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quinta-feira, 25 de março de 2021

As 9 Tale Story Songs dos Beatles

Capítulo 19


A saga é

O Universo das Canções dos Beatles

Todos os Capítulos têm acesso neste LINK 

Os números abaixo levam a informações interessantes sobre a carreira dos Beatles, para referência, caso necessário!! 

Cada NÚMERO é um LINK para informações adicionais!!!

  • 211 canções lançadas pelos Beatles, em 7,5 anos de carreira
  • 186 de autoria de um dos Beatles
  • 185 canções com letras (uma instrumental)
  • 007 assuntos identificados (Girl, Miss, Speech, Story, Self, Acid, Nonsense)
  • 074 canções sobre garotas - Girl Songs
  • 022 canções sobre saudade - I Miss Her Songs
  • 029 canções com discursos - Speech Songs
  • 028 canções com histórias - Story Songs
    • 004 Classes identificadas de Story Songs (Self, Funny, Tale, Alone)
      • 008 Self Story Songs, onde o compositor fala na primeira pessoa, sobre sua pessoa ou sobre outra pessoa, na pessoa daquela pessoa(!)
      • 007 Funny Story Songs, onde o que mais se destaca é o humor,
      • 004 Alone Story Songs, histórias onde a solidão é a marca,
      • 009 Tale Story Songs, histórias onde se conta um causo sobre alguém em temas variados, sem estarem atrelados aos temas anteriormente ressaltados, Humor e Solidão
          • sobre as quais falarei agora
  • 020 canções sobre si mesmos- Self Songs
  • 009 canções sobre drogas - Acid Songs

Graficamente



Vamos lá.... a alguns detalhes das nove canções! 

As canções que estão em vermelho já tenho
análises mais aprofundadas sobre elas!
Basta clicar em seus nomes!

1. Paperback Writer (Compacto e Past Masters - 1966)

Paul conta 'Caro Senhor ou Senhora, você leria o meu livro? Levou anos pra eu escrever, você daria uma olhada?  É baseado num romance sobre um homem chamado Lear, e eu preciso de um emprego, e quero ser um escritor!'  Aaaahh, como Paul captou, há mais de 50 anos, o drama de milhares de escritores tentando achar seu lugar ao sol... Aaahh como eu me identifico com esse drama... Quem me conhece sabe por quê... Bem Paperback é como são designados em inglês aqueles livros de bolso, com letras bem pequenas e que ficam amarrotados ao final. Note que o romance escrito pelo cara que quer ser escritor é sobre um sujeito que trabalha em jornal, tem uma mulher que não o entende e tem um filho que quer ser escritor, está fechado o loop. No terceiro verso, tem mais um motivo pra minha identificação.

 It's a thousand pages, give or take a few. I'll be writing more in a week or two

I can make it longer if you like the style

I can change it 'round, but I want to be a paperback writer

Conheço uma escritora muito querida que adora escrever livros grandes, pena que ela não leva 'a week or two', talvez 'a year or two' seria mais apropriado.
Alguns Paperback Writer facts: 
  • A canção foi a última da carreira Beatle a ser tocada em shows pagos. A qualificação é necessária porque houve aquele show lá na cobertura do edifício da Apple, em 1969, que ninguém pagou; 
  • A canção foi promovida por filmes promocionais, que são considerados pioneiros do video-clipe; 
  • A idéia veio de um artigo de jornal que Paul leu, na casa de John, que ajudou em partes da letra;
  • Coincidiu com a sugestão de uma tia dele (Aunt Lil) que o desafiou a escrever algo que não fosse uma canção de amor (então foi aí a origem do gatilho para Paul se tornar o maior Storyteller da banda, o que geraria outras 15 canções);
  • É considerada a melhor linha de baixo de Paul até então, aliás, nota-se que ele está bem ocupado com seus dedos. Associa-se uma inovação na gravação de um engenheiro de som que atrelou um loudspeaker, pela primeira vez, ao amplificador dedicado ao baixo;
  • Note que, o verso todo é acompanhado por acorde único; 
  • Note o duelo vocal em contraponto, ressaltado por George Martin como a primeira vez que isso ocorria... sempre os Beatles pioneiros;
  • Foi lançada como Lado A de um compacto que tinha a maravilhosa Rain, de John, no Lado B. Foi Número 1 nos EUA, sendo apenas desbancada por Frank Sinatra com a linda Strangers in the Night;
  • Acho que chega de Paperback Writer facts

 

2. Yellow Submarine (Revolver - 1966)

Paul conta na voz de Ringo: 'Na cidade onde eu nasci viveu um homem que viajava pelo mar. E ele contou sobre sua vida na Terra dos Submarinos!' 
Olhaí o Paul fazendo uma canção especialmente para Ringo brilhar! Ele se deitou um dia e veio uma imagem colorida e depois um submarino, e uma canção alegre, para crianças, e a fez sem muita variação vocal, para propiciar um desempenho bom ao amigo, que não tinha lá um alcance muito brilhante. John contribuiu na letra, mas a melodia e o refrão 'We all live in a Yellow Submarine são de Paul. Um amigo deles, Donovan, sugeriu o 'Sky of blue and sea of green' super poético. Esse cara é o mesmo quem ensinou a John, anos depois, o dedilhado de violão que acabou usando em Julia e Dear Prudence, portanto, ele pode se considerar já importante no cenário Beatle! Não se pode dizer que a letra seja um primor, pois só tem uma rima, e nem rica é, "green" com "submarine", dois substantivos (mesmo a cor, normalmente um adjetivo, está ali na classe substantivo). Mas está firme a política de não repetição: são 5 (cinco!) versos diferentes, sendo o terceiro pela metade, introduzindo a 'banda' e o quarto com um diálogo marinho (ver lá embaixo)! Uma curiosidade é que Ringo alterou um trecho da letra ao cantar. Estava escrito "Everyone of us has all he needs", mas ele cantou "has all we need", e assim ficou, mesmo errado!

John, assim como todos, estava inserido no clima da canção e acrescentou um tempero fenomenal  ainda naquele primeiro dia de gravação. Foi por sobre o vocal de Ringo, já gravado, ele incorporou um demente e foi espelhando, ecoando o final de cada linha no verso final.  Geoff Emmerick o produtor ali do chão de fábrica, alterou o som de sua voz, para que parecesse saído de um megafone do alto de uma escotilha!  Algo assim: 

E deixo, em homenagem aos 90 minutos que dediquei a esta canção, um Áudio para explicar melhor este momento final. Neste LINK. 

3. Lady Madonna (Compacto e Past Masters #2 - 1968)

Paul conta: 'Lady Madonna, crianças aos seus pés, imagino como você consegue resolver as coisas. Quem fornece o dinheiro quando você paga o aluguel? Você pensou que dinheiro caía do céu? A construção de Paul foi uma mescla de três: 1. a vontade de falar sobre a vida de uma mulher, mãe de muitos filhos, talvez solteira, talvez prostituta, quem representou por Madonna, remetendo a sua origem católica. 2. um rock no piano que ele e Jane ouviram num bar na Escócia, o que o incitou a compor no estilo boogie-woogie, e, finalmente, 3. Uma canção de Fats Domino, grande astro do Rock, chamada Blue Monday, em que se conta a dura vida de um trabalhador ao londo dos dias da semana. E então, temos três considerações, uma para cada inspiração. 1. a canção foi bem recebida por retratar a vida de uma mulher forte, conforme os Beatles vinham começando a fazer (Norwegian Wood, Girl, Michelle, Lovely Rita); 2. a imprensa especializada deu ótimas vindas ao good old rock & roll de volta, após um ano excessivamente psicodélico; 3. Paul 'imitou' Fats Domino, descrevendo a vida dura de uma mulher, ao longo dos dias da semana! Vejam se não: 

Friday night arrives without a suitcase

Sunday morning creeping like a nun

Monday's child has learned to tie his bootlace

....e na estrofe seguinte....

Tuesday afternoon is neverending

Wednesday morning papers didn't come

Thursday night your stockings needed mending 

Sabem por que faltou o sábado? Sabem não ? .... Nem eu! Aliás, nem Paul, ele até foi perguntado sobre isso. Já eu desconfio sim, o porquê. Primeiro, porque as estrofes tinham 3 versos, 3+3=6, portanto 6 dias da semana; segundo, porque, no sétimo dia, a Madonna descansou! Perceberam a conotação católica? Tudo tem sua explicação, no que se refere a Beatles!

A canção foi lançada em compacto, tendo como Labo B, uma linda canção de George Harrison, Inner Light, ele ainda com a inspiração indiana. E falando em Índia, logo após o lançamento, os quatro Beatles embarcaram, com esposas e namorada para a Índia, no Projeto Meditação Transcendental, já muito falado aqui e inspirador de muitas canções deles naquele ano. O compacto chegou ao #1 no Reino Unido, mas ficou longe nos EUA, #2 e #4, nas duas principais paradas, um 'fracasso', hehe. Notáveis as guitarras distorcidas de John e George, os quatro saxofones. Segundo consta, um saxofonista ficou doido porque Paul não lhes entregou a pauta escrita,  só lhes deu vagas noções, apenas cantando a melodia pra eles replicarem, ô gente preguiçosa... mas sabemos que era melhor ele esperar sentado, pois Paul nunca soube escrever música em pauta... note também na segunda estrofe um som dos metais meio diferentes, pa-pa-pa-paaa, papapapapaaa.... é porque eram Paul, John e George imitando metais com a boca!! Ótimos também os handclaps!!!

 

 4. Back in the USSR (Álbum Branco - 1968)

Paul conta 'Aaaah Voei de Miami pela B.O.A.C! Não dormi nada na última noite. No avião, o saco de enjôo estava no meu colo. Cara, eu tive um péssimo vôo. Estou de volta na USSR! Grande rock de abertura do Álbum Branco, que elogiado na mesma linha de Lady Madonna, de retorno às raízes. A canção é uma paródia a uma canção de Chuck Berry, Back in The US, que saudava as maravilhas da America, sugerindo que era bom voltar pra casa, mesmo para um espião soviético 'Gee is good to back home!'. Esse apanágio às coisas de uma entidade política 'inimiga' da maior potência do mundo foi considerada quase um manifesto socialista pela direita americana. E Paul queria provocar mesmo. E também era uma homenagem a um povo aonde o universo dos Beatles era banido, mas ele sabia que eles eram doidos pelo som deles, mesmo ouvindo de forma pirata. Como muitas canções do Álbum Branco, esta foi começada na Índia, aonde estava Mike Love dos Beach Boys, que sugeriu que Paul elogiasse as garotas soviéticas, e assim, ele fez:

 Well the Ukraine girls really knock me out, They leave the west behind

And Moscow girls make me sing and shout

That Georgia's always on my my my my my my my my mi-ind!

E notem no último verso a duplicidade do sentido, porque Georgia, além de ser uma república soviética, é também um estado americano, saudado em canção de grande sucesso de Ray Charles, que também canta 'George's always on my mind'. Junte-se a isso o fato de o refrão ser cantado em soluços, ele diz 'Back in the U.S., back in the U.S., back in the U.S.S.R.!', deixando os ouvintes tontinhos. Um dos momentos mais felizes da vida de Paul foi poder cantar essa canção na Praça Vermelha (2003). 
Bem, como todo bom rock, espera-se que não haja intrusos nos instrumentos, então, veja o set de instrumentistas envolvidos, que permiti-me copiar da Wikipedia, com apenas os membros da banda The Beatles:

  • Paul McCartney – Vocais, piano, guitarra base, baixo, bateria, palmas, percussão 
  • John Lennon – vocais de apoio, guitarra base, baixo de 6 cordas, palmas, bateria 
  • George Harrison – vocais de apoio, guitarra solo, baixo, palmas, bateria
  • Ué!! Cadê Ringo? Pois é, gente, Ringo havia abandonado os Beatles, justamente nos primeiros ensaios da canção, de saco cheio com as exigências de Paul sobre como ele queria a bateria tocada! Note que os três outros Beatles tiveram que se virar na bateria, sem seu titular!! Felizmente, durou só  uma semana, o suficiente pra ele ficar de fora, desta e da canção que a sucedeu no álbum, Dear Prudence, que aliás começa com o som de um jato pousando em fade-out, exatamente como fora no começo de Back In The USSR. 

     

     5. Ob-la-di, Ob-la-da  (Álbum Branco - 1968)

    Paul conta 'Desmond tem um quiosque no mercado. Molly é a cantora de uma banda. Desmond diz à Molly, garota eu vou com a sua cara e Molly responde pegando em sua mão'! E depois, ele compra um anel para ela, e os dois viram o casal Jones, têm dois filhinhos, que brincam no quintal e seguem sua vida feliz, cantando Ob-la-di, Ob-la-da, seja lá o que isso queira dizer! Paul pegou essa frase com Scott, um músico nigeriano radicado em Londres, que provocava sua plateia com 'Ob-la-di', a plateia respondia com 'Ob-la-da' e ele finalizava com 'Life goes on'. Pois Paul teve a cara de pau de pegar essa frase INTEIRINHA e colocar no refrão de uma canção beatle, e ainda tentou convencer o amigo a não cobrar direito autoral! Claro que não conseguiu, mas teve a sorte de que Scott se enrolou com pensão alimentícia, pediu ajuda a Paul, que concedeu, mas em troca exigiu que desistisse da ação, que ia ganhar, sem sombra de dúvidas, e ganharia milhões. Ah, esse Paul!!! 
    Musicalmente é um ska muito legal, que eu adorava quando pequeno. Eu tinha o compacto (que veio com While My Guitar Gently Wheeps, do George, no Lado B, e ouvia sem parar, nos meus 10 aninhos! Mas eu e milhões de fãs pelo mundo e pelas décadas seguintes éramos (somos) minoria. Incrível como a música é execrada por boa parte dos beatlemaníacos ao redor do mundo! Talvez pela letra bobinha, pelo ritmo quase infantil, não sei, não concordo, e continuo adorando. Fato também é que todos os outros 3  Beatles também detestaram, e até o engenheiro Geoff Emmerick pediu demissão por causa dela!! Depois, voltou! Quem mais detestava era John, que numa das muitas sessões de gravação, abandonou-a intempestivamente, ficou fora umas horas, voltou chapado, sentou ao piano e disse: 'É disso que esta baladinha de merda precisa!". E foi aquela abertura que ficou na gravação final! É o gênio consertando as coisas! Notem os ótimos saxofones no meio dos refrões, e também as risadas e os complementos de John e George, após o 'Molly lets the children lend a hand', uma fala 'arm' e o outro 'leg', bem divertido. E note que Paul troca Desmond por Molly e vice-versa, no último refrão. Paul queria trocar mas os outros 3 disseram em uníssono: Não, Paul, chegaaa!.... eu que inventei essa forma, mas o fato é que os três disseram pra deixar assim mesmo.


    6. Savoy Truffle  (Álbum Branco - 1968)

    George conta 'Creme de tangerina e Montelimart, um drinque de gengibre com um coração de abacaxi, uma sobremesa de café, sim, você sabe que cai bem, mas você tem que arrancar todos os dentes após a trufa de sabóia'
    Não pude deixar de lembrar de Forest Gump sentado num banco de praça, e dizendo que a vida é como uma caixa de bombons, você nunca sabe que sabor vem no próximo que comer. Bem, isso não ocorria  naquela caixa de bombons que o amigo amigo Eric 'Is God' Clapton comia com voracidade, um atrás do outro, na casa dele, e que o levou a escrever Savoy Truffle em sua homenagem. E como um alerta pra cuidar dos dentes. Good News era uma tradicional caixa de bombons Mackintosh, cuja imagem eu recuperei abaixo pra ilustrar. Note os sabores todos da letra ali, com seus formatos, de forma que não haveria surpresas, e inclusive como perdeu-se a oportunidade de ter Brazil numa letra Beatle, se George tivesse escolhido o sabor  do canto inferior esquerdo!! 

     


    No segundo verso, os sabores saem da cabeça de George, e depois ele filosofa um pouco dizendo que a gente é o que come, e ainda aproveita para dar uma cutucada em Paul, mencionando Obla-di Obla-da, que ele e os demais Beatles detestaaaram!l A canção foi bem recebida, como a volta de George ao maravilhoso mundo da guitarra, após dois anos de paixão pela cítara indiana! E que volta foi essa, gente, que rock espetacular, a guitarra está ótima, sim, mas o destaque absoluto é para os metais, com três sax tenor e três sax barítono dando um show de som distorcido, fazendo a gente balançar a cabeça do começo ao fim!! Não deixem de ouvir! John não esteve presente, Paul tocou seu baixo, Ringo sua bateria, e  um certo  Chris Thomas tocou um piano elétrico ali no meio, mas seu  nome estará marcado mesmo na história Beatle  como o arranjador dos metais que conseguiu fazer algo ainda superior ao que foi feito em Got To Get You Into My Life, dois anos antes. É realmente arrebatador! Thanks, Chris!!

     

    7. Cry baby Cry (Álbum Branco - 1968)

    John conta: 'O rei de Marigold estava na cozinha cozinhando o café da manhã para a rainha. A rainha estava na sala de estar tocando piano para o filho do rei. Chore Baby Chore, faça sua mãe suspirar pois ela é velha o bastante para entender É um conto de fadas. O título, John pegou de um anúncio, que incentivava 'Cry baby cry, make your mother buy' que ele trocou para um mais poético 'sigh', e seguiu, inspirado em canções que ouvia de Donovan, seu companheiro de missão à Índia. Os reinos de Marigold e Kircaldy saíram de lembranças de sua infância. Musicalmente, além dos instrumentos usuais, é notável o acordeão tocado pelo Maestro George Martin, sempre presente para incrementar as canções! Ao final da canção, no disco, aparece a voz de Paul cantando 'Can you take me back?',  que ele havia gravado na sessão de outra canção (I Will), mas que coube bem ali, com o pedido para levar de volta, a um passado, da época dos contos de fada!


    8. Get Back (Compacto - 1969 e Let it Be - 1970)

    Paul conta 'Jojo era um homem que achou que era solitário mas descobriu que isso não duraria. Jojo deixou sua casa em Tucson, Arizona por um pouco de maconha. Volte, volte, volte ao lugar que você pertenceu'. Olha, essa canção tem história! Então, comecemos pelo começo: o nome! 'Get Back' era o nome de um projeto, de volta às origens, quando os Beatles tocavam em night clubs, sem muitos recursos, só na raça, e na categoria, que eles mostraram em incontáveis excursões pelo mundo a partir de 1963, até que se cansaram em agosto de 1966. Para isso, deixaram a Abbey Road, deixaram George Martin lá, e se internaram nos estúdios da Apple, em Saville Row, em janeiro de 1969, apenas com seus instrumentos, e com umas câmeras, para filmar os ensaios, após os quais, o plano era voltar aos palcos! Então, haveria uma canção com esse nome, e Paul a fez. O refrão contava sobre um certo(a) 'Jojo', que 'left his home in Tucson, Arizona' e dizia: 'Get back to where you once belong!', e então começaram as especulações sobre que seria o 'You' da letra, e três são as hipóteses: 
    • Os próprios Beatles! Voltem para suas origens e encantem as audiências com seu ótimo som.  
    • Joseph (Jojo) Melville See Jr! Ele era o primeiro marido de Linda, com quem Paul se casaria em breve, e que estava atazanando a vida dos enamorados, e que vivia justamente em Tucson/Arizona. 
    • Yoko! John havia trazido Yoko para o estúdio, ainda em 1968, o que causou desconforto para os demais. John percebeu, durante algum ensaio, que, quando Paul cantava 'Volte pro seu lugar', ele olhava pra Yoko. John ficou bem chateado. 
    Paul nega as duas últimas, e ficamos então com a primeira. O fato é que o clima era tenso, e uma bela hora, George deixou os Beatles. Enquanto esteve fora, encontrou o tecladista Billy Preston e o incentivou a entrar para o Projeto. Quando George voltou, já encontrou Billy lá, e ele foi fundamental para amainar o clima de tensão, que ficou suportável até o final do projeto, no final daquele mês, no muito celebrado Rooftop Concert, quando todos subiram ao terraço do edifício para fazer aquela que seria a última aparição ao vivo dos Beatles, episódio que já contei, neste LINK. A versão de Get Back que está no disco oficial é uma das três que tocaram no show ao vivo, em que Billy Preston toca seu brilhante piano elétrico, inclusive com um solo que  ele nunca havia tocado nos ensaios, incentivado por Paul. Há várias falas notáveis que foram proferidas ao final da última versão de Get Back. 
    Ao perceber que a polícia está invadindo o recinto, Paul diz:  
    "You been out too long, Loretta! You've been playing on the roofs again! That's no good! You know your mommy doesn't like that! Oh, she's getting angry... she'll have you arrested! Get back!".
    E John, claro, tinha que fechar com chave de ouro. 
    Lembrando-se de que eles fizeram aquele show como 'teste de palco', disse:  
    "I'd like to say thank you on behalf of the group and ourselves, and I hope we've passed the audition."

    A canção é creditada a "The Beatles with Billy Preston.", sendo ele o único músico creditado na carreira dos Beatles que não fossem os próprios. O que solidifica a injustiça de terem esquecido de creditar Eric Clapton, que fizera uma guitarra solo matadora em While My Guitar Gently Wheeps, alguns meses antes. 
    Finalizo com aquela tristeza habitual do fim de festa, lembrando a frase com que o compacto, tendo Don't Let Me Down no Lado B, foi lançado na Inglaterra em abril de 1969, 'The Beatles as Nature Intended', eles estiveram ótimos no show do terraço, tanto que escolheram uma versão ao vivo pra ser lançada em disco, e portanto, pronto pra voltar à estrada, mas nada disso aconteceu! 
    E.. ah, sim ... foi direto para o N°1 das paradas inglesas, e um mês de pois, para o mesmo posto da parada americana, sendo a 17ª vez que isso ocorreu, igualando Elvis Presley. Só que os Beatles tiveram ainda outros N°1, então sabe-se quem são os campeões da história nesse quesito.... 

     

    9. Her Majesty  (Abbey Road - 1969)

    Paul conta 'Sua majestade é uma garota bem legal, mas ela muda de um dia para o outro. Quero contar para ela que a amo muito mas eu tenho que ficar cheio de vinho. Sua majestade é uma garota bem legal, um dia ela será minha'. Apesar de ele falar que 'um dia ela será minha', não a considerei uma canção de amor, porque o compositor não poderia se colocar como pretendente, já que existia (e existe) uma Rainha na área. Daí, classifiquei-a como Story Song. Mas a história mais importante dessa canção de menos de meio minuto, 23 segundos, pra ser mais exato, apenas Paul e seu violão, é a colocação dela no LP. A idéia original era que fizesse parte do medley do Lado B, posicionando-se entre Mean Mr. Mustard e Polythene,  duas canções de John, mas ela não encaixou sonoramente muito bem, e foi jogada pra escanteio, nem seria lançada. Só que um certo operador de fita, chamado Kurlander, não obedeceu a ordem de descarte, obedecendo a uma ordem da EMI de que nada Beatle se jogava fora! E, na calada da noite, e após as capas dos LP's estarem impressas, recolocou a canção no final de The End, que seria a última canção, após um silêncio de 14 segundos. Então, nós, que compramos o LP, eu em meus 11 aninhos, e ouvimos, e estávamos embasbacados com o que acabáramos de ouvir, aquele medley maravilhoso, estáticos, paralisados, percebemos que o disco voltava a tocar, uma canção que não estava listada!!! E não entendemos nada! Mas gostamos, claro. Pontos positivos: 1. O medley acabou tendo três fases, porque começou com uma canção de Paul, depois vêm 3 de John, e finaliza com 5 de Paul, foi um sanduíche de John por duas fatias de Paul, e Her Majesty ali prejudicaria a uniformidade; 2. A transição entre as citadas duas últimas de John é perfeita... aliás, na celebração de 50 anos de Abbey Road, eles mostram como seria a versão do medley com ela ali no meio e verificamos que não seria apropriado, mesmo. Ponto negativo? Eu diria, altamente negativo! A travessura do operador de fita impediu que o ÚLTIMO LP gravado pelos Beatles tivesse como ÚLTIMA canção do disco uma canção chamada THE END. Seria lindo, majestoso, mas aí apareceu uma certa majestade travessa...

     

    7 comentários:

    1. parabéns pelo trabalho incrível amigo, como sempre!

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    2. Não acho q lady Madonna tenha uma conotação católica até pq o sábado tbm é um dia sagrado no judaísmo e no catolicismo se descansa no domingo..
      Mais uma vez parabéns pelos textos com o português impecável e suas divagações sobre as músicas maravilhosas dos 4 four

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    3. Imaginem a audácia dos Beatles, em 2003, de tocar na sisuda Praça Vermelha, em Moscou, a música “De volta à União Soviética”. Fantástico!

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    4. Pelo que sei John, George e Ringo não detestaram Ob la di Ob la da. Virou lenda porque passou a ser meio moda falar mal deles, que não se entendiam que viviam brigando. Falar mal de Paul então fiquei "chique" para alguns, visto que ele foi considerado algo parecido com Judas. Ei, não estou dizendo que é seu caso, naaaaaõ! Sei que você jamais entraria numa dessa. Mas muitos entram. Tem até nome para essas pessoas: Paul haters. O que li em mais de um lugar é bem diferente. Eles detestaram as horas gravando a música que não saia do lugar. E estava ruim mesmo. Paul também não estava gostando. John se cansou e foi embora...Pois não é que voltou de repente com a salvação? Sinal que não saiu por estar detestando a música. Se fosse assim ele não teria voltado! Nessas histórias dos Beatles, como não há mesmo como saber ao certo o que se passou, eu fico com os fatos. Sigo o conselho de Bertrand Russel: se ater aos fatos é essencial. Podemos errar? Claro que sim. Mas as chances mas a chance de acerto é maior. Pois é fato que John realmente voltou. Sentou lá no piano e deu aquela introdução maravilhosa. Mudou o ritmo..ficou jóia.

      Vamos a outro fato que só descobri recentemente, acho que no mês passado. Segundo Prudence Farrow John não cantou Dear Prudence para ela ali na India. Mas ele e George a visitaram para alegra-la lá no quartinho dela...E cantaram Ob la di Ob la da! Não creio que ela mentiria sobre isso. E se escolheram essa música é logico que não a destestavam. Jamais escolheriam algo que detestavam para uma serenata.

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    5. Paperback writer é maravilhosa. Soube, e vi George falando sobre isso num video, que foi o primeiro video clip da história. Tudo bem que faziam coisas diferentes para promover seus discos. Help por exemplo teve um video super divertido. Mas ali teve algo especial que fez com que a ideia "pegasse". Bom lembrar que Rain também foi amplamente divulgada com video maravilhoso no mesmo lugar lindo. Esqueci o nome daquele jardim. Oficialmente pode ser sido lado B. Na pratica era tão lado A quanto Paperback Writer. E costumavam tocar as duas juntas.
      Já contei uma história aqui mesmo no seu espaço especialíssimo. Vindo do Recife de carro ouvimos Paperback Writer pelo rádio. Meu pai folclorista se encanta pela música. "Quem está cantando? É a nossa Marujada..."
      Teve aquela noite que eu saí com algo parecido ao ver a Nossa Marujada cantgando e dançando na rua... Fiquei muito emocionada porque realmente gosto da turma e do som deles. " Sáo os nossos Beatles!" Eu gritei.
      Voltando àquela noite no Fusca...Logo depois de Paperback Write, sem que ninguém da estação de rádio falasse anda, começa "Rain". Meu pai quis saber se ainda eram os Beatles, ou simplesmente perugntou quem era...não lembro os detalhes. Mas queria saber quem cantava Rain. Porque..." é a nossa folia". Ao saber com certeza que ainda eram os Beatles ele disse algo assim. " Então preciso ouvir mais os Beatles". Vindo dele foi o maior elogio do mundo pois para ela nada havia de melhor que folia e marujada. So mesmo os catopês. Enfim, só mesmo outros grupos folclóricos. Pois vibrou com os Beatles por um motivo que poucos imaginem. Quam já ligou os Beatles com o folclore do Norte de Minas Gerais? ( Alguns anos mais tarde meu pai se apaixonou por Strawberry Fields Forever sem pensar em nada do folclore. Amou os sons psicodélicos que o fez viajar de trem de ferro até Strawberry Field.)
      Alguém conhece Tino Gomes? Grande compositor mineiro nascido na minha cidade. Montes Claros. Pois ele também ligou os Beatles ao nosso folclore. Em parceria com Paulão Oliveira, que acontece ser meu primo, escreveu a música London/Moc onde diz que tem catopê em Abbey Road. É uma delícia de música. Descreve um lugar imaginário como Pasárgada de paz e amor ( como em Imagine). Pra onde o coração aponta lá London/Moc está. É uma mistura de Londres com Montes Claros. Passo algumas horas por dia nesse lugar que sonho existir em algum ponto do universo. Com uma ponte cósmica linda e florida para cidade vizinha: Livermoc.

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    6. Yellow Submarine. Foi quando um radialista da Bandeirantes começou a gostar dos Beatles. Ou melhor...ele começou a gostar com o album Revolver. Até então não ligava muito, fazia pouco caso, ainda considerava aqueles sons como coisa "para adolescentes" sem muito bom gosto. De repente ele começou a tocar músicas dos Beatles no seu programa dizendo que alguém o tinha convencido que eram bons. E penso ter apreciado Yellow Submarine porque ganhou este apelido. Mas há uma história que era porque usava sempre uma camisa amarela e era gordinho...
      Enfim, é uma delícia de música mesmo. A repetição que você comenta dá um sabor todo especial. E me vem a pergunta. Alguma outra banda fazia com que todos os seus membros tivessem seus momentos de glória? Dava espaço para todos? Eu não conheço nenhuma. Ringo não compunha ainda...Por isso não que fariam músicas especiais para ele. E das boas, lançada em compacto simples, que deu origem a um filme maravilhoso. Nunca vi nada parecido acontecendo com Charlie Watts. Mesmo asim há quem reclame que John e Paul queriam ser os maiorais. Acham que não prestam atenção, que adoram criticar. Obrigada por informar no seu texto sobre isso.
      Donovan realmente fez parte da turma. Paul gostava tanto dele que queria que fosse contratado para o Festival de Monterey que ele estava ajudando na divulgação a pedido de Derek Taylor. Mas Donovan não teve como entrar nos Estados Unidos por problemas relacionados a droga.

      Um dia ainda no século passado, quando eu fazia parte de um grupo da Yohoo apareceu lá um jovem cineasta querendo participação dos membros num documentário que estava fazendo. E assinou Donovan Leitch. ( Acho que é assim que se escreve). Eu, que sou muito metida, respondi a ele para dizer que não podia ajudar porque não morava nos Estados Unidos. Aproveitei para dizer que seu nome me fez lembrar de um cantor compositor de quem eu gostava muito, tinha até um album dele. O nome me pareceu semelhante. Ele respondeu:"Sou filho dele". Me deu uma baita emoção. Coisas possíveis no mundo virtual. Encontros inesperados.

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    7. Lady Madonna. Não sabia que tinha chegado "apenas" ao segundo lugar numa das paradas americanas. E quarto em outra. Como um disco que chega ao segundo lugar pode ser considerado fracasso? Pois acabei de ver em outra página que foi considerado fracasso. Eu não sabia porque recebia uma publicação inglesa naquele tempo. E lá estava Lady Madonna no primeiro lugar.
      E onde mais esteve em primeiro lugar? Na Nova Zelândia, na Austria,Austrália, Holanda Suiça e Suécia
      E nos Estados Unidos recebeu o Platinum certificate por mais de 1,000,000 vendidas. Além de ter sido cantada e gravada por Fats Domino e Elvis Presley entre outros. Acho que são muitos que gostariam de ter esse "fracasso".

      Agora...prostituta? Sim, já li sobre isso em alguns lugares e nunca entendi o motivo. Há alguma coisa na letra que pode fazer pensar que era essa a ocupação dela? Seria o see how they run? Que eu saiba nunca ouvi Paul dizendo sobre isso. Tudo que sei é ele se inspirou numa foto de uma mulher amamentando seus filhos. Uma foto linda que saiu na National Geographic em janeiro de 1965. Eu sei porque salvei a foto. Já tinha visto outra foto dizendo ter sido a inspiração de Paul. Também bonita. Mas Paul confirmou ter sido essa foto que tinha o título de Mountain Madonna! Veja que nada tem a ver com catolicismo. A foto da revista já veio com o nome de Madonna. Quem deu o nome foi o fotógrafo: Howard Sochurek. (Acabei de olhar para escrever seu nome corretamente. rs rs rs.

      Paul disse que ela parecia tão orgulhosa de estar com seus filhos, uma mãe verdadeira.
      Claro está que a Lady de Paul não é a senhora da foto que apenas o inspirou. Ele não a conhece, não sabe o que faz cada dia da semana como foi detalhando na letra. E pode ser que então resolveu imaginar que a sua Lady Madonna seria prostituta. Mas ele não disse nada disso na entrevista sobre a música onde saiu a foto inspiradora.

      The Inner Light é maravilhosa e numero um na parada do meu coração empatada com Lady Madonna. Inspirada no TAO TE CHING. E eu sabia lá o que era o TAO? Tive de investigar. Texto sagrado chinês de Lao Tsu.

      Atrevo-me a colocar aqui a parte do texto usado por George. Vai ver que você já falou sobre isso em outro lugar. Claro. Mesmo assim aqui está. "Inner Light" é do capitulo 47.

      Without going outside, you may know the whole world
      Without looking through the window, you may see the ways of heaven
      The farther you go, the less you know
      Thus the sage knows without traveling
      He sees without looking
      He works without doing.

      George fez uma adaptação excepcional. Mas o autor é Lao Tsu. Já vi muitos fãs admirados com a sabedoria interior de George...Como se ele fosse o autor. Ele apenas fez a adaptação do já existente. Como John fez em Tomorrow Never Knows.

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