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sábado, 12 de dezembro de 2020

Ticket To Ride - uma canção de HELP!

Esta é mais uma prévia do Capítulo 40

Da minha saga  

O Universo das Canções dos Beatles

Todos os Capítulos têm acesso neste LINK  

Ele fala sobre o álbum "HELP!" de 1965 

Esta canção fecha o Lado A


7. Ticket to Ride (Sadness Miss Song by John Lennon

John lamenta: 'Eu acho que vou ficar triste, e acho que é hoje, sim! A garota que está me deixando louco está indo embora. Ela tem uma passagem para ir embora. Ela tem uma passagem para ir embora. Ela tem uma passagem para ir embora mas não se importa"
Apesar de Paul ser responsável por 40% da canção, deixo a autoria para John, que teve a ideia do título, e das linhas gerais da letra. Há distintas interpretações sobre seu significado. A básica é esta que está na tradução acima: John está triste porque sua garota vai embora. Uma segunda, um pouco mais reveladora, é de que o título seria uma gíria para 'permissão para amar', uma exigência sanitária que a municipalidade de Hamburgo, onde eles tocaram muuuito, antes da fama, requeria de prostitutas, para poderem atuar na profissão mais antiga da história e, portanto, John estaria lamentando estar apaixonado por uma garota do ramo, que não está nem aí pra ele. Uma terceira, e recente, que eu soube, é que, na verdade, o nome seria Ticket To Ryde, que é uma cidade da Inglaterra, onde John e Paul foram uma vez na juventude, para visitar um parente deste último, e eles trocaram o ‘y’ pelo ‘i’ para não gerar necessidade de explicação. Só que esta, que foi revelada por John muitos anos depois, pode ser atribuída ao sarcasmo do gênio compositor. Seja o que for, a canção é uma favorita da carreira, por vários motivos musicais. 
 
Começando pelo início, que riff de abertura é aquele? Decerto está entre os 10 mais famosos e marcantes da história do rock. Pode fazer a sua lista!! Day Tripper, I Feel Fine (só pra ficar em Beatles), ou Satisfaction/Start Me Up dos Stones, ou Smoke on the Water do Deep Purple, ou Heartbreaker do Led Zeppelin, ou Roundabout do  Yes, ou Sweet Child of Mine do Guns’n Roses, e deixo você colocar a última. George mandou muito bem!! Mas não pare por aí, siga ouvindo e balance com a entrada vigorosa da bateria de Ringo, e note que em seguida ela vai no ritmo do riff, soando os tambores nos mesmos tempos, sincopados, de suas últimas três notas, ideia maravilhosa de Paul, e que vai até o verso final da canção, quando Ringo desiste da 'sincopagem explícita'. Veja que nosso baterista está atento aos mais novos Beatles Breaks, logo após o "...ticket to ri-i-ide!". E também note que não há a necessidade de se 'machucar' os pratos, até o final apoteótico, quando eles aparecem.  
 
Não perca o bonde, volte ao início dos vocais de John, no verso inicial, e note a entrada de Paul na harmonia aguda, lá no alto, em “--day, yeah” que segue em “the girl that’s driving me mad”, desligando aí, pra voltar no “she don’t care” no final do verso. Perceba aqui o erro gramatical de John, pois o correto seria she doesn’t care, mas  o correto não cabia na métrica, mas isso é permitindo: é o que se chama de 'licença poética', dada aos compositores, em prol do bom soar (pensou em francês?) . Paul volta no segundo verso em “..down, yeah” que segue em “she would never be free” e também naquele mesmo final de verso. Mas Paul não fica por aí, ele está na íntegra da ponte “I don’t know why she’s riding so high...” harmonizando no agudo, mas não tão enfaticamente, uma ponte, aliás, que muda o ritmo de forma magnífica, e sua graça é aumentada por um pandeiro de Ringo gravado posteriormente. O pandeiro aparece ao longo de toda a canção, mas é na ponte que ele brilha intensamente!  
 
Acabou? Não! Ao final da ponte, para reintroduzir um terceiro verso, há uma guitarra, só que ela não é tocada por George, mas por Paul, sim, ele andava ousado, invadindo a praia do guitarrista solo de plantão. Depois, mais uma vez a ponte, e mais um verso, e mais uma guitarra final também de Paul, acompanhando o “My baby don’t care!” repetidas vezes, e Paul ali também faz o falsetto notável, e note-se o prato de Ringo e também batendo palmas, em overdub! Claro que nas apresentações ao vivo, é George quem toca esses solos de guitarra!

 

Ticket To Ride foi gravada na primeira sessão para o álbum HELP!, em 15 de fevereiro de 1965, que inaugurou uma prática de estúdio que se repetiria dali por diante: acabara a fase romântica de gravarem todos juntos e cantando, agora, eles gravavam a base até chegarem a uma versão satisfatória, e depois gravavam as vozes, sem tocar os instrumentos, somente ouvindo a base em fones de ouvido! Foi também a primeira canção do álbum a ser ouvida pelo público, lançada em compacto em abril com Yes It Is no Lado B, direto para o topo das paradas.

 

No filme, Ticket To Ride aparece como background de ótimos momentos dos Beatles na neve dos Alpes Austríacos. Esquiando de verdade ou fazendo micagens, nos esquis ou nos trenós, em  separado ou todos juntos num só, uma pilha de Beatles, aliás, quando os ‘bandidos’ aproveitam para raptar Ringo, pendurado pelo pé. Ótima cena!! Tirei a foto do momento.

 

Ao contrário da maioria das canções do álbum, Ticket To Ride foi muuuuito tocada ao vivo, em shows das excursões e na TV, em UK e nos USA, e ainda teve um vídeo promocional muito bom, um dos precursores dos vídeo-clips.  Vale a pena ver uma dessas ao vivo, notando-se a animação de Paul nos agudos! Aqui, neste LINKNote como George erra a primeira guitarra de Paul. E também que Paul entra dobrando o vocal no final dos versos em “but she don’t care!”, mas na gravação é apenas John.

 Ai, ai , ai, essa paixão que me faz gastar na explicação da canção

quase 50 vezes mais tempo que a duração da própria... 

Vou tentar me policiar nas próximas, 

senão esta saga não termina mais!

 

2 comentários:

  1. Sobre as introduções, ainda prefiro a introdução de Day Tripper, especialmente se ouvida com headphones, o de se percebe os diferentes instrumentos entrando em diferentes canais do stereo.
    Também é fantástica a intro/riff de And Your Bird Can Sing.

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  2. Você entrou em alguns detalhes que me escapavam. Leitura super agradável.
    1- desde sempre eu me admiro com a entrada precisa do vocal de Paul no "today, yeah". O tom é muito alto e ele faz isso cirurgicamente, tanto no disco como ao vivo.
    2 - a "escorregada" de George no solinuo ao vivo... Paul sempre foi mais liso na guitarra.
    3- há décadas ouço "she don't care" como algo estranho... Não tinha me dado conta da licença poética. Obrigado!
    4- essa bateria do Ringo, com pitacos do Paul, é antológica!

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