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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

The Quiet Beatle - Do começo à Beatlemania

Aqui, o segundo post da Série 'The Quiet Beatle', 
relembrando os 10 anos sem George Harrison: 

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Um amigo demonstrou admiração por George Harrison e me pediu mais informações sobre a carreira solo dele.
Adiantei que era assunto para um longo papo. E para autoflagelações de minha parte.
Trata-se de uma dívida histórica que eu tenho com George.
Já escrevi sobre a carreira solo de Paul, sobre a vida de John, sobre a magia (e mitos) da parceria entre John e Paul, até escrevi sobre um show de George, mas a verdade é que não dediquei tanto tempo a ele como aos demais. E esqueci também de Ringo ... mas Ringo era o baterista ... querido, carismático, importantíssimo para o grupo, como músico e como figura humana.
Não sei da carreira solo de George do mesmo nível que a dos outros. De Paul, eu tenho somente TODOS os discos. De John, tenho a coletânea LENNON, que Yoko produziu em 1990, aos 10 anos de sua morte, com 4 CDs maravilhosos coletando tudo o que tinha de bom. E tenho uns outros 3 discos. E de George, bem, de George, antes de dizer o que tenho dele, começo a pagar parte da minha dívida, escrevendo um pouco sobre a carreira do beatle.
Ele era conhecido como 'The Quiet Beatle' já que eram mais os outros que falavam. Mesmo assim, tinha ótimas tiradas, como a piadinha sobre a gravata de George Martin logo na primeira reunião entre eles. Era o mais novinho dos quatro, nove meses mais novo que Paul, e quase 3 anos mais novo que Ringo (sim, Ringo é o mais velho beatle, sabia?). Foi trazido ao grupo por Paul, que estudava na mesma escola que ele. Tão novinho que foi expulso da Alemanha, que proibía menores de idade de tocarem em casas noturnas, que os Beatles usaram para ganhar cancha e experiência, e que experiência! Tímido, era alvo das brincadeiras dos demais, então demorou a encontrar seu caminho. Seguramente, era o mais boa gente dos quatro, disputando o posto pau a pau com o pobre (!!) baterista.
Ele sempre foi mais reservado e voltado para seu interior, daí ter mergulhado de cabeça na cultura indiana. Trouxe a cítara para o rock. E ela abriu, ainda que simplesinha mas magnífica, a canção de Lennon 'Norwegian Wood' no álbum Rubber Soul. A esta altura ele já havia tido seu primeiro grande sucesso como beatle, com' I Need You' no album Help, de 1965.
            Antes disso, a contribuição autoral era pífia: apenas uma canção no segundo álbum With The Beatles, chamada 'Don't Bother Me', que é melhor nem bother you com ela, bem fraquinha. Como cantor, ele estava sempre presente, cantando covers de outros artistas e alguns clássicos de Lennon/McCartney: no primeiro disco Please Please Me, levou  'Do You Want To Know A Secret', e no terceiro, 'I'm Happy Just To Dance With You' que ele até cantou no primeiro filme beatle 'A Hard Day's Night'. Desta maneira, as fãs que pediam a voz de George ficavam felizes.
Finalmente, no quarto ano beatle, ele compôs e cantou 'You don't realize how much I need you', no quinto album, Help, juntamente com ‘You Like Me Too Much’, também muito boazinha. Depois, vieram 'Think For Yourself', 'If I Needed Someone', em Rubber Soul, esta última tocada ao vivo em várias apresentações. 
O ano de 1966 assistiu à maior contribuição Harrison para um disco beatle até então, de três canções, em Revolver, a fantástica 'Taxman', a somente ótima 'I Want To Tell You', e a totalmente indiana 'Love You To'. 
  1. Na primeira, uma fenomenal ironia com relação ao Brittish Lion, que cobrava uma alíquota de 95% sobre a faixa de rendimentos obscenos, aonde os Beatles se encontravam: ' ... It's one four you nineteen for you ... should five percent appear too small, be thankfull I don't take it all'.  
  2. Na segunda, ele dava o recado 'I want to tell you, my head is filled with things to say' de que sua criatividade estava querendo produzir mais, mas ficava intimidada pela proximidade de dois monstros sagrados, que tinham uma produção estupenda, a pressão era grande. Pelo menos eu interpreto assim! 
  3. E na terceira, mostra um lado meio amargo 'There’s people standing round, who’ll screw you in the ground, they’ll fill you in with their sins', que pode ou não ser também um recado a seus todo-poderosos pares.
O disco Revolver e o ano de 1966 marcam o fim de uma era: a Beatlemania, em sua essência. Não que o mundo tenha deixado de ser beatlemaníaco em 1966, mas é que em agosto, os Beatles decidiram não mais se apresentarem ao vivo. Estavam cansados da correria, da loucura, da histeria, do 'cantar-sem-ouvir-nada-só-gritos'. No vôo de volta do show no Candlestick Park - San Francisco, em 26 de Agosto de 1966, eles decidiram que dedicar-se-iam apenas a trabalhos em estúdio. 

E foi George quem disse: 
'Não agüento mais!!'  

No próximo capítulo, o florescer do terceiro beatle!!

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Demais capítulos:

1. http://blogdohomerix.blogspot.com/2011/12/quiet-beatle-10-anos-sem-ele.html

3. http://blogdohomerix.blogspot.com/2011/12/quiet-beatle-o-apice-durante-os-beatles.html

4. http://blogdohomerix.blogspot.com/2011/12/quiet-beatle-o-inicio-solo-e-os-amigos.html

5. http://blogdohomerix.blogspot.com/2011/12/quiet-beatle-live-in-japan.html 

6. http://blogdohomerix.blogspot.com/2011/12/quiet-beatle-grandes-sucessos-solo.html

3 comentários:

  1. Homero,

    Vc conhece muiiiito sobre os Beatles. Legal!
    Bjs, Claira

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  2. Homero, você é SHOW, SHOW, SHOW! Além de saber tudo de Beatles ainda se dispõe a pesquisar para informar a gente. Parabéns e ótimo dia!

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