O que está transcrito a seguir
Olá, amigos do Submarino Angolano!!!
Aqui é Homero Ventura, directo do Brasil
Ao fundo Dizzy Miss Lizzy
Coloque-se junto com os Beatles, no dia 10 de maio, no
penúltimo dia das filmagens de HELP!, o segundo filme deles, vocês já estão
cansados do ritmo intenso, após dois meses e meio de rodagem da câmera, enquanto
também deram atenção a vários compromissos de rádio e TV, no dia seguinte as
filmagens prometem externas cansativas, mas neste mesmo dia, de noite, vocês
terão que ir a Abbey Road para atender a necessidades da Capitoll, que precisa
duas canções para completar um álbum no Estados Unidos.fundo ,
E lá se foram para
Abbey Road atacar duas canções de Larry Williams, que eles já sabiam de cor.
Claro que jamais mandariam material original deles para satisfazer os caprichos
da gravadora americana e acabaram por transgormar aquela ocasião numa Larry
Williams Night. Nada além do compositor americano foi ouvido naquela noite em
Abbey Road.
Entra Bad Boy
Além disso, aquela foi a ÚLTIMA vez que outros compostitores
estiveram, ao menos com seus nomes em destaque, nos estúdios da Abbey Road para
terem o prazer, até mesmo monetário, de verem suas composições gravadas pelos
Beatles… sim … só os royalties que ganharam por isso os deixavam muito bem de
vida. A partir daquela noite, os Beatles apenas gravaram material próprio!
Início
de Maggie May
Bem não esqueceremos de Maggie May, que viria em 1969, nas sessões do Get Back Project, mas aquela era uma canção
folclórica de Liverpool, já de domínio público, e não de compostiroes
americanoso, como eram todas as outras 24 covers que gravaram…
Aliás, falando nesses números, sendo John a gravar as duas
daquela noite, ele consolidou sua liderança de performer de covers na carreira
dos Beatles, com 12,33 canções das 25 covers que os Beatles gravaram durante a
carreira…
Início
de Words Of Love
a razão dessa conta fracionária é porque Words Of Love, de Buddy Holl foi integralmente gravada em harmonia tripla com Paul e
George!! Completanto essa contabilidade, Paul gravou 4,33 covers, George outras 4,33 e Ringo teve 4!
Bem, vamos à primeira da noite,
Dizzie
Miss Lizzy. (by Larry Williams)
John exalta Senhorita Elizabeth em seu rock and roll!!!
Vocal
isolado de John versos 1 e 2
You
make me dizzy, Miss Lizzy
The
way you rock and roll
You
make me dizzy, Miss Lizzy
When
you do the stroll
Come
on, Miss Lizzy
Love
me before I grow too old
Come
on, give me fever
Put
your little hand in mine
You
make me dizzy, dizzy Lizzy
Oh,
girl, you look so fine
Just
a-rocking and a-rolling
Girl,
I said I wish you were mine ooooowwwww
Devo dizer que tenho uma certa prevenção, uma certa má
vontade com ela. Primeiro porque ela foi escolhida para finalizar o álbum
HELP!, tendo os Beatles mais uma original Lennon/McCartney, a bonitinha That
Means A Lot, de Paul, que, entretanto, nunca viu a luz do sol de uma gravação
oficial.
Início de That Means A Lot
Segundo, porque ela foi cantada por John na sua primeira escapada dos
Beatles, o show Live in Toronto, em setembro de 1969, e eu a associo, sem a menor justificativa, ao fim dos Beatles, coisa minha.
John Live in Toronto
Mas os Beatles a tocaram muito em sua excursão americana
de 1965, incluindo as famosas performances no Holywood Bowl e Shea Stadium.
Dizzie Miss Lizzy Live at Shea Stadium
Aliás, Dizzy Miss Lizzy foi gravada especialmente para
aquele público. Tão especial que os Beatles foram tirados das filmagens do
filme HELP!, em 10 de maio daquele ano, a contragosto, para gravá-la de má
vontade numa sessão noturna, de 8 a 11:30, juntamente com Bad Boy, para atenderem
a requisito da Capitol Records, a subsidiária americana da EMI.
A Capitol precisava encher o álbum Beatles VI, que já tinha
9 canções, e faltavam duas para as 11 canções regulamentares do mercado
americano, em mais uma salada que aquela gravadora fez. E, sendo as duas de
Larry Williams, o fato levou o americano a empatar com Carl Perkins como os
compositores com mais covers cantados pelos Beatles, ambos com 3 covers cada, pois
em 1964 eles haviam gravado Slow Down,
Início
de Slow Down
para o EP Long Tall Sally. E eu gosto muuuito das outras
duas... com Miss Lizzy, eu tenho má vontade… pronto, só sei que foi assim!
Comandante, este parágrafo abaixo é apenas se você quiser
Aliás, mais recentemente, diminuí
um pouco esse asco, depois que soube que minha amiga Elizabeth Bravo
inspirou-se nela para escolher seu apelido, ao invés de Beth, por exemplo ... é
que assim ela pensava que John a estava chamando!!! Grande Lizzie, saudosa heroína
beatle brasileira, que gravou no mesmo
microfone de John e Paul, em fevereiro de 1968, no refrão de Across The
Universe.
Trecho
de Lizzie e a amiga cantando Nothing’s gonna change may world em Across The
Universe
Pronto Comandante
A segunda e última cover de outros compositores, do disco
HELP e penúltima da carreira dos Beatles, é um rock visceral cantado de maneira
áspera e impressionante por um rouco John Lennon. Rouco e nervoso!!
Ao final de dois Takes, com tudo ao vivo e John cantando
junto, os Beatles consideraram o trabalho pronto, mas não o produtor George
Martin, lá da sala de controle.... Ao microfone ele disse que não estava "exciting
enough". John murmurou um palavrão impronunciável lá de baixo, aaah
vou pronunciar sim: “Bloody Hell!!” e soltou uma "Então vem você
cantar no meu lugar!!!" Falta de educação young John!! Uau....
Tem
esse take que finaliza com essa malcriação de John?
E então, foi nesse climão que passaram para a outra de Larry
Williams, naquela noite
Bad Boy
(by Larry Williams)
John conta:
Vocal
Isolado de John do 1º Verso
A
bad little kid moved into my neighborhood
He
won't do nothing right just sitting down and looks so good
He
don't want to go to school and learn to read and write
Just
sits around the house and plays the rock and roll music all night
Well,
he put some tacks on teachers chair
Puts
some gum in little girl's hair
Hey,
Junior, behave yourself!
... na verdade, Junior é apenas um garoto que não gosta de
escola mas adora sua guitarra, e faz umas travessuras de vez em quando, numa
letra muitíssimo divertida. Larry Williams me conquistou, com esta canção e com
Slow Down….
Base de Bad Boy ao longo, sem o vocal
O trecho acima é o
longo primeiro verso, em 20 compassos, da canção. Mais outros dois versos, com
letras diferentes viriam, mas com mesma duração, ensanduichando um solo de
guitarra. Aqui cabe uma observação deste observador que vem observando
estruturas de canção há pouco tempo em sua vida, e já com a bagagem de uma
centena de canções analisadas dos Beatles. Estes últimos adotaram na grande
maioria de suas canções uma configuração de versos e pontes, às vezes
introduzindo um refrão.
Em mais esta análise do bom rock'n roll dos anos 1950, eu
notei frequência de um padrão diferente
do que os Beatles adotaram… nessas canções americanas, muitas tinham apenas versos
em sua estrutura, com um ou dois solos de guitarra imiscuindo-se entre eles.
Não sou doido de extrapolar e generalizar, faltaria conhecimento para tanto,
mas posso apenas apontar essa tendência, sem sombra de dúvida!
John é novamente o
vocalista, e comandou a gravação da base, em 4 takes, naquela noite de 10 de
maio de 1965.
Ele fazia apenas um guia vocal, com o microfone desligado, tocando sua guitarra
Um
trecho da Base, sem o vocal
, e tendo Paul no baixo,
O baixo de Paul em Bad Boy
Bateria de Ringo
Ringo na bateria e George em outra guitarra, em que faz um
solo durante 12 compassos, portanto mais curto, entre os Versos 2 e 3 que
seguem no padrão original do 1º Verso, de 20 compassos.
A guitarra duelante com o vocal de John em Bad Boy
Ao longo dos versos, George estabelece um
'diálogo' de sua guitarra com as frases de John, sensacional.
Depois, vieram os overdubs, de George e John em suas
respectivas guitarras, de Ringo com um pandeiro e de John, com seu mais uma vez
estonteante, áspero e rouco vocal de rock'n roll, e John também acrescentou
aquele órgão esperto.
Finalização de Bad Boy
E depois de
finalizarem tudo de Bad Boy, voltaram a Dizzy Miss Lizzy para mais
5 takes
Um trecho da Base, sem o vocal
e vieram overdubs, de John em diveros UUU’s WOW’s no
vocal provavelmente
em resposta à reclamação de George Martin e John também colocou um ótimo piano
Hammond,
Hammond
de John em DML?
Teve George
dobrando sua insana guitarra, cujo riff aparece em todos os versos, às
vezes falhando em algumas notas.
A
guitarra dobrada de George em DML
e Ringo
acrescentou o indefectível coooowbeeeel.
Cowbell
de Ringo em DML?
Viva
o cowbeeeel! Que felicidade terminar minha análise com
o cowbeeeel! A canção tem 8 versos, sendo 3 deles instrumentais, 12
compassos por verso, 4 batidas por compasso, portanto, 96 batidas no
espetacular cowbeeeel, muita disciplina do Ringão! Quase uma centena de
adoráveis machucadas no notável instrumento de percussão!
Na versão original de Larry Williams, o riff de guitarra é menos presente não aparece enquanto Larry canta, e inclusive tem uma seção instrumental a menos!
Um trecho da original de Larry Williams
E assim
terminou a Larry Williams Night, com o compositor americano a sorrir de orelha
a orelha lá do outro lado do Atlântico, ouvindo os dólares a pingarem em seu
bolso, muito mais do que ele mesmo conseguira nos lançamentos originais, pois
nenhuma das 3 canções suas que os Beatles regravaram chegou ao Top Ten da parada
americana. Mas John Lennon gostava muuuito delas… acho que deve haver um
pedestal de John na casa da família de Larry Williams!!!
Bad Boy ao vivo, pelos Beatles? Jamais, em tempo algum, aliás, até passaram por ela rapidamente numa jam session do Get Back project, em 24 de janeiro de 1969.
A jam session de 1969
Finalmente,
vamos às canções na íntegra!
Primeiro, venham junto com John dizer à
Elizabeth, que ela o deixa tontinho!!!!
Para isso,
vamos colocar aqui a versão ao vivo que fizeram para a BBC no show The
Beatles Invite You To Take A Ticket To Ride. Que veio a ser, notavelmente, a
última aparição dos Beatles na famosa rádio londrina que foi fundamental na
divulgação do seu trabalho até então. Era 26 de maio de 1965, e foi
oficializada no disco Live At The BBC, em 1994.
Dizzy
Miss Lizzy, by Larry Williams, at the BBC... mais rapidinha
Dizzy Miss Lizzy, como já dito, acabou por fechar o álbum
HELP! Oficial, porque John, George e Ringo não queriam que uma canção melosa
como Yesterday, que era de Paul, fechasse o LP, e foram buscar a solução na
Larry Williams Night! Só que escolheram a canção errada! Bad Boy era bem
melhor!
Dizzy Miss Lizzy não saiu, entretanto, no HELP! brasileiro, que tinha uma salada
tupiniquim no Lado B, uma salada saborosa, sim, mas uma salada, sem nenhum
respeito ao lançamento oficial. Ela somente saiu no Brasil em janeiro de 1966
num EP com outras duas canções do Lado B dizimado pela Odeon brasileira, e mais
Yes It Is.
E, antes de passar à segunda canção, uma declaração deste
Contramestre!
Enfatizo minha opinião: já que decidiram queum bom rock
americano fecharia o álbum HELP! Bad Boy seria DE LONGE a melhor oção! Essa
má escolha fez com que a canção somente fosse lançada oficialmente em Londres
quase ano e meio depois, só no finalzinho de 1966, num disco chamado A
Collection of Beatles Oldies But Goldies, um trocadilhozinho
chinfrim, só pra disfarçar que era uma coletânea caça-níqueis, sendo Bad
Boy o ÚNICO lançamento original daquela miscelânea de repetecos, e que foi,
sim, lançado no Brasil, 4 meses depois,
mas claro que eu nunca soube de sua existência, recém chegado a meus 9 aninhos
nesta passagem por aqui. Eu só vim a conhecer aquela maravilha com o Past
Masters#1 em 1988, já em CD, esta, sim, uma coletânea de muito valor, que
capturava sons que não saíram em álbuns dos Beatles, e virou parte do catálogo
oficial, juntamente com seu irmão mais moderno, o Past Masters #2!
Bem, venha
comigo reclamar do menino capeta junto
com John e os Beatles em
Bad Boy
Hey
Júnior, Behave Yoursef!!!
Bad
Boy
E até para a semana!