-

sábado, 25 de outubro de 2008

AWoL - Faça você mesmo

A loja da foto aí de cima é uma instituição amercana: o paraíso do Do It Yourself! Ali você encontra o que você precisa para fazer você mesmo, desde marcenaria a pintura, de elétrica a hidráulica, de colocação de persianas a tapetes, de A a Z.

Minha experiência com este quesito, enquanto morei lá, foi interessante, e gratificante. Precisei de uma porta para fechar um cômodo lá de casa que só tinha um portal, e pensei em contratar um marceneiro para construí-la e instalá-la, como fazemos por aqui. Acabei descobrindo, na prática, o nível de padronização americano. O vão do portal era de 72 polegadas, a altura de 83 polegadas, pra usar as unidades locais. Fui ao Home Depot e, surpresa absoluta, em vez de encontrar um marceneiro, encontrei uma porta, na verdade duas, para se fecharem no meio do vão, exatamente como eu queria (bi-fold, branca, vazada, para manter o padrão existente em outras portas), para atender a um vão com exatamente as dimensões que eu precisava (2x 36 x 82,5 polegadas). Depois, foi só uma questão de convencimento por parte da porta. Levou uns dois meses até ela me convencer de que eu era capaz de instalá-la. Ela falava: “Vem …. me instala, seu bobo! Eu sou fácil!” e eu nada, até que num belo domingo, tomei coragem e enfrentei, com galhardia, a fera dobrável. 

Outras duas oportunidades de “faça você mesmo” foram fora de casa:   

UMA, no jardim de casa: ao invés de contratar o salvadorenho de plantão para cortar a grama, fiz umas continhas, e investi, num cortador de grama movido a gasolina, o equivalente a três meses de custo do serviço do hermano, e ganhei quatro anos de terapia quinzenal. Terapia, entretanto que me rendeu uma urticária que durou uma semana, ao enfrentar a hera venenosa que invadia a máquina do ar-condicionado que ficava na parte externa da casa, tudo bem, um pequeno percalço. Outro percalço foi a ridícula reclamação de uma vizinha de que preferia que eu cortasse a grama sem exibir os feixes de músculos de meu abdômen totalmente indefinido;
OUTRA, ao lado do jardim, o ‘driveway’ da garagem estava cada vez mais enegrecido, e em conversa com visitantes, disseram-me que uma lavagem sob pressão poderia ajudar bastante. Já vacinado com o possível custo de uma contratação de mão-de-obra, fiz uma visitinha básica ao impressionante Home Depot e, surpresa, soube que poderia alugar um pressurizador, e fazer eu mesmo. Assim o fiz, fiquei quatro horas tendo orgasmos sucessivos vendo aquele jato triangular de pressão fazer cada polegada do passeio passar do cinza escuro para o cinza clarinho dos painéis de cimento. Aproveitei o milagroso equipamento e dei uma geral nas madeiras existentes, deixando a casa com uma aparência bem melhor. O locador gostou tanto que até reembolsou os 70 dólares do aluguel do equipamento. O pagamento pela mão-de-obra, eu deixei pra lá, foi uma tremenda terapia. 

A casa do americano médio, mais precisamente, sua garagem, é uma verdadeira oficina mecânica, tamanha a quantidade de ferramentas, gerais ou específicas, que eles guardam, à espera de algo que precise ser consertado, sem a contratação da caríssima mão-de-obra. Ouvi de casos em que a quantidade e complexidade das ferramentas foi tamanha, que acabou por expulsar um carro da garagem, e algum tempo depois, o outro. Ou seja, os carros da família dormiam ao relento, em prol da oficina.


E os brasileiros que se mudaram pra lá de vez, não os expatriados como eu, vão pelo mesmo caminho. Este é um típico fenômeno de AWoL.


    Um comentário:

    1. Uma das vezes que estive em Huston, dei uma volta por um bairro só de casas, a maioria de um só pavimento. Duas coisas me chamaram a atenção: quase todas ostentavam uma bandeira americana e algumas a do Texas e muitas garagens estavam tão cheias de coisas que os carros ficavam na frente das casas.
      Uma curiosidade sobre as bandeiras: percebendo que muitas vezes a bandeira texana ficava acima da americana, perguntei o motivo e me explicaram que, como o Texas havia sido um país independente dos EUA, só se juntando a este por plebiscito, sua bandeira é a única, dentre as bandeiras dos estados, que pode ficar acima da americana. Quem quiser que o Texas volte a ser independente pode hastear a bandeira texana de cabeça para baixo!

      ResponderExcluir