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domingo, 18 de julho de 2021

Misery - The world is treating me bad

 Esta é a 2ª canção abre o álbum Please Please Me, o 1º dos Beatles

a história do álbum, assuntos e canções, aqui neste LINK

É uma de 5 canções sobre Saudade, na Classe Desespero

                                        as demais 5 canções de mesmo Assunto e Classe, neste LINK

Atenção, canções com títulos em vermelho são links que levam a análises sobre elas.

2. Misery  (Dispair Miss Song by Paul McCartney)

John, saudoso, clama que mandem sua garota de volta pra ele, porque sem ela, ele está em petição de miséria. 
 
É a segunda canção do álbum de estreia, que foi gravado todo em UM dia. Adoooro aquele pianinho que aparece na ponte! Aliás, é a primeira contribuição instrumental do Maestro George Martin. Interessante que ela foi composta pela dupla McCartney/Lennon (era assim que eles mesmos se chamavam naquele primeiro LP) para um outro artista. Sim, era para ser a voz de Helen Shapiro, uma jovem cantora já com dois hits Nº1 nas paradas inglesas, para quem eles abriam shows naquele início de 1963. O gerente dela, entretanto, visionário que era, relegou-a. Um outro artista que também fazia parte da tour, entretanto, gostou, então eles modificaram a letra para a ótica ma sculina, e Kenny Linch tornou-se o primeiro cantor a gravar uma original Lennon/McCartney.  (173) Kenny Lynch - Misery - YouTube Alguns dias depois, eles decidiram gravá-la, e John modificou um pouco mais ainda a letra, que era "You’ve been treating me bad" e passou para a nossa conhecida "The world is treating me bad" dando uma conotação muito maior à canção de Saudade, descambando para a Classe Desespero, como eu a defini. 
  
Misery começa numa ótima introdução de John e Paul cantando (quase) a capella a frase final do Verso 1, após o arpejo inicial de guitarra e piano, sensacional. A estrutura da canção mostrava dois versos, com letras diferentes, retratando a mágoa lá em cima (1), e a desesperança de vê-la novamente (2), depois uma ponte, desta feita diminuindo um pouco a tensão do lamento, com o pobre abandonado lembrando os momentos felizes que tiveram, depois um 3º verso volta com o desespero da súplica pela volta dela, sob pena de ele ficar sem chão, ou, traduzindo literalmente, 'continuar na miséria'. Depois, vem uma 2ª Ponte, agora rogando uma leve praga à malvada, finalmente repte-se o Verso 3. Na conclusão, ótimos UUuuu's e um perfeito La la la la la la em falsete!
 
E veio o inesquecível 11 de fevereiro de 1963, quando gravaram um disco inteiro, ou melhor, tudo o que faltava para completar as 14 canções requeridas para o efeito, e Misery foi a 5ª de 10 canções gravadas. O primeiro dos 11 takes, com todos em seus instrumentos,  e com Paul e John cantando juntos a letra toda, já foi perfeito, ou quase, e seguiram tentando melhorar, mas John errava a letra em um take, ou algum acorde em outro, ou George ajustando o volume da guitarra acolá, e Ringo passando a usar um pouco mais de caixa, ou ainda Paul melhorando sua linha de baixo. Adoro a única harmonia vocal, com Paul lançando seu agudo em todas as vezes em que se pronuncia o título da canção "..in miiiisery". Bem, no Take 7, George Martin pediu para o xará Harrison não tocar as notas descendentes que fazia na ponte, entre o "...all the litttle things we've done" e o "Can't she see she'll always be the only one, lonely one" pois decidiu que acrescentaria ali seu ótimo piano.  Aliás, a 2ª Ponte traz aquela praguinha mencionada acima, pois eles mudam a 2ª frase para "She’ll remember and she’ll miss her only one, lonely one.", mostrando desde cedo a preocupação em trazer o máximo de originalidade possível. Os Beatles eram avessos a mesmices. O Take 9 foi considerado bom, e partiram para a sessão noturna de gravações. No dia 20, sem a presença dos Beatles, George Martin gravou seu piano, mas ao ouvir, achou que a primeira parte não estava satisfatória e foi buscar a equivalente do Take 7, fez uma mixagem com a 2ª metade do Take 9, produzindo finalmente o Take 11, por sobre o qual gravou suas partes de piano nas duas pontes e também o arpejo inicial da ótima introdução, dobrando por cima da guitarra de seu xará. 
 
A canção nunca fez parte de nenhum ranking de melhores dos Beatles mas eu a considero sensacional, retrato perfeito daquele início romântico. Ao contrário das demais canções do álbum essa canção, por ter sido composta recentemente e para outro artista, não fora ainda tocada com frequência nos shows dos Beatles, daí o elevado número de takes para acertar o arranjo. Mas ela entrou no set list em alguns shows, e foi gravada também na BBC. Ali, não tem o piano de George Martin, pois volta a guitarra do outro George, agora perfeitamente executada!

6 comentários:

  1. Os Beatles eram avessos a mesmices. Falou tudo, Homero. Sempre foram inovadores. Eu tambem adoro aquelo pianinho...Viva George Martin. E a harmonia...Ah, a harmonia deles é única, rara. Por isso não havia como serem tão maravihosos em carreira solo. Musicalmente falando, além da inovações, a harmonia de suas vozes era coisa de anjos. Aquele som das suas vozes juntas nunca seria possível se estavam gravando sozinhos. Agora vou entrar no link. Eu não sabia dessa outra gravação. Obrigada.

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  2. Ótima faixa (das minhas favoritas do primeiro disco)
    Não entendo pq não faz parte das melhores... é uma jóia rara!

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  3. É lindo, lindo demais, como bem falou Homero.Eles harmonizavam muito,mais muito bem. É de se apaixonar. Tenho que dar razão aqueles fãs que desmaiavam, se ecabelavam...por eles.Beatles são realmente apaixonantes. Ainda hoje ao ver vídeos da época me arrepio. Isso sim é um fenômeno.Eles não gostavam de mesmice falou muito bem Homero.

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  4. Essa é a grande diferença dos Beatles para as outras bandas até os dias de hoje, cada canção nova era tudo novo não tinha a mesmice.

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  5. E pensar que, no início de 1963, os Beatles faziam a abertura de shows de outros cantores! Como no de Helen Shapiro, jovem cantora inglesa, com dois _hits_ em primeiro lugar nas paradas de sucesso. O gerente dela não quis apresentar a dupla McCartney/Lennon, cantando _Misery_ (“Miséria”), talvez antecipando que aquela dupla suplantaria todos os outros. E o cantor, Kenny Linch, gostou tanto que quis cantá-la, ainda com a primeira frase dizendo que “ela não o estava tratando bem”, (_you’ve been treating me bad_”) depois trocada, por John, para a forma que conhecemos, “o mundo tem me tratado mal” (_the world is treating me bad_).
    A gravação de _Misery_, quinta das dez canções selecionadas para o primeiro disco, começa com John e Paul cantando quase a _capella_, e participação do piano de George Martin; piano esse, substituído pela guitarra de George Harrison, o tempo todo, em apresentação na BBC.
    Não é das mais conhecidas, mas _Misery_ tem letra das mais inspiradas.

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