segunda-feira, 1 de junho de 2026

OUÇA e LEIA - O Novo Disco de Paul McCartney - com Cláudio Teran



Todo Domingo é Total, das 7 às 9 da manhã, na Rádio Assunção Cearense!!! 

https://620am.com.br/

É Cláudio Teran quem comanda!!!

Mas todo Sábado é Cabal, pois Cláudio Teran nos conta as Beatles News, no Programa Submarino Angolano da LAC Luanda, às 13 horas BSB, 17 horas LDA!

Hoje, o astro principal é John, totalmente dedicado a John

Clique no Play Verdinho

para ouvir


E leia a seguir!

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O Novo Disco de Paul McCartney

 Entra A Hard day's Night com a Orquestra de George Martin


Amigos e amigas olá! Cláudio Teran chegando para mais uma participação do Mergulhador direto de Fortaleza, Ceará, Nordeste do Soberano Brasil.

Beatles News! Beatles ao cair na tarde nas ondas da sua LAC FM, Vamos mergulhar.

Alô amigos e amigas Paulo Seixas. Aquele abraço! 

Mergulhador Cláudio Teran. Chegando direto de Fortaleza, Ceará, Nordeste do Soberano Brasil, para mais uma participação no nosso submarino angolano. Beatles News Beatles. Ao cair da tarde nas ondas da sua LAC FM, vamos mergulhar. 

Entra som de show ao vivo, 

Fala Paulo Seixas. Meus caros e minhas caras. Começou a temporada 2026 da All Starr Band. 

Entra With A Little Help From My Friends ao vivo, com Ringo Starr

O show de estreia no dia 28 de maio, foi em um ambiente de milionários. O Pechanga Cassino no município de Temecula, que fica na Califórnia. Casa lotada, lotadíssima. Ringo exibindo no palco um ar bastante jovial, tocou bateria, cantou suas principais canções e ... o ponto especial da noite, quando voltou para o bis com o With a Little Help From My Friends. Ringo estava trajado com seu uniforme de Sargento Pepper e isso levou o público ao delírio. A gente vai ter mais detalhes sobre a turnê da All Star Band nas próximas edições do Mergulhador. Até por considerar que é tiro curto. Até aqui, 12 apresentações estão previstas apenas 12. Todas elas nos Estados Unidos da América. Está tudo bom, está tudo certo. Estamos falando de um homem de 85 anos em turnê, cantando e tocando bateria.

Entra Days We Left Behind, com Paul McCartney

O dia de hoje é integralmente dedicado à Boys of Dungeon Lane. O disco do Paul McCartney chegou junto com a camiseta e a caneca representativa desse novo lançamento do Paul McCartney. E o que aconteceu? Vou tentar situá-los agora. Foi como um ritual, Sempre foi. Aproveitei a tarde vazia da sexta feira e preparei um café... Play... E começou a tocar o novo disco de Paul McCartney. 

Entra As You Lie There, com Paul McCartney

Como é bom chamar um disco de disco. Eu sou dessa era e Boys of Dungeon Lane é isso, Um disco para se ouvir e refletir sobre suas melodias e letras. 

À beira dos 84 anos, Paul McCartney faz um álbum com 14 faixas igual a Please Please Me. Quando os Beatles estrearam na EMI, há 63 anos. Sessenta e três anos é a minha idade agora. Continuo o cara que se senta em silêncio para ouvir o que tem ali em mais um álbum do ídolo maior. Fiz isso tantas vezes e que bom que continuo fazendo. 

Segue As You Lie There, com Paul McCartney

Assim que começa, As You Lie There. Essa que nós estamos escutando, vem o poder do primeiro Impacto, a faixa que inicia é falada, declamada e cantada com delicadeza, e muda para um inesperado refrão. 

Segue  As You Lie There, com Paul McCartney

A voz dobrada, energética, enérgica, também podemos dizer um tanto quanto Monkberry Moon Delight. Eu lembrei dessa música do álbum RAM, de 1971. Será? De leve. Lembra um pouco? Sim. Estaria eu, será, ouvindo coisas? Nada. É apenas o cartão de visitas que abre o novo disco do Paul. 

Entra Lost Horizon, com Paul McCartney

Será que eu passo pela sua cabeça enquanto você está deitada aí? Diz a letra de As You Lie There que resgata um amor de jovem não correspondido, quando Paul McCartney não era famoso lá em Liverpool e o nome dela era Jasmin. Lost Horizon, a segunda canção tem guitarras, violões, mantém uma pegada forte como a faixa de apresentação, é intimista e otimista. E tem esse refrão aí que eu sei que irei cantarolar. 

Segue Lost Horizon, com Paul McCartney 

E Days We Left Behind? Trilogia! Um dos três primeiros petardos de Dungeon, o mais criativo dos melodista Paul McCartney, vai ver talvez tenha pensado ao finalizá las, "vocês não perdem por esperar!"

Entra Days We Left Behind, com Paul McCartney

E a voz se mantém ótima do começo ao fim, controlada pela maturidade. Ora tem fragilidade e delicadeza, ora vem com uma virilidade das mais energéticas para alguém de 84 anos. 

Entra Ripples In A Pond, com Paul McCartney

Ripples in a Pound tem guitarras inventivas e fraseados. O andamento lembra um pouco de faixas do Flaming Pie, como IF You Wanna. 

Entra Mountain Top, com Paul McCartney

Mountain Top acalma um pouco o ritmo. Só aparentemente. Percussão forte, ouvir bongô e até pistas invertidas. É bem psicodélica, meio Egypt Station em sua pegada pop rock. 

Segue Mountain Top, com Paul McCartney

Lembrando daquele café que eu preparei para ouvir o disco, hein? Meu café não é alucinógeno, tudo é real e nada é definitivo. Estou divagando sobre as primeiras impressões quando Mountain Top ganha uma fúria inesperada no final. Vai. 

Segue Mountain Top, com Paul McCartney

Down South é  a próxima e leva a gente para onde? 

Segue Down South, com Paul McCartney

Tem dois violões no arranjo e meio folk rock E tem uns olhares. Lembram I'll Get You. Eu pelo menos achei. Essa música Down South remete, segundo Paul McCartney, ao primeiro encontro dele, e George diz a letra no mais típico humor inglês. Antes de aprendermos Twist And Shout.

Entra We Two, com Paul McCartney

Esssa que tá tocando agora é metade do álbum. A última do lado A em um vinil tem Melotron no arranjo e foi gravada à moda antiga em um gravador velho. Tudo que se usava na década de 60, daqueles que os Beatles utilizaram para gravar seus clássicos em Abbey Road. 

Entra Come inside, com Paul McCartney

Primeira do lado B, Come Inside é dançante, é dançável. O piano maravilhoso para quebrar o tempo e sofisticar um tanto o andamento. 

Entra Never Know, com Paul McCartney

Never Know Não merece café. É para uma degustação alcoólica lenta, mas cadenciada com bossas como órgão ou Burlitzer, violões e o som de uma flautinha curiosa no final. Vai ficar longo, talvez, esse review, essa análise que estamos fazendo, em especial para o Submarino Angolano, não é culpa minha. São 14 faixas. Culpem Paul McCartney pela minha empolgação inicial. A boa impressão que Dungeon Lane me causou até aqui. 

Entra Home To US, com Paul McCartney e rRingo Starr

Home To Us ouvida no conjunto do disco, é um luxo pleno Ringo e Paul cantando e tocando juntos com mais de 80 anos, como se diz no nordeste do Soberano Brasil, para dourar o volume. 

Segue Home To US, com Paul McCartney e rRingo Starr

A furiosa guitarra solo que a gente ouve em Home to Use foi tocada pelo produtor Andrew Watt, Tem Paul na outra guitarra. Ele e Ringo não se encontraram para gravar. Cada qual fez sua parte em separado. Hoje em dia, com a tecnologia digital que temos, não carece um encontro presencial. Mas eu preferia que tivesse acontecido. 

Entra Life Can Be Hard , com Paul McCartney 

Life Can Be Hard tem uma intro de violão sequenciada por vocais emocionados, uma riqueza de detalhes com chocalhos, mellotron, sopros, cordas e piano no arranjo. 

Entra First Star of the Night  , com Paul McCartney 

First Star of the Night tem uma percussão esquisita feita sobre pedaços de papel. Paul diz que a letra tem a seguinte ideia ou propósito. Ver a primeira estrela no céu é sinal que seu pequeno mundo está bem. 

Entra Salesman Saint , com Paul McCartney 

Salesman Saint vai virar um clássico meu, presumo. O violão de doze cordas num arranjo, a voz a traduzir um sentimento que só a maturidade tem. Lembranças dos pais. Olha....

Os metais dessa canção levam a uma vibe que se funde a voz e ao violão. As cornetas duelam com a guitarra. Os sopros parecem gritar para o mar do cais de Liverpool. Show! 

Drei to carry on with love song to help the night. Será? Sigo sóbrio, só mais emocionado. E por isso, pessoal, quando o disco chegou na faixa final com os acordes de Momma Get By fiquei com a sensação de Vou te ouvir mais, Boys of Dungeon Lane

Entra Momma Gets By , com Paul McCartney 

Vou sim. Vou ouvir muito mais esse álbum. Momma Gets By é uma balada profunda, orquestrada para piano. Tem violão de nylon, é baixo, violinos e um tom solene. Perfeito para fechar um disco contemplativo, pessoal e sincero. Paul McCartney, que bom que te temos de farol! Minha camisa é minha caneca personalizada ajudaram a me vestir de Boys of the Dungeon Lane e a refletir mais sobre coisas de sentir.  

Para fechar a participação do mergulhador, hoje voltamos ao começo. A faixa de abertura de Boys of Dungeon Lane, As You Lie There.

Entra As You Lie There com Paul McCartney


sábado, 30 de maio de 2026

Joana D'Arc Médium, by Léon Denis

Hoje, completa 595 anos do suplício de Joanna D'Arc, em Rouen, na França

Hora de relembrar minha resenha épica sobre a épica sobre a vida da Virgem de Orleans, na ótica descrita por Léon Denis (fala-se "leÔN deNÍ") no começo do século passado.

Foi surpreendente!

Sempre soube de sua grandeza, vi um filme, de Jean Luc Besson, mas dele não me lembro, então me espantaram sobremaneira os detalhes de sua vida e paixão, sim, o sofrimento que passou tem gente que o compara ao de Jesus Cristo...

Por ter sido uma vida épica, usei como estrutura poética, a 'oitava épica' que Camões criou em Os Lusíadas. Usei também Versos Decassílabos.

Vamos lá?

Olha, declamei em estúdio, editei e inseri trilha sonora.

OUÇA, clicando 

no Play Verdinho abaixo 

LEIA a seguir os versos 

com ilustrações 

e informação sobre a trilha sonora

(se está no celular, coloque-o na horizontal)

_____________________


Joana D’Arc Médium

Léon Denis

1ª Parte

VIDA E MEDIUNIDADE DE JOANA D'ARC


Entra Bolero, de Ravel


1

Personagem crucial de uma guerra,

Que só de anos durou mais de 100.

Muito jovem, defende sua terra,

Inspirada por mensagens do Além.

Vive uma jornada que encerra

Sem nunca temer nada e ninguém.

Convido então que já você embarque

Na incrível saga de Joana D’Arc.


2

Quem a nos desvenda é Leon Denis, 

Emérito seguidor da doutrina

Que Kardec nos deixou por aqui,

Aquela que nos instrui e ensina

Que a nossa vida não termina em si,

Que depende de nós nossa sina:

Que, para termos firme evolução,

Fora da caridade, não há salvação.


3

Na introdução, Denis nos alerta,

Da variada gama de versões,

Muitas antes daquela descoberta.

Elas diziam que suas visões

Eram coisas de sua mente incerta,

Eram nada mais que alucinações.

Eles não sabiam que, na verdade,

Tudo era fruto da mediunidade.


4

No Século XV, gente assim

Assustava as pessoas e mormente

Muitos acabavam com triste fim.

Pra Joana, vinham em sua mente

Imagens de santos e querubims,

Incitando que fosse diligente,

Pois ela vinha com nobre missão,

De salvar a França da opressão!

 

5

Denis nos conta do estado premente,

Em mil quatrocentos e vinte e nove,

Em que o Rei Carlos VI, demente,

Subjugado ao Rei inglês que promove

Destruição à França decadente,

Que nada e ninguém sequer demove,

Renega o próprio filho, o Delfim,

Relegando o país a triste fim.

 

6

Em Donremy, havia uma menina

Que tinha visões, de nome Joana.

Aos 13 anos, a história ensina

Rezando ao lado de sua choupana,

São Gabriel inspira sua sina.

Santa Missão, ela aceita com gana!

Aos 17, a donzela entra em cena.

A França encontra a Virgem de Lorena.

 

7

Ela não sabe ler nem escrever,

Dedica-se à vida camponesa.

Jamais se poderia antever

Que pudesse assumir a defesa,

Sempre sabendo o que fazer,

Pra liderar seu país, fácil presa.

Era o Alto que a orientava.

Joana D’Arc não pestanejava!

 

8

Naquele tempo, quem ia pra guerra

Eram mercenários em batalhões.

Joana fez que a defesa da terra

Ficasse robusta em seus corações.

Em discurso firme, Joana descerra

Um almanaque de nobres lições,

E transforma bandidos idiotas

Em irrepreensíveis patriotas.

 

9

Era comprovadamente donzela.

Iletrada, confundia doutores.

Frágil, passava horas sobre a sela.

Exarava bordões superiores.

Durante os processos contra ela,

Revelava aos investigadores:

Há, nos livros de Nosso Senhor,

Bem mais do que tu és sabedor!

 

10

Seus santos são com ela até o fim:

São Miguel, nunca nomeou-se a si.

Santas Margarida e Catarina, sim.

Aparecem sempre, aqui e ali.

A confiança é cega, outrossim,

A mente em frequente frenesi.

“Vai e aconteça o que acontecer,

Ajuda-te a ti, Deus é com você!”

 

11

Quando Joana deixa Donremy,

Madrugada, não diz nada a ninguém!

Temia que a prendessem ali.

Seu destino, o pai sabia também.

Beija-lhes as frontes, apenas sorri,

Parte pra Vaucouleurs e muito além.

Mesmo se tivesse 100 mães e pais,

Eu seguiria sem olhar para trás...

 

12

Seu tio Durant ajudou, foi com ela.

Único parente a acreditar.

Robert, o capitão da cidadela,

Comanda o Cura a exorcizar,

É convencido das intenções dela

E dá-lhe escolta para cavalgar.

Em pouco tempo, tenho fé, bem sei,

Estarei na nobre presença do Rei!

 

13

Le Dauphin era jovem qual Joana

Era iludido, enganado, traído.

Entregue ao prazer da vida mundana,

Carlos teria que ser convencido.

Teria ao lado força sobre humana,

Aquela menina trazia o bramido:

Venho da parte do Reino do Céu

De lá vem socorro, tinta e pincel!

 

14

O caminho até Chinon é perigoso.

Perigos rodeiam a caravana,

Mas já ocorria algo espantoso,

Pois prestes a atacarem Joana,

Bandidos grudam no chão lodoso.

Decerto era mais que uma lenda urbana.

As visões afastavam o perigo:

“Vai, sim, filha de Deus, estou contigo!”

 

15

Na pré-sala do Delfim, ela era

Olhada com muita desconfiança

Respondia a tudo direta e austera

E virava o jogo da esperança.

A mensagem que vinha era sincera

Havia chance para a amada França.

“Nela não se encontra qualquer maldade,

Apenas nobreza e simplicidade.”


16

O herdeiro, tímido e fanfarrão,

Colocou um cortesão no trono

E foi esconder-se na multidão.

Mas ela sabia seu real dono,

E a ele marchou com exatidão.

De joelhos, contou-lhe em baixo tono

Segredos íntimos do fundo da arca.

Resplandeceu a face do monarca.

 

17

Ela disse o que só ele sabia,

Da dúvida sobre a filiação,

E que na verdade ele só queria

Escapar, ver-se livre da prisão,

Ter vida tranquila na boemia,

Mesmo fosse longe da Nação.

A sala toda entrou em catarse...

Um milagre acabara de operar-se.

 

18

A fama de Joana era um rastilho

Mas não a livrou de humilhações.

Em Poitier, repetiu o estribilho:

De 20 teólogos, mais questões

Mas firme ela não saía do trilho

E ia angariando corações.

Mas ainda sofria a maratona

De provar sua pureza às matronas.


19

Ela saiu triunfante com louvor

Mas só foi batalhar após um mês.

Ainda duvidavam-lhe o valor.

Tours seria próximo alvo do inglês.

Ela fez lá seu traje lutador

O estandarte a conferir altivez:

Deus a abençoar as Flores de Liz

"Jhésus Maria" a dar a diretriz.


20

A inspiração vinha sempre do Céu. 

A armadura era branca cintilante,

A espada era a de Carlos Martel.

A completar o conjunto radiante,

Um fogoso, lindo, negro corcel.

Joana estava pronta, confiante.

Para, com suas tropas, avançar,

Colocar o Rei em seu lugar.


21

Tão só com Orléans desesperada,

O comando autorizou a partida.

Capitães de posição elevada

Sob ordens da menina destemida.

Tropa inglesa parecia entrevada.

A heroína se arroja a toda brida.

A bandeira desfraldada à frente,

Mais determinada que toda gente.


22

Orléans é libertada em três dias.

O general inglês cai prisioneiro.

A cidade festeja a alforria.

A virgem venerada por inteiro.

A notícia da enorme ousadia

Espalha-se como fogo em palheiro.

Muitos relatos de premonição.

Até ventos mudam de direção.


23

A primeira profecia é cumprida.

Levar o Delfim a Reims é preciso,

Mas é grande a distância a ser vencida

E ele é indolente e indeciso.

Sua entourage controla-lhe a vida

E afeta de fato o seu juízo.

Só que o clamor popular é forte

E 12 mil homens partem ao norte.


24

Em Troyes, vem o primeiro empecilho:

A citadela fortemente sitiada!

O Rei pergunta: seguimos no trilho

Ou voltamos em fuga desabalada?

Mas Joana está firme no estribilho:

"Seguiremos, sim, nossa jornada!"

De noite, incita jornada frenética..

De manhã, vem a rendição patética.


25

Assustaram-se com o poderio,

Artilharia armada e bem postada,

Arqueiros e besteiros por um fio

À sua frente, a líder montada,

A espada a comandar 12 mil.

Pediram rendição negociada.

Chalon e Reims caíram em seguida

Joana trazia um Rei a dar vida!


26


Em Reims, ocorreu a coroação.

Joana cumpria a segunda parte

De sua nobre e sagrada Missão.

Via-se seu valoroso estandarte

De todos os pontos da sagração.

Aos pés do Rei fez firme aparte:

Fiz o que foi do agrado de Deus.

Agora, reinas os súditos teus!


Entra Noturno 9, de Chopin

27

Joana encanta todos onde passa.

Junta-se aos humildes e desvalidos.

A fama dela, à do Rei ultrapassa.

Criam-na vinda dos Santos ungidos.

Diziam voltaria à sua praça

Pois seus desígnios estavam cumpridos.

Só que não! Ela falou aos ingleses:

"A minha França é só para os franceses!"


28

Então, "Rumo a Paris!" ela falou,

No dia seguinte à Coroação.

Seria o melhor momento, afirmou.

Os ingleses estavam sem ação.

Entretanto, o Rei fraco negou.

Ouviu o conselho dos cortesãos.

E seis semanas então se passaram

E aí, os ingleses se reforçaram.


29

A estrela de Joana empalidece.

Ingleses são menores inimigos.

Pois é a inveja da corte que cresce,

Vêem na glória dela um perigo.

A igreja também não aquiesce 

À fama de Santa que traz consigo.

Generais feridos em seu orgulho

Tramam dar à Guerreira seu esbulho.


30

Na Porta de Saint Honoré, previu:

"Amanhã, sairá sangue de mim!"

E, de fato, uma besta a atingiu.

Ficou fora de combate e assim

Um recuo pra Saint Denis sobreviu.

Ao melhorar, queria atacar, sim

Porém, o Rei mandara destruir

Pontes por onde poderia ir!


31

Sucederam-se oito meses ruins.

O resultado foi assim-assim

Vence em St.Pierre Mouthier,

Sendo derrotada em Charité.

É chamada à corte do Ex-Delfim

E encontra um real fuzuê.

Seus guias lhe dão dura previsão:

"Serás detida antes do São João!"


32

De seu futuro ela estava ciente:

"Nada temo senão a traição..."

O boicote já estava evidente.

Em Compiégne, a situação.

Foi presa a guerreira inclemente!

Não se sabe de premeditação.

Decerto aproveitaram o gatilho

Para livrarem-se do empecilho.


33


Nada se fez pra salvar a heroína.

Entrou no calvário de sua sina.

Foi de prisão em prisão por 6 meses.

Por 10 mil libras, vendida aos ingleses.

Sem lutar, sentia-se pequenina.

Depressão vinha-lhe algumas vezes

Em Beaurevoir, se joga da torre,

Mas, sabe-se, não é assim que morre.


34 

Em Le Crotoy, ela vê o mar,

Apenas pela grade da prisão.

Como os ingleses iam lhe tratar

É sua maior preocupação.

Ali não teve nada a reclamar.

Mas em Rouen, a abominação:

Gaiola em correntes, como as galés

Pescoço e cintura, mãos e pés.


35

Ainda na costa da Normandia

Quando chorava seu triste fado,

Um de seus caros guias lhe dizia:

"Filha, recebe tudo de bom grado!"

Mas foi em Rouen a real agonia.

Um tratamento cruel lhe foi dado.

Seis meses de verdadeira paixão,

De escandalizar qualquer coração.


36

A súcia de soldados brutos, vis, 

Usam toda sorte de maus tratos

Estuprá-la, tentam seus corpanzis.

Ela denuncia sem sucesso os fatos

As visitas não lhe são mais gentis,

Eles escarnecem-na com seus atos.

Encontram seu rosto pisado, inchado.

Seu corpo sempre em péssimo estado.


Entra Claire de Lune, de Debussy

37

Eis um bom momento pra mencionar

Sobre os trajes masculinos de Joana,

Em paz ou em guerra a ostentar.

Se antes, para dar aura espartana.

Cá, impedia-os de a desnudar,

Preservando sua aura improfana.

Mas a última visão da guerreira.

É feminina, amarrada à fogueira.


38

A menina suporta com galhardia,

Inda é interrogada pro julgamento.

E ali tabém seguia a covardia.

Não havia defesa a seu fomento

Contra ela, uma falsa alegoria

A incentivar o seu tormento.

Eram 71 homens da igreja,

Fariseus de má intenção sobeja.


39

À igreja, juntou-se a Academia:

A Universidade de Paris

Fez injunções desde o primeiro dia.

Tinha intenções nem um pouco sutis.

Guardiã dos processos de heresia,

Queria apontar os próprios fuzis.

E Joana ainda enfrentou seu clone

Na figura da "egrégia" Sorbonne!!!


40

Joana suportou com altivez.

Estava abandonada à própria sorte.

O Rei que ela resgatou nada fez.

Dizia que se Deus queria sua morte

Era culpa dela, vejam vocês...

Até o fim negou qualquer suporte...

Décadas depois se arrependeu

A reabilitação promoveu.


41

A admoestação era constante.

Levavam-na à sala de torturas.

Chegavam a usar ferro flamante.

Evitavam sevícias mais duras

Para evitar a morte liberante.

As intenções eram mais obscuras:

Esperavam condená-la à fogueira,

Acusando-a como feiticeira.


42

A argumentação contra a guerreira

Ia aos píncaros do indecente.

Um bispo disse-a não merecedeira

Da orientação de um Deus Clemente

Por sua baixa condição financeira.

O que dizer? Ora, francamente!

Tamanho contrassenso cheira a pus.

Lembre-se os apóstolos de Jesus!


43

Eram longos os interrogatórios 

De 3 horas, um ou mais por dia.

Ambiente opressor, vexatório.

Pesadas correntes... uma agonia...

Ela estava em constante purgatório.

Sempre altiva, a tudo respondia.

"Dizeis que sois meu juiz, pois não sois!

Cuida! A punição virá depois!"


44

Sua serenidade impressionava.

Mesmo sob o peso das correntes.

Com firmeza, a posição afirmava.

Chegava a encantar os presentes.

Seu olhar, lampejos despejava.

Erigia-se bela, imponente.

Entretanto, nada disso evitou

O fim que a ela se programou.


45

Mas o terrorismo seguia, vil.

Detalham o suplício na fogueira.

Ela preferia, dez vezes mil,

O fim na guilhotina derradeira.

Mas segundo aquela corja hostil

Não poderia sobrar nem caveira,

Nem um resto sequer a ser cultuado,

Em um mito eterno a ser cultivado.


46

No final, é levada a um cemitério.

Para abjurar em favor da igreja.

Em estado físico deletério,

Nosso santo anjo afinal fraqueja.

Não tendo aprendido em magistério,

Sem ler, firma qualquer papel que seja..

De noite, seu anjo diz ser traição, 

Ela faz última retratação!


47

É o sinal pra sua condenação:

Herética, inspirada pelo inferno.

Pois ninguém entendeu sua Missão,

Seu olhar simples, leal, franco, terno.

Vai morrer no fogo, sem remissão.

Sozinha, vai partir para o eterno.

Trinta de maio é o seu debrum,

Mil quatrocentos e trinta e um.


48

Quando Joana sabe de seu fim, 

Ela exclama chorando: "Ai de mim!

Tratam-me horrível e cruelmente"

Impressiona-a cruciantemente

O suplício do fogo, mesmo assim

Seguiu firme, forte e honradamente.

Levada por 800 soldados

E mais todos seus juízes prelados.


49

Leem o acusatório libelo...

São 70 artigos de baixo a cima.

Um estupor! E por isso, cancelo,

Apenas por um momento, a rima.

De vergonha, eu até fico amarelo.

Pra poesia, não há menor clima.

Então, ao final, apresento o derrame

Dos componentes dessa lista infame.


Entra A Day In The Life, dos Beatles

50

A fogueira vil era gigantesca!

Joana presa ao poste no pescoço!

Uma imagem realmente dantesca!

E em meio a um enorme alvoroço,

Dirigiu-se à cruel soldadesca

E fez um último desejo ao moço:

"Procure em alguma igreja uma Cruz!

Quero morrer olhando pra Jesus!"


52

Inclemente fogo já crepitando,

Com seu povo gritando e chorando,

Com suas roupas já a fumegar,

Encontra ainda força pra gritar,

A verdade das visões afirmando,

Retrato da história lapidar.

"Nada do que falei era mesmo meu.

Tudo veio do Alto e de Meu Deus!"


53

Em seu derradeiro sopro de vida,

O último grito foi para a Cruz

(Era o vínculo de toda uma vida

Em todos os momentos, era a Luz

A fonte de sua alma aguerrida),

Os pulmões já fervendo, foi: "Jesuuuus!"

Sim, sua dor foi enorme, foi tanta.

Séculos depois, ela virou Santa

____________________________________________________

 

Não achei mais a lista das 70 acusações contra ela mas era isto aqui que estava escrito numa placa, na hora da consumação pelo fogo.

'Joana, que se fez nomear a Donzela, mentirosa, perniciosa, abusadora do povo, advinha, supersticiosa, blasfemadora de Deus, presunçosa, que não professa a fé de Jesus Cristo, vingadora, idólatra, cruel, dissoluta, invocadora de demônios, apóstata, cismática e herética.'

O pai morreu logo, de desgosto

A mãe brigou anos pela revisão do processo.

O Rei, temeroso de ficar marcado pelo crime, deu ouvidos à voz pública e começou o processo de reabilitação, o que só conseguiu em 1455, quando foi anulado o julgamento.

Aliás, 

a Guerra dos CEM ANOS (que durou 114), 

terminou em 1453, 

vencida pelos FRANCESES, 

cujo REI era Carlos VII, 

que foi o REI que a menina JOANA D’ARC COROOU.

Simples assim!!

Porém, séculos se passaram sem que lhe cultuassem a vida, quando uma febre começou, de investigação de pergaminhos e bibliotecas poeirentas, foram revistas muitas partes da história, que haviam sido acobertadas na época do julgamento e pós-morte.

Joana D’Arc foi canonizada em 1915 e santificada em 1920.




Entra The End, dos Beatles


OUÇA e LEIA - O Novo Disco de Paul McCartney - com Cláudio Teran

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