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terça-feira, 11 de outubro de 2016

O Creme Compensa?

 Agora, eles vieram com
Venozes e Furiovos 7
Relembro aqui um de meus melhores posts......

Li a transcendental pergunta do título na capa de uma revista feminina. Tenta resolver uma dúvida cruel do universo feminino: 'uso creme rejuvenescedor ou creme hidratante'. Crucial! Sempre procuro colocar algum humor no que escrevo, então apreciei muito o trocadilho. Aliás, nem sei se trata-se de um trocadilho, apenas originou-se de uma questão famosa que, com apenas a mudança de uma letra, transportou-se da ótica jurídica para a ótica estética. Brilhante!
Assim como brilhante foi a campanha dos mercados Hortifruti, espalhada em outdoors por toda a cena carioca entre 2006 e 2009, acho. Todos devem ter visto, e sentem falta de, ao menos um deles. Eram geniais! Também acho não tratar-se de trocadilho, sim paródias de títulos de filmes. 
Começou com 'Tomates Verdes Fritos', neste caso repetindo ipsis litteris o título de um filme real magnífico que, aliás, deve ter servido de inspiração, pois depois começaram a parodiar com verduras em 'E O Coentro Levou', 'A Hortaliça Rebelde',  e o incrível 'A Incrível Rúcula', passando por legumes como em ‘O Quiabo Veste Prada', '9 1/2 Cebolas de Amor', Batatas do Caribe' e ‘A Outra Alface’, e chegando às frutas com 'Kiwi Bill' ou 'Limão Impossível I'.  Tudo com imagens estilizadas do horti-astro principal tendo a ver com o tema do filme, e um sub-texto bem irônico. Uma obra de arte.                  
Cabe aqui uma ilação sobre o efeito de uma propaganda. Alguém vai mudar um hábito porque gosta ou deixa de gostar de um anúncio? Vai mudar de marca de pasta de dente, por causa dos belos dentes de uma atriz ou do cenário maravilhoso em que ela os mostra? Talvez eu já tenha me influenciado por algum anúncio de alguma novidade tecnológica, um produto novo, algo inovador. Nada mais que isso! Não passei a comprar mais BomBril por causa da estupenda campanha que durou mais de 25 anos através da imagem inconfundível de seu 'garoto'- propaganda (agora garotas), e também não teria deixado de comprar se não tivesse gostado. Aliás, como é que uma simples palha de aço gerou uma campanha tão poderosa?
No caso do Hortifruti, eu sou usuário eventual do mercado que, como diz o nome, vende hortifrutigranjeiros, na verdade, virou um mini-mercado, que é um acessório aos produtos principais. Eu ia, mormente quando chovia, o que impossibilitava a ida à feira, pela facilidade do estacionamento. Veio a campanha, que eu adorei, mas ela não conseguiu fazer com que eu aumentasse minha freqüência de comparecimento ao local. Creio que ela deve ter tido algum efeito, especialmente a quem ainda não conhecia o estabelecimento.
Os supermercados também andam investindo em propaganda. É difícil não guardar as chamadas do ‘Guanabaara, tuudo por vocÊ!!!!’ ou do ‘Mundiaal, o menor preçU total!!’ e 'aquela senhora dizendo 'SuperMarket é PREÇO!!'. Mas as campanhas são comuns, meio breguinhas, e apenas anunciam as ofertas. Já o Prezunic investiu melhor, chamou um locutor engraçado que conta pequenas histórias bem-humoradas antes de anunciá-las, usualmente clamando pela fome do cliente, muito forte no rádio, chegou à TV. Aqui, também, não foi pela propaganda que passei a ser cliente, mas sim, porque abriu uma unidade bem perto de casa, é claro, bem-iluminado, confortável, limpo, tem ótimo estacionamento e atendimento. E nada disso é ‘vendido’ no comercial.
Eu gostaria muito de ter acesso aos dados do “recall” das diversas campanhas, termo que define o retorno da propaganda junto ao público-alvo e, em última análise, o quanto a campanha rendeu em termos de aumento de faturamento de quem a contratou. Ou seja, se valeu a pena pagar aquelas brilhantes mentes para elaborar aquelas mirabolantes idéias. Mas isto deve ser coisa muito bem guardada, penso.
Bom, haja bom “recall” de sua genial campanha ou não, o Hortifruti poderia mantê-la por muito tempo, mas acabou. A mente poderia viajar e imaginar muitas outras combinações interessantes. Só na esfera de James Bond fariam uma festa: poderíamos começar com ‘007 - Os Espinafres São Eternos’, e seguir com, ‘007 - O Homem com a Acerola de Ouro’, ‘007 Contra o Rabanete da Morte’, ‘007 - Somente para Seus Alhos’,  ‘007 - O Agrião Que Me Amava’, ‘007 – O Almeirão Nunca Morre’ e terminar com o moderno ‘007 - Pepino Royale’.
Poderia seguir com outros clássicos e reviver uma Mrs. Robinson vegetariana em ‘A Primeira Couve de Um Homem’, um James Dean vegetando em ‘Aipim Caminha a Humanidade’, ou lembrar Michael Douglas e Glen Close ativados pelo aroma em ‘Açafrão Fatal’, ou ainda Robert de Niro em ‘Nabo do Medo’, atormentando uma família carnívora com seu protrudente legume. 

O campo é vasto! Senão, vejamos .... (em tempo: algumas viraram realmente outdoor, com variação, após a edição original deste post, lá de 2009...)
  

‘A Maior Chicória de Todos os Tempos’,  
               Jesus Cristo me perdoe;
'A Rede Cereal',  
               O lado vegetariano de Mark Zuckerberg;
‘Aspargos Inglórios',  
               Uma vingança saborosa;
‘Batman - O Verdureiro das Trevas,  
               Morcegos adorarão;
‘Canela Indiscreta’,  
               Hitchcock desvendando a curiosidade vegetal;
‘Como Era Verde o Meu Cheiro’,  
               dando gosto ao feijão;
‘Dançando na Chuchuva’,  
               Gene Kelly na época da gagueira
‘Ensaio Sobre a Pereira'
               quem não gosta é cego 
‘Edward Mãos de Cenoura’,
               cinco em cada uma;
‘Eram os Deuses Alcaparras?’,   
               a dúvida transcendental;
‘Espiga Internacional’,  
               passaporte para os milhos, é o pleito hitchcockiano;
‘Harry Potter e a Tâmara Secreta’,     
               a fase frugal do bruxinho;
‘Indiana Jones Em Busca do Brócolis Sagrado’     
               em sua faceta arqueológico-vegetal;
‘Jambo - Programado para Matar‘,     
               agora revivido, na terceira idade;
‘Kung-Fu Quitanda',  
               Conexão animal-vegetal;
‘Meia-Couve em Paris’,  
               tempos difíceis para Woody Allen;
‘Memórias de uma Ameixa’,  
               Semeando o fruto do amor;
‘Meu Aipo Será tua Herança’,     
               Willian Holden num faroeste agrário;
‘Meu Rapé Esquerdo’,     
               a outra narina viria depois;
‘Missão: Impossível - Maçã Secreta’,     
               nada a ver com Adão e Eva;
‘Muito Além do Aipim’,     
               Peter Sellers aceitando batatas, inhames e outros;
‘Mulheres à Beira de Um Ataque de Ervas’,     
               Espanhol também vale;
‘O Clã das Alfafas Voadoras’,      
               com muita complantação gráfica;
‘O Massacre da Salsa Elétrica’,      
               sangue a dar com pau;
‘O Pepino do Poseidon’,     
               estava estragado pode ter causado o acidente;
‘O Planeta dos Maxixes’,     
               lembrando o saudoso Charlton Heston;
‘O Primeiro Inhame do Resto de Nossas Vidas’,     
               nova dieta de Demi Moore;
‘Onde os Nabos Não Têm Vez’,     
               para ser bastante atual;
‘Os Dez Condimentos’,     
               Charlton Heston abrindo mares temperados;
‘O Segredo de Seus Alhos’,  
               Argentino entre cabeças e dentes;
‘Ovos Vorazes’,  
               Jovens Galináceos lutando pela vida;
‘Palmitos no Espaço – O Filme’,      
                muito melhor foi a série da TV;
‘Páprica Mortífera’,     
                tempero também é hortifruti, já dizia Mel Gibson;
‘Procura-se um Amor que Goste de Repolhos‘,      
                churrasquinho romântico, jamais;
‘Quanto Mais Tapioca Melhor‘,     
                estrelado pelo ministro, nada idiota;                  
‘Quem Tem Medo de Endívia Wolf’,     
                revivida pela nariguda Nicole Kidman;
’Um Coco Que cai’,     
                Hitchcock em sua fase baiana;
‘Uva Negra’,      
                Michael Douglas especialista em vinhos japoneses;
‘Vagem Fantástica’,      
                explorando os intestinos do corpo humano;
‘Vicky Tangerina Barcelona',  
               Woody Allen mais ácido que nunca;
‘Victor ou Chicória’,     
                não resisiti a repetir a hortaliça.
.... isto, sem falar no óbvio ‘A Laranja Mecânica’, também prontinho pra usar no out-door, com seu verdadeiro nome.
Bem, é bom parar por aqui, senão daqui a pouco, chegaremos aos filmes ainda não existentes, como ‘A Bertalha da Portelinha’, muita calma nessa hora.
Que a Horta esteja com você!!!! 


11 comentários:

  1. ehehehe
    Muito bom!!!!!
    Homero, por que você não escreve uma peça de teatro para entrar em cartaz no mundo lá fora?? Você tem muita imaginação??
    Adorei os novos títulos para o Hortifruti.
    Fiquei aqui gargalhando e todos quiseram saber o que estava acontecendo eheheh
    Quanto à eficácia da publicidade, esteja certo de que o retorno é muito grande... não fosse isso a Coca-cola, marca mais conhecida no mundo, poderia se dar ao luxo de parar de anunciar. É importante que as marcas estejam na lembrança do consumidor, ou, "sejam top of mind" - como costumam dizer os publicitários. A questão é que o consumo é emocional - e não racional. Você pode não se dar conta, mas certamente quanto tiver que escolher um produto que não conheça nenhuma marca, certamente, virá no seu subconsciente que "tal" marca você já ouviu falar acaba acreditanto que conhece - seja porque viu na televisão ou porque algum amigo comentou e este, por sua vez, pode estar influenciado pelo anúncio na internet, por exemplo. Isso se chama de "redundância na comunicação" - ou seja, eu bombardeio meu público com mensagens em vários veículos (tv, rádio, jornal, internet, chamada de espera telefônica, outdoor, etc) e em alguma hora ele absorverá a informação sem necessariamente se dar conta.
    Como você tem essa veia humorística, esse tipo de anúncio do Hortifruti o sensibiliza. Você pode até não comprar nesse mercado todos os dias, mas certamente acabou multiplicando a mensagem nesse e-mail. Se alguém não tinha se dado conta dele, agora é possível que passe a prestar a atenção.
    Existem também outros tipos de estratégias como colocar bebês em propagandas de produtos para a família ou para ressaltar a imagem da mulher, colocar testemunhos de especialistas como os dentistas que recomendam os produtos Oral-B.
    Foi feita uma pesquisa que apontou que propagandas que mostram crianças e cachorros vende muito... teve até uma propaganda com essa informação. Se a campanha for extremamente bem-humorada, por outro lado, o retorno pode não ser muito positivo pois há a tendência de a pessoa lembrar do filme e não atentar para a marca. Lembro-me de uma propaganda em que havia um idoso escalando uma montanha. Ele contava suas aventuras, desde os 40 anos, praticando esportes radicais e que sua família dizia o quanto esse comportamenteo era era perigoso. Ele relatou então que um amigo, muito responsável e ciente dos riscos da vida, acabou morrendo engasgado ao ingerir uma ervilha. Por fim, esse senhor concluia que perigosa é a ervilha. Eu não me lembro qual é a marca e já perguntei a várias pessoas e ninguém se lembra. Incrível! Você por acaso lembra?
    Também deixo aqui duas contribuições:
    - Hortifrutigranjeiro é uma só palavra - SUPER-polissílabo, ehehe
    - e também uma lição sobre colocação de pronomes adverbiais.

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  2. Ficou otimo!!!!
    Acho que nem a equipe de Marketing do Hortifruti conseguiria pensar em tantos filmes para adaptar os nomes.

    Best Regards,

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  3. Homero,

    Adorei os temas sugeridos!!! Também tenho reparado na campanha publicitária da Hortifruti nos outdoors espalhados pela cidade e acho de uma criatividade incrível.

    Uma propaganda que também pegou é a da Ford, com seus bichinhos que não podem comprar um ford exatamente por serem bichos, acho até que o bordão: "É nos de Eco....", no lançamento da propaganda, pegou um pouco.

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  4. Homero,

    Desta vez você se superou! Dei muita risada com seu texto ao final deste (exaustivo) dia de trabalho.
    Como adoro os filmes do James Bond, na sua seleção cinéfila/hortigranjeira, meus preferidos foram "Somente para seus alhos" e "O agrião que me amava".
    Genial!!
    abs

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  5. Homero,

    Muito bom!! Vc poderia ganhar uma grana vendendo essas idéias ao Hortifruti... Aliás, vc já escreve para algum jornal ou outro veículo de comunicação? Ou mesmo publicou um livro de contos? Já está mais do que na hora! Parabéns!

    Abraços

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  6. Caríssimo Homerix,

    Começo agradecendo pela aula do M A Seixas e concordando com os comentários dele.
    Já as conclusões que você escreveu sobre o retorno das propagandas, batia com as minhas de uns tempos atrás e inclusive me faziam pensar que as propagandas e seus retornos tinham origem numa parcela do público que era facilmente influenciável, por consequencia, se a qualidade da educação fosse melhor, não teríamos tanto dinheiro sendo investido em comerciais, pois as pessoas não seriam tão influenciáveis.
    No entanto, o tempo passa, o tempo voa e os fatos do dia a dia que tomamos conhecimento e alimentam nossa experiencias de vida, nos fazem vincular conhecimentos, gerando mais conhecimentos e assim, um belo dia eu me peguei imaginando o porquê de advogados de criminosos insistirem em dizer que seus clientes são praticamente anjos, citando suas crenças religiosas, mostrando fotos suas com crianças e etc, quando na verdade, ninguém (em sã consciencia) acreditaria nessa história (da mesma forma como ninguém seria influenciável pelas propagandas), principalmente os excelentíssimos Magistrados. Porém, a partir daí, eu imaginei exatamente o que o eloquente M A seixas me confirmou, ou seja, não poderia ser uma espécie de "movimento involuntário" de nosso cérebro ?? que ao ser bombardeado por algo, passa a reconhecer este algo como fazendo parte de nossa vida e portanto, conhecido e confiável ??

    Se isso fosse verdade, justificaria os advogados de criminossos usarem este típo de tática, bem como as enormes quantias envolvidas em propagandas e então, a nossa preocupação passa a ser outra :

    1. Os magistrados e jurados são preparados para reconhecer este tipo de truque ?? Ou preparados para julgar os caras apenas pelas provas ?
    2. Reconhecer este truque, é suficiente para ser imune a ele ?? uma vez que se trataria de um movimento involuntário de nosso cérebro ?? Dá para ser imune a um movimento involuntário ?? já tentou desistir de ir no banheiro, quando a mãe natureza te INTIMA a ir ??...rs, pois é.
    3. Se não há treino para se reconhecer este tipo de coisa e ser imune a ele, temos que acreditar que a justiça será feita apenas com base na teórica boa cultura e conhecimento geral dos excelentíssimos magistrados ??

    Assustador.

    Se algum advogado "seguidor" pudesse comentar, seria interessante....

    Aliás, igualmente assustador seria o filme "O Nabo do medo", por favor, não o produza. Especialmente para o teatro, onde não há efeitos especiais. Já "Onde os Nabos não tem vez", soa melhor para o horário antes das 21hrs.

    Sua criatividade segue ativíssima e divertidíssima !!

    Forte abraço,
    RR.

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  7. Ops !!..perdão pelo "batia", o correto é "as conclusões batiam...."

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  8. Caro Homerix,
    Mais "contribuições":
    A NABIÇA REBELDE
    Com Julie Andrews, de quem o maridão disse que tinha lilazes em vez de pelos pubianos
    OS FRUTOS TAMBÉM AMAM
    Também conhecido como "Shane" (ou será Shame..)
    RASTROS DE ÓLEO
    John Wayne escorregando na maionese
    POR UM PUPUNHADO DE DÓLARES
    Western spaghetti ao sugo
    ATRAS DA GALINHA VERMELHA
    Um bando de soldados assando no espeto
    NADA DE OVO NO FRONT
    Sem omeletes nas trincheiras
    O QUEIJO DA MULHER ARANHA
    Sonia Braga para seu deleite
    ROQUEFORT (ROCKY IV)
    Stallone já cheirando mal...

    Abraços,
    Oswaldo

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  9. Muito bom, dá pra sair um pouco do olho do furacão.

    José Neves

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  10. Sobre o post... apenas uma palavra, digo, onomatopéia!

    Quááááááá!

    Humberto

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