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quinta-feira, 29 de abril de 2021

Entaniversários 2021

 Poderia estar no Aurélio (lá venho eu com definições homéricas):

beatle                          
S. m. Ingl.
 1.      qualificativo aplicado a apenas quatro seres humanos
 2.      no plural, entidade especial que se materializou no planeta para compor, cantar, tocar, encantar e mudar o mundo da música, ou melhor, o mundo, sobre os quais frequentemente se ouve falar, em celebrações de aniversário de seus feitos inigualáveis.

Tudo bem, a definição pode ser exagerada, mas vira e mexe aparece nos jornais uma reportagem com manchetes em letras garrafais:
Neste mesmo dia/mês, 10n anos atrás, os Beatles faziam alguma coisa!
(lançavam um disco, davam uma declaração bombástica, abriam uma loja psicodélica, lançavam um novo selo no mercado, tiravam férias nas Bahamas, contratavam uma orquestra para acompanhar rock’n roll, ganhavam um título de Membro do Império Britânico, insultavam Imelda Marcos, reclamavam dos impostos cobrados pela Rainha, levaram um soco de Cassius Clay, faziam uma jam session com Elvis Presley, tomavam banho no mar de Miami, iam ao cinema, comiam pipoca, sei lá!)
Então, surge mais uma definição do Aurélio, desta vez, na versão Homerix:
entaniversário                          
S. m.
múltiplo de dezenas de aniversários (10n anos, sendo 'n' mínimo de 4, máximo de 9), traduzindo, quarENTA, cinquENTA, sessENTA, setENTA, oitENTA, novENTA anos. 
O último Entaniversário celebrado por mim, aliás, eu diria, lamentado por mim, foi justamente o fim, infelizmente, sim!

Era abril de 2020, quando o mundo se lembrou dos 50 anos sem Beatles, e lembrou da declaração de Paul anunciando o fim da maior banda de todos os tempos, como se fosse ele o mentor de tudo: na verdade, o fim era inevitável, seja por causa da vontade de cada um desenvolver seu trabalho individual, seja por causa de John (talvez influenciado por Yoko), enfim, sempre haverá controvérsias. O sonho de colocá-los juntos novamente acabou com a partida de John, em 1980 e de George, em 2001. Agora, só mandando Paul e Ringo para tocar no céu (ou no inferno, como queriam alguns mid-western americanos, quando Lennon disse que os Beatles eram mais populares que Jesus Cristo!). Desde 1970, a imprensa mundial e em especial, a inglesa, cisma em tentar indentificar um grupo sucessor para preencher “o vazio”. Mais ou menos como a imprensa brasileira sempre tentou encontrar um Novo Pelé. Novos Beatles, impossível, afinal aquilo foi uma conjugação cósmica de talentos, num momento astral que dificilmente se repetirá. E mesmo que algum grupo chegasse perto, em talento, em musicalidade, em canções inesquecíveis, seria impossível repetir o que conseguiram, em qualidade e quantidade.
Houve um mais recente, mas eu não celebrei. Em agosto de 2020, alguns celebraram os 60 anos dos Beatles, pois foi naquele mês de 1960 que John pensou nesse nome e o adotou para sua banda. Ocorre que, àquela época, Ringo não estava na banda ainda. Portanto, em minha opinião, ainda não eram The Beatles. Os 60 somente ocorrerão em agosto de 2022.
 Bem, na verdade, nada é final quando o assunto é Beatles: logo começará a rodada dos sessentinha, claro! Aliás, ela já começou: no dia 6 de julho de 2017, todos nos lembramos do sessentenário d’O Dia em que John encontrou Paul’, o que certamente daria nome de filme, até já teve, com o nome Nowhere Boy. John, em sua costumeira modéstia, desde pequeno sabia que seria grande. Sempre foi o líder dos grupos em que se metia, para o bem ou para o mal. E líder ele era dos Quarrymen, uma banda de adolescentes ingleses que tocavam skiffle e rock em variados lugares de Liverpool, inclusive em pátios de igrejas. E foi num pátio de igreja, naquela tarde de verão, que ele foi apresentado a Paul por um amigo comum. Paul mostrou na guitarra seu conhecimento sobre o rock americano e também trechos de composições suas. De imediato, John percebeu que estava diante de  “um igual”. Nas 24 horas seguintes, ficou matutando, com seu imensurável ego, o dilema de continuar como estrela solitária ou deixar seu brilho ser ofuscado pela presença de um outro talento no grupo. Quiseram os deuses que ele optasse pela última, e assim criou-se a semente do sucesso dos Beatles.
Agora, demorará um pouco para que celebrem outros 60. Duvido que celebrem as idas do grupo para Hamburgo, entre 1960 e 1961, quando eles eram cinco, ainda sem Ringo, que ainda nem sonhava que tipo de vida teria pela frente. Lá na cidade portuária alemã, eles realmente tiraram sangue para tocar ao vivo, 7, 8 horas seguidas por noite, movidos a estimulantes, e desenvolveram seu incomparável carisma e qualidade de desempenho, deixando-os a anos-luz das outras bandas de Liverpool. Talvez, se lembrem de fazer uma matéria no dia 6 de novembro de 2021, sessenta anos depois que Brian Epstein foi ver um show deles pela primeira vez, este sim, um momento importante, meio escondido no Cavern Club (se é que poderia, com seu impecável terno em meio a jovens com jaquetas de couro).
Nesse período de entresafra de fatos beatle em conjunto, um momento foi lembrado, e um outro será, ambos com o lado triste da coisa, e saindo um pouco dos “enta”:
1.         Em 8 de dezembro de 2020, o mundo lamentou 40 anos de partida de John Lennon deste plano espiritual, de forma torpe, assassinado com vários tiros pelas costas, por um fanático, quando chegava ao edifício onde morava em New York, após uma sessão de gravação daquele que acabaria sendo um álbum póstumo, cuja canção principal era “Just Like Starting Over”, retratando sua volta ao mundo público, após cinco anos de vida privada para dedicar-se a seu segundo filho. Uma notícia que abalou o mundo: a maioria das pessoas se lembra do que estava fazendo quando a ouviu;
2.         Em 29 de novembro de 2021, serão lembrados os 20 anos sem George Harrison, que perdeu a batalha contra um câncer no cérebro, que já combatia há anos, e inspirou a canção título de seu último álbum, “Brainwashed”, aliás, excelente; uma notícia menos traumática que a do companheiro, por ele ter partido por causas “naturais”, porém muito lamentada pelo mundo beatle, já que ele era uma pessoa espiritualmente elevada, e mesmo sendo “The Quiet Beatle”, sempre abriu a boca pelas grandes causas, sempre procurou fazer o bem. E criou muito bem, também, a grande maioria dos solos de guitarra beatle, entre eles, o mais melodioso de todos os tempos, em Something.
Além destes, sempre celebramos os entaniversários de vida dos dois Beatles que sobraram por aqui:  os 80 de Ringo, foram em 7 julho de 2020 e o de Paul, será em 18 de junho de 2022. E que depois venham os 90 e passem dos 100 anos...... Eles têm que compensar a partida prematura dos outros dois e testemunhar a continuidade de sua obra.
 Voltando aos momentos notáveis como grupo, a mídia vai certamente registrar, no primeiro dia de 2022, o sexagagésimo aniversário da rejeição dos Beatles pelo burocrata de plantão da gravadora Decca Records, que ouviu um teste ao vivo dos rapazes, e sacramentou, impávido: "Esses grupos com guitarras estão com os dias contados!". Claro que o "gênio" se arrepende até hoje, apesar de ele estar intrinsecamente certo, pois os dias estavam realmente contados: só que o contador já está em 21.667 e segue crescendo! Felizmente, para a sua história, o acaso deu-lhe uma segunda chance, e ele pôde se redimir, e contratou uma outra banda que fez um teste por lá, cujo nome lembrava algo como “Pedras Rolantes”!!
  E virá 5 de outubro de 2022 quando o mundo celebrará 60 anos do nascimento oficial dos Beatles, com  seu primeiro compacto (com “Love me Do” e “P.S. I Love You”), que conseguiu chegar ao 17º lugar na parada nacional inglesa, feito nunca antes alcançado por nenhum outro artista em sua  estréia.
  Talvez 2023 passe em branco, quem sabe uma rápida menção aos sessentinha do lançamento do primeiro LP “Please Please Me” e o tempo recorde de sua gravação, um LP inteiro em apenas um dia, mas 2024 virá com toda força, com o sessentenário da invasão beatle na terra de Tio Sam, com os shows de Ed Sullivan, e do lançamento do filme “A Hard Day’s Night”, aqui lançado como “Os Reis do Iê Iê Iê”, ainda hoje considerado um marco do cinema mundial.
  E por aí irá, 2025, com os 60 anos de “Help” e “Rubber Soul”, 2026 com “Revolver”, todos álbuns antológicos, tornando-se respeitáveis sessentões, e, chegará o ano da graça de 2027, com “Sgt. Peppers’ Lonely Hearts Club Band” e "Magical Mistery Tour", o filme e o disco, e depois, 2028 celebrando um sexagenário Álbum Branco além do filme Yellow Submarine, e 2029, como o último ano produtivo da banda virando idoso, com três momentos: os álbuns Yellow Submarine e Abbey Road e a foto icônica da capa deste último, que também será celebrada.
  Um ciclo se fechará, mas certamente não parará por aí. Depois dos 60, virão os 70 e depois os 80, e assim por diante, até que chegarão as comemorações centenárias, então pode ser que já sem a presença de nenhum beatle nesta dimensão, tomara que não. Paul e Ringo já deverão estar lá, juntos a John e a George, observando o “estrago” maravilhoso que fizeram em sua passagem pela Terra. E a gente também lá, quem sabe, vendo os filhos (já passei a bola para os meus!), netos e bisnetos ainda embevecidos pelo inebriante som, e contribuindo para a permanência do mito!!!
    Não há dúvida de que o fenômeno veio pra ficar .... para sempre.
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A partir de agora, um pouco mais de detalhes de algumas da celebrações que virão!

  Em 2027, chegará a vez de celebrar o sessentão “Sgt. Peppers”, o mais-que-notável marco da música mundial, aquele divisor de águas, do antes e do depois. Houve festas mundiais em homenagem ao notável disco, lançado em junho de 1967. Esqueceram-se, entretanto, de notar o quadridecênio (!) da morte do empresário Brian Epstein, que ocorreu apenas 2 meses depois, numa overdose adicional de soníferos, o que, queiram ou não, contribuiu decisivamente para o fim da banda, pois tiveram que tocar o negócio sozinhos. Não entendiam da coisa, Paul se destacou como líder, o que gerou o desconforto de John (ah, o ciúme!), e por aí foi, até que caiu a última gota, a japonesa que virou a cabeça deste último, conseguiu o que queria, e transbordou o copo.
  A imprensa poderá deixar passar despercebido (mas eu não deixarei de registrar) no Natal de 2027, o sexto “entaniversário” da última mensagem de Natal dos Beatles!!!! Surpresa? Explico: desde 1963 (por sugestão de Brian Epstein, claro) os Beatles gravavam uma mensagem de Natal que era direcionada somente aos membros do fã-clube oficial, sempre simpática e bem-humorada. Na última, além da mensagem, gravaram uma canção, da autoria dos quatro, coisa raríssima, chamada “Christmas Time (is here again)”. Ela teria morrido na lembrança dos fanáticos que ouviam discos-pirata, não fosse o projeto Anthology, que a encontrou nos arquivos da EMI e a lançou em 1995 como Lado B de “Free As a Bird”, aquela canção mixada com o além (voz e violão de John, que Paul, George e Ringo adicionaram arranjos, composição adicional e outros instrumentos). Simplezinha mas bonitinha, “Christmas Time ...” é bem melódica, e é uma oportunidade de ouvir a excepcional harmonia vocal de John, Paul, George, Ringo, os quatro cantando juntos, também coisa rara.
    Em julho de 2028. o filme “Yellow Submarine” também tornar-se-á sexagenário. O projeto, que pegava o clima de “Sgt. Peppers” e algumas grandes canções, colocou os quatro Beatles em um desenho animado, numa aventura non-sense fenomenal. Numa falha de avaliação dos Beatles (não foi a única!), eles não acreditavam no projeto e não aceitaram colocar suas próprias vozes. Acabou não fazendo falta, pois colocaram dubladores excelentes e com vozes bem parecidas com os originais, e o resultado global ficou tão bom, que os Beatles adoraram, se arrependeram e acabaram gravando, ao vivo, uma cena final muito simpática e engraçada. O desenho é cultuado como revolucionário, e celebrado até hoje. 
Em novembro de 2028, os jornais celebrarão os 60 anos do lançamento do álbum “The Beatles”, mais conhecido como “White Álbum” (no Brasil, “Álbum Branco”), inédito álbum duplo na carreira deles, inédita capa absolutamente branca apenas com o nome em alto-relevo – no vinil (logo após outra inédita capa, absolutamente lotada de personagens, cores e figuras, que fora o álbum anterior, o não menos famoso “Sgt Peppers”), inéditos encartes com fotos tamanho família dos rapazes (àquela época, já nem tanto), inédita canção de Ringo Starr (primeira a ser permitida pelos donos da banda, Lennon/McCartney), inédita canção experimental de John Lennon, inédito solo (entre os melhores do mundo) executado por um convidado ilustre, inédito “hard rock”, e mais um nem-um-pouco-inédito primeiro lugar em todas as paradas do planeta. Foi o álbum em que ficou patente o começo da divisão: cada beatle chegava com sua composição e praticamente contratava os outros três para tocar instrumentos e prover backing vocal, com pouquíssima influência importante. Nada o que reclamar da celebração, mais que merecida, mas apenas da data em que os festejos começaram, quase seis meses antes do aniversário correto: afinal, o disco foi lançado em novembro de 1968. Entretanto, dá pra entender a expectativa, afinal, tudo o que se refere aos fab four desperta muita atenção, ainda hoje.
           Mais marcante ainda será esperar os jornais de 30 de janeiro de 2029, quando certamente estará estampado nas manchetes .......
    Há 60 anos, os Beatles fizeram sua última aparição ao vivo.
..... lembrando o antológico, e infelizmente curto, concerto realizado no terraço do edifício em que ficavam os estúdios da Apple, em Savile Row, quando cantaram, de maneira primorosa, além de outras, "Get Back", "Don't Let Me Down”, e "One After 909", desconhecida música do começo da carreira, causando um tumulto sem par nas ruas circunvizinhas, até que foi interrompido pela polícia. As imagens daquele show, felizmente registradas, permanecem vivas na memória de muita gente
      Em setembro de 2029, será a vez dos “sessentanos” do lançamento de “Abbey Road”, para mim e para muita gente (incluindo George Martin, o grande arranjador), o melhor disco beatle, infelizmente seu último trabalho juntos: ali estavam “Something”, “Come Together”, “Oh! Darling!”, “Here Comes The Sun” e, além de outras, o imbatível medley “Golden Slumbers / Carry That Weight / The End, com John, Paul e George fazendo um duelo de guitarras, e o único e melódico solo de bateria de Ringo em disco beatle oficial. Além do disco em si, os jornais darão destaque a uma outra data, anterior, mais precisamente o 8 de agosto, quando uma notória fotografia atinge a marca. Depois de desistirem de ir ao Himalaia para tirar uma foto para a capa do disco, que tinha Everest entre seus nomes prováveis (uma mensagem de que haviam chegado ao topo do mundo? Não, apenas era a marca de cigarros que alguns fumavam à época!), naquele belo dia, os Beatles resolveram, naquele belo dia de verão, economizar uns trocados: vamos simplesmente sair do estúdio e atravessar a rua! Doce decisão! Foi o estopim para o surgimento da capa de disco mais famosa de todos os tempos, mais uma capa beatle cheia de mitos, e muita história pra contar. Sim, talvez a foto da capa seja muito celebrada: afinal, trata-se da única faixa de pedestres com notoriedade mundial, ponto de turismo obrigatório!!
    

7 comentários:

  1. Muito bom seus comentários, enriquece bastante nosso conhecimento.

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  2. Idéia sensacional Os aniversários! Ou entaniversários como você diz e bem dito. Tantas datas as serem celebradas. Sem contar as pessoais que sei bem que você tem as suas. Eu tenho as minhas. 27 de maio de 1964 quando ouvi She loves you pela primeira vez e quando percebi de fato que eram muito mais que uma banda musícal. Jà tinha ouvido I want to Hold your hand e amado. Já tinha visto uma foto deles e já sabia que eram 'diferentes'. Já era fâ. Mas foi naquele dia 27 que senti que algo realmente novo e revolucionário havia chegado.
    Eu te agradeço muito pela informação da data da entrada de Ringo. 22 de agosto. Concordo com você que só então os Beatles como tinham de ser aconteceu, nasceu. Antes estavam ensaiando. A noite de estréia é no dia 22 de agosto.
    Mas o que é isso de Paul com John sendo 'donos' dos Beatles? Você sabe que nunca foram donos de nada. Há provas disso! Se fossem os donos os Beatles não seriam os Beatles. Nunca teriam alcançado o sucesso que alcançaram. Nunca teriam tocado meu coração como tocaram naquele dia 27. O que me marcou profundamente foi exatamente saber que eram quatro e que formavam um time. Com dois superiores e dois abaixo seriam como uma banda qualquer. O que os diferenciavam dos outros não é apenas o talento, pois ninguém sabia que eram talentosos quando chegaram. Eles provaram que sim ao longo do tempo. O que os diferenciava era exatamente aquela unidade em quatro. O quatro em um da Cica. O monstro de quatro cabeças, como tão bem foi definido por Mick Jagger.
    John e Paul não decidiam nada sozinhos. Tinham um acordo oral que dizia que qualquer novidade só poderia acontecer com concordância dos quatro. Bastaria um ser contra para não acontecer. Esse acordo foi rompido pela primeira vez em 68 quando Paul vetou Revolution 9 e ela entrou assim mesmo. Tudo bem, não era tão grave assim. Mas pouco depois veio outro rompimento que foi gravíssimo. O contrato de Allen Klein com a desaprovação de Paul. (Continuo em outro box)

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  3. Este acordo oral foi até usado na corte perante ao juiz. Acho que você conhece a história, que é bem desagradável. Mas foi o acordo que deu ganho de causa a Paul naquele dia. O que gosto é saber que o Juiz o aceitou mesmo sem ter sido documentado. Como eu gostaria que fosse assim aqui no Brasil. Meu pai fez algo sensacional para evitar brigas na família por herança. Fez a partilha em vida. Mas não documentou...E assim não foi aceito e vieram as brigas, exatamente o que ele queria evitar. Acho isso muito triste. Nâo foi aceito nem testemunhas que ele de fato havia feito a partilha e todos receberam. Ele chegou a dizer que podia morrer em paz. Nâo podia. Nâo sei porque não documentou. Emfim, la na Inglaterra valeu o acordo oral.

    Olha, no lugar de mandar Ringo e Paul tocarem no céu, eu faço o que costumo fazer: sonhar com o impossível. Peço pela volta de John e George para tocarem aqui. Ou então algo ainda melhor: a ascenção planetária quando estaremos juntos novamente numa boa.

    Paul não se destacou como lider. Mas penso aqui que o uso da palavra lider para você tem outra conotação. Porque Paul se destacou com seu dinamismo e inspiração. Mesmo assim...A verdade é que Paul sempre foi dinâmico desde os tempos do Quarrymen. Eu tenho certeza que sem Paul não teria havido Beatles. Sabemos que foi ele que resolveu que deixariam de tocar skiffle, que teriam instrumentos verdadeiros e era quem saía a procura de novos componentes. Levou George. De vez em quando vejo avisos dele em jornais à procura de um baterista. Era o mais ativo, o mais empenhado. Portanto foi natural ele ficar cheio de novas ideias para que a banda não desmoronasse com a falta de Brian. Liderança numa banda, para mim, não é isso. Seria o que toma decisões, as apresenta, e os outros seguem. Não era assim que acontecia. Mas é verdade que começou a fazer isso mais do que antes porque achou que não precisariam de novo mepresário. Foi um equivoco. Ele ficou fazendo o que um empresário faria, acumulou as funções. Então ficou paracendo um chefe. Mas ele viu logo que não estava funcionando...Todos viram. Foi quando sugeriu que procurassem um nome para cuidar dessa parte. Soube que todos procuraram sem encontrar. Paul veio com a pior ideia de todas: colocar seu sogro como empresário. E o cunhado também fazendo não sei bem o quê. Nunca entendi qual dos dois seria o empresário. Até que aceitaram a princípio. Mas então...apareceu Allan Klein se oferecendo e já errando desde o primeiro dia. Procurou apenas John e...e Yoko! Ela optou por ele e o resto é história.
    Nunca entendi como não viram desde o dia do falecimento de Brian quem deveria empresária-los. Etava lindão na frente deles: Neil Aspinall. Felizmente viram o tanto que era capaz dando a ele o cargo de presidente da Apple. Ele salvou a firma que continua ativa até hoje, embora completamente diferente do que era ao ser criada. Se tivesse sido contratado desde antes pode ser que tenha salvo os Beatles. Nâo teria tido Allan Klein, pelo menos.

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  4. Eu sei que não dá certo um membro da banda como diretor ou empresário porque vi isso acontecer aqui. Meu pai era o empresário do grupo musical de seresta. Perfeito. Minha nãe cantava no grupo. Assim que ele faleceu ela assumiu o comando }E foi quando tudo começou a deteriorar porque simplesmente não a ouviam, não havia o devido respeito. Mesmo assim, por obra e graça dos santos protetores, o grupo prosseguiu por algum tempo, mas perdendo a graça. Em 1999 praticamente não existia mais. Mas quando vinha algum convite eles se reuniam às pressas e cantavam...mal. Não ensaiavam mais! Ela, minha mãe, quis recuperá-lo. E pronto. Um dos cantores se fez de lider. Lider do jeito que falei. Tomando todas as decisões por conta própria. Todas erradas. Alguns saíram por não supertarem tanta arrogância. "OU ele ou eu" disse uma delas. Pois ela teve de sair. Resumindo: ele acabou com o grupo. Sem um diretor que seja penas diretor a coisa desanda e vem as batalhas do ego...É horrível.
    Isso foi pior que nos Beatles, porque por tudo que li Paul não dava ordens. Nâo foi lider. Mas começaram a achar que sim. E, se não era, porque acharam que sim e o condenaram por isso? Porque era membro da banda. Nâo vejo seu anúncio do fim da banda como se ele fosse o mentor de tudo. Ele apenas contou o que realmente tinha acontecido no ano anterior. Ele não mentiu. Os Beatles já não mais existiam e niguém sabia. Ele revelou a verdade. Isso não é coisa de um mentor porque a decisão da separação foi de John. Nâo foi dele.
    Mas foi uma decisão certa? Aí eu teria de ser muito íntima deles para saber. Eu teria de ter conhecimento de perto de todos os detalhes e não tenho. Só posso especular. Eu acho que foi uma decisão errada. Não devia ter dito nada por dois motivos: John poderia mudar de ideia e talvez mudasse. Vivia mudando de ideias. E segundo motivo é que tudo virou contra Paul. Virou uma espécie de Judas, o traidor. As manchetes diziam que ele estava deixando os Beatles, e não era isso visto que não havia mais Beatles para ele deixar. Eu não sei quem o orientou ou se foi coisa dele. Mas penso que hoje lamenta aquilo. John ficou irado dizendo que era ele quem teria de ter anuncioado o fim dos Beatles. Queria a 'honra' de dar a má notícia. rs rs rs. Sei não. Penso que ele ainda pensava ser possivel continuar, desde que aceitassem Yoko no comando inclusive falando por ele. Como eu disse, sem ter convivido lá dentro com eles só mesmo especular. Mas com certeza aquele anúncio de Paul não indicava ser ele o mentor. Estava revelando o que achava ser necessário revelar.

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  5. O que eu estava fazendo quando ouvi a notícia da morte de John. Ouvi por telefone. Um primo me ligou de Belo Horizonte para dar a má notícia começando assim. " SEnte-se primeiro para não cair." Eu tenho um texto sobre isso. Que choque. Então entendi o sonho da noite. Tinha sonhado que estava num lugar parecendo uma rodiviária ou aeroporto. Pessoas chegavam carregando bagagens de viagem. Muitos aparelhos de televisão ligados e todos mostrando os Beatles no início do sucesso. Imagens em preto e branco. Me aproximei de um balcão onde havia um senhor tomando um café. Perguntei o motivo de todos os canais mostrando os Beatles. Teria acontecido algo com algum deles? Mas ele não soube responder e acordei. Sim, tinha acontecido. Algum tempo depois lembrei do outros três sonhos sendo que um tinha sido seis anos antes. Eu lendo um jornal onde estava escrito. ' John Lennon morre assassinado." O outro sonho foi minha cunhada me informado que tinham matado John. E o assassino era aquele que se considerava como irmão dele. Assustada perguntei se falava sobre Paul. Ele disse que não era Paul. Pensei, pensei e perguntei se era Mick Jagger. Também não era Mick. Então eu acordei. Hoje sei o significado. O cara era fâ, e o imitava tanto que se casou com uma japonesa. Ao matá-lo queria seu nome ligado ao dele por toda eternidade. Por isso jamais digo seu nome.
    E teve o outro que penso já ter contado aqui: Peter Paul and Mary cantando Nowhere Man. Param no meio da música se saem do palco em silêncio. Esse foi apenas 3 dias antes do dia 8.
    Depois sonhei de novo...Na noite seguinte ao assassinato. Mas é grande. Nâo dá para contar aqui. Minha mnãe sugeriu que eu pedisse por um sonho me encontrando com ele. E encontrei. Foram horas, me pareceram horas de mãos dadas com ele me despedindo. Alguns depois descobri que o lugar existe. O lugar que sonhei era sua casa em Ascot. Me assustei ao ver até o banquinho onde me sentei ao lado de John. De mãos dadas e total silêncio.
    Gostaria que outros leitores compartilhassem o que sentiram naquela noite, se snhoram, como foi a reação...

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  6. Homero ( estou abusando hoje), sabe quem é aquele homem que abre a porta da Apple para a polícia entrar? Ele trabalhava lá. Sei disso porque estive com ele mais de uma vez quando estava em Londres. Mas nunca soube seu nome. Nunca me lembrei de perguntar quem era ele...Mas eu o via sempre lá na Apple. Fui lá bem umas vinte vezes ou mais. Mas só entrei uma unica vez. O porta estava quase sempre fechada. Nas minha última visita ele abriu a porta e saiu um pouco. Foi com ele que deixei um recado para os Beatles. rs rs rs

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  7. Enfim, quase todas as datas merecem celebração. Muito bem lembradas e comentadas. Quero dizer que não algumas são tristes, como a da morte de Brian, de John e a morte de George saindo de cena repetindo Jesus ao dizer: Love each other. Lá na casa que Paul tinha alugado da Cortney Love. Hoje pertence a Paul. Naquele tempo estava arrendada...Ao saber que George temia morrer num hospital Paul passou a chave da casa. George aceitou.
    "Desde 1970, a imprensa mundial e em especial, a inglesa, cisma em tentar indentificar um grupo sucessor para preencher “o vazio”. Mais ou menos como a imprensa brasileira sempre tentou encontrar um Novo Pelé. Novos Beatles, impossível, afinal aquilo foi uma conjugação cósmica de talentos, num momento astral que dificilmente se repetirá".
    Copiei e colei por ter adorado este seu comentário. Assino embaixo.

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