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sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Três pílulas gramaticais

(incorreções que, quando ouço, fazem com que eu me desligue nos próximos cinco segundos da reunião, conversação ou apresentação.... e se tenho alguma intimidade, alerto, sem medo, pra que a pessoa se toque. Felizmente, tenho sido bem recebido!)


  1. A laranja está meia podre.

Até poderia estar certo, se o interlocutor quisesse dizer ‘metade’, então a outra metade da laranja estaria boa. Improvável!
A intenção é dizer que ela está ‘um pouco’ podre, portanto, tem função de advérbio, pois acrescenta circunstância de intensidade ou de modo ao adjetivo ‘podre’. E  advérbio não se modifica!


O correto é “A laranja está meio podre”.

  1. Houveram muitos problemas!
Um deles, com certeza, foi utilizar o verbo “haver” dessa maneira!!!
No sentido de existir, acontecer ou de tempo decorrido, o verbo “haver” é impessoal, isto é, não tem sujeito e, por isso, não flexiona para o plural, permanece no singular. 

O correto é Houve muitos problemas!”.

Aproveitando, o mesmo ocorre com o verbo “fazer”.
Quando ele tem o sentido de tempo decorrido, não flexiona.
Portanto, é incorreto dizer 
“Fazem sete dias que não fumo”. 

O correto é “Faz sete dias que não fumo”

  1. Passe-me o texto pra mim dar uma olhada.
Melhor não passar!! Se seu interlocutor falou desse jeito é porque a olhada vai ser meio falha! (olha o advérbio aqui, de novo)
Qual o sujeito da ação de dar uma olhada? “Eu” .. no caso, ele.
Quem pratica a ação são os pronomes pessoais do caso reto: eu, tu, ele, nós, vós, eles!
“Mim” não faz nada. É um pronome pessoal do caso oblíquo, jamais pode ser sujeito!

O correto é “Passe-me o texto pra eu dar uma olhada”

2 comentários:

  1. Homerix,

    Muito boa postagem.

    O idioma é rico. É um prazer conhecê-lo na intimidade

    Inclua nesse conjunto a expressão "crime de leso-idioma", que o que praticou os "reformadores" que forçaram a boçal "reforma ortográfica", tirando de ciculação elementos essencias, como o trema e acentos em paroxítonas terminadas em ditongo. Com essa "reforma", removeram do idioma a característica de se falar o que se escreve e vice-versa. Tente pronunciar agüentar e argüir, por exemplo, sem o trema. Tente pronunciar idéia e assembléia, sem o acento. Isso é crime de leso idioma. E essa "reforma" foi imposta por decreto, sem cumprir rituais democráticos. Assim, reservo o direito de não usar a "reforma ortográfica". Continuo a usar a forma culta.

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  2. Perfeitas as observações, Homero! Outra coisa que me dá arrepios é quando ouço alguém dizer "menas"...

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