quarta-feira, 2 de setembro de 2026

É Legal Ser Negão no Senegal


Renata esteve no Acre a divulgar seus livros, 
a convite e expensas do SESC.
E testemunhou o inclemente sol. 
E me lembrei da expressão Calor Senegalês!
Em homenagem àquele país, relembro 
minha experiência lá em 2006 
Eles vêm apresentando um crecimento consistente. 
A escala do gráfico, vai de 0 a 7% aa.

_______________________________________

É Legal Ser Negão no Senegal

Sangue em praça pública? É possível, permitido e oficializado em alguns lugares do planeta, e sem muitos traumas. Uma sólida introdução, antes de chegar ao tema... Por favor, encarem este meu ensaio como informativo. 

O título deste ensaio, nada original, roubo-o de uma música de Chico César por ser sonoro, e por ser um pouco a expressão da verdade. Não sou um especialista em África, mas posso dizer que aquele é um país que tem futuro. Visitei o Senegal em 2006, a trabalho (claro!). Foi o sexto país africano que visitei, e me deixou boa impressão. Foram somente dois dias em Dakar, portanto, não se espere um diagnóstico vasto e preciso. E calma, o país está longe de ser uma Namíbia, que a colonização alemã deixou mais ou menos em ordem, “limpinho, nem parece África!”, como nosso atual presidente falou ao lá chegar em visita de seu primeiro mandato. Os senegaleses continuam sendo pobres, mas têm alguma perspectiva. Ou seja, não é a melhor coisa do mundo, mas é legal.
Pausa para uma atualização de 2026. Como eu falo bem das perspectivas do país, é importante eu deixar aqui a evolução do PIB, nos últimos 20 anos... Nooooosa, essa viagem minha já fas VINTE ANOOOOOS!!!???


Bem, como podem ver, tem crescido direitinho, não? 

Parece então que minha impressão inicial teve algum fundo de propriedade!

E estão assim, mesmo mantendo aquela prática (mééé), que eu vou explicar em seguida!

Voltemos ao texto original!

O Senegal é aquele país na pontinha mais ocidental da África, e sua capital Dakar, localiza-se bem na tal pontinha, é o ponto africano mais próximo da América do Sul. Ponto estratégico, meio caminho entre este continente e a Europa, Dakar foi por muito tempo utilizada como ponto de reabastecimento em viagens de avião entre os dois continentes. Seu mapa político é muito interessante, pois aparece uma língua mais para o sul, que não é Senegal, e sim outro país, Gâmbia, ao redor do rio do mesmo nome. Se observar-se bem o mapa, o conjunto Senegal / Gâmbia assemelha-se ao rosto de uma velha, de perfil, olhando para o oeste, sendo o nariz a pontinha de Dakar, e o traço da boca, Gâmbia. Interessante que notei isso logo de cara, e falei a meus interlocutores, que acharam o máximo, nunca haviam percebido, nem mesmo os locais.  Etnicamente, são exatamente o mesmo povo e falam exatamente a mesma língua nativa, o Uolof, mas por resquícios da colonização, na “boca” fala-se o inglês, no “resto do rosto”, o francês. Aliás, a configuração lingüística desta minha missão foi bastante confusa: acompanhava-me um italiano, num país de língua francesa, com os negócios sendo tratados na língua do petróleo, que é o inglês, que bom, pois não falo a língua do biquinho, mas tentava un peu, com as 17 palavras de meu vocabulário francês, e ainda arriscava de vez em quando um italiano nas conversas com meu camarada, e quando eu não sabia a palavra correta, ia buscar lá no espanhol. Então, uma verdadeira salada!
Sempre que chego a um país africano,lembro-me da saudação padrão de nosso gerente geral da Nigéria, que ele mandava por email a todos os viajantes da empresa para o seu querido país, que, entre outros conselhos, dizia: “Se, por acaso, você não tiver sido encontrado (por um agente da empresa) depois de passar pelo check-out de bagagens, não saia do aeroporto em hipótese alguma. Da mesma forma, nem pense em pegar um táxi, pois correrá risco de vida.” .... pausa para suspiro ...

       No aeroporto de Dakar, entretanto, você não sente o assédio das pessoas querendo vender algum tipo de serviço. Você passa pela alfândega, direitinho, sem visto (se tiver Passaporte de Serviço), não tem ninguém querendo extorquir dinheiro. Você pede uma informação, o sujeito dá, sem pedir nada em troca, você pega sua mala, não aparece ninguém querendo ajudar, passa a mala num raio-x, portanto sem niguém querendo abrir pra ver “se tem alguma coisa interessante” pra achacar. Ou seja, não tem que ter os famosos “cem dólahh” no bolso, pronto pra facilitar as coisas. Com relação à arquitetura, o terminal de desembarque ainda tem a cara “This is Africa”, meio caído, já o terminal de  embarque é todo novo, informatizado, cheio de mármores e luzes, como qualquer outro aeroporto decente. Poderiam ter começado a reforma pelo outro, que já seria um excelente cartão de visitas.
Na saída do aeroporto, você acaba se lembrando que está em África, um monte de desocupados zanzando, mas ninguém nos assediou, fomos direto ao ‘shuttle’ do hotel, passando por meio deles. No caminho, era de noite, mas já deu pra perceber que a cidade está em obras, um prédio aqui, outro ali sendo construído, mas também, ainda muitas ruas sem calçada, marca registrada africana. Ao longo dos dois dias, presenciamos largas autopistas e viadutos em construção. Por outro lado, andamos também por ruas de terra, que o motorista que nos levava usava para cortar caminho e escapar dos engarrafamentos provocados pelas obras e por outro motivo sobre o qual falarei mais adiante (mééé). Sim, ruas de terra, mas nada que se compare ao que eu presenciei no Chade, paupérrimo país centro-africano, sem mar, em que andei mais da metade do tempo em ruas de terra: nem mesmo a rua na frente do aeroporto merece o tratamento. Calma, as pistas para descida dos aviões são de asfalto, e na verdade, formam um percentual importante para o país, que tem menos de 500 km de asfaltamento.
A outra parte daquela mesma simpática nota que mencionei lá em cima, falava da malária. Dizia: “A malária é uma doença endêmica na África, e pode se manifestar em duas formas: malária recorrente, tipo amazônica, e malária do sangue, conhecida como malária cerebral. A malária cerebral é a mais comum na Nigéria, e pode matar, por hemorragia no cérebro, em até 72 horas..... pausa para suspiro ...

       Deveras tranqüilizador, não? No Senegal, a coisa não é tão catastrófica assim, têm incidência apenas em partes do ano, mas, como alerta a nota, é uma endemia. E, se existe a expressão “calor senegalês” é porque certamente, tem épocas do ano em que faz um calor bem propício para a proliferação dos mosquitos.
O Senegal é um país com 95% de muçulmanos, mas com total tolerância religiosa, havendo casos de membros de uma mesma família com religiões diferentes. Não são, portanto, radicais. As mulheres andam com roupa ocidental, ou não, é opção delas. A poligamia é tolerada, mas a maior parte dos casais segue a monogamia. Mantém as cinco rezas diárias voltadas para Meca, a obrigação de visitá-la uma vez na vida, enfim e outros costumes, um dos quais, eu falarei adiante (mééé). Muito do esforço de construção que presenciamos é por conta de uma conferência da comunidade islâmica internacional que acontecerá em Dakar em 2008. Mas muito também da atual política imposta pelo presidente e equipe, no poder desde 2000, de investimento para o futuro.
Tivemos oportunidade de conhecer o Ministro da Energia, o motivo de nossa visita ao país, onde tínhamos sociedade com uma companhia italiana na exploração de um bloco offshore. Trata-se de uma figura imponente, energética, alto, jovem, de forte personalidade, que nos recebeu em elegante traje muçulmano (e chinelos). Fora recentemente empossado, fruto da nova composição política do governo, depois da reeleição. Vindo da área financeira, estudou e trabalhou em Londres em posições de comando. Nos últimos quatro anos, era presidente da estatal de energia elétrica, e agora subiu de posto.  A reunião foi brevemente interrompida logo no início, quando adentrou a sala o Ministro de Estado da Justiça, que foi recebido pelo nosso ministro com extrema reverência. Apresentou-nos a ele, dando o devido destaque à nossa empresa, e mostrou que sabe das dificuldades e dos custos da atual indústria do petróleo, em uma breve conversa com o ilustre intruso, antes de pedir muitas desculpas e mostrar-nos a porta da sala, explicando que uma visita daquelas não pode ser adiada. Depois ficamos sabendo das duas categorias de ministro: os de Estado, das grandes pastas, pessoas de grande experiência e proximidade com o presidente; e os normais como o nosso alto interlocutor, num nível inferior. Não temos correspondência aqui. 

        Quando voltamos à sala, reiterou as desculpas pela interrupção. Enquanto tratávamos de nosso assunto, desfilava uma impressionante sequência de números, contando seus planos para o país. O país estava sendo reconstruído, como percebemos nas ruas. Seu conhecimento de finanças faz com que consiga altas somas de financiamentos externos (citou muitas cifras). O que mais impressionou foi quando disse que estão plantando o futuro, dedicando 40% (!!) do orçamento nacional para educação e 10% (!!) para a saúde. Que tal? Parece até mesmo um certo país de dimensões continentais que conhecemos aqui do outro lado do Atlântico, não? Bem, na verdade, aqui não precisamos disso tudo, temos excelentes resultados nos concursos internacionais de matemática e ciências....
Tem planos de longo prazo. A comunidade financeira internacional gosta disso e vem se mostrando disposta a ajudar, abrindo os cofres. Agrada também o fato de ser um país sem conflitos étnicos, com tolerância religiosa. O ministro diz que a mãe e a irmã dele são cristãs. No campo da riqueza, não quer cometer o erro de Angola e Nigéria, que gastam o que Deus (ou Allah) lhes deu em luxo para poucos, enquanto a população sofre. Eles sabem que terão petróleo, mas não querem esperar por ele e estão investindo pesado em infra-estrutura. O ministro é um workaólico, que trabalha das oito da manhã às 11 da noite, quando vai pra casa cuidar de sua “small family”, palavras dele, dormindo no máximo quatro horas por noite. Sua citação lembrou-me Napoleão, que dizia: duas horas de sono são suficientes para os comandantes, quatro horas para os comandados, e oito horas para os idiotas (ainda bem que estou mais pro meio!). 

       Contou que o Presidente, apesar de seus 82 anos, também tem esse pique, só que vai até as duas da manhã todos os dias. Disse que foram companheiros de luta e juntos ficaram na prisão, por mais de um ano. Disse que sua luta agora é contra o tempo. Diz: “We have a country to run!”. Não admite que se viaje dois dias para ter reunião em um e se retorne somente no dia seguinte: ele viaja de noite, passa o dia em reuniões e volta na noite seguinte. Reuniões em países árabes, aproveita para marcá-las em fins de semana, que são dias normais naqueles países. Quando volta, segue o ritmo normal de trabalho. Não há tempo a perder. Só falta Allah dar uma ajudazinha com o petróleo. E estávamos lá para tentar ser Sua mão. Inshallah!
O petróleo é a dádiva divina que falta ao Senegal, mas abunda em Nigéria e Angola. Este nosso irmão de língua portuguesa tem a riqueza já desde a década de setenta, mas sofreu durante mais de 25 anos com a guerra civil. Agora é finda a guerra, eles têm a sorte de serem poucos (pouco mais de 12 milhões de habitantes), os recursos estão aparecendo, o país está crescendo a dois dígitos, mas grassa vez por outra um certo hábito no alto escalão, que faz com que a distribuição não seja lá muito equânime. A Nigéria descobriu petróleo há mais tempo, já teve o seu auge, coincidentemente com o título de país mais corrupto do mundo. A atual administração quer acabar com a pecha, mas agora tem que distribuir riqueza por mais de 150 milhões de almas, concentradas numa área pouco maior que o estado de Mato Grosso (veja, sem incluir o do Sul). A pobreza é generalizada, há conflitos étnicos e uma religião não suporta a outra. Deu pra perceber a situação inversa de nossos amigos senegaleses?
Agora, a razão do mééé. Não é a 'marvada' pinguinha, como alguns apreciadores carinhosamente a chamam. Trata-se do som que mais ouvi em Dakar. Logo no primeiro translado entre o hotel e a estatal senegalesa, notei a presença nas ruas, em cada terreno baldio, ou em frente às casas, um pequeno acúmulo de cabras, ou em pé, ou deitadas em cima das outras, sendo movidas pra lá e pra cá, algumas teimosas sendo arrastadas. A cena ia se repetindo ao longo do caminho, de todo o caminho, quando o carro andava por ruas menores. Uma coisa impressionante! Na volta para o hotel, que começou às 18:00 horas, já anoitecendo, a cena continuava, agora sob a luz do luar, umas poucas de iluminação pública e das próprias luzes dos automóveis. Um número incalculável de cabras. Acho que vi seguramente muito mais cabra que gente. Aquela volta para o hotel demorou duas horas: era cabra atravessando rua, empacando na frente dos carros, sendo arrastadas. Aqui, temos o cabra da peste; lá, era uma peste de cabras. Acho que vi umas 10 mil, por baixo.
A explicação para esse movimento todo remonta aos tempos de Abrahão. Aquele profeta existiu antes da separação entre as três grandes religiões monoteístas de hoje: judeus, católicos e muçulmanos veneram Abrahão como um dos pais de sua religião. Diz a lenda que, para testar a fé do profeta, Deus ordenou a Abrahão que sacrificasse seu filho Isaac. O profeta não pensou duas vezes, pegou da espada, levantou-a sobre a cabeça do filho, e quando ia desferir o golpe, um anjo o impediu. Deus considerou prova de fé suficiente, e aceitou o sacrifício de um cordeiro em troca. E ele assim o fez, cortando a jugular do pobre bichinho, certamente no meio de um mééé. Pois é, a data é celebrada todos os anos, pelos muçulmanos, a Festa do Sacrifício. É o Eid al-Adha, a Festa do Sacrifício do islamismo. Ou, Tabaski, na língua local.

       Cada chefe de família repete o gesto de Abrahão, a Sunna, ali mesmo, no meio da rua. Faz parte do ritual a preparação da carne, depois de tirar a pele e os internos, que será dividida em três partes e dada aos pobres, aos parentes e para a própria família ao longo da semana seguinte. Como nem todos têm animais, as últimas semanas antes da festa são tomadas pelo comércio, daí a enormidade de caprinos que invadiu as ruas, vindas do campo, num mercado a céu aberto.  Outros países muçulmanos também seguem o costume, Líbia e Paquistão, por exemplo. Pelo que soube, não precisa ser cabra, pode ser ovelha, boi, enfim, pobres sacrificandos!
Felizmente, a linhagem cristã de Abrahão não celebra aquele momento máximo de comprovação de fé. Acho que os judeus também não o fazem. E, felizmente também, o dia do sacrifício era exatamente um dia depois, quando havia saído do país. Trata-se de um costume, na minha opinião, meio incompatível com um país que quer ser moderno. Por outro lado, como se trata de uma tradição milenar, aliás, de vários milênios, é uma coisa impossível de ser revertida. Passa de geração para geração, os meninos sonham com o dia em que farão a sua primeira degola.


Que bom que a coisa iria acontecer apenas no dia seguinte, o 17 de novembro.

Enfim, esse era o recado. Claro que o Senegal não é uma Brastemp, mas certamente estava-se traçando o caminho para se tornar. À época...

O feriado religioso é móvel. Neste ano da graça de 2026 foi em maio.


Méé
P.S: vejam abaixo como foram as transições de governo nestes últimos  20   anos. 
 Aquelas autoridades que conheci ficaram por mais 6 anos, e transmitiram 

 o poder pacificamente ... ou quase!!

_____________________

Senegal é considerado o caso mais estável da África Ocidental, mas os últimos 20 anos foram agitados. 

Resumo direto 2006-2026:

1. Abdoulaye Wade (2000 - 2012)

Estava no poder desde 2000. No final do segundo mandato, tentou um 3º mandato em 2012, argumentando que a mudança constitucional de 2008 zerava a contagem.Isso gerou os protestos do movimento M23. Muita tensão, mas ele acabou perdendo a eleição.

2. Macky Sall (2012 - 2024) - 12 anos

Chegou com promessa de reduzir mandato de 7 para 5 anos e de não fazer mais que 2 mandatos. Fez a reforma para 5 anos, mas manteve seu primeiro mandato de 7 anos. Período de muito crescimento econômico (PSE - Plan Sénégal Emergent), obras grandes, mas também acusações crescentes de autoritarismo e de prender opositores. O ponto mais crítico foi 2023-2024: o principal opositor, Ousmane Sonko, foi condenado e preso, o que o tirou da disputa. Protestos violentos com dezenas de mortes. Em fevereiro de 2024, Macky tentou adiar a eleição presidencial de 25 de fevereiro para dezembro, o Conselho Constitucional barrou como golpe institucional. Foi o maior crise constitucional da história do país.

3. Bassirou Diomaye Faye (2024 - atual)

Eleição finalmente em 24 de março de 2024. Uma virada histórica: Bassirou Diomaye Faye, braço-direito de Sonko, que tinha saído da cadeia há 10 dias, venceu no 1º turno com 54%. É o presidente mais jovem da história do Senegal (44 anos na época) e o primeiro que nunca tinha tido cargo público antes.A transição foi pacífica: Macky Sall reconheceu a derrota no mesmo dia e entregou o poder em 2 de abril de 2024.Faye nomeou Sonko como Primeiro-Ministro. Desde então governam com discurso de ruptura, soberanismo econômico, auditoria dos contratos de petróleo/gás e renegociação com França.

Então: de 2006 pra cá foram 3 presidentes, 2 alternâncias de poder completas, todas por voto, mesmo com crises fortes em 2011-2012 e 2023-2024. É por isso que o Senegal mantém a fama de exceção democrática na região, onde os vizinhos (Mali, Burkina, Níger, Guiné) todos tiveram golpes militares nesse mesmo período. 

sábado, 29 de agosto de 2026

OUÇA e LEIA - Uma carta para Paul e Beatles 65


 

 The Beatles In My Life: Ser Beatlemaníaca

Este é o 11º programa mensal especial do Submarino Angolano, 
em que Virgínia Abreu de Paula nos conta 
sobre suas experiências com os Beatles. 

Ela tem hoje 78 anos e viveu Beatles na veia, 
e tem muita história pra contar!


 Clique no play verdinho... 


View on Vocaroo >>

e leia o que acontece aqui, abaixo !!

 ____________________________________________________________

Entra vinheta de The Beatles In My Life 

Virgínia Abreu de Paula, The Beatles in My Life

Queridos  ouvintes da  LAC. Eu aqui de volta  para  falar sobre Os  Beatles  na minha  vida.

Entra And I Love Her com The Beatles

Chegam  as férias de Julho. Lá vou  eu passar uns  dias  em Belo Horizonte, na casa da Dona  Moça,  avó de Leila Harrison. E   conhecerei  Mrs Greet.   Poderei  agradecê-la pessoalmente  por  ter   passado para o  inglês, minha primeira  carta para  Paul.  Como assim, carta para Paul? Ainda  falarei sobre isso nos mínimos detalhes.  Não é que  achei o endereço  de Paul numa revista Intervalo? Meu inglês não dava para  eu escrever uma carta. Leila resolve o problema  informando sobre  uma inglesa  que residia  com  sua  avó.  Ela  passaria  minha  carta para  o inglês. Eu julho,  a carta já tinha seguido, ainda  sem resposta. Agora,  vejam  me chegando no bairro São Lucas, entrando  numa  charmosa casa azul, E  quem  vem  me receber com  a  dona  da casa?  Ela. Mrs Great. 

Entra Murder,   she Said. Ron Good win e Orchestra

Nossa  que  emoção. Britânica típica,  lembrado  a atriz Margaret Rutherford,  devidamente reconhecida  como  Dame, pela  rainha.e  que  fez  a Miss Marple  de Agatha  Christie, no cinema. Chego  a ouvir o tema  do filme quando  a  vejo.Cabelos totalmente  brancos, rosto  cor  de rosa,  olhos azuis,  cachecol,   roupa  de  frio  xadrez! Se vestindo  como  se estivesse  em  Londres.

Fazia anos tinha vindo para o Brasil e se bem entendi, trabalhava no Consulado. Viuva. Olho  para  ela em êxtase, esnobando com  um  “How  do you do?” E ela.  –“Então você é a moça da carta para o Paul McCartney. Já respondeu? He will.  He is  an Englishman.”  Ela conversava  misturando inglês com  português o tempo todo. “Onde está o sugar?” “Vou contar uma  coisa: listen.”

Na  primeira  noite,  engata  conversa comigo, em inglês,  enquanto toma seu Whisky.   Eu ouvindo deliciada por estar  conversando com uma inglesa…que  não sabia bem ser inglesa ou escocesa. Tinha nascido  na fronteira dos dois países.  Entendo a palavra Scotland.   De vez em quando balanço a cabeça dizendo –“Yes, yes”. Ela prossegue…  –“horses… farm…rain…”  “Deve estar falando que tem cavalos na fazenda do seu “marida”, como falava, em Diamantina”, penso eu. De repente diz algo incompreensível que termina com a seguinte pergunta: — “Would  you like it?”   Se eu gostaria…De que mesmo? Respondo que sim, “Of course”.  Ela levanta e vem trazendo  jornais   “The Times” para mim.  Thank  you.

Entra V.I.P com Ron Good win e Orchestra

Vou dormir no sétimo céu. Tinha uma amiga inglesa! Chego a imaginar estar  na Inglaterra.  Dia seguinte, a ilusão se torna mais forte ao sentar na sala “lendo” o “The Times”. É quando  a ouço dizer que a hóspede sabia inglês muito bem. –“Conversamos muito ontem. Lovely girl”. Tenho de prender o riso.  Leila e Maria da Graça,minha prima que  também estava lá,  rolam  de rir  me vendo  toda séria falando “Oh  Yes!”  várias  vezes  ao  dia. Num dos bate papos consigo entender  quando ela diz:   

-“So you like The Beatles”  

-“Yes, I do.”  

-“They are from Liverpool. Good boys.”

 – “Oh, Yes”.  

Amigos,  eu  não  estava em  Belo  Horizonte.  “Estou  em  Londres”,  é  como sinto,  até andando pelas ruas,  pegando  ônibus.Uma  V.I.P,  gente  muito importante,  como  no filme  também  estrelado pela Dame  Margareth Rutherford,  cujo tema   rolava na  minha  cabeça   enquando eu sonhava  acordada.  

No sábado pela  manhã  compro o disco Beatles 65. 


Entra Rock And Roll Music com The Beatles

Que  Chuck Berry  me perdoe,  mas  The Beatles   deram uma  injeção de energia  na  sua  Rock n  Roll   Music. 

Eu ainda  não sabia que os discos brasileiros eram diferentes dos ingleses. Hoje sei que o original se chamava “Beatles For Sale” e a seleção musical não era exatamente igual.  Até a capa era  diferente e bem mais bonita que a escolhida pela Odeon.  Sem   radiola   na casa, teria  de esperar para ouvir o disco completo ao retornar. 

Porém,  Leila descobre um programa mostrando algumas das músicas novas.  Além  de Rock n Roll   music, tocam  muito   “8 days a Week”,  eu já até sabia cantar. Solto a voz.

Entra Eight Days A Week com The Beatles 

“Uhh I need your love, girl”… Mrs Graet entra no quarto nesse momento  trazendo para nós um Daikiri feito por ela. Era boa nos cocktails. E fica olhando para mim surpreendida, -

“You can sing in English too.” 

Eu me entusiasmo…

“8 days a week, I looooove you. 8 days a week, is not enough to show I care…"

Leila: – “Agora ela  vai achar que você domina o inglês. Não é justo. Você sabe tanto quanto eu... isto é... quase  nada.”

O rádio  anuncia outra  faixa  do disco  recém  lançado.  What  you’re doing?   Deliciosa.

Entra What You're Doing com The Beatles

E  tem  aquela gritada do jeito que Paul  gosta. Kansas City

Entra Kansas City com The Beatles

O que que é isso? Que   maravilha  de sons  de guitarras...

Entra Words of Love com The Beatles

"Ah, é  meu George",  diz  Leila.   

Words  of  Love.  

 Cai no gosto do  radialista, porque  a  repete  sempre,  inclusive perto na  hora da nossa despedida.

 Sim,  chega o dia  de vir  embora. Ouço ela  comentando  com Dona Moça,–

“Vou sentir falta dela.”. –” 

Eu fico algumas horas ensaiando uma despedida,  Encho  de coragem vou logo dizendo:   

I will miss  you too. Thank you for translating my letter to English”. 

Não é que soube falar até direitinho? – 

“Not at all”, responde ela com um sorriso. Saio de lá  quase chorando… 

“Good bye”.

Na mente,  sigo  cantando  a canção de Buddly  Holy tão lindamente   interpretada  pelos nossos queridos.

Mm, mm, mm, mm

Agradeço  a todos  por  me  ouvirem  mensalmente. Até  a próxima.

Já temos 11 episódios

  1. Como a Madrinha soube da existência dos Beatles clique aqui
  2. Quando ela ouviu The Beatles pela 1ª vez, clique aqui
  3. Como ela viu o primeiro compacto dos Beatles, clique aqui
  4. Como ela ouviu o 1º LP dos Beatles, clique aqui
  5. Quando ela comprou o 2º LP dos Beatles, clique aqui
  6. Um break: homenagem a George Martin, clique aqui
  7. Quando ela viu The Beatles na Telona clique aqui!
  8. Suas impressões sobre o disco A Hard Day's Night, clique aqui
  9. Como conheceu o 1º Compacto Duplo, clique aqui
  10. A Descoberta de This Boy, clique aqui
  11. Uma carta para Paul, este aqui

OUÇA e LEIA - Day Tripper em uma versão desconhecida- by Cláudio Teran


É Cláudio Teran quem comanda a Beatles News!!


Clique no Play Verdinho

para ouvir

E leia a seguir!

______________________________________________

 Day Tripper em uma versão desconhecida

 Entra A Hard day's Night com a Orquestra de George Martin   

Amigos e amigas do Submarino Angolano, Claudio Teran chegando para mais uma participação com as Beatles News, direto de Fortaleza, Ceará, Nordeste do Brasil.

As novidades do mundo Beatle. Beatles em novidades na sua LAC FM. Vamos mergulhar

 Entra Get Back medley com John Lennon ao violão   

Começamos com a mais recente edição da revista Guitar Player, que entrevista o jornalista e escritor Eliott Mintz, amigo de longas datas de John Lennon & Yoko Ono. Ele confirma o que dissera em seu livro, John, Yoko & Eu. Paul McCartney e John Lennon se encontraram em 1978, conversaram e foram a uma pizzaria com as esposas.

Não há registro fotográfico. Paul e Linda foram recebidos por John & Yoko no Dakota, onde conversaram por várias horas. Depois decidiram ir a uma pizzaria chamada Elaine’s qu ficava nas proximidades do Dakota. O local tinha pouca gente, e eles não foram notados, embora fossem dois Beatles acompanhados das esposas.

A conversa girou em torno de temas diversos. Eliott Mintz presenciou tudo. Em dado momento Paul perguntou a John se ele tinha músicas novas. John disse não. E Paul respondeu que não vivia sem tocar e sem trabalhar em novas composições.

 Entra Silly Love Songs com Paul McCartney

 Entra HELP com Dolly Parton   

O mundo da música sentiu bastante a morte de uma de suas maiores estrelas. Dolly Parton morreu aos 80 anos. Cantora, compositora, empresária, atriz, filantropa, Dolly fez de tudo. Pelas redes sociais, Paul McCartney recordou encontros e momentos vividos com ela, e destacou não apenas seu extraordinário talento, mas também a generosidade. 

 Entra Imagine com Dolly Parton

Ringo Starr também lamentou a morte dela e dirigiu condolências à família. Ele e Paul participaram de uma das últimas gravações de Dolly Parton, a releitura de “Let It Be”. 

 Entra Dolly Pprton com Paul e Ringo e Ringo na bateria

Paul tocou baixo e cantou, enquanto Ringo recriou a bateria.

 Entra Boys com Ringo Starr e sua All Star Band

Falando em Ringo Starr, continua a promoção que vai levar fãs para assistir ao show da All-Starr Band que marca a volta de Ringo ao histórico Forest Hills Stadium, em Nova York. Para participar tem de entrar nas redes sociais de Ringo ou seguir direto para a página da Lotus Foundation. A promoção é aberta para o mundo inteiro. Está lá, dá tempo ainda!

O objetivo da promoção que inclui passagens, ingressos, hospedagem e acesso exclusivo para o show é ajudar a Lotus Foundation, instituição mantida por Ringo Starr que apoia projetos sociais, culturais e humanitários em diferentes partes do planeta.

Ringo tocou com os Beatles no Forest Hills em 1964, durante a explosão da Beatlemania nos EUA. Na época a EMI sondou gravar a apresentação ao vivo, mas desistiu.

 Entra You Like Me Too Much instrumental com Teh Beatles

E continua em pleno andamento o projeto da cinebiografia dos Beatles, dirigido por Sam Mendes. Como todos sabem, o plano original prevê quatro filmes, cada um contando a trajetória dos Beatles a partir do ponto de vista de um integrante.

O roteiro prevê que as quatro histórias se cruzem para formar uma grande narrativa sobre o maior grupo da história da música popular. O projeto tem por objetivo reapresentar os Beatles para seu público e também para as novas gerações.

Nesta semana surgiram rumores de que os filmes, com estreia prevista para 2028, poderão ter um destino ainda mais ambicioso depois de sua passagem pelos cinemas: a Netflix. A possibilidade de uma negociação envolvendo a plataforma de streaming aumentaria enormemente o alcance mundial do projeto.

Caso a negociação seja confirmada, o streaming poderá representar uma segunda etapa dessa experiência, levando a história dos Beatles simultaneamente para milhões de casas em todo o planeta. Por enquanto, a negociação é um boato.

Por outro lado, a tecnologia continua devolvendo imagens que pareciam perdidas para sempre.

 Entra Cant't Buy Me Love com The Beatles ao vivo   

 Apareceu nesta semana no You Tube uma versão restaurada da participação dos Beatles, em 1964, no programa britânico Top of the Pops.

O filme completo apresenta dois takes de “You Can’t Do That” e uma performance de “Can’t Buy Me Love”. Como era comum nos programas de televisão da época, os Beatles fazem playback. Mas isso não diminui em nada o valor histórico das imagens.

John, Paul, George e Ringo aparecem jovens, descontraídos, brincando com as câmeras e vivendo aquele momento extraordinário em que deixavam de ser apenas quatro rapazes de Liverpool para se transformar num fenômeno mundial.

Também circula um vídeo mostrando o trabalho técnico realizado para recuperar as imagens. Limpeza de sujeiras. Correção de defeitos. Estabilização. Aumento da definição foram alguns dos serviços feitos para resgatar este filme dado por perdido.

 Entra Rock and Roll Musica com The Beatles ao vivo   

Há 60 anos, os Beatles encerravam definitivamente suas atividades como banda de shows. O último concerto da derradeira turnê aconteceu no dia 29 de agosto de 1966, no Candlestick Park, em San Francisco. O estádio não existe mais. Foi demolido em 2010 e hoje virou um complexo esportivo moderno, o Monsters Stadium.

Quando subiram ao palco na noite gelada os Beatles sabiam que estavam no fim de uma era. 

 Entra Nowhere Man com The Beatles ao vivo   

Paul McCartney chegou a comentar que, nos bastidores, havia uma espécie de acordo silencioso. Ninguém anunciaria oficialmente. Outra providência de Paul foi pedir ao assessor de imprensa, Tony Barrow, que gravasse a apresentação em uma fita cassete. O conteúdo circula há anos no You Tube e com colecionadores.

Os Beatles estavam cansados da loucura das turnês e da precariedade de tocar ao vivo em 1966. George Harrison reclamava, com razão, que ninguém ouvia nada. Isso era um consenso entre eles. O som do público era bem mais alto que os amplificadores dos Beatles. Sessenta anos se passaram, e depois das turnês os Beatles entrariam em uma surpreendente nova etapa.

Novas etapas para ouvir coisas que a gente nunca imaginou que existissem

 Entra Day Tripper em take alternativo   

E para terminar, a grande novidade da semana. A gravação de “Day Tripper” registrada durante uma passagem de som nos estúdios Abbey Road. 

A música estava em construção, e o que ouvimos é John Lennon & Paul McCartney trabalhando em uma versão inacabada, enquanto cantam e se acompanham aos violões... SENSACIONAL


sábado, 22 de agosto de 2026

OUÇA e LEIA - O Acordo dos Beatles com a UMG- by Cláudio Teran


É Cláudio Teran quem comanda a Beatles News!!


Clique no Play Verdinho

para ouvir

E leia a seguir!

______________________________________________

 O Acordo dos Beatles com a UMG

 Entra A Hard day's Night com a Orquestra de George Martin  

Alô amigos e amigas, Cláudio Teran chegando, direto de Fortaleza, Ceará, Nordeste do Brasil para mais uma edição das Beatles News no Submarino Angolano.

Beatles em novidades. Beatles ao cair da tarde, nas ondas da sua LAC FM.

 Entra Drive My Car instrumental com The Beatles 

Os Beatles continuam sendo uma das marcas mais valiosas, influentes e desejadas da história da música, o que não é novidade. Mas, agora em que estamos às vésperas de um novo capítulo cinematográfico, a Apple Corps acaba de dar um passo importante para ampliar ainda mais o universo comercial do quarteto de Liverpool.

A empresa responsável pelos interesses dos Beatles firmou uma parceria abrangente de licenciamento e merchandising com o Universal Music Group, a UMG. Mas, afinal, o que isso significa na prática? É um negócio que envolve cifras milionárias.

O acordo vai muito além do lançamento de discos ou da distribuição das músicas dos Beatles. A parceria envolve a criação, o licenciamento e a comercialização de produtos físicos e digitais ligados ao grupo. A Universal estará à frente de tudo.

 Entra You Can't Do That ao vivo com The Beatles 

Isso pode significar uma nova geração de camisetas, livros, pôsteres, colecionáveis, objetos de decoração, produtos especiais, experiências digitais e outras iniciativas oficiais associadas ao universo dos Beatles no mundo inteiro.

E há também um ponto fundamental: o comércio eletrônico. Ou seja, a estrutura da Universal poderá ajudar a ampliar a presença oficial dos produtos dos Beatles nas plataformas digitais e no mercado internacional.

 Entra Revolution Nº1 instrumental com The Beatles 

O momento da parceria não é por acaso.

Ela acontece enquanto cresce a expectativa em torno da ambiciosa série de quatro filmes biográficos dirigidos por Sam Mendes. Cada filme deverá contar a história dos Beatles a partir da perspectiva de um de seus integrantes: John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr. Tom Greene o novo CEO da Apple comanda projetos como esse e foi ele que assinou o contrato com a Universal.

A expectativa é que esses filmes provoquem uma nova onda de interesse mundial pelo grupo. O intento é que os filmes tanto mantenham o interesse dos fãs raiz como contribuam para ganhar o público jovem que ainda vai conhecer a banda.

E é justamente aí que entra a importância do acordo com a UMG.

Quando os filmes chegarem ao público, milhões de pessoas — inclusive uma nova geração que talvez esteja descobrindo os Beatles pela primeira vez — deverão procurar não apenas as músicas, mas também produtos, experiências e conteúdos relacionados, e quem terá os produtos disponíveis? A Universal. A parceria cria, portanto, uma estrutura comercial capaz de acompanhar esse novo momento.

 Entra I Want To Tell You com The Beatles 

É importante destacar que não se trata simplesmente de “vender mais camisetas dos Beatles”. O acordo representa uma estratégia para organizar e expandir a presença da marca Beatles num momento em que o grupo se prepara para voltar ao centro da cultura pop mundial. A aposta nos filmes e no museu dos Beatles faz parte dessa estratégia que bem poderia se chamar, The Beatles Século 21.

Nas últimas duas semanas imagens da recriação da travessia dos Beatles em Abbey Road com os atores principais, ganharam manchetes no mundo todo. Então os filmes de Sam Mendes podem funcionar, sim, como uma enorme porta de entrada para novos fãs.

 Entra Got To Get You In My Life take alternativo com The Beatles 

E, a partir daí, todo o universo dos Beatles poderá ganhar novo impulso: discos, edições especiais, produtos licenciados, conteúdos digitais e colecionáveis. E tudo isso não deixa de ser notável, mais de meio século depois do fim do grupo.

 Sua música continua sendo descoberta, reinterpretada e consumida em diferentes formatos. E todas as semanas estamos aqui falando das novidades do mundo Beatle, apesar de todos esses anos.  Agora, com a força dessa parceria comercial gigante com a Universal, o que vem aí é uma verdadeira revitalização global da marca Beatles.

 Entra Mystical One com George Harrison

Para fechar a participação de hoje, um pouquinho de George Harrison. Para comemorar os 60 anos do show dos Beatles no Japão, em 1966 e os 35 anos da turnê do George por aquele país em 1991, o espólio de George teve uma ideia. Relançar de novo, mais uma vez, outra vez, toda a discografia oficial dele, sem sequer umas faixas bônus.

De acordo com a estratégia adotada pela famílias, os discos virão no formato SHM, que tem uma qualidade sonora superior. E todos os álbuns retornam em formado de mini LP com capas duplas. Então até os discos que não saíram com capas duplas originais ressurgirão agora assim. São 13 álbuns, de All Things Must Pass aos dois com a banda Traveling Wilburys.

 Entra The Devil and The Deep Blue Sea com George Harrison

Do falecimento de George Harrison até aqui, esses álbuns receberam relançamentos persistentes, em mais de seis ocasiões. E isso deixa no ar uma interrogação: ou a família Harrison tem pouca coisa inédita nos arquivos, ou realmente o plano por ora é não lançar nada novo... 

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Star Trek - Jornada nas Estrelas

Em 30 de julho de 2022, morreu a Tenente Uhura!
Nichelle Nichols, aos 89 anos!
E eu disse:
Rest in Peace ... in your last Star Trek!
________________________________


A tripulação de Jornada nas Estrelas perdeu uma pioneira! 
Foi fazer companhia ao Doutor Spock! 
Scotty deve ter comandado o teleporte final!
E McCoy deve ter prestado os primeiros cuidados em sua chegada!

Ela estava entre os que foram, audaciosamente, aonde nenhum homem jamais esteve, em busca de novos mundos, novas vidas, novas civilizações, numa missão prevista para durar cinco anos, e que chega agora aos 60 anos.
Restam firmes por aqui Sulu, Chekov e o próprio Capitão Kirk, que inclusive teve seu alterego William Shatner viajando ao espaço efetivamente!
Voltando ao início...
O 1º Episódio de Star Trek foi ao ar em 8 de setembro de 1966, na NNC americana! No Brasil, chegou em 14 de janeiro de 1968, já rebatizada de Jornada nas Estrelas, e eu, aos 10 aninhos, estava lá, se não na estreia, mas certamente a mosca me pegou ainda na primeira temporada!
Há 60 anos, portanto, -o mundo conheceu a Nave Estelar Enterprise, e começou a admirar a impagável relação entre o seu Comandante, o intrépido e intuitivo humano James Tiberius Kirk, e seu Oficial de Ciências, o racional e lógico vulcano Sr. Spock, com suas orelhas pontudas. Este último, nada surpreendente que fosse racional e lógico, afinal as duas virtudes estão no sangue de quem nasce em Volcano, e na educação que recebem, na doutrina que é seguida por todos. O que deixava a personalidade de nosso Spock mais fascinante é que ele tinha um pezinho na Terra: seu pai Sarek encantou-se com a malemolência de uma professora terráquea, e deu uma daquelas escorregadas a la Lugo, o bispo matador, que pecou pois o voto de castidade que tinha era paraguaio. Brincadeira, a coisa era séria, e eles eram casados de papel-passado, lá no planeta Vulcano, que só tinha gente séria!
Então, o interracial estelar Spock vivia em batalhas internas para tentar entender como pensava seu capitão, que fazia às vezes coisas contrárias à boa norma lógica e era bem sucedido. Spock pensava nas probabilidades, Kirk contava com a sorte. Os papos entre os dois personagens eram sempre pontilhados de ironias em que as diferenças entre humanos e vulcanos apareciam. E aos poucos, Spock foi aceitando Kirk como um amigo, coisa impensável se ele fosse um puro-sangue: em seu planeta natal, a amizade era acho que era um sentimento irracional. Ou talvez, fosse amigo dele por ser ético assim ser!
A interracialidade era uma constante na tripulação da Entreprise. Seus principais tripulantes, além do americano Kirk, e do extraterreno Spock, eram o médico americano McCoy, o inglês Scott, o russo Chekov, o japonês Sulu e a africana Uhura. Duas coisas impensáveis à época: em plena guerra-fria, um russo numa posição de comando à frente de americanos, e, num país que dois anos depois mataria o líder negro Martin Luther King, uma mulher negra co-habitava com não-negros em posição de comando. O próprio Dr. King elogiou a série por isto inclusive pediu ditretamente à atriz, que desejava sair após a 1ª temporada para trabalhar na Broadway, que continuasse no papel pela importância que isso causava no ânimo das mulheres negras. E com ela ocorreu a primeira cena de beijo interracial na TV americana, com o Capitão Kirk, que era o galinha da série. Aliás, vou deixar aqui o relato de Nichele Nichols, a nossa Tenente Uhura, de como foi o encontro dela com Dr. King... é de arrepiar!! Ela estava num banquete quando foi informada de que 'um fã' queria conhecê-la. Até chorei ao ler o relato dela... vejam
I thought it was a Trekkie, and so I said, 'Sure.' I looked across the room and whoever the fan was had to wait because there was Dr. Martin Luther King walking towards me with this big grin on his face. He reached out to me and said, 'Yes, Ms. Nichols, I am your greatest fan.' He said that Star Trek was the only show that he, and his wife Coretta, would allow their three little children to stay up and watch. [She told King about her plans to leave the series because she wanted to take a role that was tied to Broadway.] I never got to tell him why, because he said, 'you cannot, you cannot...for the first time on television, we will be seen as we should be seen every day, as intelligent, quality, beautiful, people who can sing dance, and can go to space, who are professors, lawyers." Dr. King Jr went further stating "If you leave, that door can be closed because your role is not a black role, and is not a female role; he can fill it with anybody even an alien."

Legal pensar num mundo em que não existe o dinheiro, as necessidades de todos são atendidas, as doenças do planeta já estão todas mapeadas e curáveis. Um mundo sem países ou religiões, onde todos pertencem apenas à raça humana. ALGUÉM SE LEMBRA DE UMA CERTA CANÇÃO DE UM CERTO JOHN LENNON? Imagine!  Americano, Russo, Japonês são apenas referências geográficas, a coisa subiu um nível, e o importante é saber se o indivíduo é Humano, Vulcano, Romulano ou Klingon. Ao escrever-se um endereço numa correspondência, tem que se acrescentar não o país em que se vive mas .... ‘Terra’. Escrevi e até fiz um áudio sobre isso, aqui, neste LINK.
A série durou apenas 3 temporadas, teve um relativo sucesso, mas não o suficiente para uma 4ª incursão. A admiração somente apareceu mesmo, e em níveis de histeria coletiva, quando ela começou a ser reprisada, nos anos iniciais da década de 1970. Termos como phaser, teleporte, dobra espacial, começaram a ser entendidos por mais gente. A coisa virou febre, fã-clubes pipocavam nos Estados Unidos e ao redor do mundo. Kirk, Spock e sua turma viraram ícones.
Os principais responsáveis pela febre tiveram reações díspares ao fenômeno. William Shatner chegou a rejeitar a fama de Kirk, temeroso por ficar eternamente atrelado à imagem do personagem, criticava a onda, e dedicava aos que se aproximavam dele por causa de Kirk um mal-educado: "Get a life!". Entretanto, logo percebeu que a coisa era inevitável e que poderia seguramente se dar muito bem com o fenômeno, e acabou se rendendo às evidências, aparecia nos festivais de Star Trek, e era ovacionado, enfim, acabou gostando da coisa.
Já Leonard Nimoy foi mais resistente. Ator respeitável com uma carreira sólida no teatro, não admitia de jeito nenhum que ficasse eternizado apenas como o-ator-que-um-dia-interpretou-Spock. Ele chegou a escrever um livro intitulado 
"I Am Not Spock"
que provocou uma revolução na comunidade, crises de choro convulsivo, cartas de decepção chegavam aos borbotões em sua caixa de correio. Ele acabou voltando ao grupo para as filmagens do cinema, dirigiu dois dos seis filmes iniciais, que tiveram grande sucesso, e acabou por resolver o conflito interior, quando lançou um segundo livro sobre o tema, quase 20 anos depois do primeiro, desta vez intitulado: 
"I AM SPOCK"
Aquela não foi a única falha de avaliação de Nimoy com relação à franquia: foi-lhe oferecido participar da produção de uma segunda série de Star Trek, "The Next Generation", por volta de 1985, e ele recusou, achando ser impossível que a coisa desse certo uma segunda vez. 
SÓ QUE DEU!!! 
E deu certo mais um montão de vezes, afinal vieram "Deep Space 9" e "Voyager" e "Enterprise" e "Discovery" e "Picard" e "Lower Decks" e "Prodigy" e, agora, "Strange New Worlds" uma pre-quel da série original. 
Veja-se na figura o montão de filhos de Gene Rodenberry, agora já chegando ao 4º Milênio!


Como se vê, a tripulação original fez 6 filmes na telona, a da "Nova Geração" outros 4, e mais recentemente teve um ótimo ensaio sobre como tudo começou, com 3 filmes com a mesma tripulação original.
"A Nova Geração" ficou bem oito anos em cartaz na telinha, numa Enterprise modernizada para o Século XXIV, e muito por causa do charme do ator shakespeareano Patrick Stewart interpretando seu francês capitão Jean Luc Picard, e da simpatia de Data, o andróide que queria ser humano! E ainda ganhou o direito de perpetuar a série na telona em mais 4 filmes. Data pode ter sido uma das razões para o fim dos filmes, afinal estava difícil manter o ator que fazia o papel de andróide com a cara imutável, já estava ficando constrangedor. Além disso, contribuiu o pouco sucesso do 10º filme. SÓ QUE NÃO! O ator voltou, há uns 4 anos com o mesmo personagem na séria "Picard"
Os últimos 3 filmes da telona foram uma retomada ou "reboot" que ofereceu uma boa linha de continuação da magia, justamente tentando recuperar a mágica interação entre os dois títeres, Kirk e Spock, contando como tudo começou. O resultado foi ótimo, bem recebidos pelos fãs, mesmo tendo destruído Volcano, provocando uma outra linha do tempo. A continuidade ainda está em jogo, principalmente depois da perda do astro que fez o novo Chekov, num incrível acidente doméstico.
E o nome do filme lançador da retomada na telona foi bastante interessante, super-apropriado para quem queria um recomeço....
... simplesmente ...
“Jornada nas Estrelas”.
Pudemos embarcar novamente!
Beam me up, Scotty!


quarta-feira, 19 de agosto de 2026

De Pernas Bambas



Narrei este texto para um amigo que descobri recentemente estar cego.
Foi a semente do Projeto Homerix em Áudio.
Como que um "Episódio Piloto".
Como o texto é grande, ficou em DOIS Áudios


Conto pra vocês aqui, como foi essa emoção, que me deixou .... de pernas bambas...

___________________________________________

         Data:               23 de março de 2007
Local:              Praça da Apoteose (foi o que lá aconteceu!)
Motivo:            Show de Rock (é pouco para defini-lo)
Título:             The Dark Side Of The Moon
Artista:            Roger Waters


ÁUDIO 1
Clique no Play Verdino para ouvir

View on Vocaroo >>

.... o que está escrito a seguir! 

Amigos, eu disse que ia e fui! Fui e me emocionei! Fiquei emocionado e satisfeito, por ter proporcionado a meus filhos um momento mágico! Valeu cada dollar & cent, pound, shilling and pence!!! 
Era Roger Waters, no show Dark Side of The Moon, que foi na Praça da Apoteose
Como eu disse, eu fui e me emocionei!
Foi um excelente retorno à minha presença em meio a multidões, seriamente ameaçada de extinção pelos acontecimentos nefastos ocorridos no (would be) show dos Rolling Stones, em Copacabana. É bem verdade que o principal critério para o meu retorno estava obedecido: o ingresso era bem carinho! De ‘grátis’, nunca mais!
Abrimos o programa com chave de ouro: pegamos um táxi dirigido por um motorista incomum. Ele ouvia U2 em seu CD. Com o andamento da corrida, o meu filho notou que não se tratava de uma compilação (Arrrgh!), e sim de um dos discos de carreira da banda irlandesa, Achtung Baby. Fui conversando com meus filhos e uma bela hora disse a eles: “Já estou até me arrepiando, só de imaginar os acordes iniciais do show!” Eles duvidaram que eu soubesse. Então, eu cantarolei ....
Tchaaaaaaan -- Tchaaaaaaan -- Tchaaan Tchaaaan Tchaaaan Tchaaaaaaan –-
Tchaaaan  Tchaaaan Tchaaaaaaan -- 
                        ... e, imediatamente, o motorista falou: “In The Flesh”, acertando em cheio e, na carne,  o título da música cujos acordes eu entoara. Ante o nosso espanto, ele disse: “Vou fazer mais umas duas ou três corridas e me colocar ao lado da Praça, para poder acompanhar o show!!!”.
                        Foi ou não foi um começo auspicioso? Pra entrar no clima!
                        Depois de ter a emoção de caminhar por toda a Marquês de Sapucaí, única forma de alcançar a praça, lá chegamos, mais ou menos 90 minutos antes do show, e conseguimos nos colocar a uns 20 metros do palco. Deu pra sentir o que estava por vir quando notamos 4 Carvalhões (aqueles guindastes enormes), dois a dois postados por trás das arquibancadas leste e oeste, onde estavam pendurados 4 gigantescos ‘alto’-falantes. Sim, ‘alto’, e não ‘auto’, pois seguramente dali sairia um som extremamente alto. Estava garantido o som surround, marca registrada de Roger. A música de aquecimento era boa, Tom Petty, Bob Dylan e Chuck Berry, de forma que o tempo passou rápido. No telão, uma imagem em altíssima definição mostrava um rádio, na frente dele um copo e uma garrafa de Red Label a meio-pau, em cima dele uma miniatura de um avião da época da segunda guerra e um soldadinho. Dez minutos antes de começar o show, aparece no telão uma fumacinha de cigarro, (a platéia se ouriça!) logo depois uma mão gira o dial (a platéia vibra!) e muda de estação (nesse momento, o som já é o ofical, do show). No meio da canção, a mão chega de novo, serve uma dose de whiskey e procura outra estação e encontra uma canção do Abba, muda rapidamente, encontra outra do Abba, mais uma vez sai de lá para um terceira, e só depois desta, encontra uma em que o dial descansa. Muito engraçado!!!!
Chega a hora, 9:30 em ponto, aparece a banda, depois Roger (a platéia urra!), e, então, os primeiros acordes:
Tchaaaaaaan -- Tchaaaaaaan -- Tchaaan Tchaaaan Tchaaaan Tchaaaaaaan –-
Tchaaaan  Tchaaaan Tchaaaaaaan –
.... batata! Tinha que ser: além dos acordes arrebatadores, perfeitos para uma abertura, a letra dá boas-vindas a quem está no show: “So you thought you might like to go to the show.
A canção é do álbum duplo The Wall79, obra-prima (mais uma) da carreira do Pink Floyd, também idealizada por Roger, onde ele expressa seu inconformismo pela perda de seu pai na segunda guerra, e destila sua ironia em “Mother”, um diálogo com a mãe viúva, que ele felizmente reproduz no show: quando ele pergunta “Mother, should I run for President?”, a platéia responde “Yeah”; depois, “Mother, should I trust the government?”, e a platéia, em uníssono, “No”. Chega, então, a primeira vez que temos a oportunidade de ouvir a voz que nos assombraria uma hora (or so) depois, de uma das cantoras negras do trio vocal de apoio, interpretando a mãe do perturbado menino Roger, ainda na mesma canção.
Depois, uma única concessão ao tempo pre-Dark Side, com “Set The Controls To The Heart of The Sun” de A Saucerful Of Secrets68. Preferia que ele arriscasse mais e tentasse reproduzir no palco a mais abstrata e concreta canção da época,  “Several Species of Small Furry Animals Gathered Together in a Cave and Grooving with a Pict” (Gostaram do título? Precisam ouvir a música!) do álbum duplo Ummagumma69, mas seria pedir demais.
Segue o show e chega a hora de homenagear o amigo Syd Barret, outro fundador do Pink Floyd, morto em 2006, após quase 40 anos escondido num porão, mergulhado em perenes alucinações, fruto indelével das pesadas drogas que tomara em sua juventude, terminando precocemente sua carreira: do álbum Wish You Were Here75, Roger canta a canção título, que a platéia acompanha inteirinha, quase às lágrimas (pelo menos, eu estava!), e “Shine On You Crazy Diamond”, também acompanhada com emoção.
A platéia permite, respeitosa, que Roger entoe duas canções não lá muito famosas, do álbum The Final Cut83, a própria canção-título e “The Fletcher Memorial Home”, que foram acompanhadas apenas pelos mais fanáticos (que eram muitos!). Digo isso, pois o álbum, que foi o último da carreira do Pink Floyd ainda com Roger Waters no grupo, era meio chatinho, e poderia mesmo ser considerado como o primeiro álbum de sua carreira solo, também chatinha (com exceção do álbum mencionado a seguir), já que não há contribuições autorais dos demais membros David Gilmour, Richard Wright e Nick Mason, que lá estão como meros (e excelentes) instrumentistas. Aliás, o título do álbum foi mais que premonitório.
Da carreira solo, Roger canta, então, a magnífica “Perfect Sense”, do álbum Amused to Death92. Em sua Parte 1, a canção é interpretada por aquela mesma cantora que, apesar de continuar vocalmente perfeita, certamente não poderia estar com um sorriso no rosto ao entoar versos como: “And the Germans killed the Jews, and the Jews killed the Arabs, and the Arabs killed the hostages, and that is the news!”, ou então, o supremo, contumaz e agonizante grito de desespero “Why do I have to keep reading these technical manuals?”. Um claro ponto para melhoria. Na Parte 2, Roger volta com sua voz rouca para entoar, como eu disse uma vez, o ápice de uma letra de Rock em todos os tempos, “Can't you see? It all makes perfect sense, expressed in dollars and cents, pounds, shillings and pence! Can't you see? It all makes perfect sense”. No telão, as imagens de um estádio onde se travará uma desigual batalha entre um submarino nuclear (mencionado na Parte 1) e uma plataforma de petróleo. Toda a potência é despejada nos auto-falantes com um coral gravado entoando o refrão (junto com a platéia, claro!) e, no momento em que os mísseis atingem a indefesa plataforma, clímax magnífico, booom, explosões no palco e ...... fim! Tudo se apaga! A sobre-carga foi demais! Uma interrupção não programada de 15 minutos! Pensei “... tinha que acontecer no Brasil?!” Enquanto a produção se debatia para sanar o problema, Roger, muito simpático, veio ao palco e autografou inúmeras camisas que o público jogava.
(como já estou em 10 minutos de áudio, vou parar por aqui... depois... o resto)


ÁUDIO 2
Clique no Play Verdinho para ouvir

.... o que está escrito a seguir! 
Felizmente, tudo se resolveu, Roger voltou, pediu desculpas, fez uma piadinha, jogando a culpa pelo estrago na platéia, que cantara alto demais, e anunciou uma canção nova, “Living in Beirut”. Sabiamente, ele coloca no telão, uma história em quadrinhos e a letra da inédita obra, que de outra forma, não poderia ser admirada, basicamente falando mal de Bush e de Blair (não confundir com ‘A Bruxa de Blair’!). O guitarrista solo nessa hora (uma figurinha carimbada de vários shows de rock) usava um chapéu de cow-boy texano e tirava sons muito diferentes de sua guitarra, que empunhava tal como se fosse uma metralhadora atirando. Bom momento!
A primeira parte do show termina com a movimentada “Sheep” do álbum Animals77, que só tinha animais como títulos de canção, entre eles, o porco. Na época do álbum, para tirar a foto da capa, eles criaram um imenso porco inflável, que aparecia ‘voando’ em frente a uma estação elétrica. Aliás, conta-se que, na ocasião, o artefato acabou se enroscando numa rede de alta tensão, provocando um black-out generalizado em Londres. Bem, para gáudio do público, que se deliciava com a magnífica interpretação de Roger (a canção é bem gritada!), eis que surge, do lado direito do palco, ele póprio, o porco voador, com frases politicamente (in)corretas (“Ordem e Progresso Não, All We Need is Education!”) pintadas em seu corpo cor-de-rosa. Seguro por cabos, ele vai passeando por sobre a platéia e quando a canção acaba, e Roger anuncia o intervalo, ele se desprende e começa a subir, subir, subir, para festa da platéia e desespero dos inúmeros aviões que, propositalmente ou não, passavam por sobre a Sapucaí (foram uns 4 ou 5). Magnífico momento!
O intervalo, ao contrário dos normais, em que nada se faz, teve a atração de ver o porco sumindo, sumindo, sumindo, ao mesmo tempo que, no telão, uma lua ia chegando, chegando, chegando, anunciando a segunda parte do show, que, como prometido, teria a execução, na íntegra, sem mudar uma única vírgula, de The Dark Side Of The Moon73, o disco de maior sucesso de todos os tempos, que permaneceu na parada americana por ininterruptos 14 anos. O Pink Floyd de David Gilmour já havia feito o mesmo no show Pulse93. E assim se fez novamente, desta vez, igualzinho ao original, digo, 99,9% igual. Seguem alguns momentos memoráveis:
·         Time”: Introdução com tic-tac do relógio tocado no baixo de Roger; o esforço do percussionista para reproduzir a bateria elétrica exatamente como no original, prejudicado no final porque ele mesmo era o baterista e tinha que trocar de instrumento no instante mágico em que bate TumTumTum e entra a letra : “Ticking away the moments that make up a dull day...” cantada, literalmente, por todos os presentes, um arrepio só!
·         On the Run”: Instrumental perfeitamente reproduzido, com o bônus de uma su-woofer gigantesca que faz o chão vibrar, quase tremer. Senti-me no Japão!
·         Money” e “Us And Them”, clássicos eternos, com desempenhos de guitarra e saxofone de estrebuchar de tão similares aos originais!
·         A Great Gig On The Sky”: Aqui foi o grande desempenho da cantora negra. O que ela faz, tecnicamente, chama-se ‘vocal improvisation’, na verdade, aqui pode ser chamada o de ‘vocal copiation’, posto que o que se ouviu foi i-d-ê-n-t-i-c-o ao da cantora original, 34 anos atrás. E não vai aqui nenhuma ironia no comentário, pois isto é exatamente o que os fãs querem: cópia perfeita! E acho mesmo que ela cantou até melhor, com mais potência! Aliás, falando em potência, enxergo, ou melhor, ouço esta canção de uma forma que nunca vi descrita em lugar nenhum: trata-se da vocalização da reação feminina de vários momentos de uma relação sexual, começando nos preparativos, depois, a aceleração (acompanhada por um ‘crescendo’ vocal), chegando ao clímax (onde os gritos da cantora são mais lancinantes) e depois a calmaria, o cigarro (pra quem fuma), o ‘foi bom pra você?’, quando os decibéis voltam ao normal, o ritmo fica mais lento, enfim, ouçam agora esta canção com esses ouvidos imaginosos e me digam se tenho um pouco de razão, ou viajei na mayonnaise!
·         Brain Damage” e “Eclipse”, as duas últimas canções do álbum têm a companhia da evolução de um artefato que estava lá em cima, no meio do palco, cuja presença não havíamos notado até o momento em que foi acionado. Só aí apareceu sua verdadeira forma, o famoso prisma  da capa do disco! As quatro arestas do prisma eram formadas por quatro raios laser que se materializavam sobre o gelo seco lançado sobre a parafernália. Depois, um quinto raio simulava a formação das 7 cores do arco-íris, um efeito bem parecido com o da capa. Legal!
Ih! Acho que acabei considerando memoráveis quase todas as canções do disco! Tudo bem, realmente merece.
Bem, depois vem o final falso, quando eles fazem aquela onda toda, dizem que vão embora, agradecem ao público, depois a gente grita, pede para eles voltarem e eles voltam e tocam mais 2 ou 3 canções. Dito e feito. O show termina com 3, ou melhor, 5 canções de The Wall79:
·         The Happiest Days of Our Lives”/ “ Another Brick In The Wall – Part 1&2”: Ele traz ao palco um coral de 15 crianças para cantar o antológico “We don’t need no education  ... Hey teacher, leave them kids alone”. Na verdade, elas fingem que cantam, pois o que sai da caixa é exatamente aquele sotaque inglês do disco! Ao menos, eles fazem uma coreografia, acompanhando com palmas;
·         Vera”/“Bring The Boys Back Home”: Esta última, muito apropriada para o momento de guerra, foi acompanhada no telão por imagens de Bush, imediatamente recebidas por sinais nada educados com o dedo médio em riste, da platéia;
·         Comfortably Numb”, sem palavras.
Cai o Pano! Sem segundo bis, saímos com a alma lavada e as pernas bambas, misto de cansaço e emoção.


É Legal Ser Negão no Senegal

Renata esteve no Acre a divulgar seus livros,  a convite e expensas do SESC. E testemunhou o inclemente sol.  E me lembrei da expressão Ca...