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sábado, 17 de julho de 2021

Please Please Me

Capítulo 36 

Esta é minha saga  

O Universo das Canções dos Beatles


Todos os Capítulos têm acesso neste LINK 

Todos as canções analisadas até aqui foram apresentadas segundo seus grupos, assuntos e classes, e serão agora grupadas como vieram ao mundo, em seus 13 LPs. Aquelas que vieram em compactos também serão apresentados nos dois LPs que coletaram todos os lançamentos que não apareceram nos LPs. Como sói acontecer nesta Saga, o catálogo válido aqui é o original conforme os LPs foram lançados no Reino Unido.

Os Beatles vieram ao mundo em 5 de outubro de 1962, com o lançamento do compacto Love Me Do / P.S. I Love You, coincidentemente com o surgimento de outro fenômeno que dura até hoje, com a estréia do primeiro filme de 007, Dr. No. Olha só que dia! Claro que fui eu quem descobriu essa coincidência e sempre ressalto essa data há 20 anos. Se quiserem saber mais, apresento o que escrevi, neste LINK.

Ainda antes do primeiro LP, a EMI ficou animada com o relativo sucesso dos meninos, que chegara ao posto 17 da parada britânica, e chamaram-nos para gravar mais um single ainda no final de novembro, Please Please Me / Ask Me Why, que foi lançado em 11 de janeiro de 1963, direto para o primeiro lugar das paradas.

Detalhes sobre essas canções mais abaixo...

Com essas quatro canções já prontas, ele voltaram ao estúdio no dia 11 de fevereiro para gravar outras 10, sendo mais 4 de autoria deles e outras 6 covers, composições de outros artistas.Ter os Beatles como banda cover era um luxo só. Era garantia de que ela seria, no mínimo em mesmo nível (quando os autores/cantores são Chuck Berry, Little Richards ou Carl Perkins), mas na grande maioria, melhor, bem melhor que a gravação original. Eles já vinham de anos de estrada tocando rock de tudo quanto é jeito, e eram imbatíveis, tinham vigor, tinham harmonia vocal impressionante. Então, vamos à track list do primeiro álbum dos Beatles, que levou o nome de Please Please Me, a canção que os levara ao primeiro N°1 das paradas! As canções cover estão em vermelho.
  1. I Saw Her Standing There (McCartney/Lennon)
  2. Misery (McCartney/Lennon)
  3. Anna (Go to Him) (Alexander)
  4. Chains (Goffin/King)
  5. Boys (Dixon/Farrel)
  6. Ask Me Why (McCartney/Lennon)
  7. Please Please Me (McCartney/Lennon)
  8. Love Me Do (McCartney/Lennon)
  9. P.S. I Love You (McCartney/Lennon)
  10. Baby It´s You (David/Williams/Bacharach)
  11. Do You Want to Know a Secret (McCartney/Lennon)
  12. A Taste of Honey (Scott/Marlow)
  13. There´s a Place (McCartney/Lennon)
  14. Twist and Shout (Medley/Russell)

 Notaram a inversão nos créditos?

Foi a única ocasião em que saiu assim!

Nos lançamentos seguintes, estabilizou-se na histórica ordem

Lennon/McCartney 

Espantou-se com esta última não ser 'dos' Beatles? Pois é, pouca gente sabe disso!!! ‘Twist and Shout’ foi composta por Medley e Russel (Você conhece? Nem eu!). Seguramente, eles jamais sonharam que ela alcançaria a fama que tem até hoje, e que estaria ainda viva mais de 60 anos depois de ter sido escrita. E certamente sorriem no túmulo, a cada vez que ouvem a interpretação Beatle de sua canção dançante, muito melhor que na gravação mais popular até então, pelos Isley Brothers (Você conhece? Nem eu!). Falei sobre ela neste LINK, como ela é colocada até hoje nas festas dançantes por todo o país. Pode crer: se for apenas UMA canção Beatle a ser tocada, ela será Twist And Shout. E eu conto também como foi conseguida aquela espetacular desempenho vocal de John, tarde da noite, num take só! Repito aqui:

Foram 9:45 horas de gravação, naquele que pode ser considerado o dia mais produtivo da história do rock. Isto sem contar os intervalos entre as três sessões, em que eles seguiam ensaiando, e tomando leite, para preservar a garganta, afinal era inverno, estavam todos resfriados. Nada comeram naquele dia. Quando chegou 10:00, o estúdio ia fechar, mas ainda faltava uma canção. Foi quando John disse que a garganta estava prestes a explodir. Tinha ‘estoque’ para mais uma e única performance, um esforço final. Era uma chance só! E decidiram gravar Twist and Shout, justamente a mais berrante das canções do LP, e que era levada justamente por John. Às 10:30 da noite do dia 11 de fevereiro de 1963, John gargarejou uma última golfada de leite, e soltou a voz, mais áspera do que nunca, e a banda acompanhou nos woooos e haaaas. Terminado o esforço, silêncio absoluto no estúdio, todos se entreolhavam calados, um misto de espanto e agradecimento. Haviam acabado de testemunhar a mais impressionante interpretação vocal e instrumental da história do rock’n roll até então. E ela é assim, por muitos, considerada até hoje. Digo mais, ‘Twist and Shout’ somente está hoje aí, firme e forte, por causa da primorosa e imbatível gravação dos Beatles. O que se ouviu naquele momento é exatamente o que se ouve até hoje. Aquela tomada foi a definitiva. Ainda tentaram mais uma, melhorar o imelhorável, mas a voz de John sumiu, apagou, como ele mesmo previra. 
Já que estamos nos covers, seguimos neles, lembrando que todos faziam parte do set list dos shows que faziam em Liverpool e no norte da Inglaterra naquela época.

E aqui, antes de passar à análise, lembre-se que estamos no comecinho de tudo, eles ainda eram uma banda de rock comum, com duas guitarras, baixo e bateria. Não esperem muitas inovações. O primeiro instrumento afora aqueles (e uma gaita de John e um piano eventual de George Martin) viria apenas em 1965, aquela flauta de You've Got To Hide Your Love Away. 

Ali naquela primeira sessão, já se instalava o costume de reservar uma oportunidade para Ringo brilhar. E foi em Boys, sempre tocada nos shows da banda naquele começo de carreira, para gáudio das fãs, uma interpretação vigorosa do nosso querido baterista cantor, coisa raríssima naqueles dias, mais um daqueles nunca-antes-na-história-das-bandas-de-rock. Interessante que era uma canção sobre meninos cantada por The Shireless, um grupo vocal feminino americano (do qual Dione Warwick fez parte algumas vezes), compacto de 1960 lado B de um compacto de 1960. Já era um número de Ringo em sua antiga banda, Rory Storm and The Hurricanes, da qual John e Paul o sequestraram para os Beatles.

Gravada originalmente por seu autor, o americano Arthur Alexander poucos meses antes, Anna (Go To Him) era uma balada soul favorita de John, 'Aaaaana', também uma de minhas favoritas! 

Baby It's You (sim, o Bacharah, um dos 3 compositores é aquele mesmo Burt, conhecido das baladas de 1970) foi um sucesso na voz de The Shireless (de novo!) , mas ganhou mais corpo na voz dos Beatles, mais especificamente na de John, magnificamente contracantada por Paul e George, em deliciosos 'Scha-na-na-na-na-nas'. Além dos instrumentos tradicionais, George Martin adicionou uma pianola, posteriormente! 

A Taste of Honey é uma preferida de Paul, que nos leva a um clima de faroeste, uma valsa, que era um tema instrumental, feita por Scott e Marlow para um musical da Broadway baseado numa peça inglesa, que depois virou filme, tudo do mesmo nome, e que depois ganhou uma letra. 

Finamente (nos covers), teve Chains, feita por Goffin e King, e este King, na verdade é mulher, e é, sim, a diva Carole King, quem diria... É cantada por George. Não é de minhas favoritas, mas tem uma harmonia vocal espetacular de John e Paul, as usual.

Voltemos então às 'McCartney/Lennon' do álbum, colocando-as no diapasão desta saga, com os assuntos e classes, e tudo o mais.

Percebam a tabela abaixo. 


                                   Mais detalhes sobre a divisão entre Heart & Mind Song, aqui, neste LINK

Traduzindo
  • Todas as 8 falam ao Coração (nenhuma às Mentes)
  • São 7 canções no Assunto Garotas e uma no Assunto Saudade
  • Das 7 Girl Songs, 4 são de Amor, duas de Paquera e uma de DR
Please Please Me é, portanto um 

100% Heart, 87% Girl, 50% Love Album!

Na tabela abaixo, as evidências, nas letras, do porquê da classificação acima!



Vamos à análise das canções de autoria dos Beatles!!

A numeração da canção obedece à do LP

LADO A

1. I Saw Her Standing There  (Flirt Girl Song by Paul McCartney)

Paul convida: Bem, ela olhou para mim, e eu, eu pude entender que não tardaria muito para eu me apaixonar por ela. Ela não dançaria com outro (whooh) quando a vi parada lá  
 
A primeira canção do primeiro LP dos Beatles é uma paquera com uma menina de 17 anos que ele convida pra dançar e não vai entregar pra mais ninguém. A letra original falava 'She'd never been a beauty queen', mas Paul não gostou da rima, e John veio com a definitiva 'And you kow what I mean', muuuito melhor, até pelas segundas intenções de sexo com uma menor de idade, enfim. Esse diálogo aconteceu na casa de Paul em Liverpool, em algum dia de novembro de 1962, portanto, após o lançamento de Love Me Do, o 1º compacto dos Beatles. A canção tinha o título provisório de Seventeen, que era a idade de uma das garotas com quem Paul estava saindo, sim, ele saía com mais de uma... depois resolveram nomeá-la com a frase que termina os versos, quase um refrão por si só. When I Saw Her Standing There foi a PRIMEIRA canção efetivamente composta pela dupla Lennon/McCartney! Naqueles tempos, e só naquele primeiro LP a dupla se assinava como McCartney/Lennon, mas a coisa reverteu, e adotou-se o nome que ficou para a posteridade. Ordem alfabética?
 
A estrutura da canção desde já mostrava uma prática de versos + pontes. E também uma prática que foi pouquíssimas vezes quebrada: a  composição dos Beatles terá, no mínimo, DOIS versos com letra diferente! Neste caso, foram, TRÊS. Em tempo, o termo 'Verso', musicalmente falando, não tem o mesmo significado da poesia. Em música, 'Verso' é o conjunto de frases que apresenta a melodia principal, e a ideia básica da letra. O Verso 1 conta como a garota capturou a atenção do autor, parecendo a ele sem comparação com qualquer outra que havia conhecido, e que ele garante que vai dançar com ela. O Verso 2 mostra a resposta do olhar dela e ele logo vê que iria se apaixonar. Aí vem a Ponte, aquele trecho de melodia diferente, que muda o nível de tensão, neste caso para cima (mas pode ser no sentido oposto), onde ele diz que seu coração estava explodindo quando cruzou o salão em sua direção e pegou-lhe a mão e grita em falsete extremo sua satisfação. O Verso 3 mostra que ele já a conquistou e dançou com ela a noite toda! Depois, nos acordes dos versos, vem o solo de guitarra de George, que seria o primeiro de sua carreira, pois as cinco primeiras canções gravadas até então não tinham solos. E, finalmente, o verso final repete ipsis literis o Verso 3.  
 
Como já falado na introdução para este álbum, os dois compactos já lançados com extremo sucesso, levaram George Martin a pedir mais 10 canções para completar um primeiro álbum, e eles só teriam um dia para completá-lo, e esse dia foi 11 de fevereiro de 1963. Os Beatles chegaram cedo, começaram a gravar ás 10 da manhã. When I Saw Her Standing There foi a segunda canção a ser gravada, antes do almoço. O 1º Take foi perfeito, mas decidiram seguir tentando melhorar, mas houve sucessivos problemas, ou de Paul que errava a letra, ou de John na harmonização. Nos Versos, John e Paul fazem harmonia vocal perfeita, mas a letra variou entre "She wouldn't dance" para "I'll never dance" ou "How could I dance", ou George não fazia um solo legal, ou mesmo Ringo se esquecia de um chimbal, enfim a coisa foi evoluindo até o Take 9, que saiu perfeito. Eles decidiram não almoçar, para continuar praticando outras canções, tomando apenas leite. Mais adiante, George Martin deu sua pitada, e chamou todos no final da tarde para baterem palmas sobre um playback do Take 9. Ficou bom, mas Martin achou que o Take 1 estava melhor, e então repetiu-se a operação das palmas sobre ele!
 
A canção foi muito tocada ao vivo pelos Beatles, inclusive, no começo, John tocava gaita na seção solo. Ela esteve no set list do histórico show no Washington Coliseum, o 2º do processo de conquista da América, em fevereiro de 1964, mas após junho daquele ano, outras canções tomaram seu lugar. Muito reproduzida ao longo das décadas, em shows, com destaque para o próprio John em sua antológica participação no show de Elton John, em New York, 1974, e por Billy Joel na reinauguração do Shea Stadium em 2008, também na Big Apple, e tal, mas nada supera o destaque mais recente que Paul McCartney deu a ela, cantando inteirinha numa festa de fim de ano corporativa da empresa de sua esposa Nancy Shevell, no final de 2019. Dispenso a piadinha sem graça que acompanhou dezenas de mensagens que recebi, com um texto de quem não sabia nada do que estava acontecendo, e dizendo tratar-se de um avô sem noção com sua netinha... ela que na época tinha 60 anos... neguinho tem que fazer graça... abominei! Olha que show, neste LINK.

2. Misery  (Miss Dispair Song by John Lennon) (em melhoria)

John lamenta em desespero: "Eu lembro de todas as coisas que fizemos. Ela não consegue ver que ela sempre será a única, simplesmente a única. Mande ela de volta porque todo mundo pode ver, sem ela eu estou na miséria
Depois de uma upbeat de Paul, uma downbeat de John, um par que aconteceria muitas vezes ao longo da carreira. Adoooro aquele pianinho que aparece no refrão! Aliás, é a primeira contribuição instrumental do Maestro George Martin.

6. Ask Me Why  (Love Girl Song by John Lennon) (a melhorar)

John exulta de felicidade: "Eu te amo porque você me diz as coisas que eu quero saber. E é verdade que isso só prova que eu sei que eu, eu eu eu nunca deveria ficar triste"
Exaltação do amor, ideia de John, com contribuições de Paul, especialmente na estrutura musical, muito mais complexa que qualquer coisa que se via no mercado, verso, verso alterado, ponte, refrão, tempos diferentes em cada parte, e um desempenho irretocável de todos. A canção fora apresentada a George Martin no histórico encontro de 6 de junho de 62, quando conheceu os Beatles, ainda sem Ringo, depois foi também ensaiada na primeira aparição de Ringo, mas só viu a luz como Lado B de Please Please Me, rumo ao primeiro primeiro lugar dos Beatles nas paradas!

 7. Please Please Me  (DtR Girl Song by John Lennon)

John discute o relacionamento: "Eu faço todo o agrado com você, é tão difícil te persuadir. Oh sim, por que você me deixa triste?"
John adorava o fato de a mesma palavra (Please) ter significados diferentes, e as colocou logo no primeiro grande sucesso dos Beatles "Por favor (Please) me agrade (Please Me) como eu agrado você!" e decerto também pensou na conotação sexual da troca mútua de agrados. John faz questão de dizer que ela é 100% dele, assim como Paul faz questão de confirmar isso. O interessante é que ela foi feita como um desafio, nos dois dias seguinte àquele primeiro encontro na EMI, portanto, 7 e 8 de junho de 1962, pois ficaram martelando na cabeça de John as palavras de Martimn: '"Vocês ainda não têm material bom o suficiente para o lançamento!"... Ah, é?! Quando os Beatles a apresentaram a Martin ele logo viu potencial, mas sugeriu, quase mandando, que se dobrasse a velocidade da canção. Paul olhou pra John que olhou pra Paul, como que pensando: "Esse cara sabe das coisas! Como não pensamos nisso!?". Foi a primeira grande contribuição de Martin no som Beatles! A partir de então, outra sessão e vários takes a mais, corrigindo a gaita de John pra lá, a guitarra de George pra cá, um jeitinho nas harmonias vocais perfeitas de Paul, e assim que terminou a sessão, Martin falou pelo microfone, lá do aquário do segundo piso: “You’ve just made your first Number One.” Profético!


LADO B

8. Love Me Do  (Flirt Girl Song by Paul McCartney)

Paul paquera a garota: "Ame-me, ame-me de verdade! Você sabe que eu te amo. Eu sempre serei verdadeiro!"
Promessas de amor eterno e verdadeiro estavam na mente de Paul, lá em 1956, pensando em sua namoradinha de então, aos 15 anos. Mais tarde, John colocou o middle eight "Someone to know, somebody knew ...". George Martin mostrou interesse na canção logo de cara, chamado que foi a ouvi-los pelo outro gerente que cuidaria de bandas 'modernas' em seu selo Parlophone. Ele veio, viu, gostou e nunca mais abandonou o posto. Agradou-o a gaita de John. E foi ela que causou uma mudança fundamental no vocal. Era John quem fazia o lead vocal, e TAMBÉM tocava a gaita,  irretocável e na hora de o instrumento entrar, ele abandonava o vocal. Então, ele disse a Paul: "Wait a minute, there's a crossover there. Someone else has got to sing 'love me do' because you're going to have a song called 'Love Me Waahhh.'Paul ficou nervoso com a mudança, a voz chegou a tremer, mas levou bem o desafio. Outro fato marcante da canção foi o episódio Ringo. Martin não sabia se os Beatles trariam um baterista decente às sessões (lembre-se de que ele sugeriu que os Beatles trocassem o baterista, após o primeiro encontro), e contratou um certo baterista de estúdio chamado Alan White. Ringo conseguiu que a versão com ele, Ringo, saísse no compacto de lançamento, lá em outubro de 1962, mas no LP, quem aparece é Andy White. Ringo JAMAIS perdoou George Martin por isso!

 9. P.S I  Love You (Love Girl Song by Paul McCartney)

Paul escreve à garota: "Guarde estas poucas palavras até que estejamos juntos. Mantenha todo meu amor para sempre. P.S. Eu te amo!"
Os Beatles estavam em Hamburgo quando receberam a notícia de seu empresário Brian Epstein de que conseguiram um contato na EMI e recomendou que compusessem mais e mais. Paul então imediatamente escreveu esta carta canção, em ritmo de cha-cha-chá. Musicalmente ela é superior a Love Me Do, mas não poderia ser o Lado A do compacto de lançamento dos Beatles, pois já havia outra canção com o mesmo nome no mercado. Os acordes iniciais são complexos para além do que se esperava de uma banda de rock. John contribui com vocais pontuais em certas sílabas da canção, como em 'TREASure these few WORDS, till we're toGETHER, keep ALL my love foREVER..." ou em "I'LL be coming HOME again to YOU NOW, unTILL the day I DO NOW", simplesmente sensacional. E Ringo, coitado, foi de dar dó, tocou chocalhos, porque, como já dito em Love Me Do, havia um baterista contratado para o seu papel, de tocar bateria!

11. Do You Want to Know a Secret (Love Girl Song by John Lennon)

John conta um segredo para a garota: "Ouça, deixe-me cochichar em seu ouvido, dizer as coisas que você quer tanto ouvir: Estou apaixonado por você! Ouça, uu-aa-uu, você quer saber um segredo?"
John se lembra de sua mãe Julia cantando Want to know a secret? Promise not to tell?do filme Branca de Neve até seus 3 anos, quando ela o abandonou, deixando para a irmã criar. Foi onde se inspirou. Ela foi escrita na mesma onda da recomendação de Epstein, de comporem mais e mais. Paul contribuiu com parte da introdução relembrando uma melodia espanhola (só faltaram as castanholas) e no middle eight ("I've known a secret for a week or two..."). John faz a introdução mas o resto todo é George, a quem John delegou o lead vocal, por ser uma melodia simples, de pouca exigência vocal. Gosto muito dos uu-aa-uu's de John e Paul e daquelas batidas com eco, de Ringo, ao final do middle eight. Note que é a segunda e ÚLTIMA vez, em que os versos são repetidos, sem variações, sendo Love Me Do a primeira e PENÚLTIMA vez e que isso ocorreu EM TODA A CARREIRA DOS BEATLES. NOTÁVEL!!

 13. There's A Place (Love Girl Song by John Lennon)

John percorre sua mente: "Povoam minha cabeça coisas que você disse como: E u amo apenas você'. Em minha mente não há lamentos, você não sabe disso?"
Há um limiar nessa minha definição de que se trata de uma Love Girl Song, e eu mantenho, porque ele está 'in love' com a garota, mas ela quase escorrega para uma Mind Self Song, pois a letra diz  "There is a place where I can go when I feel low when I feel blue. And it's my mind and there's no time when I'm alone". E esse tal lugar é a mente de John! Preferi deixá-la como uma Heart Song, até pra não precipitar as coisas. John nos graves e Paul nos agudos dividem o lead vocal, George faz backing vocal, e destaca-se a gaita de John logo no início!

Merece registro a capa do Primeiro LP dos Beatles. 
  • Primeiro por causa do fotógrafo, Angus McBean, considerado legendário no mundo do teatro britânico, chamado por George Martin. Os Beatles foram chamados ao edifício sede da EMI, em Manchester Square, e orientados a subirem as escadas, Angus orientou que parassem e olhassem para baixo, e ele com maestria venceu o desafio da backlight e tirou a foto. 
  • Segundo, porque 6 anos depois, um dos Beatles teve uma brilhante ideia (deve ter sido Paul, que era quem tinha as ideias). Era o Projeto Get Back, em que recriavam o clima romântico dos primeiros tempos. Nada melhor então que tirar a mesma foto! Chamaram o mesmo fotógrafo, subiram as mesmas escadas e olharam para baixo, e CLICK, registraram seus novos visuais. Pena que, como o Projeto Get Back não foi pra frente, a foto ficou engavetada, mas foi por pouco tempo...
  • Finalmente, três anos depois do final da banda, a EMI lançou uma coletânea sensacional, eram dois LPs, um com os sucessos de 1963 a 1966, outro com os sucessos de 1967 a 1970, e alguém teve a brilhante ideia de tirar aquela foto da gaveta. Ela ilustra, sobre um fundo Azul o último, e resgataram a foto original para o primeiro, sobre um fundo Vermelho! O lançamento é cultuado até hoje e eles são conhecidos com Red & Blue Albums.



O LP Please Please Me foi lançado na Inglaterra em 22 de março de 1963, direto para o topo das parada, aonde ficou durante 30 semanas até perder o lugar para uma banda chamada .... The Beatles. Sim, era o segundo LP da banda!

UFA!

Agora que comecei com este grau de detalhe, ainda tenho muito trabalho nos próximos 14 capítulos descrevendo os álbuns...

11 comentários:

  1. Caramba! Aprendendo muito através de você sobre essa banda que sempre foi a minha número 1.
    Diante de tantos registros sobre a participação de George Martin como quinto elemento do grupo, fica a pergunta: Será que ele foi sub-valorizado na mídia sobre as suas atuações como músico ou a minha ignorância sobre o assunto me leva a pensar desta forma? Não me refiro ao maestro, arranjador ou produtor musical, mas sim ao instrumentista, o cara que gravou com eles. Nunca percebi menções explícitas sobre esse fato até ler os diversos textos da sua saga. Talvez não tenha prestado atenção até então.

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  2. Excelente a postagem. Faz um resumo fiel do ambiente das gravações. A análise detalhada de cada canção está muito bem feita, pelo que venho lendo nos meus velhos e novos livros.
    Parabéns por manter a história - revolucionária - dos Beatles e de seu trabalho, assim como da contribuição de George Martin.

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  3. Realmente voce com este tipo de detalhamento soh faz aumentar nossas expectativas. Otimo trabalho e obrigado por dividir tanto conhecimento.

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  4. Realmente a saga não tem fim ( graças a Deus)
    Fico imaginando quando parecer que não há mais nada pra contar e charan!!! Começaremos a conhecer as estórias das canções em voo solo ( olha que não são poucas)
    Que continue o show
    Parabéns garoto

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  5. Tá ficando difícil criar elogios ao seu trabalho.Meu estoque tá acabando
    Você consegue se superar sempre

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  6. Simplesmente perfeita esta análise. Sem mais comentários. Não há necessidade.

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  7. Correndo atrás do prejuízo conforme prometi, estou maravilhado com sua forma de escrever, muito do que está aqui eu já sabia, mas com esse sentimento e essa maestria em explicar os detalhes, só você meu caro amigo Homerix.

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  8. I saw her standing there. Não tem jeito. Eu penso em John standing there no palco no dia 6 de julho. E no impacto que Paul teve como ele mesmo revelou. Como é de Paula (mas não sabe) teve de ver alguns pequenos 'defeitos'. John não sabia a letra da música e inventava coisas até engraçadas como ' venha comigo para a penitenciária...".Pois é...John cantava bem uma música que era um convite: Come and go with Me. Penso sentir Paul pensando...'eu vou com você."
    Paul ainda percebeu que o violão de John não estava afinado corretamente. Mas adorou o visual dele ( the way he looks was away beyong compare), e decidiu que queria tocar com ele na banda. Na verdade, já gostava do visual dele pois já o tinha visto duas vezes antes, mas sem se aproximar. Ali vendo ele em pé no palco veio confirmação: o cara era boa pinta mesmo, com seu estilo teddy boy, seu jeito de se vestir e se pentear. Ele não queria mais tocar com nenhum outro desde que o viu em pé ali. Então ele atravessou a sala do salão paroquial e segurou nas suas mãos ao ser apresentado a ele oficialmente. Bem, Paul fez seu show mostrando que sabia cantar músicas com letras quilométricas sem errar e ainda o ensinou a afinar o violão. E John olhou para ele bem de perto ( claro que se acercou porque Paul notou que estava com bafo de cerveja) e Paul então soube que tinha encontrado seu parceiro ideal. John não comporia com nenhum outro desde então. Ah, John só tinha dezesseis anos, mas logo em outubro completaria 17.

    Gosto de deixar as coisas claras pois podem não entender. É fantasia minha, acho que combina e se mudassem a letra daria certo para celebrar aquele primeiro encontro com essa música. E eu vejo mesmo. Sabe aquela foto de John lá no palco? Quando a musica começa eu a vejo grandona na mimha mente. Nunca vi nada nem parecido escrito em outro lugar, e claro que não se trata disso. Apenas coisa minha.
    Enfim, virou um clássico do rock com a mesma importancia que um Blue Suede Shoes ou Tutti Frutti. Tanto que foi escolhaida para se cantada por uma turma de peso quando eles deram entrada no Rock n Roll house of fame. ( Será que foi nessa data mesmo? Acho que sim). Já a escutei por cobras do rock por aí. E foi a última música interpretada num concerto por John. O concerto com Elton John. Como aquele concerto não foi filmado? Inacreditável. Mas tem aúdio de toda a parte de John.
    Sobre Lennon/McCartney já comentei sobre isso. Pode ser simplesmente porque John era mais letrista que Paul. A ordem certa por lá para parceiros é essa: primeiro nome do responsavel pela melodia e segundo nome pelo responsável pela letra. Não fica correto no caso deles porque John também fazia melodia e Paul também fazia letras. Mas Paul mesmo pedia suporte a John sempre no tocante a letras. Além disso, para meus ouvidos, soa bem melhor que MacCartney/ Lennon.

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  9. TAmbém disponso a piadinha do vovô sem noção com a netinha de 60 anos. Isso é o problema do preconceito contra idosos. Pouco se fala a respeito, mas é tão real como o machismo, o racismo etc. Ainda não tem nome. Velhicefobia ou algo assim, estou inventando.

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  10. Eu não sabia que Ask me Why tinha sido apresentada a George Martin naquele histórico 5 de junho. Aprendo muito aqui. A musica é linda, e como você disse, já trazendo sons não comuns naquele tempo. Já começaram inovando mesmo.
    TAmbém não sabia que George Martin tinha feito a profecia para Please Please chegar ao topo das paradas. E veja que não falou que chegaria ao topo. Ele disse ser o primeiro...e uma série. Sabia que ele tinha mudado o ritmo da música. Ela faz parte das músicas que, quando ouvi, tive como cantar junto porque já a conhecia não sei de onde. Aconteceu com várias. She loves you, Do you want to know a secret...Já tinha escutado ambas, já sabia a melodia, cantei junto com eles desde a primeira vez. Um mistério.

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  11. Sobre "There's a Place". Não sei mais onde li o que vou contar aqui. Portanto estou sem fonte e posso ter lido em lugar que não era confiável. Tenho quase certeza que era confiável sim.
    Paul tinha a trilha sonora do filme West Side Story. ( E eu também). Ele gostava imensamente da música "Somewhere" que começa dizendo . "There's a place for us, a time and place for us..." Paul sugeriu uma música inspirada nessa música. E John saiu com uma genial. Sim, havia um lugar para ele onde poderia ir quando estivesse triste. Mas diferente do lugar de West Side Story, que seria um lugar físico onde Tony e Maria, os personagens da peça, poderiam viver tranquilos sem medo do preconceito, o lugar descoberto por John seria seu interior. Em qualquer tempo. Nâo era preciso esperar o tempo passar para finalmente encontrarem tal lugar. Já existia na sua mente. Enfim, mesmo sem saber, acho que não sabia, John tinha descoberto a meditação! Acho isso tão bacana que fiz um texto a respeito lá para o Canal dos Beatles.
    Quem conhece a peça, ou o filme, sabe que Tony era americano e apaixonado por Maria do Porto Rico. Romance vetado pela família devido a intolerância. Eles sonhavam com um futuro melhor num lugar feliz que existia, e lá chegariam em algum dia, de alguma forma. Teriam uma nova forma de viver4, e descobririam como perdoar. O lugar está perto porque Tony diz 'segure na minha mãe e eu te levarei para lá. " Paul amava. Acho que ele colaborou com alguma parte da letra porque a música foi sugestão dele. Mas o miolo, a ideia de entrar na mente para eliminar as dores pessoais, veio de John...que sabia das coisas teoricamente falando. Quando teve a chance de praticar a meditação não o fez. Ou melhor, apenas começou e desistiu.
    Acho que nunca um roqueiro fez letra tão profunda assim antes. Nem Bob Dylan.

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