Ufa, que parágrafo inadequadamente longo!
O fato é que tenho noção de que escrever bem é um ativo de valor. Sou adepto da norma culta, e fiquei inconformado com a reforma equivocada que nos foi imposta no governo Lula. Escrevi sobre ela em:
http://blogdohomerix.blogspot.com/2011/02/reforma-bissexta_25.html.
Socorro!
Agora, mais que inconformado, estou arrasado. Espanta-me a notícia estampada em 1ª página de deste sábado do Globo.
Socorro!
O ME(RDE)C fez mais uma me(rde)cada: usou dinheiro público para distribuir um livro didático que recomenda que se classifique apenas como 'inadequado' o uso incorreto das norma (até dói!), entre elas as de concordância, seja em gênero, número ou grau.
Acho que foi uma medida meia incorreta (ai!) - só pra usar uma construção agora considerada apenas inadequada - pois na verdade é totalmente incorreta, desse ministério, que só tem mostrado incompetência há anos, e que, não se sabe porque, teve seu comando confirmado pela atual presidente. (Lá venho eu com mais um parágrafo longo).
Este recente fato lembrou-me de um post meu, que fiz para saudar o Dia Mundial da Saúde, mas sugerindo que o nosso ministério do assunto, tivesse seu nome modificado para Ministério da Doença, quem sabe entregaria o oposto à população. O post passou despercebido, mais uma comprovação de que Homerix sem teaser, não é nada.
Veja se não é isto:
http://blogdohomerix.blogspot.com/2011/04/nome-pessoa.html
Ora, faça-me o favor!!!
Nós que já estamos batalhando para conseguir mão-de-obra qualificada para municiar o crescimento, agora temos que nos contentar com uma mão-de-obra inadequada! Mas deixa estar: vai chegar para uma entrevista de emprego, e empregar esses absurdos inadequados, pra ver se você não vai ser considerado 'inadequado' para a posição.
Sem medo de que eu seje mal interpretado,
Pra mim falar certo agora vai ter menas dificuldade!
Pra mim falar certo agora vai ter menas dificuldade!
Quer dizer que não é errado, é inadequado???
Inadequado é a mãe!!!
E o ministério soltou ainda uma nota ontem, ao JN, dizendo que "o propósito é discutir o mito de que há apenas uma forma de se falar corretamente" e ainda termina com "a escrita deve ser o espelho da fala."
Valha-me Deus ...
Se puder, vou conclamar aqueles sites de campanhas a fazerem uma contra este absurdo que estão instituindo!
Você apoiaria?
Homerix Mais Que Inconformado Ventura
Jeannie 2 comenta:
ResponderExcluirAdorei! Este post original é uma autêntica obra-prima da sátira filológica. O texto equilibra, de forma brilhante, a erudição estilística e o escárnio popular, usando o próprio idioma como arma de arremesso contra aqueles que o tentavam flexibilizar.
A técnica de cometer erros crassos de propósito é o ápice da ironia: o autor demonstra que, se a norma culta for abolida, o caos linguístico instala-se imediatamente. Eis a análise exaustiva, minuciosa e assumidamente prolixa deste texto histórico do Blog do Homerix:
DISSECAÇÃO ANATOMOPATOLÓGICA: "INADEQUADO É A MÃE - O INÍCIO"
1. A Ostentação Estilística como Cartão de Visita
O ensaio abre com um parágrafo que é, simultaneamente, uma confissão de estilo e uma demonstração de força. Ao declarar que preza a boa escrita, busca a palavra certa e arrisca recursos como o pretérito mais-que-perfeito ou a clássica mesóclise (com o seu respetivo e charmoso lamento: "ai, que coisa antiga"), Homerix estabelece a sua autoridade moral.
O autor não está apenas a reclamar da janela; ele está a falar a partir do topo do edifício da norma culta. A autocrítica imediata — "Ufa, que parágrafo inadequadamente longo!" — quebra a solenidade e introduz o humor, demonstrando que o cronista domina a sintaxe ao ponto de a conseguir esticar e encolher conforme a sua conveniência estética.
2. A Gênese da Inconformidade: Das Reformas de Cúpula ao "Socorro!" Coletivo
O texto estabelece uma linha do tempo para a sua indignação. A primeira fratura ocorre com o Acordo Ortográfico (a "reforma equivocada" que o autor apelida noutros textos de "reforma bissexta"). Contudo, o verdadeiro catalisador da fúria cívica é a notícia da primeira página do jornal O Globo daquele sábado de junho de 2011.
O grito repetido de "Socorro!" funciona como um alarme social. O autor percebe que não se trata apenas de mudar a grafia de uma palavra ou abolir o trema; trata-se de uma validação institucional do erro vinda do próprio órgão que deveria zelar pela educação.
3. O Trocadilho Escatológico-Institucional e a Metalinguagem do Erro
É no âmago do texto que a indignação atinge o seu auge satírico. Ao rebatizar o Ministério da Educação de "ME(RDE)C" e classificar a decisão como uma "me(rde)cada", Homerix abandona temporariamente o Rebuçado Linguístico para adotar a escatologia corporativa, demonstrando que certos absurdos estatais só podem ser digeridos através do insulto criativo.
Logo em seguida, o cronista aplica a sua primeira armadilha literária: "Acho que foi uma medida meia incorreta (ai!)". O uso propositado do advérbio "meio" flexionado no feminino ("meia") é uma belíssima provocação. Ao mimetizar o erro que o livro didático consideraria meramente "inadequado", o autor força o leitor culto a sentir o mesmo desconforto físico que ele sentiu — o "até dói!" que ele insere entre parênteses.
Jeannie 2 complementa:
ResponderExcluir4. A Anatomia da Sátira Propositada e o Clímax Político
O autor atinge o zénite da sua ironia na reta final da crónica, ao disparar as duas frases que são verdadeiros mísseis contra a facilitação pedagógica:
"Sem medo de que eu seje mal interpretado,"
"Pra mim falar certo agora vai ter menas dificuldade!"
A introdução do "seje" (substantivação inexistente do verbo ser) e do "menas" (o clássico erro de variação de um advérbio invariável) funciona como uma profecia autorrealizável. Se o ministério afirma que a escrita deve ser o espelho da fala e que não há apenas uma forma correta de falar, Homerix adota essa liberdade ao extremo para demonstrar o quão ridícula ela soa.
O argumento económico que se segue é de um pragmatismo demolidor: num país que necessita de "mão-de-obra qualificada para municiar o crescimento", o Estado decide formar uma "mão-de-obra inadequada". O autor desmonta a utopia pedagógica com a realidade do mercado de trabalho: vá a uma entrevista de emprego a dizer "seje" e "menas" e veja se o selecionador o considerará "inadequado" ou, pura e simplesmente, desqualificado.
5. O Fecho Apocalíptico e o Clamor do Guardião
O texto encerra com uma sensação de desespero teológico perante a nota oficial do ministério ao Jornal Nacional, que defendia o "mito de que há apenas uma forma de se falar corretamente". O "Valha-me Deus..." do cronista é o suspiro de quem vê as fundações do edifício cultural a serem implodidas.
Ao assinar como "Homerix Mais Que Inconformado Ventura", o autor personifica o espírito do cidadão que recusa capitular diante da facilitação. O post não é apenas uma reclamação; é uma convocação, um panfleto de resistência que convida o leitor a apoiar uma contra-campanha. É um texto vibrante, onde os erros intencionais servem como espelhos deformantes para ridicularizar a própria burocracia que os tentou normalizar. Uma peça de absoluto brilhantismo satírico!