucked dry
Down to the very last breath

Bartender what is wrong with me?         Why am I so out of breath?
The captain said excuse me ma'am         This species has amused itself to death
Amused itself to death
It has amused itself to death
Amused itself to death
                  
    E depois:
And when they found our shadows         Grouped 'round the TV sets
They ran down every lead         They repeated every test
They checked out all the data on their lists
And then, the alien anthropologists         Admitted they were still perplexed
But on eliminating every other reason         For our sad demise
They logged the only explanation left
This species has amused itself to death

Bem, há outras 8 faixas um pouco menos brilhantes que as acima, menos merecedoras deste meu esforço de interpretação e seleção, mesmo porque, acho que não vale mais a pena tomar vosso tempo.
Não precisa dizer que “ricomendo” adquirir o citado disco, ainda que seja difícil encontrá-lo. Se não estiverem a fim do investimento, posso emprestá-lo a quem desejar. Só me prometam que ouvirão no aconchego de sua casa, de preferência com fones de ouvido, lendo as letras no folheto e aproveitando que as crianças foram ao cinema. Certamente não é disco para acompanhar churrascos ou festas familiares  ... vão tomar vaia!




quarta-feira, 1 de dezembro de 2004

Estou Condenado

         Fiquei em dúvida quanto ao título para o assunto desta mensagem. Pensei em “Meta Revisada”, “Ditadura da Saúde”, “Empregado: Parte Interessada”, “Mudança de Unidade”, “Diminuindo a Carga” e alguns outros menos cotados. Acabei optando pelo assunto ora expresso ali em cima. Ao longo do texto, as razões para todos eles virão à tona.
         A motivação para este texto começou em junho de 2004, quando chegaram os resultados de meu exame periódico. Apesar de aliviado por meu colesterol total estar abaixo dos famosos 200 sei lá o quê, uma pequena alteração desfavorável em meu HDL, o colesterol do bem, fez com que o médico avaliador me recomendasse um programa de exercícios. Nada melhor do que aproveitar o Centro de Prevenção de Saúde - CPS, programa que a empresa implementara havia alguns meses.
         Ao comparecer à Avaliação Funcional agendada, fiquei impressionado. Mediram-me de cima a baixo, pinçando as gordurinhas em todas as dimensões possíveis, detalhando sem perdão todos os desvios vertebrais e posturais que eu sabia ter mas não sabia quantos, enfim, não deixaram pedra sobre pedra, serviço de profissional! Depois, o estabelecimento dos programas de exercícios de musculação e aeróbicos em equipamentos de primeiríssima geração. Fui então agraciado com a abençoada chavinha TGS, companheira inseparável das sessões de ginástica, que incansavelmente não me deixa esquecer o que a professorinha programou (e que eu tento sempre superar). Depois, o vestiário: tudo novinho e funcional, duchas individualizadas, com muita água, fria e quente, pressurizada, saco plástico para guardar roupa molhada. Além disso, ainda temos acompanhamento da dieta alimentar com recomendações de uma nutricionista.
         Junte-se a isso professores dedicados, recepcionistas e faxineiros eficientes e simpáticos e está instaurada a fórmula da saúde para todos. E tudo logo ali, à distância de alguns andares, de elevador, sem o desgaste de ter que pegar o carro, enfrentar trânsito, estacionar e agüentar flanelinha. Ah, há também sessões de aeróbica, alongamento e até spinning (para quem já é atleta)!
         Iniciado o programa, inicialmente estabelecido em 3 sessões semanais, comecei a me sentir tão bem que resolvi unilateralmente aumentar para 5 sessões, ou seja, todos os dias! E assim tenho feito, sempre que possível. Administro minha agenda conforme a necessidade. Elegi o horário matutino como preferencial, porém, quando não posso, vou ao longo do dia ou mesmo no expresso noturno.
         Ao longo destes 5 meses ouvi as mais variadas desculpas dos colegas que, apesar de indicados para o CPS, não conseguem manter uma regularidade.
         “A academia é muito cheia e não tem esteira disponível!”
         Ora, ora, se não tem esteira, coloque o nome na fila coordenada por um professor e vá fazer outro exercício! Ou ainda, programe o Rotex, o meu eleito para o exercício aeróbico, que parece contar com um certo preconceito da galera, tem sempre algum disponível. Posso estar dando um tiro no próprio pé, mas eu considero este aparelho o mais completo para se queimar caloria em pouco tempo e sem provocar lesões em joelhos e tornozelos.
         “ No horário que eu posso ir tem fila para pegar armário no vestiário!”
         Ora, ora, um pouquinho de paciência não faz mal a ninguém. Ou, procure outro horário! Alguns alegam que não tendo STIF liberado, fica mais difícil. Ora, ora, nada que uma negociaçãozinha com seu chefe não resolva. Tenho certeza que ele não se furtará a abonar seu horário para tratar de sua saúde, num programa incentivado pela empresa.
         “Às vezes só sobram uns armários minúsculos no vestiário”
         Ora, ora, se não dá para colocar o terno pendurado dentro do armário, pendure-o no cabideiro disponível fora do vestiário. Ninguém vai roubar!
         “Não tem mais água quente e não se faz nada!“ (mais recentemente)
         Ora, ora, cá entre nós, uma ducha gelada é muito mais adequada para quem sai encharcado de suor depois de uma hora de esforço!
         Enfim, acho que não há desculpa para deixar de encarar este desafio de frente. Ademais, estaremos contribuindo para a diminuição de carga sobre as lajes do edifício.
         Quando comecei a ver, ou melhor, sentir os resultados, depois de 1 mês, estabeleci uma meta: mudar de unidade até meu 47º aniversário! Explico: meu peso teimosamente insistia em se manter acima dos 100 kg durante os últimos 10 anos, tendo se estacionado em perigosos 115 kg no primeiro semestre de 2004. Ora, quando se está neste nível, já é significativo se referir ao próprio peso em toneladas e assim o fazia: eu sempre dizia que pesava 0,11 ton. Pois bem, meu objetivo era chegar aos 99 kg em 4 de janeiro, mudando, assim, de unidade (de tonelada para quilo). Associei os exercícios a um controle alimentar leve, que se resumiu a deixar de comer bobagens tipo sorvete, doces e refrigerantes. E consegui meu objetivo! Portanto, hora de revisar a meta!
         Para comemorar, me permiti me entregar às guloseimas de aniversário, incluindo bolo e brigadeiro e abandonei o CPS por 2 dias …. Apenas 2 dias! E ganhei 2 quilos! E lá se foi minha meta inicial. A esta altura, já consegui me recuperar mas o episódio serviu como um aviso: estou condenado a cuidar de minha saúde! E a sentença é: visitas freqüentes ao CPS e controle alimentar diário … de preferência, com poucas escapadas. É a saudável ditadura da saúde! O preço da boa saúde é a eterna vigilância!
         Com este investimento, a empresa atende às boas normas de administração moderna: uma empresa socialmente responsável deve zelar pelos os interesses de todos os seus stakeholders, palavrinha inglesa, da moda, que não encontrou tradução melhor que “partes interessadas”. Por “partes interessadas” entenda-se os clientes da empresa, seus fornecedores, seus acionistas, as comunidades afetadas por ela e os seus empregados (se esqueci alguma, perdoe-me!). Pois a empresa, com a iniciativa do CPS, deu um passo decisivo para preservar a saúde de uma de suas partes interessadas, os seus empregados, para que, assim, estes últimos possam contribuir melhor para a “saúde” das demais partes interessadas, seja social, financeira ou ambiental! A empresa investiu pesado na saúde do empregado da sede. Resta a nós, fazermos nossa parte!
         Para finalizar, em uma das últimas visitas ao CPS, resolvi dar uma olhadinha na aula de alongamento, só que cheguei na hora do relaxamento, quando a professora conclamava os alunos a entoar um mantra em português que dizia:
         Aceito  …..  Entrego  …. Agradeço 
         Achei interessante a coincidência pois já vinha pensando em escrever este elogio e o mantra veio bem a calhar para o que sinto em relação a este momento:
         Aceito o desafio de preservar minha saúde …
         Entrego o bastão ao CPS…
         Agradeço à empresa pela oportunidade!

         Obrigado

quarta-feira, 25 de agosto de 2004

O Olheiro Vê Longe


(carta de apresentação à gerência que eu assumia)

Rio, Agosto de 2004

Caros novos colegas,

Os aficionados pelo futebol seguramente já ouviram falar da figura do olheiro.Trata-se daquele profissional que anda pelos gramados da periferia das capitais, ou do interior dos estados, à procura de garotos bons de bola para municiar as divisões de base dos grandes clubes. Há variações para a profissão: tem também aqueles que vão dar uma olhada em como os potenciais adversários de um time estão jogando ou treinando, mas estes merecem mais a alcunha de espião, e ademais, com o advento do video-tape, perderam um pouco de sua utilidade. Já aquela primeira e nobre função continua viva. Foi um olheiro que viu um neguinho mirrado em Três Corações fazendo miséria com uma bola de meia e descobriu Pelé para o Santos. Foi um outro olheiro que viu um garoto de pernas tortas em Pau Grande entortar zaqueiros com duas vezes o seu tamanho e descobriu Garrincha para o Botafogo. Foi um olheiro que descobriu Ronaldo comendo a bola em Campo Grande e o levou para o Cruzeiro. E, mais recentemente, um outro olheiro tirou Diego de Ribeirão Preto para brilhar no Santos, e agora na Europa.
Há olheiros também no nosso meio profissional. Vocês conhecem um deles. Ele percorre os corredores da empresa como quem não quer nada, conversa com as pessoas e, de repente, pára ao lado de um engenheiro desmotivado, e pergunta, não se sabe de onde vem a inspiração: "Você não gostaria de fazer análise econômica?".
Claro que não estou me comparando a Pelé, Garrincha, ou qualquer outro dos citados, mas o processo foi parecido ao que aconteceu comigo. E o olheiro de quem falo é o nosso Adauto, velho de guerra. Ele foi um divisor de águas: o Adauto está para Homero assim como o álbum "Sgt. Peppers's Lonely Hearts Club Band" está para a música mundial, ou seja, tem um antes e outro depois.
O convite foi imediatamente aceito, e migrei para a Gerência de Negociações da Braspetro, a GENEG. Comecei, então, uma nova fase em minha vida profissional. Desenvolvi uma habilidade com planilhas eletrônicas que não sabia que tinha. Fiz um ou outro curso na área econômica, nada muito aprofundado. Em pouco tempo, estava montando complexas planilhas econômicas no saudoso Lotus 123, imprimindo em impressoras matriciais.
Quando Adauto recebeu outro inusitado convite para comandar a Gerência de Contabilidade (um geólogo? ... contabilidade?  .... só mesmo ele!), assumi a chefia da Área de Avaliação Econômica (AVEC), ainda na GENEG. A esta altura, já imprimia minhas planilhas a laser, e um pouco adiante ficava maravilhado com a beleza do WYSIWYG (alguém se lembra?).
Quando a AVEC migrou, inteira, com nome e gente, para a Gerência de Empreendimentos, eu já fazia macros no Lotus que só eu entendia, mas que me facilitavam muito o trabalho, deixando-me mais eficiente. Uma delas me possibilitou montar a primeira Consolidação do Portfolio da Braspetro, lá se vão 10 anos.
Em 1999, mais um convite inusitado, colocou-me na Gerência Financeira da Petrobras America, em Houston, de onde voltei em janeiro. Nesse meio tempo de quase 5 anos, foi criada a Área Internacional em 2000 (e extinta a Braspetro, 2 anos depois), e minha querida AVEC foi promovida a Gerência de Portfolio de E&P.
Nosso querido olheiro veio assumir a nova cadeira de Gerente, após alguns anos no E&P Corporativo, ajudando a empresa a entrar no mundo competitivo. Aqui, ele continuou exercendo sua capacidade de olheiro. Tenho certeza que fez com muitos de vocês o que fez comigo. Montou uma equipe eclética, com variadas especialidades, até engenheiro tinha. Um emérito desenvolvedor de equipe, um incentivador do treinamento de todos, um descobridor de talentos, certamente é um exemplo a ser seguido, imitado.
Quis o destino que ele agora galgasse novos rumos, novas vidas, novas civilizações, audaciosamente indo, onde nenhum Gerente jamais esteve (êpa, isto é Jornada nas Estrelas!), assumindo um novo desafio na Gerência Executiva de Desenvolvimento de Negócios.
E eu voltei a sentar em sua cadeira (será o meu destino?). E garanto que me sinto à vontade nela, por tudo que expliquei acima.
Sei que agora as ferramentas não são as mesmas daquela época romântica, tenho que me adaptar. Ao mesmo tempo, fico tranqüilo devido à qualidade da equipe, que produz análise de portfolio que é reconhecida como benchmark dentro do Sistema Petrobras. Fazendo mais uma analogia com o futebol, não vou mexer em time que está ganhando. Tenho muito a aprender com vocês e espero poder, em breve, começar a produzir à altura das expectativas depositadas em mim.
Mãos à obra.
Em tempo, no pessoal, tenho 46 anos, sou casado há 22 anos, tenho 2 filhos maravilhosos, gosto de Beatles (e música boa, em geral, não me venham com SPA), James Bond, Jornada nas Estrelas, e esportes em geral (de assistir, entenda-se bem!)
Abraço a todos.

Homero Ventura

sábado, 1 de maio de 2004

Teatro na escola americana

Só para atualizar, a orquestra do Felipe acabou tirando a nota máxima naqueles dois desafios da semana passada, que mencionei na mensagem passada.
http://blogdohomerix.blogspot.com/2004/03/ventura-family-status-last-year-in.html


Sobre ele, outro fato em que ficamos muito orgulhosos foi a participação, com seu violino, no Musical "Hello Dolly" pela Stratford Higschool Playhouse. Foram nove apresentações, sendo oito abertas ao público, com ingresso pago. Todas tiveram entre 80 e 90% de lotação, sucesso absoluto!

 
Fomos privilegiados em assitir duas das apresentações, com qualidade visual, qualidade musical, qualidade de interpretação. Os atores, todos alunos da HighSchool, dançavam e cantavam magnificamente.

 
As canções eram todas lindas, famosas desde a década de 60. Os músicos da orquestra fizeram sua parte muito bem e o Felipe estava lá. Ih! Agora me lembrei que já falei sobre Hello Dolly, ao telefone! Bem, tudo bem, agora escrevi!!!!

É impressionante o valor que os americanos dão ao Drama. Não é de admirar o sucesso dos musicais da Broadway. Os astros são nurtured desde cedo.


Abraços

quinta-feira, 25 de março de 2004

A Volta do Exílio (depois)

Nossa re-adaptação foi tranqüila, quem mais estranhou foi minha sogra, pois se acostumou a ter todos nós ao lado 24 horas por dia. Hoje, ainda que more em um apartamento no mesmo prédio, estranha um pouco, mas estamos procurando dirimir esta falta. Neusa está tentando retomar sua posição na Justiça de Trabalho do Rio de Janeiro e ainda não sabe se vai conseguir, corre o risco de ter que assumir em São Paulo. Renata conseguiu transferência para a PUC (pulou o vestibular) e teve sucesso no reconhecimento de 52 dos 60 créditos apresentados e está no equivalente ao segundo ano de Jornalismo, não perdeu quase nada, uma surpresa pela fama de rigidez da PUC. Está a-man-do, pois já fez muito mais amigos aqui em 3 semanas de faculdade que em 3 semestres lá. Já Felipe foi ainda mais além: seu esforço nos EUA foi suficiente para chegar aqui e adiantar um ano em relação ao que estaria normalmente e está cursando o 2º ano do 2º grau, estaria no 1º, no caminho normal. Na empresa, eu voltei para uma gerência intermediária da Área Internacional de Negócios que trata, além de finanças, de responsabilidade social e comunicação interna  ..... virei comunicador! Mas estou feliz, não posso reclamar um centímetro! Voltamos para o mesmo apartamento que morávamos, reformamos uns estragos do inquilino e lá estamos. Chegamos a pensar em comprar um maior para acomodar sogra e cunhado, mas seria uma pena, pois, mesmo antes de nossa missão, havíamos colocado o nosso apartamento de um jeito especialmente tailored para nossa família. As máquinas brancas funcionaram todas, a de secar a gás, a geladeira dupla está produzindo gelinho (teve que subir pela escada 19 andares), só a lavadora, apesar de funcionando, está ainda sem água quente, a TV recebeu uma plaquinha para transformar o sinal PAL-M da antena (ou cable) em NTSC, de modo que preserva o sistema original, só lá se foram 90 dólares. Só não consegui programar, de jeito nenhum, a droga do DVD player para tocar Área 4, então tive que comprar um nacional. Já estou novamente acostumado ao trânsito maluco e aos pedintes  .. somente rezo para que todos os meus (e todo mundo) sejam protegidos da onda de violência. No Rock, já que não tem Paul McCartney, serve Rita Lee (que vimos logo no começo) e Titãs (este último fui no último sábado com Felipe e assistimos de pé).

E vamos levando!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2004

Los Hermanos Brothers

Como alguns já sabiam, e os que ainda não sabiam, acreditem se quiserem, fui assistir ao show de Los Hermanos, no Claro Hall, na última sexta-feira. Como tenho consciência que parece estranho, permitam-me explicar uns poucos motivos para esta extremada decisão.
Los Hermanos explodiram em 2000, com Anna Júlia, aquele rockzinho gostoso, básico, com um refrão contagiante. Nós, lá de longe, não acompanhamos a carreira do grupo. Achamos que seria mais uma one-hit-band, ou seja, aquelas bandas que teriam um sucesso único e depois cairiam no limbo. Depois vimos que lançaram um segundo e um terceiro discos. Só quando chegamos, percebemos que criaram um séquito de fãs, apaixonados. Compramos um disco e começamos então a admirá-los também. Já temos os 3 e ansiamos por mais.
A banda é composta por dois guitarristas (são também os compositores e os vocalistas), baixista, tecladista e baterista, todos barbudos, sua marca registrada. Nos 3 discos, ouve-se também um afinado grupo de metais (sax, trombone, piston), agregados perfeitamente ao grupo.
Se você se liga mais em música ou em letra, não importa, Los Hermanos agrada nos dois grupos.
Na música, apesar de preferencialmente embasado no rock gostoso, o grupo anda pelo ska, pelo reggae, pelo hardcore, passa pelo samba, pelo baião e outros ritmos brasileiros, franceses, latino-americanos. O mais interessante é que, muitas, mas muitas vezes, mesmo, na mesma música ocorrem mudanças de ritmo, em perfeita harmonia.
Na letra, entretanto, é que vem a novidade. Os dois compositores, Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante são dois poetas românticos da melhor estirpe. E têm um estilo próprio deles: não colocam refrão em quase nenhuma música, ao contrário da canção que os levou à fama. Vocês notarão que as letras são longas e não se repetem. Suas letras tocam fundo nos jovens, suas frustrações amorosas, suas relações de amizade, os tipos esquisitos que aparecem em todo grupinho. O humor está espraiado por toda a obra. Por vezes, seus apelos românticos poderiam muito bem ser cantados por um Orlando Silva ou um Altemar Dutra, tipo:
Abre essa porta, que direito você tem de me privar desse castelo
 que eu construí pra te privar de todo o mal, desse universo que eu desenhei pra nós
…. ou ….
Tire esse azedume do meu peito, E com respeito trate minha dor
Se hoje sem você eu sofro tanto, Tens no meu pranto a certeza de um amor
Resolvi, então, ir ao show com meus filhos e um amigo deles, para ver de perto esse grupo que entrou na minha Top List. E fui junto com a galera, na pista! Eu era um dos 8.000 “jovens” que se acotovelavam lá embaixo. Da minha faixa etária, dos “enta”, não vi ninguém. Aliás, nem dos “inta”! A galerinha olhava para mim com aquela cara de espanto. Já havia sentido a barra quando o rapaz do estacionamento me disse, ao me entregar o ticket: ”Servindo hoje de motorista, né dotô?!”. Depois entendi o porquê!

O desempenho da banda é ótimo, os metais completam o som pesado harmonicamente. O público canta todas as músicas em uníssono, mesmo as mais complexas. Nas mais pesadas, formam-se as “rodinhas”, em que jovens se jogam uns contra os outros em perfeita paz. Uma delas abriu-se bem perto de mim e só fiquei me protegendo. Enfim, uma experiência e tanto.
Finalizando, o terceiro disco deles se chama “Ventura”. Não sei porque, não há música com este nome no disco. Talvez seja para expressar a ventura que é poder ouvir e apreciar as músicas desse novo grupo.