quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Zênite da Mitologia Grega


Um amigo meu hoje comparou minha saga
sobre as canções dos Beatles (no LINK) 
e minha resenha em versos da Divina Comédia (no LINK) 
com Trabalhos de Hércules.
Claro que me lembrei do artigo que escrevi e o republico!
_________________
Zênite: Auge, apogeu, culminância.

Outro dia, li, depois de muitos anos, a palavra acima num artigo, o que reacendeu em minha memória um bom momento de minha infância.
Meu saudoso pai costumava ‘patrocinar’ a leitura de alguns livros que considerava necessários a meu desenvolvimento cultural. Isso mesmo, pagava-me para ler, 5 moedas da época, não lembro o quê, mas que eram suficientes para comprar muitos gibis, que eu devorava, tipo Fantasma (O Espírito Que Anda), Tarzan (Krig-a-bandolo), Mandrake (aquele Lotar, não sei não...) e Tio Patinhas (adorava a Sala da Preocupação). Com a estratégia, em minha tenra infância, li coisas como ‘Os Irmãos Karamázovi’ de Dostoievski e ‘Guerra e Paz’ de Leon Tolstói. Li também os 2 volumes da História da Civilização Ocidental’ de Edward G. Burns. É evidente que não me lembro de nada da trama dos dois tijolões russos, mas os dois últimos melhoraram muito meus conhecimentos históricos. E, inegavelmente, a prática contribuiu para que eu desenvolvesse uma escrita correta.
Lia também coisas que não requeriam quaisquer incentivos paternos, como por exemplo, a obra infantil de Monteiro Lobato. Ele conseguiu se comunicar com a alma infantil de uma maneira ainda não atingida por nenhum outro escritor. Com uma linguagem simples e corretíssima, Lobato fazia o aprendizado de coisas importantes parecer uma brincadeira agradável. Através das personagens do Sítio do Picapau Amarelo, ele passava mensagens que se tornariam indeléveis em nossas mentes. Dona Benta nos ensinava Geografia e História do Mundo, Tia Nastácia contava suas histórias, Pedrinho nos levava junto em caçadas bem brasileiras e em viagens ao céu, muito antes de nosso destemido astronauta passageiro. Personagens históricos e outros imaginários eram freqüentadores assíduos do Sítio, como Don Quixote e Peter Pan. Emília ensinava Gramática e Aritmética e mandava mensagens sobre as injustiças e as amarras do mundo, ela que é a considerada a primeira personagem feminista da literatura brasileira. Havia fábulas fantásticas, como ‘A Chave do Tamanho’, que ainda não se tornaram realidade; e sonhos fantásticos, como ‘O Poço do Visconde’, que se materializaram de forma brilhante. Monteiro Lobato foi um dos primeiros a acreditar que havia petróleo no Brasil, e o fazia de forma veemente e foi até preso por isso (1931). Seu movimento foi o precursor d’O Petróleo é Nosso, que veio a possibilitar a criação da Petrobras.
A obra de Monteiro Lobato não se limitou ao público infantil, atingiu também o público juvenil e adulto. Em seus 66 anos de vida, foram mais de 100 publicações, entre livros, estudos e traduções. É de sua lavra uma declaração que resume muito bem o tormento de todos os que se aventuram na arte de escrever:

“A luta contra o erro tipográfico tem algo de homérico. Durante a revisão os erros se escondem, fazem-se positivamente invisíveis. Mas assim que o livro sai, tornam-se visibilíssimos, verdadeiros sacis a nos botar a língua em todas as páginas. Trata-se de um mistério que a ciência ainda não conseguiu decifrar...”.

O zênite da obra infantil, em minha modesta opinião é ‘Os Doze Trabalhos de Hércules’, um dos últimos da série, que ele publicou em 1934. Eu não apenas li aquele livro, eu o devorei  ... e assim fiz mais sete vezes, anualmente: dos 7 aos 14 anos de idade, eu li os dois volumes, religiosamente, uma vez por ano. E agora, mais recentemente, o li novamente, aos pedaços, juntamente com meus filhos.
Para quem não leu, um breve resumo: Monteiro Lobato descreve, neste livro, 11 dos trabalhos do hercúleo herói na antiga Grécia, em que é acompanhado por Emília, Pedrinho e o Visconde de Sabugosa, os mais aventureiros personagens do Sítio do Picapau Amarelo, que viajavam pelo tempo, ao cheiro do pó de pirlimpimpim (quem diria que, 30 anos depois que Lobato escreveu sua obra infantil, outro tipo de pó faria as pessoas 'viajarem' ....). Em tempo, o 2º Trabalho, em que ele detona as sete cabeças da Hidra de Lerna, já havia sido descrito em 'O Minotauro', em outra viagem movida a pó, que era o recurso usado pelo autor para colocar os queridos heróis em contato direto, em carne e osso (e pano, no caso de Emília), com os personagens históricos e fictícios. Isso propiciava uma fácil assimilação, por parte dos leitores mirins, dos conceitos e mensagens que ele queria passar. O efeito era parecido com o teleporte de Jornada nas Estrelas (Beam me up, Scotty!), eles sumiam e reapareciam nas coordenadas desejadas. A tecnologia tupiniquim entretanto era superior, pois propiciava viagens no tempo; os bravos comandados por Capitão Kirk precisavam  viajar a uma velocidade de vários WARPs (singelamente traduzido no Brasil por ‘Dobra Espacial’) para atingir o mesmo objetivo.
Emília, Pedrinho e o Visconde não apenas acompanhavam o herói, mas participavam efetivamente na execução das impossíveis tarefas encomendadas por Euristeu, sob ordem de Hera, deusa suprema que nunca se conformou com a traição de Zeus com uma mortal, Alcmena, que resultou no nascimento do semideus Hércules. Pedrinho dá a idéia de desviar um rio para limpar as Cavalariças de Augias, mostra como se faz a arapuca para capturar a Corça dos Pés de Bronze, sem feri-la, e culmina com pegar, com seu charme infantil, O Pomo (de ouro) das Hespérides. Emília era a conselheira espiritual do herói, a quem carinhosamente chamava de Lelé, ajudava-o com ferramentas tipo varinha de condão e faz-de-conta, disponíveis em sua canastra, e também com muitas idéias: para arrebanhar Os Bois de Gerião, ela sugere, ao pé do ouvido do herói, que mire sua flecha no joelho do rei, gigante de três cabeças, seis braços e apenas duas pernas, sua fragilidade. O Visconde ajudava com sua sapiência e também em missões arriscadas, como a ocasião em que coloca a argola do laço na perna do louco Touro de Creta. Hércules desenvolveu uma relação de amizade e confiança com os pica-pauzinhos. Emília até mesmo convenceu-o de que centauros, seus eternos inimigos, poderiam ser ‘gente’ boa, adotando para o grupo um centauro-menino, criativamente batizado de Meioameio, que acaba acompanhando a trupe, quase todo o tempo.

   Lobato não se limitou aos feitos do herói, e aproveitou para dar uma aula de Mitologia Grega. Durante as aventuras, sempre encontrou oportunidade para explicar outros mitos, como o de Prometeu, Andrômeda e tantos outros. Dentre eles, um fixou-se em minha lembrança, o da luta de Hércules contra o gigante Anteu, que era filho da deusa Géa, a nossa Terra, e até então invencível: a sempre esperta Emília aconselhou Hércules a erguer o gigante do chão para desconectá-lo das energias inesgotáveis que a deusa lhe enviava, só que Hércules esqueceu-se no calor da luta, mas foi salvo pelo antológico berro da bonequinha: "Desliga, Lelé!".

         Bem, ao final do 12º Trabalho, em que Hércules captura Cérbero, o cão de guarda do Inferno, que tinha três cabeças, vem a página final em que os três picapaulinos se despedem do Herói, logo antes de aspirarem a última dose do pirlimpimpim que os levaria de volta para o futuro. Após declarações emocionadas de admiração múltipla, chega a hora do adeus.




Pedrinho diz: Adeus, Hércules, grande amigo!

Emília berra: Adeus, Lelé!

E o Visconde, com sua proverbial cultura, diz:

Adeus, zênite da mitologia grega!


E, claro que eu chorei, copiosamente, ao ler aquela última página .. e chorei todas as outra sete vezes em que a li, assim como estou, neste exato momento, com  os olhos marejados, só de lembrar!

Acho que está na hora de ler de novo!

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Lennon at 80 - Tributo


Semana de celebrações do aniversário de 80 anos de John Lennon, chegou-me aos ouvidos este tributo (LINK). Foram 3,5 horas de Lennon Songs, que ouvi e analise e recomendo. Bandas de todos os continentes

Conforme o tempo que tiverem

  • 30 Minutos? Vão do começo até a canção 8, sendo que a 7 é meio indevida  pois Honey Don't não é dos Beatles NEM foi cantada por John, mas é curioso ver o sósia de Ringo
  • 60 Minutos? A seleção dos 30 Minutos e também as canções 13, 14, 15, 17, 18, 23, 24, 27, 28, 29
    • de 0:39:40 até 0:46:00 e depois, 
    • de 0:52:00 até 0:57:30 e depois, 
    • de 1:07:55 até 1:16:10 e depois,
    • de 1:22:22 até 1:31:20 

  • 90 Minutos? A seleção dos 60 Minutos e também 34 a 39, 42 a 44
    • de 1:41:30 até 2:00:34 e depois,
    • de 2:09:25 até 2:15:05
  • Mais de 90 Minutos? Então, pode ver tudo, né!!
Segue a lista completa...

Ah! Como a minha saga está quase completa, se você quiser saber mais sobre a música original em questão, é só clicar no nome

  1. The Ballad of John & Yoko (Muito bom! No original, só John e Paul)
  2. You're Gonna Loose That Girl (com todos os duelos vocais de direito) 
  3. You Can't Do That (Mona Lisa Twins com uma paradinha sensacional)
  4. I Am The Walrus (Analogues, com requintes de crueldade)
  5. A Day In The Life (R.E.O. Brothers, filipinos sempre perfeitos 
  6. Woman (com 'John' a caráter)
  7. Honey Don't (Não entendi! Foi legal ver o sósia Ringer Stark e tal, mas não tem nada a ver com nosso octogenário favorito mais recente)
  8. Jealous Guy (sabiam que era pra sair no Álbum Branco, com o nome de Child of Nature?)
  9. Cold Turkey (médio, faltou a guitarra forte)
  10. Yes It Is (o argentino Javier Parisi já fez melhor)
  11. Girl (médio, batida fraca)
  12. Rain (apenas diferente... com o dedilhado e as notas iniciais, esperava Dear Prudence, mas veio Rain)
  13. I'll Be Back (perfeito, aquele violão da esquerda, sensacional)
  14. Dear Prudence (hipnotizante! Fiquei vidrado no baixo, sempre quis 'ver' o baixo dessa canção, ainda mais tocado por um canhoto! E a guitarra de 'George' perfeita. E a voz muito parecida com a de John, magnífico!!
  15. Imagine (ok, mas não é o pianista quem canta)
  16. Tomorrow Never Knows (instrumental competente, baixo canhoto, 'magic piano', clima psicodélico, bem reproduzido ao vivo, e tal, mas o 'John' muito caricato)
  17. If I Fell (simpáticos japoneses, ótimos vocais, muito parecido com Beatles, cajon substituindo bem a bateria, ukulele - o nome da banda é Beat Lele - e baixo menor, bastante interessante!!!
  18. Lucy In The Sky With Diamonds (Minimalista, guitarra e bateria, proposta boa de acelerar no refrão, e notável o trabalho do guitarrista simulando o baixo nos pedais, aquelas pernas mexendo desenfreadamente, um espetáculo!)
  19. Dizzy Miss Lizzy (competente, é cover, mas ao menos foi John quem cantou)
  20. Come Together (ok, mas não gostei da guitarra slide no final)
  21. Caramba, uma canção que não reconheci... que vergonha!
  22. Hey Bulldog (sem guitarra ficou difícil, é muuuito marcante no original, a cantora mandou bonitinho)
  23. New York City (banda chilena mandou muito bem, que pasa new York))
  24. I'm A Loser (Os Perucas mandaram direitinho, com gaita e tudo, mas é difícil esquecer de John e Paul dividindo microfone. O 'John' tá gordinho pra tocar violão, hehehe)
  25. Love (a violonista ok, mas podia ter caprichado mais nos baixos de ligação)
  26. Run For Your Life (a melô do feminicida, mandaram legal, erraram uma letra, perdoado)
  27. Free As a Bird (ótima slide guitar, um vocalista pra cada um de nossos meninos, acho que tocaram um pouco mais lento!)
  28. This Boy (muuuito bom, mas faltou os três dividirem o microfone!)
  29. Happiness is a Warm Gun (Happiness is to hear you. Muito bom!)
  30. Mais uma desconhecida! Não sou expert naquele começo de Hamburg / Cavern)
  31. One After 909 (rocker do início, gravado no fim)
  32. Rock & Roll Music (difícil sem a energia de John
  33. Cold Turkey (apenas ok) 
  34. Across The Universe (ok, o cara parece muito o John)
  35. Whatever Gets You Thru The Night (ótimo! Sem os metais, mas com bom substituto)
  36. Here Today (não é de John, é de Paul, mas é sobre John, e eu me arrepiei e chorei de novo, com o ukulele)
  37. Dig a Pony (Muuuito bom!!)
  38. I Know (I Know) -  (Mind Games raiz.. muito bom)
  39. Soldier of Love  (Muito bom)
  40. Slow Down (Bom, mas o vocalista estava com a voz prejudicada)
  41. I Am The Walrus de novo, mas depois do Analogues, fica difícil, mas foram valentes, especialmente o violeiro!)
  42. She Said, She Said (ótima)
  43. In My Life (tecladista competente, vocal bom)
  44. I’m Loosing You (boa entrega do vocalist)
  45. HELP! (mais lento, mas ok! Talvez, em verdade, tenha até sido o ritmo que John queria, mas foi convencido a acelerar por motivos comerciais)
  46. Bad To Me (muito legal!)
  47. You’ve Got To Hide Your Love Away (boa voz e violão, e no lugar a flauta, a gaita)
  48. Jealous Guy (versão hard, dois vocalistas do barulho, ótima guitarra, repetição válida)
  49. Norwegian Wood (tiozão mandou muito bem no bandolim e numa flauta maneira que mais parece um chifre)
  50. Happiness is a Warm Gun (três costarriquenhas mandando muito bem, valeu)
  51. Real Love (ótimo, guitarra perfeita)
  52. Julia (tocante)
  53. Working Class Hero (vocalista ok, mas não aparece o violão)
  54. Dear Prudence (mais uma vez, mas só aparece o violão, ficome com a primeira)
  55. Come Together (bom mas com solo não igualzinho)
  56. Don’t Let Me Down (reprodução oriental, do Rooftop Concert, com trajes parecidos, e até invasão da polícia)
  57. This Boy (mais uma, meio caída, pra gente ver como era difícil fazer aquela harmonia tripla... o baixista devia ser contemporâneo) 
  58. Lucy In The Sky With Diamonds (em reggae, acordes estranhos, não pegou ... ‘daiAmonds’?  Brazucas não mandaram bem, quero ver outros trabalhos deles)
  59. Cry Baby Cry (voz e violão, ok)
  60. Free As A Bird (again, a primeira era melhor)
  61. One After 909 (de novo, mas histórico, com os Quarrymen sobreviventes, todos over 80 em Penny Lane– super!!)
  62. I Am The Walrus (de novo, mas com banda brasileira, ok, com pequena orquestra. Bem legal, podia caprichar nos UUUs, e sem os ririri rururu rarara fica incompleta)
  63. If I Fell (de novo, com Mona Lisa Twins de novo, muito bom de novo)
  64. A Day In The Life (de novo, e os filipinos bem superiores)
  65. All You Need Is Love



terça-feira, 6 de outubro de 2020

Sean entrevista Elton, Julian, Paul! Antológico!

Pausa em minha saga sobre as Canções dos Beatles, que está ficando bonita demais!

Já está com 24 Capítulos, vejam aqui neste LINK.

Ontem, na minha atividade de bicicleta ergométrica, ao invés de ler mais um instrutivo capítulo do livro que lia, sentei-me munido apenas do celular e meu fone de ouvido. 

Gastaria a hora seguinte me emocionando, como já ocorrera nos dois dias anteriores.

Era a terceira entrevista do projeto Lennon at 80, da BBC2 (rádio inglesa).

Em tempo, John Lennon faria 80 anos no dia 9 de outubro. Quando ele recebeu quatro tiros pelas costas em 8 de dezembro de 1980, isso se tornou um evento impossível.

Sean Lennon entrevistou três pessoas importantes na vida de John, apresentadas em áudio da BBC nesta ordem: seu amigo Elton John, seu outro filho Julian Lennon, e seu parceiro Paul McCartney.

Em tempo... Sean é filho de John Lennon com Yoko Ono, Julian é filho de John com Cynthia, e Elton John é o padrinho dele, devido a uma série de acontecimentos que contarei ao final.

O plano era ouvir a terceira entrevista, após ter ouvido a primeira e a segunda no sábado e no domingo em minha estação de trabalho. Ocorre que antes de começar a entrevista com Paul, Sean e a BBC mostraram como que um resumo das outras duas, ‘ilustrado’ por canções que haviam sido apenas mencionadas na ocasião das mesmas, quando entrevistador e entrevistado conversavam. E aí, gente, começaram já as lágrimas. Ouvir a voz suave de Sean, falando sobre as músicas de seu ‘Dad’, e trechos delas aparecendo, Mind Games, Steel and Glass, e culminando com a exibição quase completa de Just Like Starting Over, que John lançara em novembro de 1980, com uma letra dizendo que estava começando tudo de novo, e que era hora de espalhar as asas e voar!!! E alguns dias depois acontecia aquilo... foi demais pra mim...

Em tempo... Após quatro anos já morando nos EUA, reconciliado com Yoko, e envolto em perseguições do governo americano, inconformado com a presença de um ativista tão poderoso em seu território, nasceu Sean em 1975, e John resolve ser para ele o que não fora para Julian 10 anos antes, retirou-se do cenário e ficou trocando fraldas, fazendo comidinhas e curtindo o filho, durante 5 anos, até que decidiu que era hora de começar tudo de novo...

E veio a entrevista com Paul, muito legal contando desde a época em que eram Teddy Boys, a admiração pelo rapaz mais velho que conheceu no ônibus (ano em meio de diferença aos 14 anos de idade é muita coisa!), e depois, o encontro arrumado com John por um amigo no pátio de uma igreja, o começo da parceria, de como John era o 'posh' entre os quatro, fui até procurar no dicionário, é 'de classe mais elevada'. Marcantes foram as impressões de Paul sobre a avó de Sean, muuuito positivas, o que deixou Sean emocionado. Ela se fora 17 anos antes de ele nascer.

Em tempo... Julia Lennon era uma mulher do mundo. Ela teve seu filho John e o deixou com 5 anos com sua irmã Mimi, para criar! O pai era marinheiro e abandonou o lar ainda antes. Aos 15 anos, John voltou a conviver com Julia, e tinha nela, não só uma mãe, mas uma amiga, com seu espírito jovial. Amante do Rock and Roll, que começava a despontar nos EUA, ela ensinou a John os primeiros acordes musicais em um banjo. Extrovertida, andava com John para todos os lados e os amigos dele a adoravam. Tudo ia muito bem, até que o destino deu um duro golpe no rapaz: em julho de 1958, quando atravessava a rua da casa de sua irmã para pegar um ônibus, Julia foi atropelada por um policial bêbado, de folga, sendo lançada a 10 metros de distância, e morrendo instantaneamente, aos 44 anos de idade. John nunca se conformou. E Paul confirmou aquela impressão sobre Julia na entrevista.

Muito bem conduzida por Sean, a entrevista foi passando por diversas fases do convívio dos dois, até o natural afastamento, a felicidade de Paul ter se reconciliado com John, decerto ele seria um outro homem se a tragédia tivesse ocorrido com eles ainda trocando rusgas. Sobre o tema, Paul se refere ao novo filme dos Beatles, que foi feito recentemente por Peter Jackson (diretor de 'O Senhor dos Anéis'), contar uma história de camaradagem entre eles naquelas famosas sessões de 'Let It Be', o último filme deles, que ficara marcado por cenas de desavenças entre todos. O lançamento do novo filme, ansiado por todos nós, foi adiado por causa da Pandemia. Paul até menciona uma foto que Linda tirou (ao lado) e que mostrava ele e John sentados, observando umas anotações de uma canção num papel, sorridentes, que por incrível que pareça foi um marco para lembrar ao próprio Paul que ainda eram amigos, sim. Paul mostra, ao violão, um trecho de uma canção deles, Just For Fun, que nunca foi considerada para gravação, bonitinha! Quando já se aproximava a entrevista de seu final, Sean pergunta se havia alguma canção em especial que Paul apreciava da carreira solo, e ele passou por alto sobre Imagine, Instant Karma, Working Class Hero, mas elegeu Beautiful Boy, decerto provocando uma lágrima em Sean (ao menos em mim, provocou), porque fora feita especificamente por seu 'Dad' a ele, então com 5 anos...

No domingo, eu ouvira a conversa de Sean com Julian, e notei, logo no começo, o tom que ela teria. Sean fez questão de dizer que eles iriam "to talk about Dad's music", então, nada dos problemas que Julian teve com o abandono do pai para ficar com Yoko, o que se sabe, fora muito duro para ele, nada daquilo seria comentado naquele foro. Que bom!! A música de John é suficientemente magna para preencher não apenas aquela hora, mas muitas, até dias, por que não, anos de conversas... Além dos destaques da parte musical, que já mencionei, foi interessante ver os irmãos trocando impressões de como era difícil serem apresentados a novos coleguinhas 'Este é Julian ... Este é Sean ... filho de John Lennon'. A partir daquele momento, seria impossível fazer uma amizade verdadeira, livre de interesses, os dois se sentiam assim, o tempo todo.  Uma das poucas amigas que Julian tinha era justamente Lucy, sim, aquela do 'céu com diamantes'. Sean declarou sua visão de que a Inglaterra era mágica, como um sonho impossível, queria morar lá. E Julian conta como se reaproximou de seu 'Dad' quando chegou aos seus 15, 16, 17 anos e disse que falou com 'Dad' ao telefone um dia antes da tragédia, contou quando John tocou pra ele ao telefone Just Like Starting Over, e ouviu como 'Dad'  estava feliz com o novo disco, e tal, e olha eu chorando novamente. Julian diz que na madrugada de 9 de dezembro, portanto, próximo à hora dos tiros do outro lado do Atlântico, ele foi acordado por uma ocorrência na lareira da casa dele, na Inglaterra. E algum tempo depois, tocou o telefone.... ai ai ai.

Por incrível que pareça, foi no sábado que a emoção bateu mais forte. Foi quando chorei de soluçar, debruçado no computador... A primeira entrevista foi com Elton John, fã absoluto dos Beatles e de John, tanto que colocou o nome John em seu nome artístico, como a gente viu no filme 'Rocket Man'. Elton contou como conheceu o som dos Beatles, como foi revolucionário, o impacto para a juventude, canções brilhantes, autorais, contou como foi comprar o LP Sgt. Peppers de bicicleta longe de onde morava. E, como estava em Abbey Road junto com seu parceiro Bernie Taupin o primeiro Beatle de sua vida, tocando Hey Jude, a excitação, enfim como os Beatles arrasavam, enfim, e como se tornou amigo de John em Los Angeles(!!).

Em tempo... Num belo dia de 1973, Yoko se cansou de John e o exportou para Los Angeles, acompanhado de sua secretária May Pang, com a missão especial de satisfazer os ímpetos sexuais do marido ('melhor com ela que com sirigaitas'). Ele ficou lá por 18 meses!

Elton também estava lá e se tornaram amigos, para o bem e para o mal. Ficaram muito próximos. John o chamou para participar de uma gravação do álbum Walls and Bridges. Elton gostou especialmente da canção Whatever Gets You Trhu The Night, com um clima upbeat, tocou piano na gravação, e apostou com John que seria um Hit N°1. E que se fosse, John teria que se apresentar ao vivo com ele em New York! John nem ia fazer single com ela. Mas fez! E ela chegou ao topo! No dia marcado, em 28 de novembro de 1974,  Elton não contou pra ninguém, o público foi ao Madison Square Garden sem saber de nada. Uma bela hora, ele anuncia com emoção "Mr. John Lennon", o público vem abaixo, como nunca Elton havia presenciado, todos da banda choraram de emoção, mas refizeram-se rapidamente e cantaram juntos, além da canção em questão, também I Saw Her Standing There (interessante, porque era uma de Paul) e Lucy In The Sky With Diamonds, que Elton havia gravado fenomenalmente, sugestão do próprio John, que lamentara que ninguém se lembrava de Lucy. Deixo aqui um LINK da efeméride, com baixa qualidade pois não houve televisamento oficial,vídeo editado, e tal, mas ao final tem boas imagens do encontro. Elton contou que John chegou a vomitar de tão nervoso que estava, mas depois, ele o fez muito bem.

Entretanto, o mais importante daquele evento, foi  que John enviou convites para Yoko, que enviou gardênias para os dois, John usou a dele no palco, e os quatro (John Yoko, Elton e May Pang) saíram para jantar, e o mais famoso casal do rock reatou mês e pouco depois, e, dali a nove meses, nasceu Sean Ono Lennon. E o entrevistador se lembrou desse fato, quase que agradecendo Elton por estar neste mundo. Nada mais apropriado que convidá-lo para ser Godfather do menino, não é mesmo?

Enfim, dali pra frente a entrevista foi uma sucessão de odes a John, Elton se emociona a falar dele, de sua inteligência, de seu bom humor, seu sarcasmo, das conversas de alto nível, de como John era uma fonte de conhecimento, e como era carinhoso,  e atencioso, nem um pouco esnobe, e no final a menção de como John ficou feliz por se tornar um 'family man' durante tanto tempo, e de como estava feliz de volta, com o disco Double Fantasy... naquele dezembro de 1980, ai ai ai, foi aí que eu desabei mesmo. Sean ainda agradeceu a Elton por ter feito a canção Empty Garden, em homenagem a John, disse que foi fundamental para o seu consolo quando criança, e ele a ouve até hoje.

E posso dizer que outro ponto alto das entrevistas foi o próprio entrevistador. Sean é a absoluta calma, a voz leve, ótima condução, perguntas na hora certa, percebe quando o assunto requer uma virada, ou sabe quando avançar no mesmo tema, e tinha conteúdo para isso, preparou-se bem e entregou magistralmente!!

Desde já, entra para a categoria dos eventos ANTOLÓGICOS sobre os Beatles.

Deixo os links da entrevista ali embaixo, mas antes um maravilhoso vídeo com uma performance de Across The Universe, uma das melhores canções de seu 'Dad' ainda nos Beatles. Ele é o que toca o violão e faz uma perfeita segunda voz!! A imagem congelada é dele!



Agora, o link com as 3 entrevistas juntas!!!

Neste LINK




sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Outubro - Oitenta - Outras Celebrações

Chegado outubro de 2020, em que celebram-se os 80 anos de John Lennon e de Pelé, embora o primeiro não tem como celebrar. Mas tem um amigo que celebrará também 80, pois nasceu sanduichado pelos dois reis naquele 1940. 

É meu amigo Oswaldo Pereira. 

Antecipadamente, nós exaltamos a data no começo deste ano em nosso duelo de poesias, Os Poetas da Quarentena, que estava chegando à 40ª estrofe.




Vejam como o duelo se desenvolveu, eu do lado esquerdo, Oswaldo do direito!


40

Não sei se a tempo ainda vou 

De cravar o número 40

Acordei bem cedo e inda estou

Com a mente ensonada e desatenta

Se conseguir será um belo show 

Caso eu falhe, a pergunta se apresenta 

Quem será o vencedor desta querela

O amigo Homerix? Ou o Falabella?

... em tempo, Falabella é o outro duelante, 

mas não participou deste trecho

41

Então, foi confirmado o belo show!

Tal qual o garboso Napoleão,

Que 40 séculos contemplou,

Ou como Ali Babá, grande ladrão.

Que 40 larápios comandou,

Foste tu, emérito campeão,

Desta enorme e profícua quarentena,

Que pros 40, deu tchau e acena!


42

Quarenta é um número encantado 

De várias lendas o facho que conduz

Cabalístico, divino, venerado

40 dias no deserto andou Jesus

Quarenta anos Moisés com sua luz

Guiou a Canaã seu povo amado

E até 2020 nos atenta

Porque vinte mais vinte dá 40



43

Isso está um verdadeiro filé

Mas não finda essa saga quarentana:

40 dias, dilúvio, Noé

40 horas laborais, semana

E 40 semanas, termo é

De uma boa gravidez humana.

E concluindo este ciclo que se encerra

Quarentanos viveu Lennon na Terra.



44

Ouvi séculos, anos, e semanas?

E dias e coisas a celebrar

O 40 em variadas hosanas.

Porém mesmo depois de chacoalhar

Nossas mil cavidades cranianas,

Falhamos, lamentável, encontrar

Meses, horas, minutos e segundos

Prostraram-se mortos e infecundos


45

Mas há ainda fato a celebrar:

Pois dezenove centos mais 40

Mostra-se um ano espetacular.

Analisando de maneira atenta,

Foi um ano de prole luminar!

Afirmo de maneira clara e isenta:

Pois que, então, entre Lennon e Pelé

Nasceu Oswaldo, Avé Evoé!!!


46

De verdade, seu ano impressiona,

Mas o meu não fica lá muito atrás,

Pois que trouxe a este mundo Madonna,

Prince,  Michael Jackson, mais que demais!

Cazuza, Bial, Maitê, só abona!

Tim Burton, Sharon Stone e muito mais!

Esqueci de dizer, de tão afoito:

Meu ano foi o Gran 58!


https://blogdohomerix.blogspot.com/2012/09/desafio-dos-anos.html


47

E a lista de notáveis inda engrossa

Com fatos de que meu ano foi pleno:

·        A Taça do Mundo terminou nossa

·        Brasília fincou pá em seu terreno

·        E cá no Rio surgiu a Nova Bossa

·        Inda teve Maria Esther Bueno.

Enfim, convido então aos duelantes,

Que provem ser seus anos importantes!


Só Agora Eu Sei - 2026

  SEI DESDE CRIANÇA          QUEM inventou o rádio,          QUEM inventou o avião,         QUEM inventou o telefone,         QUEM inventou ...