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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

BonDubai 5 - Os Emirados

Aqui, continua a descrição, em capítulos, de uma viagem que fiz em dezembro de 2006. O destino era Dubai, maravilhosa invenção árabe, mas a envoltória de uma paixão acabou por causar alguns percalços, em época de caos aéreo, que hoje considero divertidos...


Aqui, os capítulos anteriores
2 - O Filme
3 - A Ida
 4 - A Chegada
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Capítulo 5 - Os Emirados


Dubai é um Emirado, o segundo mais importante da comunidade dos sete Emirados Árabes Unidos (EAU), que se juntaram em uma unidade política em 1971. Abu Dhabi é o principal emirado, seu Emir é o presidente da EAU e também o seu Ruler (como eles gostam de chamar, aquele que faz as regras). Dubai é o 2º em importância e dos outros 5, eu só ouvi falar em Fujairah, e só porque a empresa andou prospectando oporunidades de negócio por lá... Os outros são uma sucessão de nomes árabes, que eu só poderia reproduzir se pesquisasse, o que não é o caso...

No mapa, você vê a localização tranquila dos Emirados, e Dubai está quase ali naquela pontinha norte da Península, onde do outro lado se vê o Irã e seus líderes loucos ameaçando volta e meia o fechamento do Estreito de Ormuz, aquela partezinha bem estreita (como diz o nome do acidente geográfico) ali de cima. A leste e a oeste, estão Oman e Qatar, que estiveram a ponto de fazer nove os Emirados, mas acabaram preferindo tornarem-se Estados independentes.

O Ruler de Dubai, His Highness Sheikh Bin Rashid Mohammed Al Maktoum é o vice-presidente da comunidade. Pelas regras da EAU, criada em 1971, toda a riqueza do petróleo é dividida pelo Emirados, tenham ou não sido abençoados pela natureza, como é o caso de alguns deles. Eles têm a 6ª reserva de petróleo do mundo. Abu Dhabi tem a maior reserva, mas é tudo divididinho per capita entre os 7 'irmãos'. Antes de serem idependentes, e se juntarem em uma coisa só, eles foram colônia de Portugal (ora poish), Reino Unido e do Império Otomano.  

Em Dubai, o Sheik Maktoum pensa longe e, ao invés de torrar o dinheiro como alguns de seus pares, resolveu investir pesado no país. Sua alteza resolveu que ia transformar o pequeno país em um paraíso do turismo. Sabe que a latitude e o clima são atrativos para os europeus, cansados com o miserable weather (principalmente os do norte) lá presente na maior parte do ano. Dubai é garantia de tempo bom. A média é de 7 dias de chuva por ano (e nós presenciamos 2 deles). Os europeus, que trabalham pouco, têm suas férias ao sol como sagradas, planejando-as com indecente antecedência. Dubai, com seus 358 dias com o Astro Rei bombando, é opção segura, e cai como uma luva. 

Mr. Maktoum pensa alto também. Aproveitando a afluência maciça de gente endinheirada, começou a engendrar planos agressivos. Pretende, por exemplo, que Dubai seja um centro de referência em medicina. Pretende (e vai) atrair os maiores nomes de cada especialidade, incluindo brasileiros para cirurgia plástica, por exemplo. Pretende (e vai)  ser o entreposto comercial e de negócios para o Oriente Médio e toda a Ásia. E o aeroporto, que já é gigantesco e luxuoso, se mostrou insuficiente e já está sendo ampliado para se tornar o maior daquela metade oriental do planeta.

O aeroporto é apenas uma peça da arquitetura notável (motivo do próximo capítulo), que se vê tanto em Dubai quanto em Abu Dhabi, mas muito mais no primeiro. Aquela pujança toda não é construída apenas por nativos dubaínos (?!). Aliás, eles são absoluta minoria, 80% é de estrangeiros!!!! Dubai é uma verdadeira Babel, com mais de 200 nacionalidades presentes, legalmente imigrados, entregando seu suor ao crescimento do país que os abriga. As ruas são mantidas limpíssimas por humildes indianos (pelo visto, a maior colônia) e africanos. Chinesas, filipinas, e tailandesas nas recepções. Malaios, paquistaneses e indonésios nos restaurantes. Os indianos (de novo) um pouco mais esclarecidos são motoristas de táxi e vendedores de eletrônicos em supermercados. 

E não só os países mais subdesenvolvidos estão lá: europeus e americanos estão presentes. E claro, brasileiros, como não poderia deixar de ser. Os dubaienses (?!) fazem questão de usar suas vestimentas típicas até mesmo para se diferenciarem, fica claro quem são os donos daquilo tudo. Os homens, predominantemente em branco, mas com variações coloridas, as mulheres, de negro, mostrando apenas o rosto. Os estranhos são bem recebidos pelos dubaiáticos (?!). Eles têm os mesmos direitos: não pagam impostos. Ouvimos falar de um deles, brasileiro, de alto nível, que está prestando serviço ao Sheik: “Você não imagina como é bom chegar ao final do mês e ter um contra-cheque em que o salário bruto é igual ao líqüido!”. 


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A seguir:
Capítulo 6 - A Arquitetura