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quinta-feira, 28 de maio de 2020

Dante IV - Arquitetura do Inferno

Como disse, estou a ler a Divina Comédia de Dante.... e venho publicando aqui bits and pieces.

Os capítulos anteriores estão acessíveis nos links abaixo (clicar no nome)




Que tal uma voltinha no Inferno de Dante Alighieri? - La ParolaCANTO IV - O INFERNO - A ARQUITETURA

De engraçada A Comédia nada tem
Não é fácil ver as penas destinadas
Àqueles que não praticam o bem.

E se vê isso inda logo na entrada,
Aonde vagam os tristes ignavos, 
Que não fizeram mal em sua estrada,

Mas relaxaram ao negar centavos
A instâncias de qualquer bem, moral
Ou físico, o que lhes gerou agravos,

E fadados são até o final
A correrem de malvados enxames
De vespas, em castigo bestial.

Ao final do vestíbulo, há exames
Feitos à beira do Rio Aqueronte
E o vil responsável pelos ditames

É o deplorável barqueiro Caronte
Que analisa os crimes dos danados,
E não há alma sequer que o afronte

Ao ditar os andares destinados.
O Inferno é uma grande cratera
Como gigantesco cone avessado

Cujo vértice é o centro da esfera
Onde mora Satanás, o Anjo Caído.
Lá, entretanto, é o frio que impera.

Em suas garras estão os punidos
Pelo crime maior, a traição,
A sentirem os piores pruridos,

No Círculo NOVE da construção.
Depois dos ignavos, lá em cima,
O Círculo UM nos chama a atenção:

Num ‘Nobre  Castelo’, a pantomima,
Para os sempre fadados a vagar
Ainda que sem pena que os oprima,

Por motivo muito peculiar:
A falta do Diploma de Batismo!
Por ali, em eterno caminhar,

Os precedentes ao Cristianismo!
Nesse Limbo, estão Horácio e Homero,
Ovídio e Lucano, pais do lirismo.

Dali saiu Virgílio, com esmero
Para cumprir a missão lá do Céu.
Dali escapou o Primeiro Clero,

Quando Jesus, em enorme escarcéu,
Antes de ascender, ressuscitado,
Derrubou a porta do mau quartel

Pra resgatar profetas do passado,
Davi e Noé, Moisés e Abraão, 
E outros, assim, beatificados!

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Próximos Capítulos

Canto V - Inferno - As Transgressões
Canto VI – Inferno - Penas da Incontinência
Canto VII - Inferno - Penas da Violência e Bestialidade
Canto VIII – Inferno - Penas da Fraude Simples - Parte I
Canto IX – Inferno - Penas da Fraude Simples - Parte II
Canto X – Inferno - Penas da Traição
Canto XI - Arquitetura do Purgatório
Canto XII – Purgatório – Arrependimento e Severidade
Canto XIII – O Portal do Purgatório
Canto XIV – Purgatório - As Penas do Orgulho
Canto XV – Purgatório - O Pai Nosso de Dante
Canto XVI – Purgatório – Inveja e Ira
Canto XVII – Purgatório – Preguiça e Avareza
Canto XVIII – Purgatório – Gula e Luxúria
Canto XIX – No Paraíso Terrestre
Canto XX – A Arquitetura do Paraíso
Canto XXI - Paraíso - Lua, Mercúrio, Vênus
Canto XXII – Paraíso – Sol e Marte
Canto XXIII – Paraíso – Júpiter e Saturno
Canto XXIV – Paraíso – Estrelas Fixas
Canto XXV – Paraíso – Primum Nóbile e Inteligências Angélicas
Canto XXVI – Paraíso – Rosa Mística e Empíreo
Canto XXVII – Epílogo
Canto XXVIII – Nota AO Tradutor

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