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quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Here, There and Everywhere, She Loved Her

Esta canção é a 5ª do Lado A do álbum Revolver 

a história do álbum, cenário, assuntos e canções, aqui neste LINK

É uma de 27 canções sobre Paixões por Garotas

as demais 26 canções do mesmo Assunto e Classe, aqui, neste LINK

Atenção, canções com títulos em vermelho 

são links que levam a análises sobre elas

5. Here, There and Everywhere   Love Girl Song by Paul McCartney)

Paul conta "Aqui, mudando minha vida com um aceno de sua mão .... Lá, passando minha mão sobre seus cabelos, nós dois pensando como isso pode ser tão bom"  
Terceira linda balada de Paul, após Yesterday, em HELP e Michelle, em Rubber Soul, Here, There and Everywhere não teve o sucesso de público das predecessoras,mas é lindíssima! Duas canções antes, nesse Lado A de Revolver, contávamos a história da sonolência de John, de como ele dormia até tarde, e Paul aparecia na casa dele no subúrbio para acordá-lo e botar o amigo para trabalhar (I'm Only Sleeping).
Uma vez, entretanto, em algum dia da primeira quinzena de junho de 1966, Paul resolveu deixar o amigo dormir, pegou um violão e foi para a beira da piscina e compôs praticamente toda a canção. Quando John acordou, "still yauning", ouviu o que Paul lhe cantou, adorou 
(ele sempre declarou que Here, There and Everywhere era uma de suas preferidas de Paul), deu uma ou outra contribuição na letra e ela estava pronta pra enfrentar o estúdio. Após uma tocante introdução com a receita para uma vida melhor, interessante perceber que cada um dos três versos é dedicado a cada uma das três palavras do título da canção. No Verso "Here", ele ressalta como seu amor muda sua vida com um simples aceno de mão; no Verso "There", como um cafuné faz seu amor se esquecer da vida, sem perceber o que acontece ao lado; o Verso "Everywhere", em verdade, finaliza a ponte que atesta a necessidade de tê-la em todo lugar, ele declara que seu amor nunca morrerá. Que lindo... mas sabemos que a inspiração, sua namorada Jane Asher, não aguentou por muito tempo aquele amor livre, aquele relacionamento aberto que eles tinham e deu-lhe um chute e seguiu sua vida.
Bem, voltando à estrutura, Paul segue seu hábito rimas internas e rica: Verso 1, "...wave of her HAND, nobody CAN", Verso 2, "... how good it can BE, someone is sPEAking" (bem, é uma rima bem forçada, mas tudo bem), e Verso 3, "...that love never DIES, watching her EYES". Outras rimas ricas são polvilhadas ao longo de versos e ponte, vejam, assim na forma de trenzinho "hair/there-everywhere/care-share/there" 
Ela foi a penúltima a ser gravada para o álbum e requereu três sessões para finalizá-la. A base foi Paul na guitarra base, Ringo na bateria e George na guitarra solo, esta última, só aparece nas pontes! Cadê John? Ainda no primeiro dia, Paul, George e John fizeram os "Uuuu's" que se ouvem lindamente ao longo de toda a canção, com os três juntos, dividindo um microfone, como nos velhos tempos. Foi George Martin quem fez o arranjo vocal, simples, mas lindo! Num segundo dia, houve os overdubs, George com mais guitarra nas pontes e também na conclusão, esta com o auxílio do pedal de volume, Paul finalmente toca seu baixo, e os três  cantores gravaram de novo os "Uuuu's" porque a velocidade foi um pouco menor no segundo dia,  e depois preenche a última trilha (que surgiu após uma redução, juntando duas trilhas em uma só) com seu vocal principal, agudo, quase falsetto, maravilhoso, veja como as coisas funcionam! Ouviram-me dizer 'John tocou ---'? Não, não ouviram porque, mais uma vez, a contribuição de John é só no backing vocal, e talvez com os dedos, veja a seguir. O terceiro dia foi muito curto, apenas Paul acrescentando uma harmonia grave nos trechos do Verso 3 "... love never dies!" e "...watching her eyes". E note aí nesse trecho (volte pra ouvir que é legal!), um estalar de dedos, no ritmo, até o final do verso e por toda a conclusão da canção, onde é a única vez que se ouve o título, por completo... "Here, there and everywhere". 
Nunca se ouviu os Beatles tocarem-na ao vivo, mas sim UM Beatle, Paul, seu autor, não a deixou ao relento da história. Fez uma versão diferente no filme 'Give My Regards To Broadstreet', e uma versão acústica, no primeiro Acústico MTV (Unplugged), sim, mais um primeira-vez-na-história de um Beatle. Deixo aqui, neste LINK.


10 comentários:

  1. Sem dúvidas uma belíssima canção. Se alguém aqui viveu plenamente a adolescência, deve lembrar do calor causado pelo sangue correndo fortemente nas veias em todas as vezes nas quais se apaixonou.

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  2. Sem dúvida minha canção preferida de Paul McCartney!! Uma obra prima!!!
    Essa música talvez seja mais bonita q yesterday... masterpiece!!!

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  3. Uma das grandes canções de Paul. A mesma suavidade de Michelle, mas com uma letra bem mais poética. Você destacou muito bem as rimas internas que, como sempre, dão melodia à letra.
    Desde a primeira vez que ouvi fiquei fascinado pela bridge. Não só a modulação elegante, mas pela harmonia da guitarra em "but tove her is to meet her...". Paul tem disso. Ele faz o mesmo na gravação de "Goodbye", com Mary Hopkins. Quando não harmoniza com a voz, faz com violão, guitarra ou baixo.
    Mais uma pérola.

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  4. Ás vezes a rima rica é tão simples que parece pobre...ou forçada. Belo texto, amigo.

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  5. Essa é das minhas preferidas, porque foi das primeiras que entendi a letra, então adolescente ainda.

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  6. A melodia chega a ser carinhosa...

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  7. Parabéns pelo texto e sensibilidade. Obrigado pela aula. gratidão. Ruy

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  8. Excelente!! Essa música no Brasil fez muito sucesso, pois fez parte da trilha sonora da novela Beto Rockfeller!! As duas canções mais tocadas, era essa a do Adamour!! Muito boas!!

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  9. Só que não sabemos se Jane Asher deu o chute nele porque não aguentou o relacionamento aberto. Eu adorei saber sobre esse relacionamento aberto e soube aqui no seu blog. Eu sabia que Paul era avançado, talvez o mais avançado dos Beatles.
    Importante lembrar que Jane nunca jamais falou em momento algum os seus motivos. Qualquer explicação é especulação. Pode ter sido exatamente por isso. Como pode ter sido por algo bem diferente.

    Eu nunca vi Paul dizendo que essa música era sobre Jane. Talvez tenha dito. Eu nunca vi. Se bem que suas explicações não querem dizer muito. Parece que ele prefere manter apenas para ele os significados de suas canções. Jane estava ao lado dele naquele tempo. A McCgivern também. E se foi para a McCGivern? E se foi para mim? Me conheceu num sonho, nunca mais se esqueceu...Preciso dizer que estou brincando? rs rs rs.
    Pode não ter sido para nnguém em especial. Tenho amigos compositores. E sei que você também tem. Então sabe que nem todas as músicas se referem a alguém que realmente existe.

    Não entendi quando você falou que esta música não fez o mesmo sucesso das outras. Gente, tocava tanto nas rádios! O que conheço de gente que diz adorar essa música! Eu adoro. Bom saber que é realmente Lennon/McCartney, visto que John deu contribuição na letra.

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