quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Lucy in the Sky with Diamonds, que viagem!

 

Esta é a  canção do Lado A do álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band

a história do álbum, cenário, assuntos e canções, aqui neste LINK

É uma de 4 canções com Histórias Alucinógenas

as demais 3 canções de mesmo Assunto e  Classe, neste LINK

Atenção, canções com títulos em vermelho 

são links que levam a análises sobre elas.

3. Lucy In The Sky With Diamonds (Story Acid Song by John Lennon)

John conta: 'Flores de celofane amarelas e verdes elevadas sobre a sua cabeça. Procure pela garota com o sol em seus olhos e ela se foi... Lucy no céu com diamantes ... Lucy no céu com diamantes... Lucy no céu com diamantes''. 

Julian, em seus 4 aninhos, mostrou a seu pai um desenho que fez para sua amiguinha, e disse:
'It's Lucy ... in the Sky ... with Diamonds'
Só que o pai de Julian se chamava John Lennon e ele disse para si: 'Isso dá samba!'  Ele garante que não viu essas três  letras com o destaque que eu dei, mas o fato é que fez uma letra psicodélica, colorida, com citações que só com a mente alterada sairiam, coisas como 
'homens a cavalo de pau comendo torta de marshmallow', 'táxis-jornal aparecendo na praia', 'céus de marmelada', 'gravatas de espelho', e claro, 'a garota com olhos vidrados' ('caleidoscope eyes'), que é como ficam os olhos da pessoa com LSD nas ideias. Diz John que as imagens de Alice no País das Maravilhas vieram muito fortes em sua mente, as obras de Lewis Carroll afinal eram salpicadas de imagens que se encaixavam perfeitamente naqueles tempos psicodélicos. Curiosidades: (1) A menina Lucy O'Donnel morreu cedo, com Lupus, aos 46 anos; (2) o desenho de Julian está com David Gilmour, guitarrista do Pink Floys, que o arrematou em um leilão por uma pequena fortuna. 
Bem, a contribuição de Paul na letra foram as frases das duas pontes, que apresentam os refrões: 'Cellophane flowers' e 'Newspaper taxis'. Tenha ou não a canção sido inspirada em drogas, a canção é linda, maravilhosa! A começar pelo riff de abertura num órgão Lowery tocado por Paul, que só tem o defeito ser tão curto, mas fica marcado de muito tempo em nossas mentes. A voz de John está especialmente trabalhada para conceder um clima etéreo. George confere um clima indiano ao arranjo, e não se esqueça de se arrepiar com a batida de Ringo anunciando o refrão e com a linha de baixo espetacular de Paul!! E mesmo com tudo isso, John ainda achou que a canção não teve o arranjo adequado!!
Uma palavrinha sobre a estrutura e tempos da canção. Acho que no manual de estrutura musical se aprende que uma canção padrão teria repetições do trinômio verso-ponte-refrão nessa ordem: num verso, a apresentação de um tema, numa ponte, uma evolução para o clímax, e o refrão explodindo em nossas ideias. Todas as canções têm versos, mas nem todas têm pontes, outras não têm refrões. Se fosse se imaginar um ritmo, uma valsa se aplicaria, imagine: Pum-Pa-Pa, Pum-Pa-Pa, VERso-PONte-reFRÃO, VERso-PONte-reFRÃO. LITSWD é bem assim, básica na estrutura. Aqui, John e Paul se preocuparam em colocar o feijão com arroz: são três vezes o trinômio, ou quase, porque na última viagem, eles pulam o rio, desprezando a ponte, vão direto da margem do verso à margem do refrão. E, falando em valsa, é assim o tempo dos versos e pontes, um compasso 3 por 4, imagine de novo o Pum-Pa-Pa, Pum-Pa-Pa, e acompanhe comigo o primeiro verso, marcadinho: "PIC-ture-your, SELF-in-a, BOAT-on-a, RI-ver-with, TAN-ge-rine, TREES- -in, MAR-ma-lade, SKIES" e segue "SOME-bo-dy, CALLS-you-you, AN-swer-quite, SLOW-ly-a, GIRL-with-ka, LEI-dos-cope, EYES"! Gostei da brincadeira de 'traduzir' o tempo na letra, mas paro por aqui! Passei a mensagem? Note que o baixo de Paul é tocado nas primeiras sílabas das tríades, aqui ressaltadas em maiúsculas! O tempo em 3 por 4 segue nas pontes, mas depois que a bateria de Ringo anuncia o refrão, num Pum Pum Pum inesquecível, ele fica mais rápido e passa a um compasso 4x4. Outra coisa notável é a variação no tom: LA nos versos, SI Bemol nas pontes e SOL nos refrões. Intrincada estrutura melódica!
A gravação tomou 24 horas de estúdio (apenas, se comparado a algumas outras canções do LP), ao longo de 3 dias. A base tinha John num guia vocal e com chocalho, Ringo na bateria, George num violão, George Martin num piano e Paul num magnífico teclado Lowery, que se ouve na introdução, solo, e nos versos, ao fundo da voz de John, e que você não sabe se é um cravo, ou uma harpa, ou uma guitarra, na verdade, foi uma mistura disso tudo que Paul criou, provocando um som sensacional. O guia vocal de John tinha os versos em apenas uma nota. O vocal definitivo, com as variações melódicas que conhecemos, veio num dia posterior, bem como Paul harmonizando nos refrões, lá no alto, como sempre, e John dobrando seu vocal em partes selecionadas (veja na frase dos "kaleidoscope eyes").  George trouxe um tambura (instrumento indiano que eu gostaria de ter em casa, como decoração, é impressionante), que provoca aquele som de zumbido (drone) durante os versos, pena que quase desapareceu na versão final. Mas se ouve muito bem a guitarra dele dobrando os vocais de John nas pontes, e ao longo da canção, distorcida, através de um alto-falante Leslie, que já fora usado em Tomorrow Never Knows. Aliás, a voz de John também passou pela geringonça. Ficou maravilhosa! Importantes foram os efeitos de eco colocados entre versos e pontes, perceba, como dá um climão etéreo perfeito! Não se deve deixar de destacar uma das melhores linhas de baixo de Paul, preste atenção, especialmente nos refrões, gosto muito. Sua atuação no baixo, mais o teclado Lowery, fazem de Paul o principal destaque instrumentista da canção!

Aqui, vale o mesmo das canções anteriores. Não deixe de conhecer, ou relembrar, a espetacular versão que fez da canção o grande Elton John. Ele contou que queria gravar algo do amigo, e John reclamou que ninguém ainda se havia lembrado de Lucy! Elton aceitou! Que bom! A versão é longa, mais de 6 minutos, com um riff de entrada longo (que ótimo!) e, após uma rendição obediente à original, permite-se mudanças de ritmo, e mudanças de melodia que só acresceram ao conjunto. E até hoje eu me lembro do grito: 'Lucy, oh oh oh Lucy' paralelo ao refrão! Conheçam ou relembrem aqui, neste LINK.

Os Assuntos de Sgt Pepper's

  Capítulo 43 


De minha saga  

O Universo das Canções dos Beatles


Todos os Capítulos da saga têm acesso neste LINK 


43.1 Aqui, este LINK, um relato do que aconteceu entre dois álbuns.

43.2  Os Assuntos Sgt.Pepper's


Eram 13 as canções 'paridas':

  1. Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band
  2. With a Little Help From My Friends
  3. Lucy in the Sky with Diamonds
  4. Getting Better
  5. Fixing a Hole
  6. She´s Leaving Home
  7. Being For the Benefit of Mr. Kite
  8. Within You Without You (George Harrison)
  9. When I´m 64
  10. Lovely Rita
  11. Good Morning Good Morning
  12. Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band - Reprise
  13. A Day in the Life.. 

  • As canções sem notação do autor são da dupla Lennon/McCartney!

  • O álbum segue a tendência, que jamais seria abandonada, de ser predominantemente de Mind Songs que, aqui, suplantam de longe as Heart Songs, batendo-as inapelavelmente por 10 a 3, o segundo maior de todos os placares da contenda (em Rubber Soul havia sido 11 a 3!

    Percebam a tabela abaixo. 



    Mais detalhes sobre a divisão entre Heart & Mind Songs, aqui, neste LINK

    Traduzindo...

    São 3 Canções que falam ao Coração
    • As 3 são sobre Garotas 
      • 1 em cada Classe: DR, Paquera e Amor
    São 10 canções que falam à Mente
    • São 4 canções que têm algum tipo de Discurso
      • 3 para um Grupo e 1 para o Mundo
    • São 3 canções em que o autor falava sobre si,  
      • 2 pedindo Socorro e a outra fala sobre sua mente
    • São 2 canções em que contam Histórias,  
      • 1 sobre Solidão e 1 sobre Si mesmo
    • Uma canção que fala sobre Drogas, na Classe História

    Sgt Pepper's éportanto, no trinômio Grupo / Assunto / Classe, um

    77% Mind,
    31% Speech, 
    23% Group Album!
    Esse baixo índice de Heart Songs (23%) consolida o amadurecimento dos compositores. Vejam esse histórico!

    No começo, mais romântico, só se fala sobre Garotas (Girl ou Miss Songs) nos dois primeiros álbuns, então timidamente os assuntos mais 'cabeça' vão aflorando, tímida, mas crescentemente nos três álbuns seguintes até que chega a vida adulta, conforme Paul declarou. A partir de Rubber Soul, a predominância vira-se, brusca e definitivamente, para as canções  com assuntos mais sérios, vejam a tendência consolidada nos últimos dois álbuns!

    Em termos de autoria, as canções estão assim divididas!

    • Aqui, Paul consolida a posíção tomada a John em Revolver. Lá, foi por uma cabeça, 6 a 5, mas aqui, foi de carreirinha, das 12 da dupla, Paul foi o principal idealizador em 8!!
    • Paul carregou sozinho a bandeira das Girl Songs: ele é o autor de todas as 3!
    • A única Acid Song é  de John;
    • Paul participa dos 3 Assuntos do Sistema S: duas Self, uma Story, e duas Speech, mas há que se notar que as duas são partes de uma só;
    • John também contribui firme no Sistema com uma em cada S; 
    • A única de George é um Speech para o Mundo
    • A criatividade de Ringo ainda hibernava...

    Na tabela abaixo, as evidências, nas letras, do porquê da classificação acima!




    Próximos temas da análise de Sgt. Pepper's

    43.3 Neste LINK, as análises de cada uma das 13 canções.

    43.4 Neste LINKa capa, a recepção e o legado

    A caminho de Sgt Pepper's

     Capítulo 43 


    De minha saga  

    O Universo das Canções dos Beatles


    Todos os Capítulos têm acesso neste LINK 


    E segue a história dos Beatles

    Estamos em 3 de agosto de 1966! 

    E seguem crescendo os números!!!               
    Em menos de 4  anos de carreira, lançaram 112 canções, sendo 88 autorais e 24 de outros atores, filmaram dois Longas Metragens de sucesso mundial, A Hard Day's Night e HELP!, fizeram 552 shows, sendo 386 no Reino Unido, 94 na Europa Continental, 48 na América, 16 na Austrália e 8 na Ásia, ganharam 4 títulos de Membros do Império Britânico, lançaram 12 compactos e um EP de inéditas, e 7 LPs, Please Please Me (LINK)With The Beatles (LINK) A Hard Day's Night (LINK)Beatles For Sale (LINK)HELP! (LINK), Rubber Soul (LINK), e Revolver (LINK), todos chegando ao primeiro lugar (com exceção do primeiro compacto). 
    Um espanto!!!               

    O último LP viu a luz do dia na data em que estamos, ou seja, 3 de agosto de 1966, mas não foi exatamente um céu de brigadeiro que o esperava, havia um cumulus nimbus lá no poente, dos lados da América, ameaçador. A tempestade veio! Antes, uma ressalva: Revolver foi um sucesso, vendeu muito, e foi o mais elogiado pela crítica, que o considerou revolucionário, tudo como Dantes no quartel de Abrantes. Quase! Abrantes sofreu com a  verborragia excessiva do principal membro da banda, aquele papo de 'mais populares que Cristo' não pegou nada bem na conservadora sociedade americana, especialmente no meio-oeste. E onde eles estavam no começo desse período? Fazendo shows justamente nos Estados Unidos, alguns deles em estados do meio-oeste! Pra quê, né!

    Um preocupante número de rádios americanas baniu o som dos Beatles de suas transmissões. John deu explicações, foram bem recebidas, mas em seguida embarcou em outra controvérsia, declarando ser contra a Guerra do Vietnam. Em Toronto, ele saudou os americanos que atravessavam a fronteira para escaparem da convocação obrigatória e, na volta a New York, os outros três Beatles desandaram a repudiar também a guerra, que tinha 90% de apoio da população naquele momento. Enquanto isso, Birmingham, Alabama promoveu fogueiras de seus discos em queimas públicas.

    Todos os shows da turnê foram em estádios a céu aberto, esse era o novo normal dos Beatles. Dezenas de milhares de ingressos colocados à venda, mas pela primeira vez menos de 100%. Um dos organizadores teve prejuízo, pois o cachê era fixo! Um bonde da imprensa acompanhava os Beatles em todos os deslocamentos, e testemunho a tensão constante daqueles momentos. Havia ameças de morte aos rapazes, a Ku-Klux-Klan jurou-os de morte, eles levavam duas horas para saírem dos estádios, um pesado destacamento policial os protegia, foi um verdadeiro horror. Ademais, o som dos estádios nunca foi apropriado para shows de rock, eles não se ouviam, enfim.

    Foi a pá-de-cal para consolidar uma decisão que vinha sendo discutida. No voo de volta de volta, de San Francisco a New York de onde partiriam imediatamente para Londres, aquele bonde de imprensa que os acompanhava ouviu de George as palavras definitivas, que já 'traduzi' no final do capítulo sobre Revolver, mas aqui coloco como foi no original, em inglês.
    That’s it. I’m not a Beatle anymore.
    Pessoal da imprensa se assustou, mas o que havia terminado era aquela Persona Beatle de shows, acompanhados por histeria. Era o fim da Beatlemania! Ademais, o som que produziam não era mais afeto a apenas duas guitarras, baixo e bateria.Tanto que aquela conturbada excursão não viu a cor (ou o som) de NENHUMA das canções de Revolver. O mais próximo foi a colocação de Paperback Writer, que foi gravada nas sessões do álbum, e lançada em maio, juntamente com Rain, sobre as quais falarei no último capítulo desta Saga, sobre o LP Past Masters #2. Então, não havia sentido em seguir apresentando canções antigas, caso decidissem continuar. 

    A imprensa achou que era o fim da banda, até porque o contrato com a EMI havia expirado, não havia notícias de que outro viria, e notaram que cada um foi prum canto, literalmente!! Não havia necessidade de produzir os costumeiros trabalhos de final de ano, e então eles sumiram! Eram mais que milionários. E o que fizeram os quatro gênios? Todos (ou quase todos) viveram experiências que mudariam suas vidas (ou não)... 

    George Harrison... 


    ...foi, junto com a esposa Pattie, para a Índia, e lá ficou por seis semanas. Logo que foram 'descobertos', registraram-se como Sr. e Sra. Sam Wells!! Imergiu na cultura indiana, aprendeu cítara com Ravi Shankar, e por causa dela, que se toca sentado no chão, teve dores horríveis e aprendeu Ioga, e lá se foram as dores. No final, passou dias divinos numa casa flutuante num lago em Kashmir, no alto do Himalaia. Nunca mais foi o mesmo! Voltou encantado! E ainda deu ao mundo as primeiras selfies de famosos de que se tem notícia!! 

    John Lennon... 

    cortou o cabelo e partiu filmar na Alemanha e na Espanha, How I Won The War, de Richard Lester, que dirigira os Beatles em seus dois filmes. Em Almeria, ele escreveu os primeiros acordes e letras de mais uma obra-prima, Strawbery Fields Forever! Na volta, começou a perambular pela cidade e num 9 de novembro entrou numa galeria de arte, aonde expunha seus trabalhos uma artista japonesa radicada em New York. Encantou-se!

    Paul McCartney...

    ... se emburacou na cultura londrina, a Swinging London estava bombando, e ele era figurinha fácil de tudo que era show de vanguarda, teatros do East End, exposições especiais, vernissages. Mais importante que aquilo tudo, entretanto, foi uma viagem para a África, onde fez um Safari no Quênia, e no voo da volta teve uma epifania, com os potes de Sal e Pimenta de sua refeição de bordo, que viria a ser a semente para o próximo trabalho deles! Outra coisa que abriu seus horizontes mentais foi que sucumbiu à peer pressure dos três amigos, e teve sua primeira viagem alucinógena com LSD, ainda que bem menos que John, mas que o colocou no mesmo nível mental, entendendo o que se passava na cabeça seu parceiro. Falavam agora a mesma língua. 

    Ringo Starr...

    ... ficou em casa curtindo com a família!

    Voltando ao voo de volta de Nairóbi mencionado, o 'S' de 'Sal' e o 'P' de 'Pimenta' (Pepper em inglês) parece que brilharam, piscaram na mente de Paul, ele manteve Pepper na cabeça, e imaginou fosse o nome de uma pessoa e que o 'S' fosse a patente militar 'Sergeant', e que o Sargento Pimenta fosse o líder de banda militar no estilo Eduardiano, do começo do Século XX, e ficou com essa ideia na cabeça para uma nova canção. A ideia de que os liderados seriam associados do Clube dos Corações Solitários veio somente depois!! E foi bem depois, lá pra frente, quando a nova canção começou a ser gravada,já em 1967, que veio a expansão do conceito e a proposta de Paul de que na verdade os Lonely Hearts seriam os alter egos dos próprios Beatles, com liberdade para criar e variar os estilos e técnicas de performance, e eles é quem tocariam as canções do álbum, em seus trajes. Entre a imersão de Paul na noite londrina, ampliando os horizontes de sua mente e o lançamento do produto final, foram quase nove meses, portanto, como que uma gestação, da Mãe Música, cujo parto revelou  um filho genial e revolucionário.

    Num glorioso 24 de novembro de 1966, os Beatles entraram em estúdio para gravar a canção que Lennon criou na Espanha. Ela não entraria no álbum, assim como Penny Lane, que começou em seguida. Aquela seria a primeira de 57 sessões de gravação que seriam dedicadas à conclusão da obra, um número jamais antes experimentado, nem pelos Beatles, nem por ninguém, e ao longo de quase 6 meses, um tempo igualmente jamais antes dedicado a apenas um disco, nem pelos Beatles nem por nenhuma outra banda.  Foram 700 Horas de gravação, bem mais que as 9 horas e 15 minutos que levaram pra gravar o primeiro álbum deles, apenas quatro anos antes... Considerado o primeiro álbum de Art Rock da história, precursor do Rock Progressivo, e o criador da Era dos Álbuns, que, mais que um conjunto de músicas, carregavam um conceito. "Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band" seria o primeiro Concept Album da história.

    Demais estágios da análise de Sgt.Pepper's. 

    43.2 Neste LINK, os Assuntos tratados nas canções 

    43.3 Neste LINK, as análises de cada uma das 13 canções.

    43.4 Neste LINKa capa, a recepção e o legado

    With a Little Help From My Friends, uma Sessão de Análise de Ringo

    Esta é a  canção do Lado A do álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band

    a história do álbum, cenário, assuntos e canções, aqui neste LINK

    É uma de 5 canções em que se pede Ajuda para Si Mesmo

    as demais 4 canções de mesmo Assunto e  Classe, neste LINK

    Atenção, canções com títulos em vermelho 

    são links que levam a análises sobre elas.

    2. With a Little Help From My Friends (Help Self Song by McCartney)

    Ringo clama: "Empreste-me suas orelhas e eu cantarei uma canção para você, e eu tentarei não cantar fora de tom. Oh, eu consigo com uma pequena ajuda de meus amigos, eu me levanto com uma pequena ajuda de meus amigos, tentarei com uma pequena ajuda de meus amigos"  
    Vimos que Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band termina com a Pepper Band anunciando seu maior astro, Billy Shears. Desde sempre, havia a intenção de que ele seria o alter ego de nosso querido Ringo, que teria aí sua oportunidade de brilhar, com uma canção só para si no novo álbum. Só que o tempo ia passando, os prazos iam reduzindo, e nada da canção sair! Até que tomaram uma atitude. Em 28 de março, Paul foi a Weybridge (casa de John), no dia seguinte, John foi a St.John's Wood (casa de Paul), e se dedicaram ao efeito! A ideia de basear-se a canção em Ringo recebendo a ajuda de amigos, era de Paul, aliás tudo a ver, porque Ringo precisava da ajuda de John e Paul para poder cantar nos discos de sua banda. E o processo foi bastante interativo, como há muito não se via, era Paul fazendo uma pergunta e John respondendo e vice-versa. A canção, aliás, deve ser um recorde Guinness no quesito 'Pontos de Interrogação em Canções Pop', talvez disputando com Blowing In The Wind' de Bob Dylan. Vejam que interessante!

    No Verso 1, temos um solitário Billy fazendo perguntas ao vento! 

    What would you think if I sang out of tune?

    Would you stand up and walk out on me?    

    .....  mas ninguém responde e ele propõe

      Lend me your ears and I'll sing you a song

    And I'll try not to sing out of key

    E note como se aplica ao cantor de verdade, o Ringo, sabidamente sem o alcance vocal de seus companheiros de banda. John e Paul buscavam um tom que se adequasse a sua voz. Então, Billy até se desculpa, dizendo que tentará não cantar fora do tom! 

    E vem o Refrão 

    Oh I get by...hm I get high ...hm Gonna try with a little help from my friends

    No Verso 2,  Billy pede conselhos e é respondido. Voltando agora aos reais cantores, temos

    Ringo perguntando                           e .....                          

    John, Paul, George respondendo, com perguntas

    What do I do when my love is away?

    (Does it worry you to be alone?)

    How do I feel by the end of the day?

    (Are you sad because you're on your own?)

    E mais uma vez vem o Refrão, igual!

    Na ponte, que vem a seguir, invertem-se os papéis e os amigos perguntam se ele precisa de alguém ("Do you need anybody?"), se podia qualquer pessoa ("Could it be anybody?"), e Billy se desmancha dizendo que precisava de alguém para amar ("I need somebody to love?"). Tocante!!! 


    No Verso 3,  os amigos seguem na sessão de análise do pobre rapaz,


    John, Paul, George perguntando                           e .....                          

    Ringo respondendo

     

    Would you believe in a love at first sight?

    Yes I'm certain that it happens all the time

    What do you see when you turn out the light?

    I can't tell you, but I know it's mine

    E mais uma vez vem o Refrão, igual! E mais uma vez vem a Ponte, (quase) igual! E finalmente o Refrão, igual, mas com repetição épica da primeira frase! Não é à toa que a canção é a preferida do público de Ringo, sempre sad and lonely, precisando da ajuda dos amigos!!!

    Agora, vamos à contagem!!! São 10 Pontos de Interrogação!! Sem contar as repetições, somente perguntas diferentes. Pra confirmar o recorde, fui verificar o clássico do bardo: são 3 versos, cada um com 3 perguntas, portanto 9 perguntas, todas com a mesma resposta. Daí, 9 Pontos de Interrogação! Os Beatles bateram Bob Dylan.

    Sessão de 29 de março de 1967
    As duas sessões de escrita, nas casas de John e Paul, foram insuficientes para terminar a letra. Chegando a hora marcada para irem para o estúdio, eles caminharam os poucos metros que separavam a casa de Paul do local de trabalho, já de noite e foram gravar. Terminaram a letra lá mesmo. A base foi feita por Paul ao piano, George na guitarra, Ringo na bateria, George Martin num órgão Hammond, logo no início (que se liga com a primeira canção), e John no cowbell. Infelizmente, pouco se ouve do instrumento, cujo som eu adoro, na versão final. Depois de 10 takes, que deixaram Ringo exausto, era já madrugada do dia seguinte, e ele deu sinais de que ia embora, subindo as escadas, mas Paul e os demais não deixaram e o chamaram para incluir o o seu vocal. Ele voltou e surpreendeu, cantando ao microfone, e Paul, John e George completando o quadrado ao redor do equipamento, incentivando o cantor e dando-lhes dicas pra não errar a letra. Dessa forma, ele cantou suas partes, em todo o Verso 1, nas perguntas do Verso 2, nas respostas do Verso 3 e da Ponte, e nos Refrões, deixando o espaço para os complementos dos amigos em overdubs posteriores. Ele teve um pouco de dificuldade na nota final ("friends") uma oitava acima das notas anteriores ("with a little help from my"). Chegou a desanimar, pedindo que os técnicos fizessem aqueles truques de velocidade nas fitas, mas os 3 amigos foram decisivos nas dicas para atingir a performance, e ele enfim conseguiu, para gáudio e aplausos de todos, que brindaram com whisky e Coca (Cola, bem explicado). Eram 5:45 da manhã! 

    Eram dias intensos. Dormiram pouco e passaram manhã e tarde na sessão de fotos da capa do LP, e às 7 da noite estavam de volta ao estúdio. John, Paul e George cantaram em uníssono as respostas do Verso 2, as perguntas do Verso 3 e Ponte, e o vocal de apoio nos Refrães. Ringo adicionou o pandeiro dos Refrães, George, duas partes de guitarra, base e solo, e à essa altura já eram 3 da madrugada do dia seguinte, e ainda faltava um overdub fundamental: o baixo de Paul, porque até então ele só tocara o piano. No começo, os amigos ainda ficaram acompanhando, mas moravam longe e foram embora. Paul estava determinado a fazer uma de seus melhores sequências de baixo, e até se 'mudou' com seu baixo para a sala de controle, para controlar melhor seu desempenho! Ele terminou já com a luz do dia e foi para casa, no outro quarteirão, e os técnicos seguiram até 7:30 com os detalhes finais. Estava pronta a canção de Ringo Starr em Sgt. Pepper's. 

    Deixo aqui, como ilustração, o vídeo da celebração de 50 anos da invasão da America. Fixem-se nos 5 primeiros minutos (mas podem seguir até o final). Tem Paul cantando Sgt.Peppers, ao final apresentando Ringo nesta canção, como apareceu ao mundo no LP, com direito às trompas da primeira e ao baixo da segunda. Aqui, neste LINK. Note como Paul dá tanta atenção ao baixo, de difícil execução, olhando a toda hora para o instrumento, que ele nem canta suas partes no vocal.

    A seguir viria LUCY e seus olhos vidrados!!


    Star Trek - Jornada nas Estrelas

    Em 30 de julho de 2022, morreu a Tenente Uhura! Nichelle Nichols, aos 89 anos! E eu disse: Rest in Peace ... in your last Star Trek! ____...