terça-feira, 25 de agosto de 2020

A burrice da humanidade - by Renata Ventura

Eu estava pensando outro dia em como o racismo, o machismo, a homofobia, a transfobia, a desigualdade de oportunidades e a falta de uma educação de qualidade para todos, além de serem uma crueldade inaceitável, ainda são uma BURRICE do ser humano.

Burrice mesmo; no sentido de que, durante milênios, a humanidade ficou sem aproveitar os pensamentos e as ideias brilhantes que teriam surgido desse 75% da humanidade; dessa humanidade que foi impedida de estudar, de se dedicar ao aprendizado, de exercer as profissões que mais seriam próprias para elas. 75% da humanidade, durante séculos e séculos, foi proibida de estudar, impedida de crescer, ou foi silenciada. E essa burrice da humanidade, além de fazer sofrer a tantos milhões de seres humanos, nos fez perder centenas de milhares de possíveis cientistas, nos privou de milhões de pensamentos e filosofias, e da mente brilhante de tantas pessoas que, por milênios, foram impedidas de estudar e de viver; ou porque eram mulheres e eram obrigadas a ficar em casa e impedidas de irem para a escola, ou porque eram negros e não podiam ter a mesma educação que os brancos - isso quando podiam ter alguma educação, porque milhões não tinham nem sequer direito à liberdade durante séculos; ou porque eram homossexuais e foram executados pelo "crime" de amarem alguém do mesmo sexo; ou porque eram pobres e não tinham dinheiro para pagar por uma boa educação, nem tempo para estudar, por serem obrigados a trabalhar 20 horas por dia para sobreviverem.

Imagine quantos escritores brilhantes ficaram sem escrever, quantos engenheiros geniais nunca aprenderam matemática, quantos gênios do pensamento estão, até hoje, impedidos de desenvolverem seu gênio, escondidos nas milhares de comunidades pobres do mundo, invisibilizados, sem conseguirem ter acesso a uma educação de qualidade e a tempo para estudarem tanto quanto precisariam; quantas tecnologias deixaram de ser inventadas; quantos cientistas não existiram quando podiam ter existido e, com certeza, quantas curas certamente teríamos descoberto antes. Para o câncer, para o Alzheimer, para todas as doenças da Terra, se a humanidade tivesse estimulado o estudo e as condições de vida daqueles 75% de sua população que foram impedidos de contribuir.

Acho que este seria um bom argumento para usarmos ao dialogar com aqueles que ainda são racistas, machistas, homofóbicos ou transfóbicos, e com aqueles que acreditam que é perda de dinheiro o governo ajudar a dar mais oportunidades para todos.

Acho que alguns seriam convencidos.

Enquanto isso não acontece, seguimos nessa crueldade e nessa burrice. Até quando? O que podemos fazer para mudar isso? O que podemos fazer para acabar com esse sofrimento? O que podemos fazer para ajudar a humanidade a avançar?

The Beatles Girl Songs

Capítulo 4

Este é mais um capítulo do Projeto

O Universo das Canções dos Beatles

Todos os Capítulos têm acesso neste LINK 

Antes: 
3. Neste LINK, quem falou sobre o que assunto

Agora, começarei a falar sobre as canções, e começarei pelo assunto mais frequente, Girl, motivador de 74 das 185 canções compostas pelos Beatles, em pouco mais de 7 anos de carreira.... uau .... é muito, né!!  

Nesse assunto, os Beatles falam sobre relacionamentos com garotas, nos mais diversos estágios. E aí vem a ‘deixa’ para tornar esta análise mais ‘clean’. Vemos que o assunto é muito numeroso (74) para dedicar-lhe apenas um post, então eu fiz uma análise mais detalhada, e consegui identificar 5 classes de Girl Songs, apresentadas no gráfico e explicadas em seguida! 



Classe 1 - Ah, o Amor - Love Songs – 27 Ocorrências
Na mais numerosa classe, Love Songs falam sobre casais felizes, onde o compositor expressa seu amor pela parceira. Declarações de amor, saudade de voltar pra casa, a felicidade de estar com ela, cartas quando se está longe, necessidade de estar junto, e outras. 


Classe 2 – A Paquera - Flirt Songs – 19 Ocorrências
Em seguida, vêm as canções que falam sobre o cortejo, a aproximação, a proposta de namoro. Então, vai desde simples desejos de pegar na mão, ou dançar até proposições mais firmes, apostas, chamados à imaginação, ‘veja como sou legal’, promessas, enfim, todo o arsenal para conquistar uma garota! 

Classe 3 – A DR – DrT Songs – 19 Ocorrências 
As famosas DR – Discussão de Relacionamento – não poderiam faltar. Quando fui procurar como seria em inglês, vi que é a mesma coisa – Discuss The Relationship. Temos ameaças de rompimento, avisos de problemas, propostas de mudança, estranhamentos, imposições, opiniões distintas, enfim, coisas de casal, choro, ranger de dentes, de todo tipo!! 

 Classe 4 – O Sexo - Sex Songs – 5 Ocorrências
O começo da carreira foi em época pré-Revolução Sexual, então os Beatles demoraram a retratar o tema, fizeram-no apenas 5 vezes, ocorreram em apenas dois LP’s, a primeira foi em 1965, mas bem velada. Falaram de encontros casuais, propostas indecentes, e a última eu tive que concluir que era sobre isso.

Classe 5 – Os Cupidos - Cupid Songs – 4 Ocorrências
Sabe quanto você tem um amigo, ou amiga, que está indeciso (a) se deve ou não investir num pedido de namoro, ou ainda, que está ceguinho, e não percebe que sua contraparte está interessada em um relacionamento, ou ainda tenta escolher o par do outro (a)? Pois é, eu chamei a esses aconselhadores de Cupidos! Foram apenas quatro vezes em que isso ocorreu na carreira Beatle!

Cada uma das  classes terá seu post específico, com canções, as evidências de por que eu as assim classifiquei, e a data em que vieram ao mundo, e, quem sabe, um sound clip!

Sabe, neste ponto, eu me arrependo um pouco de ter destinado um Assunto especialmente para as canções de abandono, em que os autores têm saudade dos relacionamentos que tiveram, e que por isso chamei de 'Miss Songs'. Teria sido mais adequado classificá-las como uma Classe de Girl Songs..... mas agora é tarde para modificar, muito complicado mudar tantos posts, textos e gráficos, fica assim mesmo! E, afinal, ter 7 Assuntos é mais charmoso, né?

Para finalizar esta introdução às Girl Songs, apresento a distribuição entre os autores. Notarão a ausência de Ringo, simplesmente porque ele não fez nenhuma Girl Song, nos termos propostos. Na carreira, ele fez apenas uma Self Song e uma Miss Song.


Próximo capítulo

5. Neste LINK, comentários e trechos da Classe 'In Love' das Girl Songs

domingo, 23 de agosto de 2020

Beatles Recording Sessions

Quando me perguntaram sobre a lista dos melhores livros que li na vida, listei facilmente.

A ordem é alfabética, não de preferência!

Cem Anos de Solidão (Gabriel Garcia Marquez)

The Prize (Daniel Yergin)

Os nomes em vermelho têm resenha disponível no blog.

Muitos foram os candidatos ao quinto, mas escolhi um que representa um fenômeno que me acompanha desde criança, e que merecia estar presente numa lista dessas de minha pessoa, nesta passagem pela Terra

O fenômeno é The Beatles!

O livro escolhido poderia ser a biografia deles, escrita por Bob Spitz, e ele tem predicados pra o posto (além de substantivos, adjetivo, advérbios, numerais, veja aqui neste LINK, porque eu falei dessas classes gramaticais), só que escolhi um outro, pela importância que teve na minha admiração pela maior banda de todos os pontos. Ele a levou a um nível exponencial, porque a passou da paixão para a razão. E foi primeiro livro que li sobre eles! 

Complete "Beatles" Recording Sessions: The Official Story of the ...
Ele se chama 
The Complete Beatles Recording Sessions,
escrito por Mark Lewisohn, que teve acesso liberado aos arquivos da EMI e fez um trabalho excepcional! 

Eu o comprei numa viagem a Londres em 1990, e como diz o nome, conta detalhes de cada uma das vezes em que os Beatles pisaram nos estúdios da EMI, na famosa Abbey Road, na época, apenas uma rua tranquila de subúrbio londrino.

O livro tem um formato diferente, é quadrado e grande, o que foi necessário para concentrar visualmente tanta informação, entre texto e imagens, de fichas de estúdio, com detalhes técnicos, fotos incríveis dos quatro trabalhando, do maestro George Martin, dos engenheiros de som, e as histórias envolvidas nas gravações de mais de 250 canções, entre setembro de 1962 e abril de 1970, a primeira e última vezes em que os Beatles pisaram aquele solo sagrado para criar, revolucionar, encantar.

Não fosse esse livro, eu não saberia
    7

  1. Dos detalhes da troca de baterista logo na primeira canção, porque George Martin não sabia se os Beatles viriam com um novo baterista, e acabou contratando um músico de estúdio, para decepção de Ringo, que há pouco havia entrado na banda. Felizmente, gravaram de novo com ele, e essa versão esteve no primeiro compacto, que mostrou os Beatles ao mundo. A versão com Andy White foi a que está no primeiro álbum, Please Please Me;
  2. Da loucura que foi o dia de gravação desse primeiro LP, um famoso 11 de fevereiro de 1963, em que os Beatles conseguiram gravar em pouco mais de 9 horas, 11 canções, e ainda conseguindo na última, tarde da noite, um excepcional vocal de John Lennon, para a cover Twist and Shout, em um único take, um desempenho que espanta a todos até hoje. Ele tomou mais uma dose de leite, que acreditava-se, aliviava a garganta, mas a voz quase não saiu. Não precisava!! (falei sobre aquele dia aqui neste LINK);
  3. Das novas técnicas de gravação inventadas no estúdio, sob encomenda dos Beatles e atendidas pelo brilhantismo dos engenheiros e técnicos da EMI, das quais destaco aqui apenas uma: o ADT – Authomatic Double Tracking! John estava cansado de ‘dobrar’ o vocal de seus ‘lead vocals’, ou seja, de gravar o mesmo vocal por cima de um já gravado, prática comum para o efeito de ‘encher’ o som. Só que nem sempre o vocal vinha exatamente igual, ou com as diferenças aceitáveis, e era necessária uma terceira ou quarta gravação. Para tanto, foi criado o dispositivo, que impregnava ao vocal gravado, uma segunda gravação com um delay (atraso) de milissegundos, provocando aquele mesmo efeito de ter DOIS John’s cantando!! Foi na época de do LP Revolver (falei sobre o ADT aqui neste LINK);
  4. Que Tomorrow Never Knows, em verdade, tinha ‘The Void’ como título de trabalho, ou ainda 'Mark 1', naquele mesmo LP, e das diversas novidades que foram inventadas, uma delas para fazer parecer que a voz de John parecesse a de um monge, cantando no alto do Tibet, e do episódio de John sumindo do estúdio, sendo encontrado depois, no terraço do último andar, na beira da mureta, imaginando como seria bom voar, como lhe mandava o cérebro alterado pelo LSD. (falei sobre esse episódio aqui neste LINK);
  5. Dos detalhes da gravação de A Day In The Life, quando Paul, todo poderoso, tomou à frente de uma orquestra de 41 músicos, comandando aquele crescendo sensacional que inesquecibiliza a inesquecível transição entre os vocais de John e Paul, e que é repetido ao final, logo antes do MI tocado em QUATRO pianos de cauda, e mais um harmônio, lado a lado, por John, Paul, e George Martin, e o roadie Mal Evans, em uníssono fenomenal, que finaliza o LP Sgt. Peppers de forma estratosfericamente perfeita; (falei sobre essa gravação aqui neste LINK)
  6. Dos detalhes de gravação de All You Need Is Love, que foi transmitida para o MUNDO, na PRIMEIRA transmissão via satélite, da HISTÓRIA, em junho de 1967. (falei sobre essa gravação aqui neste LINK);
  7. Das incríveis manobras para acomodar os desejos de John (novamente) em Being For The Benefit of Mr.Kite como, por exemplo, a procura (mal sucedida) da EMI comprar um órgão de igreja, de mais de 100 anos, para simular o clima de circo da canção, que retratava um cartaz de um espetáculo circense de mil oitocentos e tanto, e também da decisão de pegar um trecho de fita de uns poucos segundos, retalhá-lo em centenas de pedacinhos, colá-los todos novamente, mas de forma aleatória, e tocar para ver como ficou. Aprovado, entrou na gravação. Era 1967, para o álbum Sgt. Peppers. (falei sobre essa gravação aqui neste LINK);
  8. Da INCRÍVEL presença de uma voz brasileira numa canção beatle, Elizabeth Bravo, que fez backing vocal para Across The Universe, num domingo chuvoso e frio de fevereiro de 1968!! (falei sobre essa presença aqui neste LINK) 

  9. Da canção Not Guilty de George Harrison que teve MAIS DE 100 TAKES de gravação, mas foi rejeitada para inclusão no Álbum Branco de 1968 (falei sobre essa canção aqui neste LINK)
  10. De saber sobre o Projeto Get Back, em janeiro de 1969, que culminou com a última apresentação ao vivo dos Beatles, no terraço do prédio onde ficavam os estúdios da Apple, em Savile Row, para onde eles se 'mudaram', abandonando o solo sagrado de Abbey Road. (falei sobre esse projeto/show aqui neste LINK)

Enfim, gente, vou parar nestes 10 itens, mas houve centenas de outras descobertas oferecidas por esse magnífico livro!

Então, está completa a lista de meus Top Five Books!


Cem Anos de Solidão
The Complete Beatles Recording Sessions
The Prize

sábado, 22 de agosto de 2020

The Beatles – Quem fala sobre o quê?

Capítulo 3

Este é mais um capítulo do Projeto

O Universo das Canções dos Beatles

Todos os Capítulos têm acesso neste LINK 


Antes?

2. Neste LINK, identificação e caracterização dos assuntos das letras


Neste 3° Capítulo, pretendo identificar os assuntos de preferência de cada Beatle. Como pré-requisito, ou quase, é mportante que todos se habituem com o tutorial sobre cada assunto, que estão descritos no 2° Capítulo (Link acima).

Antes de qualquer número ou quantitativo, apresento aqui uma visão, como direi, gramatical entre os assuntos, veja bem, pode-se atribuir um pronome à sua maioria.
  • Nas Girl Songs fala-se com ou sobre ELA
  • Nas Miss Songs, também se fala com ou sobre ELA
  • Nas Self Songs, o pronome principal é EU
  • Nas Speech Songs, o pronome é VOCÊ ou VOCÊS
  • Nas Story Songs, os pronomes são ELE, ELA ou ELES
  • Nas Acid ou nas Nonsense Songs, não se identifica um padrão

Bem, num quantitativo puro e simples, de canções por autor, identificamos os campeões por assunto. 





Temos Paul campeão em três dos assuntos  
Em falar sobre garotas, com 34 da 74 canções 
Em contar histórias, com 16 das 27 canções
         Em falar para as pessoas, com 10 das 28 canções

E John é campeão nos outros quatro assuntos
Em saudade, com 11 das 21 canções 
Em falar sobre si mesmo, com 11 das 21 canções 
Em falar sobre... ou sob ... drogas, com 8 das 9 canções 
E, finalmente, tem o monopólio das canções sem sentido, todas as 3.

Nem George, muito menos Ringo, poderiam almejar qualquer título nessa visão em números absolutos, mas eu tenho uma outra visão que pode ser válida para reverter essa situação, que apresentarei em breve.

Antes, porém, e para possibilitar uma melhor divisão entre os 4 Beatles, adotei a seguinte hipótese simplificadora: aquelas canções Lennon/McCartney, em que não se pôde identificar um deles como autor principal, e que aparecem simplesmente como Lennon/McCartney, foram divididas salomonicamente, o popular fifty/fifty, entre John e Paul, tá combinado?

Assim, o gráfico normalizado abaixo mostra as efetivas contribuições de cada beatle, e constatamos que, claro, ampliando-se a contagem dos campeões absolutos, eles seguem mais campeões ainda.




Porém. eu apresento agora uma visão diferente, uma variante, que considero justa.

Em primeiro lugar, proponho expurgar as canções sobre Garotas, que, vamos combinar, era o mais natural que os jovens mais se dedicassem, na idade deles, ok, entende-se, então vamos nos concentrar nos assuntos menos, como dizer, pueris.

Uma segunda, como direi, manobra, será analisar a produção de cada Beatle de per si, ou seja, ela própria, e ver qual a preferência de assuntos de cada um.

Então, vejamos:

John Lennon 
+ 82 canções (73 Lennon + 50% de 18 LennonMcCartney) 
- 30 canções sobre garotas (26 + 4) 
= 52 canções sobre outros assuntos 
E aí é só fazer o percentual de cada assunto nesse novo universo. 
Bom, melhor mesmo pornográfico!




Paul McCartney
+ 79 canções (71 McCartney + 50% de 18 LennonMcCartney) 
- 39 canções sobre garotas (34 + 5)
= 46 canções sobre outros assuntos


E, finalmente,

George Harrison
+ 22 canções  
-   7 canções sobre garotas 
= 15 canções sobre outros assuntos



E, pronto, dentro do universo particular de cada um, temos novos campeões!!

John Lennon é o AutoAnalista!
com 21% de suas canções falando sobre ele,  
usando mais vezes o pronome EU

Paul McCartney é o Contador de Histórias! 
com 41% de suas canções falando sobre outros,  
usando mais vezes os pronomes ELE, ELA, ou ELES

George Harrison é o Palestrante! 
com 47% de suas canções falando para os outros,  
usando mais vezes os pronomes VOCÊ ou VOCÊS

E... pronto!! Consegui fazer George campeão de algum modo!!!

Hummm, será que esqueci alguém??!!
Sim, claro, nosso queridíssimo e indispensável Ringo Starr, fundamental para o sucesso da banda, mas que, convenhamos, não foi lá muito produtivo como compositor... E não teria sentido aplicar todas essas manobras num universo de DUAS composições, fazer percentuais, fazer gráficos, enfim!! 
Sorry, Ringão!!!

Era isso!!

Próximo capítulo:

4. Neste LINK, identificação e caracterização de Classes de Girl Songs

Só Agora Eu Sei - 2026

  SEI DESDE CRIANÇA          QUEM inventou o rádio,          QUEM inventou o avião,         QUEM inventou o telefone,         QUEM inventou ...