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quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Yellow Submarine, Captain, Full speed ahead!

 Esta canção é a 6ª do Lado A do álbum Revolver 

a história do álbum, cenário, assuntos e canções, aqui neste LINK

É uma de 9 canções que contam Histórias na forma de Contos

as demais 8 canções do mesmo Assunto e Classe, aqui, neste LINK


6. Yellow Submarine   Tale Story Song by Paul McCartney)

Paul conta na voz de Ringo: 'Na cidade onde eu nasci viveu um homem que viajava pelo mar. E ele contou sobre sua vida na Terra dos Submarinos!' 
Olhaí o Paul fazendo uma canção especialmente para Ringo brilhar! Ele se deitou um dia e veio uma imagem colorida e depois um submarino, e uma canção alegre, para crianças, e a fez sem muita variação vocal, para propiciar um desempenho bom ao amigo, que não tinha lá um alcance muito brilhante. John contribuiu na letra, mas a melodia e o refrão 'We all live in a Yellow Submarine são de Paul. Um amigo deles, Donovan, sugeriu o 'Sky of blue and sea of green' super poético. Esse cara é o mesmo quem ensinou a John, anos depois, o dedilhado de violão que acabou usando em Julia e Dear Prudence, portanto, ele pode se considerar já importante no cenário Beatle! Não se pode dizer que a letra seja um primor, pois só tem uma rima, e nem rica é, "green" com "submarine", dois substantivos (mesmo a cor, normalmente um adjetivo, está ali na classe substantivo). Mas está firme a política de não repetição: são 5 (cinco!) versos diferentes, sendo o terceiro pela metade, introduzindo a 'banda' e o quarto com um diálogo marinho (ver lá embaixo)! Uma curiosidade é que Ringo alterou um trecho da letra ao cantar. Estava escrito "Everyone of us has all he needs", mas ele cantou "has all we need", e assim ficou, mesmo errado!
A gravação teve dois dias distintos, no primeiro se dedicaram à canção itself, com John no violão, Paul no baixo, Ringo na bateria e George na pandeireta, hehehe, não tinha guitarra na gravação. Depois, Ringo acrescentou seu lead vocal, e teve o luxuoso auxílio do maior trio harmônico da história da música, aliás foi o único ser humano que teve esse luxo, em algumas oportunidades na carreira enquanto Beatle. A harmonia dos três aparece no refrão!

John, assim como todos, estava inserido no clima da canção e acrescentou um tempero fenomenal  ainda naquele primeiro dia de gravação. Foi por sobre o vocal de Ringo, já gravado, ele incorporou um demente e foi espelhando, ecoando o final de cada linha no verso final.  Geoff Emmerick o produtor ali do chão de fábrica, alterou o som de sua voz, para que parecesse saído de um megafone do alto de uma escotilha!  Algo assim: 

E deixo, em homenagem aos 90 minutos que dediquei a esta canção, um Áudio para explicar melhor este momento final. Neste LINK. 
Ainda assim, seria uma canção quase normal, mas no segundo dia de gravação, a coisa saiu fora de controle  ... que bom! Após uma parada de quase uma semana, por conta de uma doença de George Martin, mente vazia, oficina do diabo, os Beatles decidiram chamar amigos para participarem da gravação final. Vieram Marianne Faithful, Mick Jaegger e Brian Jones (dos Rolling Stones), Pattie Harrison, esposa do George, eles produzem aquele papo de fundo no segundo verso. Mal Evans (o eterno roadie) estava lá como sempre e alguns desconhecidos, dentre eles o próprio motorista dos rapazes. John e Paul assumem os papéis de Capitão e piloto do submarino "Full speed ahead Mr. Boatswain, full speed ahead, Full speed ahead it is, Sgt. Cut the cable, drop the cable, Aye, aye, Sir, aye, aye. Captain, captain". Vários efeitos sonoros foram criados, ondas do mar, apitos, sinos, latas, correntes, e até bolhas insufladas por John num balde d'água. Sons de motores, gritos de comando, e até uma banda de circo foi simulada, após o "and the band begins to play", não, não era uma banda de metais contratada, mas um som vindo do banco de sons da EMI. Todos que estavam no estúdio entraram no singalong do refrão, e Mal Evans, o gigante gentil  (1,97 m), conduziu a todos portando um tambor daqueles da frente de banda marcial, até porque é  uma marcha mesmo, puxando uma fila indiana pelo estúdio e todos cantando 'We all live in a yellow yubmarine, a yellow yubmarine, yellow yubmarine!'. Uma festa, saudada por John em entrevista posterior: "We virtually made the track come alive in the studio." Pena que não há registro em vídeo da efeméride.   
A canção foi lançada em compacto Lado A (a única vez que Ringo estrelou um compacto), tendo Eleanor Rigby no Lado B, na verdade, um duplo Lado A. Foi o primeiro compacto em que os Beatles lançaram músicas que já estavam em um LP, Revolver, lançado no mesmo dia. O single chegou ao primeiro lugar no Reino Unido, mas 'apenas' ao Número 2 nos EUA, porque coincidiu com a repercussão da fala de John sobre Jesus Cristo e consequente banimento das rádios em alguns estados do sul.  
Paul conseguiu seu intento de criar uma canção infantil, porque ela é, de longe, a canção mais lembrada e cantada por crianças, até hoje, em todo o mundo, e responsável, em parte, pela penetração de Beatles na juventude, porque eles vão crescendo e depois conhecendo outras canções, se os pais forem preocupados o suficiente com o gosto musical dos filhos. Mas o que Paul não esperava, certamente não estava em seus planos, não a fez com essa intenção, que a canção tivesse tanta repercussão em movimentos de contracultura, a atmosfera colorida, o convite a viajar até o sol, muito daquilo até foi considerado um convite às drogas. A coisa chegou a um ponto de a canção ser usada em  manifestações anti-Guerra do Vietnam na época, e segue sendo até hoje, contra governos fascistas. Tão marcante foi o legado da canção que dois anos depois, ela foi tema do quarto filme dos Beatles, na verdade, uma animação psicodélica da maior qualidade com grande receptividade de crítica e público. E, atrelado ao filme, um LP inteiro, na verdade, um lado dele com canções dos Beatles que aparecem no filme (menos Nowhere Man), três delas inéditas e o Lado B, com as canções clássicas lindas da trilha, criadas pelo Maestro/Criador/Gênio George Martin. Os brasileiros não poderiam ficar sem sua versão, com letra nada-a'ver, mas ficou bonitinho! E perdoe o 'mal geito' dos erros gramaticais das legendas!! Foram Os VIPs, veja aqui neste LINK.

8 comentários:

  1. Muito legal está história! Parabéns pelo blog!!

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  2. Uau, quantos detalhes e criatividade associada! Os gênios compuseram, divertiram-se e ganharam o mundo. Não é à toa que o sucesso os consagrou plenamente.

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  3. Texto perfeito !!!
    Obrigado Homerix 👏🏻

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  4. Deve ter sido uma farra... A canção deixa perceber o ambiente divertido no estúdio, na ausência o Tio George.
    Sobre o contracanto-resposta de John: era para ser ouvido desde o "As we leave a life of easy", mas o auxiliar de gravação apagou, sem querer, o primeiro verso de John, repetindo Ringo. Para disfarçar, foram colocando as frases de Lennon em subida gradual de volume, como se ele estivesse se aproximando. E ficou excelente!
    Mal Evans (1,97 de altura) puxando a fila e tocando o bumbo deve ter sido incrível.

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  5. Um mundo de coisas para saber sobre _Yellow Submarine_, ideia de Paul para atingir as crianças. E conseguiu! Teve até participação de Mick Jaegger, dos Rolling Stones, na gravação. Um desfile de banda no estúdio, com todos em fila indiana, precedidos por um tambor de banda marcial, cantando o refrão que “todos vivemos num Submarino Amarelo”... O compacto chegou ao primeiro lugar no Reino Unido, e em segundo nos EUA. Sensacional!

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  6. Deu vontade de estar lá na festa do submarino. Mas a alegria que criaram chegou para nós. A música é realmente festiva. O som dela traz alegria. Valeu ter saído em single porque ela tem vida própria além do Revolver. Mas também é parte do Revolver. Eu não sabia desse mundo de coisa interessante que você contou. Só tenho a te agradecer.

    E informar que foi a primeira vez que vi um determinado radialista da Bandeirantes elogiando os Beatles. E gostou tanto da música que ficou com o apelido de Submarino Amarelo. Não me recordo seu nome.
    Eu acho que o erro de Ringo foi perfeito. Ficou melhor "we".

    Outra lembrança. Meu irmão mais velho, logo depois de ouvir a músicame perguntou se era de protesto. Eu disse não saber. Ele então disse que tinha tido uma forte sensação que sim. "Estão criticando alguma coisa..." Pois essa sensação se deu em muitos, pois acabou seno tocada também em movimentos contra a guerra.

    Eu tinha me esquecido da gravação dos Vips! Obrigada por me lembrar disso. Adorei...entrei num tempo bonito da minha vida.

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  7. Deve ter sido um momento e tanto como tantos outros especiais que eles vivenciaram. Com sua escrita me senti lá. Parabéns

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  8. Original e incrível a música yellow submarine
    Uma das faixas mais marcantes dos Beatles com certeza

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