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sexta-feira, 28 de maio de 2021

I've Got A Feeling ... and a hard year

 Esta canção abre o Lado B do LP Let It Be, o último lançado pelos Beatles

a história do álbum, cenário, assuntos e canções, aqui neste LINK

É uma de 9 canções sobre si mesmos, na Classe Sonho

                                        as demais 8 canções de mesmo Assunto e Classe, neste LINK

Atenção, canções com títulos em vermelho 

são links que levam a análises sobre elas.

8. I've Got A Feeling (Mind Self Song by Paul McCartney)

Paul sente: 'Eu tenho um sentimento, um sentimento aqui dentro, Oh, sim, oh, sim (está certo). Eu tenho um sentimento, um sentimento que não consigo esconder. Oh, não! Oh, não! Oh, não' e John admite: 'Everybody had a hard year'

Na verdade, são duas canções inacabadas, uma de Paul outra de John, que alguém percebeu que tinham os mesmos acordes, e resolveu juntar as duas numa só, com uma terminando a outra! Imagino que a ideia tenha sido de Paul, pois ele é quem tinha as ideias, mas não vi isso escrito em lugar nenhum. A de Paul é mais positiva, e ele tem um desempenho vocal perfeito. A de John chamava-se ‘Ev'rybody had a hard year’, era uma ladainha, com todos os versos começando na mesma palavra (Everybody) e era meio down, coadunando-se com seu próprio estado de espírito, tendo separado de Cynthia, Yoko tendo um aborto, ele lutando contra o vício de heroína, sendo preso por porte de drogas, em crise com os Beatles, enfim... A junção das duas ficou sensacional, e tão boa, que a cantaram, e muito bem, no RoofTop Concert, a última aparição deles ao vivo! Deixo aqui o LINK pra vocês. A estrutura ficou assim: primeiro Paul canta a dele (com John na segunda voz no segundo verso), depois John canta a dele, e finalmente os dois cantam ao mesmo tempo as duas, uma solução brilhante, plástica, um verdadeiro jogral! Até fiz uma figura pra explicar. Acompanhem com o vídeo. 
 
 
 
A canção de John é basicamente esta que foi apresentada à direita, enquanto que a de Paul tinha mais dois versos e uma ponte, em que ele literalmente grita, como nos melhores tempos de I'm Down, Long Tall Sally e como ainda faria em Oh, Darling mais adiante naquele ano, um trecho que leva a crer que ele pensava em Linda, 'All these years I've been wandering around, Wondering how come nobody told me  all that I was looking for was somebody who looked like you'... (ou seria John?). Entretanto, com a mistura de duas canções e a outra sendo meio 'down', deixei a canção como um todo como Mind Self Song. Na ponte, é sem rimas, e nos versos, John uniu time com sunshine, e Paul foi mais pródigo, rimou sempre que pôde, inside-hide, leave me-believe me, train-again, e ainda buscou os próprios artelhos, toes, pra rimar com knows, as o mais legal da letra, minha opinião, são as interjeições se coadunando com a frase precedente, sendo sempre 'oh, yeah' se a frase é positiva e 'oh, no' se a frase é negativa, pode conferir!
 
Como era parte do Projeto Get Back, minimalista, de volta às origens, todos tocaram seus instrumentos usuais, mas contaram com o auxílio luxuoso (adoro essa expressão, cunhada por Luiz Melodia) de Billy Preston, no piano elétrico!! John a trouxe no primeiro dia de gravações no estúdio de Twickenham, 2 de janeiro, já com o arranjo pronto, tipo "eu canto a minha parte, ele a dele, e depois cantamos juntos" e até chegou a arriscar a parte de Paul. Quando este e Ringo chegaram, conseguiram ensaiar 20 vezes. Nos próximas cinco sessões, mais 23 vezes, aprimorando vocais e batidas de Ringo. O 6º dia foi o fatídico dia 10, que só foi metade na prática, porque George foi-se embora na hora do almoço, abandonando a banda! Paul chegara antes e começou uma tomada de I've Got A Feeling no piano, e os outros foram chegando e juntando no som. Depois da saída de George, teve mais um ensaio só com os três remanescentes, que acabou em bagunça! No dia da volta de George, foram mais 4 vezes e, no dia seguinte, a enormidade de 29 vezes, já com alguma contribuição de Billy Preston ao final, e a decisão de diminuir aquela ponte, com subida e descida de acordes, de inicialmente 4 vezes no meio e outras 4 vezes no final, para, respectivamente, uma e três vezes. Um desses 29 ensaios foi guardado e lançado no Anthology 3, por causa das respostas divertidas de John às frases de Paul, legal mesmo, veja neste LINK, mas peço sua atenção para o vocal de Paul na ponte, e imagine ele fazendo AQUILO .... VINTE E NOVE VEZES num mesmo dia!! Um herói ... e aquela garganta, abençoada!! Nossa, fiquei até cansado! E ainda teve 9 vezes e mais 17 vezes nos dois dias seguintes, sendo que nas primeiras do dia 27, Paul estava ausente e John fez as partes dele, adaptadas ao seu alcance vocal que não era o mesmo. Ah, como eu queria ouvir esses takes.... enfim. I've Got A Feeling era uma das cinco canções que seriam tocadas na apresentação do dia 30, então cada uma delas foi ensaiada uma vez no dia anterior, mas sem os esforços vocais para poupar as gargantas. No dia do show, eles deram UM SHOW, a canção foi tocada duas vezes, sendo a primeira considerada tão boa que foi escolhida para estar no álbum, além, é claro, do filme Let It Be. 
 
A canção é tão espetacular, minha preferida do Projeto Get Back (*), que vale uma descrição, passo a passo. O riff inicial de guitarra distorcida é de John, que segue, acompanhando a voz de Paul no Verso 1, que entra firme, só, mas na segunda frase já se ouve a bateria de Ringo, note o chimbal, thic thic. No Verso 2, Paul tem a companhia de John harmonizando 'Oh please believe me, I'd hate to miss the train, oh, yeah..'. Na segunda frase, nota-se já a guitarra de George pareando a de John em acordes triplos, distintos do riff inicial, e o piano elétrico de Billy, e os pratos de Ringo e a linha de baixo de Paul. Aí vem a ponte, maravilhosamente gritada de Paul, tão impressionante que a gente nem nota a guitarra de George ao fundo e se pergunta como Paul pode continuar prestando atenção em seu próprio baixo cantando daquele jeito! Estonteante! E aí, volta John com a guitarra chorando em notas descendentes introduzindo o Verso 3, 'I've got a feeling that keeps me on my toes, oh yeah', cantado apenas por Paul, com eventuais entradas de John. Finalmente chega a canção de John, pra acalmar um pouco o coração que Paul deixou acelerado. São dois versos acompanhados do educado chimbal de Ringo, da guitarra de George e do piano de Billy. E vem depois uma ponte instrumental fantástica, com as guitarras de George e John fazendo caminhos inversos, uma subindo no primeiro compasso e descendo no segundo, e a outra descendo e subindo, respectivamente, genial, acompanhadas dos tom-tom's de Ringo. Então, volta o riff inicial de John para introduzir as duas canções, a de Paul e a de John, cantadas simultaneamente por eles, olha, uma coisa linda! A canção termina com a repetição, de três vezes, da ponte instrumental, fenomenal trabalho de equipe, com as guitarras de John e de George subindo/descendo, o que dizer dessa maravilha? 
 
Acho que não preciso dizer mais nada, né? 
 
Ah, sim, falta ... a explicação do (*)... 
é que do disco mesmo, a que eu gosto mais 
é Across The Universe, mas eu considero 
que ela não é 'do' Projeto.... a original, 
a que foi gravada com a participação 
de uma brasileira cantando,
fora gravada em 1968.
  

7 comentários:

  1. Luiz de Oliveira28 de maio de 2021 17:39

    Obra prima
    Dos Beatles e sua

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  2. Essa canção é fantástica.
    Não sabia da junção das canções.
    Sua narrativa coloca uma luz na letra, se bem que , é só fechar os olhos que da pra viajar no clima da canção
    Excelente

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  3. Disse tudo Homerix !!!
    A música é perfeita!!

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  4. Gosto muito dessa música é uma das minhas favoritas e parabéns pela análise perfeita como sempre.

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  5. Perfeita análise Homerix, keep rockin!

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  6. É demais adoro essa música e com sua explicação então ficou divino. Amo qdo cantam no rooftop concert.

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