quinta-feira, 17 de setembro de 2026

OUÇA e LEIA - O Historiador do Submarino - "Como eu conheci os Beatles"


 Começou em 15 de setembro de 2026 uma coluna mensal de 

O Historiador Naval do Submarino Angolano.

Nesta 1ª coluna, como chegaram os primeiros sons dos Beatles em Portugal!

Como descobri os Beatles

Clique no Play Verdinho para ouvir



E leia o texto aqui !!!!


Entra Easy star all stars lonely hearts club band

Olá, companheiros da LAC (Luanda Antena Comercial). Eu sou o Joaquim Correia (currículo ao final), e falo-vos desde Lisboa. Hoje, na minha primeira crónica, quero contar como descobri os Beatles.

Os meus amigos do Submarino Angolano desafiaram-me e eu, com ousadia, aceitei o repto: relembrar uma banda que me acompanha há mais de 60 anos, como se de irmãos mais velhos se tratassem, todos eles já na casa dos 80. E  a ousadia está aí, vai ser como falar da família e até da minha vida pessoal, talvez mesmo entrar em… bem, pequenas  intimidades! Companheiros desde a adolescência, conhecem muito da minha vida: comigo estiveram nos três continentes onde habitei, sabem dos meus amores, tristezas e dores, dos meus gostos musicais, numa palavra, sabem tudo!

Entra In My Life- There are places I remember, in my life…

Mas não se assustem, fora uma ou outra menção mais privada e até estranha, irei principalmente recordar os meus tempos de Angola, em que estive integrado no meio musical do pop-rock luandense onde, claro, os Beatles pairavam e inspiravam os conjuntos da chamada “cidade de cimento”.

Nos bairros limítrofes a dança era outra, menos ritmos modernos e mais balanços africanos, como merengues, sembas e rebitas.

Entra Prado Paim - Bartolomeu

Será esse o objetivo principal destas crónicas: retratar o som que fervilhava pela então Província de Angola, lembrar nomes de bandas (na altura denominados conjuntos), festivais e locais de convívio, para que todo esse património musical do passado seja trazido à tona para as novas gerações.

Entra Mini Saia - Mestre Geraldo

Quase sempre com os Beatles como base orientadora, fio de prumo, não é por acaso que o Submarino Angolano existe para homenagear essa banda que, afinal, influenciou toda a música pop- rock dos anos 60 e 70.

Farei o possível! Tentarei vasculhar, partir pedra, mergulhar para descobrir onde alguma dessa informação está preservada.

Mas, desculpem, tenho de começar pelo princípio. Como é que os Beatles entraram na minha vida? Reparem, para mim, aqueles 4 músicos existem como um todo único, com sons intemporais, como se todos continuassem vivos. Ouço agora os seus sons com o mesmo prazer de há mais de 60 anos.

Descobri os Beatles por via indireta: o som de uma voz que se espalhava da janela dum prédio na Av. Brasil em Lisboa, que cantava  “I’ll get you”, prendeu-me para sempre. 

Entra I´II get you  - 

O tema faz parte do EP "She Loves You”, gravado e editado em julho de 1963, mas que, embora tenha sido prensado e distribuído em Portugal no dia 22 de Novembro de 1963, exactamente no mesmo dia do assassínio de Kennedy, apenas em meados de 1964 iria teralgum impacto. Na época, o mercado nacional de vinil era muito pequeno e o EP acabou por vender, segundo a Valentim de Carvalho, um total de apenas 7.500 exemplares.

Está emoldurado em minha casa, é aquele da capa vermelha com as “chipalas” dos ainda pouco 4 cabeludos, com estranhas chavetas (vão ver), sem qualquer indicação de quem foi o ilustrador. Este vinil  foi o primeiro dos quatro de Liverpool a ser editado em Portugal.

Segue I´II get you  - 

Entra Rádio Luxemburg

Eu devo ter ouvido o anónimo intérprete em princípios de 1964, e devo ter descoberto a banda através da Rádio Luxemburgo:

Entra Elvis - Hound Dog

na verdade, devido à forte censura do Estado Novo em Portugal e à limitação de géneros musicais na Emissora Nacional, muitos jovens e entusiastas de música recorriam a rádios estrangeiras de alta potência, à noite, para ouvir êxitos do momento, tendo servido de grande rampa de lançamento para bandas como os Beatles ou Elvis Presley.

Segue Elvis - Hound Dog

Comprei-o pouco depois, pelo preço de 60$00 (cerca de 35000 Kwanzas angolanos), talvez na loja de discos Sinfonia ou na Roma, ambas na Av. Roma em Lisboa.  É uma capa única e é considerada uma das mais bonitas em qualquer disco dos Beatles, incluindo os temas "Do You Want To Know A Secret" , "I'll Get You", "She Loves You" e "Twist And Shout". 

Entra Do You Want To Know A Secret - The Beatles

Só em meados dos anos 60 a música dos Beatles começou a chegar a Portugal através da Rádio Renascença, Emissores Associados de Lisboa, impulsionada por programas dedicados à juventude, apesar da forte censura do Estado Novo. 

Acresce que a Beatlemania só atingiu o seu auge em Portugal entre 1965 e 1966, impulsionada pelo lendário concurso "Ié-Ié" no Cine-Teatro Monumental, onde Os Rocks de Eduardo Nascimento representaram Angola. 

Entra I Put A Spell On You - Os Rocks de Eduardo Nascimento

Apesar da loucura e da forte base de fãs, a banda nunca actuou em Portugal devido à conjuntura política e à falta de capacidade económica da época.

George fala sobre Ed Sullivan Show

Abertura do apresentador em 9 de fevereiro de 1964

She Loves You 

Apresentador Sueco

Twist and Shout - The Beatles na Suécia 1964 

Como curiosidade, o primeiro jornalista português a entrevistar os Beatles foi Cézar Faustino, em Estocolmo, no verão de 1964. O jornalista do Diário de Lisboa escreveu que (e vou citar) “eles aceitarão vir tocar a Portugal, por 160 contos (cerca 90 milhões KZ), disse-me Mr. Derek Taylor, chefe da comitiva e braço direito de Brian Epstein o génio que descobriu os Besouros (tradução de Beatles) no Caverna Club da brumosa Liverpool”.

Pronto, já chega de recordações metropolitanas, eu prefiro dizer coloniais, prometo que na próxima crónica entraremos nas memórias angolanas.

 

Um abraço, para os Marujos do Submarino Angolano, da rádio LAC

Conto convosco na próxima crónica.

Entra I'll Get You - The Beatles


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Currículo do Historiador!!


O perfil do nosso Historiador Naval Joaquim Augusto Pinheiro Correia, conta-nos que é nascido em Coimbra a 7 de Abril de 1951, este homem é um verdadeiro andarilho da cultura! Estudou em Portugal e em Angola, rumando depois para Macau, onde residiu onze anos inteirinhos e abriu caminho para desbravar o Oriente. 

Investigador incansável e apaixonado pela música, o Historiador Naval Joaquim defende sem rodeios que "o futuro é mestiço nas cores, nos sons, nas palavras e no pensamento". E a sua obra reflecte exactamente essa mistura! Escreveu sobre o jazz e os ritmos de Luanda em «Angola Blues» e a história do baterista Beto Kalulu, investigou até as "fumarentas" motorizadas em «Motos de Papel», e levou a sua pesquisa sonora até Goa, à Indonésia e ao Tibete!

Mais recentemente, cruzou a Rota da Seda em Banda Desenhada e continua a assinar crónicas regulares no jornal Cultura: Jornal de Letras e Artes em Angola, entre vários periódicos.

Em suma: um homem de acção e das letras que faz da cultura uma ponte entre povos.

sábado, 12 de setembro de 2026

OUÇA e LEIA - Drive My Car... fundo sexual?


 Esta é mais uma edição do Papo do Contramestre, 

a conversar sobre The Beatles, suas canções, suas vidas 

quadro do programa Submarino Angolano, 

da Rádio LAC, Luanda Antena Comercial, 95,5 FM

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PRA OUVIR O QUE VEM A SEGUIR!

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Olá, amigos do Submarino Angolano!!!

Aqui é Homero Ventura, directo do Brasil

Seguimos a acompanhar o que aconteceu há 60 anos na vida dos Beatles…

>> Entra instrumental de Norwegian Wood

Olá, amigos do Submarino Angolano!!!

Aqui é Homero Ventura, directo do Brasil

Seguimos a acompanhar o que aconteceu há 60 anos na vida dos Beatles…

Coloque-se em Abbey Road, na noite de 13 de outubro de 1965.

É o 2º dia de gravações para o que viria a ser o 6º álbum da banda, Rubber Soul, além de um single Duplo Lado A, sensacional.

No dia anterior, duas canções haviam vindo ao mundo, Run For Your Life e Norwegian Wood!

Hoje era dia de mais uma Lennon/McCartney

 

1. Drive My Car   (70%  Paul McCartney)

Paul propõe: 'Baby, você pode dirigir meu carro, sim, eu vou ser uma estrela, você pode dirigir meu carro e talvez eu te ame!'

Paul estava com uma melodia promissora e uma péssima letra na cabeça e foi à casa de John para consertarem, juntos. Era ruim mesmo … tipo assim:

"You can buy me golden rings /

get me all the kind of things /

oo, if (you) can buy me rings /

then baby I'll love you."

Nossa, que coisa horrenda!!!

Ninguém queria mais rimar “ring” com “thing” que é muuuito pobre, e além disso eles já havia comprado Diamond Rings my friend if that makes you fell alright, um ano antes!! Ficaram verdadeiramente embatucados, já estavam a caminho de terminar uma sessão vazia, como  nunca antes, quando decidiram tomar um chá, fumar um cigarrinho, que era regra,  e Paul veio só no final, com um 'Drive My Car' salvador, associado com um matador 'Beep Beep Yeah' e aí John e ele mataram o resto, desenvolvendo uma letra pra relacionar garoto, garota e carro, e com o requinte, usual, de fazerem três versos com letras diferentes, entremeando refrões com  ("Baby, you can drive my car...").

Ali no final, no 3ºverso, parece que, na verdade, quem fala é a garota, dizendo que ele podia dirigir o carro dela mas

‘I got no car and it's breaking my heart, but I've found a driver and that's a start’,

 o motorista sendo ele.

O You can drive my carteria também uma conotação sexual implícita, mas são apenas rumores!

Bem, naquela noite, sim, eles chegaram para trabalhar apenas às 7 da noite, "Drive My Car" foi gravada em quatro tentativas, sendo a última a única tomada completa. 

A faixa rítmica contou, Paul McCartney no baixo, George Harrison na Fender Stratocaster e Ringo Starr na bateria. 

Registre-se que foi a primeira vez na história beatle que a carruagem virou abóbora! Sim, a sessão passou da meia-noite, pouco, mas passou, apenas 15 minutos! E foi a primeira de muuuiitas! Teve até as que ouviram o galo cantar!!!

Musicalmente, a canção começa com um riff  de guitarra, que é feito por Paul e ele vem em overdub, já que na base, ele leva seu competente baixo, 

Entra introdução com e baixo, ambos de Paul

O baixo de Paul é fundamental...

Segue o baixo de Paul

Nos versos, o que se ouve é a guitarra de George tocando as mesmas notas do baixo de Paul, uma oitava acima, uma sugestão de George aceita pelo poderoso autor.

Entra guitarra de George nos tons mais baixos

Percebe-se bem aqui no Take 4 em sua base instrumental, junto com a guitarra de George, e a bateria de Ringo. 

Entra a guitarra de George e a bateria de Ringo

Depois vieram os overdubs!!!

George tentou fazer o solo de guitarra, mas não houve jeito de Paul aprovar, ele tentou muitas vezes, até que finalmente, Paul decidiu ele mesmo fazê-lo!!!! George teve que ter muita paciência... e nada podia fazer, a canção era de Paul, ele era o grande gerente da coisa toda!!

Entra o solo de guitarra slide de Paul.

Portanto é Paul quem faz o solo em ótima guitarra slide, após o segundo refrão, numa sessão verso sem letra. E ficou realmente ótimo!

Ouça aqui Ringo no adorável cowbell

Entra aqui Rino cowbell de Ringo

Adoro Cowbell, vocês sabem, mas desta vez não contei quantas vezes, mas conto que o adorável instrumento começa logo após o riff inicial e vai até o final, só interrompendo estrategicamente nas últimas frases de cada verso, para dar o devido destaque à letra que conclui os versos, e à participação de George harmonizando. 

Beep Beep Yeah

Beep Beep Yeah

Ô banda boa!!!

A canção não tem a guitarra base de John...

John também adicionou pandeiro!!!

Breve pandeiro de John

E é John quem apõe o  ótimo piano dos refrões. 

Entra o piano de John nos refrões  junto com cowbell de Ringo

 John é importantíssimo no vocal, fazendo a harmonia baixa com Paul, e interessante é que, nas 3 primeiras frases dos versos, ele varia as notas, com Paul no lead repetindo uma nota só,

Entra apenas vocal de John e Paul nas 3 primeiras frases

I told that girl that my prospects were good
And she said: Baby, it's understood
Working for peanuts is all very fine

Seguem assim na última frase só que agora com o auxílio de uma terceira voz, de George, numa 6ª constante!!!

Entra vocal isolado de George harmonizando na última frase

But I can show you a better time

Baby, you can drive my car

Yes, I'm gonna be a star

Baby, you can drive my car

And maybe I love you

e nos refrões, é Paul quem varia as notas na melodia, lá no alto, enquanto John mantém quase sempre uma nota só, no andar de baixo!

Entra vocal de Paul e John

Baby, you can drive my car
Yes, I'm gonna be a star
Baby, you can drive my car
And maybe I love you

E, na hora do 'Beep Beep mm Beep Yeah', 

Entra apenas vocal de Paul e John e George

 Beep beep'm, beep beep’m, yeah

George se une aos dois em harmonia tripla! Paul ficou muito feliz com a presença de George pois o som da harmonia tripla fazia realmente parecer com uma buzina!

Note que até o cowbel até para, para dar o devido destaque à presença de George na harmonia!

Ô banda boa!! 

Apesar do apelo do 'Beep Beep mm Beep Yeah', que poderia levantar multidões, como sempre levantavam os ‘Yeah Yeah Yeah’s, de She Loves You, Drive My Car nunca foi tocada ao vivo pelos Beatles.

Felizmente, Paul a tocou muito na carreira solo, mais de 300 vezes, e foi presença notável no famoso CD Paul Is Live, de 1993. O mais marcante feito de Drive My Car, na minha opinião, entretanto, é que ela foi escolhida pra ser uma de 4 canções que Paul tocou nos minutos mais bem pagos do mercado mundial, o intervalo do Super Bowl . o futebol americano. 

Foi em 2005. 

E ela abria a seção!!! As outras foram Get Back, Live And Let Die e, claro, Hey Jude.

Entra Drive My Car com Paul McCartney no Super Bowl em 2005

Bem, venham agora convencer Paul McCartney a ser motorista de uma garota!!

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Projeto By Homerix - Dirige Meu Carrão - OUÇA e LEIA

Este Projeto By Homerix não tem qualquer fim lucrativo. 

Tem caráter meramente lúdico.
Serve apenas ao intuito de mostrar que sempre é possível fazer versões fiéis das canções dos Beatles, com  métrica e rima adequadas ao efeito.
Os áudios aqui veiculados foram gravados e editados em ambiente amador por sobre instrumental extraído das canções originais.
Eles são destinados ao público leitor do Blog do Homerix, e NÃO DEVEM ser veiculados em qualquer ambiente público no Brasil.


Aqui minha versão de 

Drive My Car
(by Lennon & McCartney)

Lançada em Dezembro de 1965 em Londres
E em Março de 1966 no Brasil

  • Na letra, consegui perto de 95% de correspondência com a letra original, com as adaptações necessárias da métrica. 
  • Deixei pra lá os rumores de que havi cunho sexual no "dirige meu carro"!!!!
  • Adorei minhas soluções da "azaração", "gostei do tom" e "tá na mão"! 
  • Na música, não tive dificuldade de acompanhar o tom de Paul, e o baixo de John ficou mais ou menos!
  • Não há versões conhecidas de Drive My Car em português.

Clique no Play Verdinho para ouvir


 
E siga a versão logo abaixo

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"Drive My Car"… “Dirige Meu Carrão”

Asked a girl what she wanted to bePerguntei o que queria ser
She said baby, "Can't you see?"… Ela disse, “Não pode ver?
I wanna be famous, a star of the screen… Vou ser famosa, atriz no telão
But you can do something in between"… Mas por agora, azaração!

Baby you can drive my carBem, dirige o meu carrão
Yes I'm gonna be a star… Sim eu vou ser sensação
Baby you can drive my car… Vem aqui no meu carrão
And maybe I'll love you
Talvez eu te ame

I told the girl that my prospects were good… Disse que tenho prospectos bons
She said baby, "It's understood… Ela disse, “Gostei do tom!”
Working for peanuts is all very fine
Trampar por nada não é tão ruim
But I can show you a better time"… Mas posso te dar  bom tempo, sim!

Baby you can drive my car… Bem, dirige o meu carrão
Yes I'm gonna be a star… Sim eu vou ser sensação
Baby you can drive my car… Vem aqui no meu carrão
And maybe I'll love you… Talvez eu te ame

Beep beep mm, beep beep yeah… Perguntei o que queria ser

Baby you can drive my car
Bem, dirige o meu carrão
Yes I'm gonna be a star… Sim eu vou ser sensação
Baby you can drive my car… Vem aqui no meu carrão
And maybe I'll love you
Talvez eu te ame

I told that girl I can start right away… Eu disse a ela, vai ser é pra já
And she said, "Listen baby I've got something to say… E ela me disse: tenho algo a falar
I got no car and it's breaking my heart… Não tenho carro, dói o coração
But I've found a driver and that's a start"
Mas achei um piloto e tá na mão.

Baby you can drive my car… Bem, dirige o meu carrão
Yes I'm gonna be a star… Sim eu vou ser sensação
Baby you can drive my car… Vem aqui no meu carrão
And maybe I'll love you
Talvez eu te ame

Beep beep mm beep beep yeah… Beep beep Fom Fom yeah
Beep beep mm beep beep yeah Beep beep Fom Fom yeah
Beep beep mm beep beep yeah… Beep beep Fom Fom yeah

Beep beep mm beep beep yeah (fade out) … Beep beep mm beep beep yeah


terça-feira, 8 de setembro de 2026

Star Trek - Jornada nas Estrelas

CLIQUE NO PLAY VERDINHO

para ouvir o que vem a segui!!



Homerix em Áudio
A celebração dos 60 anos de Star Trek

Em 30 de julho de 2022, morreu a Tenente Uhura!
Nichelle Nichols, aos 89 anos!
E eu disse:
Rest in Peace ... in your last Star Trek!
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A tripulação de Jornada nas Estrelas perdeu uma pioneira! 
Foi fazer companhia ao Doutor Spock! 
Scotty deve ter comandado o teleporte final!
E McCoy deve ter prestado os primeiros cuidados em sua chegada!

Ela estava entre os que foram, audaciosamente, aonde nenhum homem jamais esteve, em busca de novos mundos, novas vidas, novas civilizações, numa missão prevista para durar cinco anos, e que chega agora aos 60.
Restam firmes por aqui Sulu, Chekov e o próprio Capitão Kirk, que inclusive teve seu alterego William Shatner viajando ao espaço efetivamente!
Voltando ao início...
O 1º Episódio de Star Trek foi ao ar em 8 de setembro de 1966, na NBC americana! No Brasil, chegou em 14 de janeiro de 1968, já rebatizada de Jornada nas Estrelas, e eu, aos 10 aninhos, estava lá, se não na estreia, mas certamente a mosca me pegou ainda na primeira temporada!
Na data de hoje, há 60 anos, portanto, o mundo conheceu a Nave Estelar Enterprise, aconstumou-se a ver artefatos inexistentes à época, mas que foram se materializando ao longo das décadas, e começou a admirar a impagável relação entre o seu Comandante, o intrépido e intuitivo humano James Tiberius Kirk, e seu Oficial de Ciências, o racional e lógico vulcano Sr. Spock, com suas orelhas pontudas. Este último, nada surpreendente que fosse racional e lógico, afinal as duas virtudes estão no sangue de quem nasce em Volcano, e na educação que recebem, na doutrina que é seguida por todos. O que deixava a personalidade de nosso Spock mais fascinante é que ele tinha um pezinho na Terra: seu pai Sarek encantou-se com a malemolência de uma professora terráquea, e deu uma daquelas escorregadas a la Lugo, o bispo matador, que pecou, pois o voto de castidade que tinha era paraguaio (quem lembra?). Brincadeira, a coisa era séria, e eles eram casados de papel-passado, lá no planeta Vulcano, que só tinha gente séria!
Então, o interracial estelar Spock vivia em batalhas internas para tentar entender como pensava seu capitão, que fazia às vezes tomava atitudes contrárias à boa norma lógica e era bem sucedido. Spock pensava nas probabilidades, Kirk contava com a sorte. Os papos entre os dois personagens eram sempre pontilhados de ironias em que as diferenças entre humanos e vulcanos apareciam. E aos poucos, Spock foi aceitando Kirk como um amigo, coisa impensável se ele fosse um puro-sangue: em seu planeta natal, a amizade era, ou acho que era um sentimento irracional. Ou talvez, fosse amigo dele por ser ético assim ser!
A interracialidade era uma constante na tripulação da Entreprise. Seus principais tripulantes, além do americano Kirk, e do extraterreno Spock, eram o médico americano McCoy, o inglês Scott, o russo Chekov, o japonês Sulu e a africana Uhura. Duas coisas impensáveis à época: em plena guerra-fria, um russo numa posição de comando à frente de americanos, e, num país que dois anos depois mataria o líder negro Martin Luther King, uma mulher negra co-habitava com não-negros em posição de comando. O próprio Dr. King elogiou a série por isto, inclusive pediu ditretamente à atriz, que desejava sair após a 1ª temporada para trabalhar na Broadway, que continuasse no papel pela importância que isso causava no ânimo das mulheres negras. E com ela ocorreu a primeira cena de beijo interracial na TV americana, com o Capitão Kirk, que era o galinha da série. Aliás, vou deixar aqui o relato de Nichele Nichols, a nossa Tenente Uhura, de como foi o encontro dela com Dr. King... é de arrepiar!! Ela estava num banquete quando foi informada de que 'um fã' queria conhecê-la. Até chorei ao ler o relato dela... vejam...
"Achei que era um Trekkie, um fã de Star Trek, então eu disse: 'Claro.' Olhei para o outro lado da sala e quem quer que fosse o fã teve que esperar, porque era o Dr. Martin Luther King caminhando em minha direção com um grande sorriso no rosto. Ele estendeu a mão para mim e disse: 'Sim, Srta. Nichols, eu sou seu maior fã.' Ele disse que Star Trek era o único programa que ele e sua esposa Coretta permitiam que seus três filhos pequenos ficassem acordados para assistir. [Ela contou a King sobre seus planos de deixar a série porque queria aceitar um papel ligado à Broadway.] Eu nunca cheguei a dizer a ele o porquê, porque ele disse: 'você não pode, você não pode... pela primeira vez na televisão, nós seremos vistos como devemos ser vistos todos os dias, como pessoas inteligentes, de qualidade, bonitas, pessoas que podem cantar, dançar e que podem ir para o espaço, que são professoras, advogadas.' O Dr. King Jr. foi além, afirmando: 'Se você sair, essa porta pode ser fechada, porque o seu papel não é um papel de negra, e não é um papel feminino; ele pode preenchê-lo com qualquer pessoa, até mesmo um alienígena.'"
Legal pensar num mundo em que não existe o dinheiro, as necessidades de todos são atendidas, as doenças do planeta já estão todas mapeadas e curáveis. Um mundo sem países ou religiões, onde todos pertencem apenas à raça humana. ALGUÉM SE LEMBRA DE UMA CERTA CANÇÃO DE UM CERTO JOHN LENNON? Imagine!  Americano, Russo, Japonês são apenas referências geográficas, a coisa subiu um nível, e o importante é saber se o indivíduo é Humano, Vulcano, Romulano ou Klingon. Ao escrever-se um endereço numa correspondência, tem que se acrescentar não o país em que se vive mas .... ‘Terra’. Escrevi e até fiz um áudio sobre isso, aqui, neste LINK.
A série durou apenas 3 temporadas, teve um relativo sucesso, mas não o suficiente para uma 4ª incursão. A admiração somente apareceu mesmo, e em níveis de histeria coletiva, quando ela começou a ser reprisada, nos anos iniciais da década de 1970. Termos como phaser, teleporte, dobra espacial, começaram a ser entendidos por mais gente. A coisa virou febre, fã-clubes pipocavam nos Estados Unidos e ao redor do mundo. Kirk, Spock e sua turma viraram ícones.
Os principais responsáveis pela febre tiveram reações díspares ao fenômeno. William Shatner chegou a rejeitar a fama de Kirk, temeroso por ficar eternamente atrelado à imagem do personagem, criticava a onda, e dedicava aos que se aproximavam dele por causa de Kirk um mal-educado: "Get a life!". Entretanto, logo percebeu que a coisa era inevitável e que poderia seguramente se dar muito bem com o fenômeno, e acabou se rendendo às evidências, aparecia nos festivais de Star Trek, e era ovacionado, enfim, acabou gostando da coisa.
Já Leonard Nimoy foi mais resistente. Ator respeitável com uma carreira sólida no teatro, não admitia de jeito nenhum que ficasse eternizado apenas como o-ator-que-um-dia-interpretou-Spock. Ele chegou a escrever um livro intitulado 
"I Am Not Spock"
que provocou uma revolução na comunidade, crises de choro convulsivo, cartas de decepção chegavam aos borbotões em sua caixa de correio. Ele acabou voltando ao grupo para as filmagens do cinema, dirigiu dois dos seis filmes iniciais, que tiveram grande sucesso, e acabou por resolver o conflito interior, quando lançou um segundo livro sobre o tema, quase 20 anos depois do primeiro, desta vez intitulado: 
"I AM SPOCK"
Aquela não foi a única falha de avaliação de Nimoy com relação à franquia: foi-lhe oferecido participar da produção de uma segunda série de Star Trek, "The Next Generation", por volta de 1985, e ele recusou, achando ser impossível que a coisa desse certo uma segunda vez. 
SÓ QUE DEU!!! 
E deu certo mais um montão de vezes, afinal vieram "Deep Space 9" e "Voyager" e "Enterprise" e "Discovery" e "Picard" e "Lower Decks" e "Prodigy" e, agora, "Strange New Worlds" uma pre-quel da série original. 
Veja-se na figura o montão de filhos de Gene Rodenberry, agora já chegando ao 4º Milênio!


Como se vê, a tripulação original fez 6 filmes na telona, a da "Nova Geração" outros 4, e mais recentemente teve um ótimo ensaio sobre como tudo começou, com 3 filmes com a mesma tripulação original.
"A Nova Geração" ficou bem oito anos em cartaz na telinha, numa Enterprise modernizada para o Século XXIV, e muito por causa do charme do ator shakespeareano Patrick Stewart interpretando seu francês capitão Jean Luc Picard, e da simpatia de Data, o andróide que queria ser humano! E ainda ganhou o direito de perpetuar a série na telona em mais 4 filmes. Data pode ter sido uma das razões para o fim dos filmes, afinal estava difícil manter o ator que fazia o papel de andróide com a cara imutável, já estava ficando constrangedor. Além disso, contribuiu o pouco sucesso do 10º filme. SÓ QUE NÃO! O ator voltou, há uns 4 anos com o mesmo personagem na séria "Picard"
Os últimos 3 filmes da telona foram uma retomada ou "reboot" que ofereceu uma boa linha de continuação da magia, justamente tentando recuperar a mágica interação entre os dois títeres, Kirk e Spock, contando como tudo começou. O resultado foi ótimo, bem recebidos pelos fãs, mesmo tendo destruído Volcano, provocando uma outra linha do tempo. A continuidade ainda está em jogo, principalmente depois da perda do astro que fez o novo Chekov, num incrível acidente doméstico.
E o nome do filme lançador da retomada na telona foi bastante interessante, super-apropriado para quem queria um recomeço....
... simplesmente ...
“Jornada nas Estrelas”.
Pudemos embarcar novamente!
Beam me up, Scotty!


OUÇA e LEIA - O Historiador do Submarino - "Como eu conheci os Beatles"

 Começou em 15 de setembro de 2026 uma coluna mensal de  O Historiador Naval do Submarino Angolano. Nesta 1ª coluna, como chegaram os primei...