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terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Os Aglutinadores - o 10º


Na vizinhança dos 500 mil acessos, montei alguns post aglutinadores, para facilitar o acesso, por assunto, então fiz assim com 
Os Posts Mais Acessados (link) 
Os Posts Mais Comentados (link) 
As Viagens de Homerix (link)

Neste último, 6 dos posts listados eram também posts aglutinadores, os das viagens dos EUA, Inglaterra, Turquia, Dubai, Peru e Chile, cada um deles com um número de capítulos, um deles chegando a 23!!

Afora estes criados agora, entretanto, eu também já tinha adotado essa prática de aglutinação organizadora explícita, o que mostro a seguir.

Barack Obama é uma das estrelas do meu blog. Tenho alguns amigos mais à direita que eu que fazem um muxoxo quando vêem essa minha predileção, quase idolatria, mas que se danem! O post aglutina 15 outros posts, que vão desde antes de sua primeira eleição, até a despedida, 8 anos depois, e culmina com o espetacular livro de Michelle.

Com que, então, a primeira formanda em Beatlemania, lá no Reino Unido e eu aqui de longe também me 'graduava', ficticiamente, e apresentava 20 cadeiras da grade regular, 15 cadeiras da grade eletiva, e ainda oferecia a opção de 15 cursos de verão. Portanto, são 50 os posts aqui aglutinados!

3. Bond, James Bond
Um dos carros-chefes do meu blog, o post aglutina 10 posts, sendo 6 de curiosidades sobre a maior franquia do cinema, 58 anos já) e 4 de resenhas dos filmes de 007 com Daniel Craig no protagonismo!

4. O Espaço, a Fronteira Final
Um dos carros-chefes do meu blog, o post aglutina 11 posts sobre Jornada nas Estrelas, sendo 8 de curiosidades sobre a maior franquia de ficção científica da TV e do cinema, e 3 de resenhas dos filmes de com a nova turma comandada pelo genial JJ Abrams.
5. Neymar no Homerix
O Santos, meu time, é um dos carros-chefes do meu blog. Os anos de 2010, 2011 e 2012 foram mágicos para meu time, e Neymar foi o principal responsável por isso. Hoje, em dia, ele está meio por baixo, andou dizendo e fazendo bobagens, dentro e fora do campo, mas nada pode apagar o que foram aqueles três anos com ele no meu time, pelo quê serei eternamente grato!!! Fiz um levantamento, e aqui estão 27 posts em que ele é o personagem principal.

6. Os Livros do Homerix
Os livros que resenhei.... tinha curiosidade para fazer essa conta, afinal, das pouco mais de 200 ocorrências do Marcador 'Livro', com certeza mais de 100 foram dedicadas aos livros de minha filha. Atualmente o contador está em 58 Livros resenhados.

7. Os Filmes do Homerix
O Marcador Cinema é o mais frequente no blog, aparece em 240 posts. Num meticuloso levantamento, encontrei 176 filmes para os quais fiz resenhas. Neste post aglutinador, divido esses filmes em 9 categorias.

8. A Saga de Dona Mira
Minha querida sogra teve em 2013 um ano deveras complicado, tudo começando com uma queda em casa, e à medida que a coisa ia evoluindo, eu ia mantendo minha turma informada, até o completo restabelecimento. Foram 8 posts, envolvendo os progress reports e também alguns comic reliefs.
9. Retrospectiva das Retrospectivas 
Durante 9 anos, em dezembro, eu fiz retrospectivas do dito-cujo, normalmente em poeminhas, e teve um ano com 100 estrofes... mas o ânimo para fazê-las arrefeceu, e não faço mais, para protesto de um ou outro leitor.
E agora, criei mais um!!

10. A Odisséia de Homero ... na America!

Passei 51 meses de minha vida morando com a família nos Estados Unidos. Eu ainda não era o profícuo escritor que sou, mas vez por outra mandava umas cartas pra alguns interlocutores, família, amigos e até inclusive algumas autoridades da imigração americana. Acabei de compilar 15 posts, acrescentei um outro que já tinha, sobre o Modo de Viver Americano, e eis que surge este novo aglutinador.



A Odisséia de Homero na America

Como muitos sabem, eu fui indicado para a gerência contábil-financeira da subsidiária da Petrobras em Houston, e lá morei com minha família. O período padrão dessas missões permanentes, como chamam na empresa, é de dois anos, mas tive desempenho bom o suficiente para duas renovações de um ano. No total, ficamos lá 4 anos e 3 meses, de 4 de outubro de 1999 a 4 de janeiro de 2004, portanto completei meu 46° aniversário no aeroporto de Houston, a caminho do Rio de Janeiro, finalizando o mais intenso e tenso período de minha carreira, concomitante para a maior experiência da minha família.

Eu ainda não era esse escritor profícuo que viria a me tornar, era muito antes de eu estabelecer a AssinaVENtura de e-mails, e mais de uma década antes de criar meu blog, em 2010. Entretanto, eu ia escrevendo um que outro relato de minhas experiências lá, para variados interlocutores. Resolvi registrá-los aqui, em mais este post aglutinador.

A seguir, então, encontrem um link para o relato, no nome de cada capítulo, e uma breve descrição do contexto da coisa.

A coisa começou até antes da viagem!

1. A Different Household

Minha empresa tinha responsabilidade por meu visto L1, bem como dos vistos L2, de Neusa Renata e Felipe, de trabalho temporário, junto às autoridades consulares americanas, aqui no Rio. Entretanto, minha família era peculiar, pois eu levaria sogra e cunhado e, como achávamos que precisaríamos de ajuda, levaria também nossa ajudante. Para eles, eu tinha que batalhar sozinho pelos vistos B1/B2 de turista, apesar de, claro, o fato de eu ir em missão oficial, deveria ajudar. Tenho certeza, entretanto que a carta de apresentação que escrevi teve papel decisivo, especialmente para o caso da ajudante.


2. Exílio Americano

Cerca de seis meses depois de chegar em Houston, fiz meu primeiro relato, na verdade uma carta de agradecimento ao Camargo, VP da Braspetro, quem deu a palavra final de minha nomeação, apesar de eu ter ciência de que a decisão foi de um triunvirato, completado por Figueira, o Diretor de Exploração da Braspetro e de Barbassa, o Diretor Financeiro, a quem aliás, eu iria responder tecnicamente. No relato, conto como foi a viagem, a chegada, e a adaptação da família à nova vida!

3. A Globo em Nossa Vida Americana - Parte 1
4. A Globo em Nossa Vida Americana - Parte 2
5. A Globo em Nossa Vida Americana - Parte 3
6. A Globo em Nossa Vida Americana - Parte 4

Na carta 'Exílio Americano' do item 2, eu digo que a primeira coisa que comprei foi a mesa de ping-pong. Menti! Antes disso, a primeira coisa que comprei ainda na missão de reconhecimento, foi a assinatura da Globo Internacional, que havia chegado a Houston no mês anterior à nossa chegada! E ela foi um Fator Crítico de Sucesso para nossa missão, pois tínhamos Dona Mira, e sua adaptação àquela situação com a qual jamais sonhara seria muito facilitada. E assim foi!
Ocorre que nossa amiga Heloísa, a mãe do melhor amigo que o Felipe deixara no Brasil, era Diretora de RH da Globo, então a mantivemos informada da evolução da programação, aproveitávamos para criticar alguma coisa e muitas vezes era atendido. Foram quatro essas comunicações.
Sei que hoje em dia, a Globo é atacada por direita e por esquerda, mas os críticos me perdoem, ela foi e é muito importante para nossa família. Quem não quiser saber a quantas andou a evolução da programação e nossas reações, que pule esses quatro itens.

7. O Câncer e o Cowboy!!!

Este foi provocado por uma mensagem preocupada de  uma prima minha, alertada que foi pelo meu irmão, que eu estava com câncer...

8. Paul is Back in US
Esta foi a divulgação que eu fiz do melhor show que vi naquele meu período em Houston. Tinha que ser de Paul McCartney. E o fiz em inglês porque era pra divulgar para os colegas da subsidiária.


9. Primeira Página, Aqui e Lá

Após a visita de um primogênio (sem o 't' mesmo), questionei-o sobre uma característica dos jornais americanos, provocando um interessantíssimo ensaio!

10. Antológico

Das mais legais coisas que fiz foi assistir junto com meus filhos o Anthology, 
uma caixa com 5 DVD's com os Beatles contando a história deles.

11. Ventura Family Status - Last year in Houston
Uma última comunicação com nossa amiga Heloísa.


12. Teatro na escola americana
Felipe e seu violino no Musical Hello Dolly, no Highschool.
E um elogio à formação de teatro americana.

         13. Up yours, Mrs Upchurch 
        Uma carta à autoridade de imigração americana... Só faltou desenhar!

14. A Volta do Exílio (antes)
A preparação para a volta ao Brasil

     15. A Volta do Exílio (depois)

         A chegada, e a readaptação ao Modo de Viver Brasileiro

     15. CFO Deu-se
        Um texto escrito uns anos depois, sobre um episódio financeiro, 
        mostra como foi minha vida profissional durante os quatro anos
        de meu maior desafio da carreira.

     16. Mico Fenomenal 

                A história de meu mico, cantando Garota de Ipanema, 
                na melhor rádio de Classic Rock de Houston.


     17. Projeto 'Um Pouco de AwOL'

       Para finalizar, por que não colocar aqui o que foram minhas experiências 
       com o jeito de viver americano, em 23 episódios?

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Toda vez que eu ..., eu me lembro de ...

Certas coisas que se faz usualmente que te fazem lembrar de alguma pessoa....
  1. Toda vez que eu atravesso a rua fora da faixa, eu me lembro do meu amigo Milas, especialista em SMS (Segurança, Meio Ambiente e Saúde), que me diz: "Não importa o quão longe você está do veículo em sua direção, pois você pode tropeçar ou ter um mal súbito e o motorista pode não ter tempo de parar ou desviar! Você pode até não morrer do motivo da queda, mas pode morrer atropelado! "
  2. Toda vez que eu desço uma escada, eu me lembro do mesmo Milas, que me diz: "Sempre use o corrimão das escadas, tropeços são sempre inesperados e se você está de mãos livres, pode demorar décimos de segundo preciosos até encontrar um apoio que poderá evitar um estrago maior. Ah, você me diz que corrimões são poços de bactérias, ok, então, ao menos, ande com a mão 'voando' por sobre o corrimão, melhorando o tempo de reação!"
  3. Toda vez que vou pegar um elevador público, eu me lembro do colega Heber, que me disse: "Ao aguardar a chegada do elevador, posicione-se a montante do mesmo, para liberar o caminho de saída dos passageiros que sairão, isso evitará choques desnecessários, ou no mínimo, interrupções ao fluxo ótimo das pessoas!"
  4. Toda vez que eu vou usar um cotonete no ouvido, eu me lembro do mesmo Heber que lembrava de uma recomendação de seu otorrinolaringologista: "Seu ouvido é tão delicado que a coisa mais fina que pode entrar nele é o seu cotovelo!"
  5. Toda vez que eu vou enxugar meus pés ao sair do banho, eu me lembro de meu primo Renato, que me diz: "Tenho tanto pavor de frieiras e micoses provocadas pela umidade que eu uso um secador de cabelos para deixar os pés bem sequinhos!
  6. Toda vez que eu faço a barba na pia, eu me lembro de Márcia, amiga da Neusa, recém-casada, que reclamava de uma coisa que o recém-marido fazia que ela não suportava: deixar a pia cheia de cabelinhos da barba, sem ao menos passar uma água...
  7. Toda vez que eu coloco uma calça em pé, eu me lembro de um conselho que ouvi no rádio: "É fundamental que a pessoa perceba o momento de que chegou a idade em que é melhor sentar-se para colocar calças... melhor não arriscar a queda!"
  8. Toda vez que vejo uma moto se aproximar pelo retrovisor direito, eu me lembro do meu amigoTessarollo, que me aconselhou, em minha chegada após 4 anos fora do país: "Melhor abrir caminho pra ele, pra não correr o risco de ele meter o pé no seu retrovisor!"
  9. Toda vez que o sinal de rádio some em túneis, eu lembro (também) do Tessarollo, que me disse que túneis tinham antenas à jusante e à montante para garantir o sinal do celular, mas não o das ondas do rádio.
  10. Toda vez que alguém diz: 'Uma imagem vale mais que 1.000 palavras", eu me lembro do meu amigo Camargo que, após assistir AO MESMO SHOW de Paul McCartney que eu, me disse: "Homerix, vou ficar esperando sua análise para saber O QUE EU VI HOJE, pois sua palavra vale mais que 1.000 imagens"
  11. Toda vez que alguém me diz uma expressão em francês, eu me lembro (também) do Camargo que definiu meu cunhado doente como 'Enfant de Dieux', ao conhecer a história dele, através de um texto meu.
  12. Toda vez que eu conheço um Fulano DE Tal, com a preposição no meio, eu me lembro de meu amigo João Carlos Araújo dizendo: "De Araújo coisa nenhuma, este João Carlos não é DE ninguém!"
  13. Toda vez que sou apresentado a alguém, eu me lembro de meu primo Carlos Eduardo contando como Presidente Bill Clinton apertou sua mão, olhando firmemente nos olhos dele, e prestando total atenção a seu breve currículo que um terceiro lhe contava. Isso é o que os americanos chama de 'undivided attention'
  14. Toda vez que eu como maçãs argentinas, eu me lembro do meu pai Saul, que as tinha em quantidades obscenas, e que sempre cortava um pedaço e chamava 'Merooo!', um segundo antes de lançá-la para mi, no outro lado da sala.
  15. Toda vez que testemunho uma situação de traição homem mulher, eu me lembro de meu amigo Sicrano de Tal que dizia: "Existe uma linha tênue entre a fidelidade e a traição", ao justificar sua prática. Não conto quem é o Sicrano nem amarrado... aliás, nunca pulei aquela linha, aliás, nem cheguei perto, aliás ... vem a última citação ...
  16. Toda vez que eu faço 50 outras coisas, eu me lembro de Neusa, que me ensinou a viver desde que me conheceu, há 41 anos....

O privilégio de servir

Neste domingo, participei de uma experiência abençoada. 

Eu e Neusa participamos de uma caravana a Piraí, aqui no interior do Estado do Rio, logo ali após a subida da Serra das Araras. Nosso carro estava cheio de sacolas para meninos. Um segundo carro, com Guilherme e Ângela, tinha sacolas para meninas.

Ao chegarmos ao portal de Piraí, lá pelas 10 da manhã, lá estavam nossos condutores, Coité, Dayse e seu pai, parceiros moradores da região, que nos levariam aos locais de entrega de felicidade, além de Romilda e esposo, que vieram de Resende, especialmente para compor a caravana, e aí a caravana subiu a três veículos. Sem eles, nada do que viria, seria possível! Saímos pela estrada pelo asfalto, mas não entramos pela cidade, e de repente estávamos em estradas de terra. Que bom que estava um dia lindo, senão seria difícil ficar se desvencilhando de lama. 


Daí, não vimos mais asfalto até o início da noite, quando só então, demos o processo por encerrado, sem tempo de experimentar o charme do local, com quase todas as 110 sacolas entregues. Voltamos ao asfalto, só então parando para 'almoçar', no último restaurante antes da serra. Depois, mais duas horas de viagem e entrega das caravaneiras acompanhantes em seus endereços, e chegar em casa às 10 da noite, e desabar no sofá, um dia que começara às 7:30, quando saímos de casa rumo ao ponto de encontro, na Seara de Amor e Luz, na Rua da Passagem, para abastecermos os carros, fazermos a prece de encaminhamento e sairmos para a luta.

E Madureira, Acari, Ramos e Jardim Gramacho, no Rio
Outras 10 caravanas saíram rumo a pontos selecionados (algumas já foram no sábado), seja na capital, em comunidades como Ramos, Acari, Jardim Gramacho, Madureira, e também no estado do Rio, como a 'nossa' Piraí, Governador Portela, Seropédica, e alguns mais longínquos, como Araruama, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio e Resende! Nossa caravana, a de Piraí, encaixava-se perfeitamente no objetivo original do 'Natal nas Estradas', que era sair sem destino em estradas vicinais em busca de oportunidades de fazer caridade. 

A maioria das outras caravanas já tinha destinos definidos (um ou dois em cada lugar), selecionados por um trabalho prévio, em instituições, em ONGs, em comunidades, com agentes locais, normalmente pastores ou padres, ou líderes comunitários, que pesquisaram antes o número de crianças, que gênero, que idade, que condição, então as sacolas já iam com nome da criança e nome da mãe, e elas eram chamadas a um ponto de encontro, ou no templo ou num galpão, e então se fazia a entrega. 

A nossa caravana era diferente, ela não tinha endereços definidos, então nossa chegada era surpresa absoluta, ninguém era avisado. A caravana de Governador Portela também era em estradas. Nosso objetivo era 'catar criança' pelas estradas, e nossa felicidade ao encontrá-las, imensa! Após a chegada a Piraí, foram oito horas de poeira, identificação de 'oportunidade', que podia ser uma criança, ou grupo de crianças, o que provocava êxtase nos caravaneiros, ou mesmo uma casa ao longe com roupa de criança estendida no varal, e aí começava a rotina de parar o carro, descer e perguntar: 'Ó de casa!!',  'Tem criança aí?', 'Que idade?', 'Tem grávida?', 'Apareçam aqui!', e quando chegavam, começava a busca pela sacola correta, menino/menina/idade, a felicidade ao encontrar, entregar, testemunhar a felicidade, abraçar, se emocionar, registrar, uma rotina abençoada... 

Romilda, o faro
A admirar-se o faro da parceira Romilda que, de repente, saía do carro, no meio do nada, sem razão aparente, mas logo depois vislumbrava-se uma porteira, uma ponte, um buraco aonde havia uma casa, às vezes de pau-a-pique, escondida do mato da estrada, de onde aparecia uma mãe, com uma criança a tiracolo. Quase invariavelmente, as crianças vinham acompanhadas de cachorros, muitos cachorros, esses,sim, invariavelmente, muito magros. 


Vivi - Neusa - Cláudia
Entre uma parada e outra foi que ouvi de uma das nossas caravaneiras o título deste texto. A jovem e brilhante palestrante Vivi, em meio à celebração por mais uma entrega bem sucedida e sorrisos auferidos de crianças e parentes, ela lembrou, emocionada: 
'É isso que Chico Xavier 
nos ensinou a experimentar, 
o privilégio de servir!'
ao que uma lágrima desceu de meus olhos. Tanto ela como a outra companheira Cláudia são experientes em ações do tipo, já participaram de ajudas a moradores de rua, e outras do gênero, muito amor no coração.

Jurema, Nazaré, Odiléa,
Yvelize e Neusa
Não se pode esquecer nisso tudo o extenuante trabalho da equipe do 'Natal nas Estradas', uma das muitas sessões da Seara destinadas à caridade, que é organizadora desses eventos, já há muitos anos, hoje com um grupo de cinco voluntárias (e algumas agregadas, vez por outra), que passam a maior parte do ano na coleta e organização de doações, mobilização de amigos, separação dos itens por idade e gênero, e identificação de necessidades, e se responsabilizavam pela compra do que estava faltando, tudo para ficar prontinho para o grande dia!!! 

Cada sacola continha uma roupa completa (short ou saia ou conjunto, cueca ou calcinha, camiseta, vestido e um calçado), classificado por idade (1 a 10 anos),  brinquedo (bola, de capão ou plástico, carrinho, boneca, boneco, jogos) balas, bolacha (ou biscoito?), e um kit de higiene (pasta e escova de dentes, sabonete, pente). Nas sacolas de bebês, a serem entregues às grávidas, fraldas, cueiros, roupinhas de bebês, kit de higiene, mamadeira e outros itens. Eram 5 sacolas de 1 a 10 anos para meninos, outras 5 para meninas, e 10 para bebês. Foi desta última categoria que mais sobraram sacolas, e mais umas poucas das idades menores, o que denota que estão chegando menos crianças neste mundão, se bem que uma delas tinha uma criança no colo e levava em seu ventre o décimo filho, ai, ai ai.... 



Bem, mesmo assim, as sacolas não entregues de nossa aventura (muito poucas) ficaram com os nossos guias da região, que se comprometeram a reorganizar as que haviam sido desmembradas para atender a necessidades específicas de alguma criança, e distribuí-las até o Natal. 

Acresça-se que os amigos  também trouxeram presentes no porta-malas, embrulhadinhos com capricho, que muito serviram mais para o final do dia, quando às vezes tinha criança mas não tinha a sacola apropriada ao gênero e idade! 

Além de estarem municiados com frutas, sanduíches, salgados, água (com gás, eeeehh!!) e outras coisas que ajudaram a enganar nossa fome!!! Não podíamos desperdiçar uma hora para voltar ao asfalto e almoçar... isso refletiria em 15 sacolas a menos de felicidade!

Poxa, que dia foi esse?! 

Nem fiquei triste em perder o melhor jogo do meu time no campeonato, onde carimbamos a faixa do campeão com um sonoro 4x0 ... mas pude ouvir, e vibrar, no rádio do carro!! Vai, Santooooos!!! Foi mais um motivo para complementar a felicidade de um dos melhores dias de minha vida!!! 

Senti-me com um Papai Noel, nossos carros como trenós, os cavalos do motor como as renas, os anõezinhos fabricantes de brinquedos como as voluntárias alimentadoras das sacolas, no setor da Seara não à toa conhecido como 
Fábrica de Felicidade 

Uma verdadeira bênção!

domingo, 8 de dezembro de 2019

Um Dia Para Não Esquecer...


Neste dia, há 39 anos  ....


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O dia 8 de Dezembro é uma data notória!

         Ela se encaixa, para muitos, num pequeno grupo das datas mais conhecidas pelo Mundo Ocidental, como:

      25 de Outubro de 1917      
               Revolução Bolchevique,
        6 de Junho de 1944      
      Desembarque na Normandia,
      22 de Novembro de 1963      
               Assassinato de John Kennedy,
      11 de Setembro de 2001      
               Atentado terrorista
      5 de Novembro de 2008      
               Um presidente negro é eleito nos EUA
      8 de Dezembro de ......


      O ano, 1980;
       O fato, um assassinato;
        O país, Estados Unidos;
         A cidade, New York;
          O endereço, Rua 72, Nº 1;
           O local, entrada do edifício The Dakota;
            A noite, pouco enluarada;
             O dia, uma segunda-feira;
            A hora, 22:50;
           O modo, tiros de revólver;
          A bala, Dum-Dum, que explode ao atingir o alvo;
         O ferimento, 4 perfurações nas costas;
        O assassino, Mark David Chapman;
       A vítima, John Winston Ono Lennon;
      O motivo, desconhecido.

         Pois é, nesse dia, Sean e Julian perderam o pai, Yoko Ono perdeu o marido, Paul McCartney perdeu seu grande parceiro e amigo, o mundo das artes perdeu um gênio, os defensores da paz perderam seu ativista mais famoso! E, em última instância, porque não dizer, o mundo da música perdeu a esperança de ter os Beatles de volta, da maneira mais trágica e definitiva possível!
         Naquele dia, uma lágrima rolou em muitos milhões de rostos por todo o mundo, tristes pela perda, chocados pela surpresa, indignados pela violência. O fato provocou enorme demonstração de consternação, uma das maiores da história,  quando, em muitos pontos do planeta, tudo parou por 10 minutos, numa vigília realizada 4 dias depois, em homenagem ao astro desaparecido.
         Terminava então, tragicamente, a passagem de John Lennon pela Terra. Uma vida de sucesso entremeada por momentos traumáticos.

Uma Noite Iluminada
         John veio ao mundo numa noite iluminada, em 9 de Outubro de 1940! Não era uma brilhante lua cheia que iluminava a noite, mas, sim, a luz das explosões provocadas pelo intenso bombardeio alemão que atingia a cidade de Liverpool no momento de seu nascimento. Liverpool era, então, o mais importante porto da Inglaterra, porta de entrada das mercadorias provenientes da América, um dos alvos ingleses preferidos da Luftwaffe durante a 2ª Guerra Mundial.

Os Pais Ausentes
         O pai de John, Alfred, garçom de navios, abandonou a família logo depois da nascimento deste último e partiu, pelo mundo, num navio mercante. A mãe, Julia, não perdeu tempo e logo se casou novamente. O padastro, no entanto, não queria saber do filho do outro. John cresceu, então, na casa de Tia Mimi, irmã de Julia. Apesar do ambiente familiar de classe média, propiciado pelos tios, John cresceu revoltado com o abandono dos pais. Seu comportamento rebelde causava, freqüentemente, enormes constrangimentos à tia Mimi.  Ele conseguiu ser expulso do jardim de infância, aos cinco anos de idade, dentre outros eventos!
         Mas, John gostava muito de sua tia Mimi! Assim que ele ganhou dinheiro suficiente com os Beatles, deu a ela, de presente, uma bela casa de praia, toda mobiliada, em que se destacava um quadro com uma guitarra pintada a óleo e uma inscrição em letras douradas que repetia as "sábias e proféticas" palavras dela, proferidas alguns anos antes:
-       Tudo bem quanto a tocar guitarra, John, mas não pense que vai ganhar a vida com isso!

A Mãe Presente e Perdida

Júlia e John
         Aos 15 anos, John voltou a conviver com Julia, e tinha nela, não só uma mãe, mas uma amiga, com seu espírito jovial. Amante do Rock and Roll, que começava a despontar nos USA, ela ensinou a John os primeiros acordes musicais em um banjo. Extrovertida, andava com John para todos os lados e os amigos dele a adoravam. Brincalhona, costumava andar com óculos sem as lentes, parava um transeunte e pedia-lhe uma informação qualquer. Enquanto a escutava,  Julia coçava os olhos através dos aros só para ver a reação do coitado!
         Tudo ia muito bem, até que o destino deu um duro golpe no rapaz: em Julho de 1958, quando atravessava a rua da casa de sua irmã para pegar um ônibus, Julia foi atropelada por um policial bêbado, de folga, sendo lançada a 10 metros de distância, e morrendo instantaneamente, aos 44 anos de idade.

Stuart Sutcliffe
A Perda do Melhor Amigo
         No Liverpool Art College, onde estudava, John, por seu temperamento arredio, tinha poucos amigos. O maior deles, um elogiado aluno de pintura, Stuart Sutclife, era o companheiro de todas as horas, dos bons e maus momentos, das brigas e das farras com as garotas. Por insistência de John, que o convencera a comprar uma guitarra-baixo, Stuart acabou fazendo parte dos Beatles, bem antes da fama.
         Mas, o negócio dele era a pintura! Em Hamburgo, na Alemanha, onde os Beatles permaneciam longos períodos, eles conheceram Astrid Kirchherr, uma fotógrafa intelectual que logo se apaixonou por Stuart. Astrid foi responsável pelas primeiras e históricas fotos dos Beatles. Numa dessas viagens, Stuart optou por desenvolver seu elogiado trabalho na pintura e acabou ficando por lá, vivendo com a namorada Astrid. Algum tempo depois, no entanto, morreu, com 21 anos de idade, vítima de um aneurisma no cérebro, lesão provavelmente iniciada em uma das muitas brigas em que se metia juntamente com John. Este último carregou, desde então, uma ponta de culpa pela morte do melhor amigo, pois tais brigas eram invariavelmente causadas por ele e sua língua ferina.

O Inferno das Drogas
         Após três anos de fama mundial, os Beatles, influenciados pelo ambiente em que viviam, se tornaram vítimas naturais das viagens prometidas pelas drogas alucinógenas, ajudados até mesmo pela ingenuidade de sua juventude, que não estava muito bem informada sobre a magnitude de seu efeito nocivo. Começaram pela maconha e logo chegaram ao LSD, o ácido lisérgico.
         John era sempre o pioneiro nos experimentos e não há dúvidas que muitas de suas melhores músicas foram produzidas nessa época, durante 'viagens' alucinantes, apesar de ele sempre negar. Uma das negativas mais famosas foi quanto à famosa Lucy in the Sky with the Diamonds, acusada de ser uma ode às drogas, por causa das iniciais L, S e D. John negava, veementemente, a influência, alegando que a inspiração viera de um desenho de Julian, seu primeiro filho, então com quatro anos, que mostrava sua amiga Lucy voando em meio a diamantes. Muito difícil acreditar nele, entretanto, após observar a letra da música, povoada por citações como  ....cellophane flowers of yellow and green... , ...newspaper taxis appear on the shore... , ...with your head in the clouds..., ...the girl in caleidoscope eyes... e tantas outras!
Desenho de Julian
         John foi mais fundo e chegou à beira do abismo! Uma vez, em meados de 1966, chegou efetivamente perto! Paul McCartney e George Martin estranharam a ausência prolongada de John em uma sessão de gravações nos estúdios da EMI em Abbey Road, traçaram seu caminho e encontraram-no no telhado do edifício, pronto para realizar de verdade o sonho de voar que sua mente, então afetada, lhe sugeria em imagens alucinantes.

         John só se libertou das drogas após um intensivo tratamento a que se submeteu em 1971 juntamente com Yoko, em Los Angeles, num momento em que até heroína havia entrado em seu cardápio alucinógeno.

A Vigilância da CIA e do FBI
         Profundo admirador de New York e do american way of life (e para fugir do Taxman britânico), John decidiu fixar residência nos Estados Unidos em finais de 1971. Mas não seria nada fácil! Visto pelas autoridades de segurança americanas como um verdadeiro animal político, John teve todas as dificuldades possíveis para obter permissão para viver em solo americano. A CIA, principalmente e o FBI mantinham vigilância constante em todos os seus passos. Ele fazia parte de um seleto grupo de 7.200 indivíduos considerados muito perigosos pela CIA. Seu telefone era grampeado, seus passeios, tanto a pé quanto de carro, eram seguidos de perto por agentes nada discretos. A pressão era tamanha que chegou a comentar com amigos:
         "Caso algo aconteça a mim ou a Yoko, saibam que não foi acidente! (.....)"
         Seu Greencard (e de Yoko) só foi concedido no início de 1975, após longo processo, quando ele já havia diminuído a zero seu nível de atividade política.

Momentos de Paz / Prelúdio para a Morte
John e Sean
         Em 9 de Outubro de 1975, nasceu Sean, seu primeiro filho com Yoko, após 3 abortos não programados. John anunciou, então, que iria retirar-se, completamente, da vida artística por um período indeterminado, um pouco por pressão de Yoko e muito por remorso: John se culpava por não ter acompanhado de forma adequada o crescimento de seu primeiro filho Julian, então com 12 anos, devido à loucura da Beatlemania. Decidiu então que, desta vez, seria diferente!
         Durante quase cinco anos ficou em casa, trocando fraldas, preparando mamadeiras e dedicando-se totalmente a Sean enquanto Yoko cuidava (e bem!) da administração de seu patrimônio. Só pegava no violão para cantar para seu filho e ensinar-lhe, ainda que prematuramente, os primeiros acordes.
         Em meados de 1980, decidiu que era hora de voltar! Numa viagem para as Bahamas, produziu, em poucos dias, material musical suficiente para encher dois álbuns completos. Numa primeira seleção, montou aquele que seria seu último álbum, enquanto vivo, Double Fantasy, cujo carro chefe era a faixa (Just Like) Starting Over, que, já no título, anunciava o seu começar de novo.
         Seu retorno foi festejado pela imprensa, que, seguidamente, o chamava para entrevistas. Numa delas, realizada naquela mesma segunda-feira, 8 de Dezembro de 1980, aos 40 anos de idade, um Lennon de bem com a vida desfilou seu clássico humor e, entre devaneios sobre vida e morte, declarou:
         "Eu e Yoko já temos tudo planejado para chegarmos até os 80 anos!"

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Encontro de John com Chapman
         Tudo poderia ter saído conforme seus planos se, na volta dessa entrevista, um certo jovem de Atlanta, de nome Mark David Chapman, não o estivesse esperando em frente ao The Dakota para, após cumprimentá-lo e deixá-lo seguir, apontar uma arma para suas costas e chamar:

                                            "Mr. Lennon!"
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sábado, 7 de dezembro de 2019

Primeira Página, Aqui e Lá

Resgatando os temas da época de meu tempo em Houston, 
descobri esta aula do Jornalismo!
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Meu primo Carlos Eduardo é livre-docente em jornalismo, ou seja, ensina jornalismo a doutorandos, já foi chefe de redação da Folha, Ouvidor no mesmo jornal, e seu correspondente em Washington. Pouco? Comandou o Roda Viva! Acho que chega, né!

Quando morei em Houston  notei diferença na diagramação dos jornais americanos em relação ao nosso. Numa ocasião, ele nos visitou mas não toquei no assunto. Somente quando ele voltou ao Brasil, lembrei-me da minha dúvida e entabulou-se o seguinte diálogo.

EU
Carlos Eduardo, como foi o retorno, tudo certo? Daniel estava bem? Gostou das lembranças e da camiseta da NASA?
Bem, neste dia em que a primeira página dos jornais deverá estar dedicada ao primeiro dia de guerra, tenho uma pergunta técnica de jornalismo escrito.
Notei que a editoração do texto das chamadas de matéria de primeira página de um jornal é elaborado distintamente aqui, em relação ao Brasil. Ao menos nos jornais que li, NYTimes e Houston Chronicle, o que aparece na primeira página é o começo da matéria, remetendo ao final para uma página interna onde a mesma continua e termina.
Já nos jornais do Brasil, eles fazem um resumo da notícia na primeira página, remetendo ao final para uma página interna onde se lê a matéria completa, com detalhes.
Existe um nome técnico para cada um destes tipos de editoração?
Existe uma razão para os defensores de um ou outro método?

Particularmente eu prefiro o brasileiro.

Um abraço
ELE
Tudo certo no retorno, exceto o mergulho numa pilha de papéis, jornais, revistas, e-mails acumulados e no trabalho cotidiano, que já é uma violência.
Você tem razão. Os jornais brasileiros trazem "chamadas" ("teasers" em inglês) na primeira página, uma espécie de resumo dos textos que aparecem na íntegra nas páginas internas. A única exceção notável aqui é a Gazeta Mercantil, que usa o sistema americano/britânico de iniciar o texto na primeira página e continuá-lo nas internas ("iceberg" em português e "jump" em inglês).
Uma das reclamações mais constantes dos leitores americanos de jornais é contra os jumps. Eu acho o sistema brasileiro muito superior. Quem quiser ler só o resumo na primeira já fica satisfeito. Além disso, se você quiser ler na íntegra todos os textos que começam na primeira página, no sistema de jumps terá de ficar abrindo e fachando o jornal sucessivas vezes.
Um abraço a todos aí.
EU


Resultado de imagem para muito além do jardim botânicoExcelente resumo! Aliás, gostei muito do "iceberg", em português!
Só faltou dizer (não pergunto mais nada!): quem chegou primeiro, o teaser ou o jump? O teaser foi invenção brasileira (quem dera!)?
Afora isto, fui à Internet fazer pesquisa: o livro em que você analisa a audiência do JN é "Muito Além do Jardim Botânico"? Ainda se encontra nas livrarias? Expliquei para as crianças o fantástico trocadilho do nome, já que o filme não é da época deles. Apesar de eles serem amantes de cinema, sobretudo o Felipe em relação a clássicos antigos, ainda não os introduzi no fenômeno Peter Sellers. Eles tem uma certa resistência mesmo a ver The Party, nem mesmo eu falando que foi o filme em que eu mais ri, logo após Monty Python - Search of the Holy Grail. Bem, na verdade, Felipe já assistiu a Dr. Strangelove e gostou. Talvez seja o primeiro passo.

ELE
teaser é invenção brasileira, sim, e veio depois. Chegou a ser parcialmente adotada pelo New York Times em meados da década de 80, quando um dos diretores de redação do jornal era um ex-correspondente no Rio, que adorou o método que se usava aqui. Depois, o Times resumiu seu uso a uma ou duas por dia, bem pequenas.
O "Muito Além do Jardim Botânico" ainda está nas livrarias, sim. 
Outro dia mesmo eu o vi na Cultura.