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sexta-feira, 14 de maio de 2021

Her Majesty, pretty nice girl

Esta é a 11ª e última canção do Lado B do LP Abbey Road

E a 9ª do medley mais famoso da história do Rock

a história do álbum, cenário, assuntos e canções, aqui neste LINK

É uma de 9 canções com um Conto

                                        as demais 8 canções de mesmo Assunto e Classe, neste LINK

Atenção, canções com títulos em vermelho 

são links que levam a análises sobre elas.

17. Her Majesty (Tale Story Song by Paul McCartney)

Paul conta 'Sua majestade é uma garota bem legal, mas ela muda de um dia para o outro. Quero contar para ela que a amo muito mas eu tenho que ficar cheio de vinho. Sua majestade é uma garota bem legal, um dia ela será minha'. 
 
Apesar de ele falar que 'um dia ela será minha', não a considerei uma canção de amor, porque o compositor não poderia se colocar como pretendente, já que existia (e existe ainda, a mesma, 52 anos depois!) uma Rainha na área. Daí, classifiquei-a como Story Song. Mas a história mais importante dessa canção de menos de meio minuto, 23 segundos, pra ser mais exato, apenas Paul e seu violão, é a colocação dela no LP. A idéia original era que fizesse parte do medley do Lado B, posicionando-se entre Mean Mr. Mustard e Polythene Pam,  duas canções de John, mas ela não encaixou sonoramente muito bem, e foi jogada pra escanteio, nem seria lançada. Só que um certo operador de fita, chamado Kurlander, não obedeceu a ordem de descarte, obedecendo a uma ordem da EMI de que nada Beatle se jogava fora! E, na calada da noite, e após as capas dos LP's estarem impressas, recolocou a canção no final de The End, que seria a última canção, após um silêncio de 14 segundos. Então, os queque compraram o LP em sua primeira tiragem (eu em meus 11 aninhos, não me lembro se a do Brasil já chegou certa), e ouviram, e estavam embasbacados com o que acabaram de ouvir, aquele medley maravilhoso, estáticos, paralisados, perceberam que o disco voltava a tocar, uma canção que não estava listada!!! E não entenderam nada! Mas gostaram, claro. E se ouvriam em fones de ouvido, adoraram perceber o som da canção passeando na cabeça de um ouvido para o outro e de volta...
 
Pontos positivos: 1. O medley acabou tendo três fases, porque começou com uma canção de Paul, depois vêm três canções de John, e finaliza com cinoc de Paul, foi um sanduíche de John por duas fatias de Paul, e Her Majesty ali prejudicaria a uniformidade; 2. A transição entre as citadas duas últimas de John é perfeita... aliás, na celebração de 50 anos de Abbey Road, eles mostram como seria a versão do medley com ela ali no meio e verificamos que não seria apropriado, mesmo. 
 
Ponto negativo? Eu diria, altamente negativo! A travessura do operador de fita impediu que o ÚLTIMO LP gravado pelos Beatles tivesse como ÚLTIMA canção do disco uma canção chamada THE END. Seria lindo, majestoso, mas aí apareceu uma certa majestade travessa... 
 
A canção é tão curtinha que vou colocar aqui sua letra toda, seu verso único: 
 
Her Majesty is a pretty nice girl

but she doesn't have a lot to say (talvez uma breve ironia).

Her Majesty is a pretty nice girl

but she changes from day to day (rima rica com o verbo "say").

I'm gonna tell her that I love her a lot

but I gotta get a belly full of wine (não enrole a língua!)

Her Majesty is a pretty nice girl

someday I'm gonna make her mine (rima rica com o substantivo "wine"). 

 
Poder-se-ia lembrar a Paul que aquela "bonita garota legal" agora está livre, e chegou o dia de "fazê-la sua", ainda que precise "encher a barriga de vinho" para vencer a timidez! São apenas 16 anos de diferença! Aliás, sua admiração pela Rainha vem desde criança, quando ganhou um prêmio literário em sua escola de Liverpool, quando todos foram instigados a mandar uma mensagem à nova rainha que seria em breve coroada (Coronation Day). Aliás, nota-se ali de onde vem a acurácia e a correção do letrista que aprendemos a admirar. Imagine um menininho de 10 anod e 10 meses, como se vê no estruturado cabeçalho, escrevendo "But, on the Coronation Day of our lovely young Queen Elizabeth II, no ---ing or ---ing will take place because present day royalty rules with affection rather than force..." (quem entender as ações ---, me conta, por favor!).
     
 
Her Majesty (com J) surgiu à mente de Paul em seu retiro de Mull of Kintire, na Escócia, apenas aquele único verso, que compôs ao violão. Sabemos disso porque ele a tocou em uma entrevista de divulgação do Álbum Branco em novembro de 1968, que ele deu à Rádio Luxemburgo, se alguém souber desse áudio, me conta, por favor. Ele a ensaiou em janeiro, no Twickenham Studios, com intenções de usá-la no Projeto Get Back, sozinho no dia 9 e depois com os companheiros Ringo e John, este numa guitarra havaiana, no dia 24. Pela falta de substância para uma canção 'inteira', deixou-a na prateleira, para ressurgir para a vida em maio, quando se decidiu montar aquele medley de canções, e já que ele não havia conseguido aumentar o número de versos da letra, ela se encaixou perfeitamente no novo projeto, do jeitinho que ela estava. E foi gravada logo no segundo dia de maratona final de Abbey Road, em 2 de julho. E assim, foi muito rápido, apenas Paul estava presente, como sempre acontecia nas tardes de Abbey Road, com ele morando a um quarteirão de lá, apenas Paul era necessário, ele e seu violão, apenas três takes, ao longo de uma hora, que eu deixo aqui, neste LINK. Os parênteses com o J ali de cima foram por causa de um pobre e nervoso novato operador de fita encarregado da gravação naquele dia. Nervoso porque foi chamado a trabalhar com os Beatles, de repente, e corria a fama de que o ambiente não estava bom. Tão nervoso ficou que quando Paul lhe disse o título da canção, deu-lhe um branco e ele não soube como escrever e teve que perguntar como se soletrava. Bem, a ideia de utiliza Her Majesty entre as duas canções de John mencionadas era porque a primeira falava que a irmã de Mr. Mustard o levava para ver a Rainha, razoável motivação, mas musicalmente não se encaixou bem, conforme já explicado, ocorrendo a inversão, sendo colocada ao final de tudo, inclusive levando um resto de acorde de violão de Mean Mr. Mustard com ela. Errado, mas mantido, para nossa alegria. 

3 comentários:

  1. Luiz de Oliveira14 de maio de 2021 20:19

    Sempre me perguntei o porquê dessa música
    Não via nenhum motivo pra ela estar lá
    o disco tinha que acabar no "The End"

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  2. Pois eu já acho que o disco tinha acabar com a música para a rainha. Exatamente como acabou. Perfeito assim. É a cara dos Beatles. Onde já se viu the Beatles fazendo disco conforme o figurino? Conforme podemos adivinhar? Não seria The Beatles. A medley termina com the end mesmo. Então não atrapalha nada porque é aquela a mensagem final. Her Majesty vem alguns segundos depois para nos surpreender. E que deliciosa surpresa. Já pensaram na rainha ouvindo o disco? Pensando que tinha acabado tão lindamente...e lá vem uma declaração para ela? Não se apreciou eles dizendo que ela não tinha muito o que dizer. Isso pode ser pelo fato de que a rainha realmente não apita nada, é uma figura importante, que dá charme ao Reino Unido, mas não tem nem direito de entrar na Camara dos Lords sem a devida permissão. ( Por isso John bestou feiamente ao devolver a medalha que ela deu a ele devido a problemas políticos não relacionados a ela). Enfim, pode ser que era isso que Paul tinha em mente ao dizer que ela não tinha muito a dizer. Mas logo no final diz que um dia ela ainda seria dele. rs rs rs. Ah, ela adorou, tenho certeza. Aconteceu o oposto, mas de forma bem parecida. Por que alguns anos depois ele ficou sendo dela. Ela o escolheu como cavaleiro dela.

    Homero, a casa de Paul fica há três ou quatro quarteirões de distancia do estúdio. Nâo apena um. Sei disso porque fiz o trajeto cerca de vinte vezes quando lá estive. Praticamente todos os dias. No metrô da escola para o albergue eu passava por Saint John's Wood. Não tinha resistir. Se não havia outro compromisso a noite, eu descia ali sempre. Primeiro cerca de meia hora na porta de Cavendish, que é como chamam a residencia de Paul. Mesmo nome da avenida. De lá eu seguia para Abbey Road. Caminhava por cerca de 3 ou 4 quarteirões. Muito perto. Mas não encostasdinho.
    Infelizmente nunca foi possível ver Paul. Ele estava na Escócia naquele mês de Julho de 1970. Mas era delicioso porque sempre havia uma turma parada ali reunida e até tocando violão e cantando. Muito legal mesmo.

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