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domingo, 21 de março de 2021

As 8 canções Self Story dos Beatles

Capítulo 16


A saga é

O Universo das Canções dos Beatles

Todos os Capítulos têm acesso neste LINK 


Pré-Requisitos para melhor aproveitar este post!

Em números!!! 

LINKs com esclarecimento em cada número!

  • 211 canções lançadas pelos Beatles, em 7,5 anos de carreira
  • 186 de autoria de um dos Beatles
  • 185 canções com letras (uma instrumental)
  • 007 assuntos identificados (Girl, Miss, Speech, Story, Self, Acid, Nonsense)
  • 074 canções sobre garotas - Girl Songs
  • 022 canções sobre saudade - I Miss Her Songs
  • 029 canções com discursos - Speech Songs
  • 028 canções com histórias - Story Songs
    • 004 Classes identificadas de Story Songs (Self, Funny, Tale, Alone)
    • 009 Self Story Songs, onde o compositor fala na primeira pessoa, sobre sua pessoa ou sobre outra pessoa, na pessoa daquela pessoa(!)
      • sobre as quais falarei agora
  • 020 canções sobre si mesmos- Self Songs
  • 009 canções sobre drogas - Acid Songs

Graficamente




Vamos lá.... a alguns detalhes das canções!

As canções que estão em vermelho já tenho 
análises mais aprofundadas sobre elas! 
Basta clicar em seus nomes!

1. Penny Lane (Compacto e Magical Mister Tour - 1967)

Paul diz 'Penny Lane está em meus ouvidos e em meus olhos'    A química entre a maior parceria da história estava em alta no final de 1966. Os Beatles estavam em estúdio desde o segundo semestre daquele ano, após desistirem das excursões. Eles produziam aquele que seria  o maior disco da história do rock, Sgt. Pepper's. E eles já viam que o LP não sairia até meados do ano seguinte. Era preciso manter a chama acesa. A EMI precisava lançar um compacto e encomendou, claro, as canções a John e Paul, sua fenomenal dupla autoral. Cada um apresentou a sua. AS DUAS falavam de Liverpool!!! AS DUAS remetiam a lembranças da infância de cada um. E eles não combinaram nada! John veio com Strawberry Fields Forever, Paul veio com Penny Lane! John e Paul usavam o hub de ônibus para pegar ônibus para qualquer lugar da cidade. Enquanto Paul aguardava John, ele anotava as coisas que via, a linda enfermeira, o bombeiro, o barbeiro e seu cliente banqueiro, memórias de infância e adolescência. John e Paul tocam piano, George Martin fez arranjo orquestral, e o sensacional solo de trompete (na verdade, um piccolo trumpet) foi adicionado só no final, idéia e melodia de Paul. A música ganhou um vídeo promocional, assim como a companheira do outro Ladoo A do compact, onde causou espécie os Beatles parecerem mais velhos, todos de bigode! A repercussão foi boa, porém não o suficiente para atingirem o primeiro lugar nas paradas, coisa que não acontecia desde 1963. Contribuiu para isso o protocolo para compactos com duplo Lado A, as vendas tinham que ser divididas por 2 porque eram duas músicas,  então o real Número 2 passou a Número 1. George Martin admite que lançá-las junto foi um erro: se cada uma delas fosse lançada em separado, cada uma tendo no Lado B uma canção menor de Sgt. Pepper's, as duas atingiriam o Número 1, com certeza.

 

2. A Day in The Life (Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band - 1967)

John diz 'Cara, eu li o jornal hoje e .... e ... e ...'    E assim foi, o político se matou dentro do carro, e Blackburn, Lancashire, tem 4.000 buracos, e o exército inglês que ganhou uma guerra, notícias de jornal, que viraram uma canção sensacional. O trecho "I'd love to turn you on" foi considerado incitação às drogas (e era!), o que causou o banimento inicial da canção nas rádios, mas logo passou. Paul admitiu que aquela era mesmo uma 'drug song', aliás, disse que Sgt. Pepper's era um 'drug album'. Mesmo assim, prefiro manter a canção nesta categoria, de Story Song. Na parte em que Paul canta "Woke up, got out the bed, dragged a comb across my head...", eram também reminiscências da adolescência, como fizera em Penny Lane. Entre os momentos John e Paul há um revolucionário crescendo de orquestra, ideia de John, que estava imerso em movimentos de vanguarda, e queria que aquilo parecesse o fim do mundo, e Paul regeu os músicos, instruindo-os a tocarem seus violinos, violas, contrabaixos e sopros, do mais grave ao mais agudo, improvisando livremente no movimento, em 24 compassos. Vários astros da época estavam na sessão de gravação da orquestra. Paul queria 90 músicos, o que se mostrou impossível, só couberam 41, mas o efeito foi conseguido gravando quatro vezes o mesmo movimento, um por cima do outro. Após a segunda entrada de John, o crescendo é repetido. Como Grand Finale, três pianos, tocados por John, Paul, e Ringo com Mal Evans (*), e também George Martin num harmônio, tocam, em uníssono, um acorde Mi Maior, que dura 45 segundos. O movimento é considerado um dos melhores acordes finais de música da história, sempre eles...  Pra completar, John insere ali, depois daquilo tudo, uns sons ininteligíveis, captados da audiência e tocados em reverso, aos quais os fãs insistiram em atribuir mensagens ocultas. A canção é a última do disco! Impossível seria ter qualquer coisa após aquele final retumbante e apoteótico! Adicione-se que a bateria de Ringo é muito elogiada na canção, com excepcional manobro dos tom-tom's. Ah, sim, naquilo tudo, a participação de George Harrison, alheio, com a mente na cultura indiana, foi tocar .... maracas! 

(*) Mal Evans era um 'roadie', aquele faz tudo em bandas, desde a época do Cavern Club até o fim da carreira. A 3 centímetros de 2 metros de altura, era também o guarda-costas, e salvou-os de diversas situações de perigo. Muitas histórias sobre ele, acho que vale um post. Apareceu em filmes e participou de  várias músicas, com acessórios. Na gravação de A Day In The Life, além do Mi Maior, ele também foi responsável pelo despertador.

 

 3. Blue Jay Way (Magical Mistery Tour - 1967)

George conta que 'Tem um denso nevoeiro em Los Angeles e os amigos que vinham buscá-lo se perderam, ..'    George e Pattie chegaram de Londres e se instalaram em uma mansão na Blue Jay Way, uma rua numa colina de Los Angeles. Ele esperava Derek Taylor, um amigo produtor de vários astros, que viria buscá-lo para um compromisso no mesmo dia, mas demorava por causa de um denso nevoeiro que baixara na cidade. Incomodado pelo jetlag (de 8 horas), sentou-ses a um teclado e compôs a canção, soturna, lenta, monótona até, expressando seu estado de espírito. Ela saiu povoada de notas e acordes dissonantes, e com aqueles backing vocals tétricos de John e Paul, e um ritmo de marcha fúnebre. Falando em dissonantes, dá só uma olhada nos acordes para violão só  até o primeiro verso: C C6 Cmaj7 C5 Cmaj7 C6 Cmaj7 Cadd9 C Cmaj7 C C Cdim C. Ufa, melhor dar uma pausa neste parágrafo, até cansei....
Gente que procura pelo em ovo acha que, quando ele diz 'Please don't be long!', na verdade é "Please don't belong!", uma incitação ao consumo de drogas, atrelado à interpretação do "my friends have lost their way" que iria nesse mesmo sentido! Isso cai por água abaixo quando no refrão e no repetitiiiivo final, várias vezes ele diz "Please don't you be very long!"  Decerto que não é uma de minhas preferidas, estava lá embaixo nos Bottom 10%, mas venho gostando mais e mais dela ao longo das décadas. O estilo é o indiano clássico, em que George estava inserido na época, porém apenas temusaram instrumentos ocidentais.

 

4. Glass Onion (Álbum Branco - 1968)

John provoca 'Eu falei sobre a morsa e eu. Você sabe o quanto éramos próximos. Aqui vai mais uma pista pra vocês todos: a morsa era o Paul   Só pra igualar conhecimentos, 'morsa' em inglês é 'walrus', I Am The Walrus é uma  magnífica canção de John, do disco e filme Magical Mistery Tour. A letra é uma sucessão de jogos de palavras e auto-referências a outras canções dos Beatles, como  Strawberry Fields Forever, Lady Madonna, The Fool on the Hill, Fixing a Hole, Within You Without You e There's A Place. John e Paul queriam fazer uma canção pra gozar daqueles que enxergam sinais escondidos nas canções deles (e na capa de Sgt.Pepper's), inclusive aquela história de que Paul estava morto. Foi John quem materializou a idéia. Bem, se a intenção era essa, não ajudou um dos muitos significados do título: aqueles caixões que têm um visor de vidro mostrando o morto dentro dele... Também pode ser garrafa de fundo largo para uso em embarcações, lentes redondas de óculos, maçaneta de urna, e tem até uma possível interpretação no mundos das drogas, que vão descascando a mente como uma cebola. Enfim... John disse uma vez que era uma homenagem a Paul (Você sabe o quanto éramos próximos), que segurava as pontas da banda, enquanto ele estava nas nuvens, com Yoko. A música, como sempre, é ótima! Eu adoro aquele crescendo quando ele fica no Oh Yeah Oh Yeah, empolgante. Quem toca aquela flauta-doce é Paul!! O arranjo de cordas, como sempre, é de George Martin e foi adicionado bem depois. Ah, Glass Onion é a primeira canção com a bateria de Ringo o Álbum Branco, na ordem em que a colocaram, pois ela é a terceira do Lado A do Disco 1, após Back In The USSR e Dear Prudence, que foram gravadas nas semana em que ele esteve brigado com os demais e Paul assumiu as baquetas!!


5. Mother Nature´s Son (Álbum Branco - 1968)

Paul se coloca na pele de um camponês: 'Nascido como um pobre rapaz do campo, filho da Mãe Natureza, o dia todo canto canções pra todo mundo'. Iniciada na Índia, inspirada num texto do guru Maharishi, e complementada em Liverpool, na casa do pai. Uma canção pastoral. O mesmo texto inspirou Child of Nature, de John, que posteriormente teve a letra trocada para Jealous Guy, e foi lançada na carreira solo. Era uma época em que os Beatles começavam com seus trabalhos pessoais. Paul estava num estúdio gravando esta canção, enquanto John e Ringo estavam em outro, gravando Yer Blues. Nesta canção, Paul tocou violão, bumbo e tambor. George Martin fez arranjo de metais (trompetes e trombones).

 

6. The Ballad of John and Yoko (Compacto e Past Masters - 1969)

John conta: 'Ele me disse que poderíamos nos casar em Gibraltar, perto da Espanha. Cristo, não vai ser fácil! Do jeito que está, vão me crucificar!’ Imagine a situação: John volta da lua-de-mel com Yoko, por Paris, Amsterdam e Viena, com direito ao primeiro bed-in (ele e Yoko deitados na cama durante uma semana, recebendo a imprensa) na segunda, e já tem essa história pra contar numa canção, mas George está de férias e Ringo está filmando seu segundo filme como ator solo! Somente Paul está em Londres. John não tem dúvida, passa na casa de Paul e diz: ‘Bora pra Abbey Road!’ E assim, foi, Paul tocou baixo e bateria e piano, John tocou guitarras base e solo e percussão. Ficou famoso o seguinte diálogo: John (na guitarra)- "Go a bit faster, Ringo!"; Paul (na bateria)- "OK, George!". Esse encontro e camaradagem entre os dois foi a última oportunidade em que reviveram a antiga dupla, meio balançada por contingências comerciais. Foi lançada em compacto, tendo no Lado B Old Brown Shoe, de George. No lançamento, algumas rádios americanas se recusaram a tocá-la por causa das referências a Cristo e crucificação. Foi o último compacto Beatle a atingir o topo das paradas no Reino Unido. Muito marcante pra mim é a harmonia vocal de Paul nos últimos versos e refrão, que descreve quando o casal volta a Londres. Inesquecível! Tanto que resolvi colocar o trecho aqui pra vocês, 

Neste LINK  NÃO DEIXE DE OUVIR!

 

7. Two Of Us (Let It Be - 1970)

Paul conta: 'Nós dois gastando o dinheiro suado, cavalgando pra lugar nenhum, sem destino, em nosso caminho de volta para casa...’ 
Apesar de o 'Nós dois' referir-se inicialmente a ele e Linda em suas viagens, o contexto fez Paul mudar para ele e John. No momento da gravação,  início de 1969, os Beatles estavam no Projeto Get Back, de volta às origens musicais, mas estavam passando por dificuldades de relacionamento, tanto no profissional como no pessoal. Num segundo verso, ele diz: 'Two of us wearing raincoats, standing solo, in the sun' quer dizer que os dois estão se protegendo da chuva sob o sol, ou seja, na defensiva, sós, esperando o pior, mas mais importante, a palavra 'solo', já prevendo um futuro próximo, cada um seguindo seu caminho só, em carreira solo. E, logo a seguir: 'You and me chasing paper, getting nowhere', ou 'imersos nesses documentos comerciais, indo a lugar nenhum'. Em todos os versos, John e Paul cantam em perfeita harmonia vocal, tocando violões, mas no refrão, é Paul sozinho quem lembra 'You and I have memories longer than the road that stretches out ahead', ou 'temos lembranças mais profundas que a estrada que temos à frente'. Chego a chorar... que lindo caminho percorreram até ali, quando se sentiam prestes a separar-se.... inda bem que ainda deu tempo para fazer seu melhor disco, aos 40 do segundo tempo. 

 

8. One After 909 (Let It Be - 1970)

John conta: 'Peguei minha mochila, corri pra estação, o cara me disse que eu peguei o número errado...’  

Canção feita por John em 1957, tentada para lançamento em 1963, como Lado B de From Me To You, mas só materializada no Projeto Get Back, seis anos depois. O título quer dizer '910' (um depois do 909), que seria o trem que ele deveria pegar. Ou o trem depois do trem das 9:09 horas, ou seja, por volta das 9:15. Rock raiz da melhor espécie, que felizmente sobreviveu, ganhando o auxílio luxuoso de Billy Preston no teclado, e ainda teve a honra de ser tocada ao vivo na última aparição dos Beatles ao vivo, no antológico Rooftop Concert, em 30 de janeiro de 1969 (LINK), que foi o último momento do projeto. John disse que na verdade foi uma brincadeira com o Número 9, que era especial, porque nasceu num dia 9, morava no número 9 de uma rua, tanto que fez aquela doideira do Revolution 9,  enfim... mas infelizmente não viu a luz do sol do dia 9 de dezembro de 1980...

Próximos capítulos

As 7 Funny Songs do Beatles - Neste LINK

As 4 Alone Songs dos Beatles - Neste LINK

As 8 Tale Songs dos Beatles - Neste LINK

3 comentários:

  1. Gosto muito desse tipo de análise mas penso que há outras canções nessa linha
    Excelente meu amigo

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  2. Quanta dedicação! Um trabalho precioso que muito me ensina! Obrigada

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