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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

The Quiet Beatle - O início solo e os amigos

Aqui, o quarto capítulo da Série 'The Quiet Beatle',
relembrando os 10 anos sem George Harrison.
All Things Must Pass - George Harrison
Bem, o sonho acabou, nas palavras de John, mas parece que o fim dos Beatles foi um grande recomeço para George. E não demorou muito para ele lançar o primeiro disco solo. E foi logo um álbum triplo, só pra deixar claro como sua criatividade estava reprimida junto aos dois monstros sagrados. E o nome da canção título deixa claro o sentimento de página virada: 'All Things Must Pass', ou seja 'tudo passa', mesmo o maior fenômeno da história da música. O álbum, triplo, foi o primeiro naquela configuração a ser lançado por um artista solo, e alcançou rapidamente o primeiro lugar nas paradas, lá permanecendo por várias semanas. É até hoje o maior sucesso comercial de um ex-beatle, ironia do destino. No álbum, 18 composições inéditas, sendo uma em parceria com seu amigo Bob Dylan, além de uma canção do próprio Mr. Zimmerman, que preenchiam as duas primeiras bolachas, e uma terceira com jam sessions. Uma das inéditas foi um tremendo sucesso, e é até hoje, a deliciosa 'My Sweet Lord', expressando sua vontade de estar seu deus, fosse ele quem fosse. Foi bom que o sucesso foi estrondoso, pois aplacou um pouco a dor de cabeça de uma acusação de plágio em que acabou sendo condenado por cópia não intencional, um atenuante que baixou o cheque a ser feito para 5 milhões de dólares, ao autor da outra canção.

Bangladesh era sinônimo de pobreza, devastação e fome em 1971. Refugiados morriam aos milhares. E aquelas notícias chegavam aos ouvidos de George por observadores privilegiados, seus amigos indianos, em especial Ravi Shankar, o virtuoso que o ensinara a tocar cítara. Ravi pediu de George alguma ajuda para arrecadação de fundos. George compôs uma canção com o nome do país, revertendo toda a receita para o efeito. E, no final de 1971, organizou uma reunião de amigos do rock, que aceitaram tocar num grande concerto no Madison Square Garden, em New York, que ficou conhecido como 'Concert for Blangadesh'. Estiveram lá Eric Clapton, Bob Dylan, Ringo, Billy Preston, Leon Russell e Ravi. Não estiveram lá nem Paul, nem John. Paul,  por uma questão de princípios (!!), já que, se tinham rompido, não havia sentido tocarem juntos novamente, tão cedo assim. Com John aconteceu algo pitoresco: George convidou-o, mas impôs a exigência de que Yoko não viesse. E ele até aceitou, mas depois, Yoko saltou nas tamancas japonesas quando soube da combinação. Daí, ficou mais claro quem dava a palavra final. Os shows (foram dois em um só dia) tiveram lotação esgotada. Depois foi lançado o álbum triplo com o conteúdo do show, e um filme no começo do ano seguinte. O concerto foi o primeiro do tipo super-stars-se-reunem-para-tocar-em-benefício-de-uma-causa, um costume que começaria apenas em 1985, como o Live Aid, e depois o Concerto para Monserrat, o Live 8, o Live Earth,  e tantos outros.

Isso se faz com o binômio friends & sensitivity, muito presente no nosso querido George. George tinha grandes amigos, e Eric Clapton era o maior deles. Tanto que admitiu perder sua mulher Pattie para ele. Claro que não foi assim, sem dor. Clapton era absolutamente alucinado por Pattie, e chegou a confessar isso a George. O grande sucesso de Clapton, 'Laila' era uma descarada declaração de amor a ela. A insistência foi difícil de resistir, e como George também aprontava, o casamento acabou. Mas não a amizade entre os dois. Algum tempo depois, George casou-se com Olivia Arias, de origem mexicana, também afeta a causas beneficentes, e que lhe deu seu único filho, Dhani, em 1978, uma cópia xerox sua, pode procurar a foto dele para conferir.
Com os ex-amigos beatles, George manteve uma relação de amor e ódio ao longo dos anos pós-sonho. No começo, uma aproximação com John, quando colaborou em um duelo de farpas musicais entre os dois gigantes, tocando guitarra em 'How Do You Sleep?', onde John acaaaaaba com Paul. Depois, algo aconteceu (pode ter sido o forfait do concerto para Bangladesh) e ele se afastou de John, que morreu sem ter sua amizade, e magoado por não ver uma única vez seu nome citado na autobiografia de George intitulada 'I Me Mine'.
Parte de minha dívida com George está aí: ainda não li esse livro! Preciso lê-lo, até mesmo para descobrir o real motivo do afastamento de John. O resto da dívida é musical mesmo: simplesmente não tenho nenhum disco solo de Harrison, lançados após os dois albuns triplos citados. Um longo hiato, de 25 anos, levou até adquirir 'Live in Japan', que havia sido gravado em 1992.

Motivo do próximo capítulo

 

Um comentário:

  1. O Concerto para Bangladesh registrou pela primeira vez em toda a sua carreira, George Harrison como estrela principal de um show ao vivo.

    E parece que ele não gostou muito. Para tristeza dos seus admiradores, George realizou apenas duas pequenas turnês: uma em 1974 apenas nos EUA e Canadá, e outra em dezembro de 1991, apenas no Japão (graças a muita insistência de Eric Clapton).

    Fora isto, foram apenas pequenas aparições em eventos beneficentes e homenagens a amigos, como por exemplo no Princess Trust na Inglaterra, e no show realizado no Madison Square Gardem em Nova Yorj em 1992, em celebração ao 30º aniversário de carreira de Bob Dylan.

    Muito pouco para um gênio da música pop.

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