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segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Yesterday - A mais regravada canção da história

Esta é a última canção do Capítulo 40 da saga

O Universo das Canções dos Beatles,

Todos os Capítulos têm acesso neste LINK,


Aqui está ela


13. Yesterday (Dream Self Song by Paul McCartney)

Paul se lamenta: 'Ontem, meus problemas pareciam tão distantes, agora parece que eles vieram pra ficar. Oh eu acredito no passado. Agora não sou metade do homem que costumava ser!' É inacreditável como uma canção tão linda, com letra tão marcante apareceu na vida dos Beatles!  Paul sonhou com a melodia, mas levou mais de ano para terminá-la, primeiro com o temor de que seria um plágio, de tão bela que era, depois, porque não conseguia livrar-se da letra do primeiro verso, que viera logo na manhã pós-sonho, que ele fez só pra marcar as notas: “Scrambled eggs ...  oh, my baby, how I love your legs ...”. A segurança de que não copiava a melodia de ninguém veio de apresentá-la a seus pares e a George Martin e alguns amigos. A letra veio somente depois que John sugeriu que o título deveria ser uma palavra só, e Paul  teve a luz: Yesterday! Como isso na cabeça, Paul viajou pra Portugal com Jane e, na casa de um amigo onde se hospedaram, escreveu a letra num envelope! E é um Paul inspirado que nos oferece um festival de rimas ricas, aquelas que rimam diferentes classes gramaticais, em contraposição às rimas pobres, que rimam, por exemplo, verbo com verbo ('sou' com 'estou' com 'ficou'), substantivo com substantivo ('bondade' com 'idade' com 'saudade'). Vejam:

I'm not half the man I used to be (verbo) 

There's a shadow hangin' over me  (pronome) 

Oh, yesterday came suddenly  (advérbio) 

ou
Love was such an easy game to play  (verbo) 
Now I need a place to hide away  (advérbio) 

Oh, I believe in yesterday  (substantivo - neste uso) 

... além de usar pela primeira vez aquela rima interna (e rica) que usaria magistralmente em I'm Looking Through You, 
I said something wrong,  (advérbio) 
now I long (verbo) for yesterday 
Logo que a canção foi terminada, chegaram a fazer arranjo tradicional com guitarras e bateria, mas George Martin logo viu que ela merecia algo revolucionário, e convenceu os demais Beatles que aquele deveria ser uma canção solo de Paul, no violão, acompanhado de um quarteto de cordas, o que seria a primeira vez (e foi) na história de uma banda de rock. John,  George  e Ringo aceitaram, mas com a condição que não fosse lançada em single, por ser muito diferente do que os Beatles lançaram até aquele momento. A exigência de Paul é que as cordas não tivessem vibrato. Ficou maravilhoso! Então, ela entrou no Lado B do LP HELP!, não fazendo parte da trilha sonora do filme. No Ed Sullivan Show, quando tocaram Yesterday, George apresentou Paul, e ele, John e Ringo abandonaram o palco, e Paul canta, acompanhado pela orquestra gravada. Vejam, neste LINK, e notem como as garotas param de gritar! Já nos demais shows ao vivo, a banda fica e acompanha Paul, mas num arranjo em G (SOL Maior).

A original é em F (FA Maior). Percebam, neste LINK, a mudança do tom. Nos EUA, aonde eles não tinham muito controle sobre o lançamento de suas canções, ela foi, sim, lançada como single, tendo Act Naturally, com Ringo, no Lado B, e foi logo ao 1° Lugar, sendo a quinta de seis canções consecutivas dos Beatles a ocupar aquele posto naquele glorioso ano. As 
outras eram I Feel Fine, Eight Days a Week, Ticket to Ride, Help! e We Can Work It Out"!
Que fase, hein?!!
A repercussão foi a melhor possível e impossível e inimaginável. Logo após o lançamento, vários cantores a gravaram, e essa contagem só foi subindo ao longo dos anos e décadas, e ela é a mais regravada canção da história da música popular, com números variando entre 2.000 e 3.000, a depender da fonte, contando as versões instrumentais e orquestradas. Dentre os mais afamados, Frank Sinatra, Elvis Presley, Ray Charles, Matt Monro, Johnny Mathis, John Denver, Marvin Gaye, Shirley Bassey, The Supremes, Neil Diamond, Roberta Flack, Dionne Warwick, Willie Nelson, Sarah Vaugn, Trini Lopez, e no Brasil, claro, também, Martinha, Vanusa, Simone e até Agnaldo Timóteo, com uma versão, chamada ... Ontem!!! 
Para completar, um caso pitoresco. Houve um momento, em que eles estavam tão indefinidos se iriam lançar ou não a canção, que ela foi oferecida a um certo Chris Farlowe, que A RECUSOU POR SER MUITO LENTA!

Ganhou o título de Homem de Visão de 1965 

  
  

Próximas canções no capítulo Dream Self Songs

2. In My Life (Rubber Soul - 1965)

3. Julia (Álbum Branco - 1968)

4. Long Long Long (Álbum Branco - 1968)

5. Octopus's Garden (Álbum Branco - 1968)

6. Let It Be (Let It Be - 1970)


Outros capítulos das Beatles Self Songs

As 6 Dream Self Songs dos Beatles - Em Elaboração

As 6 Mind Self Songs dos Beatles - Neste LINK

As 3 Body Self Songs dos Beatles - Neste LINK

As 4 Help Self Songs dos Beatles - Neste LINK

10 comentários:

  1. Dentre tantas composições inesquecíveis, Yesterday somente perde para Something no conjunto da obra. Nem vou enumerar as outras canções que realmente curto para não cansar meus dedos.

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  2. Curto demais a composição Yesterday. É maravilha.

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  3. Talvez seja a melhor música dos Beatles...

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  4. Música linda, atemporal. Muito bom ler seu texto. Parabéns

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  5. Yesterday não é minha preferida, mas é uma obra-prima. Pelos acordes em queda do baixo, pelas passagens harmoniosas, pela bela e sensível letra. Você ressaltou muito bem as rimas internad, coisa que Paul aprendeu a fazer bem.
    De fato,a gravação do disco é em F. Talvez pelo arranjo com o quarteto ("sem vibratos!", como Paul exigiu), sei lá. Mas ela foi composta em G, como fizeram e como Paul ainda faz. Há um "rascunho" de estúdio onde Paul mostra a música e os acordes: "Estou em G...B... Em...".
    A sonoridade do violão em G é perfeita, assim como as quedas do baixo/bordão. Quando canto essa, o faço desavergonhadamente em C...kkk

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  6. Paul sempre nos entregando obras primas dentro dos Beatles, ele é uma máquina de canções bem feitas, Yesterday é uma obra inesquecível que sempre está lá para nos maravilhar.

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  7. Obrigada por trazer novas informações. Pelo menos eu não sabia que John participou sim. Ele deu a sugestão de uma única palavra. Pronto: que parem de falar que é só de Paul. É Lennon/McCartney.

    Jogo aqui coisas que li por ai sem comprovação: a primeira pessoa que ouvia a musica foi a mãe de Jane. Logo cedinho quando ele acordou com a música na cabeça ela a chamou para ouvi-la. Não seria plágio? Não seria de Leonard Bernstein? E foi ela quem teria sugerido o quarteto de cordas. Ela tocava oboé na filarmonica de Londres. Ou na simfõnica, não sei qual orquestra. Foi professora de música de George Martin.
    Logo de cara John, George e Ringo a rejeitaram por ser "diferente do estilo deles". Ainda não sabiam que não podiam ser classificados. Ainda não sabiam que uma das suas maiores qualidades era examente a capacidade de inovar e revolucionar a música popular. Não sabiam que a partir daí estariam trazendo os mais variados estilos...até música indiana que nunca tinha sido antes usado no rock. Ainda não sabiam de seu poder de abrir portas influenciando a todos. Pois assim que jogaram quarteto de cordas na música outras bandas comearam a buscar inspiração no classico. Penso que As tears goes by veio logo a seguir. Dos Rolling Stones
    Então pensarem logo em Mat Monroe que também gravava no mesmo estúdio produzido por Martin. Ele de fato gravou a musica. Foi grande sucesso na voz dele aqui no Brasil.
    Veio uma conversa que Roberto Carlos gravaria uma versão em português. Mas, como sabemos, isso nunca aconteceu. Eu ainda lembro da reação de um radialista da Record ouvindo Yesterday pela primeira vez. Fascinado. impressionado com a capacidade de inovação dos Beatles. Naquele tempo as pessoas todas sabiam que tudo que lançavam era deles. Ninguém ficou falando que era só de Paul. Era dos Beatles. E era mesmo.

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  8. E tem a história da Iris Caldwell. Vi uma entrevista dele falando sobre isso. Como sabem Iris, irmã de Rory Storm, namorou dois Beatles. George e Paul. Não sei porque rompeu com George ( foi ela quem mandou ele embora) mas ela contou porque rompeu com Paul. Se já conhecem a história me desculpem. Não garanto ser verdade. Mas garanto que Iris deu essa informação.

    Ringo já estava na banda. E chegou atrasado para um ensaio. Explicou o motivo. Tinha tinha tido um acidente com o carro, teve de parar...Até atropelou um cachorro. Iris, que era apaixonada por cachorros, perguntou o estado do bichinho. Tinha sido socorrido? Ringo disse não saber. Não tinha como socorrer, já estava atrasado...Ela ficou chocada. Era a primeira coisa que ele deveria ter feito. Paul entrou do lado de Ringo. O cachorro não teria importância. Ela nada disse. Se levantou e foi embora para sempre.

    Paul foi até a casa dela. Mas Iris não quis falar com ele. Mandou a mãe dizer que estava tudo acabado porque ele era insensível.

    Chega o ano de 1965 e Paul liga para a casa dela. Novamente fala com a mãe da moça...( que ficou amiga de Paul até seu estranho falecimento junto ao filho Rory). Pediu que ligassem a TV naquela noite porque ele estaria apresentando uma canção nova. E achava que depois de ouvi-la Iris mudaria de ideia sobre ele. Que não mais diria que ele sera insensível. Bem, a música era Yesterday.

    Por que ela tefe de ir embora eu não sei ela não disse...Eu falei algo errado...
    De fato se parece com o ocorrido. Sendo verdade a música foi dedicada a Iris Caldway. Bem possível, porque diferente de John, Paul escreve canções sobre sentimentos passados. Não apenas sobre seu momento presente. É um memorialista. E ainda guarda muita coisa que sente apenas para ele. Prefere dizer que talvez seja para sua mãe...como se não fosse uma canção de amor romantico.

    Importante: Ringo não tinha atropelado cachorro algum. Mentiu para ver a reação de Iris. Sabia que ficaria aborrecida porque era alucinada por cachorros. Tinha sido uma brincadeira boba...Paul entrou...Logo ele igualmente apaixonado por animais.

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  9. Uma vez sonhei descendo pelo jardim da casa onde moro...Yesterday no com orquestra de violinos. Estava lindo! De rpente fui atacada por um vampiro. rs rs rs

    Eu gosto de todas as gravações que conheço. A de Matt Monroe é preciosa. Mas a que mais me toca é exatamente a dos Beatles. O momento que entra a orquestra de cordas me leva ao céu.

    Homero, quero agradecer pelos seus comentários importantes sobre a música em si, sobre as rimas! Eu nunca vi nada assim antes sobre os Beatles. Você nos trás algo completamente novo. Nossa, como tenho aprendido.

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