sábado, 12 de setembro de 2026

OUÇA e LEIA - Drive My Car... fundo sexual?

 

 Esta é mais uma edição do Papo do Contramestre, 

a conversar sobre The Beatles, suas canções, suas vidas 

quadro do programa Submarino Angolano, 

da Rádio LAC, Luanda Antena Comercial, 95,5 FM

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PRA OUVIR O QUE VEM A SEGUIR!

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Olá, amigos do Submarino Angolano!!!

Aqui é Homero Ventura, directo do Brasil

Seguimos a acompanhar o que aconteceu há 60 anos na vida dos Beatles…

>> Entra instrumental de Norwegian Wood

Olá, amigos do Submarino Angolano!!!

Aqui é Homero Ventura, directo do Brasil

Seguimos a acompanhar o que aconteceu há 60 anos na vida dos Beatles…

Coloque-se em Abbey Road, na noite de 13 de outubro de 1965.

É o 2º dia de gravações para o que viria a ser o 6º álbum da banda, Rubber Soul, além de um single Duplo Lado A, sensacional.

No dia anterior, duas canções haviam vindo ao mundo, Run For Your Life e Norwegian Wood!

Hoje era dia de mais uma Lennon/McCartney

 

1. Drive My Car   (70%  Paul McCartney)

Paul propõe: 'Baby, você pode dirigir meu carro, sim, eu vou ser uma estrela, você pode dirigir meu carro e talvez eu te ame!'

Paul estava com uma melodia promissora e uma péssima letra na cabeça e foi à casa de John para consertarem, juntos. Era ruim mesmo … tipo assim:

"You can buy me golden rings /

get me all the kind of things /

oo, if (you) can buy me rings /

then baby I'll love you."

Nossa, que coisa horrenda!!!

Ninguém queria mais rimar “ring” com “thing” que é muuuito pobre, e além disso eles já havia comprado Diamond Rings my friend if that makes you fell alright, um ano antes!! Ficaram verdadeiramente embatucados, já estavam a caminho de terminar uma sessão vazia, como  nunca antes, quando decidiram tomar um chá, fumar um cigarrinho, que era regra,  e Paul veio só no final, com um 'Drive My Car' salvador, associado com um matador 'Beep Beep Yeah' e aí John e ele mataram o resto, desenvolvendo uma letra pra relacionar garoto, garota e carro, e com o requinte, usual, de fazerem três versos com letras diferentes, entremeando refrões com  ("Baby, you can drive my car...").

Ali no final, no 3ºverso, parece que, na verdade, quem fala é a garota, dizendo que ele podia dirigir o carro dela mas

‘I got no car and it's breaking my heart, but I've found a driver and that's a start’,

 o motorista sendo ele.

O You can drive my carteria também uma conotação sexual implícita, mas são apenas rumores!

Bem, naquela noite, sim, eles chegaram para trabalhar apenas às 7 da noite, "Drive My Car" foi gravada em quatro tentativas, sendo a última a única tomada completa. 

A faixa rítmica contou, Paul McCartney no baixo, George Harrison na Fender Stratocaster e Ringo Starr na bateria. 

Registre-se que foi a primeira vez na história beatle que a carruagem virou abóbora! Sim, a sessão passou da meia-noite, pouco, mas passou, apenas 15 minutos! E foi a primeira de muuuiitas! Teve até as que ouviram o galo cantar!!!

Musicalmente, a canção começa com um riff  de guitarra, que é feito por Paul e ele vem em overdub, já que na base, ele leva seu competente baixo, 

Entra introdução com e baixo, ambos de Paul

O baixo de Paul é fundamental...

Segue o baixo de Paul

Nos versos, o que se ouve é a guitarra de George tocando as mesmas notas do baixo de Paul, uma oitava acima, uma sugestão de George aceita pelo poderoso autor.

Entra guitarra de George nos tons mais baixos

Percebe-se bem aqui no Take 4 em sua base instrumental, junto com a guitarra de George, e a bateria de Ringo. 

Entra a guitarra de George e a bateria de Ringo

Depois vieram os overdubs!!!

George tentou fazer o solo de guitarra, mas não houve jeito de Paul aprovar, ele tentou muitas vezes, até que finalmente, Paul decidiu ele mesmo fazê-lo!!!! George teve que ter muita paciência... e nada podia fazer, a canção era de Paul, ele era o grande gerente da coisa toda!!

Entra o solo de guitarra slide de Paul.

Portanto é Paul quem faz o solo em ótima guitarra slide, após o segundo refrão, numa sessão verso sem letra. E ficou realmente ótimo!

Ouça aqui Ringo no adorável cowbell

Entra aqui Rino cowbell de Ringo

Adoro Cowbell, vocês sabem, mas desta vez não contei quantas vezes, mas conto que o adorável instrumento começa logo após o riff inicial e vai até o final, só interrompendo estrategicamente nas últimas frases de cada verso, para dar o devido destaque à letra que conclui os versos, e à participação de George harmonizando. 

Beep Beep Yeah

Beep Beep Yeah

Ô banda boa!!!

A canção não tem a guitarra base de John...

John também adicionou pandeiro!!!

Breve pandeiro de John

E é John quem apõe o  ótimo piano dos refrões. 

Entra o piano de John nos refrões  junto com cowbell de Ringo

 John é importantíssimo no vocal, fazendo a harmonia baixa com Paul, e interessante é que, nas 3 primeiras frases dos versos, ele varia as notas, com Paul no lead repetindo uma nota só,

Entra apenas vocal de John e Paul nas 3 primeiras frases

I told that girl that my prospects were good
And she said: Baby, it's understood
Working for peanuts is all very fine

Seguem assim na última frase só que agora com o auxílio de uma terceira voz, de George, numa 6ª constante!!!

Entra vocal isolado de George harmonizando na última frase

But I can show you a better time

Baby, you can drive my car

Yes, I'm gonna be a star

Baby, you can drive my car

And maybe I love you

e nos refrões, é Paul quem varia as notas na melodia, lá no alto, enquanto John mantém quase sempre uma nota só, no andar de baixo!

Entra vocal de Paul e John

Baby, you can drive my car
Yes, I'm gonna be a star
Baby, you can drive my car
And maybe I love you

E, na hora do 'Beep Beep mm Beep Yeah', 

Entra apenas vocal de Paul e John e George

 Beep beep'm, beep beep’m, yeah

George se une aos dois em harmonia tripla! Paul ficou muito feliz com a presença de George pois o som da harmonia tripla fazia realmente parecer com uma buzina!

Note que até o cowbel até para, para dar o devido destaque à presença de George na harmonia!

Ô banda boa!! 

Apesar do apelo do 'Beep Beep mm Beep Yeah', que poderia levantar multidões, como sempre levantavam os ‘Yeah Yeah Yeah’s, de She Loves You, Drive My Car nunca foi tocada ao vivo pelos Beatles.

Felizmente, Paul a tocou muito na carreira solo, mais de 300 vezes, e foi presença notável no famoso CD Paul Is Live, de 1993. O mais marcante feito de Drive My Car, na minha opinião, entretanto, é que ela foi escolhida pra ser uma de 4 canções que Paul tocou nos minutos mais bem pagos do mercado mundial, o intervalo do Super Bowl . o futebol americano. 

Foi em 2005. 

E ela abria a seção!!! As outras foram Get Back, Live And Let Die e, claro, Hey Jude.

Entra Drive My Car com Paul McCartney no Super Bowl em 2005

Bem, venham agora convencer Paul McCartney a ser motorista de uma garota!!

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Projeto By Homerix - Dirige Meu Carrão - OUÇA e LEIA

Este Projeto By Homerix não tem qualquer fim lucrativo. 

Tem caráter meramente lúdico.
Serve apenas ao intuito de mostrar que sempre é possível fazer versões fiéis das canções dos Beatles, com  métrica e rima adequadas ao efeito.
Os áudios aqui veiculados foram gravados e editados em ambiente amador por sobre instrumental extraído das canções originais.
Eles são destinados ao público leitor do Blog do Homerix, e NÃO DEVEM ser veiculados em qualquer ambiente público no Brasil.


Aqui minha versão de 

Drive My Car
(by Lennon & McCartney)

Lançada em Dezembro de 1965 em Londres
E em Março de 1966 no Brasil

  • Na letra, consegui perto de 95% de correspondência com a letra original, com as adaptações necessárias da métrica. 
  • Deixei pra lá os rumores de que havi cunho sexual no "dirige meu carro"!!!!
  • Adorei minhas soluções da "azaração", "gostei do tom" e "tá na mão"! 
  • Na música, não tive dificuldade de acompanhar o tom de John, tive que fazer a harmonia uma oitava abaixo da que Paul fez, mas ficou bom
  • Não há versões conhecidas de Drive My Car em português.

Clique no Play Verdinho para ouvir


 
E siga a versão logo abaixo

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"Drive My Car"… “Dirige Meu Carrão”

Asked a girl what she wanted to bePerguntei o que queria ser
She said baby, "Can't you see?"… Ela disse, “Não pode ver?
I wanna be famous, a star of the screen… Vou ser famosa, atriz no telão
But you can do something in between"… Mas por agora, azaração!

Baby you can drive my carBem, dirige o meu carrão
Yes I'm gonna be a star… Sim eu vou ser sensação
Baby you can drive my car… Vem aqui no meu carrão
And maybe I'll love you
Talvez eu te ame

I told the girl that my prospects were good… Disse que tenho prospectos bons
She said baby, "It's understood… Ela disse, “Gostei do tom!”
Working for peanuts is all very fine
Trampar por nada não é tão ruim
But I can show you a better time"… Mas posso te dar  bom tempo, sim!

Baby you can drive my car… Bem, dirige o meu carrão
Yes I'm gonna be a star… Sim eu vou ser sensação
Baby you can drive my car… Vem aqui no meu carrão
And maybe I'll love you… Talvez eu te ame

Beep beep mm, beep beep yeah… Perguntei o que queria ser

Baby you can drive my car
Bem, dirige o meu carrão
Yes I'm gonna be a star… Sim eu vou ser sensação
Baby you can drive my car… Vem aqui no meu carrão
And maybe I'll love you
Talvez eu te ame

I told that girl I can start right away… Eu disse a ela, vai ser é pra já
And she said, "Listen baby I've got something to say… E ela me disse: tenho algo a falar
I got no car and it's breaking my heart… Não tenho carro, dói o coração
But I've found a driver and that's a start"
Mas achei um piloto e tá na mão.

Baby you can drive my car… Bem, dirige o meu carrão
Yes I'm gonna be a star… Sim eu vou ser sensação
Baby you can drive my car… Vem aqui no meu carrão
And maybe I'll love you
Talvez eu te ame

Beep beep mm beep beep yeah… Beep beep Fom Fom yeah
Beep beep mm beep beep yeah Beep beep Fom Fom yeah
Beep beep mm beep beep yeah… Beep beep Fom Fom yeah

Beep beep mm beep beep yeah (fade out) … Beep beep mm beep beep yeah


terça-feira, 8 de setembro de 2026

Star Trek - Jornada nas Estrelas

CLIQUE NO PLAY VERDINHO

para ouvir o que vem a segui!!



Homerix em Áudio
A celebração dos 60 anos de Star Trek

Em 30 de julho de 2022, morreu a Tenente Uhura!
Nichelle Nichols, aos 89 anos!
E eu disse:
Rest in Peace ... in your last Star Trek!
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A tripulação de Jornada nas Estrelas perdeu uma pioneira! 
Foi fazer companhia ao Doutor Spock! 
Scotty deve ter comandado o teleporte final!
E McCoy deve ter prestado os primeiros cuidados em sua chegada!

Ela estava entre os que foram, audaciosamente, aonde nenhum homem jamais esteve, em busca de novos mundos, novas vidas, novas civilizações, numa missão prevista para durar cinco anos, e que chega agora aos 60.
Restam firmes por aqui Sulu, Chekov e o próprio Capitão Kirk, que inclusive teve seu alterego William Shatner viajando ao espaço efetivamente!
Voltando ao início...
O 1º Episódio de Star Trek foi ao ar em 8 de setembro de 1966, na NBC americana! No Brasil, chegou em 14 de janeiro de 1968, já rebatizada de Jornada nas Estrelas, e eu, aos 10 aninhos, estava lá, se não na estreia, mas certamente a mosca me pegou ainda na primeira temporada!
Na data de hoje, há 60 anos, portanto, o mundo conheceu a Nave Estelar Enterprise, aconstumou-se a ver artefatos inexistentes à época, mas que foram se materializando ao longo das décadas, e começou a admirar a impagável relação entre o seu Comandante, o intrépido e intuitivo humano James Tiberius Kirk, e seu Oficial de Ciências, o racional e lógico vulcano Sr. Spock, com suas orelhas pontudas. Este último, nada surpreendente que fosse racional e lógico, afinal as duas virtudes estão no sangue de quem nasce em Volcano, e na educação que recebem, na doutrina que é seguida por todos. O que deixava a personalidade de nosso Spock mais fascinante é que ele tinha um pezinho na Terra: seu pai Sarek encantou-se com a malemolência de uma professora terráquea, e deu uma daquelas escorregadas a la Lugo, o bispo matador, que pecou, pois o voto de castidade que tinha era paraguaio (quem lembra?). Brincadeira, a coisa era séria, e eles eram casados de papel-passado, lá no planeta Vulcano, que só tinha gente séria!
Então, o interracial estelar Spock vivia em batalhas internas para tentar entender como pensava seu capitão, que fazia às vezes tomava atitudes contrárias à boa norma lógica e era bem sucedido. Spock pensava nas probabilidades, Kirk contava com a sorte. Os papos entre os dois personagens eram sempre pontilhados de ironias em que as diferenças entre humanos e vulcanos apareciam. E aos poucos, Spock foi aceitando Kirk como um amigo, coisa impensável se ele fosse um puro-sangue: em seu planeta natal, a amizade era, ou acho que era um sentimento irracional. Ou talvez, fosse amigo dele por ser ético assim ser!
A interracialidade era uma constante na tripulação da Entreprise. Seus principais tripulantes, além do americano Kirk, e do extraterreno Spock, eram o médico americano McCoy, o inglês Scott, o russo Chekov, o japonês Sulu e a africana Uhura. Duas coisas impensáveis à época: em plena guerra-fria, um russo numa posição de comando à frente de americanos, e, num país que dois anos depois mataria o líder negro Martin Luther King, uma mulher negra co-habitava com não-negros em posição de comando. O próprio Dr. King elogiou a série por isto, inclusive pediu ditretamente à atriz, que desejava sair após a 1ª temporada para trabalhar na Broadway, que continuasse no papel pela importância que isso causava no ânimo das mulheres negras. E com ela ocorreu a primeira cena de beijo interracial na TV americana, com o Capitão Kirk, que era o galinha da série. Aliás, vou deixar aqui o relato de Nichele Nichols, a nossa Tenente Uhura, de como foi o encontro dela com Dr. King... é de arrepiar!! Ela estava num banquete quando foi informada de que 'um fã' queria conhecê-la. Até chorei ao ler o relato dela... vejam...
"Achei que era um Trekkie, um fã de Star Trek, então eu disse: 'Claro.' Olhei para o outro lado da sala e quem quer que fosse o fã teve que esperar, porque era o Dr. Martin Luther King caminhando em minha direção com um grande sorriso no rosto. Ele estendeu a mão para mim e disse: 'Sim, Srta. Nichols, eu sou seu maior fã.' Ele disse que Star Trek era o único programa que ele e sua esposa Coretta permitiam que seus três filhos pequenos ficassem acordados para assistir. [Ela contou a King sobre seus planos de deixar a série porque queria aceitar um papel ligado à Broadway.] Eu nunca cheguei a dizer a ele o porquê, porque ele disse: 'você não pode, você não pode... pela primeira vez na televisão, nós seremos vistos como devemos ser vistos todos os dias, como pessoas inteligentes, de qualidade, bonitas, pessoas que podem cantar, dançar e que podem ir para o espaço, que são professoras, advogadas.' O Dr. King Jr. foi além, afirmando: 'Se você sair, essa porta pode ser fechada, porque o seu papel não é um papel de negra, e não é um papel feminino; ele pode preenchê-lo com qualquer pessoa, até mesmo um alienígena.'"
Legal pensar num mundo em que não existe o dinheiro, as necessidades de todos são atendidas, as doenças do planeta já estão todas mapeadas e curáveis. Um mundo sem países ou religiões, onde todos pertencem apenas à raça humana. ALGUÉM SE LEMBRA DE UMA CERTA CANÇÃO DE UM CERTO JOHN LENNON? Imagine!  Americano, Russo, Japonês são apenas referências geográficas, a coisa subiu um nível, e o importante é saber se o indivíduo é Humano, Vulcano, Romulano ou Klingon. Ao escrever-se um endereço numa correspondência, tem que se acrescentar não o país em que se vive mas .... ‘Terra’. Escrevi e até fiz um áudio sobre isso, aqui, neste LINK.
A série durou apenas 3 temporadas, teve um relativo sucesso, mas não o suficiente para uma 4ª incursão. A admiração somente apareceu mesmo, e em níveis de histeria coletiva, quando ela começou a ser reprisada, nos anos iniciais da década de 1970. Termos como phaser, teleporte, dobra espacial, começaram a ser entendidos por mais gente. A coisa virou febre, fã-clubes pipocavam nos Estados Unidos e ao redor do mundo. Kirk, Spock e sua turma viraram ícones.
Os principais responsáveis pela febre tiveram reações díspares ao fenômeno. William Shatner chegou a rejeitar a fama de Kirk, temeroso por ficar eternamente atrelado à imagem do personagem, criticava a onda, e dedicava aos que se aproximavam dele por causa de Kirk um mal-educado: "Get a life!". Entretanto, logo percebeu que a coisa era inevitável e que poderia seguramente se dar muito bem com o fenômeno, e acabou se rendendo às evidências, aparecia nos festivais de Star Trek, e era ovacionado, enfim, acabou gostando da coisa.
Já Leonard Nimoy foi mais resistente. Ator respeitável com uma carreira sólida no teatro, não admitia de jeito nenhum que ficasse eternizado apenas como o-ator-que-um-dia-interpretou-Spock. Ele chegou a escrever um livro intitulado 
"I Am Not Spock"
que provocou uma revolução na comunidade, crises de choro convulsivo, cartas de decepção chegavam aos borbotões em sua caixa de correio. Ele acabou voltando ao grupo para as filmagens do cinema, dirigiu dois dos seis filmes iniciais, que tiveram grande sucesso, e acabou por resolver o conflito interior, quando lançou um segundo livro sobre o tema, quase 20 anos depois do primeiro, desta vez intitulado: 
"I AM SPOCK"
Aquela não foi a única falha de avaliação de Nimoy com relação à franquia: foi-lhe oferecido participar da produção de uma segunda série de Star Trek, "The Next Generation", por volta de 1985, e ele recusou, achando ser impossível que a coisa desse certo uma segunda vez. 
SÓ QUE DEU!!! 
E deu certo mais um montão de vezes, afinal vieram "Deep Space 9" e "Voyager" e "Enterprise" e "Discovery" e "Picard" e "Lower Decks" e "Prodigy" e, agora, "Strange New Worlds" uma pre-quel da série original. 
Veja-se na figura o montão de filhos de Gene Rodenberry, agora já chegando ao 4º Milênio!


Como se vê, a tripulação original fez 6 filmes na telona, a da "Nova Geração" outros 4, e mais recentemente teve um ótimo ensaio sobre como tudo começou, com 3 filmes com a mesma tripulação original.
"A Nova Geração" ficou bem oito anos em cartaz na telinha, numa Enterprise modernizada para o Século XXIV, e muito por causa do charme do ator shakespeareano Patrick Stewart interpretando seu francês capitão Jean Luc Picard, e da simpatia de Data, o andróide que queria ser humano! E ainda ganhou o direito de perpetuar a série na telona em mais 4 filmes. Data pode ter sido uma das razões para o fim dos filmes, afinal estava difícil manter o ator que fazia o papel de andróide com a cara imutável, já estava ficando constrangedor. Além disso, contribuiu o pouco sucesso do 10º filme. SÓ QUE NÃO! O ator voltou, há uns 4 anos com o mesmo personagem na séria "Picard"
Os últimos 3 filmes da telona foram uma retomada ou "reboot" que ofereceu uma boa linha de continuação da magia, justamente tentando recuperar a mágica interação entre os dois títeres, Kirk e Spock, contando como tudo começou. O resultado foi ótimo, bem recebidos pelos fãs, mesmo tendo destruído Volcano, provocando uma outra linha do tempo. A continuidade ainda está em jogo, principalmente depois da perda do astro que fez o novo Chekov, num incrível acidente doméstico.
E o nome do filme lançador da retomada na telona foi bastante interessante, super-apropriado para quem queria um recomeço....
... simplesmente ...
“Jornada nas Estrelas”.
Pudemos embarcar novamente!
Beam me up, Scotty!


quarta-feira, 2 de setembro de 2026

É Legal Ser Negão no Senegal


Renata esteve no Acre a divulgar seus livros, 
a convite e expensas do SESC.
E testemunhou o inclemente sol. 
E me lembrei da expressão Calor Senegalês!
Em homenagem àquele país, relembro 
minha experiência lá em 2006 
Eles vêm apresentando um crecimento consistente. 
A escala do gráfico, vai de 0 a 7% aa.

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É Legal Ser Negão no Senegal

Sangue em praça pública? É possível, permitido e oficializado em alguns lugares do planeta, e sem muitos traumas. Uma sólida introdução, antes de chegar ao tema... Por favor, encarem este meu ensaio como informativo. 

O título deste ensaio, nada original, roubo-o de uma música de Chico César por ser sonoro, e por ser um pouco a expressão da verdade. Não sou um especialista em África, mas posso dizer que aquele é um país que tem futuro. Visitei o Senegal em 2006, a trabalho (claro!). Foi o sexto país africano que visitei, e me deixou boa impressão. Foram somente dois dias em Dakar, portanto, não se espere um diagnóstico vasto e preciso. E calma, o país está longe de ser uma Namíbia, que a colonização alemã deixou mais ou menos em ordem, “limpinho, nem parece África!”, como nosso atual presidente falou ao lá chegar em visita de seu primeiro mandato. Os senegaleses continuam sendo pobres, mas têm alguma perspectiva. Ou seja, não é a melhor coisa do mundo, mas é legal.
Pausa para uma atualização de 2026. Como eu falo bem das perspectivas do país, é importante eu deixar aqui a evolução do PIB, nos últimos 20 anos... Nooooosa, essa viagem minha já fas VINTE ANOOOOOS!!!???


Bem, como podem ver, tem crescido direitinho, não? 

Parece então que minha impressão inicial teve algum fundo de propriedade!

E estão assim, mesmo mantendo aquela prática (mééé), que eu vou explicar em seguida!

Voltemos ao texto original!

O Senegal é aquele país na pontinha mais ocidental da África, e sua capital Dakar, localiza-se bem na tal pontinha, é o ponto africano mais próximo da América do Sul. Ponto estratégico, meio caminho entre este continente e a Europa, Dakar foi por muito tempo utilizada como ponto de reabastecimento em viagens de avião entre os dois continentes. Seu mapa político é muito interessante, pois aparece uma língua mais para o sul, que não é Senegal, e sim outro país, Gâmbia, ao redor do rio do mesmo nome. Se observar-se bem o mapa, o conjunto Senegal / Gâmbia assemelha-se ao rosto de uma velha, de perfil, olhando para o oeste, sendo o nariz a pontinha de Dakar, e o traço da boca, Gâmbia. Interessante que notei isso logo de cara, e falei a meus interlocutores, que acharam o máximo, nunca haviam percebido, nem mesmo os locais.  Etnicamente, são exatamente o mesmo povo e falam exatamente a mesma língua nativa, o Uolof, mas por resquícios da colonização, na “boca” fala-se o inglês, no “resto do rosto”, o francês. Aliás, a configuração lingüística desta minha missão foi bastante confusa: acompanhava-me um italiano, num país de língua francesa, com os negócios sendo tratados na língua do petróleo, que é o inglês, que bom, pois não falo a língua do biquinho, mas tentava un peu, com as 17 palavras de meu vocabulário francês, e ainda arriscava de vez em quando um italiano nas conversas com meu camarada, e quando eu não sabia a palavra correta, ia buscar lá no espanhol. Então, uma verdadeira salada!
Sempre que chego a um país africano,lembro-me da saudação padrão de nosso gerente geral da Nigéria, que ele mandava por email a todos os viajantes da empresa para o seu querido país, que, entre outros conselhos, dizia: “Se, por acaso, você não tiver sido encontrado (por um agente da empresa) depois de passar pelo check-out de bagagens, não saia do aeroporto em hipótese alguma. Da mesma forma, nem pense em pegar um táxi, pois correrá risco de vida.” .... pausa para suspiro ...

       No aeroporto de Dakar, entretanto, você não sente o assédio das pessoas querendo vender algum tipo de serviço. Você passa pela alfândega, direitinho, sem visto (se tiver Passaporte de Serviço), não tem ninguém querendo extorquir dinheiro. Você pede uma informação, o sujeito dá, sem pedir nada em troca, você pega sua mala, não aparece ninguém querendo ajudar, passa a mala num raio-x, portanto sem niguém querendo abrir pra ver “se tem alguma coisa interessante” pra achacar. Ou seja, não tem que ter os famosos “cem dólahh” no bolso, pronto pra facilitar as coisas. Com relação à arquitetura, o terminal de desembarque ainda tem a cara “This is Africa”, meio caído, já o terminal de  embarque é todo novo, informatizado, cheio de mármores e luzes, como qualquer outro aeroporto decente. Poderiam ter começado a reforma pelo outro, que já seria um excelente cartão de visitas.
Na saída do aeroporto, você acaba se lembrando que está em África, um monte de desocupados zanzando, mas ninguém nos assediou, fomos direto ao ‘shuttle’ do hotel, passando por meio deles. No caminho, era de noite, mas já deu pra perceber que a cidade está em obras, um prédio aqui, outro ali sendo construído, mas também, ainda muitas ruas sem calçada, marca registrada africana. Ao longo dos dois dias, presenciamos largas autopistas e viadutos em construção. Por outro lado, andamos também por ruas de terra, que o motorista que nos levava usava para cortar caminho e escapar dos engarrafamentos provocados pelas obras e por outro motivo sobre o qual falarei mais adiante (mééé). Sim, ruas de terra, mas nada que se compare ao que eu presenciei no Chade, paupérrimo país centro-africano, sem mar, em que andei mais da metade do tempo em ruas de terra: nem mesmo a rua na frente do aeroporto merece o tratamento. Calma, as pistas para descida dos aviões são de asfalto, e na verdade, formam um percentual importante para o país, que tem menos de 500 km de asfaltamento.
A outra parte daquela mesma simpática nota que mencionei lá em cima, falava da malária. Dizia: “A malária é uma doença endêmica na África, e pode se manifestar em duas formas: malária recorrente, tipo amazônica, e malária do sangue, conhecida como malária cerebral. A malária cerebral é a mais comum na Nigéria, e pode matar, por hemorragia no cérebro, em até 72 horas..... pausa para suspiro ...

       Deveras tranqüilizador, não? No Senegal, a coisa não é tão catastrófica assim, têm incidência apenas em partes do ano, mas, como alerta a nota, é uma endemia. E, se existe a expressão “calor senegalês” é porque certamente, tem épocas do ano em que faz um calor bem propício para a proliferação dos mosquitos.
O Senegal é um país com 95% de muçulmanos, mas com total tolerância religiosa, havendo casos de membros de uma mesma família com religiões diferentes. Não são, portanto, radicais. As mulheres andam com roupa ocidental, ou não, é opção delas. A poligamia é tolerada, mas a maior parte dos casais segue a monogamia. Mantém as cinco rezas diárias voltadas para Meca, a obrigação de visitá-la uma vez na vida, enfim e outros costumes, um dos quais, eu falarei adiante (mééé). Muito do esforço de construção que presenciamos é por conta de uma conferência da comunidade islâmica internacional que acontecerá em Dakar em 2008. Mas muito também da atual política imposta pelo presidente e equipe, no poder desde 2000, de investimento para o futuro.
Tivemos oportunidade de conhecer o Ministro da Energia, o motivo de nossa visita ao país, onde tínhamos sociedade com uma companhia italiana na exploração de um bloco offshore. Trata-se de uma figura imponente, energética, alto, jovem, de forte personalidade, que nos recebeu em elegante traje muçulmano (e chinelos). Fora recentemente empossado, fruto da nova composição política do governo, depois da reeleição. Vindo da área financeira, estudou e trabalhou em Londres em posições de comando. Nos últimos quatro anos, era presidente da estatal de energia elétrica, e agora subiu de posto.  A reunião foi brevemente interrompida logo no início, quando adentrou a sala o Ministro de Estado da Justiça, que foi recebido pelo nosso ministro com extrema reverência. Apresentou-nos a ele, dando o devido destaque à nossa empresa, e mostrou que sabe das dificuldades e dos custos da atual indústria do petróleo, em uma breve conversa com o ilustre intruso, antes de pedir muitas desculpas e mostrar-nos a porta da sala, explicando que uma visita daquelas não pode ser adiada. Depois ficamos sabendo das duas categorias de ministro: os de Estado, das grandes pastas, pessoas de grande experiência e proximidade com o presidente; e os normais como o nosso alto interlocutor, num nível inferior. Não temos correspondência aqui. 

        Quando voltamos à sala, reiterou as desculpas pela interrupção. Enquanto tratávamos de nosso assunto, desfilava uma impressionante sequência de números, contando seus planos para o país. O país estava sendo reconstruído, como percebemos nas ruas. Seu conhecimento de finanças faz com que consiga altas somas de financiamentos externos (citou muitas cifras). O que mais impressionou foi quando disse que estão plantando o futuro, dedicando 40% (!!) do orçamento nacional para educação e 10% (!!) para a saúde. Que tal? Parece até mesmo um certo país de dimensões continentais que conhecemos aqui do outro lado do Atlântico, não? Bem, na verdade, aqui não precisamos disso tudo, temos excelentes resultados nos concursos internacionais de matemática e ciências....
Tem planos de longo prazo. A comunidade financeira internacional gosta disso e vem se mostrando disposta a ajudar, abrindo os cofres. Agrada também o fato de ser um país sem conflitos étnicos, com tolerância religiosa. O ministro diz que a mãe e a irmã dele são cristãs. No campo da riqueza, não quer cometer o erro de Angola e Nigéria, que gastam o que Deus (ou Allah) lhes deu em luxo para poucos, enquanto a população sofre. Eles sabem que terão petróleo, mas não querem esperar por ele e estão investindo pesado em infra-estrutura. O ministro é um workaólico, que trabalha das oito da manhã às 11 da noite, quando vai pra casa cuidar de sua “small family”, palavras dele, dormindo no máximo quatro horas por noite. Sua citação lembrou-me Napoleão, que dizia: duas horas de sono são suficientes para os comandantes, quatro horas para os comandados, e oito horas para os idiotas (ainda bem que estou mais pro meio!). 

       Contou que o Presidente, apesar de seus 82 anos, também tem esse pique, só que vai até as duas da manhã todos os dias. Disse que foram companheiros de luta e juntos ficaram na prisão, por mais de um ano. Disse que sua luta agora é contra o tempo. Diz: “We have a country to run!”. Não admite que se viaje dois dias para ter reunião em um e se retorne somente no dia seguinte: ele viaja de noite, passa o dia em reuniões e volta na noite seguinte. Reuniões em países árabes, aproveita para marcá-las em fins de semana, que são dias normais naqueles países. Quando volta, segue o ritmo normal de trabalho. Não há tempo a perder. Só falta Allah dar uma ajudazinha com o petróleo. E estávamos lá para tentar ser Sua mão. Inshallah!
O petróleo é a dádiva divina que falta ao Senegal, mas abunda em Nigéria e Angola. Este nosso irmão de língua portuguesa tem a riqueza já desde a década de setenta, mas sofreu durante mais de 25 anos com a guerra civil. Agora é finda a guerra, eles têm a sorte de serem poucos (pouco mais de 12 milhões de habitantes), os recursos estão aparecendo, o país está crescendo a dois dígitos, mas grassa vez por outra um certo hábito no alto escalão, que faz com que a distribuição não seja lá muito equânime. A Nigéria descobriu petróleo há mais tempo, já teve o seu auge, coincidentemente com o título de país mais corrupto do mundo. A atual administração quer acabar com a pecha, mas agora tem que distribuir riqueza por mais de 150 milhões de almas, concentradas numa área pouco maior que o estado de Mato Grosso (veja, sem incluir o do Sul). A pobreza é generalizada, há conflitos étnicos e uma religião não suporta a outra. Deu pra perceber a situação inversa de nossos amigos senegaleses?
Agora, a razão do mééé. Não é a 'marvada' pinguinha, como alguns apreciadores carinhosamente a chamam. Trata-se do som que mais ouvi em Dakar. Logo no primeiro translado entre o hotel e a estatal senegalesa, notei a presença nas ruas, em cada terreno baldio, ou em frente às casas, um pequeno acúmulo de cabras, ou em pé, ou deitadas em cima das outras, sendo movidas pra lá e pra cá, algumas teimosas sendo arrastadas. A cena ia se repetindo ao longo do caminho, de todo o caminho, quando o carro andava por ruas menores. Uma coisa impressionante! Na volta para o hotel, que começou às 18:00 horas, já anoitecendo, a cena continuava, agora sob a luz do luar, umas poucas de iluminação pública e das próprias luzes dos automóveis. Um número incalculável de cabras. Acho que vi seguramente muito mais cabra que gente. Aquela volta para o hotel demorou duas horas: era cabra atravessando rua, empacando na frente dos carros, sendo arrastadas. Aqui, temos o cabra da peste; lá, era uma peste de cabras. Acho que vi umas 10 mil, por baixo.
A explicação para esse movimento todo remonta aos tempos de Abrahão. Aquele profeta existiu antes da separação entre as três grandes religiões monoteístas de hoje: judeus, católicos e muçulmanos veneram Abrahão como um dos pais de sua religião. Diz a lenda que, para testar a fé do profeta, Deus ordenou a Abrahão que sacrificasse seu filho Isaac. O profeta não pensou duas vezes, pegou da espada, levantou-a sobre a cabeça do filho, e quando ia desferir o golpe, um anjo o impediu. Deus considerou prova de fé suficiente, e aceitou o sacrifício de um cordeiro em troca. E ele assim o fez, cortando a jugular do pobre bichinho, certamente no meio de um mééé. Pois é, a data é celebrada todos os anos, pelos muçulmanos, a Festa do Sacrifício. É o Eid al-Adha, a Festa do Sacrifício do islamismo. Ou, Tabaski, na língua local.

       Cada chefe de família repete o gesto de Abrahão, a Sunna, ali mesmo, no meio da rua. Faz parte do ritual a preparação da carne, depois de tirar a pele e os internos, que será dividida em três partes e dada aos pobres, aos parentes e para a própria família ao longo da semana seguinte. Como nem todos têm animais, as últimas semanas antes da festa são tomadas pelo comércio, daí a enormidade de caprinos que invadiu as ruas, vindas do campo, num mercado a céu aberto.  Outros países muçulmanos também seguem o costume, Líbia e Paquistão, por exemplo. Pelo que soube, não precisa ser cabra, pode ser ovelha, boi, enfim, pobres sacrificandos!
Felizmente, a linhagem cristã de Abrahão não celebra aquele momento máximo de comprovação de fé. Acho que os judeus também não o fazem. E, felizmente também, o dia do sacrifício era exatamente um dia depois, quando havia saído do país. Trata-se de um costume, na minha opinião, meio incompatível com um país que quer ser moderno. Por outro lado, como se trata de uma tradição milenar, aliás, de vários milênios, é uma coisa impossível de ser revertida. Passa de geração para geração, os meninos sonham com o dia em que farão a sua primeira degola.


Que bom que a coisa iria acontecer apenas no dia seguinte, o 17 de novembro.

Enfim, esse era o recado. Claro que o Senegal não é uma Brastemp, mas certamente estava-se traçando o caminho para se tornar. À época...

O feriado religioso é móvel. Neste ano da graça de 2026 foi em maio.


Méé
P.S: vejam abaixo como foram as transições de governo nestes últimos  20   anos. 
 Aquelas autoridades que conheci ficaram por mais 6 anos, e transmitiram 

 o poder pacificamente ... ou quase!!

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Senegal é considerado o caso mais estável da África Ocidental, mas os últimos 20 anos foram agitados. 

Resumo direto 2006-2026:

1. Abdoulaye Wade (2000 - 2012)

Estava no poder desde 2000. No final do segundo mandato, tentou um 3º mandato em 2012, argumentando que a mudança constitucional de 2008 zerava a contagem.Isso gerou os protestos do movimento M23. Muita tensão, mas ele acabou perdendo a eleição.

2. Macky Sall (2012 - 2024) - 12 anos

Chegou com promessa de reduzir mandato de 7 para 5 anos e de não fazer mais que 2 mandatos. Fez a reforma para 5 anos, mas manteve seu primeiro mandato de 7 anos. Período de muito crescimento econômico (PSE - Plan Sénégal Emergent), obras grandes, mas também acusações crescentes de autoritarismo e de prender opositores. O ponto mais crítico foi 2023-2024: o principal opositor, Ousmane Sonko, foi condenado e preso, o que o tirou da disputa. Protestos violentos com dezenas de mortes. Em fevereiro de 2024, Macky tentou adiar a eleição presidencial de 25 de fevereiro para dezembro, o Conselho Constitucional barrou como golpe institucional. Foi o maior crise constitucional da história do país.

3. Bassirou Diomaye Faye (2024 - atual)

Eleição finalmente em 24 de março de 2024. Uma virada histórica: Bassirou Diomaye Faye, braço-direito de Sonko, que tinha saído da cadeia há 10 dias, venceu no 1º turno com 54%. É o presidente mais jovem da história do Senegal (44 anos na época) e o primeiro que nunca tinha tido cargo público antes.A transição foi pacífica: Macky Sall reconheceu a derrota no mesmo dia e entregou o poder em 2 de abril de 2024.Faye nomeou Sonko como Primeiro-Ministro. Desde então governam com discurso de ruptura, soberanismo econômico, auditoria dos contratos de petróleo/gás e renegociação com França.

Então: de 2006 pra cá foram 3 presidentes, 2 alternâncias de poder completas, todas por voto, mesmo com crises fortes em 2011-2012 e 2023-2024. É por isso que o Senegal mantém a fama de exceção democrática na região, onde os vizinhos (Mali, Burkina, Níger, Guiné) todos tiveram golpes militares nesse mesmo período. 

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