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sábado, 8 de maio de 2021

Polythene Pam, so attractively built

Esta é a 6ª canção do Lado B do LP Abbey Road

E a 4ª do medley mais famoso da história do Rock

a história do álbum, cenário, assuntos e canções, aqui neste LINK

É uma de 7 canções com história engraçada

                                        as demais 6 canções de mesmo Assunto e Classe, neste LINK

Atenção, canções com títulos em vermelho 

são links que levam a análises sobre elas.

12. Polythene Pam (Funny Story Song by John Lennon)

John conta: "Bem, você devia ver Pam Polietileno, ela é tão bonita, mas se parece com um homem. Bem, você devia vê-la travestida usando sacos de polietileno" 

Terceira e final presença de John no espetacular medley de Abbey Road. Tem a mesma 'carreira' de sua antecessora Mean Mr. Mustard, em quatro estágios: (i) feita na Índia, durante o retiro espiritual dos Beatles em Rishikesh, (ii) não vingou no Álbum Branco, (iii) não aconteceu no Projeto Get Back, (iv) pra acabar, gloriosa, no medley. Apesar de John se inspirar numa menina que conheceu numa quente noite de sexo a três, que realmente se vestia em polietileno, macacão e botas (somente!), não poderia deixar de associar sua imagem ao humor. E quando soube que o nome Pam foi tirado por similaridade a uma garota de Liverpool, que tinha o apelido Polythene Pat, porque literalmente 'comia' polietileno, aí confirmou meu diagnóstico. E aí surgiu uma de quatro Funny Stories da carreira de John, sendo as duas primeiras lançadas no Álbum Branco (TCS of Bungallow Bill e Happiness Is A Warm Gun), além de sua companheira de medley, já mencionada. Antecipando um pouco o papo sobre a gravaçao, o que eu admiro mais nela é a bateria de Ringo, tom-tom's à toda, e os acordes descendentes de George no final a caminho de She Came In Through The Bathroom Window, justamente a que vem a seguir na sinistra montagem de canções. Na divisão por faixas, tanto no LP como no CD, esses acordes fazem parte da faixa seguinte, mas eu entendo melhor como constituinte do conto sobre a garota em plástico! 
 
Mas voltemos ao reme-reme. John apresentara sua canção ao grupo no final de maio de 1968, na volta da Índia, nas famosas sessões de Esher, casa de George, onde combinaram os trabalhos para o Álbum Branco. Ali, ela já tinha aquele mesma estrutura, dois versos apenas, com quase a mesma letra que vemos na versão final, o Verso 1 apresentando "Polythene Pam, looking like a man, in drag, dressed in a bag", e no Verso 2 dando-lhe mais características, "de salto alto e saiote escocês, vestida para arrasar" e notando como ela era bem torneada ("she was attractively built")! As linhas em que afirmava que "a garota que por si só é notícia" da versao final, só viria depois. O resto, igualzinho, que ele repetiu ao violão algumas vezes na demo de Esher. Na verdade, o News of The World era um tablóide da época, de fofocas, soube recentemente. Devo destacar que é preciso ter um inglês acima da média para cantar aquela metralhadora de sílabas, me enrolo todo, lembra,aquela segunda canção dauqel medly de Happines Is a Warm Gun. Difícil! O fato é quela não vingou para o Álbum Branco!  
 
Polythene Pam foi tentada também no Projeto Get Back, em apenas uma sessão em 24 de janeiro, mas nem John nem os demais, todos em seus instrumentos tradicionais, sentiram firmeza na canção nesse estágio, e ela foi para a prateleira. Seis meses depois, e já no último mês de gravação de Abbey Road, ela retornou ao chão de fábrica assoalhado do Estúdio 2 da EMI, rumo à glória de integrar o famoso medley, já colocada na posição 4. A partir de agora, quem me acompanha em minha criação, notará uma similaridade de textos com a descrição de Sun King. É porque, também aqui, foi feita uma extraordinária sessão de gravaçao de duas canções in tandem, ou seja, em seguidinha, seguindo a filosofia de medley da qual elas faziam parte. A canção de John seria seguida por uma canção de Paul, She Came In Through The Bathroom Window. 


Foi no dia 25 de julho, numa tarde (sim, também começaram cedo!) muito inspirada, quando John e Paul, lideraram, cada um em sua canção, seus companheiros, em 39 takes. Era John no violão, Paul no baixo, George na guitarra solo, e Ringo em sua bateria, então o que se ouve no disco é a reedição do que foi feito em estúdio, apenas melhorado por posteriores operações de edição, mixagem, e overdubs. Após duas horas de discussões sobre arranjo, embrenharam-se em genial sessão de seis horas. Felizmente, um daqueles takes sobreviveu e foi lançado na celebração dos 50 anos de Abbey Road. Veja aqui, nestes LINK1 e LINK2 e sinta-se no estúdio, participando de mais uma memorável sessão de Abbey Road. Note as falas de Paul incitando os demais a fazerem suas partes, e os subsequentes trechos. Entretanto, dessa feita, John não ficou satisfeito com a bateria de Ringo (ele foi irônico dizendo que parecia Dave Clark) em sua canção, e pediu para melhorá-la. Paul ajudou o amigo, e Ringo passou as duas horas seguintes aperfeiçoando a tocada nos tom-tom's.

No mesmo dia, de noite a caminho da madrugada, enquanto Ringo melhorava sua bateria, vieram os overdubs iniciais, primeiro do vocal principal de John, acrescentando o "Yeah Yeah Yeah" entre versos, e Paul melhorando sua linha de baixo. Mais três dias e vieram mais overdubs, Ringo acrescentado pandeiro, maracas e cowbell, e George melhorando a transição para a próxima canção em sua guitarra! Paul também tocou piano, acústico e elétrico, mas não sobreviveram na mixagem final. Só no dia final dedicado ao medley, 30 de julho, dentre vários acréscimos a várias canções, John, Paul e George acrescentaram backing vocals, a Polythene Pam, com melódicos "aaaah" nos versos e harmonizando com John nos "Yeah Yeah Yeah". E foi nessa sessão também que, sem querer, John gritou um "Oh, Look out!" que imediatamente foi aceito pela sala de controle como ótimo, e mantido na versão final, ali, enquanto George descende na sua guitarra, rumo a She Came In Through The Bathroom Window.

 

E a gente achando que aquilo foi planejado...


PRÓXIMA CANÇÃO DO SUPER MEDLEY 

        She Came In Through The Bathroom Window

 

7 comentários:

  1. Mais uma vez você foi genial.Desvendando os mistérios das maguinificas músicas dos Beatles. Assim vou ficar muito feliz e realizada com seu exemplar conhecimento.

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  2. Lembrei-me daquele série de best-sellers onde a NASA (?) inventou uma mágica de viajar no tempo e os caras voltam a tempo de Jesus. Operação Cavalo de Tróia, li até o terceiro ou quarto...
    Podiam inventar uma dessas traquitanas e criar tours para que a gente pudesse ver e ouvir essas sessões de gravação, ao vivo...
    Felizmente, good ol' Homerix dá panorâmicas e zooms no Studio 2 da EMI e outros que foram usados.
    Mas eu pagaria bem por um magical tour a esses dias.

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  3. Há confirmação do manage a trois? Eu só sei que isso foi dito por Pattie Noah. O que é dito por terceiros não tem muito valor. Não que eu duvide que possa ter acontecido. Acho que tudo por ter acontecido com os Beatles. Tudo. Mas eu dou um puuco mais de crédito quando eles informam. Um pouco mais de crédito. Não posso acreditar em tudo que dizem porque Paul mesmo falou na sua biografia que eram peritos em inventar mentiras para a imprensa. Se divertiam com isso. Até pegavam aposta sobre quem inventaria a mentira maior.
    Enfim, a tal expert realmente falou em sexo a três e ainda disse quem eram os outros dois. Uma mulher chamada Stephanie e seu namorado, o poeta Royston Ellis. Sim, não eram duas mulheres com John. Era uma mulher e um homem. Ela deu mais detalhes que não preciso repetir aqui. Mas para compor a figura ele teria se inspirado também na menina lá do Cavern.

    Claro que há outros comentários de pessoas viajando e especulando. Há quem garanta que P.P era um transexual. E uma pessoa acredita firmementa que se trata de Brian Eptein porque era gerente de uma loja de discos. Nâo entendi bem porque isso faria com que ele fosse P.P. O material dos discos?
    Ah, os fans gostam de imaginar coisas. E penso que eles deliravam com isso. Com certeza, pois até escrevem sobre isso na música Glass Onion.

    Eu não fazia ideia que aquele Look Out tinha sido por acaso. Obrigada por informar. Ficou perfeito antes de She came into the bathdoor window.

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  4. E eu que achava que conhecia bastante sobre os beatles
    Como aprendo por aqui
    Thanks a vocês

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  5. Luiz de Oliveira10 de maio de 2021 09:45

    Caraca, muita informação e muito detalhe
    Verdadeira aula

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  6. Ei Homedro. Pois resolvi investigar...E achei alguma coisa. John comentou alguma coisa, mas sem falar que teve sexo a três. E conheceu a moça atravéz do poeta. Porém não era namorada do poeta que era abertamente gay. É o poeta Beat que os conheceu em 1960 em Liverpool. Foi lá para declamar suas poesias na unversidade e depois saiu buscando outro lugar para sua apresentação. Queria música no fundo...Pois achou quem? The Beatles. Ele conheceu George não sei bem onde , se aproximou porque achou George lindo demais, mas para sua surpresa George tinha uma banda! Tocava numa banda. E assim ele conheceu os Beatles que fizeram fundo musical para ele no Jacaranda!

    John o considerava um versão inglesa de Allen Ginsberg. Talvez porque escrevia poemas homoeróticos, bem como Ginsberg fazia e foi até processado por isso. Ellis foi uma das fontes de inspiração para Paperback Writer. E foi quem sugeriu a mudança do nome Beetles para Beatles por causa da geração Beat.

    O reencontro de John com Ellis se deu em 1963. Eis o que John comentou em 1980 sobre P.P. “Foi eu lembrando um evento com uma mulher em Jersey e com um homem que era a resposta inglesa a Allen Ginsberg. Estive com ele durante uma tour e ele me levou a seu apartamento. Eu estava com uma garota e ele com outra que queria me conhecer. Ele me disse que ela estava vestida de polythene e de fato estava. Mas não usava botas Jack e kilts. Eu elaborei o visual....”

    Enfim, ele confirmou que conheceu essa moça no apartamento do poeta, mas não confirmou que fizeram sexo juntos. O restante pode ter sido imaginação. A menos que tenha saído também no livro de Ellis chamado The Big Beat Scene lançando em 61. O livro foi reeditado em 2010. Ele também tem um romance editado em 64 chamado Myself for Fame sobre uma estrela fictícia do rock com um capitulo passado em Liverpool. E ele incliu cenas baseadas em fatos reais de quando conviveu com os Beatles naquele tempo.


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  7. Só para pedir desculpas porque escrevi Homedro. Não sei como editar.

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