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segunda-feira, 14 de setembro de 2020

O privilégio de servir

Publicação de 9 de dezembro de 2019
Agora, é chegada a hora de disparar os convites finais a doações
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Neste domingo, participei de uma experiência abençoada. 

Eu e Neusa participamos de uma caravana a Piraí, aqui no interior do Estado do Rio, logo ali após a subida da Serra das Araras. Nosso carro estava cheio de sacolas para meninos. Um segundo carro, com Guilherme e Ângela, tinha sacolas para meninas.

Ao chegarmos ao portal de Piraí, lá pelas 10 da manhã, lá estavam nossos condutores, Coité, Dayse e seu pai, parceiros moradores da região, que nos levariam aos locais de entrega de felicidade, além de Romilda e esposo, que vieram de Resende, especialmente para compor a caravana, e aí a caravana subiu a três veículos. Sem eles, nada do que viria, seria possível! Saímos pela estrada pelo asfalto, mas não entramos pela cidade, e de repente estávamos em estradas de terra. Que bom que estava um dia lindo, senão seria difícil ficar se desvencilhando de lama. 


Daí, não vimos mais asfalto até o início da noite, quando só então, demos o processo por encerrado, sem tempo de experimentar o charme do local, com quase todas as 110 sacolas entregues. Voltamos ao asfalto, só então parando para 'almoçar', no último restaurante antes da serra. Depois, mais duas horas de viagem e entrega das caravaneiras acompanhantes em seus endereços, e chegar em casa às 10 da noite, e desabar no sofá, um dia que começara às 7:30, quando saímos de casa rumo ao ponto de encontro, na Seara de Amor e Luz, na Rua da Passagem, para abastecermos os carros, fazermos a prece de encaminhamento e sairmos para a luta.

E Madureira, Acari, Ramos e Jardim Gramacho, no Rio
Outras 10 caravanas saíram rumo a pontos selecionados (algumas já foram no sábado), seja na capital, em comunidades como Ramos, Acari, Jardim Gramacho, Madureira, e também no estado do Rio, como a 'nossa' Piraí, Governador Portela, Seropédica, e alguns mais longínquos, como Araruama, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio e Resende! Nossa caravana, a de Piraí, encaixava-se perfeitamente no objetivo original do 'Natal nas Estradas', que era sair sem destino em estradas vicinais em busca de oportunidades de fazer caridade. 

A maioria das outras caravanas já tinha destinos definidos (um ou dois em cada lugar), selecionados por um trabalho prévio, em instituições, em ONGs, em comunidades, com agentes locais, normalmente pastores ou padres, ou líderes comunitários, que pesquisaram antes o número de crianças, que gênero, que idade, que condição, então as sacolas já iam com nome da criança e nome da mãe, e elas eram chamadas a um ponto de encontro, ou no templo ou num galpão, e então se fazia a entrega. 

A nossa caravana era diferente, ela não tinha endereços definidos, então nossa chegada era surpresa absoluta, ninguém era avisado. A caravana de Governador Portela também era em estradas. Nosso objetivo era 'catar criança' pelas estradas, e nossa felicidade ao encontrá-las, imensa! Após a chegada a Piraí, foram oito horas de poeira, identificação de 'oportunidade', que podia ser uma criança, ou grupo de crianças, o que provocava êxtase nos caravaneiros, ou mesmo uma casa ao longe com roupa de criança estendida no varal, e aí começava a rotina de parar o carro, descer e perguntar: 'Ó de casa!!',  'Tem criança aí?', 'Que idade?', 'Tem grávida?', 'Apareçam aqui!', e quando chegavam, começava a busca pela sacola correta, menino/menina/idade, a felicidade ao encontrar, entregar, testemunhar a felicidade, abraçar, se emocionar, registrar, uma rotina abençoada... 

Romilda, o faro
A admirar-se o faro da parceira Romilda que, de repente, saía do carro, no meio do nada, sem razão aparente, mas logo depois vislumbrava-se uma porteira, uma ponte, um buraco aonde havia uma casa, às vezes de pau-a-pique, escondida do mato da estrada, de onde aparecia uma mãe, com uma criança a tiracolo. Quase invariavelmente, as crianças vinham acompanhadas de cachorros, muitos cachorros, esses,sim, invariavelmente, muito magros. 


Vivi - Neusa - Cláudia
Entre uma parada e outra foi que ouvi de uma das nossas caravaneiras o título deste texto. A jovem e brilhante palestrante Vivi, em meio à celebração por mais uma entrega bem sucedida e sorrisos auferidos de crianças e parentes, ela lembrou, emocionada: 
'É isso que Chico Xavier 
nos ensinou a experimentar, 
o privilégio de servir!'
ao que uma lágrima desceu de meus olhos. Tanto ela como a outra companheira Cláudia são experientes em ações do tipo, já participaram de ajudas a moradores de rua, e outras do gênero, muito amor no coração.

Jurema, Nazaré, Odiléa,
Yvelize e Neusa
Não se pode esquecer nisso tudo o extenuante trabalho da equipe do 'Natal nas Estradas', uma das muitas sessões da Seara destinadas à caridade, que é organizadora desses eventos, já há muitos anos, hoje com um grupo de cinco voluntárias (e algumas agregadas, vez por outra), que passam a maior parte do ano na coleta e organização de doações, mobilização de amigos, separação dos itens por idade e gênero, e identificação de necessidades, e se responsabilizavam pela compra do que estava faltando, tudo para ficar prontinho para o grande dia!!! 

Cada sacola continha uma roupa completa (short ou saia ou conjunto, cueca ou calcinha, camiseta, vestido e um calçado), classificado por idade (1 a 10 anos),  brinquedo (bola, de capão ou plástico, carrinho, boneca, boneco, jogos) balas, bolacha (ou biscoito?), e um kit de higiene (pasta e escova de dentes, sabonete, pente). Nas sacolas de bebês, a serem entregues às grávidas, fraldas, cueiros, roupinhas de bebês, kit de higiene, mamadeira e outros itens. Eram 5 sacolas de 1 a 10 anos para meninos, outras 5 para meninas, e 10 para bebês. Foi desta última categoria que mais sobraram sacolas, e mais umas poucas das idades menores, o que denota que estão chegando menos crianças neste mundão, se bem que uma delas tinha uma criança no colo e levava em seu ventre o décimo filho, ai, ai ai.... 



Bem, mesmo assim, as sacolas não entregues de nossa aventura (muito poucas) ficaram com os nossos guias da região, que se comprometeram a reorganizar as que haviam sido desmembradas para atender a necessidades específicas de alguma criança, e distribuí-las até o Natal. 

Acresça-se que os amigos  também trouxeram presentes no porta-malas, embrulhadinhos com capricho, que muito serviram mais para o final do dia, quando às vezes tinha criança mas não tinha a sacola apropriada ao gênero e idade! 

Além de estarem municiados com frutas, sanduíches, salgados, água (com gás, eeeehh!!) e outras coisas que ajudaram a enganar nossa fome!!! Não podíamos desperdiçar uma hora para voltar ao asfalto e almoçar... isso refletiria em 15 sacolas a menos de felicidade!

Poxa, que dia foi esse?! 

Nem fiquei triste em perder o melhor jogo do meu time no campeonato, onde carimbamos a faixa do campeão com um sonoro 4x0 ... mas pude ouvir, e vibrar, no rádio do carro!! Vai, Santooooos!!! Foi mais um motivo para complementar a felicidade de um dos melhores dias de minha vida!!! 

Senti-me com um Papai Noel, nossos carros como trenós, os cavalos do motor como as renas, os anõezinhos fabricantes de brinquedos como as voluntárias alimentadoras das sacolas, no setor da Seara não à toa conhecido como 
Fábrica de Felicidade 

Uma verdadeira bênção!

4 comentários:

  1. Perfeito ���� Realmente é um presente que Deus nos proporciona essa bênção.Entregar as sacolas e ver nos olhos de crianças que pensavam nada receber no Natal,nos dá a certeza de que devemos cada vez mais nos dedicarmos a esse trabalho que nos faz tão feliz!!!!
    Que Jesus abençoe a todo aquele que entrega sua doação para que a Fábrica da Felicidade possa funcionar. Obrigada a todas as companheiras que nesta época se afastam de seus lares para poder trabalhar nessa fabrica8de sonhos e obrigada a seus companheiros que com tanta generosidade acompanham o nosso trabalho. Estamos felizes e prontas para trabalhar mais um ano. Grata a Seara de Amor e de Luz que abriga o nosso ideal fraterno. Obrigado meu Deus !!!!
    Jurema

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  2. Perfeito ���� Realmente é um presente que Deus nos proporciona essa bênção.Entregar as sacolas e ver nos olhos de crianças que pensavam nada receber no Natal,nos dá a certeza de que devemos cada vez mais nos dedicarmos a esse trabalho que nos faz tão feliz!!!!
    Que Jesus abençoe a todo aquele que entrega sua doação para que a Fábrica da Felicidade possa funcionar. Obrigada a todas as companheiras que nesta época se afastam de seus lares para poder trabalhar nessa fabrica8de sonhos e obrigada a seus companheiros que com tanta generosidade acompanham o nosso trabalho. Estamos felizes e prontas para trabalhar mais um ano. Grata a Seara de Amor e de Luz que abriga o nosso ideal fraterno. Obrigado meu Deus !!!!
    Jurema

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  3. Caro amigo Homero, cujo habilidade poética na crônica, faz jus jus ao pseudônimo de “Homeriz”!
    Que linda descrição de um projeto que foi iniciado há quase sessenta anos, pelas mãos habilidosas de Dona Therezinha de Castro, que confeccionou doze vestidinhos de meninas, e ao levá- los para o Chico Xavier distribuir, ele lhe disse que logo a produção cresceria para , 100 unidades e depois mais e mais... Na ocasião , conta Dona Therezinha, que ela achou que ele ou estava brincando, ou avariando das ideias, há! Há!
    De ano em ano, passo a passo , com muita luta, perseverança, e com a chegada de muitos amigos seareiros dedicados , como Jurema, Nossa Neusa Ventura, querida, Odileia, Yvelize, Nazaré, e uma boa centena de pessoas na captação de doações e mais tantos outros que trabalham na logística , como os Irmãos desta e doutras vidas, Romilda, Renato, Coité, Dayse , e mais novos Seareiros que Emmanuel escolhe e nos envia, como você Homero, Vivi , e parceiros de sempre como Ângela, Claudinha, e Gui, acabamos neste ano de 2019 realizando com humildade e gratidão de servir, o trabalho de entregadores da misericórdia de Deus, expressa na singeleza das sacolinhas com presentes para estas crianças , que aos olhos da Matéria parecem
    Esquecidos da sorte, mas que sabemos, são: Filhos amados de Deus assim como todos nós!
    Que bom ter você e sua família na Família Seareira como amigos e parceiros!
    Mãos à Obra! Vamos trabalhar ?
    Meu carinho, Gratidão e Amizade
    Lucila Mansur

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  4. Maravilha!!!!! Fazer o bem, distribuir amor e carinho. Parabéns!!!

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