domingo, 8 de fevereiro de 2026

Minha Vida Beatlemaníaca - O Gráfico

O ano de 2025 me trouxe oportunidade, via Submarino Angolano, de contar minha vida como beatlemaníaco. Foi uma sequência de fatos, que é melhor contar itemizadamente, como convém a um engenheiro, que ainda sou.

  1. Em agosto, entrei ao vivo no Submarino Angolano pra conversar com o Comandante sobre nossa convivência de 4 anos, que completávamos naquela data, naquela nave que singra os Oceanos de Admiração pelos Beatles, como ele gosta de falar. Lá pelo meio, ele falou sobre o blog, que já tinha quase 900 postagens sobre Beatles, mas perguntou sobre os outros assuntos, que levam esse número a mais de 2500, aí eu disse de Star Trek, de Santos, e, de James Bond, mas aí eu contei sobre o prêmio que ganhei em nível nacional, eu contei da frase vencedora, e ele perguntou qual era, mas não me lembrava direito ali ao vivo, e prometi que voltava pra contar a história. Em um programa seguinte, eu voltei com um RAP, baseado no 2345meia78 Tá na hora de molhar o biscoito... que aliás foi a inspiração para a frase vencedora, ESTE AQUI, é só clicar
  2. Daí, pensei no Cachimbo da Paz, um outro RAP do Gabriel, que tinha 4 versos longos e um refrão matador, pra contar minha história, que encaixava com minhas 4 grandes fases de admiração dos Beatles, a de apenas OUVINTE, para depois incluir a LEITURA, e depois a ESCRITA, e finalmente a LOCUÇÃO tendo sempre Beatles como inspiração. Ficou simplesmente DEMAIS, ESTE AQUI, é só clicar
  3. Nesse meio tempo, o Comandante começou a contar historinhas usando o Gemini, me ensinou como usar, e então em transformei a minha História em GIBI....aprendi a domar o bicho, dar instuções pra ele não sair alucinando e saiu ISTO AQUI, simplesmente sensacional, sem modéstia!!
E, mais uma vez invocando minha condição de engenheiro, tinha que fechar isso tudo com uim gráfico, claro!!! Aí eu percebi que em 2025 comecei uma 5ª fase nessa minha vida de paixão, afinal comecei a cantar versões do Beatles compostas por mim mesmo, no Projeto By Homerix, nada mais justo que inclir a atividade  CANTOR na minha lista!

  1. OUVINTE : Desde os 6 anos, OUÇO Beatles
  2. LEITOR : Desde os 28, LEIO sobre Beatles, mas não deixei de OUVIR
  3. ESCRITOR : Desde os 40, ESCREVO sobre Beatles, mas não deixei de OUVIR e LER
  4. LOCUTOR : Desde os 60, FALO sobre Beatles, mas não deixei de OUVIR e LER e ESCREVER
  5. CANTOR : Desde os 67, CANTO versões dos Beatles, mas não deixei de OUVIR e LER e ESCREVER e NARRAR

E assim ficou!!



sábado, 7 de fevereiro de 2026

OUÇA e LEIA - Brasil & Angola ficam fora do documentário de Paul - Cláudio Teran

Todo Domingo é Total, das 7 às 9 da manhã, na Rádio Assunção Cearense!!! 

https://620am.com.br/

É Cláudio Teran quem comanda!!!

Mas todo Sábado é Cabal, pois Cláudio Teran nos conta as Beatles News, no Programa Submarino Angolano da LAC Luanda, às 13 horas BSB, 17 horas LDA!

Hoje, ele lamenta ausência de Brasil e Angola nas sessões especiais do doc de Paul McCartney, mas conta muitas outras novidades!






Clique no Play Verdinho

Brasil & Angola ficam fora do documentário de Paul

 Entra A Hard Day's Night com  a Orquestra de George Martin

Amigos e amigas estamos iniciando mais uma participação no Submarino Angolano. Sou Cláudio Teran, direto de Fortaleza, Ceará, Nordeste do Brasil, presente com as novidades Beatles da semana, pelas ondas da sua LAC FM.

Então vamos mergulhar...

 Entra LOVE com John Lennon para meditação

Conforme acontece todos os anos vem aí mais uma edição do Record Store Day, nos EUA, a partir do dia 18 de abril. Entre as novidades Beatles desse período, uma edição limitada em vinil triplo com 9 remixes de LOVE, de John Lennon, para meditação.  

É um trabalho reimaginado, ou seja, inventado por Sean Lennon. LOVE, lançada originalmente no álbum Plastic Ono Band, em 1970, foi transformada em 9 longos remixes com grandes camadas de efeitos sonoros para meditar.

 Mais LOVE com John Lennon para meditação

O pacote inclui ainda 9 mantras exclusivos de 1,8 segundos cada um, que se repetem infinitamente em um dos lados do vinil. Sean Ono Lennon reprisa com esse lançamento o que fez com a versão meditativa de Mind Games em 2025.  

O álbum só sairá em vinil transparente de 180g, com capa tripla luxuosa em papelão espelhado na cor lilás. E com tiragem limitada. É um item da coleção de John Lennon? Ainda existe o colecionismo no mundo? Decida você, amigo ouvinte.

 Entra Dark Horse com George Harrison

Outro lançamento da Record Store Day traz de volta dois álbuns de George Harrison, Dark Horse e Extra Texture em vinil colorido e sem novidades. Chegam ao mercado no formato Zoetrope, com outros discos do catálogo da Dark Horse Records.

Alguma notícia sobre material inédito de George Harrison? NADA...

 Entra Venus and Mars com Paul McCartney

O Brasil ficou fora da exibição única de Man on the Run nos cinemas. Angola também. Basta entrar na página oficial www.manontherun.film para comprar ingressos e ficar sabendo que não há cidades brasileiras nem cidades angolanas selecionadas.

O documentário terá exibição única em alguns cinemas do mundo no dia 19 de Fevereiro, com a novidade exclusiva de uma entrevista inédita com Paul e o cineasta Morgan Neville. Os mortais comuns da maioria dos países verão Man on the Run – sem a entrevista – na versão streaming, dia 27 de fevereiro na Prime Vídeo. E se tem uma coisa que Paul McCartney não perde é tempo

 Entra Rock Show com Paul McCartney

No ano passado, quando saiu o livro Wings, a História de Uma Banda em Fuga, livro esse que será lançado em abril, com tradução para o português, ele lançou uma trilha sonora, que também tinha a ver com o documentário Man OnThe Run, um álbum duplo de CD e Triplo em vinil chamado Wings.

 Segue Silly Love Songs com Paul McCartney

Agora, com a chegada ao mercado, em formato streaming do documentário Man On The Run, ele lança mais um álbum. E este vai forçar os fãs a comprá-lo, isso para colecionadores de mídia física, por quÊ Porque são 12 faixas e algumas gravações nunca lançadas antes. Tem uma demo de Silly Love Songs... tem também.. Tem também Gotta Sing, Gotta Dance

Segue Gotta Sing, Gotta Dance com Paul McCartney

Aquele em que ele aparece dançando no especial de TV James Paul McCartney, nunca antes lançada na história.

Tem ainda a versão de Live And Let Die, no Rok Show

Entra Live and Let Die com Paul McCartney

Embora essa seja conhecida do filme, mas não exatamente em disco, 

Entra Gotta Sing, Gotta Dance com Paul McCartney

E tem ainda uma versão rude, uma mixagem não aproveitada de Arrow Throuhg Me,  faixa do álbum Back To The Egg 

Entra Arrow Throuhg Me,  com Paul McCartney

Essa gemas extras, levam o fã a comprar a trilha sonora que vem aí, do documentário Man On The Run e essa trilha vai estar à venda em 27 de fevereiro, quando a gente estará diante das telas da Prime Vídeo, para ver o documentário do Paul que não perde tempo nem oportunidade de faturar mais uns trocados 

Entra ???  com John Lennon

A exibição de fotos inéditas ou raras de John Lennon, dos arquivos de Mae Pang, está neste momento em Atenas, na Grécia. A curadoria é da própria Mae Pang.

O documentário que ela produziu em 2022, "The Lost Weekend - A Love Story" está disponível agora, de graça, no You Tube, e com legendas em vários idiomas. Neste filme, Mae Pang conta a versão dela de sua vida com John Lennon. O doc tem imagens e fotografias inéditas e participação amorosa de Julian Lennon.

Entra ??????  com The Beatles

Mais um lançamento "no mercado cinza", para não dizer pirata, envolvendo as gravações do Star Club, apareceu em um Box com cinco CD’s. Foi publicado por um selo obscuro chamado Bespoke Records e vem com livreto e o subtítulo, ‘Quatro Noites que Mudaram o Mundo’. A embalagem é muito bonita.

Esse tipo de item, um “pirata oficial”, entra no mercado através de uma brecha legal, válida em países cuja legislação reconhece que gravações feitas na época dos Beatles no Star Club estão em domínio público e podem ser lançadas livremente, ou seja, sem autorização nem o recolhimento dos direitos autorais devidos.

Vale destacar que este Box é difícil de ser encontrado. Pois saiu em baixa tiragem, mas não se surpreenda se o achar em lojas on line como a Amazon. O conteúdo não tem novidades, são as mesmas gravações do Star Club com aquele mesmo som.

Segue ??????  com The Beatles

Uma das últimas lutas de George Harrison em vida foi impedir a circulação sem regras das gravações do Star Club. O que se comenta é que Peter Jackson teria trabalhado na recuperação dessas gravações utilizando seu software exclusivo, aquele batizado com a sigla MAL, o mesmo que foi empregado na produção do documentário Get Back em 2022.

Entra ???  com The Beatles

Sobre isso só existem rumores. Não há informações oficiais do staff dos Beatles nem do cineasta. Comenta-se que Peter Jackson teria condições tecnológicas de resgatar as gravações do Star Club como foi feito com Now and Then. Será?

O cineasta Sam Mendes e sua equipe iniciaram filmagens que recriam momentos especiais da Beatlemania, e para isso foi necessário ganhar as ruas de Londres e outros lugares. O curta-metragem "The Beatles Come to Town", de 1963, foi recriado no mesmo local do ABC Cinema, em Ardwick, Manchester, Inglaterra.

Entra Twist and Shout com The Beatles no documentário

As filmagens chamaram a atenção dos fãs e mobilizaram uma grande estrutura. Sam Mendes está a frente da ambiciosa produção que vai resultar em quatro filmes com a cinebiografia dos Beatles previstos para lançamento simultâneo em 2028.

O projeto original, “The Beatles Come to Town” ocorreu no dia 20 de novembro de 1963. Os Beatles fizeram um show no ABC Cinema e tocaram 10 músicas. Apenas duas foram aproveitadas no filme capturando cenas do início da "Beatlemania"...

Entra She Loves You com The Beatles no documentário

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Meu Poema Petroleiro - 45 anos!

 



Como assim, já chegou
Mais um 5 de fevereiro?
Homerix já atualizou
Seu poema petroleiro.

Foi uma saga peculiar,
Seguimos firmes com afinco.
Temos que celebrar!
Chegamos aos 45!
_________

Era um clima hospitaleiro!
Era um sonho comum! 
Era 5 de fevereiro!

Era 1981!


Foram 35 anos, (0)
Trago a imagem comigo:
Muita ilusão, muitos planos,
Cada um trazia consigo.

Éramos mais de duzentos,
Com cabelo e sem barriga,
Movidos aos quentes ventos
Da capital mais antiga.

Era gente de todo lado
Formando um grupo complexo.
Por vezes equilibrado,
Com exceção do tema sexo...

Nossa conta era a seguinte,
A engenharia tinha esse hino:
Relação de 1 pra 20!
Pouca caixa e muito pino! (1)

O dia era ensolarado. 
Marazul ou Praiamar. (2)
Pondo as exceções de lado,
Viemos para ficar.

Chegamos humildes, quietos
Pra aprender um novo mundo,
Nova língua, um dialeto,
Conhecimento profundo.

Morreu no primeiro dia
Um mito que engana o mundo:
Que o petróleo então dormia,
Em lagos bem lá no fundo.

Geologia para engenheiros ...
Difícil aprender a lição.
Pois nos deixava cabreiros
Com tanta imaginação.

A gente nem entendia direito,
E pior, vinha o Girão! (3)
E a gente ria do seu jeito,
Falar Rausgama, Neutrão. (4)

Pra ensinar Processamento,
Zé Alves, falar ‘sólene'. (5)
E tinha que estar atento
Pra entender a UPGN. (6)

E Antônio Cláudio, que figura!
Aquele cigarro obrigatório,
Compartilhava sua cultura
Nos sinistros reservatórios...(7)

Senão o Otto, era o Lima. (8)
Tentando nos convencer
"Perfurar está por cima:
Cê num vai se arrepender!"

A turma foi dividida:
Uns pra lá, outros pra cá,
Uma decisão pra vida,
Quase sem poder voltar.

Cada um teve um destino
No curso e na profissão.
Sul, Sudeste ou Nordestino,
Na Técnica ou Gestão.

Provimos o crescimento
De uma empresa sem igual,
Que valia monumento,
Mesmo antes do Pré-Sal.

Pena que uns sem-vergonha
Quase acabaram com tudo...
A situação é medonha,
Mas petroleiro é cascudo!

Aos engenheiros ou ex,
Muita luz em seu caminho.
Sigam com jeito cortês
Neste mundo em desalinho.

Repito, desejo expresso
Para o futuro que virá!!
Sorte, Saúde, Sucesso,
E Sossego e .... SARAVÁ!
________________________________________________

P.S: Para quem não é da turma, ou do ramo
(0) No meu caso, pois fiquei 35 anos na Petrobras
(1) Caixa e Pino: Apelidos das roscas de tubos, a primeira interna que recebe o tubo de trás, e a segunda externa que penetra o tubo seguinte, daí, a associação...
(2) Marazul e Praiamar: nomes de hotéis da orla de Salvador que receberam a maior parte dos 200 novos petroleiros
(3) Girão: professor da matéria Perfilagem de Poços
     Raosgama: como o Girão chamava o perfil Raios Gama
(4) Neutrão: como o Girão chamava o perfil Nêutron
(5) Zé Alves: professor baiano, de Processamento de Fluidos
(6) UPGN: Unidade de Processamento de Gasolina Natural
(7) Reservatórios: as rochas que contém o óleo lá embaixo
(8) Otto e Lima: professores da matéria Perfuração de Poço

O carograma abaixo foi montado na nossa celebração de 30 anos!





terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

A Rua de Baixo - Uma crônica de Virgínia Abreu de Paula

 Minha memorialista preferida nos encanta agora com histórias de sua cidade... Montes Claros-MG

Tenho que registrar aqui esta introdução!

Qeu relato delicioso!

RUA DE BAIXO

Introdução


            No “tempo antigo”, como dizia minha avó Lica, Montes Claros era naturalmente dividida em duas regiões distintas, às vezes chamadas de Rua de Baixo e Rua de Cima. Separadas pelo Largo de Baixo, mais tarde Praça Dr. Chaves, as duas eram tão diferentes uma da outra quanto a zona norte e a zona sul do Rio de Janeiro.   Eram diferentes também na política e até na música. Tinham suas próprias bandas.  A banda “de baixo” chamava-se Euterpe Montesclarense escrito sem o hífen. Fundada no tempo do Império por Dona Eva Bárbara Teixeira, a banda desfilou pela primeira vez no dia 3 de Julho de 1857, quando a Vila de Formigas foi elevada à categoria de Cidade de Montes Claros.  Seus músicos eram monarquistas até à medula, razão pela qual se recusaram a tocar em comemoração à Proclamação da República. Alguns anos mais tarde, surgiu a Banda Operária do partido “de cima”. Na época do império, grande parte dos moradores da região “baixa” pertencia ao partido liberal trazido para a cidade por Antonio Xavier de Mendonça entre outros. Isso significava que, embora apoiassem o Imperador, lutavam pela abolição da escravatura. Com a queda do império, as diferenças permaneceram. 

   Apesar do antagonismo político, não creio ser essa a causa da diferença no viver. Os habitantes da parte logo acima do Largo  da Matriz, seguiam os Prates na política, exatamente como os habitantes das ruas de Baixo.  Muitos com Prates no sobrenome.  E levavam o mesmo “sofisticado” estilo de vida dos membros do partido de cima, ligados ao Dr. João Alves.  Portanto, a causa da diferença permanece misteriosa. O pessoal de cima, com exceções, parecia ser menos tradicionalista, enquanto os moradores da Rua de Baixo, ou seja, da Rua Padre Teixeira e arredores, eram conservadores, vivendo numa região riquíssima em cultura popular, onde as tradições eram mantidas. Vale dizer ser a região mais antiga da cidade, onde toda nossa história começou. Daí o visual “ouro-pretano”. Houve um tempo, já bem longínquo, que esse era o visual de toda a cidade. Mas enquanto construções modernas surgiam na parte de cima, a parte de baixo mantinha seu estilo barroco parecendo guardar ali a alma mineira como dentro de um relicário. 

  “Éramos uma única família”, conta minha mãe com olhar sonhador. E explica: “A Rua de Baixo era a Padre Teixeira. Mas as pessoas que moravam nas ruas próximas eram todas unidas da mesma forma. Era tudo igual”. 

   O mesmo não acontecia com a outra parte da cidade. Não havia uma rua específica com o nome Rua de Cima. Porém havia o Largo de Cima, a atual Praça Dr. Carlos.  Cyro dos Anjos, no seu livro “A Menina do Sobrado”, fala do seu medo de apanhar se andasse sozinho pelo Largo de Baixo. É que ele residia no Largo de Cima!   

Casa da avó de Virgínia na Rua de Baixo

          Na minha infância essa diferença era bastante visível. Eu a sentia dentro de casa. Meu pai era cria da Rua de Cima e minha mãe só deixou a Rua de Baixo após o casamento. Meu avô paterno, Basílio de Paula Ferreira, habitava na Dr.Veloso, isto é, na parte de cima da cidade. E meus avós maternos moravam na Padre Teixeira. As casas eram parecidas, mas não a forma como viviam. Minha tia Maria era uma “cosmopolita”, usando perfumes franceses, com cabeleireira pessoal cuidando dos seus cabelos diariamente e outras sofisticações. Suas primas da Rua de Baixo, embora bem vestidas, eram adeptas da simplicidade.  Vovô Basílio gostava de brincadeiras.  Puxava nossas pernas com a bengala, nos colocava em seu colo, nos fazia cócegas. Se por esquecimento - visto que ele não gostava disso - pedíamos a benção, respondia: “Deus te abençoe, seu nariz é de boi.” E ria alto.

     As visitas aos outros avós aconteciam cerca de uma vez por semana. Lá chegando, o pedido da benção era obrigatório. Vovô Olimpio respondia de forma tradicional, com seriedade, me olhando nos olhos. “Deus te abençoe minha neta”. Os rituais eram sagrados na Rua de Baixo. Eu gostava imensamente das duas casas e dos dois vovôs. Infelizmente, não conheci minha avó Joaquina. 

         Minha mãe manteve expressões usadas na Rua de Baixo por muito tempo, mesmo quando não mais faziam sentido. Ainda mantém algumas. Cito dois exemplos: a “porta da rua” e “o café do meio dia”. Na Padre Teixeira as casas não tinham alpendres. As portas eram voltadas para a rua, daí a expressão. Já na nossa primeira casa, ganhávamos a rua por um corredor lateral.  Mesmo assim, a porta  da sala de visitas era chamada ‘porta da rua” por minha mãe. O motivo só pode ser um: na Padre Teixeira saiam para a rua sempre pela porta da  sala principal. 

      Nossa segunda casa tinha porta para um alpendre. No entender de minha mãe seria essa a porta da rua.  Até que deu certo. Era a única porta de saída da casa sem contar com o portãozinho do fundo do quintal. Porém, em 55, mudamos para uma chácara com a casa lá embaixo. Três portas dando para o alpendre em frente ao muro vizinho. Uma saindo da biblioteca, outra saindo da sala de visitas e a terceira, a mais usada por todos, saindo da sala de jantar. Para chegarmos na rua temos de subir por uma extensa área ajardinada até ao portão que dá acesso à Avenida Coronel Prates. Seria o “portão da rua” sem sombra de dúvida. Portão da rua? Tal expressão nunca existiu na Padre Teixeira do passado. As casas não tinham portões! Com toda certeza minha mãe percebeu que, na parte de cima da cidade, até as casas eram diferentes. Muda-se então  a definição de ‘Porta da Rua” para  a porta principal da casa, a mais usada. Mas a expressão permanece. Ainda hoje ela me pede ao  deitar. “Verifique se a porta da rua está fechada.” 

         Já o “Café do Meio Dia” foi mistério para mim durante muito tempo. Ao meio dia estávamos no almoço. Era comum um cafezinho após a refeição, mas o café do meio-dia era servido às 3 horas da tarde! Por que “do meio-dia?” Resposta: porque era servido ao meio dia na Rua de Baixo! Minha mãe mudou de rua, adaptou-se aos novos horários, mas não mudou a maneira de falar. Ela conta que houve demora na adaptação. Quando solteira, costumava se levantar às cinco da manhã. O almoço já estava pronto às nove. Ao meio dia tomavam o “Café do Meio Dia”. Jantar às três. Lá pelas sete horas da noite vinha uma refeição ligeira. Às nove horas já estavam dormindo. 

        Vem o casamento. Minha mãe mora um ano na casa dos sogros. Hora de levantar: seis horas ou sete! Almoço ao meio dia! Que fome! Às 3 da tarde, o café com pão. Jantar às sete da noite. Recolhimento para dormir só depois das 10 horas! Tudo muito diferente. “Que povo prosa esse da rua de cima”, pensa minha mãe recém-casada, ciente que, do outro lado, estavam dizendo: “Que povo jeca esse da Rua de Baixo.” 

        Claro está que não era  bem assim.  E nem tudo era rivalidade. Meu pai, por exemplo, além de ser “de cima”, tinha estudado fora: Belo Horizonte, Juiz de Fora e Niterói. Tinha alargado bastante os horizontes, sem deixar de ser norte-mineiro. Dava o maior valor às sapiências antigas tão enraizadas na Rua de Baixo. Ao escrever seu livro “Montes Claros, Sua História, Sua Gente e Seus Costumes”, muito se valeu da sogra, sogro e  esposa em suas pesquisas. “Fina, como é mesmo aquela simpatia para ficar bonita?” Resposta de mamãe: “Basta comer cabilouro atrás da porta.!” “Tia Lica, preciso da receita de João Beó para meu livro.” E lá vem vovó com tudo escrito. Foi com eles que aprendeu a  penitência pra chover, a reza para curar espinhela caída e por aí afora. 

    Meu avô colaborou de outra forma. Ficou a seu cargo as partituras musicais de todas as músicas folclóricas e modinhas. Era músico e compositor de mão cheia. Tocava clarineta, foi membro da Orquestra Carlos Gomes e da Banda Euterpe. Fazia sabão, fabricava inseticida com folhas de eucalipto da Chacrinha  (que jamais provocava alergias), e jóias diversas, ourives que era.  Todo seu trabalho era feito num cômodo especial por ele denominado Tenda. Que vontade de rever aquele lugar, de poder visitar a casa inteira. Não sei ainda como fazer isso, mas, posso ter um gostinho através da memória. Convido a todos a irem até lá comigo enquanto recordo certa manhã.

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