sábado, 31 de janeiro de 2026

The Beatles In My Life: Homenagem da Madrinha a George Martin

Este é o  5º programa mensal especial do Submarino Angolano, 
em que Virgínia Abreu de Paula nos conta 
sobre suas experiências com os Beatles. 

Ela tem hoje 77 anos e viveu Beatles na veia, 
e tem muita história pra contar!

EM BREVE O ÁUDIO

 Clique no play verdinho acima e se quiser leia o que acontece ali abaixo 

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Queridos ouvintes da LAC.  

Virgínia aqui, falando de  Montes Claros, com o episódio Nº6 da série The Beatles In  my Life.

Entra The Beatles com I Want To Hold Your Hand

Sabiam que os Beatles não eram bem considerados no início?  Os comentaristas  americanos, sem exceção, os depreciaram Todos os comentários foram negativos, quando chegaram aos Estados Unidos. E não foi diferente aqui. O rock era mal recebido no geral. Tanto que jamais tocavam nada de rock, na Rádio Jornal do Brasil. 

Vinheta da Rádio Jornal do Brasil

Ah, a minha querida JB. 

Eu não dormia  sem ligar a JB para ouvir pelo menos  três músicas, antes de pegar no sono. Tinha fama de ser rádio de músicas selecionadas. Não se preocupavam com paradas  de sucesso. Muita música orquestrada, jazz, bossa nova. Eu gostava muito, e não me preocupava por  excluírem os Beatles. Não esperava que fosse diferente.  

Na JB, eu ficava  sabendo os autores das  músicas. Davam valor aos compositores. Diziam os nomes dos intérpretes, das músicas, e no final, dos autores. Exemplo: Dionne Warwick, Walk on By, de  David e Bacharach


Entra Dionne Warwick, com Walk On By
erta noite, mostram uma música nova para  mim. Linda demais. Bem no estilo JB. Fico aguardando as informações que viriam no final. 

Entra a Orquestra de George Martin, com "All My Loving"

Orquestra de George Martin, All My Loving, de Lennon e McCartney. Chego a me sentar na cama tal é  minha surpresa. Agradabilíssima surpresa!

E foi assim que a JB rendeu-se a Lennon/McCartney

Segue "All My Loving"


Logo estariam incluindo Ella Fitzgerald cantando A Hard Day’s Night,  

Entra Ella Fitzgerald, com "A Hard Days' Night"

 

Matt Monro com Yesterday.,..

Entra Matt Monro, com Yesterday

e muito George Martin, gente.  Acho que estavam loucos para incluírem músicas dos  Beatles, e não podiam. Acharam uma boa desculpa.    



Entra Orquestra de George Martin, com "All I've Got To Do"

Isso aconteceu lá nas Europas também. Paul e John disseram que essas gravações feitas por nomes respeitados fizeram com que prestassem a devida atenção a eles, reconhecendo seu valor.

Cerca de dois anos depois, cai o preconceito de vez na JB. Os próprios Beatles são incluídos na programação. Mas tudo começou com George  Martin, considerado por muitos, como o 5º Beatle. Eu concordo. Musicalmente falando, só musicalmente, seria mesmo o quinto. 

Que sorte danada  tiveram quando a DECCA os rejeitou.  

Entra The Betles do teste da Decca com "Searching"

Se tivessem sido contratados, não teriam conhecido George Martin, o produtor mais que perfeito para eles. Entrava na mesma vibração dos Beatles. Conseguia atender aos pedidos confusos de John, como achar um som que os ouvintes sentissem cheiro de serragem, ao ouvi-los.   

Entra The Beatles, com "For The Benefit of Mr.Kite"

Tinha idéias originais, participava dos  arranjos e ainda tocava! Ideia dele, um quarteto de cordas, para Yesterday.  

Entra Quarteto de Cordas de George Martin, com "Yesterday"

E que beleza é seu piano na música In My Life. Com certeza, Homero já explicou como conseguiu aquele som. Não preciso repetir. 

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Entra a vinheta do Papo do Contramestre e sua voz

Ouvi meu nome??

Vale a pena repetir sim, Madrinha!

Movimentos geniais precisam ser enfatizados.

Ocorreu o seguinte: no dia da gravação de In My Life, os Beatles deixaram um espaço ali no meio da canção entre os versos para ser preenchido com um solo de George, o Harrison, ou algo assim. Mas John pediu para o outro George, o Martin, resolver. Faz algo que lembre Bach, disse o compositor da canção.  Ele reservou pra ele uma hora no estúdio em 22 de outubro de 1965. Sendo Back o objetivo, barroco,  pensou num cravo, não tinha à mão, tentou fazer algo no órgão Hammond, não gostou, e pensou: Vou fazer o piano parecer um cravo! Sentou-se ao piano compôs o som, colocou na partitura, e tocou, mas na metade da velocidade e uma oitava abaixo.  
 
           Entra o solo de estúdio, mais grave e lento

Depois, acelerou a fita, com o dobro da velocidade e o que saiu pareceu um cravo. Quando os Beatles chegaram para gravar Nowhere Man, mostrou pra eles, 

Entra o solo do disco, mais rápido e agudo

e John aprovou na hora. Genius Man!!

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De volta à Madrinha

Mas sabiam que ele fez aulas de oboé com Margareth Elliot, a mãe de Jane Asher,  que foi noiva de Paul?  

Isso bem antes de conhecer os Beatles. 

           Entra conversa de George Martin com Margareth Elliot

Creio ter sido em 65, que chegou aqui o filme  Ferry Cross the  Mersey aqui em Montes Claros. Fui quatro vezes ao cinema. 

           Entra cena do filme, anunciando Gerry and The Peacemakers

Fui quatro vezes ao cinema. Não tanto por Gerry and the  Pacemakers, astros do filme. Eu gostava deles, mas uma vez seria o suficiente. Só que o filme é passado em Liverpool! Na primeira vez, certa hora, eu soltei um grito! –“O  que foi, Virginia!”, pergunta  Leila a meu lado. “Viu a placa? Escrito Speke. Paul e George moravam lá!” – Hora de Leila gritar  também. Motivo mais que justificado. Pena que os garotos nas motos seguiram em frente pela estrada, sem entrar em  Speke.

E tinha aquela música em especial, só com orquestra, num ritmo que, depois, foi chamado iê, iê, iê, aqui no Brasil. Na 3ª vez, já a sabia de cor. Bastava cantá-la para me sentir em Liverpool. Num dia de calma, sentindo a brisa marinha...All Quiet in the Mersey Front, é o título. Autor: George Martin

Entra a Orquestra de George Martin com "All Quiet in the Mersey Front"

Já nos anos setenta, minha prima Verônica resolveu montar uma peça teatral com dois poemas famosos.  O Caçador das Esmeraldas, de Olavo  Bilac e Navio  Negreiro de Castro Alves. Já tinha a música para o primeiro: Era uma Vez no  Oeste,  de  Morricone.   

Entra Ennio Morricone com o tema de Era Uma Vez no Oeste

Faltava a música para o segundo. Precisando ensaiar em casa, lembra que o disco do Submarino Amarelo,  tinha o  Lado B orquestrado. Resolve  experimentar, só mesmo para o ensaio. 

Entra a Orquestra de George Martin com "Pepperland"

Foi de rir, de tão certo deu. Quando ela precisava levantar mais a voz, a música levantava. Se precisava falar suave,  a música suavizava,  somo  se tivesse sido composta para o poema! 

Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!

Desce mais ... inda mais..  

E a música descia!  De quem era a música? De George Martin.

Segue "Pepperland"

 Em 1982, sai álbum novo de Paul McCartney. 

Entra Paul McCartney com "Tug of War"

Eu achava seus discos solo fraquinhos. Tinha  músicas boas, mas grande parte ficava a dever, para meu gosto. Mas que surpresa boa! O novo álbum estava primoroso, mais elaborado e aquela orquestra que entra em Tug of War é arrepiante.  

Entra a Orquestra de George Martin isolada em "Tug of War" mais vocais isolados

Pego a capa, e, ora veja, foi produzido por GeorgeMartin!  Graças a Deus, Paul tinha acordado e visto que faltava ele. Já não faltava  mais. 

George  Martin esteve duas vezes no Brasil. Em 1993, na Quinta da Boa Vista, no Rio para um grande espetáculo do Projeto Aquarius, sob a direção artística de Péricles de Barros. O concerto comemorava os 30 anos do primeiro sucesso dos Beatles, por isso o convidaram. Uma noite de temporal, nem teve a apresentação da orquestra sinfônica. Mas teve outros participantes, incluindo George Martin e as Meninas Cantoras de Petrópolis que cantaram para cerca de 100.000 pessoas. 

Sucesso estrondoso! Retornou em 1997 tendo a gratissima surpresa de ser recebido pela Meninas Cantoras de Petrópolis  no aeroporto  cantando 

Because” 

Entra "Because" com As Meninas Cantoras de Petrópolis

Cantando como anjos, como Martin comentou.  Visivelmente emocionado, até fez a regência. 

Numa  dessas duas vezes, ele  se encontrou para um jantar com nada  menos que Tom Jobim. 

Entra "Golden Slumbers"/"Carry That Weight"/"The End" 

com Phil Collins

Um ano depois, aposentou-se pois estava perdendo a audição, saindo da cena musical em  grande estilo. Produziu o disco “In  My Life”, com músicas dos Beatles, interpretados por cantores famosos como



Celine Dion

Entra Celine Dion

com "Here, There and Everywhere" –

 

Jeff Back,

Entra o guitarrista Jeff Beck

com "A Day in the Life" –

e atores  de cinema, como 

Sean Connery, 

Entra "In My Life" com declamação de Sean Connery 

Robin Williams, 

Entra "Come Together" com Robin Williams e Bobby McFerrin

Goldie Hawn, 

Entra "A Hard Day's Night" com Goldie Hawn 

Jim Carrey, que arrasou na sua espetacular interpretação de I Am the Walrus.

Entra "I Am the Walrus" com Jim Carrey

Martin nos deixou em 2016, e agora neste 2026, estaria completando 100 anos. Ao ler sobre isso, vi que teria de falar sobre ele. Agradecer por seu legado extraordinário, devidamente reconhecido pela Rainha. Ele tornou-se Cavaleiro do Império Britânico em 1996. E reconhecido por todos nos Beatlemaníacos como o 5º Beatle. Também nos deixou  um  filho  que segue seus passos  com precisão, responsável pelos relançamentos dos discos dos Beatles...e do seu pai: Seu nome é Giles Martin. Foi quem produziu o recente single ”Now and Then”, premiado com o Grammy.  

Entra The Beatles com Now And Then

Vale uma mensagem no final, talvez ele possa ouvir.  

“Sir George Martin,  

God bless you, and  thank you, 

from the bottom of my heart. 

I love you.”

Agora falando para vocês ouvintes: 

Espero que tenham gostado.  

E até a próxima!

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Para ver o 1º episódio, clique aqui

Para ver o 2º episódio, clique aqui

Para ver o 3º episódio, clique aqui

Para ver o 4º episódio, clique aqui

Para ver o 5º episódio, clique aqui

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