sábado, 15 de agosto de 2026

Projeto By Homerix -Tronco Norueguês (Ela se foi) - OUÇA e LEIA


Este Projeto By Homerix não tem qualquer fim lucrativo. 
Tem caráter meramente lúdico.
Serve apenas ao intuito de mostrar que sempre é possível fazer versões fiéis das canções dos Beatles, com  métrica e rima adequadas ao efeito.
Os áudios aqui veiculados foram gravados e editados em ambiente amador por sobre instrumental extraído das canções originais.
Eles são destinados ao público leitor do Blog do Homerix, e NÃO DEVEM ser veiculados em qualquer ambiente público no Brasil.

Aqui minha versão de 

Norwegian Wood (This Bird Has Flown) 
(by Lennon & McCartney)

Clique no Play Verdinho pra ouvir


O que está escrito a seguir!!

As letras, a original dos Beatles e versão do Homerix

Aqui, 


  • Na letra, consegui perto de 96& de correspondência com a letra original, com as adaptações necessárias da métrica. Gostei especialmente de deixar em aberto o final!
  • Na música, não tive dificuldade de acompanhar o tom de John, mas chegou na hora da ponte, tive que fazer a harmonia uma oitava abaixo da que Paul fez, mas ficou bom
  • Não há versões conhecidas de Norwegian Wood em português, e eu até entendo por quê, afinal não é fácil, não foi mesmo fácil!

Clique no Play Verdinho para ouvir

 E siga a versão logo abaixo

________________________________

"Norwegian Wood (This Bird Has Flown)" … “Tronco Norueguês (Ela se foi)”
LEnnon/McCartney ... Homerix

I once had a girl… Eu tive um xodó
Or should I say… mas só que não
She once had me… ela a mim

She showed me her room… Num quarto burguês
Isn't it good… Tronco de lei!
Norwegian wood… Norueguês!

She asked me to stay… Pediu preu ficar
And she told me to sit anywhere… E pra sentar em qualquer lugar
So I looked around… Olhei ao redor
And I noticed there wasn't a chair… Mas notei:  “cadeira não há”


I sat on a rug… Eu sentei no chão
Biding my time… Tempo voou
Drinking her wine… Vinho rolou

We talked until two… E horas depois
And then she said… Ela falou:
"It's time for bed"… Sono chegou!

She told me she worked in the morning… Disse que cedo trabalhava
And started to laugh… E passou a rir
I told her I didn't… Eu disse que não
And crawled off to sleep in the bath… E à banheira eu fui pra dormir

And when I awoke… Quando eu acordei
I was alone… Estava só
This bird had flown… Ela se foi

So I lit a fire… Um fogo se fez
Isn't it good… Tronco de Lei!
Norwegian wood… Norueguês!

______________________

OUÇA e LEIA - O 3º Olho de George Harrison - by Cláudio Teran

 


É Cláudio Teran quem comanda a Beatles News!!


Clique no Play Verdinho

para ouvir

E leia a seguir!

______________________________________________

O 3º Olho de George Harrison

 Entra A Hard day's Night com a Orquestra de George Martin  

 Alô amigos e amigas. Cláudio Teran chegando, direto de Fortaleza, Ceará, Nordeste do Brasil, batendo ponto em mais uma edição das Beatles News para o Submarino Angolano.

Beatles em novidades. Beatles ao cair da tarde nas ondas da sua LAC FM. Então vamos mergulhar

 Entra Meat Free Monday com Paul McCartney

Paul McCartney recomendou o documentário ecológico ‘Eating Our Way to Extinction’ (Comendo Até a Extinção) em tradução livre. Ele destacou que o filme está disponível gratuitamente no You Tube e seu roteiro ressalta a importância da alimentação para lidar com a crise climática atual. Quem quiser ver o ouvir o filme, bora lá. Está disponível em 20 idiomas.

 Entra Love Comes To Everyone, instrumental com George Harrison  

Olivia Harrison tem compromissos agendados para Outubro nos EUA. Dia 6 em New York e dia 8 em Los Angeles. Na Brooklin Academy of Music Opera House, será entrevistada por Martin Scorcese. Em Los Angeles, outro cineasta, Cameron Crowe vai conversar com ela sobre o novo livro de fotografias de George Harrison. Detalhe: ingressos já estão a venda. 

E o que esperar de, The Third Eye: Early Photographs. É um livro que reúne fotografias pessoais feitas por George Harrison entre os anos de 1963 e 1969. A edição está programada para chegar às livrarias em 6 de outubro nos Estados Unidos e em 8 de outubro no Reino Unido.

Segundo a curadoria presidida por Olivia Harriron o livro propõe um novo olhar sobre os Beatles e resgata um tempo em que o jovem George Harrison carregava uma câmera Pentax e registrava momentos que normalmente escapavam das lentes dos fotógrafos profissionais: viagens, bastidores, férias, brincadeiras e situações íntimas do cotidiano da banda.

São mais de 200 fotografias, muitas delas publicadas pela primeira vez, em preto e branco e em cores, além de imagens extraídas de filmes registrados em Super 8mm. O material acompanha os Beatles desde Liverpool até a explosão mundial da Beatlemania, passando por lugares como Estados Unidos, Austrália, Paris, Índia, Tahiti entre outros destinos.

Quem teve acesso às prévias do livro diz que é justamente aí que está a importância de The Third Eye. George não fotografava os Beatles como um jornalista ou um fotógrafo contratado. Ele era um deles. Então sua câmera registrava John Lennon, Paul McCartney, Ringo Starr e o próprio George em momentos de descontração, longe dos palcos.

E bem longe das poses cuidadosamente construídas para a imprensa.

“O resultado é uma espécie de álbum íntimo da maior banda da história do rock — visto por alguém que estava dentro daquele fenômeno”, diz um comunicado distribuído à imprensa no início desta semana.

 Entra Sunshine Life For Me (Sail Away Raymond) com George Harrison  

O título, “The Third Eye” — “O Terceiro Olho”, tem, segundo Olivia Harrison, um significado especial. É como se George oferecesse ao público uma nova maneira de enxergar os Beatles: não apenas através da música, mas através de seu próprio olhar e senso de humor.

O novo livro também inclui textos inéditos de George ao lado das fotografias, uma introdução do escritor irlandês Colm Tóibín e um artigo final do escritor americano George Saunders. Olivia também participa da obra com reflexões sobre o acervo.

Atenção compradores. Uma edição especial de luxo do livro, incluirá uma gravação inédita de George Harrison - em vinil de sete polegadas, além de quatro cópias fotográficas e cartões numerados e assinados por Olivia. E então senhoras e senhores que música seria essa?

 Entra Fear of Flying com George Harrison  

Para brasileiros e angolanos, uma informação especialmente importante: está prevista uma edição em português do Brasil, o que permitirá que esse material chegue também ao público brasileiro em versão traduzida. A edição internacional, entretanto, já aparece em pré-venda para entrega no Brasil, enquanto informações oficiais sobre editora e data específica da edição brasileira ainda não aparecem nos anúncios internacionais consultados.

Um dos Wings vai virar estátua! A ideia é que o guitarrista Henry McCullough, seja homenageado com um memorial permanente em sua cidade natal, Portstewart, no condado de Londonderry, na Irlanda do Norte. A frente dos esforços, Josie, sua esposa por décadas.

 Entra --- com Wings

Henry McCullough faleceu em 2016. Foi o único irlandês a se apresentar no Festival de Woodstock em 1969, tocando com Joe Cocker. Participou com Sir Paul McCartney do início do Wings e dos primeiros álbuns da banda. Ele também fez turnês com artistas como Jimi Hendrix e o Pink Floyd. 

 Entra solo de My Love com Wings

"Uma estátua significaria muito, um reconhecimento”, disse a viúva.

 Entra Dig A Pony instrumental com The Beatles

Os Beatles arranjaram uma encrenca com alfaiates de Londres. Eles são contra os planos para transformar o antigo prédio da Apple Records em um museu. Segundo Mark Henderson, da Savile Row Bespoke Association, que representa os alfaiates que trabalham há décadas na vizinhança do futuro museu, a presença dos Beatles vai gerar tumulto.

"Teremos congestionamentos perigosos" e "impacto negativo" para o comércio local. "As calçadas da rua são estreitas e já ficam frequentemente lotadas de visitantes, então a tendência é que isso piores no futuro, então rejeitamos", disse a associação dos alfaiates.

Ela representa marcas como a Edward Sexton, que confeccionava ternos para os Beatles. Inclusive alguns ternos com os quais George Harrison e Paul McCartney aparecem no documentário Get Back, foram encomendados e comprados na Edward Sexton.

Os representantes da categoria apresentaram um documento à Câmara Municipal de Westminster contra o Museu dos Beatles. Além deles, escritórios de representantes comerciais baseados em Saville Row também entraram com ações contra o museu.

Em comunicado, a Apple afirmou que o museu será um ativo cultural local e não apenas um destino turístico. O plano prevê que seja uma plataforma educacional fundamentada na música, na criatividade e na história social. E vai revitalizar a região também.

A Câmara Municipal de Westminster tomará uma decisão oportunamente.

 Entra Ed Sullivan apresentando os Beatles no Shea Stadium

E para fechar nossa participação, uma lembrança de 61 anos antes. No dia 15 de agosto de 1965, os Beatles subiram ao palco do Shea Stadium, um momento histórico, não apenas para os Beatles mas para a música popular. Dizem que o Shea Stadium recebeu 60 mil pagantes naquele 15 de agosto, e a gente vai para o palco do concerto agora, no Mergulhador!!

 Entra She's A Woman ao vivo com The Beatles no Shea Stadium

domingo, 9 de agosto de 2026

Colégio Santista - Fator crítico de sucesso

Hoje, Dia dos Pais
Dia de lembrar do meu colégio da infância e adolescência!
...texto de 2011...
...agora com Áudio meu...
_______________________

Clique no Play Verdinho abaixo!
Para me ouvir
E siga lendo que estou a falar!
Ou quase...  
___________________________________________________________

Colégio Santista - Fator Crítico de Sucesso
____________________________________________________________

1964
1975
Viva o Facebook!

Graças à sua existência e abrangência, e à dedicação e mobilização de alguns, estou tendo oportunidade de reviver um passado que parecia distante: minha educação básica, do princípio ao fim no Colégio Santista, tradicional instituição marista da minha cidade, Santos, fundado em 1904.

A coisa começou com a publicação no mural de um colega, de uma foto daqueles tempos, e foi crescendo aos poucos, em princípio, com os poucos amigos daquele colega convidando como amigos outros que conhecia, de outras turmas. Mas tudo se organizou mesmo quando alguém descobriu que se podia formar um grupo aberto no Facebook. Daí, foi, e tem sido, uma febre. E foi, e tem sido, um tal de pessoas puxarem pela memória, e testarem se outros que não viam há 35 ou 40 anos e só se lembravam do nome, estavam já cadastrados, e se não estivessem, era um tal de chamar: "Entra no Facebook você também!". Viramos todos garotos propaganda da rede social de Mr. Zuckerberg.

Quando escrevi este texto em 2011, estávamos prestes a celebrar o 1.000º inscrito .... e a 300ª foto. Como é legal relembrar os cabelos que usávamos, as calças boca-de-sino e os paletós xadrez das festas. Mas o mais legal e tocante são as memórias que aquelas fotos suscitam, as lembranças dos professores e os irmãos maristas que nos educaram e nos formaram bons cidadãos. Muitos que já se foram, e uns poucos que ainda estão conosco. Irmãos e professores que levaram a sério o lema do beato Marcelino Champagnat, o fundador da ordem marista: "Educar é formar bons cristãos e virtuosos cidadãos; para educar uma criança é preciso amá-la" Toda escola, adaptando ou eliminando a menção religiosa, deveria se pautar por essas palavras. O Santista fez isso com a gente, direitinho.
 
Sendo um colégio religioso, era rígido o suficiente para prover valores morais firmes a seus alunos, com educação séria, o que o tornava muito concorrido, e fazia as famílias da cidade fazerem grande esforço para matricularem seus filhos e mantê-los lá. Famílias que pressionaram muito para que o privilégio da boa educação fosse estendido ao sexo oposto. Em 1970, o colégio adaptou-se aos tempos modernos e admitiu a presença feminina, após 65 anos como um tradicional colégio de meninos! Eu estava lá nessa transição revolucionária. Recebemos, ao que me lembre, muito bem, as meninas no nosso convívio.

Lá passei 12 ótimos anos de minha vida, Primário, Ginásio e Científico, como assim era chamado, bem mais romântico que hoje. E foram 12 anos (o normal seriam 11), de 1964 a 1975, pois não tive idade para fazer o exame de Admissão ao Ginasial, e tive que fazer o 5º Ano, coisa que tinha naquela época. É que entrei no 1º ano do Primário com tenros 6 aninhos, veja que coisa fofa lá em cima, à esquerda (HeHeHe). Que saudade da lancheirinha! O ponto alto da hora do lanche, que hora tão feliz, era desenroscar aquela garrafa de plástico e tomar aquele suquinho de qualquer coisa com leve gosto de plástico, e desembrulhar o papel alumínio, para comer aquele misto-frio (ou sanduíche de atum) maravilhoso!! Mais tarde, quando aposentei a lancheirinha, a corrida pelo enorme pátio para ver quem chegava na frente, na fila da lanchonete.   E tinha a banda, que disputava e ganhava de outras escolas, com evoluções memoráveis. E tinha os desfiles de 6 de setembro, em que marchávamos ao som da banda marcial, com impecáveis fardas brancas e quepes. Em alguns anos eu até ia à frente, empunhando uma espada maneiríssima, como se diz hoje. E tinha a rotina de perfilar ante  bandeiras e cantar o Hino do Brasil e, sim, o Hino Do Colégio, três estrofes das quais a segunda me lembro até hoje, inteirinha. Muito legal! 


Memórias que não se apagam!!!

Ter feito o 5º ano certamente frustrou aos meus pais, pois viram seu filho perder um ano em sua evolução escolar, profissional, de forma irrecuperável. Frustrou a mim, pois perdi a convivência com amigos queridos, especialmente o Magalhães, grande sujeito, que já se foi, que era com quem mais brincava, com quem mais competia pelo 1º lugar, perdendo eu sempre. Mas agora, olhando por um amplo espectro, não fosse assim, e eu não teria conhecido o Cid e o Zé Marques, meus colegas de Científico, com quem eu jogava sueca, na garagem da casa do primeiro, e não teria conhecido a Neusa, aos 20 anos de idade, sua vizinha, que de vez em quando se juntava a nós (ela também estudou no Santista, mas só nos anos de Científico, e na turma de Medicina, eu na de Engenharia). E ela não teria sido a minha 1ª namorada, e não teríamos nos casado, e eu não estaria feliz com ela até hoje, e com nossos queridos filhos Renata e Felipe.

Enfim, assim é o destino!!!

Felizmente, quando a conheci, já não ostentava a cabeleira da foto da direita, que usei em meu último ano no Colégio Santista. Ela me diz hoje que se tivesse me conhecido daquele jeito, teria pensado mal de mim, e nem teria percebido o meu sorriso, que a conquistou (palavras dela...). A cabeleira foi trocada pela careca de calouro, aos 18 anos, quando fui um dos 6 santistas a entrar na Escola Poltécnica da USP. Essa configuração hexagonal repetiu-se outras duas vezes em minha vida: fui um dos 6 politécnicos a entrar como estagiário na Petrobras, e um dos 6 estagiários a se formarem engenheiros de petróleo designados para a área internacional da empresa.

Tudo o que consegui começou naqueles 12 anos de ensino básico e virtuoso, seguiu com estudo e dedicação, claro que associado a oportunidade e sorte. Mas aquela base está presente em cada ato meu como cidadão, que prezo muito, e que consegui, junto com Neusa, passar a meus filhos.

Infelizmente, essa ventura (!) não está mais disponível às famílias santistas. O Colégio Santista, berço de tanta gente importante e conceituada, não existe mais! A mãe dele (como a piada) subiu no telhado quando, em 1987, os maristas se mudaram, e a administração mudou de mãos. A educação começou a ter uma tendência mais socialista e esquerdizante, e os pais foram, naturalmente, tirando seus filhos da escola. Nos tempos áureos, chegou a ter 1800 alunos. Foi minguando, minguando, até que, em 2009, tinha pouco mais de 400, e foi estatizada pela prefeitura. Dizem eles que continuarão as tradições da escola, mas acho difícil, sem os valores da causa marista.

Publicando este post no Dia dos Pais, saúdo a todos os que auxiliaram na formação do cidadão que sou, mas devo declarar também que o pai que sou, foi devido à educação que tive, que o  pai que tive pôde proporcionar a mim, mantendo-me, em todo meu ensino básico, no tradicional Colégio Santista.

Obrigado, pai!!!

E estendido a todos os pais, 
especialmente àqueles que se preocupam 
"em deixar filhos melhores para o mundo".


Parabéns, também, aos eternos 
títeres que me formaram no Colégio Santista
Nilo, Farid, Silvestre, Eliza, Wilma, Dulce, Regina, Fernando, Lobo, Maria Helena, Cordella, Bóris, Buzo, Adilson, Maria Alice, Nilde, Marlene, etc, etc, etc, etc...




Homero Agradecido Ventura

sábado, 8 de agosto de 2026

OUÇA e LEIA - A Gênese da Capa de Abbey Road - Minha 1ª Participação no Submarino Angolano

Primeiro, Clique no Play Verdinho, para ouvir

      e siga a ler o que está a ouvir

_________________________________

   

Por que não vamos lá fora e atravessamos a rua?
disse um suheito a seus amigos, há  57 anos, neste 8 de agosto.

Essa pergunta, aparentemente bobinha e sem sentido, teria caído em esquecimento total e absoluto se fossem outros o lugar, os personagens envolvidos na cena, e o que aquele ato simples de atravessar a rua representaria para o mundo da música.

         O lugar:           Estúdios da EMI, em Londres
         O dia:              8 de agosto de 1969
         O sujeito:        Ringo Starr
         Seus amigos:   John Lennon, Paul McCartney e George Harrison 
         A proposta:      Atravessar em fila indiana a Abbey Road,
                                 ter o movimento registrado em fotografia,
                           e ter a fotografia estampada na capa 
do último disco dos Beatles,
                                 na minha opinião, o melhor de todos eles,
                                 não sem motivo, o mais vendido de sua carreira 

Estava a maior banda do mundo envolta em dúvidas sobre a capa e até mesmo sobre o nome do disco que estavam acabando de gravar. E era um disco especial, todos sabiam, John, nem tanto. Eles vinham de uma experiência que consideraram frustrada, o Projeto Get Back, em que haviam embarcado numa ideia de volta às origens, e até abandonado a batuta de George Martin, o grande produtor e mentor de seus discos até então. Só eles mesmos para ficarem frustrados com aquilo que viria a se tornar o último disco LANÇADO dos Beatles, que acabou levando o nome de Let It Be. Fiz questão de enfatizar o particípio qualificativo acima, para distingui-lo de GRAVADO, que é o que se aplica àquele disco sobre o qual pairava a dúvida da capa, e sobre o qual, aliás, não vou falar aqui, deixo para falar à época do aniversário de seu lançamento, em setembro. Quem faz aniversário agora é a foto da capa, e é sobre ela que versa este pequeno ensaio.
     Estava praticamente combinado que eles voltariam a aparecer na capa, como somente haviam deixado de fazer no último LP de estúdio, o famoso The Beatles, conhecido como Álbum Branco, pela total ausência de cor, inclusive no nome, que aparecia em alto relevo. Afora aquele álbum, todos os demais traziam a imagem deles na capa, fosse em foto ou desenho, e era bom para registrar as mudanças de visual do grupo: naquele verão de 1969, John, Ringo e George ostentavam grande cabeleira, e grossas barbas. Somente Paul, que nunca foi adepto do estilo cabelão, sempre optou por um visual mais comportado, estava de cara limpa, sem barba ou bigode. 
Restava saber aonde tirar a foto. Por uns bons dias, pensou-se em chamar o álbum de Everest, muito devido a uma marca de cigarros fumados incessantemente pelo engenheiro de som Geoff Emerick (que ganharia o Grammy por seu magnífico trabalho naquele disco). E chegou-se a fazer planos para ir ao próprio Everest para tirar a foto, mas a produção seria muito complicada. Dinheiro não era problema, mas acabaria atrasando o cronograma de lançamento do disco. Pensando bem, até que o local seria bastante apropriado, pois era o topo do mundo, exatamente aonde os Beatles se encontravam: no topo do mundo do entretenimento, não havia ninguém mais poderoso que eles.
Num belo dia, Ringo , em sua genial simplicidade, fez a proposta título. Discutia-se o nome e a capa do último disco, e como seria sua capa, ideias pululavam, além do Everest acima mencionado, Pirâmides do Egito, Coliseu,  mas Ringo não estava querendo arriscar-se em lugares exóticos, que o obrigariam a comer feijão enlatado de novo, como fez na Índia, e soltou um: “Oh, come on!! Let’s cross the street and call it Abbey Road!!”. Aquele disco seria o último dos Beatles e aquela capa, a mais famosa capa de disco de todos os tempos, ao custo de poucas centenas de libras. 

Proposta aceita,
foi convocado o fotógrafo Iain Mcmillan, que estava de plantão, e saíram do estúdio. A produção teve alguma dificuldade para parar o trânsito, o fotógrafo subiu em uma pequena escada e tirou meia dúzia de fotos. Paul escolheu a que mais lhe agradou. Estava decidida e realizada mais uma capa Beatle. E o disco foi também nomeado Abbey Road, em homenagem à casa que os abrigara nos últimos sete anos, palco de muitas revoluções musicais. E o Estúdio também mudos seu nome para Abbey Road Studios.
A capa de Abbey Road ficou mundialmente famosa. O inocente fusca bege à toa, ganhou notoriedade imediata e começou a passar de mão em mão de colecionadores. Chegou a valer dezenas de milhares de libras, e hoje está no museu da Volkswagen, na Alemanha.
Desde o fim dos Beatles, todo santo dia, ao menos uma pessoa, às vezes dezenas, preferencialmente em grupos de quatro, repete a coreografia da capa, com pé trocado do 3º, que normalmente está descalço, e tudo o que tem direito. Entre elas, o mané aqui! Estive lá pela primeira vez em 1992. Só que como eu estava sozinho, tive que esperar por outros três manés para acompanhar-me na jornada e um 5º mané para tirar a foto. E retornei algumas vezes: por menos tempo que eu tivesse, fosse apenas uma escala do voo de ida ou de volta, eu pegava a Jubilee Line do metrô, descia na estação St. James Wood e repetia a coreografia.

E deixava, sempre, minha mensagem no muro dos estúdios da EMI. Claro que nunca encontrava a mensagem anterior: aquele local virou ponto de registro do amor pelos Beatles. Cada centímetro quadrado de sua tinta branca é preenchido com declarações, poemas, citações de letras, Beatles 4ever, fulano esteve aqui, sicrano ama beltrana, e coisas do gênero.  A velocidade de preenchimento é enorme: a cada três meses, o muro tem que ser pintado, para começar uma nova série de pichamentos, totalmente legais e autorizados!

         Quem tiver dúvidas sobre o fenômeno, pode ir ao site da EMI, e procurar a imagem: há uma câmara permanentemente ligada, registrando a movimentação aquela faixa de pedestres. Pode estar vazia agora, mas não demora muito e aparece alguém atravessando e fazendo pose.


         E se for a Londres, não deixe de pagar o seu micofazer a peregrinação ao santuário!!!

Um abraço do Homerix


Projeto By Homerix -Tronco Norueguês (Ela se foi) - OUÇA e LEIA

Este Projeto By Homerix não tem qualquer fim lucrativo.  Tem caráter meramente lúdico. Serve apenas ao intuito de mostrar que sempre é possí...