segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

A Rua de Baixo - Uma crônica de Virgínia Abreu de Paula - Capítulo 1


Minha memorialista preferida nos encanta sempre com histórias de sua cidade... Montes Claros-MG

Neste LINK, A Introdução!

Agora, o Capitulo 1... o relato segue encantador

RUA DE BAIXO


Capítulo 1

    Ano de 1958. Estou sentada na poltrona da sala de jantar lendo meu livro de catecismo, quando chega minha mãe pedindo para eu “dar uma chegada lá em casa”... Querendo dizer, na casa dos meus avós.  Mesmo tendo se casado e mudado, a casa da Padre Teixeira continuava sendo a sua casa principal.

    Naquele dia, teríamos um almoço especial – um jantarado - com convidados. A sobremesa seria o doce de leite  pomadinha feito por vovó Lica, ainda sendo preparado. Com as empregadas atarefadas na cozinha e meus irmãos também ocupados, tinha sobrado para mim a tarefa de buscar o doce.  Ai que preguiça.  Era longe... Volto os olhos para o livro levando um susto. O texto fala exatamente sobre pecados veniais citando a preguiça como um deles. “Melhor espantar a preguiça agora mesmo.” 

    Levanto já disposta. Que longe que nada. Capanguinha à tiracolo, sigo até o final da nossa avenida; subo um quarteirão da Governador Valadares; dobro na Dr. Veloso; desço dois quarteirões e chego à Praça Dr. Chaves. Puxa, é longe, sim... A praça é enorme e só no seu final pego a Justino Câmara onde a cidade se transforma. Casas coladas umas às outras. 

    Até pouco tempo, as ruas eram calçadas com pedras enormes e redondas. No meio, nem pedras havia. Nas chuvas, que lamaçal. Foram calçadas com blokrets no ano anterior para a festa do centenário. A Padre Teixeira  recebeu asfalto! 

    Sigo meu caminho. O sol brilha no céu muito azul.  Por razões desconhecidas, sinto-me leve, apesar do calor. 

    Pronto. Cheguei. Antes de bater, a “porta da rua” é aberta por Lia de saída para algum lugar. - “Ei Ginoca, o que você está fazendo aqui? Não tem festa na sua casa?” - “Vim buscar o doce de leite!”

    Lia.  Minha prima filha do tio Waldemar. Desde criancinha mora com os avós. Linda como uma estrela de Hollywood. Visual típico da época: óculos escuros, saia justa preta, blusa vermelha e lencinho de “pois” em volta do pescoço. Antes de ganhar a rua, avisa: “Vovó, veja quem está aqui!” Vovó surge no final do corredor, Fatinha ao colo. Fatinha é sua neta, filha da tia Aracy, falecida pouco depois do seu nascimento. Peço a benção adulando a menininha. Pergunta vovó: -“Uai, você? E Joana?”  –“Está muito ocupada hoje,” explico.  

    O doce não estava pronto. Na cozinha, Dinha Preta, à beira do fogão à lenha, mexe o tacho. “Ei Fiinha. Está quase dando ponto...” Ouço o badalar do relógio. Uma hora da tarde. Vem do rádio, ligado na Nacional, a música tema do programa “A Crônica da Cidade”. De repente, aquela badalada, a música, a luminosidade da tarde e o delicioso perfume do jasmim Bogari junto à porta que dá para o quintalzinho, deixam-me comovida.  Digo “quintalzinho”  porque há dois quintais na casa.  Um grandão e outro menor que vai até ao muro junto à rua. Penso em fotografar esse momento ou mesmo filmá-lo para dele nunca me esquecer. 

     Tomo assento no banco de madeira junto à parede e fico apreciando, achando ser aquela a mais bela cozinha do mundo.  Grande,  como geralmente são as cozinhas das casas antigas. Meus olhos observam tudo. O armário rústico, o fogão aceso, lenha crepitando.  Dinha Preta, com seu pano branco na cabeça segue mexendo o tacho de cobre. Ao lado do fogão está a pia.  Muita luz entrando pelas portas e janelas. O cajueiro carregado de cajus amarelos. Ao fundo, o azul impressionante do céu. “Ah, se eu fosse pintora...” penso. Mas um quadro não mostraria o perfume nem o som da voz de César Ladeira dizendo a crônica. 

    Levanto. Vou até a portinhola olhar todo o quintal. Lá no fundo, junto ao muro, há um jasmineiro que, quando florido, perfuma toda a rua. Dá muitas lagartas, deixando Dinha Preta apavorada. - “Elas vem pra cima de mim fazendo a cão, a cão, a cão...” Imita o caminhar das lagartas com as mãos. Acho a maior graça.

    Desço para o quintal. Há duas pinhas já grandes na pinheira. Dou uma paradinha junto à árvore “Cama de Noiva”, cujos frutos se parecem com boizinhos. Se colocarmos pernas de palitos de  fósforos neles fazemos uma boiada. Muitas vezes brinco de fazendeira sentada à sua sombra. Não hoje. Sem tempo para isso. 

    Dirijo-me ao outro quintal.  Mangueiras, goiabeiras, mamoeiro, uma latada de chuchu... Que riqueza. Tem ainda a “casinha”. Antes de ser construído o banheiro interno usavam o do quintal, com fossa,  como em todas as casas.  Usado depois para banhos com água quente pelos raios solares. Arranjo de vovô.  

   O nome “casinha” não bate bem, pois é uma casa até grande.  À direita fica o banheiro e à esquerda um forno de barro.  A cisterna ao centro.  O cavalo de vovô está tranquilamente ruminando sob a sombra da mangueira. Ele é seu meio de transporte preferido para as idas diárias até sua fazendinha Renascença. Um cavalo lindo, pelo lustroso, considerado amigo do peito. Mas como entrou?  Só pode ter passado por dentro da casa para chegar até aqui. Puxa que legal!  Eu gostaria de ter visto. 

     E quem vem lá toda saracoteando? Soraya! Uma cachorra pastora alemã pertencente a meu tio Olimpio, o diabinho, ou dabinha, caçula da família. Ela me ama! Quando tomo assento,  coloca a cabeça nas minhas pernas para receber carinho. Hora de brincar um pouco correndo com ela pelo quintal.  - “Você com esse seu querer bem”... diz vovó da janela. Pergunto por vovô. - “Na tenda”, diz ela.  Preciso ir lá pedir a benção. 

    Entro na sala de jantar,  grande e clara, com duas janelas para o quintal. Muitas portas. Além dessa por onde acabo de passar, tem a da cozinha, a do banheiro, a do quarto dos donos da casa, a do  corredor, a do “quarto da rede”, e a do cômodo que dá acesso à casa vizinha.  No “quarto da rede”, além da própria, ficam as  arcas, sendo uma delas feita por meu bisavô Cassimiro, cheia de tachinhas. É nessas arcas que guardam as roupas de cama e toalhas.

    O que mais tem ali? Uma estante com os livros de vovó, geralmente romances e os livros de vovô, a maioria de cunho espiritual. O quarto da rede é também uma biblioteca!

    Enfim, todos os caminhos levam até a sala de jantar. Poucos móveis e muito espaço. Mesa grande. Na parede, o belíssimo relógio que badala de meia em meia hora. O lavatório fica ao lado da porta do banheiro.  Acima,  o filtro de água, marca Fiel. Estou com sede, mas não alcanço a torneira.  O jeito é  pegar água na talha.  Passo pela  cristaleira cheia de compoteiras, copos ornamentados com flores, um porta copo de folha de flandres, e até mesmo louças inglesas, estilo chinês, de Xangai. Sobre a cristaleira está o rádio de onde vem, novamente, a música tema do programa de crônicas, indicando seu fim. Lembro de lavar as mãos, pois tinha brincado com Soraya. Dou meia volta. - “Ô minha filha, está faltando toalha...No banheiro tem uma!”

    Entro lá dentro. Por muito tempo, esse banheiro foi  apenas sala de banho. De banheira.  Agora já tem chuveiro, privada, e uma beleza de lavabo de louça no móvel apropriado, com lugar para o jarro esmaltado.

   Já de mãos enxutas volto ao pequeno cômodo. Ali, fica a talha com água fresca retirada do filtro. Delícia de água.  Meus avós não possuem geladeira, mas a água é sempre fria graças a essa talha. Na tampa, uma  toalha de crochet tecida por vovó. Ao lado, uma mesinha com bandeja e copos, sendo um deles exclusivo de vovô, muito bonito, com seu nome. Há duas portas nesse cômodo. A da esquerda vai para o quarto de Dinha Preta. A da direita leva à “cozinha de vovó França”. Com certeza era usada por ela, a minha bisavó, que não conheci. Desço dois degraus. Se seguisse em frente entraria na casa vizinha, sempre  habitada por amigos íntimos ou familiares, como Elisa Mendonça, Tia  França e  Tia Aracy.  

    Viro à esquerda. Eis aqui a famosa Tenda.  É um quarto meio escuro onde meu avô trabalha nas suas diversas funções. Inventa coisas, faz pesquisas, faz música, lê e guarda seus pertences. Aqui  estão suas balanças de pesar ouro, sendo uma delas  herdada do seu avô Manoel, também ourives como seu pai. Guarda na Tenda a sua clarineta e a caixinha com seringas e agulhas, pois aplica injeções.  Tendo sido comerciante, dono da casa Souvenir, sabe como arrumar os objetos  nas devidas caixas,  de forma a tudo ser encontrado com facilidade. A Tenda é como uma venda, onde achamos lápis, borrachas, lâminas, tachinhas, pregos, e ferramentas como serrotes, martelos, chaves de fenda, facões. Esses últimos ficam presos numa cartolina e pendurados na parede. Organizadíssimo, contorna os objetos com lápis para saber quando algum foi retirado do lugar. 

    Nessa manhã, porém, ele não está no seu habitual processo criativo. Encontra-se sentado junto à janela onde há claridade. Está lendo um livro. Também daria um quadro a cena que vejo. A rusticidade do ambiente é de uma beleza indescritível. Ele tão bonito! Tão “antigo”...com seus óculos de aros dourados bem fininhos...Usava chapéu quando saía às ruas. Usava colete sob o paletó quando celebrava casamentos, pois entre as muitas atividades que exercia, estava a de Juiz de Paz.  Usava relógio de bolso! Quando se sentava de cócoras no quintal picando fumo para seu cigarro de palha, lembrava um matuto. Quando se aprontava, penteando bem os cabelos lisos e ainda pretos parecia um gentleman. Olho para ele lembrando do personagem interpretado por Gary Cooper no filme “Sublime Tentação”, visto há poucos dias. Semelhança no vestuário e também na mansuetude.

 –“A benção, vovô”.

 – “Deus te abençoe minha neta”. 

-“Que livro é esse?”

– “Uma beleza de livro: “A Era de Aquarius”. Diz aqui que chegará um tempo que todo sofrimento terá fim. Haverá harmonia na Terra e todos viverão felizes.”

 - “Nossa! Que beleza! E quando será?” 

-“Ainda estamos na era de Peixes. A de Aquários só virá depois do ano 2.000.” 

-“Ah...vai demorar muito!”, exclamo decepcionada. 

       Vovô gostava de assuntos diferentes do usual. Espírita Kardecista. Frequentador, como  seu pai,  do Centro Espírita Canacy. Evitava falar no assunto por ter prometido à esposa, católica, que jamais interferiria nos ensinamentos religiosos dos filhos. De vez em quando, falava alguma coisa fascinante. Como quando disse que voltamos em outro corpo para nova vida. “Quando eu voltar vou nascer na Suíça. Está decidido”. Tenho por mim que foi de lá que ele veio. Vendo vovô fabricando jóias era fácil pensar num relojoeiro suíço tal é o seu esmero e precisão. E como tudo que ele tocava recebia um brilho especial, inclusive as frutas, podemos imaginá-lo também como uma espécie de alquimista. Paixão pela música clássica, ouvinte assíduo do programa “Classe A” da Jornal do Brasil para apreciar Mozart, Beethoven, Debussy... Foi uma vez ao cinema, apenas porque o filme – Fantasia, de Walt Disney – era musical com temas clássicos.  

     Olho pela janela. Lembro de um desenho visto certa vez na biblioteca do meu pai. Mostra um homem à cavalo bem em frente à Tenda. Vemos a figura de  Augusto de Abreu na janela, o pai de vovô Olímpio. Meu bisavô.  O cavaleiro, que traz uma pedra na mão,  diz  assim: “Vigia, seu Augusto. Que pedra é essa?” Seu Augusto, nascido em Rio Manso, município de Diamantina, descendia de portugueses que vieram trabalhar nas minas de ouro e de diamantes. Seu pai, Manoel de Abreu, era ourives e o filho seguiu a mesma profissão tornando-se grande conhecedor de pedras preciosas.   Daí o pedido de avaliação. Era uma pepita de ouro! A primeira pepita encontrada em Montes Claros.  Dou-me conta, de repente, de estar num lugar histórico!

 -“O Senhor já tinha nascido quando aquele homem trouxe a primeira pepita de ouro?”, pergunto.  Vovô sorri. Conhece a história, mas não se lembra daquele dia especial. Faço outra pergunta ainda olhando para a rua já pensando  no outro bisavô, o pai de vovó Lica.  

-“Onde é que vovô Cassimiro morava?” 

- “Bem aí na frente. A casa era do seu compadre Etelvino, de Coração de Jesus. Vinha pra cá de vez em quando. Meu sogro queria muito que ele morasse aqui. Aceitou com uma condição: trocar as residências. Pois ele aceitou! Veio morar  na Padre Teixeira passando o sobrado no largo da Matriz para seu Etelvino. Isso é que é amizade”. 

-“Era aparentado conosco, não era? Casado com Sá Estela”, digo toda feliz por mostrar algum conhecimento. Vovô mexe a cabeça dizendo sim. Eu  prossigo.

 -“Papai conta que, numa noite, ele teve um pesadelo. Passou mal no sonho. Sá Estela viu que ele estava gemendo e deu nele  uma balançada. Sabe o que  falou quando acordou? -“ Deus te ajude Sá Estela.” Vovô dá uma risada e continua. 

– “Sá Estela tinha um penteado que ficou famoso. Um coque no cocuruto da cabeça”. 

Eu sabia, pois minha mãe costumava prender meus cabelos com esse penteado, chamado por ela de: “Coquim de Sá Estela”. 

   Antes de fazer meu comentário vejo vovó entrando para dizer que o doce está pronto. Hora de ir embora. Já na sala de visitas, ouço a voz de Dinha Preta: - “Ô Sá Lica... E a rapa do tacho? Será que Virgínia espera só mais um pouquinho?” Claro. Pela rapa do tacho eu esperaria até um poucão. Tomo assento no sofá. Sofá? Seria melhor chamá-lo de cadeira dupla. Cabe apenas duas pessoas! As demais cadeiras seguem o mesmo estilo. Nada de forros  sobre elas. Simplicidade e excelente qualidade. Cupins jamais atacaram os móveis dessa casa.  

     Coloco a capanga com o doce na mesa do centro da sala. Uma mesinha de pernas altas, diferente das que geralmente vemos nas salas de visita. Tão bonitinha! Dou uma olhada ao redor. Na entrada, fica o porta chapéus, móvel comprido com espelho, tão bonito quanto os outros. Na parede, uma tela de Lino Oliva mostrando a ponte sobre o Rio Vieira em direção ao bairro Santos Reis. Abaixo do quadro, está a porta do quarto de tio Olimpio, com maçaneta de porcelana branca. Entrei ali apenas uma vez para conhecer meu priminho recém nascido: Júlio César, filho de Tia França. Quarto com poucos móveis, sem tapete, sem luxo. No de vovô, há uma peça de beleza ímpar: o cofre. Grande, com desenhos na porta. Pesado. Ali ele guarda documentos importantes, talvez algum dinheiro, jóias...

     O mais chique na sala são as “tulipas” em cores suaves, predominando o verde e o rosa. Há delas também no teto do corredor onde fica a caixa d’água. Do lado oposto ao quarto de tio Olimpio dorme a prima Lia. Seu guarda-roupa tem espelho na porta. De vez em quando entro lá para ler revistas. A meu lado está a outra porta do quarto da rede. 

     Escuto um barulhinho... é Fatinha que chega se arrastando. Atrás dela está vovó com o doce de rapa. Coloco o  pacote  na capanga, peço a benção novamente,  abro a porta e ganho rua.  Pronto. Dei conta do recado. Sigo feliz, saltitante, cantarolando a música da “Crônica da Cidade”, que desde então, torna-se uma espécie de tema musical daquela casa querida: “Tam tam tam taram tam tam, tam tam taran tam tam tam tam taram tam tam...”.


sábado, 14 de fevereiro de 2026

Projeto By Homerix - I'm Down- OUÇA e LEIA



Este Projeto By Homerix não tem qualquer fim lucrativo. 
Tem caráter meramente lúdico.
Serve apenas ao intuito de mostrar que sempre é possível fazer versões fiéis das canções dos Beatles, com  métrica e rima adequadas ao efeito.
Os áudios aqui veiculados foram gravados e editados em ambiente amador por sobre instrumental extraído das canções originais.
Eles são destinados ao público leitor do Blog do Homerix, e NÃO DEVEM ser veiculados em qualquer ambiente público no Brasil.

Aqui minha versão de 

I'm Down
 (by Paul McCartney)

Clique no Play Verdinho pra ouvir


View on Vocaroo >>

O que está escrito a seguir!!

As letras, a original dos Beatles e versão do Homerix

______________________

I'm DOWN ... Tô Down

Paul McCartney ... Homerix

You tell lies thinking I can't see… Você mente mas eu posso ver
You don't cry cos you're laughing at me… Você ri e não quer nem saber
I'm down (I'm really down) … Tô down (Tô muito down)
I'm down (Down on the ground) … Tô down (Tô lá no chão)
I'm down (I'm really down) … Tô down (Tô muito down)
How can you laugh when you know I'm down… Como é que ri se sabe que eu tô down
(How can you laugh) When you know I'm down… (Como é que ri) se sabe que eu tô down

Man buys ring woman throws it away… Compra um anel, ela joga pra lá
Same old thing happens everyday… Isso acontece em todo lugar
I'm down (I'm really down) … Tô down (Tô muito down)
I'm down (Down on the ground) … Tô down (Tô lá no chão)
I'm down (I'm really down) … Tô down (Tô muito down)
How can you laugh when you know I'm down… Como é que ri se sabe que eu tô down
(How can you laugh) When you know I'm down… (Como é que ri) se sabe que eu tô down

solo

We're all alone and there's nobody else… Estamos sozinhos não tem mais ninguém
You still moan, "Keep your hands to yourself!" … Geme e me diz “Sai, nem vêm que não tem”
I'm down (Down on the ground) … Tô down (Tô lá no chão)
I'm down (I'm really down) … Tô down (Tô muito down)
How can you laugh when you know I'm down… Como é que ri se sabe que eu tô down
(How can you laugh) When you know I'm down… (Como é que ri) se sabe que eu tô down
Waaaao! Baby I'm down

órgão

Oh baby you know I'm down (I'm really down) … Cê sabe que eu tô down (Tô muito down)
Oh yes I'm down (I'm really down) … Oh sim Tô down (Tô muito down)
I'm DOWN on the ground (I'm really down) … Tô DOWN no chão (Tô muito down)
Ahhhh! Down (I'm really down) … Ahhhh! Down (Tô muito down)
Oh baby I'm upside down, a yea yea yea yea yea … Querida tô down a sim sim sim sim sim
I'm down (I'm really down) … Tô dOOOwn (Tô muito down)
Oh baby I'm down (I'm really down) … meu bem Tô down (Tô muito down)
I'm feeling upside down (I'm really down) … mas eu tô mesmo down (Tô muito down)
Ooooo! I'm down (I'm really down) … Uuuuu tô down (Tô muito down)
Baby I'm down yea … Meu bem tô down sim (aaaa aaaa aaaa)
Oh baby I'm down yea … o bem tô down sim (aaaaa aaaa aaaa)
Baby I'm down (I'm really down) … Tô down (Tô muito down)
Well baby I'm down (I'm really down) … Meu bem Tô down (Tô muito down)
Well baby baby baby (I'm really down) … meu bem meu bem meu bem  (Tô muito down)
Oh baby I'm down … meu bem Tô down (aaaa aaaa aaaa)
I'm down down down down down down … Tô down down down down down down (aaaa aaaa aaaa)


OUÇA e LEIA - I've Just Seen A Face - Amor à 1ª vista

OUÇA e LEIA - I've Just Seen A Face - Amor à 1ª vista  

Clique no Play Verdinho para ouvir

O que está transcrito a seguir

  Olá, amigos do Submarino Angolano!!!

Seguimos a acompanhar o que aconteceu há 60 anos na vida dos Beatles…

Um pouco atrasadinhos mas está valendo o registro.

Maio de 1965 terminou e os Beatles já haviam acabado de filmar o 2º filme para a telona, HELP!, em dois meses e meio de rodagem. E já haviam gravado um Lado Inteiro do LP com a trilha sonora que apareceu no filme,

Medley de 7 canções do lado A,

 e já haviam gravado também 3 canções de seu Lado B.

Medley de 3 canções do lado B, YLMTM -  TMWYS  - DML

Faltavam 4, para as regulamentares 14 canções no formato britânico, que os Beatles haviam desobedecido apenas uma vez em 5 álbuns… A Hard Day’s Night teve 13 canções!!

Entra God Save The Queen

Junho começo com uma novidade: a Rainha anunciou que The Beatles seriam agraciados com título de Membros do Império Britânico, honraria nunca antes auferida a nenhum represente do Entertainement!!! Era tanto o dinheiro que os Beatles traziam para a Inglaterra que chegava a fazer diferença nas contas públicas…. Não só pelos próprios números deles mesmos mas também das outras bandas que vieram na esteira do sucesso, e pela atração em outros campos da sociedade pela imagem que os Beatles exportavam de seu país.

Mas vamos ao que interessa.

No dia 14 de junho, os Beatles desembarcaram em Abbey Road para gravarem 3 daquelas 4 canções que faltavam.

A primeira era de autoria principalmente, senão todinha  de Pau! Eram 14:30 daquela tarde!

I´ve Just Seen a Face (by Paul McCartney)

Paul conta: 'Acabo de ver um rosto, não posso esquecer a hora ou o local que nos conhecemos; Ela é simplesmente a garota pra mim e quero que todo mundo veja que nos conhecemos, m-m-m-m'm-m'

A canção foi gravada, como já dito, após as filmagens, num produtivo 14 de junho de 1965, que viu nascerem outras duas canções totalmente diferentes, em ritmo, estilo e instrumentação, a balada orquestrada Yesterday 

Trecho de Yesterday

e o rock agitado I'm Down.

Trecho de I’m Down

Ela foi composta para encher o Lado B do álbum HELP! Era considerada como uma “album filler”! E era 100% de Paul… John admitiu isso anos depois!!

I’ve Just Seen a Face, reflete uma situação de amor à primeira vista, mas não com declaração diretamente à garota. Ele já a viu, e conta pra um amigo seu, já desesperado de paixão.

No refrão, onde se   ouve “Falling, yes I am falling..” está subentendido o “falling IN LOVE”, ou seja, está se apaixonando!

Interessante que antes de ter seu nome definitivo, a canção tinha como título de trabalho, Auntie Jin's Theme, porque Paul a mostrara, ao piano, ainda embrionária, para sua tia Virginia, e ela lhe disse ser a canção preferida dela, dentre todas as que compusera.  A nossa madrinha Virgínia ADORA ter o mesmo nome de uma tia de Paul McCartney

É um folk country acelerado e totalmente acústico, sem guitarras, aliás I’ve Just Seen a Face foi a PRIMEIRA canção TOTALMENTE acústica dos Beatles, pois em And I Love Her e You’ve Got To Hide Your Love Away também usaram violões ao invés de guitarras, PORÉM o baixo Hoffner de Paul estava lá, totalmente elétrico.

Veja que SENSACIONAL abertura tem a canção: Paul em seu violão Epiphone Texano,  marcada pelas notas baixas de George em um violão 12 cordas,

A abertura, com destacaque nas notas baixas de George

Eu não costumo dar detalhes sobre os instrumentos mas neste caso, ambos os mencionados  têm notáveis histórias… o violão texano de Paul foi usado ali pela primeira vez e seria usado também em Mother Nature’s Son e algumas vezes em sua carreira solo, tanto que o fabricante lançou décadas depois uma série assinada por Sir Paul, ou seja, o 1º cavalheiro Beatle ainda fatura hoje com ele…  e o violão 12 cordas de George, na verdade era de John, foi usado em outros clássicos dos Beatles, notavelmente o já falado You’ve Got To Hide Your Away alguns meses antes e em Norwegian Wood alguns meses depois. Ele ficou sumido por décadas, encontrado num sótão nos arredores de Londres, reconhecido pelos administradores do patrimônio de John como sendo AQUELE 12-Cordas e foi leiloado por meros 2,2 milhões de DÓLARES. É demais isso, não?

Bem, no primeiro verso, Paul conta que viu um rosto inesquecível e está todo esperançoso

Vocal isolado de Paul

I’ve just seen a face, I can't forget the time or place where we just met
She's just the girl for me and I want all the world to see we've met

No segundo  verso, ele se diz agradecido por não ter virado o rosto para outro lado

Vocal isolado de Paul

Had it been another day, I might have looked the other ways and
I'd have never been aware, but as it is I'll dream of her tonight

E vem o refrão e  Paul conta diz que está se apaixonando

Vocal isolado de Paul 

Falling, yes, I'm falling
And she keeps calling me back again

She's just the girl for me and I want all the world to see we've met

E no verso final, ele se diz ainda espantado com aquela beleza toda… sim ela era linda mesmo… ruiva e linda, sim ele devia imaginar Jane Asher, ao compor, sua namorada já de dois anos de convivência.

Vocal isolado de Paul,

I have never known the like of this, I've been alone and I have
Missed things and kept out of sight for other girl we're never quite like this

Viram que são três versos diferentes envolvendo um refrão, depois mais um refrão e um verso apenas tocado nas notas baixas do violão de George, e mais um refrão e só então o primeiro verso é repetido, antes das três finais aparições do refrão!

Nossa, acontece tanta coisa em apenas dois minutos de canção, que passam como uma montanha russa!!

John faz o ritmo, mas quase não aparece, e Ringo fica na escova o tempo todo, como tinha que acontecer nesse bluegrass americano da melhor espécie!

A escova de Ringo na bateria

 Foram 6 takes naquela sessão vespertina,

Take 1

  Recentemente foi oficializado o Take 3, no Anthology 4, em finalzinho de 2025

Take 3, do Anthology 4,

E vieram os overdubs, quando Ringo adicionou maracas!

Maracas do Ringo

A letra, como sempre, é rica (já falamos da diversidade nos versos), como ricas são, mais uma vez as rimas, e seu posicionamento, internas às frases, com ele apelando um pouco ao abrir o "e" de "her", para rimar com "aware".

Escapam uma rima pobre, no refrão, "falling" com "calling", e uma desqualificada, rasteira, "met" com "met", sem mudar a palavra.

É Paul integralmente nos vocais, com ele mesmo harmonizando nos refrões, tudo por sobre a base do Take 6. 

A harmonia alta de Paul nos refrões 

Peculiares são suas finalizações onomatopaicas dos versos, além dos "m-m-m-m'm-m", teve "di-di-di-di'n'di", e "da-da-d-da'n-da", por vezes a simular as sílabas finais dos mesmos. 

As finalizações isoladas em seguidinha aqui seria legal

Os esforços para I’ve Just Seen a Face terminaram às 17:30, e os Beatles passaram a I’m Down.

I’ve Just Seen a Face saiu no Lado B de HELP!, do catálogo oficial, em 6 de agosto de 1965, mas não saiu no LP HELP! Brasileiro nem Americano. Aqui inclusive a canção nem foi lançada enquanto os Beatles existiram, ignorada por completo. O povo brasileiro somente a conheceu quando foi lançado aqui o HELP! original, em 1974.

E, na América, ela só veio ao mundo  ABRINDO Rubber Soul, vê se pode, cinco meses depois do lançamento britânico, naquela usual confusão da Capitol, subsidiária da EMI nos Estados Unidos, uma salada americana da pior espécie, flagrante desrespeito ao catálogo oficial dos Beatles, verdadeira heresia neste caso, a macular a integridade do álbum, como conceito, que os Beatles criaram, Rubber Soul era uma obra íntegra. Pra se ter uma ideia, no RUBBER SOUL Americano, não tinha Nowhere Man!!!  Deveriam ser processados por isso…. HEREGES!!!! (Bota eco aqui, Comandante!!)

Ao contrário de outras canções igualmente cortadas do HELP Herege, I’ve Just Seen a Face ao menos viu a luz do sol em apresentações ao vivo, não pelos Beatles, mas por seu autor Paul em variadas ocasiões de sua carreira solo, para gáudio absoluto dos fãs! Uma das vezes, foi na invenção do Unplugged (Acústico) MTV, em 1991. Ótima!

I’ve Just Seen A Face no UNPLUGGED

O maestro George Mrtin compõs uma versão orquestrada bastante interessante, no álbum George Martin And His Orchestra Play Help!... decerto ele estava MUITO chateado por não ter sido convidado pela Capitol para produzir as orquestrações para o filme, que ficaram a cargo de um certo Ken Thorne, e resolveu chamar sua orquestra particular e esfregar na cara dos americanos suas versões da trilha sonora…. Veja aqui um trecho

I’ve Just Seen A Face by George Martin

 Neste link, a partir do minuto 17:00

https://www.youtube.com/watch?v=Icioy3XfvMY

Como curiosidade, descobri outro dia uma versão de I’ve Just Seen A Face feita e gravada pelos Bitkids, uma banda de meninos, meninos mesmo, o mais velho tinha 17 anos, que apareceu em 1995 e sumiu dois anos depois. Gravaram apenas um disco, com capa imitando With The Beatles, e entre as canções, a maioria versões de Beatles estava Mary..

https://www.letras.mus.br/bitkids/1165462/ que dizia, em seu refrão

Mary, te adoro, Mary
Mary, eu te quero
Só para mim

E  descobri ainda uma outra, de 1999, de uma banda chamada Tequila Baby, um punk rock chamado “Caindo”, bem doidinho! 

https://www.youtube.com/watch?v=__qNMFj9EzE

Agora, é o que eu sinto
porque foi isso
o que ela fez

 

Tudo certo, valeu, nenhuma tem nada a ver com a original, mas claro que o Projecto By Homerix já produziu uma versão mais plausível, quem sabe mostramos no Submarino Angolano em alguma ocasião em futuro próximo... o quem sabe agora!

E, finalmente, venha cair de amor à primeira vista junto ao som de um magnífico bluegrass de Paul! Acompanhado por seus irmãos John, George e Ringo!

I’ve Just Seen A Face. By The Beatles

 _________________________

E aqui, minha versão, do Projeto By Homerix. Se quiser ouvir, clique AQUIIII.

I've Just Seen A Face… Acabei de ver um rosto

I've just seen a face… Acabei de ver um rosto
I can't forget the time or place… Onde e quando
Where we just met… não vou esquecer
She's just the girl for me… Ela é a garota pra mim
And I want all the world to see we've met… Quero o mundo todo a nos ver 
 mmm-mmm-mmm-m'mmm-mmm…  mmm-mmm-mmm-m'mmm-mmm

Had it been another day… Fosse em outro dia
I might have looked the other way… Proutro lado eu olharia
And I'd have never been aware… e não iria captar
But as it is I'll dream of her… E toda noite estou com ela
Tonight, di-di-di-di'n'di… a sonhar da da da dairu da

Falling, yes I am falling… Amo a linda dama
And she keeps calling… E ela me chama
Me back again… Para voltar

I have never known… Eu nunca vi
The like of this, I've been alone… nada assim. estava só
And I have missed things… e perdi algo enfim
And kept out of sight… e eu disfarcei
But other girls were never quite… mas outras nem chegaram
Like this, da-da-n'da-da'n'da… perto assim de mim dim dim dim diru dim


Falling, yes I am falling… Amo a linda dama
And she keeps calling… E ela me chama
Me back again… Para voltar

Falling, yes I am falling… Amo a linda dama
And she keeps calling… E ela me chama
Me back again… Para voltar

I've just seen a face… Acabei de ver um rosto
I can't forget the time or place… Onde e quando
Where we just met… não vou esquecer
She's just the girl for me… Ela é a garota pra mim
And I want all the world to see we've met, … Quero o mundo todo a nos ver.
mmm-mmm-mmm-m'mmm-mmm…  mmm-mmm-mmm-m'mmm-mmm

Falling, yes I am falling… Amo a linda dama
And she keeps calling… E ela me chama
Me back again… Para voltar
Falling, yes I am falling… Amo a linda dama
And she keeps calling… E ela me chama
Me back again… Para voltar
Oh… Falling, yes I am falling… Sim, Amo a linda dama
And she keeps calling… E ela me chama
Me back again… Para voltar



OUÇA e LEIA I'm Down... Muuuito down



Clique no Play Verdinho aqui acima

Para ouvir o que podes ler abaixo!!

__________________________________

  Olá, amigos do Submarino Angolano!!!

Seguimos a acompanhar o que aconteceu há 60 anos na vida dos Beatles…

Um pouco atrasadinhos mas está valendo o registro.

Maio de 1965 terminou e os Beatles já haviam acabado de filmar o 2º filme para a telona, HELP!, em dois meses e meio de rodagem. E já haviam gravado um Lado Inteiro do LP com a trilha sonora que apareceu no filme,

Medley de 7 canções do lado A,

 e já haviam gravado também 4 canções de seu Lado B.

Medley de 4 canções do lado B, YLMTM -  TMWYS  - DML - IJSAF

Faltavam 3 canções, para as regulamentares 14 que era no formato britânico, quando canções duravam de dois a três minutos. Os Beatles haviam desobedecido essa regra apenas uma vez em 5 álbuns… A Hard Day’s Night teve 13 canções!!

Entra I Call Your Name com The Beatle

Uma bobagem, já que tinham em mãos a espetacular I Call Your Name, uma original Lennon/McCartney que poderia ser cantada por Ringo, e ele provou isso na carreira solo, e então louvar-se-iam dois santos com uma prece só (adorei poupar os dois coelhos):

Entra I Call Your Name com Ringo Starr

.... o LP ficaria com 14 canções, e Ringo apareceria cantando. Falharam nessa regra logo no disco 3 da carreira. Isso se repetiria apenas mais uma vez, no último LP lançado, Let It Be.

Bem, mas paremos de lamentos e reminiscências!!!

No dia 14 de junho de 1965, os Beatles gravaram 3  canções de estilos completamente diferentes, todas era de Paul McCartney, e iriam completar o Lado B do LP, só que não!!!  Uma delas ficou tão espetacular que passou de simples “album filler”,  a merecedora da distinção de ser um Lado B de um single dos Beatles, o que era enorme honra! E não era um single qualquer, ela acabou por completar o single que apresentaria ao mundo  a canção título do filme, HELP!

É sobre ela que vamos falar hoje

 

I'm Down (by Paul McCartney)

Paul grita: "Você diz mentiras achando que eu não posso ver. Você não pode chorar porque está rindo de mim. Eu estou deprimido (realmente deprimido) Eu estou deprimido (Pra baixo do chão) Eu estou deprimido (realmente deprimido) Como você pode rir quando sabe que eu estou deprimido? (Como você pode rir?) Quando sabe que eu estou deprimido?"

Dura e gritada DR, sem a menor dúvida, em 3 Versos e 2 solos. Cada verso tem duas frases contextualizando uma situação e termina com os lamentos, no que poderia ser chamado de Seção Refrão do Verso.

O primeiro verso é o que traduzi antes.

Veja como Paul o canta… ou reclama… ou grita e como John e George lamentam em harmonia perfeita

Vocais Isolados

You telling lies thinking I can't see
You don't cry cos you're laughing at me
I'm down (I'm really down)
I'm down (Down on the ground)
I'm down (I'm really down)
How can you laugh when you know I'm down
(How can you laugh) When you know I'm down

 Aliás, pensei agora como seria uma versão do 'refrão', na métrica da canção e com  uma tradução decente. Poderia ser assim: 

Tô mal! (Tô muito maaaal!)  

Tô mal! (Tô lá no chããão!!) 

Tô mal! (Tô muito maaaal!) 

E você ri quando estou tão mal? 

(E você ri) quando estou tão mal?

 

No Verso 2, uma situação de mágoa, com o desleixo "Man buys ring, woman throws it away".

Vocais Isolados

Man buys ring woman throws it away
Same old thing happens everyday
I'm down (I'm really down)
I'm down (Down on the ground)
I'm down (I'm really down)
How can you laugh when you know I'm down
(How can you laugh) When you know I'm down

Depois dos dois versos, vem um ótimo solo de George Harrison, um 12-bar-blues. Sim, nos dois solos são apenas 12 compassos.

Primeiro Solo, de George

1…2…3…4…5…6…7…8…9…10…11…12

 

Quando vem o Verso 3, ele reclama que estão sozinhos e ela ainda diz “tire as mãos de mim". E agora note que, nos Versos, são 14 os compassos,

Aqui, você coloca

We're all alone and there's nobody else
You still moan, "Keep your hands to yourself!"
I'm down (I'm really down)
Oh baby I'm down (Down on the ground)
I'm down (I'm really down)
How can you laugh when you know I'm down
(How can you laugh) When you know I'm down.
Waaaao! Baby I'm down


Seja o que for, depois desse verso vem mais um solo instrumental em que o destaque absoluto é o órgão de John, sobre o qual ainda falaremos mais adiante! Rimas boas, que seriam ricas, em português: "see-me, down-ground, way-day, else-self" 

Bem, vamos à gravação!! O contexto era o seguinte: os Beatles haviam feito uma primeira temporada de gravações para a trilha sonora do filme HELP, depois ficaram mais de dois meses filmando, em locações inclusive estrangeiras, nas Bahamas e nos Alpes Austríacos, e agora voltavam ao estúdio para produzir canções para o Lado B do LP.

Em 14 de junho de 65, ocorreu a primeira das 3 sessões para o efeito, e nela só deu Paul McCartney, foram gravadas 3 canções de Paul, uma diferente da outra, tinha uma folk, 

Entra um trecho de I've Juat Seen A Face

uma balada, 

Entra um trecho de Yesterday

e um rock,  essa era a versatilidade do gênio!!!

Note que Paul está animado de que vão fazer história!

Entra o Take 1

Let’s hope this one turns out pretty darn good, huh,....

O Rock, screamer, screamer Rock,  I'm Down foi a segunda a ser gravada naquela sessão!

Foram 7 as tentativas de acertarem a base, que tinha Paul no vocal e no baixo, George na guitarra solo, John fazendo o ritmo num órgão e Ringo na bateria.

O 1º Take já foi espetacular e felizmente sobreviveu, sendo lançado oficialmente no Projeto Anthology 2, 

A magia da canção está quase toda lá, note a entrada a Capella, sem instrumentos, de Paul, com a totalidade da primeira frase,

depois uma batida seca dos instrumentos

e mais a segunda frase, também a capella no começo e a bateria chamando todos no último verbo ("laughing at me").

e segue a base, sem os vocais, só do 1º verso

Os Beatles breaks se repetem magistralmente nos Versos 2 e 3. 

Quem conhece a canção original sentirá a falta dos famosos vocais de apoio concordando e amplificando o lamento do astro. Eles viriam em overdubs só após a base pronta.

Vejam que o solo de George está bem bom para um primeiro take, mas foi melhorando. E finalmente, o 'quase' que disse ali em cima é porque ali, John não fez o solo que combinou a Paul na última seção da canção, ficou apenas no ritmo, ele se esqueceu!!! Mas já Ringo coloca os pratos à toda, insanos, na parte final, ali mesmo já na base

Os pratos insanos de Ringo

O que Paul diz no final exprime a felicidade em que estava, elogiando a performance com

'Plastic soul, man, plastic soul",

uma expressão que ele ouvira um bluesman falar, sobre Mick Jagger, e que depois inspiraria o nome do álbum seguinte, já naquele ano, Rubber Soul.

Com a base pronta, vieram os overdubs por sobre o Take 7.

Vocais de Paul

Ringo adicionou bongôs especiais nos dois primeiros versos e na conlusão.

E também vieram os backing vocals dos companheiros John e George respondendo aos lamentos com o pobre Paul em duelo sensacional!!

Aliás, nessa rodada, é Paul quem entra com George a fazer o duelo

e depois ainda John acentuou com graves "down"s em vários pontos. 

Os graves de John

….doooown …. dooown …. doooown…

George resolveu fazer um solo de guitarra ainda melhor.

O solo de Gorge

E John melhorou seu antológico solo de órgão.

O órgao de John

Tudo isso foi feito em hora e meia de gravação. 

I'm Down ficou tão boa que não foi colocada no Lado B do LP HELP!, como era a intenção, mas foi elevada à categoria de Lado B de um compacto, ou single, quando a canção título filme no Lado A  foi  lançada em julho.

Era a intenção de Paul com essa composição, que ela substituísse Long Tall Sally, um cover de Little Richards, também magnificamente gritado por Paul, com que os Beatles costumavem fechar todos os shows. E assim foi!

Entra Long Tall Sally

A partir de então e até o final de sua carreira ao vivo, em agosto de 1966, todos os shows foram fechados por I’m Down. Foram 53 vezes…. A última sendo um show em Seattle, Washington, USA. Um dia depois, em SanFrancisco, no Candlestick Park, escolheram Long Tall Sally para terminar…. Como se fosse uma homenagem ao grande Little Richards… ainda sem saberem que aquele seria o último show da vida dos Beatles para audiência paga.

Little Richards merecia estar lá, como esteve em outros 260 shows… isso contando os tempos pré Love Me Do também… Mas somente em 1964, foram 176 vezes que Little Richards fechou o show dos Beatles. Merecida homenagem SEM QUERER.  

Entra Rock and Roll Music

Little Richards só não bate seu conterrâneo Chuck Berry, que esteve presente em mais shows dos Beatles, até porque, além de Rock And Roll Music (trecho?) ser uma favorita de John (que a cantou 88 vezes), 

Entra Roll Over Beethoven

Roll Over Beethoven foi a única entrada ao vivo de George em shows durante muito tempo… e ele a cantou mais de 200 vezes

Voltando a I’m Down, uma das mais memoráveis performances foi no Shea Stadium, em New York, em agosto de 1965, recorde absoluto de público com 65 mil pagantes

I’m Down at Shea Stadium com apresentação de Ed Sullivan

Fundamental que busquem o vídeo pra se espantarem com o desempenho dos rapazes, em especial de John, que dividia o microfone com George nos backing vocals, parecia verdadeiramente possuído em seu órgão, usando até os cotovelos, e divertindo os companheiros, que riam muito,

Segue I’m Down at Shea Stadium

 Paul chegou a girar em torno de si mesmo …. Deve ter se enrolado no cabo, hehehe, estávamos loonge de ter a tecnologia wireless!!

Notem ao final do vídeo John comentando sobre a efeméride que foi aquele dia, o maior público que uma banda havia conquistado até então, primeira vez em um estádio. 

Como esse show iria pra TV, mas o áudio estava péssimo, eles voltaram ao estúdio em janeiro de 1966 de canções do show para novas performances, para serem encaixadas com a imagem… Em especial, Paul fez uma melhor linha de Baixo e John uma toada de órgão mais bem definida

Entra HELP!

Como falado, I’m Down foi lançada como lado B do Single HELP, em  23 de Julho, na Inglaterra, mas os americanos a conheceram 4 dias antes, quando o mesmo single foi lançado por  lá. Já no Brasil, ela sim obedeceu à intenção original dos Beatles de vir ao mundo no LP HELP! E estava no Lado B da edição brasileira, lançada em dezembro, que era uma salada tropical, em que apareceram outros 4 sucessos anteriores mas ainda não lançados na Ilha de Vera Cruz. 

Ebtra I Feel Fine

Eu gostei muito em meus quase 8 aninhos, pois só então conheci I Feel Fine, por exemplo!!

Versões brasileiras? Não as encontrei! Mas o Projeto By Homerix já tem uma, novinha em folha, composta, gravada e  editada!!!      Aguardem!!!

Enfim, venha reclamar junto com Paul da garota que o deixa DEPRÊ e concordar com ele, junto com John e George, em I’m Down!

Entra I’m Down original

 

 

 

 


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