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sábado, 27 de março de 2021

The Beatles Self Songs - Mind Class

Capítulo 21 

Aqui começa a terceira dezena de capítulos da saga

O Universo das Canções dos Beatles

Tenha acesso às outras dezenas neste LINK

Neste 21° Capítulo, começa a descrição das Self Songs dos Beatles, onde seus autores falam de si mesmos. Identifiquei 4 Classes, Mind, Body, Help, e Dream

Ele é dedicado às Mind Self Songs, em que o compositor conversa consigo, descreve o que vai em sua mente. Elas foram 6, mas vamos parar de papo e mostrar em gráfico.




E agora, passamos a alguns detalhes dessas canções...

As canções que estão em vermelho já tenho 
análises mais aprofundadas sobre elas! 
Basta clicar em seus nomes!

1. Rain (Compacto - 1966 e Past Masters#2)

John conta 'Chuva, eu não ligo. Brilhe, o tempo está bom. Você pode me ouvir que quando chove ou brilha o sol é só um estado da mente. Pode me ouvir, pode me ouvir? Chuva ou sol é só um estado da mente. Não importa, o que vale é seu estado mental. Inspirada por uma chuva torrencial na Austrália, que fez John pensar, Rain é considerada o melhor Lado B dos Beatles, veja bem, considerando-se que o lançamento junto com Paperback Writer no Lado A não é considerado um Double A Side Single. Rain é Labo B mesmo, e nesse merece a alcunha de Melhor Lado B dos Beatles. Tem ótimos desempenhos do baixo de Paul e da bateria de Ringo, tem a inovação técnica desenvolvida intramuros Abbey Road, de sigla ATOC, que faz com quea voz de John fosse ouvida mais alto, foi a primeira vez em que se ouve trechos tocados em reverso, feito por John em sua casa (e meio alto), que ficou marcante na canção. Além disso, seu vídeo promocional era uma coisa inédita, a ponto de Goerge dizer, anos depois: 'Nós inventamos a MTV!'.  Nota-se no vídeo um Paul com uma cicatriz no lábio, proveniente de um acidente de moto uns meses antes que foi o gerador do boato 'Paul is Dead' que se desenvolveu ao longo dos anos seguintes, com evidências claríssimas de que ele era um sósia, especialmente nas capas de Sgt. Peppers e Abbey Road.


2. Fixing a Hole (Sgt. Peppers - 1967)

Paul pensa 'Estou consertando um buraco por onde a chuva cai, e impede minha mente de vagar. Aonde ela irá?"  E quando ela pensa ele se lembra de múltiplas coisas, inclusive nas garotas que tentam invadir sua casa, e depois se auto-afirma, dizendo que está certo, esteja ou não certo, e mais pro final diz que vem gastando mais tempo em coisas que não eram importantes ontem. Reflexões. A canção é uma das 8 que saíram da ideia dele no álbum que saiu da idéia dele. Como expressão 'fix a hole' era o mesmo que  'aplicar uma injeção', diziam que a canção era uma alusão a heroína, droga injetável, mas Paul nunca entrou nessa onda, mas admitiu que a maconha foi inspiradora daquelas reflexões. A canção teve a 'honra' de ser referenciada, nem que fosse ironicamente, por John, em Glass Onion, um ano depois. Musicalmente, os quatro Beatles participam em seus instrumentos de origem, ou quase, porque John tocou baixo e tinha um lindo cravo na abertura, tocado por George Martin.

 

3. The Inner Light (Compacto - 1968 e Past Masters #2)

George declama 'Sem sair de casa, eu posso conhecer o mundo inteiro. Sem olhar pela minha janela, eu posso conhecer os caminhos que levam ao paraíso" Eu usei o verbo 'declamar' porque trata-se de um poema chinês musicado. Na verdade, ele canta 'você', mas no original era 'eu'. O que se pode atingir no seu eu interior, ver sem olhar, chegar sem viajar. Invocativo da Meditação Transcendental que aprenderam na Índia, esta foi, inclusive, gravada na Índia, em Bombaim (hoje, Mumbai), sendo a única canção beatle gravada fora da Europa. no Lado A. Foi a primeira vez que George teve a distinção de um compacto! Ela foi o Lado B de Lady Madonna. Em minha opinião, The Inner Light é a mais linda das 3 canções 'indianas' que George compôs na época beatle. Tanto que foi a escolhida, do gênero, para constar na homenagem que lhe fizeram, um ano após sua morte, em Concert for George, com a presença de Anoushka Shankar, filha de Ravi, o mentor do compositor em assuntos indianos. John e Paul também adoraram e contribuíram com vocais de apoio no verso final,
Arrive without travelling (George dobrado)
See all without looking (George)
Do all without doing (George, John e Paul)
Neste LINK, você pode ouvir este trecho, envolto em belos instrumentos indianos. Como última informação, The Inner Light é um episódio de Jornada nas Estrelas - Nova Geração, nomeado e inspirado na canção de George. Nele, o Capitão Picard está imerso em descobertas de sua mente! Bastante apropriado! Ademais, o que os tripulantes da Enterprise fazem no futuro é 'arrive without travelling', não é? Santo teletransporte!!!

 

4. Across the Universe (1969, Let It Be - 1970 e Past Masters #2 )

John declama 'Piscinas de mágoas, ondas de alegria, atravessam minha mente aberta, possuindo-me e acariciando-me... eu saúdo o Guru ... Nada vai mudar meu mundo' Pronto, gente, pera um pouco que eu vou me recuperar. Vocês estão prestes a ver o papo sobre uma das mais belas letras da história, não dos Beatles, mas da humanidade. Dá vontade de apenas colocar a letra toda aqui e não falar mais nada. Mas não é esse o papel deste analista neste estudo. Usei novamente o verbo declamar, porque se trata de uma poesia em prosa. 
'Palavras voam como uma chuva sem fim num copo de papel, elas deslizam enquanto passam, elas seguem seu caminho através do universo ...". 
Não, não vou colocar a letra, toda ela é linda, procurem, é fácil achar. Bem vamos à história.. estavam os Beatles se preparando para viajar à Índia, animados que estavam em aprender Meditação Transcendental, e deixaram algumas canções para serem lançadas em compacto enquanto estavam fora. John tinha essa canção que começou quando ele e Cynthia foram dormir após uma discussão de casal, onde Cynthia falou um monte, John demorou a dormir e aí veio a primeira frase: 'Words are flying out' Quem diria que uma balada cósmica tão linda teria começado numa DR... Felizmente, a coisa mudou dali em diante e virou uma viagem. 
"Imagens de luzes falhas dançam à minha frente como milhões de olhos, que me chamam de novo e de novo, através do universo" 
... ih, olha eu de novo ... sorry, não resisti. Enfim, era uma noite fria de fevereiro de 1968, a gravação não ficava boa e Paul teve mais uma daquelas idéias que só Paul mesmo. Saiu fora do estúdio, viu aquele grupo de garotas que sempre estavam lá, carinhosamente chamadas de Apple Scruffs, e perguntou se havia quem soubesse cantar. A brasileira Lizzie Bravo levantou a mão e chamou uma amiga inglesa pra ir junto com ela e AS DUAS PARTICIPARAM DE UMA GRAVAÇÃO DOS BEATLES! Muita  história ela conta desse dia desde então, conheci ela há dois anos e ela até contribuiu para meu post sobre esse feito inesquecível. Ela e a amiga fazem vocal de apoio no refrão 'Nothing's gonna change my world', em todas as vezes em que ele foi cantado. Eles foram viajar, escolheram outras duas canções para o compacto e Across The Universe ficou engavetada.  
"Sons de risos, sombras de amor tocam meus ouvidos atentos, excitando-me e convidando-me"
Não resisto! Felizmente, um produtor frequentador de Abbey Road ouviu a música, encantou-se com ela e propôs e foi aceito que fosse lançada num LP para levantar fundos. Claro que o próprio nome do LP acabou sendo o refrão da canção, um pouco modificado. Como a instituição beneficiada era o 'World WildLife' acresceram sons de pássaros no começo e no final da canção e o disco foi lançado em dezembro de 1969. A versão, entretanto, que o mundo conheceu foi outra, lançada em maio de 1970, no último disco lançado pelos Beatles, Let It Be, mas agora com orquestra e coral que o produtor Phil Spector encasquetou de colocar. Sinceramente, achei que caiu bem a orquestração pra acompanhar uma melodia tão... tão poética... 
"Pensamentos vagueiam como um vento sem fim por entre uma caixa de correio, eles vão caindo enquanto fazem seu caminho através do universo" 
Estou incorrigível, hoje ... Sim, era uma boa versão, mas os beatles a abominaram! Tanto que 30 anos depois, lançaram o Let It Be inteirinho como ele gostariam que tivesse sido lançado, cru, básico, NAKED, que foi como eles nomearam o lançamento! Antes, e felizmente, em 1988, o projeto Past Masters, que reuniu canções não lançadas em LP's, reviveu a versão do projeto de caridade, aquela em que UMA BRASILEIRA CANTOU COM OS BEATLES!!!
Bravo, Lizzie!!
Across The Universe foi regravada por muitos cantores, incluindo David Bowie, numa gravação que teve a participação do próprio John Lennon, bem recebida pelo autor, e mal recebida pela crítica. A versão que mais gosto, entretanto, me emocionou tanto que mereceu post meu, e muito da emoção foi por conta da participação de seu filho Sean fazendo uma segunda voz para Rufus e Moby, cada um cantando em uma oitava diferente, aliás, chorei de novo quando revi agora, e deixo aqui pra dividir com vocês, finalizando este capítulo. Neste LINK, não perca, e reserve um lenço...
"Um amor incondicional sem limites que  brilha à minha volta como milhões de sóis e me chama para ir pelo universo"

 

 5. I've Got a Feeling (Let It Be- 1970)

Paul sente'Eu tenho um sentimento, um sentimento aqui dentro, Oh, sim, oh, sim (está certo). Eu tenho um sentimento, um sentimento que não consigo esconder. Oh, não! Oh, não! Oh, não'  Na verdade, são duas canções inacabadas, uma de Paul outra de John, que alguém percebeu que tinham os mesmos acordes, e resolveu juntar as  duas numa só, com uma terminando a outra! Imagino que a idéia tenha sido de Paul, pois ele é quem tinha as idéias, mas não vi isso escrito em lugar nenhum. A de Paul é mais positiva, e ele tem um desempenho vocal perfeito, reclamando aos gritos, que ‘ninguém me disse que tudo que eu procurava era alguém que se parecesse com você’, só que não se sabe quem era o ‘você!’, se era Linda ou o próprio John. A de John chamava-se ‘Ev'rybody had a hard year’, era uma ladainha, com todos os versos começando na mesma palavra (Everybody) e era meio down, coadunando-se com seu próprio estado de espírito, tendo separado de Cynthia, Yoko tendo um aborto, ele lutando contra o vício de heroína, sendo preso por porte de drogas, em crise com os Beatles, enfim... A junção das duas ficou sensacional, e tão boa, que cantaram, e muito bem, no RoofTop Concert, a última aparição deles ao vivo! Deixo aqui o LINK pra vocês. A estrutura ficou assim: primeiro Paul canta a dele (com John na segunda voz na segunda estrofe), depois John canta a dele, depois os dois cantam ao mesmo tempo as duas, uma solução brilhante! Até fiz uma figura pra explicar. Acompanhem com o vídeo!
Como era parte do Projeto Get Back, minimalista, de volta às origens, todos tocaram seus instrumentos usuais, mas contaram com o auxílio luxuoso (adoro essa expressão, cunhada por Luiz Melodia) de Billy Preston, no piano elétrico!

 6. I Me Mine (Let It Be- 1970)

George admite: 'Ao longo do dia é só eu, depois eu e mais eu e ao longo da noite, eu, mim, meu, eu, mim, meu, eu, mim, meu, agora estão com medo de largar, todos estão tramando, tornando-se mais forte o tempo todo' Ao mesmo tempo em que George faz uma crítica ao egoísmo, falando em todas as formas de primeira pessoa, em todos os pronomes possíveis, como se fosse ele se auto-acusando (e por isso eu coloquei a canção nesta categoria), ele lança mensagem direta a seus companheiros John e Paul (o 'todos' da letra), os autores maiorais da banda, por só pensarem nas composições deles, não abrindo espaço para as dele. Uma imagem emblemática do desprezo pode ser vista no filme Let It Be, uma cena aparentemente singela, de John dançando uma valsa com Yoko, ao som da canção de George, que é, em verdade, uma valsa (mudando para rock no refrão), pode-se perceber a batida, tum-ta-ta, tum-ta-ta. Ocorre que John desprezou a canção desde o início, criticando-a por ser uma valsa, que isso não poderia ser uma canção beatle. Aparentemente, ninguém se lembrou de esfregar na cara dele que ele já fizera uma valsa, seis anos antes, Baby's In Black! O fato é que John nem participou da gravação. O clima estava tão ruim (era começo de 1969) que George deixou a banda, mas voltou uma semana depois. Como o projeto Get Back, onde se inseria a canção, foi rejeitado como um todo, a canção foi esquecida até ser retomada quase um ano depois, em 3 de janeiro de 1970, naquela que foi A ÚLTIMA sessão de gravação dos Beatles como uma banda, mas só com três deles. John já havia deixado o grupo, mas o mundo não sabia. Então foi George no violão, Paul no baixo, Ringo na bateria, mas depois Paul foi ao piano, e George acresceu lindas guitarras distorcidas. Para o lançamento do LP, entretanto, ainda levaria um banho de orquestra pelo produtor contratado Phil Spector, e uma das canções lavadas foi I Me Mine, de George Harrison.
  

Próximos capítulos

As 6 Dream Self Songs dos Beatles - Em Elaboração

As 4 Help Self Songs dos Beatles - Em Pensamento

As 3 Body Self Songs dos Beatles - Em Pensamento

2 comentários:

  1. Soh Ringo nao participou desta fase.Alias, pouco fez de composicoes e ficou mais na bateria onde brilhava. Teve a Lizzie brasileira corajosa descoberta pelo Paul. Enfim foram diferentes situacoes e todas importantes.

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  2. Felizmente e como sempre você trás muitas informações nas suas postagens que na maioria são novidades para mim. Parabéns e obrigado!

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