sábado, 22 de agosto de 2026

OUÇA e LEIA - O Acordo dos Beatles com a UMG- by Cláudio Teran


É Cláudio Teran quem comanda a Beatles News!!


Clique no Play Verdinho

para ouvir

E leia a seguir!

______________________________________________

 O Acordo dos Beatles com a UMG

 Entra A Hard day's Night com a Orquestra de George Martin  

Alô amigos e amigas, Cláudio Teran chegando, direto de Fortaleza, Ceará, Nordeste do Brasil para mais uma edição das Beatles News no Submarino Angolano.

Beatles em novidades. Beatles ao cair da tarde, nas ondas da sua LAC FM.

 Entra Drive My Car instrumental com The Beatles 

Os Beatles continuam sendo uma das marcas mais valiosas, influentes e desejadas da história da música, o que não é novidade. Mas, agora em que estamos às vésperas de um novo capítulo cinematográfico, a Apple Corps acaba de dar um passo importante para ampliar ainda mais o universo comercial do quarteto de Liverpool.

A empresa responsável pelos interesses dos Beatles firmou uma parceria abrangente de licenciamento e merchandising com o Universal Music Group, a UMG. Mas, afinal, o que isso significa na prática? É um negócio que envolve cifras milionárias.

O acordo vai muito além do lançamento de discos ou da distribuição das músicas dos Beatles. A parceria envolve a criação, o licenciamento e a comercialização de produtos físicos e digitais ligados ao grupo. A Universal estará à frente de tudo.

 Entra You Can't Do That ao vivo com The Beatles 

Isso pode significar uma nova geração de camisetas, livros, pôsteres, colecionáveis, objetos de decoração, produtos especiais, experiências digitais e outras iniciativas oficiais associadas ao universo dos Beatles no mundo inteiro.

E há também um ponto fundamental: o comércio eletrônico. Ou seja, a estrutura da Universal poderá ajudar a ampliar a presença oficial dos produtos dos Beatles nas plataformas digitais e no mercado internacional.

 Entra Revolution Nº1 instrumental com The Beatles 

O momento da parceria não é por acaso.

Ela acontece enquanto cresce a expectativa em torno da ambiciosa série de quatro filmes biográficos dirigidos por Sam Mendes. Cada filme deverá contar a história dos Beatles a partir da perspectiva de um de seus integrantes: John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr. Tom Greene o novo CEO da Apple comanda projetos como esse e foi ele que assinou o contrato com a Universal.

A expectativa é que esses filmes provoquem uma nova onda de interesse mundial pelo grupo. O intento é que os filmes tanto mantenham o interesse dos fãs raiz como contribuam para ganhar o público jovem que ainda vai conhecer a banda.

E é justamente aí que entra a importância do acordo com a UMG.

Quando os filmes chegarem ao público, milhões de pessoas — inclusive uma nova geração que talvez esteja descobrindo os Beatles pela primeira vez — deverão procurar não apenas as músicas, mas também produtos, experiências e conteúdos relacionados, e quem terá os produtos disponíveis? A Universal. A parceria cria, portanto, uma estrutura comercial capaz de acompanhar esse novo momento.

 Entra I Want To Tell You com The Beatles 

É importante destacar que não se trata simplesmente de “vender mais camisetas dos Beatles”. O acordo representa uma estratégia para organizar e expandir a presença da marca Beatles num momento em que o grupo se prepara para voltar ao centro da cultura pop mundial. A aposta nos filmes e no museu dos Beatles faz parte dessa estratégia que bem poderia se chamar, The Beatles Século 21.

Nas últimas duas semanas imagens da recriação da travessia dos Beatles em Abbey Road com os atores principais, ganharam manchetes no mundo todo. Então os filmes de Sam Mendes podem funcionar, sim, como uma enorme porta de entrada para novos fãs.

 Entra Got To Get You In My Life take alternativo com The Beatles 

E, a partir daí, todo o universo dos Beatles poderá ganhar novo impulso: discos, edições especiais, produtos licenciados, conteúdos digitais e colecionáveis. E tudo isso não deixa de ser notável, mais de meio século depois do fim do grupo.

 Sua música continua sendo descoberta, reinterpretada e consumida em diferentes formatos. E todas as semanas estamos aqui falando das novidades do mundo Beatle, apesar de todos esses anos.  Agora, com a força dessa parceria comercial gigante com a Universal, o que vem aí é uma verdadeira revitalização global da marca Beatles.

 Entra Mystical One com George Harrison

Para fechar a participação de hoje, um pouquinho de George Harrison. Para comemorar os 60 anos do show dos Beatles no Japão, em 1966 e os 35 anos da turnê do George por aquele país em 1991, o espólio de George teve uma ideia. Relançar de novo, mais uma vez, outra vez, toda a discografia oficial dele, sem sequer umas faixas bônus.

De acordo com a estratégia adotada pela famílias, os discos virão no formato SHM, que tem uma qualidade sonora superior. E todos os álbuns retornam em formado de mini LP com capas duplas. Então até os discos que não saíram com capas duplas originais ressurgirão agora assim. São 13 álbuns, de All Things Must Pass aos dois com a banda Traveling Wilburys.

 Entra The Devil and The Deep Blue Sea com George Harrison

Do falecimento de George Harrison até aqui, esses álbuns receberam relançamentos persistentes, em mais de seis ocasiões. E isso deixa no ar uma interrogação: ou a família Harrison tem pouca coisa inédita nos arquivos, ou realmente o plano por ora é não lançar nada novo... 

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Star Trek - Jornada nas Estrelas

Em 30 de julho de 2022, morreu a Tenente Uhura!
Nichelle Nichols, aos 89 anos!
E eu disse:
Rest in Peace ... in your last Star Trek!
________________________________


A tripulação de Jornada nas Estrelas perdeu uma pioneira! 
Foi fazer companhia ao Doutor Spock! 
Scotty deve ter comandado o teleporte final!
E McCoy deve ter prestado os primeiros cuidados em sua chegada!

Ela estava entre os que foram, audaciosamente, aonde nenhum homem jamais esteve, em busca de novos mundos, novas vidas, novas civilizações, numa missão prevista para durar cinco anos, e que chega agora aos 60 anos.
Restam firmes por aqui Sulu, Chekov e o próprio Capitão Kirk, que inclusive teve seu alterego William Shatner viajando ao espaço efetivamente!
Voltando ao início...
O 1º Episódio de Star Trek foi ao ar em 8 de setembro de 1966, na NNC americana! No Brasil, chegou em 14 de janeiro de 1968, já rebatizada de Jornada nas Estrelas, e eu, aos 10 aninhos, estava lá, se não na estreia, mas certamente a mosca me pegou ainda na primeira temporada!
Há 60 anos, portanto, -o mundo conheceu a Nave Estelar Enterprise, e começou a admirar a impagável relação entre o seu Comandante, o intrépido e intuitivo humano James Tiberius Kirk, e seu Oficial de Ciências, o racional e lógico vulcano Sr. Spock, com suas orelhas pontudas. Este último, nada surpreendente que fosse racional e lógico, afinal as duas virtudes estão no sangue de quem nasce em Volcano, e na educação que recebem, na doutrina que é seguida por todos. O que deixava a personalidade de nosso Spock mais fascinante é que ele tinha um pezinho na Terra: seu pai Sarek encantou-se com a malemolência de uma professora terráquea, e deu uma daquelas escorregadas a la Lugo, o bispo matador, que pecou pois o voto de castidade que tinha era paraguaio. Brincadeira, a coisa era séria, e eles eram casados de papel-passado, lá no planeta Vulcano, que só tinha gente séria!
Então, o interracial estelar Spock vivia em batalhas internas para tentar entender como pensava seu capitão, que fazia às vezes coisas contrárias à boa norma lógica e era bem sucedido. Spock pensava nas probabilidades, Kirk contava com a sorte. Os papos entre os dois personagens eram sempre pontilhados de ironias em que as diferenças entre humanos e vulcanos apareciam. E aos poucos, Spock foi aceitando Kirk como um amigo, coisa impensável se ele fosse um puro-sangue: em seu planeta natal, a amizade era acho que era um sentimento irracional. Ou talvez, fosse amigo dele por ser ético assim ser!
A interracialidade era uma constante na tripulação da Entreprise. Seus principais tripulantes, além do americano Kirk, e do extraterreno Spock, eram o médico americano McCoy, o inglês Scott, o russo Chekov, o japonês Sulu e a africana Uhura. Duas coisas impensáveis à época: em plena guerra-fria, um russo numa posição de comando à frente de americanos, e, num país que dois anos depois mataria o líder negro Martin Luther King, uma mulher negra co-habitava com não-negros em posição de comando. O próprio Dr. King elogiou a série por isto inclusive pediu ditretamente à atriz, que desejava sair após a 1ª temporada para trabalhar na Broadway, que continuasse no papel pela importância que isso causava no ânimo das mulheres negras. E com ela ocorreu a primeira cena de beijo interracial na TV americana, com o Capitão Kirk, que era o galinha da série. Aliás, vou deixar aqui o relato de Nichele Nichols, a nossa Tenente Uhura, de como foi o encontro dela com Dr. King... é de arrepiar!! Ela estava num banquete quando foi informada de que 'um fã' queria conhecê-la. Até chorei ao ler o relato dela... vejam
I thought it was a Trekkie, and so I said, 'Sure.' I looked across the room and whoever the fan was had to wait because there was Dr. Martin Luther King walking towards me with this big grin on his face. He reached out to me and said, 'Yes, Ms. Nichols, I am your greatest fan.' He said that Star Trek was the only show that he, and his wife Coretta, would allow their three little children to stay up and watch. [She told King about her plans to leave the series because she wanted to take a role that was tied to Broadway.] I never got to tell him why, because he said, 'you cannot, you cannot...for the first time on television, we will be seen as we should be seen every day, as intelligent, quality, beautiful, people who can sing dance, and can go to space, who are professors, lawyers." Dr. King Jr went further stating "If you leave, that door can be closed because your role is not a black role, and is not a female role; he can fill it with anybody even an alien."

Legal pensar num mundo em que não existe o dinheiro, as necessidades de todos são atendidas, as doenças do planeta já estão todas mapeadas e curáveis. Um mundo sem países ou religiões, onde todos pertencem apenas à raça humana. ALGUÉM SE LEMBRA DE UMA CERTA CANÇÃO DE UM CERTO JOHN LENNON? Imagine!  Americano, Russo, Japonês são apenas referências geográficas, a coisa subiu um nível, e o importante é saber se o indivíduo é Humano, Vulcano, Romulano ou Klingon. Ao escrever-se um endereço numa correspondência, tem que se acrescentar não o país em que se vive mas .... ‘Terra’. Escrevi e até fiz um áudio sobre isso, aqui, neste LINK.
A série durou apenas 3 temporadas, teve um relativo sucesso, mas não o suficiente para uma 4ª incursão. A admiração somente apareceu mesmo, e em níveis de histeria coletiva, quando ela começou a ser reprisada, nos anos iniciais da década de 1970. Termos como phaser, teleporte, dobra espacial, começaram a ser entendidos por mais gente. A coisa virou febre, fã-clubes pipocavam nos Estados Unidos e ao redor do mundo. Kirk, Spock e sua turma viraram ícones.
Os principais responsáveis pela febre tiveram reações díspares ao fenômeno. William Shatner chegou a rejeitar a fama de Kirk, temeroso por ficar eternamente atrelado à imagem do personagem, criticava a onda, e dedicava aos que se aproximavam dele por causa de Kirk um mal-educado: "Get a life!". Entretanto, logo percebeu que a coisa era inevitável e que poderia seguramente se dar muito bem com o fenômeno, e acabou se rendendo às evidências, aparecia nos festivais de Star Trek, e era ovacionado, enfim, acabou gostando da coisa.
Já Leonard Nimoy foi mais resistente. Ator respeitável com uma carreira sólida no teatro, não admitia de jeito nenhum que ficasse eternizado apenas como o-ator-que-um-dia-interpretou-Spock. Ele chegou a escrever um livro intitulado 
"I Am Not Spock"
que provocou uma revolução na comunidade, crises de choro convulsivo, cartas de decepção chegavam aos borbotões em sua caixa de correio. Ele acabou voltando ao grupo para as filmagens do cinema, dirigiu dois dos seis filmes iniciais, que tiveram grande sucesso, e acabou por resolver o conflito interior, quando lançou um segundo livro sobre o tema, quase 20 anos depois do primeiro, desta vez intitulado: 
"I AM SPOCK"
Aquela não foi a única falha de avaliação de Nimoy com relação à franquia: foi-lhe oferecido participar da produção de uma segunda série de Star Trek, "The Next Generation", por volta de 1985, e ele recusou, achando ser impossível que a coisa desse certo uma segunda vez. 
SÓ QUE DEU!!! 
E deu certo mais um montão de vezes, afinal vieram "Deep Space 9" e "Voyager" e "Enterprise" e "Discovery" e "Picard" e "Lower Decks" e "Prodigy" e, agora, "Strange New Worlds" uma pre-quel da série original. 
Veja-se na figura o montão de filhos de Gene Rodenberry, agora já chegando ao 4º Milênio!


Como se vê, a tripulação original fez 6 filmes na telona, a da "Nova Geração" outros 4, e mais recentemente teve um ótimo ensaio sobre como tudo começou, com 3 filmes com a mesma tripulação original.
"A Nova Geração" ficou bem oito anos em cartaz na telinha, numa Enterprise modernizada para o Século XXIV, e muito por causa do charme do ator shakespeareano Patrick Stewart interpretando seu francês capitão Jean Luc Picard, e da simpatia de Data, o andróide que queria ser humano! E ainda ganhou o direito de perpetuar a série na telona em mais 4 filmes. Data pode ter sido uma das razões para o fim dos filmes, afinal estava difícil manter o ator que fazia o papel de andróide com a cara imutável, já estava ficando constrangedor. Além disso, contribuiu o pouco sucesso do 10º filme. SÓ QUE NÃO! O ator voltou, há uns 4 anos com o mesmo personagem na séria "Picard"
Os últimos 3 filmes da telona foram uma retomada ou "reboot" que ofereceu uma boa linha de continuação da magia, justamente tentando recuperar a mágica interação entre os dois títeres, Kirk e Spock, contando como tudo começou. O resultado foi ótimo, bem recebidos pelos fãs, mesmo tendo destruído Volcano, provocando uma outra linha do tempo. A continuidade ainda está em jogo, principalmente depois da perda do astro que fez o novo Chekov, num incrível acidente doméstico.
E o nome do filme lançador da retomada na telona foi bastante interessante, super-apropriado para quem queria um recomeço....
... simplesmente ...
“Jornada nas Estrelas”.
Pudemos embarcar novamente!
Beam me up, Scotty!


quarta-feira, 19 de agosto de 2026

De Pernas Bambas


Narrei este texto para um amigo que descobri recentemente estar cego.
Foi a semente do Projeto Homerix em Áudio.
Como que um "Episódio Piloto".
Como o texto é grande, ficou em DOIS Áudios


Conto pra vocês aqui, como foi essa emoção, que me deixou .... de pernas bambas...

___________________________________________

         Data:               23 de março de 2007
Local:              Praça da Apoteose (foi o que lá aconteceu!)
Motivo:            Show de Rock (é pouco para defini-lo)
Título:             The Dark Side Of The Moon
Artista:            Roger Waters


ÁUDIO 1
Clique no Play Verdino para ouvir

.... o que está escrito a seguir! 

Amigos, eu disse que ia e fui! Fui e me emocionei! Fiquei emocionado e satisfeito, por ter proporcionado a meus filhos um momento mágico! Valeu cada dollar & cent, pound, shilling and pence!!! 
Era Roger Waters, no show Dark Side of The Moon, que foi na Praça da Apoteose
Como eu disse, eu fui e me emocionei!
Foi um excelente retorno à minha presença em meio a multidões, seriamente ameaçada de extinção pelos acontecimentos nefastos ocorridos no (would be) show dos Rolling Stones, em Copacabana. É bem verdade que o principal critério para o meu retorno estava obedecido: o ingresso era bem carinho! De ‘grátis’, nunca mais!
Abrimos o programa com chave de ouro: pegamos um táxi dirigido por um motorista incomum. Ele ouvia U2 em seu CD. Com o andamento da corrida, o meu filho notou que não se tratava de uma compilação (Arrrgh!), e sim de um dos discos de carreira da banda irlandesa, Achtung Baby. Fui conversando com meus filhos e uma bela hora disse a eles: “Já estou até me arrepiando, só de imaginar os acordes iniciais do show!” Eles duvidaram que eu soubesse. Então, eu cantarolei ....
Tchaaaaaaan -- Tchaaaaaaan -- Tchaaan Tchaaaan Tchaaaan Tchaaaaaaan –-
Tchaaaan  Tchaaaan Tchaaaaaaan -- 
                        ... e, imediatamente, o motorista falou: “In The Flesh”, acertando em cheio e, na carne,  o título da música cujos acordes eu entoara. Ante o nosso espanto, ele disse: “Vou fazer mais umas duas ou três corridas e me colocar ao lado da Praça, para poder acompanhar o show!!!”.
                        Foi ou não foi um começo auspicioso? Pra entrar no clima!
                        Depois de ter a emoção de caminhar por toda a Marquês de Sapucaí, única forma de alcançar a praça, lá chegamos, mais ou menos 90 minutos antes do show, e conseguimos nos colocar a uns 20 metros do palco. Deu pra sentir o que estava por vir quando notamos 4 Carvalhões (aqueles guindastes enormes), dois a dois postados por trás das arquibancadas leste e oeste, onde estavam pendurados 4 gigantescos ‘alto’-falantes. Sim, ‘alto’, e não ‘auto’, pois seguramente dali sairia um som extremamente alto. Estava garantido o som surround, marca registrada de Roger. A música de aquecimento era boa, Tom Petty, Bob Dylan e Chuck Berry, de forma que o tempo passou rápido. No telão, uma imagem em altíssima definição mostrava um rádio, na frente dele um copo e uma garrafa de Red Label a meio-pau, em cima dele uma miniatura de um avião da época da segunda guerra e um soldadinho. Dez minutos antes de começar o show, aparece no telão uma fumacinha de cigarro, (a platéia se ouriça!) logo depois uma mão gira o dial (a platéia vibra!) e muda de estação (nesse momento, o som já é o ofical, do show). No meio da canção, a mão chega de novo, serve uma dose de whiskey e procura outra estação e encontra uma canção do Abba, muda rapidamente, encontra outra do Abba, mais uma vez sai de lá para um terceira, e só depois desta, encontra uma em que o dial descansa. Muito engraçado!!!!
Chega a hora, 9:30 em ponto, aparece a banda, depois Roger (a platéia urra!), e, então, os primeiros acordes:
Tchaaaaaaan -- Tchaaaaaaan -- Tchaaan Tchaaaan Tchaaaan Tchaaaaaaan –-
Tchaaaan  Tchaaaan Tchaaaaaaan –
.... batata! Tinha que ser: além dos acordes arrebatadores, perfeitos para uma abertura, a letra dá boas-vindas a quem está no show: “So you thought you might like to go to the show.
A canção é do álbum duplo The Wall79, obra-prima (mais uma) da carreira do Pink Floyd, também idealizada por Roger, onde ele expressa seu inconformismo pela perda de seu pai na segunda guerra, e destila sua ironia em “Mother”, um diálogo com a mãe viúva, que ele felizmente reproduz no show: quando ele pergunta “Mother, should I run for President?”, a platéia responde “Yeah”; depois, “Mother, should I trust the government?”, e a platéia, em uníssono, “No”. Chega, então, a primeira vez que temos a oportunidade de ouvir a voz que nos assombraria uma hora (or so) depois, de uma das cantoras negras do trio vocal de apoio, interpretando a mãe do perturbado menino Roger, ainda na mesma canção.
Depois, uma única concessão ao tempo pre-Dark Side, com “Set The Controls To The Heart of The Sun” de A Saucerful Of Secrets68. Preferia que ele arriscasse mais e tentasse reproduzir no palco a mais abstrata e concreta canção da época,  “Several Species of Small Furry Animals Gathered Together in a Cave and Grooving with a Pict” (Gostaram do título? Precisam ouvir a música!) do álbum duplo Ummagumma69, mas seria pedir demais.
Segue o show e chega a hora de homenagear o amigo Syd Barret, outro fundador do Pink Floyd, morto em 2006, após quase 40 anos escondido num porão, mergulhado em perenes alucinações, fruto indelével das pesadas drogas que tomara em sua juventude, terminando precocemente sua carreira: do álbum Wish You Were Here75, Roger canta a canção título, que a platéia acompanha inteirinha, quase às lágrimas (pelo menos, eu estava!), e “Shine On You Crazy Diamond”, também acompanhada com emoção.
A platéia permite, respeitosa, que Roger entoe duas canções não lá muito famosas, do álbum The Final Cut83, a própria canção-título e “The Fletcher Memorial Home”, que foram acompanhadas apenas pelos mais fanáticos (que eram muitos!). Digo isso, pois o álbum, que foi o último da carreira do Pink Floyd ainda com Roger Waters no grupo, era meio chatinho, e poderia mesmo ser considerado como o primeiro álbum de sua carreira solo, também chatinha (com exceção do álbum mencionado a seguir), já que não há contribuições autorais dos demais membros David Gilmour, Richard Wright e Nick Mason, que lá estão como meros (e excelentes) instrumentistas. Aliás, o título do álbum foi mais que premonitório.
Da carreira solo, Roger canta, então, a magnífica “Perfect Sense”, do álbum Amused to Death92. Em sua Parte 1, a canção é interpretada por aquela mesma cantora que, apesar de continuar vocalmente perfeita, certamente não poderia estar com um sorriso no rosto ao entoar versos como: “And the Germans killed the Jews, and the Jews killed the Arabs, and the Arabs killed the hostages, and that is the news!”, ou então, o supremo, contumaz e agonizante grito de desespero “Why do I have to keep reading these technical manuals?”. Um claro ponto para melhoria. Na Parte 2, Roger volta com sua voz rouca para entoar, como eu disse uma vez, o ápice de uma letra de Rock em todos os tempos, “Can't you see? It all makes perfect sense, expressed in dollars and cents, pounds, shillings and pence! Can't you see? It all makes perfect sense”. No telão, as imagens de um estádio onde se travará uma desigual batalha entre um submarino nuclear (mencionado na Parte 1) e uma plataforma de petróleo. Toda a potência é despejada nos auto-falantes com um coral gravado entoando o refrão (junto com a platéia, claro!) e, no momento em que os mísseis atingem a indefesa plataforma, clímax magnífico, booom, explosões no palco e ...... fim! Tudo se apaga! A sobre-carga foi demais! Uma interrupção não programada de 15 minutos! Pensei “... tinha que acontecer no Brasil?!” Enquanto a produção se debatia para sanar o problema, Roger, muito simpático, veio ao palco e autografou inúmeras camisas que o público jogava.
(como já estou em 10 minutos de áudio, vou parar por aqui... depois... o resto)


ÁUDIO 2
Clique no Play Verdinho para ouvir

.... o que está escrito a seguir! 
Felizmente, tudo se resolveu, Roger voltou, pediu desculpas, fez uma piadinha, jogando a culpa pelo estrago na platéia, que cantara alto demais, e anunciou uma canção nova, “Living in Beirut”. Sabiamente, ele coloca no telão, uma história em quadrinhos e a letra da inédita obra, que de outra forma, não poderia ser admirada, basicamente falando mal de Bush e de Blair (não confundir com ‘A Bruxa de Blair’!). O guitarrista solo nessa hora (uma figurinha carimbada de vários shows de rock) usava um chapéu de cow-boy texano e tirava sons muito diferentes de sua guitarra, que empunhava tal como se fosse uma metralhadora atirando. Bom momento!
A primeira parte do show termina com a movimentada “Sheep” do álbum Animals77, que só tinha animais como títulos de canção, entre eles, o porco. Na época do álbum, para tirar a foto da capa, eles criaram um imenso porco inflável, que aparecia ‘voando’ em frente a uma estação elétrica. Aliás, conta-se que, na ocasião, o artefato acabou se enroscando numa rede de alta tensão, provocando um black-out generalizado em Londres. Bem, para gáudio do público, que se deliciava com a magnífica interpretação de Roger (a canção é bem gritada!), eis que surge, do lado direito do palco, ele póprio, o porco voador, com frases politicamente (in)corretas (“Ordem e Progresso Não, All We Need is Education!”) pintadas em seu corpo cor-de-rosa. Seguro por cabos, ele vai passeando por sobre a platéia e quando a canção acaba, e Roger anuncia o intervalo, ele se desprende e começa a subir, subir, subir, para festa da platéia e desespero dos inúmeros aviões que, propositalmente ou não, passavam por sobre a Sapucaí (foram uns 4 ou 5). Magnífico momento!
O intervalo, ao contrário dos normais, em que nada se faz, teve a atração de ver o porco sumindo, sumindo, sumindo, ao mesmo tempo que, no telão, uma lua ia chegando, chegando, chegando, anunciando a segunda parte do show, que, como prometido, teria a execução, na íntegra, sem mudar uma única vírgula, de The Dark Side Of The Moon73, o disco de maior sucesso de todos os tempos, que permaneceu na parada americana por ininterruptos 14 anos. O Pink Floyd de David Gilmour já havia feito o mesmo no show Pulse93. E assim se fez novamente, desta vez, igualzinho ao original, digo, 99,9% igual. Seguem alguns momentos memoráveis:
·         Time”: Introdução com tic-tac do relógio tocado no baixo de Roger; o esforço do percussionista para reproduzir a bateria elétrica exatamente como no original, prejudicado no final porque ele mesmo era o baterista e tinha que trocar de instrumento no instante mágico em que bate TumTumTum e entra a letra : “Ticking away the moments that make up a dull day...” cantada, literalmente, por todos os presentes, um arrepio só!
·         On the Run”: Instrumental perfeitamente reproduzido, com o bônus de uma su-woofer gigantesca que faz o chão vibrar, quase tremer. Senti-me no Japão!
·         Money” e “Us And Them”, clássicos eternos, com desempenhos de guitarra e saxofone de estrebuchar de tão similares aos originais!
·         A Great Gig On The Sky”: Aqui foi o grande desempenho da cantora negra. O que ela faz, tecnicamente, chama-se ‘vocal improvisation’, na verdade, aqui pode ser chamada o de ‘vocal copiation’, posto que o que se ouviu foi i-d-ê-n-t-i-c-o ao da cantora original, 34 anos atrás. E não vai aqui nenhuma ironia no comentário, pois isto é exatamente o que os fãs querem: cópia perfeita! E acho mesmo que ela cantou até melhor, com mais potência! Aliás, falando em potência, enxergo, ou melhor, ouço esta canção de uma forma que nunca vi descrita em lugar nenhum: trata-se da vocalização da reação feminina de vários momentos de uma relação sexual, começando nos preparativos, depois, a aceleração (acompanhada por um ‘crescendo’ vocal), chegando ao clímax (onde os gritos da cantora são mais lancinantes) e depois a calmaria, o cigarro (pra quem fuma), o ‘foi bom pra você?’, quando os decibéis voltam ao normal, o ritmo fica mais lento, enfim, ouçam agora esta canção com esses ouvidos imaginosos e me digam se tenho um pouco de razão, ou viajei na mayonnaise!
·         Brain Damage” e “Eclipse”, as duas últimas canções do álbum têm a companhia da evolução de um artefato que estava lá em cima, no meio do palco, cuja presença não havíamos notado até o momento em que foi acionado. Só aí apareceu sua verdadeira forma, o famoso prisma  da capa do disco! As quatro arestas do prisma eram formadas por quatro raios laser que se materializavam sobre o gelo seco lançado sobre a parafernália. Depois, um quinto raio simulava a formação das 7 cores do arco-íris, um efeito bem parecido com o da capa. Legal!
Ih! Acho que acabei considerando memoráveis quase todas as canções do disco! Tudo bem, realmente merece.
Bem, depois vem o final falso, quando eles fazem aquela onda toda, dizem que vão embora, agradecem ao público, depois a gente grita, pede para eles voltarem e eles voltam e tocam mais 2 ou 3 canções. Dito e feito. O show termina com 3, ou melhor, 5 canções de The Wall79:
·         The Happiest Days of Our Lives”/ “ Another Brick In The Wall – Part 1&2”: Ele traz ao palco um coral de 15 crianças para cantar o antológico “We don’t need no education  ... Hey teacher, leave them kids alone”. Na verdade, elas fingem que cantam, pois o que sai da caixa é exatamente aquele sotaque inglês do disco! Ao menos, eles fazem uma coreografia, acompanhando com palmas;
·         Vera”/“Bring The Boys Back Home”: Esta última, muito apropriada para o momento de guerra, foi acompanhada no telão por imagens de Bush, imediatamente recebidas por sinais nada educados com o dedo médio em riste, da platéia;
·         Comfortably Numb”, sem palavras.
Cai o Pano! Sem segundo bis, saímos com a alma lavada e as pernas bambas, misto de cansaço e emoção.


segunda-feira, 17 de agosto de 2026

OUÇA e LEIA - Norwegian Wood - botando fogo na zorra toda


 Esta é mais uma edição do Papo do Contramestre, 

a conversar sobre The Beatles, suas canções, suas vidas 

quadro do programa Submarino Angolano, 

da Rádio LAC, Luanda Antena Comercial, 95,5 FM

__________________________________________

CLICK NO PLAY VERDINHO

View on Vocaroo >>

PRA OUVIR O QUE VEM A SEGUIR!

______________________________________

 

Olá, amigos do Submarino Angolano!!!

Aqui é Homero Ventura, directo do Brasil

Seguimos a acompanhar o que aconteceu há 60 anos na vida dos Beatles…

>> Entra instrumental de Run ForYour Life

Coloque-se em Abbey Road, na noite de 12 de outubro de 1965. Antes, de tarde, Os Beatles haviam começado o processo de gravações que renderiam um LP que seria o começo da revolução e um compacto Duplo Lado A, o primeiro da história. Naquela tarde haviam deixado pronta para overdubs a canção Run For Your Life, que fecharia o LP Rubber Soul. 

De noite, outra canção de John, que traria ao mundo do rock um país no título e na letra, a Noruega, e outro país na música, a Índia…. Sim… não eram mais os mesmos rapazes que faziam ingênuas canções de amor!!! Viraram a chave!!!

 

Norwegian Wood  (by John Lennon)

         This Bird Has Flown

>> Entra Norwegian Wood com The Beatles

John conta: 'Certa vez eu tive uma garota, ou eu deveria dizer, ela me teve. Ela me mostrou seu quarto. Não é boa? A madeira é norueguesa! Ela pediu para que eu ficasse e me sentasse em qualquer lugar, então eu olhei em volta e notei que não havia uma cadeira.!'


A insinuação de um relacionamento sexual é evidente, ao menos essa era a intenção dele… só que não, afinal está lá que
conversam até às duas da manhã e, quando ela diz que precisa de acordar cedo para trabalhar, ela o manda dormir na banheira, menina má.

>> Entra original “we talked until two and then she said it’s time for bed’ na voz de John

>> e, na minha voz…

She told me she worked in the morningDisse que cedo trabalhava
And started to laugh
E passou a rir
I told her I didn't… Eu disse que não
And crawled off to sleep in the bath
E à banheira eu fui pra dormir

Já o uso do verbo 'ter' denota um relacionamento diferente, foi usado logo na frase inicial, de forma genial, Paul ao lê-la, disse “Brilliant!”, quando chegou em Kenwood para finalizar a composição!

>> “I once had a girl, or should I say, she once had me’

No dia seguinte, ela já não está mais lá, ele realmente não a teve, ele estava só, ela fez o que quis dele, e vem aí o subtítulo… ela se foi… ela voou

>> “And when I awoke, I was alone, this bird has flown”

'This bird has flown', aliás era o título de trabalho da canção até decidirem-se por Norwegian Wood, a partir do terceiro take. Bird é como os ingleses chamavam as garotas na época. Rumores corriam sobre quem seria a garota em questão.

John disse que realmente estava tentando escrever sobre um caso sem deixar sua esposa saber que estava escrevendo sobre um caso, pobre Cynthia! Rumores corriam de que poderia ser Maurreen Cleave, renomada jornalista, ou ainda Sonny Freeman, esposa do fotógrafo de quatro capas dos discos dos Beatles até justamente este que estavam a gravar, que era um casal que John e Cynthia viajavam juntos (pô, sacanagem, John!).

Ela gostava de dizer que era norueguesa, e tinha decorações em madeira em seu apartamento. Na época estava na moda o uso de móveis com revestimento de madeira de pinho barata, vinda da Noruega.

Rumours… Only rumours

A primeira vez que John externou a canção foi naquela viagem que o casal Lennon e o casal Martin fizeram à Suíça no início daquele ano, em que George Martin quebrou o pé! Alguns meses depois ela voltou a ser trabalhada.

Norwegian Wood, como veio ao mundo, é uma canção com versos em Mi Maior e Pontes em Mi Menor, sem refrões, em ritmo de valsa no tempo 3x4, bem explícito nas pontes TUM-ta-ta-TUM-t-ta, e meio disfarçado nos versos, mais pra um 6x8, mas ainda valsa!

A contribuição de escrita de Paul na música vem nas pontes, como já acontecera em composições anteriores da dupla, pois John não era um bom ‘engenheiro’ construtor de pontes, se me entendem!

E é justamente na ponte que o vocal de Paul entra firme na canção, harmonizando lindamente com John na melodia principal

>> Entra John mais Paul “She asked me to stay and she told me to sit anywhere, so I looked around and I noticed there wasn't a chair”

E Paul também declarou que foi dele a ideia de colocar fogo na zorra toda por vingança pela garota ter ido dormir. Paul menino mau!!!!

>> Entra John “So I Lit a fire, isn’t it good, Norwegian Wood”

Em minha versão eu deixei em aberto, botei no impessoal… interprete-se como quiser..

And when I awoke… Quando eu acordei
I was alone… Estava só
This bird had flown… Ela se foi

So I lit a fire… Um fogo se fez
Isn't it good… Tronco de Lei!
Norwegian wood… Norueguês!

Emendamos agora na parte musical da análise da canção,

Além do violão de John, note que percussão da canção é apenas o tambor e uma pandeireta tocados por Ringo, que aliás só entra na ponte, ou batendo nas próprias pernas em overdubs.

>> Entra  a percussão de Ringo

Tem a guitarra baixo de Paul,

>> Entra o baixo de Paul 

E tem George num cha-kun-dun ao violão 12 cordas, bastante vigoroso nas pontes

>> Violão de George

Tem um violão base de John, que abre a canção com as notas da melodia, 

>> Violão de John

que depois é repetida por George, tocando, não sua guitarra, mas o astro principal daquela canção, uma CÍTARA, que, como seria testemunhado depois, constituir-se-ia num marco da história da música.

>> Entra  a introdução no violão, depois a cítara introdutória, 

E depois ea cítara volta em graves ao estilo drone sound, besouro mesmo,  nas primeiras notas dos compassos dos versos que vêm após as pontes, note…. Se você contra de 1 a 4 os tempos dos compassos desses versos, sempre que você contar UM você ouve a cítara em modo-besouro!!!

I sat on a rug
Biding my time
Drinking her wine

We talked until two
And then she said
It's time for bed

 A presença do instrumento indiano era mais um ‘nunca-antes-na-história’ da carreira dos Beatles.

>> Entre A Hard Day's Night em instrumentos indianos, do filme

 George fora apresentado ao instrumento durante as filmagens de HELP!, no mesmo ano, depois comprou um exemplar numa loja de Londres, e começou a dedilhar no estranho artefato.

O que ele aprendeu autodidaticamente não o fazia um virtuose no instrumento, mas se mostrou suficiente para tocar aquelas linhas, tanto na introdução, como ao longo, aqueles ‘drone sounds’ (que parecem um zangão zunindo), e na finalização da canção, e revolucionar a história.

Depois dos Beatles, também os Rolling Stones,  e os Yardbirds, e Donovan, e outros tantos abriram os olhos para aquela sonoridade, afinal, se os Beatles faziam, era porque era bom, eles já haviam desenvolvido esse sentimento no mundo da música!

>> Entra Love You To, de George Harrison nos Beatles

Posteriormente, George imergiria naquele mundo, viajou pra a Índia para imiscuir-se naquela cultura, o que mudaria também sua vida.

Em Revolver, no ano seguinte, uma de suas 3 contribuições seria com instrumentos indianos,

>> Segue Love You To

e mais um ano depois, seria a base de sua única composição em Sgt.Peppers,

>> Entra Within You Without You, de George Harrison nos Beatles

e ainda haveria uma full-indian-song com a distinção de ser lançada num single dos Beatles, ainda que em um Lado B, em 1968.

>> Entra The Inner Light, de George Harrison nos Beatles

Voltando à gravação de Norwegian Wood, mas ainda com destaque ao quesito cítara, vai aqui um lamento deste analista. Foram 4 os takes, onde dá pra perceber a nítida melhora, um a um, ainda que com uma ressalva, um movimento da cítara que tem no 1º Take, mas que não sobreviveu no final.

O Take 1 foi oficializado no Anthology II, de 1996. Foram muuuitas diferenças, entre os 3 primeiros takes e o take 4, mais especificamente, SETE principais diferenças em relação à versão final, parece até aquele jogo de 7 Erros, bem mais que o aumento de um tom inteiro, de Ré Maior pra Mi Maior, e a definição do título definitivo de This Bird, senão vejamos…. Vai contando… na verdade foram 6 acertos e UM erro

1.      Ponto 1: cítara já abre a canção jogo no 1º compasso da introdução, enquanto na versão final, ela entra no 3º, achei melhor pois quando entra a cítara, a gente sente o impacto da mudança, da surpresa, da revolução… ( introdução do Take1)

2.       Ponto 2: Note que John parece meio preguiçoso, aliás, acompanhando o tom da canção que está menor que a versão final, que ficou muuuito melhor … 

frase inicial do Take 1 - I once had a girl, Or should I say, She once had me-  

 e em seguida a mesma frase do Take 4

3.       Ponto 3: Note, que John dobra as últimas frases dos versos 

“isn’t it good NORWEGIAN WOOD”,  

até poderia ser, só que não… está bem melhor como ficou, sem dobrar

4.        Ponto 4: Note ainda que ainda não há os tais drone sounds da cítara nos primeiros tempos dos compassos dos versos pós-pontes, como destaquei na versão original, e que eu acho fundamental

Drone Sound

5.        Ponto 5 :Note que John canta um trecho trocado, ele troca de lugar o tempo e o vinho 

1º Take - Drinking her wine ... Biding my time 

Take 4 - Biding my time ... Drinking her wine ... 

, e     e ainda no quesito canto, que a escansão da fala de John difere da versão final, e eu prefiro a final por muuuitas léguas.. por exemplo: ele canta 1º Take 1 or-should-I-say e no final ficou or-shouldI-say coisas desse tipo!

6.       Ponto 6: Note que a harmonia aguda de Paul está bem mais alta (ficou exagerado mesmo), (a1ª           A 1ª ponte do Take1, com harmonia de 

7.      Ponto 7: Finalmente, minha única ressalva: nas pontes, a cítara complementa, nos momentos de intervalo entre frases dos cantores com notáveis triplets, duas vezes em cada ponte, a 1ª com 3 triplets e a 2ª com dois triplets. 

A 1ª Ponte, com os 5 triplets 

... este o meu lamento… eu achei adorável essa inserção… mas os Beatles também tomavam decisões erradas de vez em quando, era raro!

Caramba, eu falei mais sobre a versão que não foi, do que a versão que foi! Incorrigível que sou!!! Ouçam agora, com atenção e digam se concordam comigo, ao serem apresentados ao Take 1, na íntegra,

>> entra Take 1 do Anthology na íntegra

Vejam também que finalizava de uma vez por todas aquela história de ‘várias canções por sessão de gravação’ com um recorde de 3 ou 4 canções, numa manhã, tarde ou noite, na romântica época de Please Please Me, inaugurando-se uma configuração muito mais comum, de ‘várias sessões de gravação por canção’ cujo contador poderia chegar às DEZENAS de sessões, a partir de 1967.

Para Norwegian Wood, os 4 takes foram executados duas sessões com nove dias de diferença, sendo que o Take 1 precisou da sessão toda do dia 12, no caso, uma noite, e os Takes 2, 3 e 4 foram atacados no dia 21, em que foi bem modificada, como falei!

Norwegian Wood nunca foi tocada ao vivo, nem pelos Beatles, muito menos por John, em carreira solo. Foram poucas as vezes em que ele se lembrou da época mais gloriosa da história da música! Uma pena!

Mas claro que teve sim muitas covers, mais de 200 vocais ou apenas instrumentais, está entre as mais regravadas dos Beatles, sendo que no Brasil, nosso grande Milton Nascimento lançou uma versão psicodélica espetacular, verdadeira viagem, de quase 7 minutos, mostra seu alcance vocal em falsetes perfeitos tem luxuosa participação de Beto Guedes nas harmonias das pontes que recomendo que procurem por aí, mas não cabe divulgar aqui inteira aqui.

>> entra Norwegian Wood com Milton Nascimento

Falando ainda em Brasil teve também o Sérgio Mendes, bossa and soul, com suas duas vocalistas sensacionais, só que trocando o gênero, 

>> entra Norwegian Wood com Sérgio Mendes

mas busquem também essa cover pois eu deixei para hoje uma coisa especial para mostrar inteira!! 

Foi uma descoberta que fiz ao adaptar meu texto para este áudio que ouvem no momento: Achei esta cover excepcional, que junta a 4ª e a 8ª artes!!!

Alan Copeland and Singers  fizeram ainda em 1968 um sensacional mashup entre música, com Norwegian Wood,  e com TV, a música-tema de Missão Impossível, de Lalo Schifrin,  que ficou perfeito.

E a letra de nosso John realmente se configurou numa missão impossível... afinal a missão era chegar aos finalmentes,  fazer um seikelá com a garota, mas ela o mandou dormir na banheira!!!

John deve ter gostado!!!

Alan Copeland ganhou inclusive um Grammy por causa desse mashup, foi o Best Contemporary Pop Performance, Chorus em 1969. Mais um Grammy a contabilizar para os Beatles!

>> entra Norwegian Wood com Alan Copeland and Singers

Nowegian Wood foi lançada como 2ª faixa do Lado A do álbum Rubber Soul, em 3 de dezembro de 1965 e três meses depois chegou ao Brasil, onde, felizmente, o álbum veio na sua configuração oficial. 

Em 1973, ela foi uma de 6 canções de Rubber Soul honorificadas na coletânea Beatles 62-66, popularmente conhecida como Álbum Vermelho, aliás, Rubber Soul é o campeão de participações naquele projeto, considerando aí também o Blue Album, Beatles 67-70. Nenhum outro álbum dos Beatles chega perto do campeão Rubber Soul, tanto em valor absoluto como em relativo, pois quase metade de suas canções estavam lá!! 

Depois, em 1976, foi lançada oficialmente pela EMI uma coletânea chamada Beatles Love Songs, e Norwegian Wood estava lá… meio estranho, né… pois seria mais apropriado se o álbum se chamasse Almost Love Songs, pois, afinal, John ficou como o General Junot quando chegou a Lisboa para conquistar Portugal, ficou a ver navios, os navios da armada de D. João VI fugindo para o Brasil, em 1808.

Enfim, venham, junto com The Beatles, botar fogo naquela madeira toda.

OUÇA e LEIA - O Acordo dos Beatles com a UMG- by Cláudio Teran

É Cláudio Teran quem comanda a Beatles News!! Clique no Play Verdinho para ouvir View on Vocaroo >>   E leia a seguir! _______________...