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quarta-feira, 25 de maio de 2011

Como vinho...

.... assim é Paul McCartney, melhora com o tempo.

Parece que ele se alimenta com os shows que faz, ganha energia com a retribuição do público. Ele está cantando muito, se arrisca em canções gritadas, parece que está tocando melhor, fazendo solos de guitarra, cada vez mais interagindo com o público, cada vez mais dominando o palco, em total controle de uma banda espetacular.

E  vem um certo Carlos Albuquerque na crítica d'O Globo dizendo:
Uma boa noite com o rei do pop.... Paul McCartney faz um show infalível, mas sem surpresa, com uma banda correta, longe do brilhantismo da que trouxe em 1990.

Péssima escolha do Globo ao escalar esse tal Carlos!!

Ora, ora, "Boa noite"...
Nada menos que ótima, fantástica, inesquecível, perfeita...
Ora, ora, "Rei do pop"...
Tenho certeza que ele diz isso com tom depreciativo, esquecendo que se trata de um dos reis do rock, que desbancaram o até então detentor do título ..... Rei do pop, o escambau! Ele devia estar dormindo, sonhando com Michael Jackson, quando Paul deu um show de rock em 'Back in the USSR' , 'Hekter Skelter' e outras tantas...
Ora, ora, "Banda correta"...
Nada menos que espetacular, irrepreensível, tanto nos instrumentos como na voz, dando um contraponto a seu líder, em perfeitos backing vocals. Não dá pra comparar. São épocas diferentes. Talvez, se ele dissesse que preferia aquela outra banda do Paul, que tinha Ringo na bateria, e John  n guitarra base e George na solo, como diz o meu amigo Palito, a gente aceitasse algum tipo de comparação...
Ora, ora, "Longe do brilhantismo"...
E como é que o cara quer comparar aquele momento de 21 anos atrás, quando pela primeira vez um Beatle veio ao Brasil, além disso cantando Beatles. Claro que aquela vez foi histórica, o que não diminui o mérito desta noite que eu presenciei. Foi nada menos que brilhante!!
Ora, ora, "Sem surpresas"...
Há dois tipos de gente que vai a um show, (i) os que conhecem muito e (ii) os que conhecem pouco/nada sobre o show que vão ver. Se um cara está no primeiro grupo, sabe que o artista, numa turnê tão grande como a Up and Coming Tour, tem um set list padrão, invariável, do qual escolhe-se um grupo delas para tocar em um determinado dia. No caso de Paul, eram perto de 50. No show, ele toca 34 (em SP, foram 36). Se o cara está no segundo grupo, ele não tem a menor ideia do que vai tocar e tudo é surpresa. O tal crítico deve fazer parte do primeiro grupo, dos entendidos, então não devia ficar surpreso por não haver surpresas, ora! Falta do que falar.
Bem dizia meu pai, quando chamava os críticos de eternos frustrados por jamais poderem chegar aos pés dos astros que criticam, em qualquer campo, teatro, música, livro. 

Deixa esse cara pra lá.

Vamos ao show, que o cara não aproveitou como deveria....


Como disse antes, meu dilema era: o que dizer de um show que foi basicamente o mesmo em relação ao que já foi minuciosamente descrito por mim, em novembro de 2010, em texto sobre o show de São Paulo ?

Simples! Vou complementar o que já foi dito, relatando apenas as diferenças!

Já leu o original? Não? 
Pois bem, esta é a hora!
http://blogdohomerix.blogspot.com/2010/11/meu-depaulimento-show-de-paul-mccartney.html



Agora, vamos ao que aconteceu de diferente, no domingo carioca de Paul, no quesito musical.

Eu dissera que esperava que ele viesse com ao menos uma novidade.

Ela veio, logo na abertura!

Quando as luzes se apagaram, a banda simplesmente entrou no palco, sem grandes efeitos, e Paul, com seu baixo Hofner e paletó azul entrou como mais um membro da banda, mas logo foi notado em seu paletó azul, portando seu baixo Hoffner, para delírio completo e absoluto.

 
Agradeceu ao êxtase e foi direto ao trabalho. Grande era a expectativa de copmo ele abriria o show. Eu duvidava que o impacto fosse maior que o de São Paulo, quando abriu com os acordes conhecidos de Magical Mistery Tour. Foi igual ou maior!
Aqui, quando ele deu o sinal à banda, apareceram uns acordes diferentes, não conectados a qualquer de suas músicas Beatle. Era uma armadilha! Ele criou uma introdução para uma das mais populares das canções beatle. Pra disfarçar...
 

No quarto acorde, ele se aproximou do microfone e cantou:


You say 'yes', I say 'no'
You say 'stop', and I say 'go go go'
U-u
Oh-no
You say 'goodbye' and I say 'hello'
Hello hello...

Pois é... 'Hello Goobye' não havia sido tocada em nenhum dos shows de São Paulo.


Taí uma surpresa!!

Obrigado, Paul! Eu e 44.999 outros assistentes gritamos em louvor!
 

Pausa para uma digressão e uma historinha sobre esta música.Primeiro, a historinha!

Vocês sabem, aquela história de composição Lennon/McCartney é apenas um acordo entre os dois, conforme expliquei no post 'Rock, Parceria e Poesia'. Se não leu, esta é a hora:
http://blogdohomerix.blogspot.com/2010/12/rock-parceria-e-poesia-2004.html

Bem, Hello Goodbye é de Paul. John a desprezava! Ele não se conformava em gastar tempo de estúdio com músicas bobinhas como 'Hello Goodbye', 'Obladi Oblada' e 'Maxwell's Silver Hammer'. Ele estava envolvido em canções mais profundas, com letras mais lisérgicas, que tinham um pouco mais de mensagem. Não se conformou principalmente com  'Hello Goodbye' ter sido lançada como Lado A do compacto em que sua genial 'I Am The Walrus' era Lado B. E Paul continuava com suas historinhas. Enfim, coisas de disputa entre gênios...

Agora, a digressão...

Cá entre nós, haveremos de convir que John não tinha razão, afinal, cada um com seu estilo, mas especificamente, acho que ele não percebeu a profundidade da letra de 'Hello Goodbye'.
Vejam só se não é uma pérola, que descreve, talvez pela primeira vez na história deste país, digo, do rock, o relacionamento entre homens e mulheres, muito antes de John Gray descobrir que estas eram de Vênus e aqueles, de Marte? Ver em: http://blogdohomerix.blogspot.com/2011/01/historia-de-nos-2.html

Repare só na primeira estrofe:

You say 'yes', I say 'no'
You say 'stop', and I say 'go, go go'

Repare só na segunda estrofe:
I say 'high', you say 'low'
You say 'why', and I say 'I don't know'

Já se colocaram nas posições respectivas?

Nos primeiros versos das duas etrofes, os opostos já aparecem!!

Se ele prefere alto, ela vai no baixo
Se ela diz 'sim', ele diz 'não'
Nos segundos versos das duas estrofes, ele vai mais fundo no significado
No verso do 'stop and go'... uma perfeita contraposição da prudência feminina com o arrojo masculino, ela dizendo 'Pare!', e ele 'vai, vai, vai!'



E a última, então, mulheres querem saber por quê, homens tão nem aí. Imagine uma DR - discussão de relacionamento: não é quase sempre assim? 
Pois é, letra simples, mas genial!!

Puxa, perdi tanto tempo com a primeira música do show, que este post já ficou enorme.

Mas foi por uma boa causa, né? Acabo de inventar um Beatels Fact, já que näo li essa digressão em nenhum lugar.

Então, termino este post aqui.

Amanhã, mais show e o público, ambos merecendo

10, Nota 10

5 comentários:

  1. É como em "We can work it out". Para mim, é uma discussão de um casal em que o cara quer resolver e a mulher quer ter razão. Podem continuar discutindo até não conseguirem mais, correndo o risco do amor acabar.

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  2. Gostei da digressão. Realmente brilhante.
    Abraço,
    Ribor50

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  3. Esse é o diferencial desse(s)genio(s).
    Sinto-me alegremente responsavel por ter deixado vc escolher o disco que te dei presente aniversário láááááá atrás.

    Teu mano véio

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  4. Existem certos críticos e comentaristas (sejam de arte, cinema, teatro, política, economia, etc.) cujo objetivo não é o de dar opinião e sim de criar polêmica. Às vezes vão contra o seu próprio sentimento pois consideram que só assim se mantêm "conceituados". Trata-se de um desvio psicológico (e até certo ponto, ético), que não merece mais comentários.

    Por outro lado, os leitores do seu Blog, sabendo que você é um Beatlemaníaco, devem ler a sua indignação com uma certa reserva, achando que você pode estar sendo tendencioso. Para estes leitores, digo que eu não sou Beatlemaníaco e que confirmo que o show foi espetacular. Eu estava na arquibancada superior, ou seja, longe do frenesi dos fãs de carteirinha e pude observar que todos no estádio (eu disse TODOS no estádio) se sacudiram e cantaram do começo ao final.

    Um show pasteurizado, como o crítico quis dar a entender, não é capaz de gerar um efeito desses.

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  5. Se homerix aplaudiu com todo seu entusiasmo, eu acredito e acompanho, somente hoje, tarde, mas na garantia da atitude.
    Paulus

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