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quinta-feira, 23 de outubro de 2008

AWoL - A Alimentação

Se o assunto é estômago, muito há o que admirar. Pude aproveitar um pouco do conforto dos grandes supermercados, onde vou apenas para comprar os víveres do ‘café-da-manhã’ para os dias em que lá fico, mas claro que aproveito para fazer um tour de apreciação de seus corredores, largos, refrigerados, confortáveis, iluminados e fartos, de variedade constrangedora de marcas, tipos, teores, jaezes e tamanhos:
           •          A oferta de guloseimas dos mais variados estilos e calorias, bolos, doces, ‘dough-nuts’ puros ou recheados, ‘bagels’ com ‘cream-cheese’ ou ‘peanut-butter’, esta última a ser usada também na mistura mais estranha da merenda infantil, a popularíssima pinabâtageli (manteiga de amendoim com geléia - aaargh);
•         Bolos de desmanchar na boca, com ou sem cremes ‘very rich’, tudo muito difícil de resistir, mesmo os simples pães-de-forma com aquela maciez não encontrada por aqui, com fatias finas, médias, grossas, gigantes, e falando em pão, tem o francês , sim, mas não só o pronto fresquinho, mas o quase pronto, o nada pronto, que se prepara no forno;
•         Leites de ‘fat-free’ a ‘super-fat’, de sem gosto aos mais variados sabores, achocolatados, amorangados, acerejados; isso sem contar os eggnogs, com uma concentração estúpida de ovos, goles de colesterol puro, denso, calórico até dizer chega, mas muito gostoso... 
•        Refrigerantes de todos os tipos, tamanhos, latas, latinhas, garrafas, garrafinhas, garrafões, sabores e teores de açúcar e cafeína e cerejina, até mesmo aqueles que só americano suporta, como o tal do Root Beer, que tem gosto de dentista, ou o surpreendente Dr. Pepper, que todos os demais humanos da espécie homo-brasiliensis dizem ter gosto de remédio, afora este que vos escreve, que adora a iguaria. Aliás ela tem a mesma idade, ou quase, da Coca-Cola;


•        Os sorvetes, para os quais se dedica um corredor inteiro, de ‘light’ a ‘super-heavy’, de americanos a dinamarqueses, de cremosos a frugais, com e sem gordura, trans ou não, de quadrados a redondos, com e sem palito, com e sem recheio, com e sem cobertura, ih, chega; 


•       Ainda nas bebidas, sucos, de todas as frutas, cítricas, ácidas, básicas ou não, recipientes de todos os tamanhos, de copo a galão, prontos para beber ou concentrados de todos os níveis; e se é da família das laranjas (tangerina, lima, limão, grape-fruit), então, pode-se escolher entre variados níveis polpa (no pulp; some pulp; lots of pulp)....
•        E os cereais? É mania nacional. Teve um amigo que recebeu a missão de trazer um sucrilhos pras crianças, logo em sua primeira compra quando chegou lá, foi ao super-mercado e voltou de mão vazias. A missão era impossível: havia um corredor inteirinho com infinitas variações e categorias...;
•        Ou então, migrando para as gôndolas mais saudáveis, os hortifrutigranjeiros, um show de cores vivas, verduras super-verdes, maçãs super-vermelhas, limões do tamanho de maçãs, maçãs do tamanho de melões, e por aí vai ... e veja só, que maçãs, todas brilhosas, lindas, imaculadas, parecendo que foram lustradas uma a uma....



       Na mesma foto, ao fundo, outra maravilha, as saladas prontas, lavadas, saborosas, para todos os gostos e cores de folhas, de todas as qualidades, prontinhas para comer, com apenas sal e azeite ou com uma infinidade de molhos disponíveis, de todas as nacionalidades, até a romana Cæsar, para a qual se escolhe o tamanho e a qualidade do crouton, bem, deixa pra lá....

Finalmente, desfrutei o pagamento da comprinha básica na passagem pelos balcões de pagamento automático, sem a presença humana, parando logo depois para observar os caixas normais, e admirar a presença de pessoas da terceira, quarta (!) idade, trabalhando dignamente, e a fazer a pergunta que não quer calar: “Paper or Plastic?”.

E termino com uma historinha que ouvi recentemente, para atestar a qualidade dos produtos oferecidos. Uma amiga, que está com vida dupla, morando em Houston e no Rio (com o mesmo marido!), foi ao supermercado americano e, desafiada pelo marido, foi conduzida até a frente da bancada de tomates, de olhos fechados, e pegou 12 exemplares do vermelho fruto. Ao abrir os olhos, verificou: todos perfeitos, suculentos, sem qualquer mácula, mancha, defeito, e além disso, com uma uniformidade de tamanho invejável...

Já aqui .....

4 comentários:

  1. É, mas cuidado, pai. Para ficar tudo perfeitinho e enorme desse jeito colocam muuuuito agrotóxico, muuuuita porcaria nas frutas e verduras.

    Você está elogiando a aparência sem se importar com o conteúdo. Já testou o quanto de vitaminas e minerais há de verdade nessas maçãs de tamanho de melões, etc? Não deve ter muito. As frutas mais orgânicas, mais naturais, mais cheias de vitaminas, são bem menores.

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  2. As bananas americanas, por exemplo, são enormes, lindas, maravilhosas, e não têm gosto de NADA.

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  3. Concordo em gênero, número e grau com a Esperantrix (Homerix filha).E os que foram jogados fora porque não seguiam o padrão de perfeição? Não precisa nem ir nos EUA para ver frutas maravilhosas...no México os morangos são lindos...mas o gôsto....(de NADA). Duvido que nos EUA tenha bombom de cupuaçu...rs....(e saputi, tem?...rs..)
    Bjs, Carol

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  4. Olha ai Homerix... fala de filha é coisa séria... nós vê o exterior, eles a produção, proteção agrotóxica e por ai afora... Te segura bicho!!!!!!!!!
    Paulus

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