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sábado, 28 de maio de 2011

Mudando o destino em tempo real

(ou 'A importância de um guarda-chuva em nossas vidas')

Numa rotineira volta para casa .....

1. Sexta-feira, final do dia, saio de minha sala do trabalho, chego ao hall do elevador e o chamo;

2, Lembro-me que havia imprimido um documento, volto ao escritório, pego o documento, volto ao hall, chamo outro elevador, desço ao térreo;

3. Noto estar sem o guarda-chuva (mas que cara leso!) que trouxera na manhã chuvosa, chamo o elevador, subo e pego o dito-cujo, desço, vou ao caixa-eletrônico tirar o dinheiro para a semana, penduro o guarda-chuva numa lateral do caixa;

4. O cartão é recusado, sabe-se lá porque, saio do prédio, sem o dinheiro, atravesso a rua  rumo ao metrô e, nesse meio-tempo, divago...

"Agora, se eu for assaltado, o ladrão terá menos lucro; ao mesmo tempo, penso que, se eu tivesse sido aceito pelo meu banco, a operação de contagem das notas levaria alguns segundos, suficientes, por exemplo, para eu não estar naquele lugar em que o ladrão me atacaria, naquela hora que eu estava sem o dinheiro!"

5. Sigo meu caminho e quando paro de divagar, percebo estar sem o guarda-chuva, dou meia-volta, entro no prédio novamente, pego o guarda-chuva e volto ao metrô, chego à plataforma;

6. Chega o trem Pavuna-Botafogo, deixo ele ir embora, para ter mais possibilidade de sentar-me e escrever estas linhas, chega o trem Saenz Peña - General Osório, todo cheio, e escrevo estas linhas de pé mesmo, equilibrando mala e guarda-chuva pelas alças e fazendo meus polegares trabalharem freneticamente, quando finalmente chego a Botafogo e paro de escrever rumo ao Metrô de Superfície;

(10 minutos depois...)

7. No caminho rumo à escada rolante, lembro que meu cartão pré-pago está com saldo insuficiente para o metrô de segunda-feira, volto aos caixas de recarga, carrego mais R$ 10,00;

8. Quase esqueço o guarda-chuva de novo (ô coisa fácil de perder..), mas volto, não mais que 3 segundos depois de virar-lhe as costas.

9. Subo a escada rolante e vejo o meu provável ônibus partir.

Se não acontecer mais nada até chegar em casa, só neste caminho de volta ao lar foram nove as vezes em que eu mudei meu destino.

O que teria acontecido comigo, se algum desses turning-points tivesse ocorrido de outra maneira? Eu poderia ter sido atropelado ao atravessar a rua, ou tropeçado em algum degrau ou coisa. Poderia ter encontrado uma pessoa em algum dos elevadores, atrasando minha caminhada de volta numa conversa, ou uma outra pessoa em algum dos meios de transporte, o que me impediria de escrever estas linhas por um momento, e talvez não tivesse a mesma inspiração para fazê-lo, ou ainda essa possível pessoa poderia me proporcionar alguma coisa que poderia mudar a minha vida, ou menos, poderia sugerir um teatro para o fim-de-semana, uma peça que eu nem havia cogitado assistir.

Enfim... os caminhos, as possibilidades, são infinitos!!!

Claro que eu já havia pensado nisso várias vezes, principalmente porque sou meio esquecido (deu pra perceber...), e esqueço muitas vezes alguma coisa fundamental para o meu dia, o que certamente também mudaria meu destino.

Aliás, todo dia eu decido por qual caminho vou ao trabalho, pois são equivalentes, e o que aconteceria se eu tivesse ido pelo Rebouças ao invés do Aterro?

O cinema volta e meia aborda o assunto. O último que me lembro foi um brasileiro, 'Não Por Acaso', muito interessante, com Rodrigo Santoro. Em uma cena, a namorada dele está saindo de casa, quando ele a chama para mais um beijinho, atrasando em dois segundos sua saída, que se mostrariam fundamentais no seu destino: com aqueles dois segundos, ela teria atravessado a rua, e não teria morrido atropelada... E o filme relata muito bem a coisa, mostrando as duas situações acontecendo ao mesmo tempo.

Mas o mais fantástico deles foi um alemão, 'Run Lola Run', em que uma mulher tenta recuperar um dinheiro perdido pelo namorado, tendo que correr muito, e o filme explora três possibilidades de desfecho, a partir de decisões que Lola toma no meio de sua busca. Demais!!!

Enfim, o que são esses desígnios? Estava tudo escrito? Eu mudei o destino realmente, ao voltar para pegar o guarda-chuva? O ônibus chega à 'Estação' Maria Angélica e paro de escrever....



No dia seguinte, ao finalizar este post, enviando o texto do blackberry para o GMail, copiando/colando no blogger, ajeitando fontes-cores-alinhamentos, e importando o cartaz do filme, pensei numa pergunta, apenas colocando um ponto de interrogação ao final do nome do filme..


NÃO POR ACASO?


Ah, sim!
10. Quando estava quase chegando em casa ontem, recebo um telefonema de minha esposa pedindo pra comprar pão na padaria, para fazermos um lanche....

Lá vamos nós de novo!!!

8 comentários:

  1. João A.S.Brandão28 de maio de 2011 12:34

    Homero V: iSTO É PROBLEMA DE dna (Data de Nascimento Antiga,,,) Ocorre com quem está de bem com a vida. Abraço,
    Brandão

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  2. Homero, e o tal do SI, que passa com todos nos.
    Brandao, aprendi mais uma,
    Abracos
    Igrejas

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  3. Homerix...

    Isto somente ocorre com pessoas especiais que vivem num mundo, não da lua, mas no mundo dos especiais...
    Paulus

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  4. Obrigado pelo consolo, galera, mas parece que eu atirei num ponto e acertei em outro... Na verdade, eu queria abrir discussão sobre o destino, mas valeu!!!

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  5. Bem vindo ao clube meu mano! hehehehehe
    Teu irmão

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  6. Tio, eu prefiro pensar que as coisas eram pra ser. Meio que um destino, mas onde fizemos o máximo que tivesse a nosso alcance.
    Se mesmo depois disso o que queriamos não aconteceu, ai sim, pq não era pra acontecer. Apesar do pensamento "Se for pra ser, será", ser meio preguiçoso, ou seja, não temos que nos esforçar pra que aconteça, acredito que as coisas acontecem sim por um motivo.
    Por essas e por outras que lembro quando lia a revista Super Interessante ai no Brasil, eu passava direto pela reportagem "E se..." . Não gosto de pensar, pois o SE não existe.Como diria o poeta "Se minha vó tivesse bagos, seria meu avô..." portanto, se ficarmos encanados sobre o SE, ficariamos DOIDOS....

    I'm just saying..hahaha
    Beijao

    ps. Ficou meio confuso oque escrevi????

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  7. A concepção de Destino é muito interessante: ou se acredita que ele está traçado e que tudo o que acontecerá já está escrito, ou se acredita que ele não está definido e que quem faz o nosso futuro somos nós mesmos. Não faz sentido haver um meio termo.
    A existência do livre-arbítrio (ou a liberdade de escolha) não altera em nada os conceitos dos que têm opinião formada sobre o assunto. Aqueles que não acreditam em destino vão dizer que, dependendo das nossas escolhas, podemos alterar o nosso futuro para um lado ou para outro. Já os que acreditam, vão dizer que qualquer escolha tomada, é justamente a que estava escrita.
    O importante é não se distrair muito com estes detalhes e ficar sempre atento para evitar tanto os problemas banais (como não esquecer o guarda-chuva), como os problemas importantes (como não ser atropelado ao atravessar a rua).

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  8. Homero,

    o que mais gostei foi o tom cômico da forma como descreve estas situações...sempre há um outro ponto de vista positivo que deve ser ressaltado e não apenas o incomodo, a irritabilidade que sentimos nestas situações...devemos sim ressaltar sempre o lado bom das coisas em qualquer momento.
    abraço,
    renata

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