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terça-feira, 17 de maio de 2022

Beatles Art - Quem sabe o autor?

Olha que belo presente eu ganhei de uma amiga!



Alguém se lembra do autor dessa imagem?

Sei que ela existe por aí, mas não achei no Google... 

coloquei 'Beatles Poster' e 'Beatles Art' e 'Beatles Pop Art' 

na opção 'imagens', vi 'milhares', mas não achei esta 'minha'

Sei que é originária de uma foto da época do auge da Beatlemania, 1963, 

tirada em branco e preto, que o artista colorizou ... 

e teve o cuidado de apor a cor certa aos olhos de Ringo, 

o único Beatles com olhos azuis!!



Gostaria de saber o autor! 

É muito bonita!!

JÁ SEEEEEIIII!

Apresentei a questão a alguns grupos de fãs!

Não deu 10 minutos! E alguém me respondeu!

O fotógrafo foi Norman Parkinson, realmente em 1963... 

e foi nas sessões de gravação de With the Beatles, 

o 2º álbum da carreira deles!!!

E não deu mais 10 minutos e dois amigos já me responderam sobre a arte do poster!

É de 1987, do artista pop Dallas Saunders, da California

E o pior ... fui ver melhor o poster e ...... estava escrito lá!!!!! 

Bem pequenininho!!!

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Aliás, tirei outra foto com outra iluminação.

Qual a melhor?



segunda-feira, 16 de maio de 2022

Bond 60 - From Russia With Love - o 2º Filme

Nesta celebração dos 60 anos de Bond, que celebraremos em 5 de outubro, é Oswaldo Pereira quem comanda!

Apenas sou seu veículo!

Os primeiros episódios estão ao final desta postagem!

Hoje é para anunciar a análise do 2º Filme da Franquia

From Russia With Love

Mas antes, um comentário sobre Dr. NO, que não foi abordado por Oswaldo!

O orçamento do 1º filme foi de 1 Milhão de Dólares, da época, e ele faturou 60 Milhões!! Decerto, a maior relação Box Office / Budget da história da franquia. Não porque não faturaram mais que isso, muito pelo contrário, mas porque os gastos aumentaram muito, começaram a investir mais, enfim, problemas de um denominador alto! 

Este segundo, por exemplo, faturou 79 Milhões, mas custou o dobro do primeiro!

Bem, vamos ao filme, em duas partes, já tradição de nosso parceiro!

Na primeira, ele conta toda a trama.

http://obpereira.blogspot.com/2022/01/bond-60-5-from-russia-with-love-parte-i.html

Na segunda, alguns fatos fundamentais da franquia, como a chegada do ator que fez Q em 16 filmes, a pasta 007 que ganhou fama mundial, a escolha dos atores para Bond Girl e para o capanga, enfim, e curiosidades, inclusive a final, que não sabia... e me deixou arrepiado!

http://obpereira.blogspot.com/2022/01/bond-60-6-from-russia-with-love-parte-ii.html

A partir deste 2º filme, além da James Bond Theme, a franquia começou uma prática de colocar graaaaandes canções-tema, feitas sob encomenda para a ocasião. Sempre grandes autores e cantores, teve até Paul McCartney quase ganhando Oscar com a sua... e o Oscar veio com Adelle, mais recentemente!

Em Moscow Contra 007, que foi como passou por aqui, o cantor era Matt Monro, e foi uma maravilha! O próprio Oswaldo oferece um link para ela!

Encontre a seguir os primeiros 4 episódios desta linda história!

Na semana quem, nada menos que 

GOLDFINGER

he's the man, the man with the Midas touch.

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Já passamos aqui a origem do personagem

http://obpereira.blogspot.com/2021/10/bond-60-o-ornitologo-e-o-escritor.html

E a escolha de Sean Connery como o 1º James Bond 

http://obpereira.blogspot.com/2021/11/bond-60-procura-de-bond_19.html

Agora, o 1º FIlme, Dr. No, que estreou na noite cósmica de 5 de outubro, no London Pavillion. Nos Estados Unidos, levou quase 6 meses para chegar, e também no Brasil, onde veio com o nome 007 Contra o Satânico Dr. No.

Oswaldo nos conta tudo sobre o filme em dois posts.

Neste 1º, a aparição de James Bond na cena do casino, o começo da trama até o surgimento das águas de Ursula Andress

http://obpereira.blogspot.com/2021/12/bond-60-dr-no-parte-i.html

No 2º, a continuidade da trama, a derrota do vilão, e a celbraçao de atores que seguiram firmes na franquia.

http://obpereira.blogspot.com/2021/12/bond-60-dr-no-parte-ii.html

Na próxima 2ª feira, Bond 2

From Russia With Love

Submarino Angolano tem Star Club + 4ª Década sem Os Beatles + Júpiter Maçã (!!!)

  Esta foi minha 35ª viagem como Contramestre do Submarino Angolano! Uau! 

Mais de meio ano viajando nas águas plácidas da obra dos Beatles!

Mais uma vez, grandes inserções do DJ Paulo Seixas!!

E hoje,  segue a cobertura do Beatles at Star Club! 

14/04/2022 | 6º Versões no Star Club | O Submarino Angolano | LAC - 95.5 FM | Angola 

- "Little Queenie" - Chuck Berry - 1959 | The Beatles | Live At The Star Club - 1962

- O contramestre Homerix, a partir do Brasil, traz-nos a análise à década de 2000 e os pontos altos dos Beatles a solo dessa época.

- "Beatle George" - Júpiter Maçã - 2007 | Canções que citam os Beatles

TUDO AQUI, neste PODCAST!

https://m.mixcloud.com/tokeluanda/14042022-6o-vers%C3%B5es-no-star-club-o-submarino-angolano-lac-955-fm-angola/

 

Nosso comandante Seixas é o responsável por inserir os trechos de áudio conforme minhas 'deixas' ou mesmo outros que achar convenientes em seu enorme arsenal de ficheiros (como lá por aquelas bandas chamam os nossos 'arquivos') de sons dos Beatles. A liberdade é plena!! Nossa sintonia é ótima!!!



As Décadas Sem The Beatles - em 5 Capítulos

 

Há 9 meses, completados no último dia 10, o Submarino Angolano recebe minha voz em ondas ultramarinas. Normalmente, nos Songfacts, em que conto a história de uma canção dos Beatles, às vezes com algumas homenagens especiais, como em Buddy Holly, Lizzie Bravo, Star Trek, mas também com projetos especiais, que precisaram de mais de uma semana para serem realizados, como foi o Projeto Medley, em 5 Capítulos! Tudo com a condução e colaboração precípua de meu parceiro d'além mar, Paulo Seixas, o Comandante do programa já há 21 anos, religiosamente às 17 horas d'lá, e, desde agosto às 13 horas d'cá!

Nove meses lembrou-me o tempo de gravidez humano. O mais novo filho dessa gravidez, com partos semanais, é mais um projeto, e por coincidência, também em 5 capítulos. Trata-se do meu relato sobre o que aconteceu após os Beatles acabarem, e eu dividi meu relato, naturalmente em décadas. Em 2021, começou a 6ª Década sem eles.

No último sábado foi ao ar o 3º Capítulo, então é hora de começar a organizar o índice deste pequeno livro. Encontrarão nos LINKs, as versões OUÇA e LEIA de cada capítulo, onde podem OUVIR o que eu falo enquanto LÊEM o que eu escrevi.


Neste LINK 
A 1ª Década Sem The Beatles - Going Solo 
Aqui, um rápido prefácio explicando o conceito de década utilizado, bem como algumas ressalvas importantes, e depois, descrevi o que houve de importante na primeira década de cada Beatle em carreira solo. Infelizmente, a primeira década foi também a única para John Lennon, inconcebivelmente assassinado ao seu final...

Neste LINK A 2ª Década Sem The Beatles - Década de Luto
Como bem diz o nome que lhe atribuí, foi uma década triste, mas sempre com alguns momentos de absoluto destaque, dos três beatles remanescentes, mas calro, sem esquecer de John

Neste  LINK A 3ª Década Sem The Beatles - Antológica

Busquei seu nome no grande projeto da dácada, o Anthology, que trouxe uma magnífico produto em múltiplas mídias, todos de grande sucesso, e ainda fechou com uma chave de ouro histórica

Neste LINK, a 4ª Década Sem The Beatles - Naked Love 090909

Na falta de um conceito unificador, pontuei seus principais produtos. E, com uma última hoenagem a George Harrison...

 

No último capítulo, a 5ª Década Sem The Beatles - Quinquagenária

Ela foi marcada pelas celebrações de 50 anos de diversos álbuns! Por enquanto, pretendo descrever também o ano e pouco da atual década, fechando o projeto, mas vamoas ver o que ocorrerá!

 

sábado, 14 de maio de 2022

OUÇA e LEIA - A 4ª Década sem Os Beatles

Esta é a 17ª edição de OUÇA e LEIA, 

onde você ouve uma historinha minha e lê o que está ouvindo


Clique neste LINK  para ouvir


E siga lendo o texto abaixo!

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A Década de 2000 – Naked Love 090909


PARTE 1 - OS MOMENTOS SOLO


Os produtos Beatle foram os marcantes da 1ª década do Milênio, bem mais que os trabalhos dos Beatles remanescentes, isoladamente.

Trecho de Any Road

Os Beatles reduziram-se a apenas dois conosco, infelizmente, num acontecimento que marcou a década indelevelmente, logo no seu começo. Em julho de 2001, soube-se que George tratava de um tumor no cérebro, mas o que o levou desta vida foi outro câncer, desta vez no pulmão, em novembro, ao lado dos queridos Olivia e Dahni, Ravi Shankar e sua filha, numa casa de Paul em Los Angeles. Felizmente, houve um último encontro dos 3 Beatles algumas semanas antes do desenlace. Dhani e o amigo Jeff Lynne terminaram os trabalhos do último álbum, Brainwashed, que havia sido iniciado logo após o álbum anterior, quase 15 anos antes, e que foi lançado quase um ano depois com ótima crítica e vendas, sendo Any Road seu single mais bem sucedido… nela, George eternizou uma fala antológica de Lewis Carroll: Se não sabe aonde vai, qualquer rota leva lá...

Mais um pouco de Any Road

O vocal desta canção, assim como o álbum todo, foram nomeados postumamente ao Grammy, que, efetivamente veio, com outra canção do mesmo álbum, a instrumental Marhwa Blues.

Trecho de Marwa Blues

Vamos encerrar o capítulo George destas linhas retrospectivas, com o espetacular Concert For George, que lotou o Albert Hall um ano depois, organizado por seu filho Dahni e Eric Clapton, com a presença de muitos astros e de seus dois companheiros de batalha na Década Beatle.

Trecho de Photograh do Concert For George

Dentre muitos notáveis momentos da ocasião, destaco Ringo Starr cantando Photograph, co-escrita com seu irmão George, com a câmera desviando do cantor para uma enorme imagem dele ao fundo do palco, enquanto ele cantava 🎶🎵 Só tenho agora a sua foto e lamento que você não volta mais🎶🎵, letra que se encaixava perfeitamente ao momento, e também Something, iniciada por Paul cantando solitário os primeiros versos e a ponte com seu ukulele, um instrumento muito querido de George, e depois migrando para a versão original, com todos os presentes, fenomenal, que Paul seguiu tocando em todos os seus shows ao vivo, até hoje.

Something do Concert for George, como homenagem final

Que George esteja em paz!

Trecho de Never without You

Após o baque da perda do grande amigo, Ringo teve um consolo com sua indução ao Hall da Fama dos Percussionistas, em 2002, e no final do ano, teve aquela participação no Concert for George cantando, além de Photograh, que já falamos, também Honey Don’t, do ídolo de George, Carl Perkins. A homenagem ao amigo seguiu, no ano seguinte, com a canção Never Without You que ele compôs, com amigos, para o álbum Ringo Rama.

Mais Never without You

Ringo lançou mais três álbuns até o fim da década, sem muito sucesso comercial. Já sua All Starr Band estava a todo vapor, fazendo seis excursões sempre com diferentes formações, uma delas com Roger Supertramp Hodgson na formação básica, uma outra teve a breve presença de Pete The Who Townsend, e a última delas, que virou a década, teve uma grande noite no Radio City Music Hall em New York, celebrando seu 70º aniversário com as presenças de Paul McCartney, Joe Walsh, Jeff Lynne. Lançou seis álbuns ao vivo com sua banda, de espetáculos selecionados, e também dois álbuns de compilações e cinco singles, dois deles beneficentes, um destes chegando ao Nº1 em sua terra natal, os demais não coçando as paradas de sucesso, mas ele seguia!!

Trecho de Vanila Sky

Já Paul teve muitos momentos de evidência, começando com a indicação ao Oscar de Melhor Canção escrita para um Filme, Vanilla Sky em 2003, mas não ganhou novamente…siga tentando, Paul! Foi uma década virgem em sucessos nas paradas, afora um lançamento beneficente, que chegou ao topo em UK, dentre 9 singles lançados. Ele tirou o atraso das excursões, passando de UMA excursão mundial na década anterior (muito por conta da dedicação ao Projeto Anthology), para OITO na 1ª década do milênio, sendo quatro de grande duração, numa delas faturando mais de 100 milhões de dólares. Da última, que invadiu a década seguinte, eu fui testemunha, em agosto de 2010 em São Paulo e maio de 2011 no Rio de Janeiro.

Tendo testemunhado o choque dos aviões no World Trade Center em 2001, Paul liderou o Concert For New York City ainda no mesmo ano, e compôs uma canção em referência ao ocorrido, Freedom, que vendeu apenas o suficiente para entrar no TOP 100 nos Estados Unidos.

Trecho de She’s Leaving Home Live in US

No ano seguinte, formou a banda que está com ele até hoje, que até vou destacar aqui, em homenagem aos 20 anos de parceria firme com Paul, os guitarristas Rusty Anderson e Brian Ray, o baterista Abe Laboriel Jr. e o tecladista Paul Wix Wickens, este remanescente da formação anterior. Saiu com ela em excursão mundial com seu álbum Driving Rain, o álbum em si sem grande sucesso, mas a excursão foi considerada a melhor do ano no mundo todo, com direito a um álbum duplo, Back in The US. Eu vi um dos shows, em Houston, em 2002! Foi a 1ª vez em que tocou ao vivo She’s Leaving Home, quase desmaiei!

Paul fez o prestigiadíssimo show no intervalo do Super Bowl em 2005, e tocou para 350 mil pessoas na Praça da Liberdade de Kiev, Ucrânia, em 2008, e foi convidado para inaugurar o Citi Field, antigo Shea Stadium, em 2009, lotando as três noites programadas.

Trecho de English Tea

Lançou mais dois álbuns que ficaram no Top 10 das paradas, um deles como One-Man-Band (o 3º da carreira), Chaos and Creation In The Backyard, muito bem recebido pela crítica, e que teve uma de suas canções, English Tea, tocada ao vivo para acordar os astronautas da estação espacial, em associação com 🎶🎵Good Day Sunshine🎶🎵, apropriadíssima à ocasião. Foi em novembro de 2005, em um show de uma excursão pelos Estados Unidos, que gerou o DVD The Space Between US.

Paul estava bem produtivo: lançou mais um álbum com música clássica e mais um como Fireman, de música eletrônica. A década terminou com um prêmio de prestígio, o Gershwin, pelo conjunto da obra, entregue pelo Presidente Barack Obama, após show intimista e antológico na Casa Branca, onde ele até cantou 🎶🎵Michelle Ma Belle🎶🎵 olhando para Michelle.. Obama.

Trecho de Michelle na Casa Branca

Sua vida pessoal foi agitada! Casou-se novamente, teve mais uma filha e separou-se! A esposa da vez foi Heather Mills, premiada ativista antiminas, de temperamento estranho, com um diagnóstico de mentirosa compulsiva, mas que saiu do casamento com 50 milhões de dólares consensuais. A filha Beatrice, nasceu em 2003, e hoje, com 19 anos, é transgênero, mudou seu nome para Benedict e é a cara dele.


PARTE 1 - OS MOMENTOS BANDA

Trecho de The Long and Winding Road de Let It Be Naked

Na seara dos lançamentos como banda, a década foi marcada por três grandes momentos, que deixaram a marca Beatles sempre no topo!! Aliás, começara já no último ano 2º milênio anterior, com o lançamento espetacular de 1, a coletânea mais bem-sucedida da história! E os mega produtos vieram em seguida, de três em três anos…

Mais um pouco de The Long and Winding Road

Em 2003, tiraram a roupa do Let It Be, deixando-o nu, explicando, era a versão Naked, sem as estrepolias do produtor do LP de 1970, Phil Spector, principalmente removendo a Wall of Sound, que encheu de orquestração algumas faixas, totalmente sem o consentimento de Paul, por exemplo, e num movimento absolutamente contrário ao propósito original do disco, que era de retornar às origens, sem as peripécias de estúdio que eles vinham fazendo. Mas eu admito que adorei a tal Parede de Sons… Teve ótimas vendas, mas topou na posição 5 da parada americana!

Mais um pouco de The Long and Winding Road


Pausa para arrumação: 

em 2004 e 2006, duas caixas deram uma organizada na bagunça que a Capitol, subsidiária da EMI nos EUA, fizera no catálogo dos Beatles em 1964 e 65, com lançamentos totalmente diferentes dos oficiais britânicos, The Capitol Albuns Vol. 1 & 2. Ela só não continha o que eles lançaram igual ao catálogo oficial britânico, a partir de Sgt. Pepper’s.

Trecho de A Hard Day's Night instrumental

Estavam lá aqueles álbuns lançados para tirar o atraso (foram 6 álbuns em 64!), e as heresias que fizeram com HELP, Rubber Soul e Revolver. Eles tinham um limite de 12 canções por álbum (alguns tinham 11, um abuso!), então, eles iam lançando as sobras em álbuns diferentes, uma verdadeira salada. Ainda não tenho essa coleção… tenho um certo asco por ela... brincadeira! Ela tinha coisas muito boas, como as instrumentais de George Martin para os dois primeiros filmes dos Beatles.

Mais um pouco da faixa instrumental, homenagem a George Martin

Fim da pausa para arrumação!!

 

De volta aos grandes eventos, em 2006, uma grande sacada do finado George tornou-se realidade (olha eu falando de George de novo)! Amigo de Guy Laliberté, idealizador e produtor do Cirque du Soleil, George propôs que ele montasse um espetáculo inspirado na música dos Beatles! Aconteceu, postumamente! Foi o último trabalho de produção de George Martin, que trouxe com ele seu filho Giles, que seria responsável, a partir de então, por inúmeros lançamentos dos Beatles, um herdeiro à altura do nome do pai, que foi justamente reconhecido como Quinto Beatle. O que fizeram eles? Debruçaram-se sobre o catálogo oficial, e usaram a imaginação para ver o que combinava entre uma canção e outra, e criaram o que é hoje conhecido como 'mashup’s'. Quando o primeiro deles, Tomorrow Never Knows com Within You Without You, foi mostrado por um nervoso Giles a Paul e a Ringo, os dois Beatles aprovaram a ideia com louvor e deram carta branca para o resto. São 28 faixas (duas delas bônus tracks) com trechos de mais de 130 canções, olha só o trabalho!

Trecho de Get Back de Love

Só para se ter uma ideia, a faixa simplesmente chamada Get Back tem, além da canção título, (i) o acorde inicial de A Hard Day's Night, os solos de bateria (ii) e de guitarra (iii) de The End, (iv) a percussão de Sgt. Pepper's Reprise e (v) o crescendo instrumental de A Day In The Life! Ufa!

Final de Get Back de Love

Apenas 5 das faixas são puras, com uma canção só, uma delas, um primor de simplicidade, a versão acústica de While My Guitar Gently Weeps, com voz e violão de George Harrison, que fora lançada no Anthology 3, 10 anos antes, com o auxílio luxuoso de um arranjo de cordas, o último criado pelo grande Maestro George Martin!

Versão de While My Guitar Gently Weeps de Love

Receptividade? Lááá no alto, o álbum ficou nos Top Dez em dezenas de países (2º na Inglaterra e 4º nos EUA) e ganhou dois Grammy's (de Melhor Compilação de Trilha Sonora e o Grammy técnico de Melhor Surround Album), o 11º e o 12º para a banda. O espetáculo em si é um sucesso: Love ocupa o espetacular picadeiro do Circo do Sol do Mirage Hotel de Las Vegas até hoje, com uma parada de 17 meses por conta da pandemia! Sempre casa cheia! Numa das apresentações de 2007, eu estava lá.

Mais While My Guitar Gently Weeps

Completando o Projeto Love, 2008 viu o lançamento do documentário All Together Now, que conta a história daquela parceria Beatles & Cirque du Soleil. Foram filmadas as movimentações nos estúdios da EMI e da produtora do circo, em Montreal, além da montagem do ‘picadeiro’, e dos primeiros ensaios no Hotel Mirage em Las Vegas, que também recebeu um sistema de som jamais visto em outras edições do circo! Mais um Grammy para os Beatles, quer dizer, não exatamente para eles, pois ‘apenas’ sua música está presente, mas para os criadores da parceria. Foi o Grammy de Melhor Vídeo Musical de Longa Metragem.

Mais While My Guitar Gently Weeps


Trecho de Revolution 9, com foco no Number 9 Number 9 Number 9


Em 9 de setembro de 2009, popularmente conhecido por 09-09-09, a Apple lançou três produtos largamente esperados pelos fãs, uma caixa com o catálogo oficial mixado em mono, uma caixa estéreo e um videogame, pra deixar a coisa simples. A escolha da data e sonoridade 9do9do9, e não 8do8do8, por exemplo, foi em homenagem a John e sua fixação pelo número 9, mas isso será objeto de nosso próximo projeto.

Volta o Number 9 Number 9 Number 9 Number 9

E por que tanto interesse por se ter um som monaural, quando já se dispõe de tecnologia estéreo? Simplesmente porque foi assim que foi concebido! Os Beatles receberam a chegada do som estéreo com estranheza, ele preferiam o som mono. John reclamou publicamente quando ouviu sua Revolution em Stereo.

Trecho de Revolution in Mono

A caixa inclusive, não tem a obra toda, porque os últimos três álbuns, Yellow Submarine, Abbey Road e Let It Be foram gravados apenas em estéreo. A caixa continha os 10 álbuns originais em mono, mais um com Mono Masters, coletando as canções lançadas fora dos álbuns! O fato é que, planejada para ser uma edição limitada, de 10 mil exemplares, outras edições tiveram que ser impressas, por ter a original rapidamente se esgotado. Muito difícil de ser encontrada hoje em dia!

Agora, a caixa estéreo The Beatles: Stereo Box Set! Em 78, a Apple já lançara uma coleção, mas sem a obra completa. A de 88 era completa, mas só na de 9do9do9 tinha os quatro primeiros álbuns, de Please Please Me a Beatles For Sale, lançados em versão estéreo, como álbum! A partir de HELP!, já existiam as mixagens em estéreo, feitas na década de 80 por George Martin para o lançamento em CDs! As 4 únicas canções que permaneceram com mixagem em Mono são as duas primeiras (Love Me Do / P.S. I Love You) e as do 5º single (She Loves You / I’ll Get You). Lá estão todos os 15 álbuns oficiais (portanto 16 CDs, porque o Álbum Branco é duplo) mais um DVD com minidocumentários com os vídeos disponíveis para muitas das canções, normalmente extraídos do Beatles Anthology. E foi um sucesso absoluto! Ganhou Grammy de Melhor Álbum Histórico, o 13º da banda, e vendeu milhões de caixas (veja bem, cada uma com 16 CDs/1 DVD!!)

Video-clip de The Beatles Rock Band

E o videogame The Beatles Rock Band, criou avatares dos Beatles tocando seus instrumentos, e o jogador tinha que simular os movimentos da guitarra base, da guitarra baixo, da bateria e, pela primeira vez num jogo da série Rock Band, 3 vozes, para poder possibilitar a harmonia tripla, coisa que os Beatles se especializaram em fazer. As vendas foram altas no início, mas estancaram, refletindo a recessão do mercado desse tipo de jogo. Mas, claro que foi mais uma obra para manter a aura dos Beatles em destaque! Era The Beatles brilhando também na 9ª Arte!

Mais Video-clip de The Beatles Rock Band

Ainda em 2009, os Beatles tiveram sua obra toda lançada num Pen Drive (como é que não fui um dos 30 mil felizardos com a maçãzinha, o formato da preciosidade?), e, no ano final da década, aconteceu a digitalização da obra que se concretizou com a disponibilização, no I Tunes, dos 15 álbuns oficiais mais as coletâneas Azul e Vermelha.


Mais Décadas dos Beatles?

Nas próximas edições do Submarino Angolano


Demais edições do OUÇA e LEIA

  1. Neste LINK - A Origem dos Beatles 
  2. Neste LINK - Homenagem a Buddy Holly
  3. Neste LINK - 1º Capítulo do Projeto Medley
  4. Neste LINK - 2º Capítulo do Projeto Medley 
  5. Neste LINK - 3º Capítulo do Projeto Medley 
  6. Neste LINK - 4º Capítulo do Projeto Medley
  7. Neste LINK - 5º Capítulo do Projeto Medley 
  8. Neste LINK - O Projeto Medley
  9. Neste LINK - O 6º Compacto. 
  10. Neste LINK - The Ballad Of John And Yoko  
  11. Neste LINK - Happiness Is A Warm Gun  
  12. Neste LINK - While My Guitar Gently Weeps  
  13. Neste LINK - You Know My Name (Look Up The Number)  
  14. Neste LINK - A 1ª Década Sem The Beatles - Going Solo 
  15. Neste LINK - A 2ª Década Sem The Beatles - Década de Luto
  16. Neste LINK - A 3ª Década Sem The Beatles - Antológica

 

O Submarino Angolano apresenta A 4ª Década sem os Beatles - Naked Love 090909

  JÁ FORAM 35 VIAGENS!!!

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Antes, está combinado!! 

Logo mais às 13 horas, 

mais uma edição do Submarino Angolano, 

com mais uma nova atração!

Admito ser um horário ingrato, mas sempre tento!

Se tudo falhar, na 2ª feira, tem podcast!

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No programa de 14 de maio, a 4ª viagem, 

do Projeto 'As Décadas sem os Beatles'

As Décadas Sem os Beatles

E tem mais Star Club em Hamburgo

E mais uma canção que os cita....

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Se ligue em lacluandafm.blogspot.com e dê um Play!

No celular, é melhor com este LINK

 

  1. Neste LINKMinha apresentação aos ouvintes da Rádio
  2. Neste LINKA gênese da capa do LP Abbey Road
  3. Neste LINKAs 8 condições SineQuaNon dos Beatles
  4. Neste LINKAnálise de Misery estendida
  5. Neste LINKAnálise de Ticket To Ride estendida
  6. Neste LINKAnálise de de It Won't Be Long estendida
  7. Neste LINKMinha viagem comparando Imagine com Star Trek
  8. Neste LINKAnálise de You Won't See Me estendida
  9. Neste LINKHomenagem a Buddy Holly e Don McLean
  10. Neste LINKHomenagem a Lizzie Bravo + Across The universe
  11. Neste LINKAnálise de If I Fell, estendida
  12. Neste LINKAnálise de We Can Work It Out, estendida
  13. Neste LINKAnálise de de Hey Bulldog, estendida
  14. Neste LINKAnálise de Penny Lane, estendida
  15. Neste LINKAnálise de Piggies, estendida
  16. Neste LINKAnálise de Magical Mistery Tour, estendida
  17. Neste LINKAnálise de I Am The Walrus, estendida
  18. Neste LINKAnálise de Girl, estendida
  19. Neste LINKAnálise de I've Got A Feeling, estendida
  20. Neste LINKAnálise de One After 909, estendida
  21. Neste LINKAnálise de Call Your Name, estendida
  22. Neste LINKAnálise de She Said She Said
  23. Neste LINKO 1º Capítulo do Projeto Medley Abbey Road 
  24. Neste LINKO 2º Capítulo do Projeto Medley Abbey Road 
  25. Neste LINKO 3º Capítulo do Projeto Medley Abbey Road 
  26. Neste LINKO 4º Capítulo do Projeto Medley Abbey Road 
  27. Neste LINK, O 5º Capítulo do Projeto Medley Abbey Road
  28. Neste LINK, o 6º Compacto dos Beatles
  29. Neste LINKAnálise de The Ballad Of John And Yoko
  30. Neste LINKAnálise de Happiness Is A Warm Gun
  31. Neste LINKAnálise de While My Guitar Gently Weeps
  32. Neste LINKAnálise de You Know My Name (Look Up The Number) 
  33. Neste LINK1ª Década sem os Beatles
  34. Neste LINK2ª Década sem os Beatles 
  35. Neste LINK3ª Década sem os Beatles

terça-feira, 10 de maio de 2022

The Beatles' 1964 - O 7º Compacto

Neste relato do ano de 1964, a primeira parte contou o que ocorreu até a partida para conquistar América, neste LINK, 

A 2ª Parte contou sobre a Conquista da América e a envoltória do lançamento do compacto Can't Buy Me Love / You Can't Do That, neste LINK.

A 3ª Parte iria até o lançamento do EP Long Tall Sally, que veio com mais uma original dos Beatles, mas estava tão grande (veja neste LINK), então parei antes, e virou o relato das filmagens do 1º filme, e da Excursão Mundial!

A 4ª Parte, então, destrinchou as 4 canções do EP Long Tall Sally, neste LINK, o 1º de compacto duplo com inéditas, e seria praticamente o único, quando surgiu o Double EP Magical Mistery Tour lá em 1967, na verdade duas bolachinhas com 3 canções em cada uma, com a trilha sonora do filme homônimo.

A 5ª Parte durou poucos dias mas registrou um fenômeno! Ela contou sobre o lançamento do filme A Hard Day's Night, a revolução que foi na vida dos Beatles e na vida de uma geração inteira. Diz-se que o filme iniciou a aura dos Anos 60! Tudo sobre esse impacto, neste LINK

A 6ª Parte contou uns poucos dias de julho, desde a estreia do filme até o lançamento do disco A Hard Day's Night, pousando entãp na análise detalhadas de 11 das 13 canções, as outras duas já aviam sido analisadas na 2ª Parte, quando falie sobre o 6º Compacto. Tudo isso está aqui, neste LINK.

A 7ª Parte, que ora começamos, fala sobre a envoltória para o 7º Compacto.

Dois dias depois do lançamento do LP, eles já estavam de volta ao trinômio estrada / Rádio / TV, e também já começaram os trabalhos para o próximo LP, afinal o mundo poderia parar, mas tinha que sair um disco no fim do ano. A estrada teve cinco domingos sequenciais com shows em cidades litorâneas da Inglaterra,  com direito a um leve acidente de George estreando seu Jaguar na estrada, e em um deles sendo acompanhados por uma banda chamada The High Numbers, que em breve mudaria seu nome para The WHO. Além essas escapadas para a praia, teve mais uma noite de gala no London Palladium, chamada The Night of a Hundred Stars, e teve um pulinho na Suécia para dois shows em Estocolmo, com direito a manifestações explícitas de amor pelos suecos, e suecas! Na TV, teve o Summer Spin na ABC, que na verdade era o Thank Your Lucky Stars na versão Verão, e teve mais uma participação no Juke Box Jury, desta vez, com George e Ringo, em duas edilçoes em separado, detonando ou aprovando os novos lançamentos. No Rádio, apareceram duas vezes na BBC, no programa Tog Gear, e em mais uma edição do From Us To You. Finalmente, os estúdios da EMI os receberam para dois dias de gravação (11 e 14 de agosto) em que se dedicaram a I'm A Loser (até então a candidata ao próximo compacto), Baby's in Black, e a duas covers: a inexplicavelmente rejeitada Leave My Kitten Alone, sensacional rocker, de balançar os ossos, mas que foi preterida em favor de Mr. Moonlight, até hoje me petunto por quê ... bem talvez por causa do sensacional grito de John logo no início, irreparável!

E veio a excursão de verão, para Estados Unidos e Canadá, foram 30 shows em 26 paradas. Diverti-me um pouco desenhando a ilustração desse movimento de 32 dias, de norte a sul, de leste a oeste dos Estados Unidos, e 3 cidades do Canadá, todas em sua fronteira sul. Invariável em todas as paradas foi a histeria dos fãs, sempre milhares a recebê-los nos aeroportos, e o tratamento de segurança dado pelas polícias locais, sempre com limousines amparadas por batedores em motocicletas, o que nao impediu que nas saídas dos locais de show os Beatles tivessem várias vezes que sair escondidos em ambulâncias. Invariável também foi a quantidade dos ingressos vendidos: 100% dos colocados à venda, a não ser em Colorado, onde houve ameaças de morte. A excursão toda foi feita num avião fretado, modelo Electra. Em alguns shows, a histeria dos fans tornou impossível a medição dos decibéis dos aparelhos da época. Em Indianápolis, Las Vegas, Toronto, Montreal e Baltimore, fizeram shows à tarde e á noite. E New York recebeu os Beatles duas vezes, para três shows, em três dias diferentes. 

O set-list foi sempre o mesmo, com uma ou outra exclusão: Twist And Shout, You Can't Do That, All My Loving, She Loves You, Things We Said Today, Roll Over Beethoven, Can't Buy Me Love, If I Fell, I Want To Hold Your Hand, Boys, A Hard Day's Night e  Long Tall Sally. Eles capitalizavam, com 5 canções da trilha sonora de A Hard Day's Night, o extraordinário momento que viviam, pois o filme foi um estrondoso sucesso de crítica e público.

A 5ª parada da excursão, quando varriam a costa oeste do país, que também teve uma passagem em Vancouver, no Canadá, merece o destaque de um parágrafo: Los Angeles - The Hollywood Bowl. Foram 19.000 pagantes, dos maiores públicos até então. Os Beatles ficaram encantados com o anfiteatro, com uma concha acústica que proporcionava ótima recepção do som pela platéia. E eles adoraram também o palco, bem maior dos que estavam acostumados até então. A produção também tinha grandes expectativas, tanto que filmou e gravou tudo para um posterior lançamento de um LP Ao Vivo... só que não ... o equipamento que a organização americana providenciou era inadequado. George Martin, que veio de Londres especialmente para a ocasião, não se sentiu forte o suficiente para reclamar, por ser estrangeiro, e a gravação foi para a prateleira. Apenas em 1977, conseguiram retomar a idéia, com novos equipamentos, mas conseguiram aproveitar apenas 6 das 12 canções. As demais do LP foram retiradas de duas outras apresentações no local, em 1965. Apesar de os Beatles terem chegado na costumeira limusine, saíram de fininho, em um carro que fora deixado atrás do palco. Brian Epstein foi bonzinho o suficiente para dar aos rapazes 3 descansos, de dois dias cada um, ao longo daquela excursão, e o primeiro deles foi em Los Angeles. Alugaram uma mansão em Bel Air, bairro chique, onde puderam atá arriscar umas caminhadas sem serem reconhecidos a cada minuto. E foram visitar o grande ator Burt Lancaster para assistir a um filme de Peter Sellers (super fã deles e vice-versa), onde Ringo desafiou o anfitrião para um duelo, já que foi vestido de cowboy, com revólveres de brinquedo, bradando aquela frase: "Esta cidade é pequena demais para nós dois, Burt!". Na última noite, a atriz Jayne Mansfield chamou-os para uma noitada em um clube, onde se insinuou pra John e George, encostando as duas mãos próximas ás partes íntimas dos dois. A noite não terminou bem, pois teve um teve um incidente de George com um desafeto impertinente, que culminou com o Beatle atirando-lhe um copo de água, felizmente só o conteúdo, mas tudo registrado em fotos, inclusive o caminho da água... Aliás, enquanto estavam em Los Angeles, Ringo ficou feliz ao ver o primeiro compacto com sua voz brilhando num Lado A, cantando Matchbox, de Carl Perkins!! Ok, ok, não foi no catálogo oficial, o britânico, mas foi uma distinção da Capitol, a subsidiária dos Estados Unidos, que fazia seus lançamentos meio doidos, verdadeiras saladas, e tal, mas foi justa homenagem ao nosso baterista. E, tendo no Lado B, Slowdown de Larry Williams, cantada por John, aquele foi o único compacto em mercado premium a não ter nenhuma original dos Beatles! Marcante, Ringão!

Antes da primeira parada em New York, passaram pelo meio-oeste, com shows em Denver, Colorado num espetacular anfiteatro, que recebia pela primeira vez um espetáculo de rock, mas quase cancelaram o show por conta de ameaças de morte, e Cincinatti, Ohio, onde também quase não houve show por conta de um protesto do Sindicato dos Músicos. A parada na Big Apple foi para dois shows em dois dias diferentes, no famoso estádio de tênis de Forest Hills, onde era realizado o Grand Slam na época (hoje é em Flushing Meadows). Ali, inauguraram o helicóptero como meio de chegada aos shows. Interessante que ali eles foram apenas uma das atrações de um festival. Vejam ao lado os demais astros que lideravam as outras noites, e pergunte-se o que Woody Allen faria em meio a eles.. Reconheci quase todos eles. Bem, naquela noite, no hotel, recebem a visita de Bob Dylan que fez questão de conhecê-los. E, birita vai birita vem, ele ofereceu maconha, eles disseram nunca ter provado, e ele disse: "How come that song you sing 'I get high'?". John não entendeu, ele cantou o trecho de I Want To Hold Your Hand quando eles dizem "I can't hide!". Histórico! O fato é que rolou, Dylan deu aquela aspirada, e passou a John que passou a Ringo sem levar aos lábios, chamando-o de seu 'Provador Real', muito engraçado, mas depois começaram realmente a experimentar, e todos "Got really high!", desta vez foi isso mesmo, Brian Epstein achou que estava voando e Paul descobriu o sentido da vida... de que existiam 7 níveis, foi a viagem que ele fez... Todos fizeram a sua, e essa noite acabou mudando a vida deles. O segundo show transcorreu normalmente, com as mesmas canções e a mesma lotação total!!

A próxima parada, ali do outro lado do Rio Hudson, foi em Atlantic City, outra cidade de casinos, em que chegaram novamente de limusine para o show, mas desta vez inauguraram outro meio de fuga: um furgão de lavanderia. Notável, nesta parada, que foi a segunda em que tiveram dois dias de folga, é que eles trabalharam. Sim, ao menos a dupla Lennon McCartney, que ali escreveu duas canções para o próximo álbum: Every Little Thing e What You're Doing, uma de John, outra de Paul! Outro fato notável que ocorreu naquele hotel Marquis de Laffayette foi que Paul McCartney conversou com Elvis Presley pelo telefone, um bate-papo relativamente longo e cordial, onde o Rei do Rock contou que estava aprendendo a tocar baixo, e que acompanhava a carreira dos Beatles, e elogiou as capas dos discos, em especial 'aquela em que suas faces estão pela metade!' (With the Beatles, no catálogo inglês, Meet The Beatles, pela Capitol). Paul convidou o astro a cruzar o oceano, Elvis disse que adoraria, e por aí foi! Histórico! Eles apenas se encontrariam um ano depois!!

O périplo seguiu nas cidades no nordeste americano, Philadelphia (onde os Beatles estranharam uma audiência sem negros), Indianápolis (com direito a uma volta de Cadillac nas duas milhas e meia no famoso circuito oval), Millwakee (onde fãs invadiram os quartos onde os Beatles estiveram, para levar tudo o que puderam), Chicago (onde um isqueiro atingiu o olho de Paul), e Detroit (onde os lençóis em que dormiram foram retalhados em centenas de quadrados e vendidos como souvenirs), então, cruzaram a fronteira e aportaram no Canadá, para dois shows num único dia em Toronto em Montreal, e dois dias sem um único show, para conhecerem algo do novo país que conheciam, só que não... o clima foi muito tenso, separatistas franceses fizeram ameaças a Ringo, que teve a companhia de um guarda o tempo todo mesmo durante o show, e eles decidiram ir embora mais cedo, para o próximo passo, lá no sul do país, onde iriam tocar em Jacksonvile, no norte da Florida, só que não... Com a mudança de planos, acabaram passando um dia em Key West, por conta de um furacão que assaltara a cidade do show. O voo no querido Electra foi tenso? Nem tanto, por conta de Ringo, que começou uma guerra de travesseiros que envolveu toda a trupe. Nem todos, pois um dos passageiros confessou que foi até a cabine instar ao piloto que pedisse que parassem... nosso sempre responsável Paul McCartney. A estada no extremo sul do país foi dentro do hotel, nada a fazer, por causa do hurricane watch, a não ser beber! Na próxima parada, finalmente Jacksonville, ele só tocaram quando garantiram que negros estariam entre os espectadores, foi uma exigência deles, não tocariam para palavras segregadas. No palco, mais um contratempo, só tocaram quando as câmeras de TV foram removidas... elas estavam filmando a excursão toda e eles não ganhavam nada com aquilo.... apenas até ali! 

A partir dali, não perca a conta... de 12 a 16 de setembro, Boston, Baltimore, Pittsburgh, Ohio, New Orleans, nada além da costumeira correria, histeria, policiais a cavalo, batedores em motos, limousines, helicópteros, coletivas, shows, até que chegaram em Kansas City para um dia de descanso.... só que não ... a turnê de 35 shows virou de 36, por conta do insitente dono do estádio de baseball da cidade, que quase triplicou a oferta de cachê, para 150 mil dólares, o maior da história deles até então. Ali acrescentaram ao setlist, clario, o medley Kansas City / Hey Hey Hey Hey em homenagem à cidade, que nçao tocavam ha tempos, e decidiram por incluí-la no próximo álbum. Mais um show em Dallas, e finalmente um dia de descanso num rancho em Misouri, e de volta a New York, para um show beneficente, pelo qual nada receberam e tocaram para 3.700 felizardos que pagaram até 100 dólares pelo binômio caridade/êxtase no Teatro Paramount. Ingressos para os shows em ginásios e estádios custavam de 5 a 8 dólares, para se ter uma ideia!

Após uma semana de descanso, já de volta à terrinha, passaram dois dias gravando para Beatles For Sale, e dois dias dedicados à TV ... americana... sim, eles haviam deixado a América, mas a América já tinha saudades, e gravou um especial para o prestigioso Shindig da ABC, que mandou um time para gravar em Londres todos os grandes nomes de então, e os Beatles abriram a série, claro. E com uma distinção absoluta: foi ali a primeira vez que tocaram ao vivo I'm A Loser, com aquela gaitinha famosa de John. Os americanos ouviram antes de seus próprios conterrâneos. Outras duas canções da noite foram Kansas City /Hey Hey Hey Hey e a sempre magnífica Boys, com ótimo desempenho ao vivo de Ringo! Deixo aqui o LINK pra vocês!

Mais dois dias gravando, 6 e 8 de outubro, este último dedicado à canção que seria o Lado B do próximo compacto, She's A Woman, e embarcaram dia seguinte em mais uma excursão doida, mas no próprpio Reino Unido, com paradas na Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte. Os números são impressionantes, durou 33 dias, com paradas em 27 cidades, dois shows por parada!! E o cachê, também impressionante, pra baixo, £850,decerto por ser contrato antigo firmado por Brian Epstein, antes da fama. Lembremo-nos que os americanos pagaram US$ 60 mil por show... com um deles chegou a $150 mil!!! O repertório, praticamente fixo, com 10 canções, sendo a metade delas de A Hard Day's Night, 4 covers e I Wanna Be Your Man, para Ringo brilhar! Em uma das paradas de dois dias ocorreu o histórico dia 18 de outubro, onde gravaram nada menos de 8 canções, dentre elas I Feel Fine, que seria o Lado A do novo compacto, desbancando I'm A Loser, que era a escolha inicial. 

A maratona da excursão de outono terminou em 10 de novembro, com direito a um banho de farinha despejada por quatro estudantes escondidos acima do placo onde se apresentaram, que ficaram famosos localmente por sua ousadia. Banhos tomados, e de volta a Londres, os Beatles, empreenderam diversos compromissos em Rádio e TV em que começaram a divulgar os Lados A e B do compacto que sairia em breve. Na TV, 7ª aparição no Thank Your Lucky Stars, o Top of The Pops, e Ready Steady Go, e no Rádio, dois programas da BBC, num deles, o público do Top Gear viu a única apresentação ao vivo de I'll Folow The Sun, e a outra foi a pultima edição do Saturday Club. Era o dia 25 de novembro, e dois dias depois foi lançado na Inglaterra o compacto I Feel Fine / She's A Woman, que iria rapidamente ao topo das paradas, onde ficou por cinco semanas. Eram as canções 50 e 51 do catálogo britânico, vejam bem, em pouco mais de dois anos! Suas análises encontrarão a seguir!

50. I Feel Fine (Love Girl Song by John Lennon)

John conta: 'A minha garota é boa comigo, você sabem ela está muito feliz, você sabe, foi o que ela disse. Estou apaixonado por ela e me sinto bem!

Quer mais felicidade que isso? A letra é toda assim. "Eu a amo, ela me ama e está tudo bem! Eu sou feliz, ela também e conta pra todo mundo que ele compra tudo pra ela, até um diamante"! Esse era o clima. Junte-se uma entrada revolucionária, um riff matador, um ritmo inovador, o sorriso de John, e está pronta a receita para mais um compacto Nº 1 nas paradas. Interessante que John não achava que ela era tanta coisa assim, ela foi pensada para ser mais uma do álbum Beatles For Sale, foi gravada numa sessão daquele álbum, mas terminada a sessão, decidiram que I'm A Loser perderia seu posto no compacto do final de 1964 e foi colocada na faixa nº2 do 4º álbum dos Beatles. A troca do "Eu sou um perdedor!" por "Eu estou feliz!" mostrou-se adequada para o momento'. 
 
A canção tem 3 versos com letras diferentes mas com a mesma base, as duas primeiras linhas terminam com "you know" com rimas acontecendo antes, uma terceira linha com "...she said so", e uma última que varia entre "I'm in love with her" com "She's in love with me", mas sempre terminando com "...and I feel fine". Os versos 2 e 3 são repetidos, e uma ponte aparece a cada dois versos, com Jonh bradando ao mundo sua felicidade "I'm so glad that she's my little girl" e a dela "She's so glad she's telling all the world". 
 
A razão daquele qualificativo 'extraordinária' ali de cima começa não em 18 de outubro, que foi o dia da gravação, mas 12 dias antes, enquanto trabalhavam em Eight Days A Week. John aproximou-se do amplificador com sua guitarra em punho, mas se esqueceu de diminuir o volume, e ao mesmo tempo, Paul, do outro lado do estúdio, soltou uma LA gravíssimo em seu baixo, e a guitarra de John deu feedback, retroalimentando o som, e produzindo um lamento sonoro que encheu cada metro cúbico da sala. John adorou aquela 'serendipity' (*) e resolveu reproduzi-la de forma controlada em I Feel Fine, ficando para a posteridade. Aquele uivo entrou para a história da música. Notaram que mesmo ao acaso, a parceria Lennon/McCartney funciona?
(*) palavra inglesa sem tradução em português 
sobre a qual escrevi neste post: 
encontrar algo bom sem ter procurado
       

Voltemos à gravação. Naquela sessão foram gravadas nada menos que 8 canções, ficando a duas do recorde de 11 de fevereiro do ano anterior, quando gravaram 10 canções de Please Please Me. No primeiro take, os Beatles chegaram à conclusão de que deveriam baixar o tom da canção, porque John não estava em sua zona de conforto vocal. Mais quatro takes foram feitos. Take 5 foi o primeiro completo, mas chegaram à conclusão de que seria melhor gravar uma base apenas instrumental: John estava se atrapalhando em cantar juntamente com o complicado riff que ele mesmo inventou (inspirado em um sucesso da época). George também dobrava o riff de John, mas resolveu deixar o solo da parte instrumental para depois. Enquanto isso, Ringo imprimia um ritmo latino em sua bateria e Paul firme no baixo preciso. Daí, mais 4 takes nesse novo esquema, até chegar ao nível de poderem fazer os overdubs, sobre o Take 9! John então gravou seu vocal. Sem a pressão de desempenhar na guitarra, ele até incluiu uns murmúrios hummm, primeiro introduzindo a sessão instrumental e depois na conclusão) Paul e George acrescentaram a harmonia vocal perfeita, em dois trechos de cada verso e nas pontes, alternando letra com Uuuuh's, note bem. George também acrescentou seu solo na seção instrumental! 
 
Bom, se John não estava à vontade cantando e tocando durante a gravação, decerto que treinou bastante, porque I Feel Fine era uma das favoritas dos shows ao vivo, e foi sempre tocada, até mesmo o concerto final, em agosto de 1966. Uma delas, no Shea Stadium (fala-se 'shei') em New York em 1965, um marco na história, o primeiro show num estádio aberto (de baseball), com 65 mil espectadores. Deleite-se no LINK. Como o som foi prejudicado, eles voltaram ao estúdio para regravar todas as canções do show, porque seria um especial para a TV Americana. O som que se ouve, então, é o da regravação. Perceba como John se atrapalha no verso final, ele canta "I'm in love with her" quando deveria ser "She's in love with me" que é cantado por Paul e George, ali ao lado em um microfone só. Você percebe pelo movimento da boca de John. É desse show a imagem que escolhi para ilustrar o post. Aliás congelei a imagem justamente quando John abre a boca pra cantar "I'm in love" quando deveria ser "She's in love". E note que ele dá um sorrisinho quando percebe que errou! Demais!


51. She's A Woman (Love Girl Song by Paul McCartney)

Paul conta: "Meu amor não me dá presente algum. Mas eu sei que ela não é rude. Ela é a única que até agora tem me dado amor, incansavelmente. Ela me deixa doido quando fico sozinho, as pessoas me dizem que ela só 'tá a fim de tirar onda', mas eu sei que ela não é disso."

Esta canção entra na seleta lista das 'Beatles-one-day-songs', ou seja, aquelas em que da ideia inicial até sua gravação completa, leva menos de um dia! Outras são Birthday , All Together Now e The Ballad Of John and Yoko. Na verdade, esta foi menos que 12 horas, porque estava pronta às 6 da tarde, e eu duvido que Paul tenha-a começado antes das 6 da manhã. Ele mesmo diz que foi durante a manhã de 8 de outubro de 1964 que teve a ideia em uma caminhada, voltou pra casa, escreveu o 1º Verso e, ao chegar ao estúdio, chamou John num canto, apresentou o que tinha, compuseram o que faltava (mais um verso e a ponte), mas ainda não o ritmo definitivo, que só chegou no 2º Take da sessão que começou às 2:30 e foi até o fim da tarde! 
 
Pausa para digressão educativa  
É bom dar aqui uma parada para esclarecer uma natural confusão com o termo 'verso' que venho utilizando em minhas análises até aqui. Em um poema, o verso é uma linha de uma estrofe, que é um conjunto de versos. Na estrutura de uma canção, verso é um conjunto de linhas que estabelece a melodia e a ideia principal da letra da canção. Neste caso de She's A Woman, quando John diz que 'Paul chegou com o 1º verso pronto',  não foi apenas com 'My love don't give me presents', mas sim com esta e outras 7 frases, até "fooling, I know she isn't'. Aproveitando a digressão, ´ponte' é um segundo elemento estrutural da canção, com melodia diferente do 'verso', às vezes em ritmo diferente também, que une, como toda boa 'ponte', dois versos, ou um 'verso' e um 'refrão' ou um 'coro'. A ponte serve também para quebrar a tensão de versos vigorosos ou, por outro lado, levantar a tensão de versos tênues. Finalmente, 'refrão' é o que carrega a mensagem mais mnemônica, que muitas vezes leva o nome da canção, uma mensagem mais definida, que fica na cabeça, mas não é sempre que se o usa. A maioria das canções dos Beatles não têm refrão, apenas versos e pontes. Aqui, a ponte é o ponto mais alto da canção e traz a conclusão das situações apresentadas nos versos,  "She's a woman who understands, She's a woman who loves her man", ela traz o nome da canção, também é o que fica na cabeça, mas não é considerada como refrão. 

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Fim da digressão  

 
John, como sempre ferino, bota a letra de She's A Woman como lixo. Sem dúvida, não é! Tem algumas pérolas em palavras e rimas. Por exemplo, para rimar as duas primeiras linhas da canção, Paul foi buscar 'peasants' para rimar com 'presents'. O significado básico da palavra é 'camponês', mas não faz sentido dizer que ele saque que sua garota não é uma 'camponesa', eu sempre fiquei intrigado com isso, que era aparentemente sem sentido, apenas recentemente descobri um segundo significado, figurado, que seria uma adjetivação do 'camponês', uma pessoa de baixo status social, não sofisticada, ignorante (no sentido correto, por não saber), e eu escolhi 'rude' na minha tradução ali de cima. Para completar a geiialidade, ele ainda termina rimando com as duas primeiras linha, com "I know she isn't". Ainda sobre rimas, o Verso 1 apresenta "make me jealous" pareando com "all the time as well as", simplesmente genial, também porque o raciocínio termina no começo da linha seguinte. No mesmo ponto do Verso 2, Paul repete a estrutura com uma rima aparentemente batida, mas que se salva pelo mesmo recurso de empurrar o fim do raciocínio para a linha seguinte, refiro-me ao "when I get lonely" com "that she's only". E ainda há as rimas ricas "eye-cry", no Verso 2 e "understand-man" na ponte. 
 
Não se sabe a exata extensão da contribuição de John na letra, mas, no mínimo, foi dele a inclusão do "turn me on when I get lonely", foi a primeira letra deles que faz alusão a drogas, pois dizia-se que elas "ligavam" a mente dos usuários. Não fazia nem dois meses que eles haviam sido apresentados ao hábito por Bob Dylan, durante uma excursão aos EUA. Nim ponto final sobre a letra, deixo com uma dúvida: o que Paul quis dizer na ponte com "Ela é uma mulher que entende. É uma mulher que ama seu homem"? Bem, na verdade, desconfio qual seja a resposta: sua namorada e ele mantinham um relacionamento aberto. Jane Asher 'entendia' que Paul não conseguiria resistir ao assédio das fãs, e aceita as traições como naturais... Será? 
 
E vamos à gravação. Como falei, a canção não existia no dia 7 de outubro, e na noite do dia seguinte ela estava pronta para constituir o Lado B de I Feel Fine. No primeiro take, John propôs uma guitarra que não vingou.... dizem que era muito parecido com a de Eight Days A Week, mas não tenho como confirmar, pois não achei em nenhum lugar. Seja como for, a partir do Take 2, John já escolheu uma batida que foi marcante, pois é o que  mais ressalta na gravação: ele toca os acordes de maneira sincopada, meio que fora do tempo, e assim fica até o final. Paul toca seu baixo e canta a plenos pulmões todo tempo. Naquele take, Ringo ainda não se acerta com o tempo, e tentam até o Take 6, considerado bom para os próximos passos. Cadê George? Ele não estava! Em seguida, vieram os overdubs, de Paul ao piano o tempo todo, principalmente repetindo os vocais dos versos, e de John dobrando os acordes da introdução e de Ringo, com um chocalho! Vocês sabem que há um solo de guitarra, não é mesmo? Só não se sabe quem fez! Se George não estava, Paul poderia ter feito, mas não havia guitarra para canhoto àquele tempo. O mais provável é que George tenha aparecido depois e feito em overdub., ali, logo após a repetição do 1º Verso após a ponte, um delicioso 12-bar-blue que antecede mais uma ponte. A finalização da canção repete os compassos da sessão solo, recheada pelos pratos de Ringo.
 
Nesta que é a primeira canção dos Beatles mais chegada a um blues, todos os acordes dos versos são feitos em acordes dissonantes A7, D7 e E7, somente retornando aos consonantes na ponte, mais comportada, mesmo assim, começando num menor (C#m) até chegar ao único cheio, em D. E como os versos são dos mais longos da carreira dos Beatles, com 24 compassos, decerto She's A Woman é um recorde de acordes dissonantes em sequência, e ainda dobra-se tudo porque são dois versos em seguida. Se contar no relógio, é um minuto e 15 segundos sem sair de cima, até chegar a ponte.  É tanto acorde dissonante que John até erra algumas vezes, e se esquece de um ou outro, mas resolveram não partir para mais um take. E a escolha da nota LA como tom fez Paul cantar lá no alto o tempo todo, propositalmente, era mais uma homenagem a Little Richard, de quem era fã declarado, aliás, havia gravado recentemente Long Tall Sally num EP. E ele honrou o tom em dezenas de performances ao vivo, nos quase dois anos seguintes em que fizeram shows, até mesmo no último deles em agosto de 1966. Entretanto, quando ele a tocou novamente, 25 anos depois, no show Unplugged (o primeiro Acústico da MTV que saiu em disco), ele baixou o tom. E é este que eu deixo aqui pra vocês, neste LINK.